A LEITURA COMO ATO INDISPENSÁVEL À FORMAÇÃO DOCENTE

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1 A LEITURA COMO ATO INDISPENSÁVEL À FORMAÇÃO DOCENTE Ingrid Vanessa de Oliveira Maria de Fátima Dias Cavalcante Gomes Luciana Silva do Nascimento RESUMO Este artigo versa a leitura como ato indispensável à formação docente. O estudo é decorrente de alguns resultados delineados da pesquisa Formação de Professores: A Leitura na Aprendizagem da Profissão, desenvolvida no âmbito do Grupo de Pesquisa Docência no Ensino Superior e na Educação Básica. Os sujeitos da pesquisa foram estudantes do curso de Pedagogia da. A investigação apoia-se na pesquisa qualitativa e na técnica do grupo focal, fundamentando-se nos aportes teóricos de Farias (2009), Freire (1998), Imbernón (2002) e Ribeiro (2012). Apresenta-se como objetivo central, demonstrar o papel da leitura como aspecto indispensável para formação inicial de professores. A problemática que envolve este trabalho decorre da maneira de como a prática da leitura é vivenciada pelos alunos, desde a sua experiência inicial na esfera escolar, até seu ingresso à universidade. A prática da leitura torna-se essencial na formação do sujeito, esta, necessita estar articulada à realidade do leitor, para que ele tenha apreensão do que está sendo apresentado e possa se posicionar criticamente diante ao que está sendo exposto, tendo, portanto, autonomia perante suas leituras. Os resultados da análise evidenciam que os alunos não têm o hábito leitor na universidade, por ter experiências negativas, oriundas da sua formação no sistema básico de ensino, todavia, os mesmos reconhecem que, a leitura exposta no meio acadêmico contribui para sua formação leitora e que esta, é primordial nos cursos de formação de professores, por ter finalidades, e, aspectos críticos e reflexivos para a prática docente. Palavras chaves: Leitura. Práticas de Leitura. Formação Docente. INTRODUÇÃO A prática da leitura evidencia-se como elemento fundamental no curso de Pedagogia pela característica que esta tem em si, de desenvolver no sujeito, criticidade, reflexão e autonomia no exercício de sua profissão. O estudo, portanto, tem a finalidade de demonstrar o papel da leitura na formação humana e como aspecto indispensável para a formação inicial de professores. Este trabalho é decorrente de alguns resultados da pesquisa Formação de professores: a leitura na aprendizagem da profissão docente desenvolvida no âmbito do Grupo de Pesquisa Docência no Ensino Superior e na Educação Básica na Universidade Estadual do Ceará UECE

2 2 A relevância de abordar o estudo deve-se ao fato de que, alunos estão ingressando à universidade com a prática de leitura comprometida, por experiências negativas, exercidas no âmbito da educação básica perante as leituras expostas, deixando-os diante de um problema que se intensifica nos cursos de formação de professores. Para que a prática leitora seja efetivamente concretizada na universidade, é necessário que se compreenda como os discentes estão chegando à academia, no que diz respeito à obtenção que estes têm referente à leitura e quais suas experiências anteriores no exercício desta, para que a partir dessa análise, o docente seja capaz de aprimorar o hábito leitor de seus licenciandos, tornando-os aptos na aquisição das várias leituras que constitui o espaço acadêmico, a sua capacidade de reflexão e sua autonomia diante ao que está sendo apresentado. Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa exploratória, utilizando-se como recursos para efetivação da mesma, a análise de documentos impressos e digitais, bem como a realização de entrevistas semi-estruturadas repercutidas na vivência do grupo focal com licenciandos do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Ceará UECE. As informações que abrange as várias técnicas adotadas foram organizadas num banco de dados (Nudist) e dentre os vários autores que compõe a pesquisa, tivemos como aporte teórico para essa análise Farias (2009), Freire (1998), Imbernón (2002) e Ribeiro (2012). 2. LEITURA E FORMAÇÃO DOCENTE A prática leitora é um ato indispensável na formação humana, esta se faz presente na vida do sujeito antes mesmo de ele estar inserido no ambiente escolar, contudo, o vínculo que se estabelece entre o indivíduo e a leitura partem de suas vivências e se faz presente a partir de suas ações, de formas distintas e com múltiplos significados. Freire (1998, p. 11) pontua que: A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente.. É importante também, destacarmos, a importância de se trabalhar o hábito leitor, desde o ensino básico, para que a prática leitora não se perca do desenvolvimento humano, como se evidencia na voz do grupo: [...] "A compreensão critica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo (Paulo Freire) ai eu fiz uma observação essa importância deve ser presente durante toda a vida escolar, iniciando-se na educação infantil e Ensino Fundamental, por isso é necessário construirmos em nós essa importância para que possamos repassar aos nossos futuros educandos, 01088

3 3 contribuindo assim, para a formação moral e educativa dessas crianças, porque a gente esta aqui na Universidade e agora a gente tem o papel de construir para a gente poder repassar isso para eles. A relação entre leitura e as subjetividades do sujeito (a forma como cada um observa tudo que está ao seu redor, suas experiências, sua realidade, etc.), devem estar sempre articuladas, para haver significado na apreensão e aquisição do conhecimento deste, como da sua própria prática leitora em construção. Com isto, o discente irá se sentir estimulado a expandir seus conhecimentos, criando assim, autonomia diante de suas leituras, desenvolvendo, portanto, uma postura crítica referente ao que está sendo sugerido. Contudo este caráter se constitui a partir do contato criado no convívio social, perpassando pelo âmbito escolar, do qual este deveria ser o meio propiciador para a efetivação do hábito leitor do aluno, estimulando o caráter critico e reflexivo desse indivíduo, para que seu desenvolvimento se dê durante toda sua transição no meio educacional. A docência exige de seus profissionais, uma atividade constante de leitura, logo, a apreensão da mesma, já que, demanda ao professor o exercício inevitável na sua prática pedagógica de seus princípios políticos, morais e éticos, evidenciado o papel complexo que estabelece por meios das leituras que circulam o âmbito acadêmico. Verifica-se isto, na voz do grupo: Quando você começa a ler, você começa a ver outras coisas, que chamam outras coisas e seu conhecimento vai crescendo e isso tudo é proporcionado através da leitura. A sua formação vai depender do que você leu, do que você buscou, querendo ou não. É evidente, a partir da voz do grupo, a importância da prática leitora na concepção do sujeito, já que esta possibilita ao indivíduo comunicar-se e desenvolver-se criticamente, além de possibilitar diversas atividades, da mais ingênua, como ler a placa de uma rua ou avenida, a mais complexa, como ler um livro e dele produzir ideias reflexivas, proporcionando também a comunicação por meio da escrita. Apesar de a leitura assumir um papel formador na carreira docente, o hábito leitor, é pouco vivenciado na universidade, Farias (2009) enfatiza a função que caberia às instituições escolares, pois estas se ausentam da formação básica de leituras, ocasionando fragilidade no ensino-aprendizagem dos discentes ingressos na academia. Compete nesse aspecto, ao professor universitário ter um olhar amplo a respeito de seus alunos, levando em consideração as particularidades de sua turma, cabendo ao mesmo, incentivar os licenciandos a criar e manter uma rotina leitora. Ribeiro (2012) reflete a 01089

4 4 respeito dos inúmeros textos que se leem na sala de aula, destacando a menção que os professores fazem desses graduandos, crendo que estes, tenham um hábito corriqueiro de leitura, havendo, portanto um equívoco por parte desses docentes, criando-se um perfil sob um determinado tipo de discente: aquele que é acostumado a interpretar uma literatura acadêmica de cunho mais complexo. Evidenciamos, portanto, a relevância que se faz a respeito do papel da leitura na formação de professores, comprovando esta, ser primordial no ato da prática docente. A ação leitora transcorre todo o processo de desenvolvimento do sujeito e perpassa o ensino superior, mas é demonstrado a nós que, essa ação, tem uma deficiência desde o primeiro contato com a instituição escolar, pois este hábito deveria se manifestar intensamente neste espaço pedagógico, mas nele, não se solidifica essa prática corriqueiramente e o aporte cultural é pouco favorável, dificultando o processo de desenvolvimento letrado dos alunos, desde a sua educação básica, levando a sérias consequências quando este chega ao ensino superior. CONSIDERAÇÕES FINAIS É indispensável destacar a função da leitura e consequentemente sua prática na formação do sujeito, esta demonstra ser essencial durante toda a vida do indivíduo, já que se faz presente corriqueiramente, para que o homem possa dialogar com o outro, a partir de perspectivas diferentes e permite a este, a atitude de desempenhar uma postura reflexiva, crítica, perante a sociedade e à sua prática educativa, isto torna suas atividades mais elaboradas, na aquisição, na compreensão e na construção de conhecimentos. As reflexões que se constata dos estudantes de pedagogia, apresenta-se em torno da importância da leitura e ao hábito leitor dos mesmos durante toda a trajetória do sujeito, dando início a essa prática na educação básica, para quando este, ingressar na universidade poder desenvolver-se e ter um desempenho eficaz, tanto em relação à compreensão das leituras acadêmicas, como da própria escrita e à sua postura. Todavia, é necessário que se coloque em foco a cultura leitora dos licenciandos, visto que, é preciso ser levado em consideração as subjetividades de cada um e seu hábito leitor, e quando este não estiver aprimorado, cabe ao professor universitário, incentivar seus alunos, competindo aos discentes o ato de leitura, como embasamento durante sua formação, já que, para ensinar, é necessário ler. Sob essa perspectiva, concluímos que a formação inicial docente, necessita favorecer e possibilitar de forma concreta o acesso à leitura, como algo essencial para a 01090

5 5 formação de um profissional qualificado, para que este lide com as diversas situações que compete ao âmbito escolar, incentivando a prática leitora nas escolas, aos seus futuros alunos, para quando estes, chegarem à universidade, não sentirem inúmera dificuldade, como é sentida atualmente por estudantes recém-chegados ao ambiente acadêmico, e assim, possibilitando desta forma uma formação de mais alunos leitores. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FARIAS, Mônica Façanha. Atos de leitura no contexto acadêmico: discursos e práticas na formação superior. Fortaleza: EdUECE, FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, IMBERNÓN, Francisco. Formação docente e profissional: formar-se para a mudança e a incerteza. 3ª. Ed. São Paulo: Cortez, RIBEIRO, Rosa Maria Barros; PEIXOTO, Renata Castelo; COSTA, Expedito Welligton Chaves; PINHEIRO, Joserlene Lima. (Orgs.). Leitura e construção do conhecimento na Universidade. Fortaleza: EdUECE/ABEU,

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