Instituto Superior de Economia e Gestão Departamento de Gestão Mestrado em Ciências Actuariais

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1 Instituto Superior de Economia e Gestão Departamento de Gestão Mestrado em Ciências Actuariais Gestão de Empresas Seguradoras Produtos e serviços Prof. Doutor Carlos Pereira da Silva Ano lectivo: 2007/2008

2 1.OS PRODUTOS OS SEGUROS DE VIDA OS SEGUROS NÃO VIDA UMA NOVA ABORDAGEM DOS SEGUROS: RISCOS DE RENDIMENTO, RISCOS DE PATRIMÓNIO E RISCOS DE RESPONSABILIDADE CIVIL OS SEGUROS OBRIGATÓRIOS E OS SEGUROS SOCIAIS OS SERVIÇOS ESPECIACIALIZADOS E FINANCEIROS: AS OPERAÇÕES DAS COMPANHIAS DE SEGUROS A ORGANIZAÇÃO TRADICIONAL DE UMA COMPANHIA DE SEGUROS O SISTEMA DE NEGÓCIO A DISTRIBUIÇÃO O UNDERWRITING TARIFICAÇÃO As Tarifas de Prémio nos Seguros Não Vida Decomposição do Prémio Comercial O Cálculo do Prémio de Risco O Prémio Comercial A tarificação com base na experiência O melhor exemplo é o sistema de bonus malus aplicado no Seguro Automóvel. O prémio base é reduzido em cada anuidade sem sinistro participado As Tarifas dos Seguros de Vida SERVIÇO DE APÓLICES SERVIÇO DE SINISTROS SERVIÇO DE INVESTIMENTO O CICLO DE NEGÓCIOS ANEXO DOS RAMOS EVOLUÇÃO DO PESO DA ACTIVIDADE SEGURADORA NA ECONOMIA... 25

3 I ENQUADRAMENTO 1. Noção de risco e Incerteza A existência de um programa de gestão de riscos empresariais contribui para a manutenção da solvência da empresa, elimina a incerteza acerca dos resultados da exploração estabilizando por isso os fluxos financeiros futuros, constitui uma informação pertinente que sinaliza positivamente a empresa no seu meio ambiente gerando confiança aos accionistas, satisfação aos clientes e segurança aos fornecedores.

4 Num livro famoso[1], a noção de risco aparece sempre associada aos aspectos empresariais, que na teoria do risco e da incerteza se denomina risco especulativo (aquele onde se pode ganhar ou perder) em contraposição ao risco puro (aquele onde na melhor das hipóteses se fica na mesma). A consequência dos riscos puros em termos da empresa está completamente fora da preocupação do analista. Esta visão está correcta se se admitir que a empresa está perfeitamente segura, ou, numa hipótese mais forte, ela funciona num mundo onde não existem tais riscos. Ao analisar-se o contexto da decisão do gestor, apercebemo-nos que o risco puro influencia a actividade, não só a de produção e de distribuição, mas também a própria gestão dos recursos humanos (endividamento social). [1]Helfert. E.[1991] Tecnhiques of financial analysis. 7 ed. Irwin

5 S investimento operações financiamento disponibilidades despesas fornecedores devedores vendas emp.curto praz. S stocks custo merc o.dívidas S activos fixos desp. venda divida longa S outr.activo rendimento situaç. liquida Os S correspondem a pontos críticos em termos de risco puro. A obtenção de um excedente sobre os custos dos factores, que aumente a riqueza da empresa é incerta, quer por razões de mercado, o que é do conhecimento de qualquer gestor, quer por razões de riscos aleatórios, o que deve ser do conhecimento do risk manager da empresa.

6 Já em 1921 Knight[1] na sua tese de doutoramento, associava à noção de lucro o conceito de incerteza e medida do risco. Para Knight risco é correntemente usado no sentido de perda para referir qualquer tipo de incerteza analisada de um ponto de vista de contingência desfavorável, e o termo incerteza, de forma similar, em referência ao resultado favorável. Fala-se assim de um "risco" de perda e "incerteza" de um ganho. Podemos também empregar o termo probabilidade objectiva para designar o risco e probabilidade subjectiva para designar a incerteza. [1]Knight, F. Risk,[1921] Uncertainty and Profit. Uni. Chicago Press

7 A diferença prática entre as duas categorias, risco e incerteza, é que: no risco, a distribuição do resultado num grupo de possibilidades é conhecido (seja por cálculo à priori ou a partir de estatísticas da experiência passada) na incerteza isto não é verdade, devido à impossibilidade de formar um grupo de resultados, uma vez que a situação com que se trabalha ser em alto grau, única. O risco que dá origem ao lucro é uma incerteza que não pode ser avaliada em ligação com uma situação tal que não existe qualquer possibilidade de agrupamento em qualquer base que se imagine.

8 2. Os problemas do risco na empresa O circuito produtivo e de distribuição da empresa pode ser posto em causa pelos seguintes tipos de riscos: Riscos especulativos ou empresariais relacionados com a escolha da combinação de recursos óptima, as necessidades da clientela e a particular situação de mercado Riscos financeiros derivados da estrutura de capital utilizada pela empresa Riscos puros relacionados com acontecimentos aleatórios que podem pôr em causa a sobrevivência da empresa.

9 Em relação à primeira categoria de riscos o empresário deve assumir a sua gestão, ganhar por esse facto e aceitar em contrapartida a falência quando deixar de satisfazer as necessidades da sua clientela. Nos segundos o empresário só deve emitir dívida à taxa de rentabilidade interna do seu projecto de forma a imunizar os riscos de rendimento e de capital. Nos terceiros o empresário protege-se organizando um programa de gestão de riscos, que inclui necessáriamente a transferência de riscos para terceiros.

10 Parte II-Produtos e Funções das Seguradoras 1.Os produtos O negócio Companhia de Seguros é liquidar obrigações resultantes de promessas, em contrapartida dos prémios pagos Normalmente identificam-se os produtos de seguro como ramos de seguro de acordo com a definição legal (decreto lei 94-B/98). -Seguros de Vida -Seguros Não Vida 1.1. Os seguros de Vida Consideram-se no ramo Vida duas grandes subdivisões: os seguros em caso de morte e os seguros em caso de vida. Muitos dos seguros de vida comercializados pelas seguradoras têm uma componente de morte, variável em função da idade e necessidades do cliente, e uma componente de poupança, em caso de vida, função do objectivo da capitalização

11 Os seguros em caso de morte, temporários ou vitalícios, cobrem os riscos de morte, natural ou acidental, que interrompem o curso normal da vida humana e impedem que o segurado termine o processo de acumulação da riqueza destinada a um beneficiário. Por exemplo um seguro em caso de morte de prazo n e capital C é igual a: P = C v l 12 / x n 1 k = 0 k v d x+ k Muitos segurados não dispõem do montante do prémio único, a seguradora concede-lhes um crédito, aceitando que seja amortizado periodicamente através do pagamento de uma anuidade, mas garantindo simultaneamente o pagamento do capital em caso de morte, ainda que a totalidade da dívida de prémio não esteja amortizada. Os seguros em caso de vida, temporários ou vitalícios, para constituição de um capital ou pagamento de uma renda, tendo em conta técnicas combinadas de capitalização e de mortalidade. Muitos possuem uma opção implícita de conversão do capital em renda vitalicia a uma taxa de juro garantida durante um certo prazo

12 Este capital constitui uma verdadeira poupança, cujo fim é cobertura de necessidades de consumo diferidas. Por exemplo o prémio único de um capital diferido é: l x + k ( k ) PU = C * v l Prémio que também pode ser nivelado e pago em prestações periódicas. Mais recentemente, e ainda numa óptica tradicional, tende a utilizar-se preferencialmente a subdivisão em seguros de Previdência e seguros de Poupança e Reforma. x Os seguros de Previdência tem como objectivo a cobertura de riscos aleatórios (morte, invalidez) que afectam a vida das pessoas. Incluem-se assim nesta subdivisão certos ramos não vida (Acidentes Pessoais e Doença) que entram em programas de cobertura de necessidades de previdência privada. Os seguros de Poupança e Reforma têm como objectivo programar a cobertura de necessidades de consumo diferidas, seja durante o período de vida activo para aquisição e substituição de bens e serviços, seja durante o período de vida na reforma, para fazer face a necessidades de rendimento adicional.

13 1.2. Os seguros não vida Os seguros não vida são classificados em três grandes subdivisões: seguros de coisas, seguros de pessoas e seguros de responsabilidades, destacando-se nestes últimos os seguros obrigatórios por lei (Acidentes de Trabalho e Responsabilidade Civil Automóvel). Os seguros de coisas, destinam-se à garantia do valor da riqueza, dos bens e das mercadorias e cuja utilidade pode ser destruída pela ocorrência de sinistros aleatórios. nos seguros de coisas, existe uma relação entre o valor do património e o montante da amortização que o segurado tem de fazer para o reconstituir. O problema que se põe é o que fazer quando o património é destruído antes de estar terminado o processo de amortização. O prémio de seguro é, em certa medida, o valor actuarial das amortizações futuras ponderado pela probabilidade de ocorrência do sinistro. A seguradora gere estas amortizações por conta dos segurados que subscreveram apólices de seguro de coisas.

14 Os seguros de pessoas pretendem fornecer protecção à vida e à saúde das pessoas em consequência de acidentes ou doença, que interrompem a sua actividade corrente. seguros de acidentes pessoais (morte, invalidez, incapacidade) e os seguros de doença (com ou sem subsídio por incapacidade) tendem a ser associados a coberturas do ramo vida com o objectivo de criação de pacotes de coberturas de previdência privada. Antes da generalização das coberturas de previdência da Segurança Social era normal, as pessoas pouparem para os tempos difíceis, ou para fazerem face a situações de doença, principalmente. O facto de se substituir a poupança de precaução, de montante aleatório e dependente do rendimento disponível, por um prémio de seguro facilmente quantificável, não retira a essência do objectivo dessa poupança.

15 Os seguros de responsabilidade civil geral, de produtos ou profissional, cobrem danos a terceiros e/ou à sua propriedade, em consequência de sinistros da responsabilidade do segurado, no sentido em que são por este provocados ou tenham origem no seu património ou actividade. Nos seguros de responsabilidade civil geral consideramse os danos resultantes de acidentes provocados pelo segurado (por exemplo na sequência de um incêndio propagado, de uma inundação iniciada na propriedade do segurado, etc) e os sinistros devido a riscos ecológicos ligados à economia; Nos seguros de responsabilidade civil de produtos pretende-se cobrir os danos provocados pela utilização de produtos fabricados ou comercializados pelo segurado; Nos seguros de responsabilidade civil profissional pretende-se garantir cobertura de actos negligentes, seja sobre o terceiro seja sobre o seu património, independentemente de procedimento criminal a que o segurado possa estar sujeito pelas consequências desses actos.

16 Por exemplo, a responsabilidde civil profissional dos médicos pode ser transferida para uma seguradora que cobre a negligência médica, mas que não impede o procedimento criminal se o acto for merecedor de passar em juízo. Nos seguros de responsabilidade civil não existe um verdadeiro mecanismo de captação da poupança dado que o montante da perda pode ser ilimitado. Qualquer reserva constituída pelo segurado pode ser insuficiente para fazer face à indemnização (é o caso de desastres ecológicos) pelo que a subscrição de uma apólice de seguros parece conveniente.

17 1.3. Uma nova abordagem dos Seguros: riscos de rendimento e financeiros, riscos de património e riscos de responsabilidade civil Inconveniente das abordagens tradicionais :obrigam à partição da função de utilidade do consumidor de seguros ( separação entre vida e não vida) e forçando, no interior de cada uma destas categorias, à consideração de aspectos parcelares de cobertura de riscos, por exemplo, incêndio, automóvel, etc. A impossibilidade de respeitar a unidade do indivíduo avesso ao risco, que procura um serviço global de cobertura de riscos, impede a passagem de uma visão de seguros em termos de oferta de produtos, para uma visão em termos de procura de serviços. Estes inconvenientes são atenuados quando se olha para o cliente em termos de riscos de rendimento e financeiros, riscos de património e riscos de responsabilidade civil. Nesta óptica, o indivíduo que compra seguros é visto como um agente diversificador que adquire activos de seguros para representar a sua riqueza ao lado de outros activos financeiros.

18 Os riscos de rendimento e financeiros têm como objectivo a garantia de um rendimento pré-fixado ou um valor do capital em risco: a reparação de um prejuízo ou o pagamento de um capital. Nesta classificação incluir-seiam não só seguros de pessoas (acidentes de trabalho, doença, reforma) como seguros económicos ( como o desemprego, invalidez profissionale riscos de crédito e caução. Os riscos de património incluem todos os seguros de coisas (Auto, incêndio, etc.) bem como certos seguros de vida cuja finalidade é a manutenção do capital (ex. um seguro de vida para garantia de um empréstimo). Preservar a riqueza dos agentes económicos, adquirindo uma opção de venda de um sinistro mediante o pagamento de um prémio de seguro. Os riscos de responsabilidade civil podem igualmente subdividir-se em - responsabilidade civil por riscos de rendimento incluem-se todos os riscos que afectam a vida e o rendimento das pessoas - responsabilidade civil por riscos de património incluem-se todos os riscos que envolvem danos ao património público e privado. - A negligência profissional e os danos por poluição podem afectar indistintamente o rendimento e a riqueza dos agentes económicos

19 2. Os seguros obrigatórios e os seguros sociais A existência de seguros obrigatórios ou quase obrigatórios (clausulas contratuais impondo seguros) constitui uma interferência importante na relação da procura, uma vez que a liberdade de escolha do consumidor fica diminuída. A existência de ligações cruzadas entre produtos (por exemplo empréstimo/seguro de vida) também contribui para reduzir a liberdade de escolha do segurado Os principais seguros obrigatórios são os do Ramo Acidentes de Trabalho e a Responsabilidade Civil Automóvel. O primeiro é na realidade um seguro de responsabilidade civil do empregador. É este que tem a obrigação de o pagar, sendo a responsabilidade da gestão das seguradoras. O segundo é da responsabilidade civil do proprietário do veículo e tem por objectivo indemnizar os danos causados a terceiros até um montante definido legalmente. São seguros geridos em concorrência pelas seguradoras dos ramos não vida.

20 3. Os serviços especializados e financeiros: 3.1 As funções operacionais das Companhias de Seguros Cinco grandes funções: 1. Gestão das mutualidades( prémios, sinistros, provisões) 2. Gestão financeira dos recursos financeiros; 3. Gestão do resseguro; 4. Gestão de fundos por conta (Fundos de Pensões, Operações de Capitalização e Fundos de Investimento). 5. Gestão do sistema de informações e serviços de apoio;

21 A estas cinco funções corresponde uma estrutura organizacional do tipo funcional Função Técnica Função Administrativa e Financeira Função Marketing Função Pessoal Função Informática e Sistemas No entanto a organização poderá privilegiar os aspectos de mercados/ produtos. Teremos assim uma estrutura organizacional do tipo divisional em que cada divisão é simultâneamente um centro de custos e de rentabilidade. Mercado de Particulares/Produtos de Previdência Poupança e Reforma Mercado de Empresas/Orçamento de Seguros-Risk Management Mercado de Agências e Corretores/Serviços de Risk Management Canais Alternativos Serviços Assistência e Saúde

22 3.2. Estrutura Matricial Finalmente podemos combinar as estruturas anteriores sob a forma matricial. Teremos neste caso uma estrutura em linha dos mercados cruzando-se com a coluna das funções. Direcção Geral Mercado Particulares Mercado Empresas Função Financeira Função Técnica Função Marketing Função Pessoal Mercado agências/corretores

23 3.3. A organização tradicional de uma Companhia de Seguros Existem duas maneiras principais de estruturar os departamentos de uma Companhia: por função e por divisão. A organização por função é a forma tradicionalmente utilizada e é apropriada para pequenas Companhias vendendo uma gama limitada de produtos. Todos os empregados que efectuam a mesma actividade estão organizados num departamento (marketing, finanças, etc.) A vantagem da estrutura funcional é que os empregados podem especializar-se no tipo de trabalho que realizam. As desvantagens é que tal organização pode ser inflexível e difícil de coordenar..

24 A maior parte dos grandes Companhias multiproduto estão organizadas por divisão e esta organização está a tornar-se corrente especialmente nas Companhias detidas por bancos ou que diversificam a sua actividade noutras áreas de negócio (pensões, fundos de investimento, etc.). A divisão pode assumir diferentes maneiras, tal como produto, clientela, área geográfica, etc. cada divisão é suposta ser parcialmente autónoma e desenha, produz e coloca os seus próprios produtos. Contudo, a actividade do chefe de divisão é restrita porque deve reportar à sede, particularmente no que diz respeito às questões que afectam o trabalho de outras divisões. O grau de autonomia das divisões depende do tipo de controle instituído que pode ser mais ou menos centralizado

25 1. A gestão das mutualidades engloba as seguintes funções: -Subscrição de negócios (underwriting); -Emissão e cobrança de prémios; -Liquidações de sinistros; -Constituição de reservas de garantia de responsabilidades. 2. A gestão financeira dos recursos financeiros desdobra-se em: -Gestão da carteira de investimentos; -Gestão dos activos de cobertura da margem de solvência; -Gestão dos saldos correntes e de tesouraria. 3. A gestão do mecanismo do resseguro tem a ver com as funções de refinanciamento ao nível: -da Tesouraria; -da Margem de Solvência.

26 4. A gestão de Fundos por conta. Enquanto a gestão de recursos financeiros é realizada ao nível do Balanço, com os riscos financeiros a serem assumidos pela Seguradora, a gestão de fundos por conta é feita ao nível das contas extra-patrimoniais, sendo os riscos financeiros, da responsabilidade do Fundo. 5. A gestão do Sistema de Informações permite assegurar o funcionamento do circuito de produção da informação necessária aos outros mecanismos, seja ao nível da tarificação, do provisionamento, da análise de mercado ou do mercado financeiro. O quadro seguinte sintetiza estas funções:

27 Resseguro Prémios Indemnizações Segurados Prémios Serviço de Prov. Serviço da Aplic. Mercado mutualidade Técnicas Gestão Financeiras Financeiro ----> Financeira < > -> ---- < < Indemnizaçõ es Part. Rend. Resultados Financeiros Informaç Informação ão Intermediári Operadores os de dos Seguros mercados mobiliários/ Imobiliários

28 4. O Sistema de negócio O sistema de negócio de seguros contempla (pelo menos) seis funções: - distribuição - underwriting (subscrição) - tarificação - serviço de apólices - sinistros - investimento 4.1. A distribuição A distribuição de seguros é realizada actualmente por diferentes canais: - rede de agentes independente - balcões dos bancos - correios/diversos/internet - directos/rede de agentes exclusiva Nos ramos não vida a distribuição é ainda efectuada preferencialmente por agentes profissionais independentes e no caso de grandes empresas industriais e comerciais por corretores. A principal diferença entre os dois canais reside apenas na dimensão e na forma jurídica da organização.

29 As formas de distribuição por correio são pouco significativas. A utilização de uma rede de agentes exclusiva tem vindo a adquirir importância., sobretudo no ramo vida. A distribuição por internet está ainda na sua fase inicial. A distribuição aos balcões dos bancos adquiriu importância nos conglomerados financeiros de bancassurance. As companhias podem ajudar os agentes independentes através de -relações estaveis -resposta rápida a pedidos de cotação ou ajuda no serviço de apólices e de sinistros -desenvolvimento de uma filosofia de underwriting estavel que forneça aos agentes uma base de trabalho previsivel 4.2. O underwriting O underwriting é a segunda função do negócio de seguros. Nos ramos de negócio individuais, existe uma base estatística extensa, que permite ao segurador predizer com alto grau de confiança, a classificação de um risco em particular. A única preocupação a ter em conta é assegurar que o risco é classificado correctamente e compreender o grau de julgamento por parte dos agentes.

30 Nos ramos de negócio comerciais, existem 3 especializações chave: - encontrar a classificação de risco certa - modificar os termos e condições da apólice - underwriting do risco Aqui o papel do subscritor do risco é o de acompanhar o agente na análise do risco e propor soluções para a sua cobertura. O Underwriting é o processo pelo qual o segurador decide aceitar ou não a proposta de seguro, em que condições, em que proporção e a que preço. Normalmente o underwriter possui uma experiência sobre casos anteriores com ocorrências favoráveis (sinistro) e consegue utilizar essa informação para tarificar o risco. Ele consegue determinar os factores chave de influência do custo anual dos sinistros e classifica os riscos de acordo com esse factores. Os elementos de um underwriting objectivo são os seguintes:

31 a)avaliação dos factores chave que afectam a experiência de sinistros num tipo particular de seguro. Trata-se de repartir os riscos em grupos homogéneos, com os indivíduos de um mesmo grupo associado em função da experiência similar em matéria de sinistros. Por exemplo em vida, o sexo, a idade, a saúde e o tipo de contrato. b)uma estimativa da experiência de sinistros do indivíduo médio de cada grupo. O underwriting precisa de estimar o custo anual dos sinistros do indivíduo médio e também a decomposição da frequência anual e da severidade média dos sinistros. Esta experiência média é então reflectida na taxa de prémio média. c)uma estimativa do efeito dos diferentes factores na experiência de sinistros, que permitem ao underwriter variar as taxas de prémio. d)uma comparação das características do proponente com as do membro (médio) do grupo, de forma a determinar se o proponente é melhor ou pior do que a experiência média. e)uma comparação do prémio com o montante a ser pago em caso de sinistro (o valor do prémio não deve ser igual ao valor do sinistro).

32 4.3. Tarificação Distingue-se entre ramos individuais e ramos comerciais. Nos ramos de negócio individuais é possível fornecer-se uma taxa com base na experiência devido à dimensão da base estatística. Para fixar as taxas é suficiente elas disporem de uma frequência provável e de um custo médio esperado. Nos ramos de negócio comerciais, a tarificação é mais complexa. Muitas vezes utilizam-se as tarifas propostas pelo ressegurador, dada a insuficiência da informação disponível. A experiência do subscritor, é nesta matéria, relevante As Tarifas de Prémio nos Seguros Não Vida Objectivo da construção de tarifas Fixar um preço apropriado para o seguro. Este preço, ou prémio comercial, pode ser definido como o montante de dinheiro pago pelo tomador que cobre a sua justa parte nas indemnizações da mutualidade e as despesas envolvidas pelo segurador. Ao fixar esse preço, um subscritor tenta balancear diferentes forças em conflito:

33 a)equidade entre segurados. Os prémios devem reflectir o encargo que cada segurado espera impor ao fundo da mutualidade. b)suficiência. Os prémios devem ser suficientemente grandes para cobrirem as perdas e as despesas administrativas. A aplicação de prémios consistentemente baixos poderão acarretar a insolvência do segurador. c)rendibilidade. Todas as Companhias de Seguros desejam obter lucros adequados e devem por isso fixar os seus prémios de forma a produzirem um nível de lucro adequado. Preço e Prémio não são equivalentes.

34 Decomposição do Prémio de seguro não vida Teóricamente os prémios comerciais têm 4 componentes principais: a) Prémio de risco; b) Carga de despesas; c) Margem de lucro; d) Margem de segurança. a)o prémio de risco (prémio puro) é a porção que o segurador deve obter de qualquer segurado para cobrir o valor actual esperado das perdas da carteira no período do seguro. A perda esperada de cada segurado será o custo médio ocorrido num período longo. O valor actual significa que o segurador cobra à cabeça uma soma de dinheiro que capitalizada há-de gerar a perda provável no momento da sua ocorrência. Prémio Risco = Perda esperada (1+i) n n = período de cobertura

35 b)a carga de gestão, é o montante que é adicionado ao prémio puro para cobrir todas as despesas relacionadas com a gestão da mutualidade. Esta contribuição inclui as comissões, os salários, os consumíveis, a amortização do capital produtivo e os impostos e taxas para o Estado e organismos de supervisão e representação. c)a margem de lucro é a componente do prémio destinada à remuneração do capital accionista investido na empresa. d)a margem de segurança. Destinada a cobrir desvios anormais de sinistralidade em relação à sua esperança.

36 O Cálculo do Prémio de Risco Virtualmente todos os prémios de risco, quer em Vida quer em Não Vida, são derivados a partir de dois factores: uma medida de exposição e uma taxa de prémio. A medida de exposição ou unidade de exposição reflecte a extensão ao risco de perda à qual a propriedade segura está exposta. De maneira geral, quanto maior é a propriedade ou o negócio, tanto maior será a perda esperada; por isso, frequentemente existem unidades de exposição que tentam medir a dimensão do risco assumido ou a intensidade de uma operação segura. Alguns tipos de seguros utilizam várias unidades de exposição alternativas. O quadro seguinte resume alguns exemplos mais comuns.

37 Tipo de Seguro Unidade de Exposição - Acidentes Pessoais e Doença - Saúde e Vida - Automóvel - Transportes Marítimos - Incêndio - Responsabilidade - Empregador - Produtos - Profissional - Resseguro - Pessoas/ano - Número de Pessoas - Veículos/ano; Veículos/Km - Soma Segura, número de viagens, milhas navegadas - Soma Segura, sinistro máximo possível, número de edifícios - Turnover, folha de férias - Turnover - Turnover, capacidade - Prémios da companhia cedente

38 Nalgumas Classes de Seguro a extensão da exposição ao risco não pode ser conhecida antes do fim da anuidade Isto acontece devido ao facto da unidade de exposição ser baseada em factores tais como a folha de salários, nos ramos de acidentes de trabalho, e os stocks no incêndio. O Segurado paga um prémio inicial, baseado numa estimativa da exposição provável, e no final da anuidade um ajustamento do prémio baseado na exposição efectiva. Esta técnica de tarificação é chamada retrospectiva ou retroactiva. A taxa de prémio éexpressacomoumataxa por unidade de exposição - por exemplo percentagem da folha de salários ou percentagem da soma segura. As taxas de prémio são elas próprias o produto de dois factores: a frequência média do sinistro por ano e por unidade de exposição e o valor presente do custo médio. O cálculo das taxas de prémio exige normalmente a realização dos seguintes passos:

39 1) Os segurados são divididos em grupos de acordo com as suas características de subscrição. 2) Para cada um destes grupos análise da experiência de sinistralidade passada e determinar - o número total de sinistros de todos os segurados do grupo, - o número total de unidades de exposição -a dimensão (ou valor presente) do custo médio do sinistro (cm) pago aos segurados. 3) A frequência média dos segurados no grupo (f) é determinada dividindo o número total de sinistros pelo número de unidades em risco. 4) A taxa de prémio é então calculada multiplicando o custo médio pela frequência média do sinistro. Prémio Puro= Frequência x custo médio

40 O Prémio Comercial As despesas, lucro e a carga de segurança são adicionados ao prémio de risco para se obter o prémio comercial. - Alguns destes encargos são adicionados ao prémio de risco para permitir aos seguradores pagarem custos proporcionais ao prémio comercial tais como comissões e custos de peritagem. - Outros são adicionados como custos fixos para cobrir as despesas não ligadas ao volume de negócios: salários, rendas e impostos e taxas. Seja P o prémio comercial e R o prémio de risco a pagar pelo segurado. - Se por cada escudo de P o segurador gasta k de despesas proporcionais (k 1) então kp deve acrescentar-se a R para cobrir as despesas. -Se para além disso o segurado deve pagar um custo fixo de c para cobrir as despesas fixas, então o prémio comercial é igual a:

41 P= R+ kp+ c 1 P= ( R+ c) 1 k O prémio comercial é composto de duas partes: a) O prémio de risco ajustado pelo factor ; 1 1 k b) Uma carga fixa independente do prémio de risco 1 k Muitas vezes este montante forma a base do prémio mínimo exigido pelo segurador. c

42 A tarificação com base na experiência O método de tarificação anterior é conhecido como tarificação manual ou de grupo: o custo esperado é determinado a partir da experiência passada com apólices similares - ou seja, aquelas que têm factores de subscrição similares. Mas em certas classes de seguro o prémio a pagar pelo segurado depende da sua própria experiência passada: este método é conhecido como tarificação com base na experiência. O melhor exemplo é o sistema de bonus malus aplicado no Seguro Automóvel. O prémio base é reduzido em cada anuidade sem sinistro participado.

43 4.3.2 As Tarifas dos Seguros de Vida O prémio de risco é o valor actual esperado das perdas provaveis e resulta da multiplicação da taxa de prémio pela unidade de exposição. No ramo vida a dimensão da perda é ou fixada em montante(capital em risco) ou determinada em função dos investimentos da Seguradora, não tendo pois sentido a noção de perda média ou frequência do sinistro. A questão crucial é se o sinistro pode ocorrer e, em caso afirmativo, quando. A Seguradora combina criteriosamente tábuas de mortalidade da população com taxas de juro técnicas e constroi os elementos actuariais necessários para a determinação do prémio. A natureza longa dos contratos de seguro de vida é muito importante uma vez que influencia o montante do prémio pago pelo segurado. O Segurado pode adquirir a cobertura do ramo vida pagando um prémio único para toda a duração do contrato. O segurador permite o nivelamento dos prémios. Assim o valor actuarial dos prémios a pagar há-de ser igual ao valor actuarial do compromisso do segurador durante a vigência do contrato.

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