Características físicas do município de São José do Rio Pardo-SP 1

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1 Características físicas do município de São José do Rio Pardo-SP 1 FOLHARINI, Saulo de Oliveira ¹; OLIVEIRA, Regina Célia de ² ¹ graduando em geografia Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas (IG/UNICAMP) ² professora doutora do Departamento de Geografia, Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas (IG/UNICAMP) 1 - Introdução Ações por parte do poder público devem ser efetivas para minimizar os impactos decorrentes do avanço da mancha urbana, entre essas medidas o zoneamento ambiental é um dos principais mecanismos da gestão territorial que busca meios de subsidiar a reformulação do meio ambiente, ajudando a ordenar e gerenciar o território. Segundo OLIVEIRA (2003, p.02) a gestão territorial conjectura uma interação das ações espaciais no que concerne ao uso e ocupação do espaço, considerando os atributos naturais, sociais e econômicos que envolvam toda a sociedade. O zoneamento das cidades dividindo-as em áreas pré-determinadas para uso e ocupação do solo se mostra aceitável ao considerar a possibilidade de conciliar o avanço econômico e qualidade ambiental devido as regulamentações impostas por leis de zoneamento que impedem a ocupação de áreas sem previa revisão legal. É necessário planejar o avanço da mancha urbana no território do município, para isso utiliza-se de procedimentos como os propostos por BRAGA (2001): 1) Analisar a dinâmica econômica e populacional da cidade e sua expectativa de crescimento a curto e médio prazo; 2) Considerar o nível de adensamento urbano atual. É preciso levar em conta os vazios urbanos existentes dentro da zona urbana, que devem ser áreas de urbanização preferencial, ou até mesmo compulsória, caso não cumpram função social. Utilizando-se dessas ponderações é possível primeiramente aproveitar os vazios urbanos existentes na zona urbana, sem necessariamente avançar com a mancha 1 Parte integrante do projeto de iniciação científica Zoneamento Ambiental do município de São José do Rio Pardo-SP financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 1

2 urbana em área ainda não ocupadas, após a ocupação desses vazios ai sim se utiliza da expansão para área periféricas das cidades. Ainda segundo OLIVEIRA (p.02, 2003) o Zoneamento Ambiental integra as características econômicas sociais e físicas de uma área:... permite assinalar, em escalas locais ou mesmo regionais categorias específicas de identificação e avaliação de impactos ambientais, avaliação de recursos naturais, reconhecimento de áreas de riscos geoambientais, avaliação da vulnerabilidade da área à ocorrência de eventos naturais que possam resultar em quadros de impactos catastróficos ou, ainda, avaliação da paisagem como recurso ambiental cênico e, portanto, como cenário paisagístico. O município de São José do Rio Pardo-SP carece de estudos relacionados à área ambiental e planejamento da cidade o que em parte dificulta o seu crescimento em contexto regional, isso se tornou o ponto de partida para a elaboração desse trabalho que objetiva auxiliar na ordenação do território do município possibilitando antever situações de uso conflitantes. Para esse estudo utilizou-se da metodologia proposta por TRICART (1977), que considera os aspectos físicos aliados aos socioeconômicos para definir as zonas. Devido a esse fator foi necessário a caracterização física do município de São José do Rio Pardo-SP, elaborando até o momento as cartas de geomorfologia, geologia, pedologia e hierarquia de drenagem para embasar a proposta de zoneamento ambiental em elaboração. 2 - Objetivos Nessa primeira fase do estudo os objetivos alcançados foram: Levantamento, elaboração e organização de parte da documentação cartográfica em escala 1: com os dados necessários para a elaboração do zoneamento ambiental; Caracterização dos aspectos físicos do município, entre eles, geologia, geomorfologia, pedologia, hidrografia. 3 - Metodologia O conceito metodológico de Sistemas se enquadra na perspectiva de análise do ambiente para compreender sua dinâmica natural e modificações que possuem o homem como agente principal, embasando teoricamente medidas de planejamento territorial. 2

3 TRICART (1977) propõe a metodo logia de diferenciação de Unidades Ecodinâmicas alicerçada na análise sistêmica e em SOTCHAVA (1972) onde considera... a interação entre os fatores naturais e a sociedade humana. (OLIVEIRA, 2003, p.5) Considerando que na análise sistêmica há interações entre os componentes que fazem parte do sistema trocando energia e matéria onde o equilíbrio dinâmico é mantido, se modificando a partir do momento que o homem intervêm no ambiente causando instabilidade momentâneas ou permanentes. Nesse modelo a avaliação das unidades territoriais é efetuada com base no balanço pedogênese/morfogênese, classificando-se de acordo com o grau de estabilidade ou vulnerabilidade do meio ambiente de nula até forte. Sendo necessário considerar as fragilidades dos ambientes naturais quando da avaliação para o planejamento territorial. Áreas onde predominam os processos pedogenéticos sobre os morfogenéticos são consideras estáveis (equilíbrio dinâmico), em contrapartida áreas onde predominam os processos morfogenéticos sobre os pedogenéticos são consideradas instáveis (desequilíbrio dinâmico). Por sua vez, quando há equilíbrio entre morfogênese e pedogênese a área é considerada de estabilidade intermediária. A representação cartográfica dos meios estáveis, instáveis e intergrades gera a carta de Unidades Ecodinâmicas da Paisagem, que considera aspectos naturais da área de estudo como, geologia, geomorfologia, pedologia, drenagem, uso do solo e cobertura vegetal. Sendo a carta geomorfológica de extrema importância porque expõe as características do relevo que possibilitam o encaixe da drenagem e consequente evolução das formas. A elaboração da carta de Unidades Ecodinâmicas da Paisagem possibilita a implantação de melhores estudos sobre a ordenação territorial respeitando as características naturais e necessidades socioeconômicas. 4 - Aspectos Físicos da área de Estudo Em sua totalidade os rios são classificados como conseqüentes porque sua direção coincide com a inclinação principal das camadas, tendo como nível de base local o Rio Pardo. A maior densidade de drenagem nas regiões Sudeste, Leste, Nordeste e Norte do município, deve-se a amplitude altimétrica entre 680 metro à 1160 metros com a Geomorfologia da área caracterizada por Morros com Serras Restritas e com o ritmo climático tropical característico do município no inverno seco e úmido, especialmente de junho a agosto o regime de chuvas é mais baixo, chegando a 30 mm, prevalecendo a pequena ação geomorfológica, já nos meses de verão quente e chuvoso, especialmente em 3

4 dezembro e janeiro ocorrem grandes volumes pluviométricos, podendo chegar a 280mm, quando há possibilidade de ocorrerem processos erosivos, como os deslizamentos ( Plano de bacia da Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Rio Pardo UGRHI 4 (2003) e MENARDI JR., 1992). De acordo com CHRISTOFOLETTI (1974): Os padrões de drenagem referem-se ao arranjamento espacial dos cursos fluviais, que podem ser influenciados em sua atividade morfogenética pela natureza e disposição das camadas rochosas, pela resistência litológica variável, pelas diferenças de declividade e pela evolução geomorfológica da região. Uma ou várias bacias de drenagem podem estar englobadas na caracterização de determinado padrão. (CHRISTOFOLETTI, p.82, 1974) O padrão de drenagem predominante é o dentrítico, podendo ocorrer padrão retangular e treliça de acordo com a escala de análise, que possivelmente formaram-se por influência de falhas ou sistemas de juntas e diaclases, em locais onde predominaram regime tectônico compressional. Sobre recursos minerais disponíveis no município pode-se enumerar apenas a extração de areia as margens do Rio Pardo, devido a sua capacidade de transporte maior de sedimentos. Na área de estudo pode caracterizar dois conjuntos de formas que ocorrem no Estado, são elas: áreas de colinas médias, com interflúvios entre 800m e 900m, serras propriamente ditas a leste com topos entre 1000m e 1300m. (LEME, 1982) Para ALMEIDA (1964) no contexto da província geomorfológica o município enquadra-se no Planalto Atlântico, há presença de um graben que compartimenta a área em três unidades (blocos soerguidos de NE e SW e o bloco central rebaixado), definindo evidências do passado geológico ativo na área. As intrusões alcalinas de Poços de Caldas com seus esforços tensionais também favoreceram na formação desse falhamento e áreas elevadas a SE do município (LEME, 1982). Sobre o sistema de falhas na área que ocorrem devido à tectônica rígida, LEME (1982) salienta que:... os principais sistemas são os NOR-NE e o NE. Este último interessa-nos particularmente já que o elemento mais destacado é a falha de Guaxupé, parcialmente identificadas por Oliveira (1972) e é em função dela e de outras falhas a ela paralelas, que resultou a definição na área, de uma típica estrutura em graben. (p.50) Em relação a idade das rochas na região, existe divergências entre os autores. Para OLIVEIRA (1972) apud LEME (1982)...a idade de +/- 600 m.a. para o último evento 4

5 metamórfico naquelas áreas. Essa idade corresponde à formação dos migmatitos. (p.51). Mas datações feitas em Caconde indicam que houve dois eventos geológicos... um deles datado de aproximadamente m.a. (Transamazônica), e outro de cerca de 600 m.a. (Brasiliana). (p.52) Somado a evolução tectônica da área, as oscilações climáticas principalmente no quaternário, foram responsáveis pela esculturação do relevo, quando houve predomínio de processos exógenos (clima) sobre os endógenos (tectônica) e mudança no regime de sedimentação-erosão. Uma evidência dessas mudanças climáticas são as stone lines que podem ser encontradas na Rodovia Deputado Eduardo Vicente Nasser (km 257) que liga São José do Rio Pardo a Itobi e na Rodovia que liga São José do Rio Pardo a Tapiratiba. Em relação a litologia da área os tipos encontrados foram:... gnaisses homogêneos (...) gnaisses graníticos, granodioríticos. Gnaisses bandados (migmáticos), os quais juntamente com os gnaisses homogêneos, cobrem cerca de dois terços da área. (...) Completando a litologia da área são descritos granulitos róseos, alaskitos, hiperstênio granulitos (charnockitos), anfibolitos, piroxenitos. Os dois últimos tipos citados estão agrupados pela denominação de rochas calcossilicaticas, em vista de seus característicos químicos e pelo fato de sua gênese estar relacionada ao metamorfismo de antigas lentes calcárias. (LEME, 1982, p.55-56) Sobre a pedologia, OLIVEIRA (1972) determina que... de maneira geral formam-se aí solos relativamente profundos a que se associa a grande facilidade de mobilização pelas águas de escoamento.... (p.67) O Plano de bacia da Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Rio Pardo UGRHI 4 (2003), delimita três tipos de solo, descritos a seguir: Associação de Podizólico Vermelho-Amarelo, distrófico e eutrófico, Tb A moderado, textura média/argilosa (fase pedregosa) e argilosa/muito argilosa (fase pedregosa e não pedregosa), Podzólico Vermelho-Escuro eutrófico, Tb A moderado, textura média/argilosa e argilosa/muito argilosa, Cambissolo textura argilosa e média, distrófico, A moderado e proeminente e Latossolo Vermelho-Amarelo álico, distrófico, A moderado, textura argilosa. Inclusões: Latossolo Vermelho-Amarelo Húmico, álico, Latossolo Vermelho- Escuro distrófico, A moderado, textura argilosa e muito argilosa, Litólicos eutróficos, A moderado, textura média e argilosa e Brunizém Avermelhado, A moderado, textura argilosa. Associação de Podzólico Vermelho-Amarelo, distrófico e eutrófico, Tb A moderado, textura argilosa/muito argilosa e Podzólico Vermelho-Escuro eutrófico, Tb A moderado, textura argilosa e muito argilosa 5

6 Associação de Latossolo Vermelho-Amarelo, distrófico, A moderado e proeminente, textura média e argilosa e Latossolo Vermelho-Escuro álico, distrófico, A moderado e proeminente, textura média e argilosa. Inclusões: Latossolo Vermelho-Amarelo álico textura média e argilosa, Latossolo Roxo distrófico textura argilosa e muito argilosa, Podzólico Vermelho-Amarelo álico Tb textura arenosa/média, todos A moderado. As características físicas da área de estudo permitem salientar que esta define uma paisagem bastante heterogênea regida por processos distintos, observa-se a imposição de fatores tectônicos em escala geológica antiga a processos mais recentes datados do quaternário, tais evidências permitem associados com as alterações climáticas à organização de formas de relevo específicas definindo um modelado com níveis de organização e evolução diversa. 5 - Referências Bibliográficas ALMEIDA, F. F. M. de. Fundamentos Geológicos do relevo paulista. Bol. nº 41, do IGG, p São Paulo. BRAGA, Roberto; CARVALHO, Pompeu Figueiredo de (organizadores). Recursos Hídricos e Planejamento Urbano e Regional. Laboratório de Planejamento Municipal LPM. Deplan/IGCE. p Rio Claro/SP. CHRISTOFOLETTI, Antônio. Geomorfologia. São Paulo: Edgar Blucher: Ed. da USP, c p. CPTI e IPT. Plano de bacia da Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Rio Pardo UGRHI 4. Jan./2003 LEME, Sueli Mançanares Leme (autor); ABREU, Adilson Avansi de (oriente.). Compartimentação geomorfológica e organização do espaço em São José do Rio Pardo (SP) p. Dissertação (mestrado) Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, São Paulo, SP. MENARDI JR., Ary. Dinâmica atmosférica e variações pluviais no Sudeste e Nordeste Paulista f. Dissertação (Mestrado em Geografia) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP, São Paulo. OLIVEIRA, M.A.F. de. Geologia e Petrografia da Região de São José do Rio Pardo, Estado de São Paulo Tese de Doutoramento. Instituto de Geociências, USP. São Paulo. OLIVEIRA, R. C. Zoneamento Ambiental como subsídio ao planejamento no uso da terra do município de Corumbataí-SP p. (Doutorado em Geociências e Meio Ambiente), UNESP - Rio Claro, Rio Claro TRICART, J. Ecodinâmica. Rio de Janeiro: IBGE,

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