CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA INSTITUTO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA E PESQUISA MESTRADO PROFISSIONAL EM ADMINISTRAÇÃO GIZELLE JACINTA SANTOS

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1 CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA INSTITUTO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA E PESQUISA MESTRADO PROFISSIONAL EM ADMINISTRAÇÃO GIZELLE JACINTA SANTOS NOVAS ARQUITETURAS ORGANIZACIONAIS NO SERVIÇO PÚBLICO: OS DESAFIOS PERCEBIDOS PELOS SERVIDORES DO INSTITUTO FEDERAL DE MINAS GERAIS BELO HORIZONTE 2013

2 GIZELLE JACINTA SANTOS NOVAS ARQUITETURAS ORGANIZACIONAIS NO SERVIÇO PÚBLICO: OS DESAFIOS PERCEBIDOS PELOS SERVIDORES DO INSTITUTO FEDERAL DE MINAS GERAIS Dissertação apresentada ao Mestrado Profissional em Administração do Centro Universitário UNA como requisito parcial para a obtenção do título do Mestre. Área de concentração: Inovação e Dinâmica Organizacional. Linha de pesquisa: Dinâmica Organizacional, Inovação e Sociedade. Orientadora: Prof.ª. Dr.ª Iris Barbosa Goulart. BELO HORIZONTE 2013

3 S237n Santos, Gizelle Jacinta Novas arquiteturas organizacionais no serviço público: os desafios percebidos pelos servidores do Instituto Federal de Minas Gerais/ Gizelle Jacinta Santos f.: il. Orientador: Profa. Dra. Iris Barbosa Goulart Dissertação (Mestrado) Centro Universitário UNA, Programa de Mestrado Profissional em Administração. Bibliografia f Ficha catalográfica desenvolvida pela Biblioteca UNA campus João Pinheiro

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5 Dedico este trabalho a todos aqueles que me ajudaram e incentivaram nessa caminhada, que hoje chega ao fim com muita glória. Aos mestres pela paciência, à família pelo amor incondicional e aos amigos pela compreensão e ajuda.

6 AGRADECIMENTO Agradeço a Deus em primeiro lugar, pois sem Ele não conseguiria chegar até aqui. A meus Pais Vicente e Célia que incondicionalmente estão do lado nos momentos mais importantes e difíceis da minha vida, a todos os meus familiares e amigos que ofereceram sua compreensão, carinho e paciência, pois para estudar nada é fácil e muitas vezes temos que abrir mão da companhia para estudar. Ao Centro Universitário UNA que proporcionou o Curso de Mestrado. Em especial a Prof.ª Iris que me auxiliou neste projeto com muita paciência e sabedoria. A todos que participaram direta ou indiretamente para a conclusão deste Trabalho.

7 "A pesquisa sem direção, sem nítido elemento conceitual que possa digerir e organizar a informação pode criar pseudoculturas, idiot-savants. [...] Se essa informação é em quantidade enorme e muito rápida, não é demais imaginar que surjam patologias ansiosas, além da ignorância travestida de modernidade, pela exposição a contextos diversos e pouco sintetizáveis". (Henrique Schützer Del Nero)

8 RESUMO Este artigo aborda as consequências de um novo modelo de arquitetura organizacional na Administração pública, advindo da criação dos Institutos de Educação Tecnológica, a partir da Lei nº , sancionada em 29 de dezembro de 2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A formação técnica no Brasil teve início no período imperial e sofreu diversas alterações ao longo do século XX, especialmente a partir da década de 1960, quando a educação tecnológica tornou-se uma preocupação aliada ao desenvolvimento industrial. Faz-se uma referência às novas arquiteturas organizacionais na atualidade e de modo especial no Brasil, e comenta-se como essas mudanças organizacionais no serviço público afetam os trabalhadores. A pesquisa realizada teve como objetivo analisar os desafios percebidos pelos servidores do IFMG no processo de implantação desta nova arquitetura organizacional. Trata-se de uma pesquisa quali-quantitativa, que se iniciou com um grupo focal através do qual foram ouvidos pró-reitores do IFMG sobre os principais desafios identificados por eles na implantação do novo modelo de organização. Com base nas respostas, foi construído um questionário, com 31 questões, das quais 2 eram questões abertas, que foram enviados todos os servidores do IFMG. Os 290 questionários devolvidos no prazo estipulado pela pesquisadora vieram de 141 docentes e 149 técnicos administrativos e foram submetidos a tratamento predominantemente quantitativo. Os resultados obtidos apontam que os desafios mais enfatizados foram a resistência de servidores à mudança organizacional, centralização de decisões na reitoria, despreparo de gestores, falta de informação sobre mudanças, dificuldades de adaptação às mudanças. Houve diferença entre os resultados das respostas emitidas pelos docentes e pelos técnico-administrativos com respeito ao ambiente físico de trabalho para a realização das tarefas, a jornada de trabalho diária do IFMG, modelo atual de gestão adotado no IFMG e o conhecimento sobre Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) do IFMG. Esta pesquisa, que constitui um estudo de caso, sofre limitações de generalização e por este motivo sugerese que seja repetida em outros estabelecimentos. Palavras-chave: Arquiteturas organizacionais. Mudança organizacional no serviço público. Fator humano e adaptação a mudanças.

9 ABSTRACT This article discusses the consequences of a new model of organizational architecture in public administration, arising from the creation of the Institutes of Technology Education from the Law nº , enacted on December 29, 2008 by President Luiz Inácio Lula da Silva. Technical training in Brazil began in the imperial period and altered throughout the twentieth century, especially since the 1960s, when the technology education became a concern coupled with industrial development. It is a reference to the new organizational architectures today and especially in Brazil, and comments as these organizational changes affecting public service workers. The research aimed to analyze the challenges perceived by servers IFMG in the process of implementation of this new organizational architecture. This is a qualitative and quantitative, which began with a focus group through which were heard Deans of IFMG on the main challenges identified by them in the implementation of the new organizational model. Based on the responses, we constructed a questionnaire with 31 questions, of which 2 were open questions that were sent all servers IFMG. The 290 questionnaires returned within stipulated by the researcher came from 141 teachers and 149 administrative staff and were treated predominantly quantitative. The results indicate that the challenges were more emphasized resistance to organizational change servers, centralizing decisions in the rectory, unprepared managers, lack of information about changes, difficulty adapting to changes. Was no difference between the results of the answers given by the teachers and the technical and administrative with respect to the physical working environment for the execution of tasks, working hours daily IFMG, current management model adopted in IFMG and knowledge of the Institutional Development Plan (PDI) of IFMG. This research, which is a case study has limitations generalization and for this reason it is suggested that it is repeated in other establishments. Key-words: organizational architectures. Organizational change in the public service. Human factors and adaptation to change.

10 LISTA DE SIGLAS CEFET - Centro Federal de Educação Tecnológica FEA - Faculdade de Estudos Administrativos FIERGS - Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul IES Instituição de Ensino Superior IFET - Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia IFMG - Instituto Federal de Minas Gerais MEC - Ministério da Educação PAC - Plano de Aceleração do Crescimento PDE - Plano de Desenvolvimento da Educação PDI - Plano de Desenvolvimento Institucional PROEP - Programa de Expansão da Educação Profissional SERPRO - Serviço Federal de Processamento de Dados SPSS - Statistical Package for the Social Sciences UNEDS - Unidades Descentralizadas de Ensino USP - Universidade de São Paulo

11 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Mapa Conceitual das Reformas Paradigmáticas Figura 2 - Mapa Conceitual das Reformas Não-Paradigmáticas Figura 3 - Mapa Conceitual das Reformas do Governo Lula Figura 4 - Modelo de Resistência Individual à Mudança... 31

12 LISTA DE QUADROS Quadro 1- Conceitos Consolidados de Mudança Organizacional Quadro 2 - Resistência a Mudança Organizacional Quadro 3- Diferença na Estrutura Organizacional do CEFET para o IFET... 45

13 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Distribuição da amostra em função do campus e cargo Tabela 2 - Distribuição percentual das questões referentes ao conhecimento da Lei e procedimentos de criação do IFMG Tabela 3 Distribuição percentual dos sentimentos no momento de transformação do IFMG Tabela 4 Distribuição percentual das mudanças administrativas com a criação do IFMG Tabela 5 - Distribuição percentual em relação a divulgação das mudanças em virtude da transformação em IFMG Tabela 6 - Distribuição percentual de respostas quanto a existência dos postos de trabalho antes da criação do IFMG Tabela 7 - Distribuição percentual de respostas quanto à forma Tabela 8 - Distribuição percentual da percepção dos servidores em relação à estrutura organizacional Tabela 9 - Distribuição percentual da percepção dos servidores em relação às tarefas realizadas na estrutura organizacional Tabela 10 - Distribuição percentual de questões referentes ao fator humana diante das mudanças e da cultura organizacional Tabela 11 - Distribuição percentual das respostas em relação a percepção da capacidade de adaptação a mudanças Tabela 12 - Distribuição percentual em relação ao conhecimento do PDI em vigor no IFMG Tabela 13 - Distribuição percentual da Avaliação do PDI do IFMG Tabela 14-Distribuição percentual sobre a avaliação da execução das metas propostas pelo PDI do IFMG Tabela 15 - Distribuição Percentual da consideração do modelo de gestão que está em vigor no IFMG Tabela 16 - Resultado do teste de diferenças das percepções entre docentes e técnicos administrativos em relação as questões aplicadas Tabela 17 - Distribuição percentual das questões que apresentaram diferenças significativas entre os cargos Tabela 18 - Síntese da questão Tabela 19 - Síntese da questão

14 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO Objetivos Objetivo Geral Objetivos Específicos Justificativa Estrutura do Texto NOVAS ARQUITETURAS E MUDANÇA NAS ORGANIZAÇÕES Arquiteturas Organizacionais Estrutura Organizacional Mudanças Organizacionais Fatores relacionados à mudança organizacional A influência da cultura organizacional no processo de mudança A influência dos métodos de trabalho no processo de mudança A influência da tecnologia na mudança organizacional O gestor e sua influência na mudança organizacional Mudança organizacional e a influência das mudanças estruturais Mudanças Organizacionais do Setor Público Fator Humano e Adaptação às Mudanças A Resistência às mudanças organizacionais As causas da resistência à mudança organizacional PROCEDIMENOS METODOLÓGICOS Caracterização da pesquisa Planejamento da Pesquisa Definição das variáveis fundamentais Elaboração do instrumento de coleta de dados... 35

15 3.2.3 Definição da amostra de pesquisa e aplicação dos questionários CONTEXTO DA PESQUISA Instituto Federal de Minas Gerais A História Educação Profissional e Tecnológica no Brasil Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e a mudança organizacional O Plano de Desenvolvimento Institucional ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS Análise de Resultados Interpretação de Resultados CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS APÊNDICES APÊNDICE A Questionário de pesquisa aplicado aos servidores do IFMG... 70

16 1 1. INTRODUÇÃO A criação dos Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia IFET - foi tema de muitos debates no setor de educação por todo o território nacional. Para tal criação foi necessário que as políticas estivessem voltadas à Educação Profissional e Tecnológica, objeto de ações políticas que se iniciaram ainda no Brasil colônia. O surgimento dos Institutos Federais de Educação Tecnológica estabelece vínculo com a valorização da educação e das instituições públicas, aspectos centrais nas atuais políticas, que tinham como objetivo fundamental a construção de uma nação soberana e democrática, o que pressupõe o combate às desigualdades arquiteturais de toda ordem; daí a imprescindibilidade do fortalecimento das ações e das instituições públicas. O Decreto 6.095/2007 primeiro instrumento legal para a criação dos Institutos Federais definia que O Ministério da Educação estimulará o processo de reorganização das instituições federais de educação profissional e tecnológica, a fim de que atuem de forma integrada regionalmente. E que esta reorganização seria pelo modelo de Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (BRASIL, 2007). Em 2008, foi dado inicio à reestruturação da rede federal de educação profissional, com a aprovação pelo Congresso Nacional da Lei nº /2008 que institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. A nova lei transformou as antigas autarquias de ensino tecnológico e profissional em Institutos Federais, trazendo uma nova institucionalidade para a educação tecnológica e profissional no Brasil. Antes, cada instituição possuía uma lei própria de criação e isso dificultava a articulação e o trabalho em rede. Para constituir os Institutos Federais foi feita a fusão das seguintes autarquias: 31 Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets); 75 Unidades Descentralizadas de Ensino (UNEDs); 39 Escolas Agrotécnicas Federais; 7 Escolas Técnicas Federais e 8 Escolas Técnicas Vinculadas a Universidades

17 2 A Lei nº /2008 originou a fusão autarquias que deu origem aos 38 Institutos Federais. O Instituto Federal de Minas Gerais -IFMG - tem sua origem na fusão da Escola Agrotécnica Federal de São João Evangelista, dos Cefets de Ouro Preto e Bambuí e das UNEDs de Formiga e Congonhas. Além do IFMG, outros quatro Institutos Federais e um Cefet compõem a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica no estado de Minas Gerais. No final do ano de 2012 o IFMG era composto por doze campi: Bambuí, Betim, Congonhas, Formiga, Governador Valadares, Ibirité (em implantação), Ouro Branco, Ouro Preto, Ribeirão das Neves, Sabará, Santa Luzia (em implantação) e São João Evangelista, além das unidades conveniadas de Pompéu, Piumhi, Oliveira, Bom Despacho, João Monlevade. A instituição também mantém pólos de Ensino a Distância nos municípios de Alfenas, Betim, Cachoeira do Campo e Cataguases, bem como tem parceria para oferta do projeto especial do Proeja FIC nos municípios de Carandaí, Congonhas, Sabará, Iguatama, Perdões, Pompéu e Santa Bárbara. A partir do momento em que se constitui o IFMG, tem-se um cenário de profundas mudanças na gestão e atuação das instituições que o compõem. Entretanto, apesar de um dos momentos estabelecidos no planejamento estratégico ter sido a adequação da arquitetura organizacional à nova estratégia proposta, a direção que assumia naquele momento resolveu manter a arquitetura conforme a Lei nº /2008 inicialmente aprovada pelo Ministério da Educação (MEC). Ao longo dos anos que se seguiram, pequenas alterações foram realizadas pela direção com o objetivo de tornar a atual arquitetura organizacional mais ágil e flexível. Entretanto, as alterações realizadas podem ter permitido superar pequenas distorções sem, no entanto, atingir os problemas crônicos que se apresentam, como, por exemplo, a demasiada verticalização, a falta de autonomia dos diversos níveis hierárquicos, o isolamento dos Departamentos acadêmicos e o desequilíbrio em função da estratégia traçada. O IFMG ainda tenta se reorganizar como arquitetura multicampi. O novo contexto propõe um desafio especial - o de se constituir uma identidade única da arquitetura multicampi, o que requer uma organização administrativa inovadora, com bases próprias de rede. O IFMG, além da organização arquitetural multicampi e

18 3 pluricurricular, propõe uma nova institucionalidade e, consequentemente, exige novos procedimentos de gestão. O argumento de que o novo é construído a partir do aperfeiçoamento da cultura existente no ambiente organizacional, cabe aos gestores à busca pela essência das funções institucionais estratégicas e táticas. De acordo com Morin (2000): Toda evolução é fruto do desvio bem-sucedido cujo desenvolvimento transforma o sistema onde nasceu: desorganiza o sistema, reorganizando-o. As grandes transformações são morfogêneses, criadoras de formas novas que podem constituir verdadeiras metamorfoses. De qualquer maneira, não há evolução que não seja desorganizador-reorganizadora em seu processo de transformação ou de metamorfose (MORIN, 2000, p. 82). Dessa forma, percebe-se a necessidade de reformular, a partir da nova legislação, a atual arquitetura organizacional do IFMG em função das novas exigências do ensino profissional brasileiro. Para cumprir o seu papel institucional, o IFMG sugere-se uma arquitetura mais flexível, descentralizada e com forte integração com os seus vários campis. O Plano de Desenvolvimento Institucional PDI - é uma exigência legal (lei nº , de 14/4/2004), sendo este um requisito imprescindível para reconhecimento e avaliação de cursos superiores, de acordo com o decreto nº 5.773, de Entretanto, faz-se necessário refletir, discutir e elaborar o PDI não como um instrumento burocrático, mas como um instrumento de gestão, na dimensão estratégica, que possibilite o desenvolvimento e a integração do planejamento institucional em todas as suas dimensões. A identidade da instituição no que diz respeito à sua filosofia de trabalho, à missão a que se propõe, às diretrizes pedagógicas que orientam suas ações, à estrutura organizacional e às atividades acadêmicas que pretende-se desenvolver deve ser expressa no Plano de Desenvolvimento Institucional. O PDI considera a identidade da instituição para o estabelecimento de objetivos, metas e estratégias para suas ações em um horizonte de cinco anos. O PDI do IFMG procurou fundamentar-se na gestão democrática, na autonomia administrativa, didático-científica e gestão financeira, na defesa do ensino de qualidade, público e gratuito, na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, interligados com seu compromisso social, no desenvolvimento sustentável, na igualdade

19 4 de condições de acesso e permanência do discente na Instituição e no fortalecimento dos convênios, acordos de mútua cooperação, contratos e diálogos com a sociedade urbana e rural. Ainda não se pode esquecer a valorização do ser humano, do respeito à liberdade intelectual e de opinião na ambiência do trabalho acadêmico, na interdisciplinaridade de ações e na busca dos avanços científicos e tecnológicos, comprometidos institucionalmente com a sociedade e sua qualidade de vida. A transformação organizacional é considerada a tentativa de tornar as organizações estrategicamente saudáveis. Autores como Burgin e Koss (1993) define que a transformação organizacional é como um processo, estrategicamente saudável, que caracteriza as organizações que respondem efetivamente às mudanças, antecipa-se às mudanças de forma a se beneficiar, e que conduzem a mudança em toda a organização em que atuam. A transformação para uma organização estrategicamente saudável tem como produto uma organização de alto desempenho, que tem condições de sobreviver e prosperar no ambiente globalizado. Sendo que as características organizacionais importantes para conduzir a transformação de uma empresa tradicional para uma organização de alto desempenho: visão, valores, estratégias, estrutura organizacional, sistemas e cultura (BURGIN e KOSS, 1993). As muitas pesquisas em torno das políticas educacionais consideram as mudanças introduzidas por determinadas legislações como sendo o marco zero na história de educação (...) e criando um efeito-limite do tipo antes-e-depois de acordo com Ball (2006, p.12). Conceitua-se então que a arquitetura organizacional é: A ampla série de decisões que os administradores tomam sobre as organizações. Usamos essa expressão porque o projeto organizacional é visto tipicamente como uma série de decisões, definidas com rigor, relativas à estrutura básica da organização, e acreditamos que a tarefa enfrentada pela administração superior é muito ampla. No decorrer do tempo, os executivos têm de tomar decisões sobre a configuração, a dinâmica e a estética da maneira pela qual os vários elementos de organização se combinam para criar uma empresa produtiva. Essas sérias de decisões constituem o que chamamos de arquitetura organizacional (NADLER, GERSTEIN e SHAW, 1993, p ). A atual arquitetura organizacional do IFMG muitas vezes não permite que se cumpra com eficiência os requisitos de gestão estabelecidos pela a Lei nº /2008 que criou os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. O problema que o IFMG

20 5 enfrenta e que constitui a questão orientadora desta pesquisa consiste no seguinte: Quais os desafios percebidos pelos servidores do Instituto Federal de Minas Gerais? 1.1. Objetivos Para responder o problema em questão, os seguintes objetivos foram traçados: Objetivo Geral Analisar os desafios percebidos pelos servidores do IFMG no processo de implantação da nova arquitetura organizacional advindo da Lei nº , sancionada em 29 de dezembro de 2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva Objetivos Específicos Caracterizar as bases legais da nova arquitetura organizacional adotada pelo IFMG; Identificar os principais desafios advindos da nova arquitetura organizacional proposta para os servidores do IFMG; Analisar o entendimento dos servidores do IFMG sobre as propostas de gestão colocadas através do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) do IFMG;

21 Justificativa O uso do termo arquitetura que está relacionado aos estudos das organizações não constitui inovação. Segundo Schweizer (1997) a arquitetura teria um significado originário da concepção de um espaço que se realiza através de uma determinada construção, estética e funcional, delimitando áreas e abrigando funções sociais e/ou necessidades humanas. Guerreiro Ramos (1981) busca uma função que seja substantiva e ao mesmo tempo sustentável para as organizações, no próximo século XXI, as propostas de uma nova arquitetura organizacional serão orientadas conforme as organizações contemplem no processo de produção restrito a um nível qualitativo de suficiência e a um mercado delimitado pela sua essência. O principal fator da nova arquitetura a ser projetado consiste em organizações sejam capazes de concebê-las, subsidiárias e complementa-las às necessidades humanas e não ao contrário, como vem ocorrendo até os nossos dias. Os pressupostos que induzem as organizações a mudança são: agilidade das transformações tecnológicas, intensificação da competição, concorrência com excesso de oferta de produtos, globalização, expectativas dos consumidores/clientes, grande participação do governo, modificações nos padrões de propriedade empresarial e modificações na constituição da força de trabalho (NADLER, GERSTEIN e SHAW, 1993). A arquitetura organizacional demanda conhecimento instrumental e pressupõe a existência da técnica, além de ser uma arte, que também compreende a existência de uma ciência que possibilita criar um "espaço organizacional" que expressa história, conhecimento e experiências humanas. Pode-se dizer que arquitetura organizacional são técnicas que estabelecem bases para a construção operacional das organizações e propõe modificações que esta vier a demandar ao longo do tempo (SCHWEIZER, 1997). Não se pode afirmar que exista um modelo único que sirva de pré-condição para a eficácia da mudança. O êxito depende menos da coerência de um modelo e mais da simultaneidade de perspectivas. Portanto, ser eficaz não é escravizar-se a um modelo, e sim construir na crítica e na experiência das variações. O processo de mudança que as organizações necessitam é marcado por oscilação, mesmo que desenvolvido sob uma

22 7 ótica de modelo se estratégias bem formulados e, ou que tenham sido amplamente experimentados. Motta afirma que: Estudar a mudança não é só procurar unidade e coerência entre modelos, mas enriquecer-se no conhecimento de suas variedades, superposições e complementações. Todos os modelos são parciais mesmo quando se apresentam como genericamente válidos; todos são necessários mesmo quando se proclamam suficientes (MOTTA, 1998, p. 16). Araújo (2000), afirma que mudança organizacional é uma alteração significativa para as organizações, portanto articulada, planejada e operacionalizada por pessoal interno ou externo, com apoio e supervisão da administração superior. A mudança organizacional deve atingir os componentes comportamental, estrutural, tecnológico (equipamentos), estratégico e tecnológico (conhecimento). A mudança seja ela qual for pode provocar resistência, os indivíduos sentem medo do desconhecido e do novo. As necessidades mais fortes dos indivíduos são as necessidades de segurança e estabilidade, autoestima, desta forma os seres humanos sofrem um processo de reação quando são confrontadas com a mudança organizacional e principalmente quando esta percepção da mudança vem acompanhada de sentimentos que ameaçam as situações onde existe certa segurança, pois gera uma percepção de ameaça ao status quo, provocando um desequilíbrio interno deflagrando certas reações imediatas e provocando sentimentos mais ou menos fortes (BORTOLOTTI, SOUSA JÚNIOR e ANDRADE, 2011). Segundo Otranto (2010) os Institutos Federais são um novo modelo institucional, sendo considerada a expressão maior da atual política pública de educação profissional brasileira, pois vem gerando mudanças altamente significativas na vida e na história das instituições de ensino que aderiram à proposta governamental instituída pela lei nº /2008, por esse motivo essas mudanças precisam ser acompanhadas bem de perto. Com a nova situação proposta pela Lei nº /2008e para estudos posteriores registrar e acompanhar a expansão, investigar se as promessas estão sendo cumpridas, para que se possa avaliar se, realmente, a atual política tem condições de contribuir para a expansão, com qualidade socialmente referenciada, da educação profissional brasileira, deixando claro que o nosso objetivo é a percepção dos servidores do IFMG em relação as mudanças que vem ocorrendo na Instituição.

23 8 A ideia que se defende neste trabalho é caracterizar as bases legais da nova arquitetura organizacional com base nos pressupostos básicos estabelecidos a partir dos requisitos de gestão definidos pela reforma do ensino profissional brasileiro. A lei nº /2004propõe a construção deum Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) visando metas e objetivos para cumprir o papel que lhe é reservado dentro do novo modelo organizacional. Assim sendo, a questão básica a ser discutida, conforme nos ensina Lakatos e Marconi (2010, p. 138), é a arquitetura organizacional a ser construída. A variável dependente é o papel que cumpre o IFMG na educação profissional brasileira a partir dos pressupostos básicos estabelecidos nos requisitos de gestão definidos pela a Lei nº que criou os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Para a instituição estudada, o presente trabalho pode constituir uma oportunidade de reflexão sobre o modelo de gestão ora adotado, apontando sugestões para corrigi-lo ou aperfeiçoá-lo. Para a academia, a pesquisa constitui um estudo sobre a nova arquitetura organizacional no setor público, que se apresenta como inovador e produtivo. Como se trata de um tema novo, já que os IFETs foram criados em 2008, não se dispõe ainda de estudos voltados para o objetivo proposto nesta dissertação Estrutura do Texto Esta dissertação é composta das seguintes partes: Introdução, que apresenta o tema, aborda-se a relevância do mesmo, identifica-se a questão orientadora da pesquisa, justifica-se a escolha do tema e definem-se os objetivos. No capítulo II, apresenta-se uma análise histórico-lógica sobre como surgiram às novas arquiteturas organizacionais na atualidade e de modo especial no Brasil, como essas mudanças organizacionais podem ocorrem no serviço publico e como é a adaptação a mudanças do fator humano dentro dessas instituições.

24 9 No capítulo III, apresenta-se a metodologia utilizada, realçando o tipo de pesquisa, a amostra estudada, os instrumentos de coleta adotados, o delineamento e tratamento estatístico dos resultados. O capítulo IV é apresentação do objeto deste estudo e constitui, portanto, uma análise do contexto da pesquisa. O capítulo V apresenta os resultados encontrados pela pesquisa realizada. A análise dos dados coletados demonstra quais foram os problemas identificados pelos servidores do IFMG no processo de implantação do modelo de gestão advindo da nova arquitetura organizacional imposto pela Lei nº /2008 e contextualizado pelo PDI, as condições para implementação e os resultados da adaptação às mudanças pelo fator humano. Finalizando, no capitulo VI, são apresentadas as considerações finais: o posicionamento e as sugestões da autora ressaltando a importância do trabalho para a instituição pesquisa, as demais instituições e a academia.

25 10 2. NOVAS ARQUITETURAS E MUDANÇA NAS ORGANIZAÇÕES Este capítulo reúne os principais autores, conceitos e modelos das novas arquiteturas organizacionais surgidas na atualidade e de modo especial no Brasil, como essas mudanças organizacionais podem ocorrem no serviço publico e como é a adaptação a mudanças do fator humano dentro dessas instituições, observando os aspectos mais relevantes para a construção desta dissertação Arquiteturas Organizacionais A arquitetura organizacional é um dos maiores desafios que uma instituição tem para sobreviver no mundo globalizado e competitivo, e é preciso que se molde e se adapte conforme o seu ambiente de atuação. Observando os cenários contemporâneos do mundo do trabalho, pode-se dizer que o mais importante e influente neste ambiente é a estrutura na qual a organização está delineada para materializar os seus objetivos. Para Fernandino e Oliveira (2010): O termo estrutura organizacional é usualmente referido como equivalente à arquitetura organizacional. Embora seja muito importante para o desenho da organização, porque reflete a alocação interna de poder status, a estrutura não constitui sua face mais considerável. Também as dimensões processos, pessoas e recompensas têm-se tornado tão relevantes quanto ela, porque influenciam o desempenho e a cultura da organização (FERNANDINO E OLIVEIRA, 2010, p. 1081). Nadler, Gerstein e Shaw (1993), que são os idealizadores desta terminologia, definem arquitetura organizacional como um conjunto amplo de características organizacionais a ser considerado pelos gestores e executivos da alta administração. A ideia central sobre o que venha a ser a arquitetura organizacional baseia-se na reflexão sobre o processo de sua construção. O conceito administrativo para Arquitetura organizacional é a forma de articulação ou o modus operandi dos vários sistemas, estruturas, processos e estratégias que constituem uma instituição. A arquitetura inclui estrutura formal, projeto de práticas de trabalho, natureza da organização informal - cultura organizacional - estilos de operação e processos de seleção, socialização e desenvolvimento de pessoas (NADLER, 1993). A Arquitetura Organizacional busca o aperfeiçoamento do formato otimizando fatores considerados cruciais, como o próprio trabalho desenvolvido, o pessoal que o executa e as normas e padrões que o regem. Segundo o autor Araújo (2011) arquitetura

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