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1 AS NOVAS MÍDIAS COMO FERRAMENTA SEMIÓTICA NO PROCESSO DE ENSINO DE LÍNGUA INGLESA PARA CRIANÇAS 1. INTRODUÇÃO Waleska da Graça Santos (UFS) O ensino de línguas, assim como em qualquer outra esfera do saber envolve a apresentação de signos através dos quais pretende- se construir um determinado conhecimento ou atribuir uma determinada significação. No que diz respeito ao ensino de inglês para crianças o uso de ferramentas lúdicas é indiscutivelmente eficaz. Entretanto com enxurrada tecnológica que temos sofrido nos últimos anos, houve também criação de novos signos, novas formas de ver e interagi como o mundo. Buscar entender pelo viés de uma neo ludicidade proporcionada pelas ferramentas digitais, o quanto estes signos interferem na construção de significação. Para tanto far-se-á uso de alguns conceitos da semiótica Pierceana, iniciando com a definição de signo e a relação Triádica destes, assim como os conceitos de Ícone, Índice e Símbolo que servirão de base para entendermos a relação de ensino e aprendizagem de língua inglesa através das NTIC. 2. CONCEITO DE SIGNO Para que compreendamos os efeitos pragmáticos dos signos digitais no ensino de língua estrangeira, precisamos inicialmente compreender a definição de signo segundo o estudioso filósofo-lógico-matemático norte-americano Charles Sanders Peirce, um dos percursores no campo da semiótica, conceitua o signo como: Um signo, ou representamen, é aquilo que, sob certo aspecto ou modo representa algo para alguém. Dirige-se a alguém, isto é, cria, na mente dessa pessoa, um signo equivalente, ou talvez um signo mais desenvolvido. Ao signo assim criado denomino interpretante do primeiro signo. O signo re-presenta alguma coisa, seu objeto. Representa esse objeto não em todos os aspectos, mas com referência a um tipo de ideia que eu, por vezes, denominei fundamento do representamen. (Peirce, 1995, p. 46) O signo enquanto representamen constitui a sua esfera mais primitiva e estaria relacionado à forma como algo está representado, sentido do signo como 1

2 representamen se completa ao ser combinado as definições de Objeto, que simboliza o algo que é representado e o Interpretante está conectado à como este algo será interpretado, ou seja, qual a significado que este signo expressará. A relação entre estes três conceitos compõem o que Pierce definiu como Relação Triádica dos signos. Dentro desta perspectiva os signos apresentam uma relação de co- dependência em que o signo está diretamente ligado ao objeto e consequentemente ao seu interpretante, estas interações pode-se dar nas esferas lógicas ou abstratas. Ainda sobre as relações entre signo e objeto, Pierce divide os signos em três categorias e as classifica como Ícone, Índice e Símbolo e Segundo Santaella,(2002) esta classificação decorre do fundamento ou propriedade do signo, por constituírem três signos diferentes estes consequentemente estabelecem relações com fundamentos diferentes a que se aplica ou se denota, estas são classificadas como: qualidade, existência ou lei. O ícone corresponde ao signo que estabelece alguma semelhança com objeto que o representa, ou seja, o fundamento é quali-signo, quando o signo e objeto relaciona-se através de uma representação abstrata que geralmente está fundamentada ao conhecimento ou vivência prévia, propriedade de existência teremos um índice, se este fundamento foi uma lei teremos um símbolo. A Teoria semiótica permite-nos captar não apenas a complexidade, mas também a força da comunicação pela imagem, apontando-nos essa circulação da imagem entre semelhança, traço e convenção, isto é, entre ícone, índice e símbolo. (JOLY. 1996, P. 40) 3. OS SIGNOS NA ERA DIGITAL Ao enxergar os signos como em sua relação Triádica é o ponto de partida para entendermos o impacto das ferramentas digitais em nosso cotidiano. Cada vez mais cedo, as crianças veem fazendo uso de gadgets como forma de interação com o mundo que os circunda. Devido a esse contato precoce com estes dispositivos é preciso refleti acerca da prática pedagógica que devemos adotar para essa nova geração, os nativos digitais. Através do estudo com estes novos signos pode-se usar a motivação intrínseca que estas crianças já possuem devido ao contato diário com estes dispositivos 2

3 para a promoção do ensino, que no caso mais específico deste trabalho, o ensino de língua Inglesa. Segundo Santaella (2010, p.18) O que mais impressiona não é tanto a novidade do fenômeno, mas o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas e consequentes impactos psíquicos, culturais e educacionais que elas provocam. Apesar da estreita e obvia relação entre o a língua Inglesa e o uso de computadores, muito pouco destes aspectos têm sido explorados, fato este que contribui para a manutenção do ensino tradicionalista. De acordo com Celani (2004, p.44) para ajustar a escola ao ritmo da modernidade é necessário que a cultura da certeza dê lugar à cultura da incerteza, afinal a disposição para a mudança, para abandonar velhos mapas. Entender a nova relação entre estes novos signos e seus reflexos na aprendizagem de uma língua estrangeira é o objetivo central deste artigo. Desenvolver atividades que explorem o efeito interpretativo que estes signos produzem como ferramenta motivadora para o ensino de língua inglesa, atua como objeto de contextualização tornando assim, o aprendizado mais significativo. Importar para o ambiente escolar esse conceito de neo ludicidade funciona como agente transformador, além de proporcionar a criação dos fenômenos experimentais, que segundo Pierce (1995) são os únicos capazes de afetar a conduta humana. 4. A NEO LUDICIDADE NA SALA DE AULA Ao longo dos anos o trabalho com lúdico tem oferecido resultados bastante positivos no que concerne o ensino de inglês para crianças. Piaget (apud ANTUNES, 2005, p.25) retrata que os jogos não são apenas uma forma de entretenimento para gastar a energia das crianças, mas meios que enriquecem o desenvolvimento intelectual.. Entretanto, dentro da atual conjectura, os fantoches e lápis de cor estão cedendo o lugar para aplicativos, e as formas de interação estão se transformando. O avanço digital não pode ser barrado pelos muros da sala de aula. A exclusão desses recursos do ambiente escolar faz com que o ensino permaneça preso ao passado. O trabalho com jogos pedagógicos online proporcionaram um feedback bastante significativos, pois ao usar jogos e vídeos, cria-se a sensação de que aprender pode ser sinônimo de diversão e quando o aprendizado se constrói desta forma os 3

4 resultados são bem mais expressivo. Além das contribuições pedagógicas e para o desenvolvimento cognitivo da criança, a introdução de noções de trabalho colaborativo também são contempladas pela ludicidade Wayskop (1995) assevera que com o jogo, as crianças fixam convicções de justiça, solidariedade e liberdade. O uso de ferramentas tecnológicas resinifica e excede as paredes da sala de aula, pois elas proporcionam um intercâmbio de ideias que pode ser feita entre alunos de salas diferentes ou de escolas diferentes, o trabalho cooperativo entre professores e alunos. Segundo Santaella ( 2005, p.37) é somente na relação com o interpretante que o signo completa a sua função.. Explorar o poder representativo que estes signos possuem atrelado ao conteúdo de disciplina de língua Inglesa aproxima a disciplina à realidade do aluno permitindo que o aluno se enxergue como parte de um mundo plural, composto por várias línguas e várias culturas. A ressignificação da sala de aula propõe uma abordagem de um mundo em que as barreiras entre o conteúdo e sua aplicação na vida real são inexistentes. 5. ATIVIDADES APLICADAS Visando reforçar o pensamento acima descrito seguem algumas sugestões de páginas online, onde podem ser encontradas atividades para trabalhar com a língua inglesa de forma interativa, divertida e ao mesmo tempo com um cunho pedagógico. Todas as atividades abaixo listadas forma desenvolvidas em um curso de inglês que dispunha das ferramentas tecnológicas que tornaram possível a aplicação deste método BRITISH COUNCIL Sendo uma das mais completas páginas online para o trabalho com a língua inglesa, em minha concepção, a webpage do English council oferece suporte pedagógico gratuito para professores de língua Inglesa, além de possui uma seção destinada apenas ao ensino infantil. Esta é composta de vídeos, atividades de Listening, Reading, historinhas e jogos. Todos estes sem que seja necessário fazer cadastro. É apenas acessar e usar esses recursos. 4

5 5.2. COOKIE TM A página assim como o website mencionado anteriormente também disponibiliza gratuitamente atividades interativas com um viés pedagógico, através deste website pode- se trabalhar com a interdisciplinaridade, pois traz atividade que combinam o ensino de inglês a outras disciplinas como: matemática, e ciências e geografia. Ambos os sites oferecem sugestões de atividades extras, que podem ser impressas e usadas na sala de aula, até porque o uso em excesso de ferramentas eletrônicas também possui seu lado negativo. E enquanto docentes precisamos ficar atentos ao fato de que as novas tecnologias precisam ser vistas como mais um recurso a ser usado em sala de aula e não o único. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao longo deste artigo foram pontuadas as relações entre as ferramentas digitais e a representação que estes signos representam no processo de ensino aprendizagem de língua estrangeira. Foi apresentada a definição de signo pela concepção Pierceana, destacando a importância das relações entre signo, objeto e interpretante na construção de significado e neste caso mais específico para a construção e aquisição de uma língua estrangeira. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências: os jogos e os parâmetros curriculares nacionais. Campinas: Papirus, CELANI, Maria Antonieta Alba. Culturas da aprendizagem: risco, incerteza e educação. In MAGALHÃES, Maria Cecília (org). A formação do professor como profissional crítico: linguagens e reflexão. Campinas- SP: Mercado das Letras, 2004, pp CORREIA, Carlos M. de C. Fundamentos da Semiótica Piercena..(PUC-SP). Disponível em: Acesso em: 18 de Janeiro de JOLY, Martine. Introdução à análise da imagem. Campinas-SP. Papirus, PEIRCE, Charles Sanders. Semiótica. 2ª ed., São Paulo: Perspectiva,

6 SANTAELLA, Lúcia. Culturas e artes do pós- humano. Da cultura das mídias à cibercultura. 4ª ed., São Paulo. Paulus, Semiótica aplicada. 2ª ed. São Paulo: Pioneiras Thomson Learning WAJSKOP, G. Brincar na Pré-Escola. São Paulo: Cortez,

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