XXII Seminário. Econômica

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1 XXII Seminário Internacional de Política Econômica Antônio Márcio Buainain e Patrícia Almeida Instituto de Economia da Unicamp Viçosa, 28 de Outubro de 2010

2 Objetivo central Analisar o funcionamento do mercado de arrendamento de terras no Brasil, buscando identificar seus principais determinantes, institucionais e econômicos, assim como as áreas de maior concentração.

3 Hipótese básica O quadro institucional coloca entraves ao funcionamento do mercado de arrendamento, especialmente dos contratos envolvendo produtores mais pobres.

4 Arrendamento de Terras: Aspectos Teóricos A alocação eficiente de recursos pode ser obtida sempre que os proprietários conseguirem monitorar as atividades dos arrendatários(cheung, 1969). Os contratos de arrendamento como uma solução ótima para reduzir o problema do risco moral(stiglitz, 1974). ATeoriadaAgênciamodelaoambienteondeo proprietário também exerce atividades produtivas (Eswaran e Kotwal, 1985; Bhattacharyya e Lafontaine, 1995; dentre outros).

5 Constituição Estatuto da terra Aparato Jurídico Leis civis e criminal Contratos agrários Imposto Territorial Rural (ITR) Justiça Posição Partidária Ambiente Político-Social Políticas Públicas Agenda Política Estabilidade Instabilidade político-institucional (ambiente psico-social) Distribuição da propriedade da terra Forma de acesso à terra Estrutura Fundiária Segurança do Título de Propriedade O título propriamente dito O contexto sócio-político Sistema de registro de propriedade (cartórios) Atributos pessoais: nível educacional e experiência previa; habilidade administrativa e capacidade empresarial Características dos produtores Nível de riqueza: renda, bens patrimonial, tamanho da área contratada Capital social Credito Rural Fatores Econômicos Acesso aos demais Mercados (insumos, máquinas e equipamentos, serviços de assistência técnica, comercialização, etc) Conjuntura dos Mercados Agrícolas Dinâmico Baixo Dinamismo Estagnado Decadente Arrendamento e Parceria: principais condicionantes

6 Ambiente político-social - o poder dos proprietários fundiários - a influência dos fatores políticos - os movimentos sociais Distribuição da propriedade da terra - propriedade da terra, sinônimo de poder, riqueza estatus -terra,ativodereservadevalor - estratégia de desenvolvimento agropecuário Características dos produtores -nívelderiqueza - experiência e qualificação - poder de barganha

7 Segurança do título de propriedade - o proprietário da terra sempre tentará maximizar seus ganhos monetários futuros - perde a possibilidade de usar a terra como colateral do crédito -litígios Acesso aos demais mercados - Financeiro - Insumos e serviços - Comercialização

8 ARRENDAMENTO DE TERRAS NO BRASIL: PRINCIPAIS CONDICIONANTES Estatuto da Terra: a imposição de regulamentações legais não assegura, por si só, nem automaticamente, os direitos que se pretende garantir. Imposto Territorial Rural: pode ser ora um entrave ora um incentivo à prática do arrendamento. Ambiente Político-Social: a insegurança jurídica penaliza os proprietários de menor peso político. Grau de Concentração da Terra: a propriedade da terra no Brasil sempre foi sinônimo de poder, riqueza status.

9 ARRENDAMENTO DE TERRAS NO BRASIL: PRINCIPAIS CONDICIONANTES Segurança do Título de Propriedade: o proprietário sempre tentará maximizar seus ganhos monetários advindos da sua propriedade. Acesso aos demais mercados: o acesso precário à terra por parte dos pequenos arrendatários constitui um obstáculo aos demais mercados. Características do arrendatário: qualificação e nível de riqueza.

10 ARRENDAMENTO DE TERRAS NO BRASIL: PRINCIPAIS CONDICIONANTES De um lado, os produtores estão sujeitos a eventos ou condições extramercado de arrendamento e parceria que influenciam a conduta dos contratantes. Neste aspecto, cabe sublinhar a legislação, a conjuntura política e econômica, a forma de acesso aos demais mercados, as organizações sociais.

11 ARRENDAMENTO DE TERRAS NO BRASIL: PRINCIPAIS CONDICIONANTES De outro, existe um conjunto de condicionantes que, ou são objeto e cláusula do próprio contrato agrário, ou são atributos dos participantes. Pode-se destacar o prazo e a forma de pagamento do contrato, o nível de riqueza e qualificação do produtor, a disponibilidade de informações, a incerteza e a seleção dos produtores.

12 Funcionamento do (Mercado) de Arrendamento e Parceria: aspectos gerais A dupla natureza do arrendamento e da parceria no país. Principais atividades econômicas em áreas arrendadas: RS(pecuária bovina e arroz); SP(canade-açúcar); MG e MS (pecuária bovina e grãos); PN (soja);goemt(pecuáriabovina);maern(arroze pecuária bovina). Principais atividades econômicas em áreas sob parceria: RS e MA(arroz); SP e PN(cana-de-açúcar esoja);mg,ms,mt,goern(pecuáriabovina).

13 Evolução Arrendamento e Parceria no Brasil, segundo condição do responsável Ano Total dos estabelecimentos Total de área Arrendatário e Parceiro Estabelecimento s Área N.º % N.º % , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,5

14 Número de estabelecimentos e área arrendatários segundo a condição do produtor Brasil e Estados (2006) Estados Estabelecimentos Área (ha) Nº % Nº % Tamanho Médio (ha) Brasil , ,0 39,1 Rio Grande do Sul , ,1 54,4 São Paulo , ,8 70,8 Minas Gerais , ,6 53,3 Mato Grosso do Sul , ,7 414,6 Paraná , ,0 31,7 Goiás , ,7 178,1 Mato Grosso , ,4 676,7 Santa Catarina , ,5 18,9 Maranhão , ,3 9,0 e Estados (2006) Pernambuco , ,9 10,4 Alagoas , ,8 13,0 Ceará , ,5 5,1 Distrito Federal 607 0, ,5 69,3 Rio de Janeiro , ,9 30,3 Bahia , ,8 28,2 Paraíba , ,7 10,4 Piauí , ,0 5,3 Rio Grande do Norte , ,5 20,4 Espírito Santo 910 0, ,2 15,8 Tocantins 256 0, ,5 170,4 Pará , ,0 70,2 Rondônia 818 0, ,7 75,1 Acre 70 0, ,09 126,4 Roraima 15 0, ,05 293,8 Amazonas 949 0, ,6 54,6 Sergipe , ,2 13,9 Amapá 21 0, ,01 61,7

15 Número de estabelecimentos e área, segundo a condição do produtor, por grupo de área total Brasil (2006) Grupo de área total (ha) Total Condição do produtor Arrendatário Parceiro Estbs Área Estbs Área Estbs Área Total Menos Menos Menos Menos Maior

16 Estados Total Principais Estab. 2 Área atividades Rio Grande do Sul São Paulo Minas Gerais Mato Grosso do Sul Paraná Goiás Mato Grosso Maranhão Rondônia Área Soja em grão Arroz em casca Milho em grão Cana-de-açúcar Milho em grão Soja em Grão Milho em grão Soja em grão Cana-de-açúcar Soja em grão Milho em grão Cana-de-açúcar Soja em grão Milho em grão Cana-de-açúcar Soja em grão Milho em grão Cana-de-açúcar Soja em grão Milho em grão Algodão Arroz em casca Mandioca Milho em grão Soja em grão Milho em grão Arroz em casca 3.871

17 ABORDAGEM REGIONAL DO ARRENDAMENTO NO BRASIL REGIÕES NÚMERO DE PROPRIEDADES ARRENDADAS NATUREZA ARRENDAMENTO NÍVEL DE RENDA PRINCIPAIS ATIVIDADES PRODUTIVAS PADRÃO TECNOLÓGICO TAMANHO PROPRIEDADE PARTICIPAÇÃO COOPERATIVAS NORTE PEQUENO BAIXA NORDESTE PEQUENO BAIXA CENTRO- OESTE CAPITALISTA ALTA SUL CAPITALISTA ALTA Pecuária Bovina Arroz Outros Animais Café em grão Cana-de-açúcar Pecuária Bovina Arroz Milho Pecuária Bovina Soja Milho Arroz Pecuária Bovina Soja Arroz Milho Pecuária Bovina BAIXO PEQUENA BAIXíSSIMA BAIXO PEQUENA BAIXA ALTO GRANDE MÉDIA ALTO PEQUENA BAIXA SUDESTE CAPITALISTA ALTA Cana-de-açúcar ALTO PEQUENA MÉDIA Milho Soja Fonte: Elaboração dos autores a partir do Censo Agropecuário

18 Considerações Finais Embora a legislação agrária tenha como objetivo regular os contratos de arrendamento e atender aos interesses das partes contratantes, tudo indica que funciona mais como um entrave que uma solução. A própria dinâmica do arrendamento de terras no Brasil dificulta a sustentação do pequeno arrendatário.. Arrendar terras para pequenos produtores ou trabalhadores sem terra ainda é interpretado, no país, como prova de exploração dos mais fracos, de absenteísmo, de ociosidade e improdutividade da terra. As próprias entidades de representação dos pequenos produtores e trabalhadores sem terra não parecem aceitar o arrendamento como opção de acesso à terra.

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