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4 Impacto do Software Livre e de Código Aberto (SL/CA) na Indústria de Software do Brasil Coordenadores Giancarlo Nuti Stefanuto (coordenação executiva) Sergio Salles-Filho (coordenação científica) Equipe de pesquisa Adrian S. de Witt B. Ana Maria Carneiro Angela Maria Alves Carolina Vaghetti Mattos José Eduardo De Lucca Equipe de apoio Fernando Colugnati (apoio estatístico) Rogério da Veiga (estagiário) Apoio editorial Paula Felício Drummond de Castro Projeto visual e produção Serifa Comunicação (www.serifa.com.br) Este documento está disponível no site Impresso no Brasil, 2005 O impacto do software livre e de código aberto na indústria de software do Brasil / Softex, Campinas: Softex, p. 1. Software livre. 2. Código aberto. 3. Indústria de software. I. Título. II. Softex. CDD SOFTEX / UNICAMP / MCT

5 Sumário Apresentação...6 Introdução...7 Capítulo 1. Panorama geral do SL/CA Modelo de desenvolvimento de SL/CA e comunidades...11 Comunidades e colaboração...13 Comunidades brasileiras Licenças...15 Capítulo 2. Perfil dos desenvolvedores Perfil social, econômico e técnico do desenvolvedor individual Caracterização social, econômica e técnica dos desenvolvedores Perfis dos desenvolvedores (agrupamentos) Caracterização das empresas desenvolvedoras Caracterização das empresas desenvolvedoras (pequenas e médias) Estratégias de algumas empresas selecionadas...35 Capítulo 3. Perfil do usuário de SL/CA Usuário Individual Caracterização social, econômica e técnica dos usuários Perfis dos usuários (agrupamentos) Empresas usuárias Caracterização das empresas usuárias Estratégias...48 Capítulo 4. As dimensões econômicas do SL/CA: motivações, setores e modelos de negócios As motivações para desenvolver e usar SL/CA Intensidade de uso de SL/CA em setores e em áreas de aplicação Modelos de negócios em SL/CA Negócios com SL/CA Ameaças e oportunidades do SL/CA para a indústria brasileira de software Dimensionamento dos mercados de SL/CA: aspectos gerais Dimensionamento dos mercados de SL/CA: quanto é hoje o mercado de Linux no Brasil?...68 Conclusões...71 Bibliografia...75 Impacto do Software Livre e de Código Aberto na Indústria de Software do Brasil 3

6 Índice de Quadros Quadro 1 - Fatos importantes na história da aproximação entre SL/CA e as empresas...18 Quadro 2 - Comparação com outros surveys no mundo...21 Quadro 3 - Comparação do perfil dos desenvolvedores (Brasil e Europa): características socioeconômicas...23 Quadro 4 - Comparação do perfil dos desenvolvedores (Brasil e Europa): características de atuação com SL/CA Quadro 5 - Comparação dos grupamentos de empresas desenvolvedoras...34 Quadro 6 - Box resumo com casos ilustrativos de uso de SL/CA por empresas no Brasil...46 Quadro 7 - Intensidade de uso de SL/CA nos setores econômicos - situação atual...57 Quadro 8 - Relações entre modelos de negócios específicos para SL/CA e da indústria de software...61 Quadro 9 - Importância relativa da apropriabilidade do software para os modelos de negócios da indústria e principais programas livres desenvolvidos por modelo de negócio...62 Índice de Tabelas Tabela 1 - Comparação dos agrupamentos de desenvolvedores individuais...27 Tabela 2 - Sistemas Operacionais nos servidores no Brasil...38 Tabela 3 - Caracterização socioeconômica dos agrupamentos de usuários individuais...44 Tabela 4 - Caracterização da utilização de SL/CA dos agrupamentos de usuários individuais...45 Tabela 5 Motivos para desenvolvimento e uso de SL/CA...53 Tabela 6 - Número de servidores web e respectivos programas no mundo (2004)...66 Tabela 7 - Número de servidores web e respectivos programas Brasil (2004)...68 Índice de Gráficos Gráfico 1 - Principais sistemas operacionais utilizados em servidores...37 Gráfico 2 - Sistemas operacionais por tipo de operação...38 Gráfico 3 - Software de banco de dados transacionais...39 Gráfico 4 - Idade dos usuários...40 Gráfico 5 - Distribuição dos usuários por região...41 Gráfico 6 - Se considera parte de alguma comunidade...41 Gráfico 7 - Localização das empresas usuárias...47 Gráfico 8 - Faturamento empresas usuárias...48 Gráfico 9 - Número de empregados de empresas usuárias...48 Gráfico 10 - Razões de desenvolvimento e/ou distribuição de SL/CA, respondido por desenvolvedores...52 Gráfico 11 - Razões de uso de SL/CA, respondido por usuários...52 Gráfico 12 - Modelos de negócios de SL/CA segundo os desenvolvedores...60 Gráfico 13 - Modelos de negócios de SL/CA segundo os desenvolvedores...60 Gráfico 14 - Evolução esperada do mercado de produtos Linux...65 Gráfico 15 - Taxas de adoção de Linux em equipamentos novos e usados...65 Gráfico 16 - Evolução do mercado de servidores...67 Gráfico 17 - Evolução do mercado de planilhas SOFTEX / UNICAMP / MCT

7 Índice de Figuras Figura 1 - Representação esquemática da comunidade e das sub-comunidades que se relacionam com SL/CA Figura 2 - Possíveis evoluções do licenciamento de um software livre e de um software proprietário...17 Figura 3 - Análise de correspondência do perfil técnico e profissional dos desenvolvedores individuais...25 Figura 4 - Análise de correspondência do perfil das empresas dos desenvolvedores...32 Figura 5 - Análise de correspondência do perfil dos usuários de SL/CA Figura 6 - Oportunidades e ameaças relacionadas aos modelos de negócios de SL/CA, caso brasileiro, ponto de vista das empresas de capital nacional...62 Figura 7 - Oportunidades e ameaças relacionadas aos modelos de negócios de SL/CA, caso brasileiro, ponto de vista das empresas de capital estrangeiro...63 Impacto do Software Livre e de Código Aberto na Indústria de Software do Brasil 5

8 Apresentação O modelo de software livre/código aberto (SL/CA) tem despertado o interesse e suscitado reflexões nos mais diversos âmbitos (governo, academia, empresas, etc), no Brasil e no exterior. O surgimento de uma rede virtual de desenvolvedores e usuários, complexa, auto-organizada, com motivações diversas e a existência de novas formas de licenciamento de software sinalizam a introdução de novas variáveis no setor de software. O software livre desponta como opção estratégica para o desenvolvimento tecnológico com vistas à inclusão social, a partir de experiências bem sucedidas em diversas localidades do Brasil. O Observatório Econômico da Softex e o Departamento de Política Científica e Tecnológica da UNICAMP realizaram, com o apoio do MCT, uma pesquisa para aprofundar o entendimento do impacto do software livre no Brasil. Foram estudados aspectos como abrangência de utilização, capacitação dos desenvolvedores e, particularmente, os impactos que dizem respeito às empresas de software (capacitação, modelos de negócios etc). Os resultados apresentados compõem a maior pesquisa individualizada por país já realizada em todo o mundo. As principais conclusões indicam que, apesar de não se tratar de uma ruptura tecnológica, o modelo SL/CA traz uma nova forma de desenvolver e licenciar software que está quebrando modelos tradicionais de apropriabilidade e de desenvolvimento tecnológico. O fenômeno de construção, interação e geração de resultados pelas comunidades é algo sem precedentes na história do setor de software. Em boa parte destas comunidades inexistem laços formais para participação e parece haver um crescente fluxo de geração de novas comunidades e do processo de aprendizagem coletiva. Os resultados desta pesquisa contradizem alguns mitos em relação ao modelo SL/CA no Brasil. O perfil dos desenvolvedores brasileiros é semelhante ao perfil europeu, que é bastante profissionalizado, com a predominância de profissionais qualificados: administradores de sistemas, técnicos de redes, empresários, pesquisadores e estudantes com nível superior. Dentre as empresas desenvolvedoras há o predomínio de pequenas empresas, mas grandes empresas também já adotam este modelo para realização de negócios. Quanto aos usuários, o perfil se inverte. Há predomínio de grandes organizações, com destaque para os setores de tecnologias da informação e comunicação, governo, comércio e educação. Suas principais motivações são econômicas (diminuição de custos) e técnicas (desenvolvimento de novas habilidades). Estima-se que no Brasil o mercado de sistemas operacionais baseados em SL/CA tenha uma dimensão de no mínimo R$ 77 milhões, considerando-se somente a venda de distribuições e serviços correlatos do Linux, com potencial de crescimento de 2,5 a 3 vezes até Sendo este um modelo fortemente associado à prestação de serviços, há a existência de uma parcela considerável de serviços comercializados, que não pôde ser computada, dada a inexistência de estatísticas sobre o modelo SL/CA no Brasil. Também faltam estatísticas e metodologia para mensurar o mercado de linux nos embarcados. Do ponto de vista das características concorrenciais, o SL/CA ameaça fortemente o modelo de pacotes (plataformas e sistemas operacionais), componentes de software (enquanto a ênfase de sua utilização for como produto) e produtos customizáveis, exatamente porque esses modelos têm na apropriabilidade (manter códigos fechados) um fator essencial de concorrência. Já os modelos de serviços e de embarcados, por terem maior especificidade e menor importância de apropriabilidade por meio de códigos fechados, constituem modelos com maiores oportunidades de investimento. A pesquisa indica como o SL/CA acelera a transição da indústria de software dos produtos para os serviços. O SL/CA está se profissionalizando no país e começa a sair da periferia da indústria em direção ao seu centro. O SL/CA, ao nascer de uma contestação aos mercados proprietários mais poderosos da indústria (Unix, Windows, Office), revelou todo seu apelo político, institucional e emocional. Este apelo chamou a atenção de muita gente, dos que tinham (e têm) como filosofia um espírito libertário e contrário à apropriação restritiva do conhecimento, aos que viam uma oportunidade de derrubar o maior e mais conhecido gigante da indústria de software, passando pelas grandes corporações que viram (e vêem) no SL/CA uma enorme oportunidade de se desfazer de uma incômoda taxa de monopólio que restringe seus negócios. Os interesses no SL/CA são diversos e muitas vezes antagônicos, como é apresentado ao longo deste trabalho que merece ser lido por todos que estudam este setor. Uma onda de software livre percorre o mundo. Que seja bem vinda também no Brasil. Arthur Pereira Nunes 6 SOFTEX / UNICAMP / MCT

9 Introdução Este documento apresenta os resultados da pesquisa Impacto do Software Livre e de Código Aberto (SL/CA) na Indústria de Software do Brasil realizada pelo Observatório Econômico da Sociedade Softex em parceria com o Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp com o apoio do MCT. O objetivo deste estudo foi realizar um primeiro levantamento das formas de organização técnica e econômica de software livre e código aberto (SL/CA) no Brasil. Fazem parte deste objetivo a identificação dos principais mercados e modelos de negócio relacionados a SL/CA; um levantamento de competências em SL/CA no país (desenvolvedores, empresas especializadas, etc); um levantamento dos consumidores e usuários; a identificação das condições de apropriabilidade envolvidas em SL/CA e outros ativos complementares fundamentais ao desenvolvimento e uso de SL/CA. Quatro foram as principais fontes de informação levantadas pelo estudo: a) um painel de especialistas; b) uma enquete eletrônica com respondentes (a maior já realizada dentro de um único país); c) um conjunto de entrevistas com empresas desenvolvedoras e usuárias de software livre e open source (SL/CA); e d) um levantamento exaustivo de informações secundárias sobre empresas que lidam com SL/CA no Brasil. A partir destas fontes, o trabalho apresenta o maior conjunto de informações sobre o tema SL/CA já realizado até o momento no país. O texto que segue possui a seguinte estrutura: No Capítulo 1, Panorama geral do SL/CA, o objetivo é apresentar o que é e como se organiza o SL/CA, bem como as tendências que estão sendo delineadas nos cenários nacional e internacional, os instrumentos de apropriabilidade (tipos de licença e formas de apropriabilidade), as comunidades e suas características básicas, além das implicações gerais para a organização econômica da indústria de software. No Capítulo 2, Perfil dos desenvolvedores, o objetivo é identificar e analisar o perfil social, econômico e técnico do desenvolvedor (indivíduos e empresas) incluindo-se suas áreas de atuação e perfil empreendedor. No Capítulo 3, Perfil do usuário, o objetivo é identificar e analisar o perfil técnico e socioeconômico dos usuários, indivíduos, empresários e empresas. O Capítulo 4, As dimensões econômicas do SL/CA: motivações, setores e modelos de negócio apresenta as motivações dos diferentes envolvidos com SL/CA no Brasil; os setores econômicos e as áreas de aplicações com maior intensidade de uso e desenvolvimento de SL/CA e, por fim, enfoca os modelos de negócios relacionados a SL/CA e faz uma análise das implicações para a indústria de software. Complementarmente, este capítulo faz uma estimativa do mercado de Linux no Brasil no final do ano de Finalmente, as conclusões recuperam questões encontradas ao longo do trabalho e se dedicam a discutir aspectos relacionados às políticas e sua importância para o fomento ao SL/CA no País. Impacto do Software Livre e de Código Aberto na Indústria de Software do Brasil 7

10 Panorama geral do SL/CA Capítulo 1 Panorama geral do SL/CA A dinâmica do software livre/código aberto (SL/CA) é o mais recente e interessante fenômeno no cenário da informática (e que ultrapassa suas próprias fronteiras), gerando um nível de interesse similar aos dos primeiros momentos da Internet comercial. A conceituação de software livre surgiu em e ganhou maior divulgação recentemente. Os mais de 20 anos de evolução permitiram ao SL/CA avançar em diversos aspectos: técnico, político-estratégico, adequação às necessidades dos usuários, qualidade, segurança, etc. Esta evolução é resultado de um conjunto heterogêneo de eventos, atores e perspectivas. Na verdade, trata-se de um processo evolutivo, cujos caminhos ainda estão sendo trilhados. Este processo coletivo interrelaciona-se de forma muito intensa, criando grandes comunidades de prática, em que há engajamento em torno de um domínio comum no qual, em alguns casos, ocorre a socialização de conhecimento e de práticas 2. Esta dinâmica envolve o desenvolvimento de software (e de material relacionado, como documentação), difusão, estímulo e apoio ao uso de SL/CA, que chega até uma visão e ação empresarial, que encontra no SL/CA uma importante opção de crescimento. Os princípios do SL/CA fundamentam-se nas premissas básicas de liberdade de expressão, acesso à informação e do caráter eminentemente coletivo do conhecimento, que deve ser construído e disponibilizado democraticamente, e não privatizado. Dentro do modelo de SL/CA, o software é somente mais uma forma de representação ou de organização do conhecimento e, por isso, um bem comum. Como tal, sua difusão e uso devem ser livres. Para que estes princípios sejam efetivamente respeitados, existem alguns requisitos como o acesso ao código fonte dos programas e liberdades concedidas aos usuários dos mesmos. De forma resumida, entende-se por SL/CA todo software que oferece ao usuário, através do seu esquema de licenciamento 3, as condições de uso, reprodução, alteração e redistribuição de seus códigos fonte. Também é importante destacar que o modelo de desenvolvimento e o de disponibilização do software são características que distinguem o software livre do proprietário. Estas peculiaridades serão devidamente tratadas ao longo deste documento. Duas denominações convivem com esta definição básica: a de software livre e a de software de código aberto. Os termos são tradução direta dos utilizados em inglês: free software e open source software. Na verdade, estas denominações contêm similaridades e diferenças. Ambas significam mudanças substantivas na indústria de software, seja do ponto de vista do usuário final, do desenvolvedor de software, ou de outros agentes relacionados. No presente estudo foi usada a expressão software livre e código aberto (SL/CA) para definir o conjunto dos produtos e serviços não proprietários que deveriam ser pesquisados. De acordo com a literatura e mesmo com a prática, software livre (SL) e de código aberto (CA) são categorias distintas, ou pelo menos 1 A rigor, o software surgiu livre e rapidamente transformou-se em negócio proprietário. 2 Etienne C. Wenger em 1991 (Lave et al, 1991) cunhou o termo comunidades de prática, definindo-as como grupos de pessoas que partilham um interesse e que se unem para desenvolver conhecimento de forma a criar uma prática em torno desse tópico. Estas comunidades não estão vinculadas a estruturas hierárquicas ou institucionais. O fato de possuir fronteiras flexíveis (a filiação é aberta) a difere de uma típica unidade funcional de uma empresa, e potencializa as oportunidades de aprendizagem em situações concretas. 3 Legalmente, a forma como um usuário pode relacionar-se com um software é definida através de uma licença de uso, que é escrita/ definida/escolhida pelo produtor do software, e que deve ser aceita e respeitada pelo usuário. A legislação brasileira que trata do assunto é a lei nº 9.609, de 19/02/1998, artigos 9º e 10º, de Registro de Programa de Computador (www.inpi.gov.br). 8 SOFTEX / UNICAMP / MCT

11 identificáveis, ainda que façam parte de um mesmo tema: a produção e uso de software não proprietário. Na verdade, a dúvida mais comum não é exatamente em torno do significado dessas duas categorias, mas em torno da gratuidade ou não do produto ou do serviço 4. Software livre, assim como código aberto, são ativos que podem ou não ser monetizados e transacionados nos mercados, dependendo da situação. Software Livre, portanto, não diz respeito à gratuidade, mas à liberdade. Liberdade definida basicamente por se poder modificar, reproduzir e utilizar livremente, desde que não se restrinja o uso e a capacidade de uso por outrem. Nas palavras de R. Stallman, em seu Manifesto GNU 5 : GNU is not in the public domain. Everyone will be permitted to modify and redistribute GNU, but no distributor will be allowed to restrict its further redistribution. That is to say, proprietary modifications will not be allowed. I want to make sure that all versions of GNU remain free (Stallman, 1985). A idéia de que SL/CA não é domínio público (porque o que está em domínio público pode ser transformado e apropriado e, assim, não valem os direitos de autor) é um diferencial importante que leva à criação de toda uma categoria de licenças. É preciso garantir que o produto/conhecimento desenvolvido sob a égide do SL não venha a ser apropriado. O conhecimento deve, portanto, nascer e se desenvolver livre. Resumidamente, seriam quatro as categorias de liberdade a serem preservadas (Augusto, 2003; Barahona et al, 2003): liberdade para executar o programa para qualquer fim, em qualquer ponto e a qualquer tempo; liberdade de estudar o funcionamento do programa e adaptá-lo às necessidades de quem o estuda; liberdade de redistribuição de cópias; liberdade para melhorar o programa e publicar as melhorias. Um programa é considerado livre se os usuários dispõem de todas essas liberdades 6. Caso contrário ele poderá ser, no máximo, código aberto. O GNU é uma demonstração da contestabilidade dos mercados de software. Sem quebrar direitos 7 e sem ferir legislações alterou-se uma trajetória institucional de organização da indústria e instituiu-se uma trajetória paralela, similar em seus princípios técnicos e tecnológicos, mas diferente em sua organização. As formas Catedral e Bazar de desenvolvimento, descritas por Eric Raymond (Raymond, 2001), são modelos organizacionais efetivamente diferentes: uma, hierárquica, controlada no interior do projeto ou da firma; outra, não hierárquica, conduzida pelas comunidades de SL. Ambas com regras e códigos de conduta próprios: uma baseada nos ganhos de propriedade, outra baseada no trabalho e uso coletivos. Essa seria a essência do SL. Sua origem tem motivações ideológicas (as declarações de Stallman em seu Manifesto e em várias entrevistas e escritos comprovam isso), sua proposta altera substantivamente as condições nas quais um programa de computador pode ser desenvolvido e, mais que isso, utilizado. Seu desenvolvimento, ao longo dos últimos vinte anos, tomou vários rumos, mas sua maior expressão prática foi e ainda é o Linux, um sistema operacional que disputa espaço com os sistemas operacionais proprietários mais difundidos no mundo, como Windows, Windows Server, Unix, Novell e sistemas de mainframe (FIESP/ 4 Como visto no primeiro capítulo, o movimento inicialmente denominava-se Free Software, mas a dubiedade do termo free levou Eric Raymond e Bruce Perens em 1998 a fundarem o movimento de software open source, que incorporava essencialmente as mesmas práticas de licença do software livre, mas procurava enfatizar mais os benefícios práticos dessas licenças do que os princípios ideológicos para, assim, aumentar a aceitação do software open source pelas empresas de software (von Hippel e von Krogh, 2003; Hertel et al, 2003). 5 GNU significa GNU is not Unix, uma brincadeira com a característica recursiva da programação Isso não é exatamente consensual, há vários processos judiciais (Linux x Unix) e as ameaças sobre o Linux por supostamente ter ferido dezenas de patentes da Microsoft. Impacto do Software Livre e de Código Aberto na Indústria de Software do Brasil 9

12 Panorama geral do SL/CA CIESP e FEA/USP, 2004). Daí sua grande importância para o entendimento da dimensão econômica do SL. Nas palavras de Eric Raymond, Linux é subversivo. E de fato o é, em vários sentidos. No que interessa para o presente trabalho, o Linux altera condições técnicas e econômicas básicas da organização da indústria de software, a começar pela formação de preços e pela organização industrial (estruturas de mercado e modelos de negócios relacionados à indústria). O termo código aberto (ou open source) é, em princípio, uma categoria que enfatiza apenas a abertura dos códigos dos programas. Assim, seria um conceito diferente do de SL porque os princípios de liberdade não necessariamente deveriam ser observados. Entretanto, há autores que usam o termo CA como sinônimo de SL, não fazendo distinção categórica entre eles (European Comission, 2000). Ao se tomar as características de uma licença CA dada pela Open Source Initiative OSI 8, tem-se o seguinte conjunto de princípios: 1. distribuição livre, sem pagamento de royalties ou semelhantes; 2. código fonte deve sempre estar aberto; 3. permitir modificações e trabalhos derivados; 4. garantir integridade autoral do código fonte; 5. não discriminar pessoas ou grupos; 6. não discriminar áreas de conhecimento, setores, atividades; 7. direitos de licença redistribuídos sem necessidade de licenças adicionais pelas partes; 8. a licença não deve ser ligada a um produto específico; 9. a licença não pode restringir outros softwares que são divulgados conjuntamente. Em resumo, pode-se dizer que há uma diferença conceitual entre SL e CA, embora ambos tratem de desenvolver programas com códigos abertos, coletivamente, e de conferir liberdade de uso desses programas. Os princípios da OSI são muito parecidos com os preconizados pela General Public License (GPL), exceto pelo fato de dar ênfase aos direitos autorais e por não restringir, na ponta, o fechamento do código para uso proprietário. Esta última, talvez, seja a principal diferença entre SL/CA. De toda forma, há um conjunto de atividades de desenvolvimento de programas que são organizados da mesma forma, seja como SL ou como CA. Esta forma é o que Raymond (2001) apropriadamente chamou de Bazar: horizontal, coletiva e cooperativa, baseada nas comunidades de SL. A única conclusão possível sobre a percepção é a que não há consenso sobre filosofia e implicações para a forma de atuação de desenvolvedores e usuários. Entretanto, é possível afirmar (inclusive pela literatura e pelas manifestações dos entrevistados) que a noção de SL é mais ideológica que a de CA, e que esta reúne um conjunto maior de pessoas (praticamente todos os que pensam que a forma de trabalho é semelhante, mais os que enfatizam as diferenças e que eventualmente trabalham para projetos de CA), provavelmente porque é menos radical em suas proposições e permite aproveitar as vantagens do desenvolvimento aberto sem perder alguns possíveis estímulos relacionados a direitos de autoria e usos proprietários futuros. No fundo, a percepção de uma ou outra categoria é resultado do posicionamento das comunidades desenvolvedoras. Do ponto de vista dos usuários, especialmente as grandes corporações usuárias de Linux, a distinção é percebida, mas não tem importância na tomada de decisão, exceto para saber localizar-se entre as comunidades. 8 citado por Arroyo et al (2004). 10 SOFTEX / UNICAMP / MCT

13 Neste trabalho, software livre e software de código aberto serão usados indistintamente para fins de simplificação, agrupados sob o termo SL/CA 9. Será dado o destaque necessário quando houver necessidade de distinguilos. A principal diferença entre estas denominações, como dito, está na perspectiva do indivíduo. Enquanto as idéias de software livre estão mais vinculadas às questões de garantia e perpetuação das liberdades citadas, as de código aberto estão mais ligadas a questões práticas de produção e negócio, como a agilização do desenvolvimento do software através de comunidades abertas. Se um desenvolvedor desejar criar um novo software utilizando trechos de software originariamente apresentados com uma licença de código aberto, poderá, a seu exclusivo critério, utilizar qualquer outra licença, inclusive uma que não outorgue nenhum daqueles direitos originais (liberdade de utilização, cópia, modificação e redistribuição). É o que tradicionalmente se denomina fechar o código. Esta situação não deve ocorrer se o software tiver sido originariamente apresentado com uma licença de software livre (como a General Public License, GPL), pois os direitos originais outorgados aos usuários devem, supostamente, ser propagados para todas as novas versões e trabalhos derivados criados a partir daquele original, impedindo, em tese, que se feche o código. Dizemos em tese porque nada impede que o próprio autor resolva, em algum momento, colocar seu desenvolvimento em uma outra licença, menos restritiva que aquela inicialmente registrada. O direito de autor sempre se sobrepõe, pelo menos no plano legal, aos muitos tipos de licenças que hoje são utilizadas em SL/CA. 1.1 Modelo de desenvolvimento de SL/CA e comunidades Tradicionalmente, o desenvolvimento de software (proprietário) é realizado por grupos de desenvolvedores dentro de uma empresa ou de empresas contratadas para tal, sob contratos que impedem a divulgação e o uso de informações relacionadas ao produto em desenvolvimento. Tudo está envolvido em questões de sigilo industrial e de propriedade intelectual (direito de autor) e o conhecimento relacionado à produção dos softwares é considerado um ativo muito importante da organização proprietária. O SL/CA permitiu o surgimento de inovadores modelos de desenvolvimento de software, com colaboração em rede de desenvolvedores. Estes modelos são substancialmente diferentes das práticas estabelecidas pela engenharia de software tradicional. A Internet foi (e é) um ponto-chave desta mudança, pois proporcionou uma grande expansão nesta forma de organização do trabalho, permitindo a criação simples e ágil de redes com participantes de todas as partes do mundo e, colateralmente, distribuindo know-how, melhores práticas e responsabilidades para todos os participantes destas redes, sejam eles desenvolvedores, tradutores ou simples usuários, que colaboram com sugestões de melhorias e relatando bugs. Estas redes, entretanto, podem ser mais ou menos livres. Podem ser sistemas complexos que se auto-organizam ou podem ser sistemas hierárquicos, com regras e níveis de acesso diversificado. O desenvolvimento do kernel do Linux, 10 por exemplo, explorou, no princípio, uma forma descentralizada e coletiva de projeto de desenvolvimento, largamente viabilizada pela Internet. O autor original do Linux, Linus Torvalds, manteve o controle do projeto do sistema operacional, mas abriu o processo de forma que outros pudessem acompanhar seu trabalho e progresso e, acima de tudo, pudessem contribuir para a identificação e solução de problemas. Por este processo, o desenvolvimento do Linux tornou-se o resultado de um ambiente de aprendizagem coletiva, no qual a tarefa estratégica do líder é dar a palavra final sobre possíveis disputas, ao 9 Em outros países, entretanto, o termo preferido para unir os dois conceitos é open source software (software de código aberto), freqüentemente abreviado como OSS. 10 O kernel é o núcleo central do sistema operacional GNU/Linux, um dos exemplos mais bem sucedidos de software livre atualmente, tanto do ponto de vista do produto quanto do processo de desenvolvimento, que garante uma evolução constante e coordenada. Em outros capítulos deste trabalho voltaremos a este ponto, especialmente no capítulo 4. Impacto do Software Livre e de Código Aberto na Indústria de Software do Brasil 11

14 Panorama geral do SL/CA mesmo tempo em que estimula, facilita e mantém o fluxo de idéias, conhecimento, experiências, etc (Molina, 2003). Com a generalização destas práticas, as implicações para o desenvolvimento de software foram marcantes: a Internet tornou-se o ambiente de desenvolvimento de projetos e todos os que podem e desejam colaborar podem fazê-lo em um processo coletivo com diversas formas de colaboração (programação, indicação de falhas, sugestão de melhorias, tradução, documentação, divulgação ou mesmo financeiramente). São coletivos heterogêneos e fracamente relacionados (somente uma motivação comum os une: o desenvolvimento de um software específico), geralmente sem contratos formais ou vínculos a empresas ou organizações para o desenvolvimento do software. A esses coletivos tradicionalmente denomina-se comunidade de desenvolvimento de software. 11 Nestas condições, o desenvolvimento de um software exige a atuação de líder(es) de projeto, em geral, a(s) pessoa(s) com atuação mais destacada no mesmo, que decide(m) quais colaborações serão incorporadas na próxima versão do software, quais as prioridades e os rumos do projeto, ouvida a comunidade que se forma ao redor do mesmo. Exemplos claros deste modelo de governança (com variações próprias de cada uma) são as comunidades Apache (www.apache.org) e a de desenvolvimento do kernel do Linux (kernel.org). Aplica-se, na maioria dos projetos de desenvolvimento de software livre, um princípio baseado nos méritos dos participantes naquela comunidade. O conceito de mérito pode variar de comunidade para comunidade, mas em geral envolve questões como quantidade e qualidade de código contribuído, sugestões e participação ativa e ainda coerência e opiniões construtivas em debates sobre os rumos do projeto. Quando prevalecente, esta forma de governança é essencialmente meritocrática, mas tem também conteúdo estratégico e de segurança. Este modelo de desenvolvimento também permite que muitos indivíduos e empresas possam colaborar para a criação de um software que nenhum deles seria capaz de desenvolver individualmente, pela complexidade ou pelo custo. Portanto, trata-se de uma forma de organização que aproveita economias de escala e de escopo. Também permite uma correção rápida de falhas e o aumento da segurança, porque o código fonte pode ser inspecionado publicamente e isto faz com que ele seja exposto a severas avaliações e por haver uma grande quantidade de pessoas que podem colaborar com a correção das falhas detectadas. Outra característica interessante é a possibilidade de se realizar alterações específicas, de acordo com as necessidades individuais de cada usuário, gerando diversas versões personalizadas e que atendem perfeitamente cada característica demandada. O modelo de desenvolvimento também favorece a possibilidade de bifurcação de projetos: no caso de não haver acordo quanto aos rumos de um determinado projeto (ou seja, se um grupo de pessoas ou mesmo uma pessoa que participa do desenvolvimento discordar dos rumos definidos pelo(s) líder(es)), sempre há a possibilidade de dar início a um novo projeto, com novas prioridades e rumos, aproveitando todo o código já desenvolvido no projeto original, dando a partida do ponto exato em que houve a ruptura 12, enquanto o projeto original segue suas diretrizes definidas. Atualmente, a forma de organização do trabalho relacionado ao desenvolvimento de software tem suscitado muito interesse entre pesquisadores de diversas áreas, desde o direito até a ciência política, e, claro, a economia. O termo commons-based peer-production 13 já foi utilizado para definir esta forma de produção. O 11 Como se verá adiante, há comunidades mais ou menos profissionalizadas. A do desenvolvimento do kernel do Linux, por exemplo, é hoje completamente hierárquica, coordenada e seus membros mais próximos, profissionais de software. 12 Esta situação é conhecida como fork (bifurcação, desvio) em um grupo de desenvolvimento. É relativamente comum. Também podem ocorrer forks quando um grupo, com necessidades específicas, decide iniciar um projeto usando grande parte de código de um projeto já em andamento, mas que tem outros objetivos (por exemplo, um grupo que deseja criar um sistema de apoio a educação à distância, e inicia seu projeto trabalhando com código de um sistema genérico de gerenciamento de conteúdo de sites). 13 Uma possível tradução para esta expressão seria: Produção de bem comunal realizada entre pares. 12 SOFTEX / UNICAMP / MCT

15 criador do termo, Yochai Benkler (Benkler, 2002), caracteriza este modelo de desenvolvimento de SL/CA como o exemplo mais visível de um novo fenômeno socioeconômico que define um terceiro modo de produção, que está mais adequado ao ambiente digital em rede. Segundo o autor, este novo modo de produção diferencia-se dos tradicionais modelos baseados em propriedade (firmas) e em contratos (mercados), pois sua característica central é a de grupos de indivíduos que colaboram em grandes projetos, por motivações e sinalizações sociais diversas em vez de preços de mercado e de comando hierárquico-gerencial, típicas das duas outras formas de produção. O professor de economia da Universidade da Califórnia em Berkley, J. Bradford DeLong 14, destaca o nascimento, no âmago das comunidades de desenvolvimento de SL/CA, de uma nova modalidade de organização social, diferente das 3 ferramentas convencionais de engenharia social que ele reconhece como utilizadas pela humanidade para organizar a divisão de trabalho em larga escala: mercados, hierarquias e carisma. 15 Comunidades e colaboração Na realidade, o termo comunidade, usado acima, é aplicado em diferentes contextos a diferentes grupos de pessoas, com maior ou menor granularidade. Aplica-se, por exemplo, em um contexto generalista, a todo o coletivo de pessoas que se relaciona com SL/CA, que compreende não somente um projeto ou um tema, mas os participantes de todas as comunidades vinculadas de alguma forma ao desenvolvimento, uso, difusão ou apoio do SL/CA. Estas comunidades podem ser, por exemplo, grupos de usuários, grupos de desenvolvedores, grupos mistos, grupos de debates técnicos, grupos de debates políticos, grupos de organização e articulação, grupos que usam/desenvolvem um software em comum. A figura 1 ajuda a ilustrar esses arranjos, procurando representar o envolvimento dos diversos autores em um projeto. Este último tipo de grupo é o que mais comumente se define como comunidade: aquelas que se formam em torno de um software ou de projeto de desenvolvimento de software. São exemplos típicos a comunidade Mozilla 16, a comunidade Mambo 17 e outras, em que se reúnem desenvolvedores, usuários e interessados para debater e aprimorar uma ferramenta em particular. Estas comunidades também podem se subdividir em outras mais específicas, como uma sub-comunidade de desenvolvedores (que trata questões técnicas de desenvolvimento e encaminha a solução de problemas) e uma sub-comunidade de suporte (que oferece ajuda a usuários iniciantes e/ou em dificuldades para utilizar determinado recurso do software em questão). As comunidades são uma característica marcante de boa parte de projetos de desenvolvimento de SL/CA. Quanto mais destacados os projetos, maiores as comunidades que se formam ao seu redor. Embora o papel central nestes projetos seja os dos desenvolvedores, a eles logo se somam os usuários do software, que também contribuem de uma forma ou outra, para a evolução dos mesmos. Em software, como se sabe, o learning by using é absolutamente crítico, quer seja pela descoberta de bugs, quer seja pela sugestão de melhorias. Existem ainda os usuários não-ativos, que raramente participam dos debates sobre um software, o que os coloca em posição isolada da comunidade, mas ainda assim são considerados como tal (contam em estatísticas de usuários, por exemplo). Outros colaboradores também se unem às comunidades, como tradutores, investidores, artistas gráficos (contribuem com ícones, layouts, estudos de usabilidade) e editores de livros. Um fator fundamental para a existência destas comunidades é a facilidade de comunicação propiciada pela Internet, permitindo a interação, cooperação e mesmo competição entre seus membros. 14 Citado por Imre Simon (2004) em 15 Entretanto, pode-se, do ponto de vista da análise econômica, incorporar o elemento carisma aos atributos de incerteza, oportunismo e freqüência normalmente ligados às decisões contratuais (fazer ou buscar fora) Impacto do Software Livre e de Código Aberto na Indústria de Software do Brasil 13

16 Panorama geral do SL/CA Figura 1 Representação esquemática da comunidade e das sub-comunidades que se relacionam com SL/CA A colaboração vem se tornando cada vez mais rica, pois ao longo do tempo foram sendo criadas e aperfeiçoadas ferramentas apropriadas para cada atividade: sistemas distribuídos de controle de versões de software e sistemas de rastreamento e controle de bugs são dois exemplos de ferramentas para desenvolvedores, enquanto listas de discussão, fóruns e chats, sites web e outros são utilizados tanto por desenvolvedores quanto por usuários. Muitas vezes, comunidades grandes promovem também encontros presenciais regionais, nacionais ou mesmo internacionais. Existem ainda as comunidades que se organizam em torno de temas de debate relacionados a questões relevantes no seio das demais comunidades de SL/CA. São grupos heterogêneos, que envolvem usuários, desenvolvedores e quadros políticos, e que podem ter como foco das discussões questões de uso de SL/CA, estratégias de divulgação e difusão e articulação político-estratégica. Comunidades brasileiras Em pesquisa recente (Reis, 2003) foram identificadas algumas características referentes às comunidades brasileiras de desenvolvimento de software livre. O perfil das comunidades brasileiras avaliadas é o de pequenos grupos, com cinco indivíduos em média, em que tanto são desenvolvedores quanto usuários dos softwares em torno do qual se organizam. É muito freqüente que existam participantes com mais de cinco anos de experiência nestas comunidades, o que representa uma base sólida para que um projeto avance. Alguns exemplos de comunidades brasileiras de desenvolvimento de software são: OpenOffice 18 : comunidade dedicada à localização ao português do Brasil e ao desenvolvimento complementar (dedicados ao usuário brasileiro) do conjunto de ferramentas de escritório OpenOffice.org Mozilla 19 : comunidade de usuários, desenvolvedores e interessados no Mozilla para o Brasil. Além da tradução das aplicações, o foco é a divulgação e suporte para os usuários do país SOFTEX / UNICAMP / MCT

17 MonoBASIC 20 : comunidade de desenvolvimento que se propõe criar um compilador livre para a linguagem VisualBasic.Net, integrado ao projeto Mono. Care2xBrasil 21 : sistema integrado de aplicativos para área da saúde. Existem diversos outros projetos brasileiros de desenvolvimento de software em torno dos quais formamse comunidades (algumas de usuários, outras de desenvolvedores). Os projetos mais conhecidos, segundo pesquisa realizada pelo site br-linux.org em , são o Kurumin (distribuição Linux de uso fácil), WindowMaker (ambiente gráfico), txt2tags, rau-tu, dsearch, brazip, slackpkg e sarg. Por outro lado, no Brasil também há uma profusão de comunidades temáticas, cujo escopo costuma variar muito, desde pequenos grupos locais, até grandes grupos nacionais. Exemplos claros são as diversas comunidades intituladas Projeto Software Livre (PSL), onde existem os PSL estaduais (PSL-SC, PSL-RJ, PSL-BA, por exemplo) e os temáticos (PSL-Mulheres, PSL-Jurídico, etc), além do PSL-Brasil, que, em tese, reúne toda a comunidade de software livre brasileira interessada em debater questões estratégicas e articular-se nacionalmente em prol do SL/CA. Também são muito comuns no Brasil as comunidades de informação, nas quais há intensa troca de informações, conteúdo, dicas, etc. São exemplos claros o site br-linux.org e a lista Dicas-L Licenças Da mesma forma que o software proprietário, a distribuição e o uso de SL/CA estão baseados em licenças. O usuário de um software deve concordar e aceitar a licença associada ao software para utilizar os códigos que ali estão. Estas licenças têm a força de um contrato de adesão, no qual o usuário compromete-se a respeitar as regras propostas pelo titular do software e pode ser processado no caso de descumpri-las (isto não o coloca na ilegalidade, a não ser que ele transgrida leis relacionadas ao direito de autor, ou de uma licença associada a patentes). São as regras definidas nestas licenças de uso que definem se um software é considerado livre, de código aberto ou não-livre (proprietário). Como já citado, as licenças de SL/CA autorizam qualquer usuário a utilizar, copiar, modificar e distribuir o software, segundo determinadas regras. Em geral, as licenças de software proprietário permitem que o usuário somente utilize o software de acordo com as regras do titular do software (geralmente a empresa desenvolvedora ou distribuidora), sendo vedada sua reprodução, instalação múltipla, alteração, cessão, revenda ou redistribuição sem o devido pagamento adicional. Algumas licenças de SL/CA são muito comentadas, mas nem sempre as informações são claras ou precisas. A licença de software livre mais utilizada é a mantida pela Free Software Foundation - FSF (do projeto GNU) e se chama GNU General Public License (GNU GPL), que define as liberdades do usuário de um software: ele poderá utilizar sem restrições, adaptar para seu uso, redistribuir cópias, implementar melhorias e difundir as melhorias. Existem muitas outras licenças de SL/CA, como a BSD revisada (Berkeley Software Distribution) ou a MPL (Mozilla Public License). Aprimorado junto com a licença GPL, a FSF criou o conceito de copyleft, que é uma forma de garantir que um software livre e todos os softwares derivados do original, continuem sempre livres 24. O copyleft é um recurso Impacto do Software Livre e de Código Aberto na Indústria de Software do Brasil 15

18 Panorama geral do SL/CA baseado nos conceitos legais do copyright, em que os direitos autorais são preservados, mas os direitos comerciais (de cópia) são liberados, desde que esta regra se mantenha para todos os futuros usuários. Vale ressaltar que nem todas as licenças de SL/CA impõem o copyleft. A licença GNU GPL é hoje uma referência no movimento SL/CA. Segundo Taurion (2004), é uma licença que mantém a liberdade do código fonte, evitando que uma empresa se apodere de código livre e o comercialize de forma proprietária. Qualquer alteração feita em software que foi liberado sob a licença GPL deve apresentar a mesma licença (chamado efeito contaminação), garantindo que o novo software também seja tornado público, para que assim a comunidade que já colaborou com a versão original também possa usufruir das melhorias. Outros exemplos de licenças 25 são: LGPL (Lesser General Public License): Versão da GPL com copyleft relaxado, pois permite acoplar código LGPL a outro código que não o seja (desde que respeitadas algumas condições). BSD (Berkeley System Distribution): é uma licença simples que não impõe restrições para o uso, modificações e redistribuições. Não adere ao conceito de copyleft, mas sim que se possa dar qualquer finalidade ao software, inclusive associar o código livre original a código não-livre, para criar software proprietário. MPL (Mozilla Public License): é uma licença que impõe copyleft somente para os trechos originais do código, diferenciando o código já existente licenciado pela MPL e o código novo, que não necessariamente precisa seguir a mesma licença (e inclusive pode ser proprietário). A figura 2 representa possíveis evoluções do licenciamento de um software a partir da decisão do desenvolvedor original em aplicar uma licença GNU GPL ou uma licença tipo BSD. As implicações desta decisão estão inerentemente ligadas à adesão ou não do princípio de copyleft. Em muitos casos, a escolha da licença a ser utilizada é decisão do autor. Ele pode escolher uma das licenças conhecidas ou escrever os termos de uma licença própria. Entretanto, se o desenvolvedor lançar mão de código já disponível, poderá ter que se adaptar às regras definidas pelo licenciamento do código utilizado. Se, por exemplo, o desenvolvedor utilizar código sob GPL no seu software, ele deverá teoricamente adotar a mesma licença para seu código. Entretanto, o desenvolvedor, como autor, pode dar, em seqüência, qualquer destino que quiser ao código que ele desenvolveu, prevalecendo o direito de autor (situação representada pela seta vertical descendente na figura 2). Se o código utilizado estiver sob licença BSD, por exemplo, o desenvolvedor poderá optar por qualquer licença (inclusive GPL e BSD ou mesmo redigir uma própria). Se, por outro lado, ele utilizar código proprietário, não poderá liberar seu código sob uma licença livre, exceto se ele detiver a propriedade material daquele código (seta vertical ascendente na figura 2). Cabe ressaltar também a possibilidade de licenciamento dual, ou seja, um mesmo código fonte pode ser liberado pelo autor sob duas (ou mais) licenças distintas, conforme o caso e o interesse do usuário. É o que ocorre com o sistema de banco de dados MySQL (da empresa MySQL AB), que apresenta uma licença livre (compatível com GNU GPL) para ser utilizada em projetos de outros softwares livres e uma licença dita comercial, que permite a incorporação do produto em produtos não-livres. Neste último caso, o esquema de licenciamento funciona como no caso de software proprietário, com cobrança por cópia do produto, e é adequada para as empresas que desejarem desenvolver software utilizando MySQL mas que não queiram liberar seu próprio código com uma licença GPL ou compatível (o que seria uma obrigação desta empresa, uma vez que ao incorporar código a outro que está sob GPL, o novo código também deve ser apresentado sob esta licença). Outro exemplo de licenciamento dual é o adotado pela empresa Sun para o software 25 A OSI (Open Source Initiative) registra 54 licenças reconhecidas como compatíveis com a Open Source Definition (em novembro de 2004). Consulte Também a FSF comenta dezenas de licenças de software, livre ou não, copyleft ou não, e faz uma comparação e avaliação de compatibilidade com a GNU GPL, em 16 SOFTEX / UNICAMP / MCT

19 OpenOffice.org, que está disponível sob LGPL e sob SISSL (Sun Industry Standards Source License), que também é uma licença de software livre, porém diferente da GPL. Especificamente no Brasil, a questão das licenças de SL/CA é um assunto ainda pouco conhecido pelos usuários e mesmo por muitos desenvolvedores. Recentemente, a organização Creative Commons 26, em cooperação com a Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, publicou a licença CC-GNU GPL em português, como primeiro resultado de uma cooperação para apoiar a disseminação das licenças definidas por aquela organização no Brasil 27. Na mesma linha, o escritório Kaminski, Cerdeira e Pesserl Advogados, em cooperação com a organização Open Source Initiative (OSI 28 ), deu início a um projeto cooperativo para tradução para o português (e segundo as tradições jurídicas brasileiras) das licenças homologadas pela OSI como compatíveis com a Open Source Definition 29. Figura 2 - Possíveis evoluções do licenciamento de um software livre e de um software proprietário O quadro 1 apresenta alguns fatos que se destacaram relacionando empresas em aproximação do SL/CA. Estas são algumas ações que podem ser um indicativo, em âmbito internacional, dos movimentos de grandes empresas no sentido de aproximar-se, adaptar-se e, se possível, apropriar-se do conhecimento e dos processos característicos da dinâmica do SL/CA, ao mesmo tempo em que estes movimentos aproximam o SL/CA do mundo empresarial e dos grandes capitais. Em outra escala, também se pode perceber um movimento neste sentido: na adoção de SL/CA por empresas usuários de tecnologias de informação e comunicação (TICs) como forma de redução de custos. A abordagem é a de utilizar e beneficiar-se das vantagens com pouca retribuição às comunidades de SL/CA daquilo que é desenvolvido internamente, para resolver problemas específicos, eliminação de falhas no software, etc. Esta também é a forma de utilização do SL/CA por muitas empresas desenvolvedoras de software: utilizam plataformas de desenvolvimento livres (como compiladores e o próprio sistema operacional) que são úteis e, em geral, gratuitas, para a criação de seus próprios produtos que não são, entretanto, livres. Estas questões serão melhor analisadas no capítulo referente a motivações e modelos de negócios ligados a SL/CA Esta licença é reconhecida e difundida pelo governo federal (www.softwarelivre.gov.br/licencas/) Disponível em a Open Source Definition especifica os requisitos mínimos que uma licença de software deve observar para que o software licenciado por ela seja considerado de código aberto. Impacto do Software Livre e de Código Aberto na Indústria de Software do Brasil 17

20 Panorama geral do SL/CA No próximo capítulo veremos os resultados da pesquisa sobre perfil de desenvolvedores e de usuários. Tanto indivíduos quanto empresas são analisadas nesse capítulo e comparados com outros levantamentos internacionais. Quadro 1 - Fatos importantes na história da aproximação entre SL/CA e as empresas Período Fato relevante 1998 Investimentos da Intel 30 na Red Hat Abertura de capital da Red Hat 1999 IBM 32 anuncia estratégia de adoção de GNU/Linux 2000 IBM anuncia investimento de 1 bilhão de dólares para compatibilizar software e hardware com Linux e aloca 250 engenheiros para atuar junto às comunidades de SL/CA 2000 Sun Microsystems 33 anuncia licenciamento LGPL do OpenOffice (mantendo duplo licenciamento com SISSL) Servidor web Apache 34 domina amplamente o mercado GNU/Linux começa a ser amplamente usado em eletrônica de consumo: Sony Playstation 35 e TiVO Novell 37 adquire Ximian 38 e Suse 39 Fonte: adaptado de Molina (2003) empresa desenvolvedora de software para GNU/Linux de grande sucesso por sua qualidade. 39 empresa que criou uma distribuição GNU/Linux de destaque. 18 SOFTEX / UNICAMP / MCT

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