OCORRÊNCIA DE DOENÇAS EM GIRASSOL EM DECORRÊNCIA DA CHUVA E TEMPERATURA DO AR 1 RESUMO

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1 OCORRÊNCIA DE DOENÇAS EM GIRASSOL EM DECORRÊNCIA DA CHUVA E TEMPERATURA DO AR 1 HINNAH, Fernando Dill 2 ; HELDWEIN, Arno Bernardo 3 ; LUCAS, Dionéia Daiane Pitol 4 ; LOOSE, Luís Henrique 5 ; BORTOLUZZI, Mateus Possebon 2 ; MALDANER, Ivan Carlos 4 ; SHACH, Tarlen 2 ; MALDANER, Ricardo Luiz 6. 1 Iniciação Cientifica/CNPq - Agrometeorologia, UFSM. 2 Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil. 3 Professor Titular, Dep. Fitotecnia, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil. 4 Doutorando (a) PPG Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil. 5 Mestrando PPG Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil. 6 Estudante do Curso Técnico em Agropecuária, Colégio Politécnico, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil. RESUMO A expansão da cultura do girassol em nosso país possui diversas limitações a produtividade, dentre elas a ocorrência das manchas foliares é um problema que pode gerar alto dano econômico. Devido a isto, objetivou-se com este trabalho relacionar a ocorrência das manchas foliares com a precipitação pluvial, média das temperaturas máximas e média das temperaturas médias. Para isto conduziu-se experimentos com dois híbridos de ciclo médio de girassol, em diferentes épocas de semeadura, durante 3 anos. A relação entre as variáveis analisadas e a produtividade foi obtida através de regressão linear. As correlações da chuva, temperatura máxima diária e temperatura media do ar apresentam a tendência de elevação do valor da severidade final observada, em condições de clima subtropical úmido. Palavras-chave: manchas foliares, Helianthus annuus, variáveis meteorológicas. 1.INTRODUÇÃO A cultura do girassol apresenta diferentes potenciais de expansão em área cultivada, sendo uma das quatro culturas oleaginosas recomendada para cultivo no Rio Grande do Sul, cultivo este que visa atender, principalmente, as demandas de matéria prima para produção de biodiesel, além do mercado alimentício. Dentre os problemas de cultivo do girassol a ocorrência de doenças é um dos principais, pois podem gerar elevado dano

2 econômico na cultura (LEITE, 05). O potencial de aumento da área cultivada com girassol pode ser limitado pela ocorrência de manchas foliares como de alternaria, causada por Alternaria helianthi (Hansf.) Tubaki & Nishihara e de septória, causada por Septoria helianthi Ellis & Kellerman. Estas doenças são de grande importância em regiões de clima subtropical úmido onde, sob condições de temperatura e umidade do ar favoráveis ao desenvolvimento dos patógenos, ocorrem perdas significativas na produtividade de aquênios e redução no teor em óleo. Dessa forma, a data de semeadura é um fator importante para o cultivo do girassol, considerando como condições ideais para ocorrência de mancha de alternaria alta umidade relativa do ar e temperatura entre 25 C e C (LEITE; AMORIM, 02a), enquanto para mancha de septória é favorecida também com umidade elevada e temperatura entre e 25 ºC (BLOCK, 05). A ocorrência de precipitação sobre as folhas é a principal forma de disseminação dos conídios de S. helianthi e A. helianthi, em função dos salpicos que levam os conídios das folhas inferiores para as folhas superiores da planta de girassol. Além disso, a precipitação também contribui para a elevação da umidade do ar, um dos fatores favoráveis ao desenvolvimento das doenças. Considerando as interações existentes entre temperatura e umidade do ar com a chuva, teve-se como objetivo determinar a relação existente entre a severidade de ocorrência de manchas foliares e a temperatura do ar e chuva durante o ciclo de cultivo do girassol. 2. MATERIAL E MÉTODOS Conduziu-se experimentos com dois híbridos de ciclo médio de girassol (Aguará 03 e Hélio 358) em diferentes datas de semeadura nos anos agrícola 07/08, 08/09 e 09/ na área experimental do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, situada no centro da região fisiográfica da Depressão Central do RS (29 43 S; W; 95m a.n.m.m.). O clima da região, conforme a classificação de Köppen é do tipo Cfa, caracterizado como subtropical úmido com verões quentes, sem estação seca definida, sendo o solo do local classificado como Argissolo Vermelho distrófico arênico. Realizaramse as semeaduras no início dos meses de agosto a fevereiro. Para obter a população de plantas desejada, utilizou-se alta densidade de sementes em linhas espaçadas 0,90 m entre si, promovendo-se desbaste quando as plantas apresentavam duas folhas, de modo a obter um espaçamento de 0,25 m entre plantas na linha e uma densidade de plantas por hectare. A adubação foi realizada segundo a recomendação para a cultura. As datas de

3 semeadura constaram dos tratamentos, implantados com quatro repetições de cada híbrido em cada data, sendo utilizado o delineamento experimental de blocos ao acaso, em esquema fatorial. Dados diários de temperatura do ar e precipitação pluviométrica foram obtidos da Estação Meteorológica Automática pertencente ao Instituto Nacional de Meteorologia (EA-INMET), localizada a aproximadamente m do experimento. Observações de severidade de doença foram realizadas periodicamente com auxilio de escalas diagramáticas adaptada da ASAGIR (02) para mancha de septoria e de LEITE e AMORIM (02b) para mancha de alternária, não sendo realizadas inoculações artificiais do fungo nas plantas. Através da análise de regressão verificou-se qual a relação existente entre a severidade de doenças foliares e temperatura do ar e chuva. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO A severidade final observada (SVFO) de ocorrência das manchas foliares de alternaria e septória no girassol está relacionada às condições meteorológicas de precipitação pluvial acumulada, média da temperatura máxima, e média da temperatura média, ocorridas durante o ciclo da cultura (Figura 1). As correlações das três variáveis apresentam a tendência de elevação do valor da SVFO, sendo que quanto maior a quantidade de chuvas ou de temperatura do ar durante o ciclo da cultura, maior o valor de SVFO. Encontrou-se uma correlação linear y = 0,0296x + 22,87, com coeficiente de determinação (R 2 ) de 0,35 para a variável chuva. Dentre as variáveis estudadas, a média da temperatura máxima diária foi a que apresentou a maior correlação com a SVFO, com R 2 de 0,59 (y= 4,7629x-91,54), podendo-se observar que a maioria destas temperaturas ficaram entre 22 de ºC considerada condição térmica ótima para o desenvolvimento das manchas foliares no girassol (LEITE; AMORIM, 02). Para a temperatura média diária a equação linear obtida foi a seguinte: y = 4,7265x 67,01 com R 2 de 0,36. Os baixos valores de R 2 significam que os dados estão bastante dispersos em relação à linha de tendência, indicando que a utilização de cada fator isoladamente não permite a obtenção de adequada avaliação, por existirem outros fatores que condicionam a ocorrência de doenças (relação ambiente-patógenos-hospedeiro) associados aos avaliados neste trabalho. Assim, para se obter estimativas da severidade de ocorrência de doenças foliares em girassol a partir de algum algoritmo, vários fatores devem ser incluídos no cálculo, podendo ser utilizados a precipitação pluvial acumulada e as temperaturas médias e máximas do ar ocorridas durante o ciclo das plantas.

4 4. CONCLUSÕES As correlações da chuva, temperatura máxima diária e temperatura media do ar apresentam a tendência de elevação do valor da severidade final observada. A utilização de cada fator isoladamente não permite a obtenção de adequada avaliação, por existirem outros fatores que condicionam a ocorrência de doenças foliares em girassol. 5. REFERÊNCIAS ASAGIR. Taller de Fitopatología del cultivo de girasol. 02. Disponível em <http://www.asagir.org.ar/talleres/taller%de%fitopatologia%02.doc>. Acesso em 08/07/08. BLOCK, C. C. Evaluation of wild Helianthus annuus for resistance to Septoria leaf blight. Procedings of the 27th Sunflower Research Workshop, Fargo, ND: 05. LEITE, R. M. V. B. C.; AMORIM, L. Influência da temperatura e do molhamento foliar no monociclo da mancha de Alternaria em girassol. Fitopatologia Brasileira, v. 27, n.2, p.193-0, 02a. LEITE, R.M.V.B.C.; AMORIM, L. Elaboração e validação de escala diagramática para mancha de Alternaria em girassol. Summa Phytopathologica. v. 28, n.1, p.14-19, 02b. LEITE, R.M.V.B.C. Manejo de doenças do girassol. In: LEITE R.M.V.B.C.et al. Girassol no Brasil. 1.ed.Londrina: EMBRAPA/CNPSoja, 05. p

5 70 60 a) y = 0,0296x + 22,87 R² = 0, Precipitação pluvial acumulada (mm) b) y = 4,7629x - 91,54 R² = 0, Média da temp. máxima diária ( C) 70 c) y = 4,7265x - 67,01 60 R² = 0, Média da temp. média diária ( C) Figura 1 Análise de regressão entre a variável independente precipitação pluvial acumulada (a), média da temperatura do ar máxima diária (b) e média da temperatura do ar média diária (c), e a variável dependente severidade final observada (SVFO). Santa Maria, 11.

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