Resumo executivo do Livro "Crianças Invisíveis - O enfoque da imprensa sobre o Trabalho Infantil Doméstico e outras formas de exploração"

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1 ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO - OIT PROGRAMA INTERNACIONAL PARA A ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL IPEC Resumo executivo do Livro "Crianças Invisíveis - O enfoque da imprensa sobre o Trabalho Infantil Doméstico e outras formas de exploração" Publicado no marco do Programa de Ação de Comunicação Para o enfrentamento do Trabalho Infantil Doméstico executado pela ANDI - Agência de Notícias dos Direitos da Infância. 1

2 INDICE 1. Introdução Capítulo 1 - O Trabalho Infantil no Brasil Capítulo 2 - Uma questão cultural Capítulo 3 - Um desafio social e político Capítulo 4 - Comportamento editorial Capítulo 5 - O que as meninas acham da imprensa

3 Introdução O livro "Crianças Invisíveis - O enfoque da imprensa sobre o Trabalho Infantil Doméstico e outras formas de exploração" (Ed. Cortez, 194 págs., 2003, 6 º volume da Série Mídia e Mobilização Social), foi publicado no marco do Programa de Ação de Comunicação para o Enfrentamento do Trabalho Infantil Doméstico, executado pela ANDI - Agência de Notícias dos Direitos da Infância e Fundação Abrinq, em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), Unicef e Save the Children Reino Unido. A publicação foi uma das estratégias pensadas para cumprir com o objetivo de fazer com que os meios de comunicação ampliassem e qualificassem a cobertura jornalística de questões relativas ao trabalho infantil doméstico, informando sobre a necessidade de eliminá-lo e de modificar as práticas que o legitimam. Desta forma, o livro "Crianças Invisíveis" aborda a questão do Trabalho Infantil no Brasil, especialmente o Trabalho Infantil Doméstico, e a forma como ele vem sendo tratado pela mídia. Baseado em 652 matérias sobre o assunto publicadas em 62 jornais e em três revistas de todas as regiões do país, em 2002, especialistas reunidos pela ANDI fizeram uma análise detalhada sobre a cobertura do Trabalho Infantil e do Trabalho Infantil Doméstico que é apresentada ao longo da publicação. O capítulo 1 é dedicado ao Trabalho Infantil em geral. O texto aborda aspectos históricos e legais, causas, conseqüências e eventuais soluções. Mostra a evolução da sociedade e da mídia no reconhecimento e enfrentamento desse tema. Os demais abordam o Trabalho Infantil Doméstico sob os mais variados prismas, destacando o envolvimento da imprensa, da sociedade civil, de organizações governamentais e não-governamentais com o problema. Apesar de presente em todos os indicadores de exploração da mão-de-obra de crianças e adolescentes, o Trabalho Infantil Doméstico pouco a pouco sendo integrado como uma prioridade no âmbito das políticas públicas. Além disso, há poucos estudos sobre o tema e mesmo o marco legal para o seu enfrentamento ainda não está totalmente definido. Pontos que também são destacados no livro. Ausente da maioria das matérias que tratam sobre o tema, a voz das meninas domésticas aparece na publicação. Na tentativa de detectar qual a percepção delas sobre a cobertura do Trabalho Infantil Doméstico na imprensa brasileira, a ANDI realizou uma série de grupos focais com crianças e adolescentes trabalhadoras e ex-trabalhadoras domésticas. Os encontros ocorreram na primeira semana de julho de Na pauta das discussões, estavam temas como causas e conseqüências do Trabalho Infantil Doméstico. Os resultados ganharam um capítulo à parte. Ao longo da publicação, há entrevistas com jornalistas que de alguma forma tiveram contato com o tema para que fizessem uma reflexão sobre como ele vem sendo abordado, bem como fizessem um depoimento sobre o cenário que depararam ao cobrir o tema, sem dúvida difícil, já que o Trabalho Infantil Doméstico está dentro dos lares e, além de ser "invisível", é aceito culturalmente como um ato de solidariedade, mas que esconde uma realidade de injustiças e de exploração. Segundo dados do IBGE (PNAD 2001), o Brasil possui crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos que trabalham como domésticas em casas de terceiros, a maioria mulheres, e grande parte delas, negras. Por ser um problema de tamanha proporção e por seu caráter de urgência no encaminhamento de propostas de alternativas a essas crianças, a publicação inclui artigos de especialistas que contribuem para uma ampliação do debate em torno do tema. Entre eles estão textos de Oris de Oliveira, doutor em Direito, que comenta sobre as leis que são base para a formulação de políticas públicas de enfrentamento do problema; Maria Luíza Lamarão, pesquisadora do Grupo de Estudo da Infância e Adolescência da Universidade Federal do Pará, e Neide Castanha, assistente social, especialista em políticas sociais, que fazem uma análise da aceitação cultural do Trabalho Infantil Doméstico e de como fazer uma leitura sob a ótica do gênero, fundamental nesse tipo de trabalho infantil, uma vez que realizar trabalhos domésticos é normalmente considerado uma tarefa feminina, daí, a maior parte das pessoas incidir no erro de considerar "natural" que uma menina aprenda esse ofício desde cedo. Vanda Sá Barreto, pesquisadora da 3

4 Universidade Federal da Bahia e coordenadora do Projeto Ampliando Direitos e Horizontes escreve sobre a questão da raça igualmente fundamental nessa discussão, já que envolve também questões de fundo como preconceito e discriminação que tem raízes na escravidão. Todas essas questões compõem a publicação, que ainda traz um roteiro com explicações de conceitos e termos usados no universo do Trabalho Infantil e do Trabalho Infantil Doméstico e indicações de fontes relevantes. Capítulo 1 - O Trabalho Infantil no Brasil A primeira lei de proteção à infância referente ao direito do trabalho no país é de Apesar disso, até meados de 1980, o Trabalho Infantil foi tolerado pelo governo e pela sociedade. O problema era praticamente ignorado ou aparecia diluído em meio às questões sobre crianças abandonadas ou em situação de rua. Aos poucos, o assunto foi ganhando destaque na opinião pública. De acordo com os especialistas, a grande virada aconteceu entre 1994 e 1995, período marcado por denúncias publicadas pela imprensa, pela criação do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e pelo surgimento de programas de renda mínima, como o Bolsa-Escola. Segundo o sociólogo Carlos Amaral, autor de um estudo sobre a evolução do Trabalho Infantil no Brasil de 1999 a 2001, houve nos últimos anos uma perda de visibilidade desse tema na imprensa e fora dela em decorrência de dois fatores: a redução dos focos de trabalho infantil e o aumento do porcentual de crianças e adolescentes explorados em espaços invisíveis, como o de serviços (incluindo aí o doméstico) e atividades ilícitas. Apesar de conquistas, ainda há muito por fazer, e a mídia pode e deve ser uma aliada no esforço para pôr fim à exploração de crianças e adolescentes. Capítulo 2 - Uma questão cultural O Trabalho Infantil Doméstico aparece em todos os indicadores de exploração da mão-de-obra de crianças e adolescentes. Apesar de presente nas estatísticas, os instrumentos para avaliar o problema ainda são raros. Há poucos estudos sobre o tema e mesmo o marco legal para o seu enfrentamento ainda não está definido. Também não existem políticas públicas específicas. O que observamos são ações localizadas. As mais conhecidas se concentram em seis cidades com número expressivo de crianças sendo exploradas: Salvador, Recife, Belo Horizonte, Belém, Soure e Salvaterra (ambas na Ilha de Marajó). Apesar da importância, as essas iniciativas não atingem nem mil crianças e adolescentes. O debate sobre as alternativas para solucionar o problema ainda está em andamento. Por enquanto, não há infra-estrutura para possibilitar a erradicação desse tipo de atividade e a inclusão no Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) esbarra nas críticas à sua classificação como uma das piores formas de trabalho. Soma-se a tudo isso um cenário de desigualdade social e miséria, em que uma mãe prefere entregar sua filha para trabalhar em casa de terceiros a vê-la morrer de fome. O que explica, em parte, a questão da aceitação cultural desse tipo de atividade, quase como uma justificativa para a sua legitimação. Mesmo com todas essas questões no ar, a imprensa começa a tirar o tema da invisibilidade. Impulsionado por algumas articulações, que têm à frente principalmente a OIT e o Unicef, o assunto ganhou em 2002 as páginas de jornais e revistas. Capítulo 3 - Um desafio social e político De modo geral, o Trabalho Infantil Doméstico, antes aceito e até mesmo defendido pela sociedade, está aos poucos deixando de ser tolerado. Mesmo assim, ainda são muitas as barreiras que impedem a sua erradicação. Há dificuldades de inclusão da questão em algumas agendas de programas sociais, e as políticas existentes são insuficientes. As contribuições do setor privado ainda são poucas, o marco legal para 4

5 enfrentar o problema não está definido, a fiscalização é difícil e incipiente. Por fim, tanto o Judiciário quanto o Legislativo não traçaram estratégias que visem o processo de erradicação. Diante desse quadro, apenas retirar a criança ou adolescente do trabalho doméstico não é suficiente. É preciso que haja uma política pública clara, que indique como proteger essa menina depois. "Teria de haver uma retaguarda para lhe dar condições de retornar à casa dos pais, quando isso for necessário, ou para que não volte a trabalhar como empregada em outra casa novamente", observa Margarida Munguba, chefe da Divisão de Fiscalização do Ministério do Trabalho. Segundo Ruy Pavan, coordenador do Unicef para os Estados da Bahia e de Sergipe, essa falta de consciência geral sobre o Trabalho Infantil Doméstico não pressiona o poder público para a elaboração de políticas. "Fica como uma sujeira escondida debaixo do tapete. Está lá, mas ninguém vê", afirma. Daí a importância de a imprensa se unir a diversas instâncias da sociedade que iniciam o combate à exploração de mão-de-obra de crianças e adolescentes em casa de terceiros. Capítulo 4 - Comportamento Editorial Quais as principais semelhanças e diferenças nas abordagens do Trabalho Infantil e do Trabalho Infantil Doméstico na mídia brasileira? De forma geral, as duas coberturas contêm muitas similaridades. Uma delas é preocupante: os jornalistas tendem a focar os problemas sem maior contextualização ou aprofundamento. Em alguns pontos, no entanto, o tratamento dado pela mídia ao Trabalho Infantil Doméstico avançou em relação ao Trabalho Infantil em geral. Aspectos como conseqüências, direitos, questões culturais e regionais, etnia e gênero aparecem com uma freqüência até 40 vezes maior nas matérias exclusivas sobre exploração de mãode-obra de crianças e adolescentes em casa de terceiros. Ainda que se tenha conhecimento das dificuldades que os veículos de comunicação vêm enfrentando com a crise da economia e das condições atribuladas do exercício jornalístico nas redações brasileiras, o que impede que muitas vezes se chegue a um resultado ideal, a necessidade de uma investigação mais consistente é um desafio a ser alcançado em ambas as pautas. Capítulo 5 - O que as meninas acham da imprensa Na tentativa de detectar qual a percepção das crianças e adolescentes sobre a cobertura do Trabalho Infantil Doméstico na imprensa brasileira, a ANDI realizou uma série de grupos focais com trabalhadoras e ex-trabalhadoras domésticas em Belém, Recife, Salvador e Belo Horizonte. O objetivo desse tipo de pesquisa é perceber como as pessoas se manifestam em equipe, como mudam de opinião em função da reflexão de um colega e como influenciam ou não umas às outras. Com base nessas avaliações, pode-se ter uma idéia do que elas efetivamente pensam sobre o assunto. Na pauta das discussões, estavam temas como causas e conseqüências do Trabalho Infantil Doméstico e a ausência de vozes dos patrões e das famílias nas reportagens. Muitas das opiniões das meninas foram as mesmas veiculadas pelos meios de comunicação de massa, reforçando ainda mais a importância e a responsabilidade da imprensa. 5

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