Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

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1 Ação de Fortalecimento da Aprendizagem Anos Finais do Ensino Fundamental Reforço Escolar Caderno 4 Língua Portuguesa

2 GOVERNADOR DE PERNAMBUCO Paulo Henrique Saraiva Câmara SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO Frederico da Costa Amancio SECRETÁRIO EXECUTIVO DE COORDENAÇÃO Severino José de Andrade Júnior SECRETÁRIA EXECUTIVA DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO Ana Coelho Vieira Selva SECRETÁRIO EXECUTIVO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Paulo Fernando de Vasconcelos Dutra SECRETÁRIO EXECUTIVO DE GESTÃO Ednaldo Alves de Moura Júnior SECRETÁRIO EXECUTIVO DE GESTÃO DA REDE João Carlos de Cintra Charamba GERENTE DE POLÍTICAS EDUCACIONAIS DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL Shirley Malta CHEFE DE UNIDADE DE ENSINO FUNDAMENTAL ANOS FINAIS Rosinete Feitosa ESPECIALISTAS EM LÍNGUA PORTUGUESA DA SEE/SEDE/GEIF/UEFAF Jamesson Marcelino da Silva Maria da Conceição Borba de Albuquerque Maria Luiza Araújo Guimarães Salmo Sóstenes Pontes Wanda Maria Braga Cardoso ESPECIALISTAS EM LÍNGUA PORTUGUESA DAS GREs Ana Cláudia Soares GRE Recife Sul Antônio Sérgio Bezerra Rodrigues GRE Metro Sul Cristiane Renata da Silva Cavalcanti GRE Metro Sul Jamil Costa Ramos GRE Metro Sul Josenilde Lima GRE Petrolina Maria Rivaldízia do Nascimento GRE Petrolina Marta Maria Alencastro GRE Recife Sul Samuel Lira de Oliveira GRE Metro Sul PROJETO GRÁFICO Ruy Barros ENDEREÇO: Avenida Afonso Olindense, 1513 Várzea Recife-PE, CEP Fone: (81) Ouvidoria: Uma produção da Superintendência de Comunicação da Secretaria de Educação

3 CARO(A) PROFESSOR(A) Apesar do seu caráter de truísmo, a afirmação de que não existe prática docente bem-sucedida se não houver aprendizagem por parte dos estudantes deve estar sempre no horizonte das preocupações de todos aqueles envolvidos com o ato de ensinar. De par com essa ideia, é preciso considerar também que um ensino verdadeiramente eficiente deve dar ênfase tanto ao desenvolvimento de habilidades e competências cognitivas e operacionais dos alunos quanto aos conteúdos que devem ser partilhados com eles. Assim, o ato de ensinar precisa privilegiar um equilíbrio entre aquilo que o aluno tem de saber e aquilo que ele pode fazer com o que aprendeu. Disso, é esperada a construção de um sujeito criativo, crítico, analítico, pensante, capaz de entender as diversas realidades que a ele se apresentam, transformá-las e propor inovações. O presente caderno é uma tentativa de contribuir para o sucesso das ideias acima expostas por meio da abordagem de descritores que apresentaram, na última avaliação do SAEPE, índices de acerto que podem e devem ser melhorados. Os índices em questão, com certeza, contrariam os esforços realizados pelos professores das diversas escolas das dezessete regionais do Estado de Pernambuco com vistas ao avanço dos estudantes no tocante às competências e habilidade contempladas em tais descritores. Desse modo, precisam ser corrigidos por meio de ações docentes concentradas nos pontos em que foram identificadas as dificuldades. Por isso, o objetivo deste trabalho é contribuir para o aprimoramento da prática dos professores, fornecendo-lhes mais um instrumento de apoio, o qual certamente irá se somar às suas iniciativas individuais que visam à ascensão do desempenho dos alunos. Na concepção deste caderno, levou-se em conta a diversidade de características de alunos e de professores, bem como se considerou que várias são as formas de aprender e de ensinar. Assim, ele apresenta questões discursivas, itens de múltipla escolha e sequências didáticas. Fica claro, pois, que o objetivo é maior do que simplesmente preparar o aluno para a resolução de uma prova. Em verdade, quer-se, sobremaneira, proporcionar ao educando o desenvolvimento pleno de suas capacidades cognitivas e operacionais, conduzindo-o a isso por meio de atividades significativas pautadas na exploração dos descritores que necessitam de um aprofundamento. Conjugando esses dois modelos de questão, objetiva-se, pois, reforçar as habilidades interpretativas exigidas pelas avaliações externas a que eles são submetidos e contribuir para o desenvolvimento do eixo escrita. Para concluir esta breve apresentação, a equipe de Língua Portuguesa da Gerência de Ensino Fundamental Anos Finais - GEIF manifesta o desejo de contar com a contribuição de técnicos e professores de todas as regionais do Estado para o aperfeiçoamento deste instrumento pedagógico que chega às mãos dos envolvidos com o ensino de Língua Portuguesa na rede pública estadual de Pernambuco. Críticas, sugestões e adendos são bem-vindos uma vez que o sucesso da prática educacional exige comprometimento coletivo, bem como perene disposição para transformar o educando, reformar as próprias práticas e também se autotransformar. Reforço Escolar LÍNGUA PORTUGUESA Caderno 4 Anos Finais do Ensino Fundamental

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5 PROCEDIMENTOS DE LEITURA DESCRITORES: D1, D3, D4, D6 E D14 Os textos nem sempre apresentam uma linguagem literal. Deve haver, então, a capacidade de reconhecer novos sentidos atribuídos às palavras dentro de uma produção textual. Além disso, para a compreensão do que é conotativo e simbólico é preciso identificar não apenas a ideia, mas também ler as entrelinhas, o que exige do leitor uma interação com o seu conhecimento de mundo. A tarefa do leitor competente é, portanto, apreender o sentido global do texto, utilizando recursos para a sua compreensão de forma autônoma. É relevante ressaltar que, além de localizar informações explícitas, inferir informações implícitas e identificar o tema de um texto, nesse tópico deve-se, também, distinguir os fatos apresentados da opinião formulada acerca desses fatos nos diversos gêneros de texto. Reconhecer essa diferença é essencial para que o aluno possa tornar-se mais crítico, de modo a ser capaz de distinguir o que é um fato, um acontecimento, da interpretação que é dada a esse fato pelo autor do texto. D10 Distinguir fato de uma opinião A confusão entre fato e opinião é motivo de desentendimentos e mal-entendidos na vida cotidiana. Quantas vezes o indivíduo não se aferra a uma opinião sobre algo, confiante de que sua opinião corresponde à verdade (fato) sobre aquilo que está discutindo, provocando assim dissensos, incorrendo em sectarismos e desperdiçando a oportunidade de realizar um diálogo realmente produtivo sobre algo que - se averiguado com equilíbrio, bom senso e humildade poderia resultar em esclarecimentos válidos e em benefícios para todos os envolvidos no processo comunicativo? Problema de mesma natureza ocorre na leitura de textos quando muitas vezes o leitor toma por fato (conforme a ótica do texto) aquilo que está sendo posto como uma opinião. Tal falha mostra uma percepção equivocada do texto e pode também traduzir ou refletir uma prática equivocada de leitura de mundo. Distinguir fato de opinião implica a capacidade de diferenciar o que é do que se pensa sobre algo. Separar realidade do que se acredita sobre ela. O leitor deve ser capaz de perceber a diferença entre o que é fato narrado ou discutido e o que é opinião sobre ele. Essa diferença pode ser ou bem marcada no texto ou exigir do leitor que ele perceba essa diferença integrando informações de diversas partes do texto e/ou inferindo-as, o que tornaria a tarefa mais difícil. Por meio deste descritor pode-se avaliar a habilidade de o aluno identificar, no texto, um fato relatado e diferenciá-lo do comentário que o autor, ou o narrador, ou o personagem fazem sobre esse fato. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto, no qual o aluno é solicitado a distinguir partes do texto que são referentes a um fato e partes que se referem a uma opinião relacionada ao fato apresentado, expressa pelo autor, narrador ou por algum outro personagem. Há itens que solicitam, por exemplo, que o aluno identifique um trecho que expresse um fato ou uma opinião, ou então, dá-se a expressão e pede-se que ele reconheça se é um fato ou uma opinião. FATO Algo cuja existência independe de quem escreve. OPINIÃO Maneira pessoal de ver o fato. A depreensão de conceitos e valores a partir de algo préexistente. Reforço Escolar LÍNGUA PORTUGUESA Caderno 4 Anos Finais do Ensino Fundamental 5

6 Ação de Fortalecimento da Aprendizagem Alguns exemplos Fato A educação brasileira patina no atraso e na defasagem em relação à dos países desenvolvidos. Opinião Equacionar a problemática da educação no país é inadiável. Fato Novamente, a discussão acerca da redução da maioridade penal ocupa lugar de destaque no congresso. Opinião Como em todo tema polêmico, discutir a maioridade penal requer, pela gama de aspectos envolvidos, sensatez e muita responsabilidade dos legisladores. Propostas de atividades 1. Identifique as marcas de opinião nos textos abaixo: NAVEGAR É PRECISO (NAVEGAR é preciso, 2009) O velejador, economista e empresário Vilfredo Schürmann lançou o livro Navegando com o Sucesso na praça central do Shopping Mueller, em Joinville, e na praça central do Shopping Neumarkt, em Blumenau. Ótimo contador de histórias, apresentou reflexões sobre o sentido de palavras como sucesso, família, trabalho em equipe, sonho e disciplina. A POLUIÇÃO NO MUNDO Os grandes países industriais são os mais poluídos do mundo. Em Tóquio vende-se oxigênio nas ruas centrais. É comum os japoneses comprarem uma dose e enfiarem o nariz na garrafinha, recuperando-se do veneno que são obrigados a respirar. Os guardas de trânsito, intoxicados pelos gases dos automóveis, têm postos de abastecimento especiais nas esquinas. Apesar da propaganda que apresenta o centro da Europa como um oásis verde entre enormes fábricas, quem lê jornal sabe o que acontece com o Reno: um rio totalmente morto e mortífero, carregando resíduos químicos por milhares de quilômetros, contaminando os depósitos de água potável de vários países. Metade da população holandesa bebe a água do Rio Reno, que é o maior esgoto do mundo e o receptor de inseticidas das fábricas alemães. Seus peixes são proibidos para o consumo, porque os detritos industriais com que se alimentam tornam sua carne fétida. E os Estados Unidos, pátria do capitalismo moderno, louvado pelo rigor de suas leis, são e isto seus próprios técnicos afirmam o país mais poluído do planeta. Além disso, são os maiores exportadores de poluição: 40% da contaminação da Terra é provocada por suas indústrias, segundo informação de Philip Bart, ecologista e redator da International Review. Fonte: Júlio José Chiavenato. O massacre da natureza. O Brasil é um país privilegiado no que diz respeito à quantidade e à qualidade de suas águas, mas, se não fizermos boas campanhas educativas para a população, logo perderemos esse privilégio. Em nossa opinião, já manifestada em artigos anteriores, as campanhas são necessárias porque muitas pessoas desperdiçam água lavando calçadas diariamente, não consertando torneiras que vazam e passando muito tempo nos chuveiros. Nem todos são favoráveis às campanhas educativas. Para alguns economistas, a solução é aumentar o preço da água. Pensamos que isso seria um verdadeiro absurdo, pois o preço da água brasileira é um dos mais altos do mundo! Por outro lado, mesmo pagando caro, os brasileiros continuam desperdiçando água. Todos sabemos que seria impossível viver 6

7 sem água. Então, a solução melhor é fazer campanhas educativas que ajudem a conscientizar a população, mostrando a todos que a água é um recurso que pode se esgotar com o mau uso. Fonte: (Adaptado de Antônio Ermírio de Moraes: Depois da água, por que não o ar? Folha de São Paulo: Opinião 24/03/02) Texto disponível em: Textos e Opiniões Por mais que a maioria pense que a função do jornalista é ser imparcial ao relatar fatos, isto não é verdade. Todo texto tem opinião, a qual pode ser explícita ou estar nas entrelinhas, tudo depende de como o autor quer ser visto. O texto abaixo deixa clara a opinião da Rosely Sayão, psicóloga que escreve para o caderno Equilíbrio, da Folha de São Paulo: os meios de comunicação, muitas vezes, atrapalham a reunião familiar na hora das refeições. Os meios de comunicação, devidamente apoiados por informações científicas, dizem que alimentação é uma questão de saúde. Programas de TV ensinam a comer bem para manter o corpo magro e saudável, livros oferecem cardápios de populações com alto índice de longevidade, alimentos ganham adjetivos como "funcionais". Temos dietas para cardíacos, para hipertensos, para gestantes, para idosos. Cada vez menos a família se reúne em torno da mesa para compartilhar a refeição e se encontrar, trocar ideias, saber uns dos outros. Será falta de tempo? Talvez as pessoas tenham escolhido outras prioridades: numa pesquisa recente sobre as refeições, 69% dos entrevistados no Brasil relataram o hábito de assistir à TV enquanto se alimentam. Uma criança de nove anos disse uma coisa interessante: para ela, o horário do recreio deveria ser maior porque tomar o lanche demora e, com isso, há menos tempo para brincar. Aí está: lanchar com os colegas não tem, para essa e muitas outras crianças, o caráter de prazer; parece ter uma ligação mais estreita com outras obrigações escolares. Aliás, tenho observado a dificuldade que muitas crianças têm de falar com adultos e pares olhando para seu interlocutor. Elas falam e olham para o lado, para baixo e até para além da pessoa com quem conversam, mas o olho no olho parece ser desagradável, difícil para elas. Talvez seja porque estão acostumadas a olhar para a TV ou para o jogo enquanto conversam com os pais. O horário das refeições é o melhor pretexto para reunir a família porque ocorre com regularidade e de modo informal. E, nessa hora, os pais podem expressar e atualizar seus afetos pelos filhos de modo mais natural, além de construir o ambiente acolhedor que permite aos mais novos perceber com clareza que aquele é seu grupo de referência e de pertencimento. Numa época em que os rituais estão em desuso, as refeições em família são um excelente momento para transmitir tradições familiares aos filhos: quais alimentos aquela família prefere e quais são os seus modos usuais de preparação, como se comporta à mesa, quais assuntos costuma abordar durante a refeição, o tom de voz usado, como os membros se tratam. Tudo isso é apreendido pelos mais novos, que podem encontrar seu modelo de identificação familiar e ter contato com o conhecimento construído pelas gerações anteriores da família. O horário das refeições também pode servir para que contradições, diferenças e conflitos entre pais e filhos surjam de modo polido, para que os filhos saibam mais sobre a rotina profissional dos pais e para que estes ouçam sobre a vida escolar e social dos filhos sem cobranças [...]. ( Domingo, 26 de abril de 2009) Texto disponível em: Reforço Escolar LÍNGUA PORTUGUESA Caderno 4 Anos Finais do Ensino Fundamental 7

8 Sugestões O professor poderá realizar essa atividade de identificação de marcas pessoais em grupos. Para tanto, o professor deverá disponibilizar cartolinas, canetas hidrocores e fitas crepe para que os estudantes elaborem o seu esquema de identificação. Posteriormente, os alunos deverão apresentar um novo esquema apresentando os fatos ou argumentos que comprovam as opiniões retiradas dos textos. Eles poderão fazer um quadro com as informações obtidas. 2. Enumere fatos ou argumentos que comprovem cada uma das opiniões seguintes. Opinião: O fumo é prejudicial à saúde. Fatos/Argumentos Opinião: A televisão domina a vida do homem moderno. nada adiantou ler Montaigne mais tarde. No deserto mental provocado por Frankenstein Júnior, pelos Irmãos Rocha e pela Formiga Atômica, Montaigne simplesmente não frutifica. Até a década de 1960, um episódio de Tom e Jerry ou de Pernalonga era feito com algo entre e desenhos. Joseph Barbera e seu sócio bolaram um jeito de produzir suas séries com menos de 2.000, abatendo seus custos. A técnica recebeu o nome de "animação limitada". Os personagens permaneciam estáticos. A única parte de seu corpo que se movia era a cabeça, que pulava compulsivamente da direita para a esquerda, ora com a boca fechada, ora com a boca aberta. Para facilitar o corte, todas as figuras tinham o pescoço encoberto por um colarinho ou por uma gravata. Nos desenhos da Hanna-Barbera, sempre há um cachorro de gravata, um super-herói de gravata, um dinossauro de gravata. Ação de Fortalecimento da Aprendizagem Fatos/Argumentos: 3. Identifique as marcas de opinião no texto abaixo: Os cães de gravata Diogo Mainardi Cada um escolhe seu próprio inimigo. O meu morreu no mês passado, aos 95 anos. Era Joseph Barbera, um dos fundadores dos estúdios Hanna-Barbera. No começo de janeiro, morreu também um de seus principais colaboradores, Iwao Takamoto, criador do Scooby-Doo. Estou com sorte. Livrei-me de dois inimigos em menos de um mês. Atribuo grande parte do meu fracasso pessoal aos desenhos animados de Hanna-Barbera. O fato de ter assistido a todos os episódios dos Herculoides, da Tartaruga Touché e dos Flintstones comprometeu meu futuro. O dano causado por horas e horas de Space Ghost, de Wally Gator e de Jonny Quest foi definitivo. Muitas de minhas falhas intelectuais e de personalidade podem ser imputadas a eles. De As paisagens sofreram o mesmo tratamento reducionista. Os personagens dos desenhos de Hanna-Barbera habitam um mundo claustrofobicamente circular. De dois em dois segundos eles passam pela mesma pedra, pelo mesmo veículo espacial, pelo mesmo homenzinho careca e bigodudo de terno azul. A angústia de pertencer a um universo que se repete continuamente só é superada pelo fato de que ninguém se dá conta disso. Maguila, Simbad Júnior e os Brasinhas do Espaço parecem desprovidos de memória. As tramas também se repetem de uma série para a outra. Muda apenas o mote de cada personagem, a sua frase característica, como "Saída pela esquerda", "Shazam!" ou "Oh, querida Clementina", recitada por um mau dublador. Joseph Barbera e Iwao Takamoto empobreceram minha vida. Assim como empobreceram a vida de todos os meus contemporâneos. Há fases em que a humanidade melhora e há fases em que ela piora. Nada representa com tanta clareza o barateamento intelectual do nosso tempo quanto os desenhos 8

9 animados de Hanna-Barbera. Cada quadro economizado por eles significou para nós uma ideia a menos, um pensamento a menos, uma sinapse a menos. Os pioneiros de Hanna-Barbera acabam de morrer, mas nossa época está irremediavelmente perdida. O único consolo é que esquecemos a miséria em que vivemos de dois em dois segundos. 4. Enumere fatos ou argumentos que comprovem cada uma das opiniões seguintes. Opinião: Atribuo grande parte do meu fracasso pessoal aos desenhos animados de Hanna- Barbera. Fatos/Argumentos Opinião: Joseph Barbera e Iwao Takamoto empobreceram minha vida. Fatos/Argumentos IMPLICAÇÕES DO SUPORTE, DO GÊNERO E/OU ENUNCIADOR NA COMPREENSÃO DO TEXTO DESCRITORES: 12 Este tópico requer dos alunos duas competências básicas, a saber: a interpretação de textos que conjugam duas linguagens a verbal e a não verbal e o reconhecimento da finalidade do texto por meio da identificação dos diferentes gêneros textuais. Para o desenvolvimento dessas competências, tanto o texto escrito quanto as imagens que o acompanham são importantes, na medida em que propiciam ao leitor relacionar informações e se engajar em diferentes atividades de construção de significados. D12 Identificar o gênero do texto Gêneros textuais são os textos encontrados no nosso cotidiano e apresentam características sociocomunicativas (carta pessoal ou comercial, diários, agendas, , lista de compras, cardápio, ofício, entrevista, bula de remédio, manual de instruções, receita de bolos, poema, notícia, artigo de opinião, entre outros). O trabalho com os gêneros, conforme Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), possibilita a produção de um projeto didático-metodológico de ensino que considera os obstáculos típicos da aprendizagem e as novas etapas pelas quais os alunos possam passar, o que fornecerá aos professores orientações de como e o que trabalhar de acordo com restrições, níveis e situações concretas de ensino. (BACCIN: 2008, p. 4) Um trabalho com a língua pautado em um gênero textual deve considerar três aspectos: os conhecimentos existentes sobre gêneros textuais, as capacidades observadas dos aprendizes e os objetivos de ensino que se pretende atingir. Aprende-se com Marcuschi que os gêneros textuais são fenômenos históricos, profundamente vinculados à vida cultural e social, portanto, são entidades sociodiscursivas e formas de ação social em qualquer situação comunicativa. Falar na natureza históricocultural dos gêneros pressupõe a admissão de que eles são eventos textuais altamente maleáveis e dinâmicos. Ou seja, como eventos são fenômenos que se consubstanciam nas diversas situações de interlocução a que se prestam. Sendo entidades maleáveis e dinâmicas, não são fixos; eles mudam, assumindo novas características, às vezes, até outras funções e, muitas vezes, até se extinguindo. Ressalte-se inclusive que os gêneros textuais caracterizam-se muito mais por suas funções Reforço Escolar LÍNGUA PORTUGUESA Caderno 4 Anos Finais do Ensino Fundamental 9

10 Ação de Fortalecimento da Aprendizagem comunicativas; cognitivas e institucionais do que por suas peculiaridades linguísticas e estruturais. Assim, as finalidades a que servem, as operações mentais que demandam e ensejam, bem como seu papel nas instituições em que circulam são dimensões sobremaneira importantes na identificação deles. A percepção da importância de tais aspectos na caracterização de um gênero deve ser atingida por todo aquele que desejar ser bem-sucedido na apreensão, identificação e emprego desses eventos textuais. É para a percepção desses aspectos que o professor deverá orientar o aluno se quer que este seja capaz de identificar com eficácia o gênero. Propostas de atividades Levantamento dos aspectos linguísticos e contextuais que definem o gênero dos textos Podemos aprofundar o conhecimento sobre os gêneros textuais, analisando alguns exemplares da linguagem que fazem parte do nosso dia a dia. O roteiro abaixo pode facilitar a compreensão dos aspectos relevantes para definição dos gêneros textuais. a) Vocabulário Cada gênero tem um vocabulário mais ou menos específico ou um campo semântico próprio. Observe nos textos se o vocabulário chama a atenção por algum motivo. b) Ortografia Como é a ortografia do texto? De acordo com o padrão ou contém erros? c) Estrutura da oração Observe a extensão das frases dos textos analisados. Há textos de frases mais curtas e outros de frases mais longas. Por quê? A extensão das frases é indiferente para o significado do texto ou ela modifica de algum modo a compreensão? d) Concordância Assinale se houver formas que se consideram inadequadas de concordância verbal e nominal. e) Aspecto gráfico Observe a divisão em parágrafos, a disposição das linhas, o emprego de palavras em itálico, em negrito, em caixa alta, sublinhada, com iniciais maiúsculas. O aspecto gráfico tem alguma função? f) Origem e data Não deixe de perceber o lugar no qual o texto foi publicado. Ou seja, fique atento à referência bibliográfica, fonte do texto. Observe também a data de publicação. g) Intenção Com que intenção o texto foi escrito? É um texto bem-sucedido, isto é, a intenção corresponde ao resultado? h) Polissemia O texto contém duplo sentido ou ambiguidade? O texto tem significados diferentes para o leitor a ou b, ou até para o mesmo leitor, em situações diversas? Por quê? Isso é positivo ou negativo? i) Metalinguagem O texto apresenta referência à própria linguagem? O texto reflete sobre o seu processo de produção? j) Intertextualidade O texto faz referência a outros textos? Essa referência é determinante para a sua compreensão? l) Conhecimento de mundo Para compreender o texto, é necessário acessar informações que circulam no contexto atual, mas não estão explícitas no texto? m) Considerando tudo que você analisou, em quais gêneros você classificaria os textos? Justifique a sua resposta. 10

11 Texto 1 Para Amy, com carinho, do seu irmão Alex Mostra em Londres traz em fotos, cartas, roupas a intimidade de Amy Winehouse, que morreu há dois anos Há dois anos, no dia 23 de julho, aos 27 anos, morria a cantora Amy Winehouse, oficialmente por overdose alcoólica. Em 2013, quando a cantora completaria 30 anos de idade - em 14 de setembro - uma grande mostra foi aberta, em Londres, para homenageá-la. Localizada no Museu Judaico, em Camden Town, o bairro que virou sinônimo de Amy Winehouse, a exibição traz peças da intimidade da cantora, algumas reveladoras, que ajudarão os fãs a compreender mais da mente por trás da voz e da música, além de sua grande forte personalidade. Organizada pelo irmão, Alex Winehouse e sua mulher, Riva, a exposição Amy Winehouse: Um Retrato de Família tem como objetivo maior mostrar que a cantora era normal. Eu e minha esposa entramos em contato com o museu judaico no início do ano para sediar uma exibição dedicada a Amy. Nós sentimos que essa seria uma maneira de mostrar a ela que sentimos sua falta, em contraste com a representação muitas vezes negativa feita pela mídia, disse Alex. Não é um memorial ou um santuário a alguém que morreu, é um retrato de uma menina judia com grande talento. Eu não espero tirar nenhuma recompensa dessa mostra, mas quero que os visitantes entendam o que é ser parte da nossa família, completa ele. Em entrevista ao jornal britânico Observer, recentemente, Alex admitiu que a real causa da morte da irmã foi bulimia. Ela teria morrido de qualquer maneira, mas o que a matou de verdade foi a bulimia; a deixou fraca muito fraca, revelou. A nova exibição traz fotos (muitas da época de colégio), cartas, CDs, livros, roupas, sapatos e anotações de Amy desde a época de escola, que ajudam a compreender a pessoa por trás da personalidade explosiva. Em uma redação da escola de teatro que frequentava, Amy escrevia: Por toda minha vida eu tive de ser barulhenta ao ponto de ser mandada calar a boca. Você tem de gritar para ser ouvida na minha família. Em outro trecho, por volta dos 14 anos, ela observou: É uma ambição antiga. Quero que as pessoas ouçam a minha voz e esqueçam de seus problemas por cinco minutos. Há uma explicação carinhosa feita por Alex para cada peça exposta na mostra, que vai até o dia 15 de setembro. Publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 26 de agosto de Texto 2 Hora de reler Camus Affonso Romano de Sant'Anna Pena que não guardei aquele trabalho de estágio sobre A peste, de Albert Camus! Não que fosse algo a ser salvo, mas poderia voltar aos tempos em que a Faculdade de Filosofia funcionava nos três últimos andares do Edifício Acaiaca. Veria as anotações do monsieur Sonal e meu esforço para apreender o pensamento do escritor. Camus havia morrido uns dois anos antes, em 1960, num desastre de carro. Encontram no seu bolso um bilhete de trem para Paris. Misteriosamente, ele decidiu, no último momento, viajar de carro com seu editor, Michel Gallimard. Ambos morreram ali, em Villabrevin, quando o pneu estourou e foram jogados contra uma árvore. Agora celebra-se o centenário de Albert Camus. Não apenas volto às aulas de francês, e, lembrando-me de Consuelo, Melânia, Ruth, Marcos, Heloísa e Ana Maria, vou me indagando: où sont les neiges d'antam? Regressando ao passado (que não passa e sempre me trespassa), vejo-me, de repente, diante da sepultura de Camus, em Lourmarin. Deu-se que em 1981 fui residir em Aix-en- Reforço Escolar LÍNGUA PORTUGUESA Caderno 4 Anos Finais do Ensino Fundamental 11

12 Ação de Fortalecimento da Aprendizagem Provence para lecionar literatura brasileira. Num fim de semana, saí com a família vadiando de carro pelas estradas da Provence. Foi um momento de perfeição, como só se vê em filmes americanos. E passamos por Fontainede-Vaucluse, onde viveu Petrarca. (Não é todo dia que alguém que cresceu em Juiz de Fora pode andar onde andou Petrarca. Há que parar e beijar o chão. Coisas maravilhosas e imprevistas têm acontecido na minha vida. Num poema, até anotei que dormi no mesmo castelo de Gargonza onde Dante se abrigou, fugindo dos gibelinos.) O carro ia serenamente por aquelas estradas, quando, na região de Luberon, vi o aviso de que era por ali o castelo onde viveu o Marquês de Sade. Claro que fomos ao castelo. Mas uma coisa chamou a minha atenção de antigo aluno de letras neolatinas: em algum lugar, vi um sinal de que em Lourmarin estava a sepultura de Albert Camus. Não se pode evitar a morte, mas podem-se visitar alguns sepulcros enquanto é tempo. Então, tomei a direção de cemitério de Lourmarin. Esperava encontrar uma sepultura portentosa, afinal Camus havia ganhado o Prêmio Nobel e dividia com Sartre as honras de ser um filósofo imprescindível. Seu ensaio O mito de Sísifo, sobre o absurdo que tem que ser combatido com o próprio absurdo, é leitura sempre recomendável. Pois chego lá e encontro uma sepultura pobrinha, largada, quase miserável. Devo ter alguma fotografia desse não evento. Até as filhas ficaram decepcionadas. Mas dei por cumprida minha missão. Agora é centenário de Albert Camus. A imprensa brasileira ainda não descobriu isso, mas na França as comemorações já começaram. O ex-presidente Sarkosy tentou até levar os restos de Camus para o Pantheon, em Paris. (Na França, literatura é uma religião, e os escritores são santos.) Mas a tumba de Camus continua lá na cidade que ele escolheu para viver. Se ele contemplou aquela natureza repousante apenas por dois anos, ali, em Lourmarin, fizeram uma exposição comemorativa que contrasta com a pobreza de sua sepultura. Edições de luxo de suas obras, os livros que dedicou aos colegas escritores, sua vida rediviva. Camus viveu as turbulências de seu século: foi comunista e anticomunista, nasceu na Argélia, mas defendeu a política do governo francês, viveu a ocupação alemã da França e era pacifista. Casou-se duas vezes e achava o casamento antinatural. Ator de teatro, jogador de futebol, tinha aquela pose de Humphrey Bogart. Façam o seguinte: leiam A peste, estória da cidade vítima de uma enfermidade devastadora, e vejam o que seus habitantes faziam para enfrentar essa calamidade. Nem sempre a peste é tão visível. Cada época tem a peste que merece. Publicado no jornal Estado de Minas em 25 de agosto de 2013 Texto 3 A emenda do soneto Antero Grego Emerson Sheik virou o personagem da semana. Começou de forma curiosa, com brincadeira atrevida e aparentemente contestatória. Terminou mal, com atitude de preconceito tão acentuada quanto a daqueles que o criticaram por ter publicado em rede social foto em que dá beijinho num amigo. No meio tempo, se descontrolou no jogo com o Luverdense e foi expulso depois de ficar poucos minutos em campo. Dias agitados e que talvez marquem forte a carreira dele. A história do selinho abriu espaço para todo tipo de reação - sobretudo as de tom pejorativo. Nenhuma surpresa. Difícil imaginar 12

13 prevalência de serenidade em temas tabus - em nossa sociedade, por exemplo, manifestações carinhosas entre homens despertam urticária em machões sensíveis. Emerson bateu pé em torno das convicções dele, e nem precisava disso. Quem confia em si, não deve explicar-se a todo instante, ainda mais para cobranças ignorantes. Ainda assim, num meio preponderantemente conservador como é o do futebol, se viu obrigado a reafirmar a heterossexualidade. As declarações reiteradas de que a bitoquinha era uma provocação, e servia para medir o grau de maturidade e tolerância das pessoas, foram insuficientes. Uma comissão de notáveis da principal facção organizada do clube teve passagem livre para uma conversa particular com o debochado atacante. Após encontro com a embaixada diplomática, que tem extraordinário poder de convencimento com base em palavras e métodos sábios o site da entidade publicou desculpas peremptórias de Emerson a toda a nação alvinegra, com ênfase num detalhe. "Foi só uma brincadeira com um grande amigo meu. Até porque não sou são-paulino." Estragou tudo. Se forem fidedignas as palavras reproduzidas pelos redatores da página oficial na internet, Emerson pisou na bola - e feio. Se antes tivera gesto destemido, agora se acovardou. Se no princípio ergueu bandeira contra preconceito, no final desfraldou enorme pavilhão da intolerância. O medo é sentimento humano - o da morte nos persegue desde o nascimento e justifica muitas de nossas crises na vida. Compreensível, portanto, que Emerson sinta receio de represálias, e nunca se sabe onde podem chegar os boçais. O pedido de desculpas bastaria para satisfazer os infelizes. Não precisava do adendo (e imagino que seja verdade o que disse, pois não desmentiu). Assim o episódio que largou como um brado na luta contra um preconceito fechou como reforço para pensamento retrógrado. Bola fora e fez lembrar expressão antiga de quem criticava a xaropada de sonetos ruins, que ficavam piores com supostos ajustes. Publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 25 de agosto de Texto 4 Onde está amarildo? Fonte: Acesso em 26 de agosto de Reforço Escolar LÍNGUA PORTUGUESA Caderno 4 Anos Finais do Ensino Fundamental 13

14 Texto 5 Fonte: Acesso em 26 de agosto de Texto 6 Micro Sistem Hi Fi Philips Com entrada USB e conexão Mp3 Curta músicas com um som excelente Com USB Direct Curta o som fantástico do Micro Sistem Hi Fi Philips MCM 166, verdadeiramente compacto e moderno. Ouça suas músicas favoritas otimizadas pelo Reforço dinâmico de graves em CDs de Mp3 ou via USB Direct. pra tantas vidas de civis Peguei experiência com o Afeganistão Se antes eu falhei, agora num erro não. Não ouço ninguém, até o Collin Powell tá igual a mim também Não livro ninguém, primeiro o petróleo depois Amazônia também Eu tô querendo, Saddam Hussein Eu tô querendo, tudo o que tiver Tô te querendo, não tem pra ninguém Tô te querendo, petróleo do Hussein... Texto 8 Ação de Fortalecimento da Aprendizagem Texto 7 Já sei bombardear Os belicistas (W. Bush, Collin Powell) Já sei bombardear, Já sei armar o míssil agora só me falta atirar Já sei invadir Já sei peitar a ONU agora só me falta explodir Não tenho paciência pra negociação Eu tenho é mania de perseguição Não ouço ninguém, acuso todo mundo O Bin Laden e o Hussein Não livro ninguém, exploro todo mundo E acho que o mundo é meu também Já sei derrubar Já sei jogar a bomba na tua base militar Eu sou o juiz, e não tô nem aí Sistema operacional que estais na memória, Compilado seja o vosso programa, Venham à tela os vossos comandos, Seja executada a nossa rotina, Assim na memória como na impressora. Acerto nosso de cada dia, rodai hoje Informai os nossos erros, Assim como nós informamos o que está corrigido. Não nos deixei cair em looping, Mas livrai nos do Dump, Amém. 14

15 Texto 9 Texto 10 Quando viu que Adama e Evo tinham comido a expressamente proibida maçã da árvore da Ciência do Bem e do Mal, foi assim que o Senhor falou: Pois de agora em diante ireis ganhar o pão com o suor do vosso rosto e tereis de sair aí da zona sul e ir morar a leste do Éden, sem parques floridos, nem reservas florestais, sem cascatas no pátio, nem borboletas no closet. E vossa habitação será limitada ao uso que, fareis dela, praticamente senzala de vossos corpos. Mas esse não é o castigo. O castigo é que vossos corpos se reproduzirão automaticamente, ao menor contato, tereis filhos, esses filhos botarão os pés cheios de lama no sofá de vinil, comprado em dez prestações, rasgarão as cortinas, riscarão as paredes como aprenderam a fazer na escola permissiva, quebrarão as vidraças ensaiando futuros protestos estudantis, entupirão os ralos da pias, berrarão dia e noite azucrinando a vossa paciência, e nunca puxarão a descarga depois de fazerem cocô na privada. Millôr Fernandes - Isto É 10/05/89 Propostas de atividades Grupo 1 Produzir uma notícia sobre o caso Amarildo Grupo 2 Uma paródia a partir do caso abordado no texto A Emenda do Soneto Grupo 3 Produzir uma carta posicionando-se sobre o fato abordado no texto A Emenda do Soneto Grupo 4 Produzir um texto poético baseado na tira de Mafalda Reforço Escolar LÍNGUA PORTUGUESA Caderno 4 Anos Finais do Ensino Fundamental 15

16 RECONHECER SEMELHANÇAS E/OU DIFERENÇAS DE IDEIAS E OPINIÕES NA COMPARAÇÃO ENTRE TEXTOS QUE TRATEM DA MESMA TEMÁTICA DESCRITORES: 14 Ação de Fortalecimento da Aprendizagem Este tópico requer que o aluno assuma uma atitude crítica e reflexiva ao reconhecer as diferentes ideias apresentadas sobre o mesmo tema em um único texto ou em textos diferentes. O tema se traduz em proposições que se cruzam no interior dos textos lidos ou naquelas encontradas em textos diferentes, mas que apresentam a mesma ideia, assim, o aluno pode ter maior compreensão das intenções de quem escreve, sendo capaz de identificar posições distintas entre duas ou mais opiniões relativas ao mesmo fato ou tema. As atividades que envolvem a relação entre textos são essenciais para que o aluno construa a habilidade de analisar o modo de tratamento do tema dado pelo autor e as condições de produção, recepção e circulação dos textos. Essas atividades podem envolver a comparação de textos de diversos gêneros, como os produzidos pelos alunos, os textos extraídos da Internet, de jornais, revistas, livros e textos publicitários, entre outros. D14 Reconhecer semelhanças e/ou diferenças de ideias e opiniões na comparação entre textos que tratem da mesma temática Comparar é uma prática constante na vida dos indivíduos: comparam-se pessoas, ideias, situações, escolhas, épocas, estilos, abordagens: enfim, tudo aquilo que possa ser percebido em contraste em relação a um outro e possa servir como objeto de escolha ou de conhecimento. Comparamos para valorar, para decidir, para poder analisar, para perceber diferenças, encontrar semelhanças e tirarmos vantagem daquilo que nos parece melhor. Também comparamos textos, com o objetivo de captar-lhes a essência, melhor percebermos as suas características e observarmos melhor sua finalidade e ponto de vista. Ao efetuarmos uma comparação eficiente de diferentes textos, podemos perceber não só a diversidade estilística que os permeia, mas também a multiplicidade de pontos de vista que podem existir no tocante aos variados temas que formam a vida cotidiana. Comparar é uma ação que possibilita tanto um movimento de esclarecimento, pois o contraste acaba sendo revelador da existência de ideias e estilos variados sobre fatos, concepções e pessoas quanto um evento que permite a formação de um terceiro posicionamento. Pois a análise de pontos vista distintos enseja a construção de um viés pessoal sobre aquilo que se investigou por meio de comparação. A habilidade que pode ser avaliada aqui se refere ao reconhecimento pelo aluno de opiniões diferentes sobre um mesmo fato ou tema. A construção desse conhecimento é um dos principais balizadores de um dos objetivos do ensino da língua portuguesa (Brasil, 1998 p. 33), qual seja o de capacitar o aluno a analisar criticamente os diferentes discursos, inclusive o próprio, desenvolvendo a capacidade de avaliação dos textos: contrapondo sua interpretação da realidade a diferentes opiniões; inferindo as possíveis intenções do autor marcadas no texto; identificando referências intertextuais presentes no texto; percebendo os processos de convencimento utilizados para atuar sobre o interlocutor/leitor; identificando e repensando juízos de valor tanto socioideológicos (preconceituosos ou não) quanto histórico-culturais (inclusive estéticos) associados à linguagem e à língua; e reafirmando sua identidade pessoal e social. O desenvolvimento dessa habilidade ajuda o aluno a perceber-se como um ser autônomo, dotado 16

17 da capacidade de se posicionar e transformar a realidade. Aqui, solicita-se ao aluno que ele observe que há diferentes opiniões sobre um mesmo fato, ou tema. Essa habilidade é avaliada por meio do reconhecimento de opiniões diferenciadas sobre um tema, acontecimento ou pessoa, em um mesmo texto ou em textos diferentes. subjetividade no trato da informação. 2. Em relação aos textos abaixo: Propostas de atividades 1. Leia atentamente os textos abaixo: Texto 1 Massa diz que realizou um sonho ao ser pole em Interlagos Quinto brasileiro a conquistar uma pole no GP do Brasil de Fórmula 1 repetindo Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna e Rubens Barrichelo -, Felipe Massa afirmou neste sábado que realizou um sonho em sua carreira ao garantir a primeira posição do grid de largada da corrida em Interlagos e ouvir o seu nome ser gritado pelo público que lotou o autódromo. (Milton Pazzi Jr. Em acessado em 21 out, 2006.) Texto 2 Felipe Massa crava a pole position do Grande Prêmio do Brasil O brasileiro Felipe Massa confirmou o favoritismo e conquistou a pole position do Grande Prêmio do Brasil, última etapa da temporada 2006 da Fórmula 1. Forte desde os treinos livres da sexta-feira, ele assumiu a primeira posição com o tempo de 1min10s842. (http://esporte.uol.com.br acessado em 21 out.2006.) Os dois textos referem-se ao mesmo tema: à primeira posição na largada do Grande Prêmio de Fórmula 1 do Brasil, conquistada por Felipe Massa, jovem piloto brasileiro. Caracterize, em cada texto, as marcas de objetividade e de Qual a intenção do autor? A quem é dirigido o assunto? Qual a finalidade dos assuntos apresentados? Que conhecimentos prévios o aluno precisa ter Reforço Escolar LÍNGUA PORTUGUESA Caderno 4 Anos Finais do Ensino Fundamental 17

18 Ação de Fortalecimento da Aprendizagem para compartilhar os assuntos apresentados? Qual a influência desses textos no cotidiano? Como os pontos de vista estão evidenciados nos textos? 3. Leia os textos para responder a questão abaixo: Texto I Você é a favor de clones humanos? Sou contra. Engana-se quem pensa que o clone seria uma cópia perfeita de um ser humano. Ele teria a aparência, mas não a mesma personalidade. Já pensou um clone do Bon Jovi que detestasse música e se tornasse matemático, passando horas e horas falando sobre Hipotenusa, raiz quadrada e subtração? Ou o clone do Brad Pitt se tornando padre? Ou o do Tom Cavalcante se tornando um executivo sério e o do Maguila estudando balé? Estranho, não? Mas esses clones não seriam eles, e, sim, a sua imagem em forma de outra pessoa. No mundo, ninguém é igual. Prova disso são os gêmeos idênticos, tão parecidos e com gostos tão diferentes. Os clones seriam como as fitas piratas: não teriam o mesmo valor original. Se eu fosse um clone, me sentiria muito mal cada vez que alguém falasse: 'olha lá o clone da fulana'. No fundo, no fundo, eu não passaria de uma cópia. Alexandra F. Rosa, 16 anos, Francisco Morato, SP.(Revista Atrevida nº 34) Texto II Você é a favor de clones humanos? 1 Sou a favor! O mundo tem de aprender a lidar com a realidade e as inovações que acontecem. Ou seja, precisa se sofisticar e encontrar caminhos para seus problemas. Assistimos à televisão, lemos jornais e vemos que existem muitas pessoas que, para sobreviver, precisam de doadores de órgãos. Presenciamos atualmente aqui no Brasil e também em outros países a tristeza que é a falta de doadores. A clonagem seria um meio de resolver esse problema! Já pensou quantas pessoas seriam salvas por esse meio? Não há dúvida de que existem muitas questões a serem respondidas e muitos riscos a serem corridos, mas o melhor que temos a fazer é nos prepararmos para tudo o que der e vier, aprendendo a lidar com os avanços científicos que atualmente se realizam. Acredito que não gostaríamos de parar no tempo. Pelo contrário, temos de avançar! Fabiana C.F. Aguiar, 16 anos, São Paulo, SP. (Revista Atrevida nº 34) Os dois textos referem-se ao mesmo tema: clonagem humana. Caracterize, em cada texto, as estratégias persuasivas utilizadas na defesa do ponto de vista. 4. Leia o texto abaixo: Pressa. Ansiedade. E a sensação de que nunca é possível fazer tudo além da certeza de que sua vida está passando rápido demais. Essas são as principais consequências de vivermos num mundo em que para tudo vale a regra do quanto mais rápido, melhor. Psiquiatras já discutem a existência de um distúrbio conhecido como doença da pressa, cujos sintomas seriam a alta ansiedade, dificuldade para relaxar e, em casos mais graves, problemas de saúde e de relacionamento. Para nós, ocidentais, o tempo é linear e nunca volta. Por isso queremos ter a sensação de que estamos tirando o máximo dele. E a única solução que encontramos é acelerá-lo, afirma Carl Honoré. É um equívoco. A resposta desse dilema é qualidade, não quantidade. Para especialistas como James Gleick, Carl está lutando uma batalha invencível. A aceleração é uma escolha que fizemos. Somos como crianças descendo uma ladeira de 18

19 skate. Gostamos da brincadeira, queremos mais velocidade, diz. O problema é que nem tudo ao nosso redor consegue atender à demanda. Os carros podem estar mais rápidos, mas as viagens demoram cada vez mais por culpa dos congestionamentos. Semáforos vermelhos continuam testando nossa paciência, obrigando-nos a frear a cada quarteirão. Mais sorte têm os pedestres, que podem apertar o botão que aciona o sinal verde uma ótima opção para despejar a ansiedade, mas com efeito muitas vezes nulo. Em Nova York, esses sistemas estão desligados desde a década de Mesmo assim, milhares de pessoas o utilizam diariamente na esperança de reduzir seu minuto de espera. É um exemplo do que especialistas chamam de botões de aceleração. Na teoria, deixam as coisas mais rápidas. Na prática, servem para ser apertados e só. Confesse: que raios fazemos com os dois segundos, no máximo, que economizamos ao acionar aquelas teclas que fecham a porta do elevador? E quem disse que apertá-la, duas, quatro, dez vezes vai melhorar a eficiência? É um placebo, sem outra função que distrair os passageiros para quem dez segundos parecem uma eternidade, escreve Gleick. Elevadores, aliás, são ícones da pressa em tempos velozes. Os primeiros modelos se moviam a vinte centímetros por segundo. Hoje, o mais veloz sobe doze metros por segundo. E, mesmo acelerando, estão entre os maiores focos de impaciência. Engenheiros são obrigados a desenvolver sistemas para conter nossa irritação, como luzes ou alarmes que antecipam a chegada do elevador e cuja única função é aplacar a ansiedade da espera. Até onde isso vai? O texto apresenta palavras de dois especialistas Carl Honoré e James Gleick como defensores de opiniões diferentes em relação à aceleração do tempo. Explicite, sem transcrever partes do texto, a opinião de cada um deles acerca desse tema. COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO DESCRITORES: 17 e 19 O Tópico IV trata dos elementos que constituem a textualidade, ou seja, aqueles elementos que constroem a articulação entre as diversas partes de um texto: a coerência e a coesão. Considerando que a coerência é a lógica entre as ideias expostas no texto, para que exista coerência é necessário que a ideia apresentada se relacione ao todo textual dentro de uma sequência e progressão de ideias. Para que as ideias estejam bem relacionadas, também é preciso que estejam bem interligadas, bem unidas por meio de conectivos adequados, ou seja, com vocábulos que têm a finalidade de ligar palavras, locuções, orações e períodos. Dessa forma, as peças que interligam o texto, como pronomes, conjunções e preposições, promovendo o sentido entre as ideias são chamadas coesão textual. Enfatizamos, nesta série, apenas os pronomes como elementos coesivos. Assim, definiríamos coesão como a organização entre os elementos que articulam as ideias de um texto. As habilidades a serem desenvolvidas pelos descritores que compõem este tópico exigem que o leitor compreenda o texto não como um simples agrupamento de frases justapostas, mas como um conjunto harmonioso em que há laços, interligações, relações entre suas partes. A compreensão e a atribuição de sentidos relativos a um texto dependem da adequada interpretação de seus componentes. De acordo com o gênero textual, o leitor tem uma apreensão geral do assunto do texto. Em relação aos textos narrativos, o leitor Reforço Escolar LÍNGUA PORTUGUESA Caderno 4 Anos Finais do Ensino Fundamental 19

20 necessita identificar os elementos que compõem o texto narrador, ponto de vista, personagens, enredo, tempo, espaço e quais são as relações entre eles na construção da narrativa. A compreensão e a atribuição de sentidos relativos a um texto dependem da adequada interpretação de seus componentes, ou da coerência pela qual o texto é marcado. De acordo com o gênero textual, o leitor tem uma apreensão geral do tema, do assunto do texto e da sua tese. Essa apreensão leva a uma percepção da hierarquia entre as ideias: qual é a ideia principal? Quais são as ideias secundárias? Quais são os argumentos que reforçam uma tese? Quais são os exemplos confirmatórios? Qual a conclusão? Em relação aos textos narrativos, pode ser requerido do aluno que ele identifique os elementos componentes narrador, ponto de vista, personagens, enredo, tempo, espaço e quais são as relações entre eles na construção da narrativa. D17 Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios etc. busca de uma concatenação perfeita entre as partes do texto, as quais são marcadas pelas conjunções, advérbios, etc., formando uma unidade de sentido. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto a partir do qual é solicitada ao aluno a percepção de uma determinada relação lógicodiscursiva, enfatizada, muitas vezes, pelas expressões de tempo, de lugar, de comparação, de oposição, de causalidade, de anterioridade, de posteridade, entre outros e, quando necessário, a identificação dos elementos que explicam essa relação. Propostas de atividades 1. Observe os trechos: O fino suporte de madeira sobre o qual o retrato foi pintado sofreu uma deformação desde que especialistas em conservação examinaram a pintura pela última vez... Seria mais poeta, desde que fosse menos político. Ação de Fortalecimento da Aprendizagem Conjunções e advérbios, categorias morfológicas invariáveis, realizam papéis importantes no processo de construção textual, promovendo as relações de coesão e coerência e dando ao texto articulação (caso das conjunções) e precisão (caso dos advérbios). É importante ter clareza também de que certos advérbios podem funcionar como conectores (são, pois, articuladores) e que há conjunções (subordinativas adverbiais) que introduzem orações que funcionam como advérbios. Por isso, são elementos que contribuem para o estabelecimento de uma maior precisão. Além disso, as unidades pertencentes a essas duas categorias linguísticas são portadoras de carga semântica bem definida, o que muito influi na montagem do sentido dos textos. As habilidades que podem ser avaliadas por este descritor, relacionam-se ao reconhecimento das relações de coerência no texto em Neles, o elemento coesivo desde que, mais do que ligar duas orações, estabelece uma relação de sentido entre elas. Indique o valor estabelecido por ele em cada um dos trechos. 20

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