MODELAGEM AMBIENTAL DE Goupia glabra Aubl. (GOUPIACEAE) EM ÁREAS DE MANEJO FLORESTAL NO ESTADO DO PARÁ 1.

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1 MODELAGEM AMBIENTAL DE Goupia glabra Aubl. (GOUPIACEAE) EM ÁREAS DE MANEJO FLORESTAL NO ESTADO DO PARÁ 1. Susany Ferreira de SOUSA 2 ; Gracialda Costa FERREIRA 3. Resumo Informação científica e suportes taxonômicos são necessários para identificar espécies sob ameaça de extinção, ou que tenham bom potencial de uso, é valiosíssimo para aprimorar e aumentar o conhecimento e a compreensão sobre o funcionamento dos ecossistemas e aliado com atividades de empresas madeireiras comprometidas com a sustentabilidade dos recursos naturais podem fornecer segurança ao consumidor do produto. Assim, o presente trabalho teve como objetivo conhecer a estrutura populacional de Goupia glabra Aubl. em áreas de manejo florestal como contribuição com a conservação desta espécie. O trabalho foi executado com dados obtidos de inventários florestais comerciais de duas empresas madeireiras (Fazenda Agroecológica São Roque em Moju-PA e Orsa Florestal em Almeirim- PA). Os dados foram analisados quanto a abundância, freqüência e distribuição nas classes de DAP, Altura e Volume. A área da Orsa Florestal registrou maiores valores de abundância e freqüência. A espécie está bem distribuída nas áreas estudadas quanto a DAP, altura e volume. Palavras-chave: Cupiúba, Inventário Florestal, Modelagem Ambiental. Área do conhecimento: Área: Ciências Agrárias; Sub Área: Recursos Florestais e Engenharia Florestal; Linha de pesquisa: Modelagem Ambiental. Introdução De acordo com os critérios para o estabelecimento de áreas prioritárias para a conservação, o Brasil é o país com a maior diversidade biológica do mundo (Mittermeier et al. 1998) e dentro deste, a Amazônia é a região que possui a maior reserva contínua e praticamente intacta do planeta, cobrindo uma área de aproximadamente 250 milhões de hectares (Higuchi et al. 2000). Conhecemos pouco sobre as distribuições de espécies amazônicas. No entanto, a Ecologia aborda a distribuição espacial das populações vegetais como uma importante questão devido a sua contribuição ao entendimento de padrões e processos em florestas tropicais (Carneiro, 2004). Para estimar a biodiversidade da Amazônia alguns trabalhos já têm sido realizados a partir das informações das ocorrências das espécies depositadas em acervos de herbários, museus e literatura específica (Prance 1997; Nelson & oliveira 2001; Shepherd 2000; Carneiro2004; Lleras et al. 1998; Hopkins 2007). Algumas dessas tentativas envolvem a modelagem ambiental, nas quais, os algoritmos genéticos procuram por condições ambientais semelhantes as das espécies já coletadas, evidenciando áreas potencias de ocorrência dessas espécies (Siqueira, 2005). Este trabalho tem como objetivo conhecer a estrutura populacional de Goupia glabra com base na distribuição geográfica de indivíduos da espécie associada a fatores ambientais (geográficos e geológicos), usando dados gerados pelos inventários comerciais de empresas madeireiras. Material e Métodos 1 Trabalho Desenvolvido no Projeto Modelagem ambiental de espécies de arvores no Vale do Jari, Monte Dourado, Pará usando dados de inventários florestais. 2 Acadêmica do Curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Rural da Amazônia; Bolsista do PIBIC-REUNI /UFRA; 3 Prof a. Dra. da Universidade Federal do Rural da Amazônia; Av. Tancredo Neves, CEP , Belém- PA;

2 O trabalho foi desenvolvido com dados obtidos de inventários florestais das empresas madeireiras: Orsa Florestal em Monte Dourado e da Fazenda Agroecológica São Roque, Moju, estado do Pará. Orsa Florestal - A região do vale do Jarí Celulose S/A, inclui a área de manejo da Orsa Florestal S/A, empresa do mesmo grupo, responsável pelo manejo florestal das áreas nativas da propriedade. As terras da Jarí Celulose S/A, cedidas a Orsa Florestal S/A, estão situadas a margem esquerda do Rio Amazonas, entre latitudes " S e S e longitude e ; compreende um total de cerca de 1,7 milhão de hectares. O acesso à área manejada (por via fluvial até Monte Dourado) dista 36 horas de barco de linha, a partir de Belém. Por via aérea também ate Monte Dourado, fica ao redor de 01 hora de Belém. Para este trabalho foram utilizados dados do censo florestal da UPA 04. Para fazer o levantamento e o mapeamento das árvores, a UM foi dividida em blocos de 1600ha subdividido em parcelas de 10ha (400m X 250m), também chamadas de Unidades de Trabalho (UT s). Foram cedidos pela empresa dados do censo florestal que consiste em um arquivo do tipo tabela em formato dbase com as informações das árvores e suas respectivas coordenadas UTM. Os dados se referem a informação de um total de 160 parcelas distribuídas em 1600 ha com indivíduos de Goupia glabra.. O censo florestal contemplou 100% dos indivíduos com diâmetro a 1,30 m de altura (DAP) 45cm. Fazenda Agroecológica São Roque Localizada em Moju - PA, com área total de 1.433,3 hectares na região do Baixo Tocantins. O acesso à área se dá pela PA- 150 distando 12 km da cidade de Tailândia e mais 6,5 km por ramal. A partir da capital do estado pela PA-150 em veículos motorizados durante 3h. O inventario 100% foi realizado pela empresa com o objetivo de conhecer a composição e estrutura florística da área visando o planejamento para aproveitamento das espécies de interesse comercial madeireiro. Foram inventariadas espécies arbóreas com DAP 45cm em hectares da fazenda. Dos dados disponíveis pelo inventário foram retiradas informações sobre G. glabra que equivalem a 22 parcelas (UTs) com 257 árvores. Para subsidiar a execução do trabalho foi realizada pesquisa em varias literaturas sobre a importância comercial e característica de Goupia glabra. Análises Foi realizada análise da abundância, onde se calculou o numero de indivíduos que ocorrem em cada UT e dividiu pelo tamanho da área (UT) em hectare, utilizando-se a fórmula: A= N/Área (ha), onde: A = Abundância; N = numero de indivíduos que ocorrem em cada UT; e Área = O tamanho de cada UT. Foi feita também calculo de freqüência da espécie com o numero de faixas que a espécie ocorria dividida pelo numero de total de faixas multiplicado por 100, com a fórmula: Freqüência=N de faixas / N total de faixas *100. Resultados e Discussão Dados botânicos da espécie (Ferreira 2009) Goupia glabra Aubl. (cupiúba) é a única representante arbórea de Goupiaceae na floresta de terra firme da Amazônia (Rankin- de- Merona & Arckerly 1987). É uma espécie emergente, de dossel, atingindo geralmente 25-30m de altura e cm de diâmetro (Hirai et al. 2007); a base acanalada ou com sapopemas e o fuste reto; o ritidoma é marrom-claro, sujo com lenticelas, fortemente fissurado ou com leves estrias em linhas verticais e desprendimento em placas coriáceas pequenas e irregulares. A casca morta é marrom-escura com aspecto de cortiça, farinhenta, casca viva alaranjada fibrosa e com poros brancos. As folhas são simples, alternas, coriáceas e glabras, com 2-3 nervura secundarias obliquas. Botões florais jovens aglomerados; botões

3 maduros são pedunculados, verdes escuros, glabros. Flores com pedúnculo verde-claro, corola com base vermelha e pétalas amarelas. O fruto é uma baga globosa de cor vermelha e depois escura (quase preta). Cada baga traz 3 a 5 sementes (Lorenzi 1998). Madeira pesada (0,80 a 0,88 g/cm³); cerne castanho ou castanho levemente avermelhado; alburno róseo-claro; grã irregular a revessa; textura média; superfície sem brilho, medianamente áspera ao tato; cheiro característico desagradável. É uma das madeiras mais importantes do comércio paraense, principalmente para exportação (Coutinho & Pires 1996). Estrutura populacional de Goupia glabra Aubl. Foram registrados indivíduos de G. glabra entre as classes de DAP cm. Destes, (6,3 ind./ha) indivíduos na área da Empresa Orsa Florestal e 257 (0,25 ind./ha) na Fazenda São Roque. As classes de DAP 45-55cm e 55-65cm compreendem juntas 67,3% do total de indivíduos inventariados, nas demais classes estão registrados os outros 32,7%. No entanto, quando analisados os dados de cada empresa separadamente, verifica-se que na Fazenda São Roque a maioria dos indivíduos (73%) estão nas classes de DAP>65cm, enquanto que na Orsa Florestal a maioria (94,5%) se encontra entre 45-85cm de DAP (Figura 1) FS R >115 Figura 1. Distribuição dos indivíduos de Goupia glabra Aubl. por classe de DAP nas áreas das Empresas Orsa Florestal S/A (Orsa) e Fazenda Agroecológica São Roque (FSR). Na Fazenda São Roque, o número total de árvores de G. glabra (2,4%) em relação ao número total de árvores de todas as demais espécies inventariadas é menor que na Orsa Florestal (7,5%). Dessa forma, fatores como solo, relevo, hidrografia entre outros devem ser investigados para responder questões dessa natureza (Figura 2).

4 12,00 10,00 8,00 % Total Arvores % Total Cupiuba 6,00 4,00 2, Unidades de Trabalho (UT) Figura 2. Número de árvores de Goupia glabra Aubl. em relação ao número total de árvores de todas as espécies, registradas na área da Fazenda São Roque, -PA. Com relação a altura (em metros) foram registradas indivíduos de cupiúba entre as classes de altura (Hm) de 8-22m. Destes, 257 (0,25 ind./ha) indivíduos na área da Fazenda Agroecológica São Roque e (6,33 ind./ha) na Orsa Florestal. As classes de 10-12m, 12-14m e 14-16m compreendem juntas 79,47% do total de indivíduos inventariados, nas demais classes estão registrados os outros 20,53%. Porém, quando analisados separadamente verifica-se que na Orsa Florestal a maioria dos indivíduos (92,24%) se encontram entre as classes 8-16m de altura, enquanto que na Fazenda São Roque a maioria (78,98%), estão nas classes de altura 10-16m ( Figura 3). Figura 3. Distribuição dos indivíduos de Goupia glabra Aubl. por classe de Altura (Hm) nas áreas das Empresas Fazenda São Roque Moju-PA, e Orsa Florestal S.A., Almeirim-PA. Dos dados analisados encontrou-se que indivíduos de cupiúba estão entre as classes de volume (m³) de 1-16m³ destes, (6,3 ind./ha) na área da Orsa Florestal e 257 (0,25 ind./ha) na Fazenda São Roque. As classes de 2-4m³ a 10-12m³ compreendem somadas 70,68% do total de indivíduos inventariados, nas outras classes estão registradas os outros 29,32%, No entanto, quando esses dados foram analisados separadamente, registrou-se que na Fazenda São Roque a maioria dos indivíduos (92,99%), estão nas classes 2-12m³, em quanto na que na Empresa Orsa Florestal a maioria (89,57%) se encontram entre as classes 6-16m³. Conclusões

5 Os inventários florestais fornecem dados capazes de mostrar a riqueza desejável para se estudar a distribuição e diversidade de espécies de Goupia glabra Aubl.. em sistemas florestais, e por isso é uma ótima ferramenta em estudos ecológicos. Esses dados aliados as atuais técnicas de modelagem e de sensoriamento remoto gerariam bom resultados na definição de áreas para usos madeireiros ou de conservação. Goupia glabra Aubl. está bem representada nas florestas estudadas com representantes nas diferentes classes tanto de DAP, altura e volume. Referências CARNEIRO J.S. Mapeamento preditivo da vegetação: uso de SIG para modelar A distribuição espacial de espécies arbóreas na Amazônia Central Manaus: INPA/UFAM. Dissertação de Mestrado. 75p COUTINHO, S.C.; PIRES, M.P.J. Jarí: um banco genético para o futuro. Rio de Janeiro: Imago Ed.244p FERREIRA, G.C. Modelagem Ambiental de Espécies de Árvores no Vale do Jarí, Monte Dourado, Pará usando dados de inventario Florestal. Tese de Doutorado. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro HIGUCHI, N; SANTOS, J.; RIBEIRO,RJ. SILVA, R. P.; ROCHA R. M. Sustentabilidade na produção de madeira dura tropical. Revista Silvicultura, São Paulo, v. 83, p HIRAI, E. H.; CARVALHO J. O. P.; PINHEIRO K.A.O Comportamento populacional de cupiúba (Goupia glabra Abul.) em floresta de terra firme na fazenda Rio Capim, Paragominas (PA). Revista de Ciências Agrárias. Belém, n. 47, p HOPKINS M. J. G. Modeling the know and unknow plant biodiversity of the Amazon Basin. Journal of Biogeography, v. 34, p LLERAS E. P.; LEITE A. M. C.; TORRES M. F. N. M. MONTEIRO J. O. & NORONHA N. M. Diversidade vegetal na Amazônia: estado da arte. In: Anais do Amazônia no Terceiro Milênio atitudes desejáveis. São Paulo: BSIG. Vol. Único, p LORENZI H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. 2 ed. Nova Odessa-SP: Instituto Plantarum, 386p. v LORENZI H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. 2 ed. Nova Odessa-SP: Instituto Plantarum, v.2, p MITTERMIER, R. A.; MYERS N,; THOMDEN J.B.; FONSECA G. A.B.; OLIVIERI S. Biodiversity hotspots and major tropical wilderness areas: approaches to setting conservation priorities. Conservation Biology 12: NELSON B.W. & OLIVEIRA A. A. de. Área botânica. In: Capobianco, J. P. R.; Veríssimo, A.; Moreira, A.; Sawyer D.; Santos, I.dos; Pinto, L. P. (Orgs). Biodiversidade da Amazônia Brasileira: avaliação e ações prioritárias para a conservação, uso sustentável e repartição de benefícios, São Paulo, Estação Liberdade: Instituto Socioambiental p PRANCE G. T.; RODRIGUES W.A.; SILVA M.F. Inventário florístico de um hectare de mata de terra firme km 30 da estrada de Manaus- Itacoatiara. Acta Amazonica 6(1): RANKIN-DE-MERONA J.M. & ACKERLY D.D. Estudos populacionais de arvores em florestas fragmentadas e as implicações para conservação in situ das mesmas na floresta tropical da

6 Amazônia Central. IPEF n. 35, p SIQUEIRA M.F.de. Uso de modelagem de nicho fundamental na avaliação do padrão de distribuição geográfica de espécies vegetais. Tese de Doutorado. São Carlos, SP. 119 p

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