UNIJUÍ - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL TAÍS CERVI

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1 UNIJUÍ - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL TAÍS CERVI E MAIS UMA VEZ, ERA UMA VEZ: A CRIANÇA E SEU MUNDO DO FAZ DE CONTA Ijuí 2006

2 2 TAÍS CERVI E MAIS UMA VEZ, ERA UMA VEZ: A CRIANÇA E O SEU MUNDO DO FAZ DE CONTA Trabalho de pesquisa supervisionado apresentado como requisito parcial para a conclusão do curso de formação de Psicólogo. Orientadora: Ângela Schneider Drügg Banca examinadora: Ana Maria de Souza Dias Larry Antônio Wizniewsky Ijuí 2006

3 3 DEDICATÓRIA Aos meus familiares, pelas angústias, preocupações que passaram por minha causa; pelo amor, carinho e estímulo que me ofereceram. Dedico também ao meu namorado que por tantas vezes soube ser paciente e um grande companheiro nos momentos difíceis. A todos, dedico esta conquista como gratidão.

4 4 AGRADECIMENTO Agradeço aos meus pais que me abriram o caminho mágico dos contos de fadas e com isso também abriram caminho para esta história. Agradeço a minha querida irmã que comigo compartilhou esse mundo dos contos de fadas e pela força nos momentos difíceis. Agradeço ao meu príncipe encantado que faz parte desta história e com quem agora continuo a construir outra história. Agradeço aos momentos de compreensão. Agradeço a minha orientadora e primeira leitora que me orientou nessa história com muita disponibilidade, criatividade e paciência. Agradeço as minhas amigas Rosvani e Viviane pela compreensão nos momentos difíceis dessa caminhada e pelos momentos de alegria que me proporcionaram.

5 5 E MAIS UMA VEZ, ERA UMA VEZ: A CRIANÇA E O SEU MUNDO DO FAZ DE CONTA Este trabalho refere-se a algo muito importante para a constituição psíquica da criança: os contos de fadas. O trabalho mostra que os contos de fadas possuem, em geral, uma origem nada infantil. Esta remonta aos mitos, contos ou ainda histórias populares, depois adaptadas para as crianças (que passaram a ser diferenciadas em relação aos adultos e socialmente aceitas como pequenos seres humanos que precisavam de uma atenção especial e diferenciada dos adultos). Essas narrativas, vindas da tradição oral em tempos remotos, representam estruturas inconscientes do ser humano; prestam-se a trabalhar, simbolizar e talvez aliviar o pesado fardo carregado pela criança durante o seu desenvolvimento. O trabalho trata ainda do sentimento de medo, tão presente ao longo das páginas dos contos de fadas, trabalhado especialmente em três histórinhas (O Lobo e os Sete Cabritinhos, Chapeuzinho Vermelho e Os Três Porquinhos), encarnado na figura do lobo mau, tendo como seu ancestral o lobisomem. É, portanto, através do lobo mau que a criança pode encontrar uma maneira de simbolizar suas fobias (no sentido constitutivo e não patológico) e seus medos. Além disso, o lobo mau é um ótimo recurso utilizado pela criança para dar conta das questões relativas à Lei e, por conseqüência, questões referentes à função paterna, bem como questões relacionadas à castração (tomada do ponto de vista tanto de Freud quanto de Dolto). Portanto, o presente trabalho é um instrumento que pode ser utilizado por quem deseja aproximar-se da riquíssima realidade das crianças e de alguns aspectos do seu desenvolvimento. Palavras-chave: contos de fadas - medo - lobo mau

6 6 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE AS FONTES MITO x LITERATURA A Evolução dos Mitos O Mito Troca de Roupa O Mito e O Conto de Fada HISTÓRIAS QUE OS CAMPONESES CONTAVAM UM TESOURO PARA AS CRIANÇAS O SEGREDO DA PERMANÊNCIA DOS CONTOS DE FADAS ERA UMA VEZ: O CONTO DE FADAS E SUA EFICÁCIA PSICOLÓGICA UMA BOA HISTÓRIA E SEU VALOR NO CAMINHO DO LOBO MAU LOBISOMEM: O DESCONHECIDO LADO DO LOBO MAU A Origem Mitológica do Lobisomem O Possível Berço da Licantropia Lobisomem: uma Condição ou uma Doença? Permanência do Lobisomem Da Licantropia à Vovozinha ENFIM, O LOBO MAU NA TERRA DAS FADAS O Medo de ser Devorado O que quer Chapeuzinho? Quem Pensou em Devorar, Acabou sendo Devorado O SENHOR LOBO ENQUANTO OBJETO FÓBICO A FACE OCULTA DO LOBO MAU A Castração sob o Olhar de Freud A Castração sob o Olhar de Dolto Castração Umbilical: Olá Mundo Cruel Castração Oral: O Paraíso Perdido Castração Anal: A Entrada de um Lobo Castração Primária e Castração Edípica: Pai Incestuoso x Pai Castrador O Espelho e o Édipo OS RESTOS DO FINAL DA HISTÓRIA CONCLUSÃO REFERÊNCIAS... 88

7 7 APRESENTAÇÃO Uma vida é uma história, e o que contamos dela é sempre um tipo de ficção. Uma pessoa constrói a sua própria história e, portanto, o seu próprio roteiro, que se enlaça com uma trama na qual cada história possui medidas diferentes de frustrações, alegrias, aventuras... Portanto, escutar outras histórias através dos livros, TV, filmes... faz com que cada pessoa reflita sobre seu destino, pense na sua existência, defronte-se com seus ideais e desejos, não de uma forma direta, mas simbólica. A paixão por histórias que trazem em seu enredo a fantasia e a ficção começa desde cedo, de forma que não existe infância sem elas. A partir do momento em que a infância passou a ter um reconhecimento social, os contos de fadas passaram a ser a forma mais comum de ficção, e progressivamente, destinados ao público infantil. Na atualidade, os contos de fadas são coisa de criança, são uma fatia de imaginário destinados a elas. Mas, curiosamente, notamos que eles nem sempre foram destinados a este público e nem sempre foram contados como são hoje. Como foi, então, que estes restos do passado foram parar exatamente nas mãos das crianças? Qual é a sua origem e por que surgiram? Quais são as suas contribuições para a estruturação psíquica da criança? Frente a tantas histórias, por que as crianças demonstram mais interesse por histórias que contemplam o medo? Com vistas a esclarecer essas questões, o presente trabalho está organizado em dois momentos. O primeiro direciona-se ao modo como os contos de fadas surgiram e por que surgiram. Nesse sentido, alguns aspectos referentes ao mito e ao seu desenvolvimento no âmbito da literatura são abordados. Por isso, refazemos a trajetória do mito desde a antigüidade até os tempos modernos, observando as principais modificações ocorridas nesse percurso. Além disso, procuramos detectar alguns possíveis fatores que motivaram essas transformações. Em seguida, abordamos alguns estudos acerca de gêneros literários nos quais se pode perceber a permanência de, ao menos, alguns aspectos do pensamento mítico. Detemo-nos também, no aspecto referente à eficácia dos contos de fadas na estruturação psíquica da criança. Dentro disso, algumas hipóteses são traçadas no que diz respeito ao

8 8 motivo pelo qual eles ainda se mantêm vivos depois de muitos anos. Embora tenha ocorrido muita mudança no império dos homens, parece que certos assuntos permanecem ainda vivos e surpreendentemente encontram lugar entre as crianças. Certamente, essas histórias têm suas razões para existirem ainda, caso contrário teriam desaparecido. Num segundo momento, o trabalho busca responder por quais motivos as crianças demonstram um nítido interesse em narrativas que ressaltam o medo. É interessante destacar que o medo será, inicialmente, abordado numa dimensão que antecedeu os contos de fadas, na dimensão do mito. Assim, é por meio do mito do lobisomem que começamos a trabalhar o medo, pois é por meio do desenvolvimento e da difusão deste mito que surge o lobo mau nos contos de fadas. É sabido que as crianças demonstram muito mais interesse por histórias de temáticas assustadoras e personagens monstruosos, as quais estão longe de lhes provocar aversão. Elas procuram o medo. Se este desaparece, elas o reinventam. É por meio desse tipo de contos que as crianças elaboram as suas fantasias e suas angústias - angústia de ser devorado, angústia de ser engolido... Podemos dizer que é uma maneira de a criança se haver com aquilo que lhe parece estranho e que, no entanto, lhe é familiar. Assim, por intermédio da história, de uma forma simbólica e não no real, a criança depara o estranho e, paradoxalmente, familiar. E o lobo mau entra aqui como um intermediário, como um personagem que permite à criança projetar nele todos os seus medos, suas angústias frente a castração e frente a lei imposta pela função paterna. Considerando que tanto o universo dos contos de fadas como o universo da ficção é muito vasto, o segundo momento do trabalho segue um caminho demonstrativo, no qual é realizado o exame de algumas histórias bem conhecidas, pelo significado e prazer que se pode obter delas. São histórias que carregam consigo a dimensão do medo encarnada na figura do lobo mau. Dessa forma, os contos de fada escolhidos foram: O Lobo e os Sete Cabritinhos, Chapeuzinho Vermelho e Os Três Porquinhos, pois estes trazem o medo encarnado na figura do lobo, principal animal tomado pelas crianças para a elaboração de suas fobias (fobias não no sentido patológico, mas no sentido constituinte). Com efeito, a análise desses contos parece-nos ser uma forma agradável e interessante de compreender o porquê da preferência das crianças por narrativas que suscitam o medo. Outro fator que justifica o trabalho: o vasto território de ficção que é destinada às crianças, pois nunca houve tanta preocupação com o crescimento e com a estruturação do eu.

9 9 Acreditamos muito nas influências precoces que são destinadas à criança, sendo que os contos de fadas fazem parte deste recheio de influências oferecidas. Assim, este trabalho pretende contribuir para elucidar as razões que levam os contos a existirem até hoje e serem tão consagrados.

10 10 CAPÍTULO I UM POUCO DE HISTÓRIA "O conto,[...] é ainda hoje o primeiro conselheiro das crianças, porque ele foi, outrora, o primeiro conselheiro dos homens, perpetuam-se, secretamente, na narração" (BENJAMIN apud GUTFREIND, 2003, p.157). 1.1 SOBRE AS FONTES Preocupamo-nos crescente e obsessivamente com as crianças. Ocuparmo-nos das crianças e seu desenvolvimento é hoje uma necessidade cultural imperiosa. Nunca tanto investimento foi feito em seres tão pequenos, em gente tão novinha, nunca se esperou tanto deles. Além disso, cada vez mais acreditamos nas influências precoces da formação no destino dos seres humanos. Dentro desse contexto, bem como ante a preocupação com os estímulos necessários para um perfeito desenvolvimento das crianças, encontramos os contos de fadas que são lidos ou escutados pelas crianças. Falamos muito nos contos de fadas, porém pouco ou quase nada falamos sobre como surgiram e por que surgiram. Não falamos da sua origem, de quando começaram a ser contados para as crianças. O que todo mundo sabe é que "no tempo da minha avó eles já existiam". E como temos o estranho e comum hábito de esquecer nossas origens, eles parecem ter existido desde sempre. Portanto, como e por que eles nasceram? Desde já, podemos antecipar que algo é certo: não podemos tomar os contos de fadas num sentido atemporal, como se sempre desempenhassem a mesma função para um público similar, obedecendo sentidos padronizados. Enquanto histórias nasceram e morreram, os contos de fadas parecem desafiar o tempo, atravessando dezenas de séculos e várias formas de organização social, atingindo durante o seu percurso diferentes públicos. Diante desse questionamento, Corso e Corso (2006, p.25) nos auxiliam à medida que afirmam que na sua origem não serviram a uma parcela restrita de pessoas; eles nasceram para todos. "Durante séculos, faziam parte de momentos coletivos, em que um bom contador de histórias emocionava sua platéia, incluindo gente de todas as idades" (p.25). Com o passar dos tempos essas formas de narrativas mágicas foram sendo empurradas para o domínio infantil.

11 11 Nesse sentido, podemos concordar com vários pensadores como Eliade, por exemplo, que afirma que a origem dos contos de fadas está relacionada com mitos e com ritos de iniciação ou ritos de passagem. Vejamos o que Bettelheim ressaltou sobre o que Platão e Aristóteles escreveram a respeito dos mitos: Platão - que entendeu possivelmente a formação da mente humana melhor do que alguns de nossos contemporâneos, que desejam suas crianças expostas apenas a pessoas e acontecimentos cotidianos 'reais' - sabia o quanto as experiências intelectuais contribuem para a verdadeira humanidade. Ele sugeriu que os futuros cidadãos de sua república ideal começassem sua educação literária com a narração dos mitos, em vez de meros fatos ou os ditos ensinamentos racionais. Mesmo Aristóteles, mestre da razão pura, disse: 'O amigo da sabedoria é também um amigo do mito' (1980, p.45). O mínimo que podemos pensar, então, é que eles se encontram deslocados de suas significações originais. A partir daí, o mito encontra no âmbito da literatura um meio de desenvolvimento. No entanto, para que possamos entender a origem dos contos de fadas, precisamos também entender os laços existentes entre os contos de fadas e os mitos. Além disso, faz-se necessário o entendimento a respeito da origem do mito, ou seja, as suas primeiras significações e a sua evolução até a contemporaneidade. 1.2 MITO x LITERATURA A Evolução do Mito Monfardini (2005, p.50), utilizando-se de Vernant, afirma que inicialmente não havia a distinção entre mythos (pensamento mítico) e logos (pensamento lógico) na relação do mito com a sociedade. Este distanciamento só ocorreu entre os séculos oitavo e quarto a.c., distanciamento este que proporcionou o surgimento da palavra escrita que inaugura uma nova forma de pensamento. Estabelece-se, assim, a distinção entre mythos e logos, sendo o primeiro localizado na ordem do fascinante, do fabuloso, do maravilhoso, e o segundo, na ordem do verdadeiro e do inteligível" (MONFARDINI, 2005, p.51). Essa distinção acontece porque também aparece uma oposição entre palavra escrita e palavra falada, em que o narrador busca encantar o ouvinte, ao passo que aquele que escreve busca convencer o leitor. "[...] é no campo da literatura que o mito vai encontrar abrigo, e é aí que terá continuidade, ainda que sofrendo algumas alterações" (Idem, ibidem.). Entender essas alterações implica compreender o mito e seu funcionamento primitivo.

12 12 Eliade, ao analisar a importância dos mitos (1986, p.7), considera que nas sociedades arcaicas a narrativa mítica desempenhava uma importante função dentro da estrutura social e por isso o mito era compreendido como uma história verdadeira, de caráter sagrado, exemplar e significativo. O autor define o mito como uma narrativa que: [...] conta uma história sagrada; ele relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial, o tempo fabuloso do 'princípio'. Em outros termos, o mito narra como, graças às façanhas dos Entes Sobrenaturais, uma realidade passou a existir, seja uma realidade total, o Cosmo, ou apenas um fragmento: uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, uma instituição. É sempre, portanto, uma narrativa de uma 'criação': ele relata de que modo algo foi produzido e começou a ser. O mito fala apenas do que realmente ocorreu, do que se manifestou plenamente (1986, p.11) [grifo do autor]. Por ser considerado uma narrativa de uma criação, o mito pode ser um revelador de "modelos exemplares de todos os ritos e atividades humanas significativas: tanto a alimentação ou o casamento, quanto o trabalho, a educação, a arte ou a sabedoria" (ELIADE, 1986, p.13). Ou como escreve Lacan (1995), o mito diz "de temas da vida e da morte, da existência e da não-existência, do nascimento, em especial, isto é, da aparição daquilo que ainda não existe. Trata-se, pois, de temas ligados, [...] à existência do próprio sujeito e aos horizontes que sua experiência lhe traz [...] (p.257). "Ao narrar como as coisas foram feitas, os mitos revelam por quem e por que o foram, e em quais circunstâncias" (ELIADE, 1986, p.128). Dessa forma, a função do mito consiste em fornecer uma significação ao mundo e à existência humana. Eis aqui o seu papel na constituição do homem. Rocha (1988) também considera o mito como uma narrativa, como um discurso, uma fala que carrega consigo uma mensagem que não está dita diretamente. De acordo com o mesmo autor, o mito não é verdadeiro no seu conteúdo manifesto, literal, expresso, dado. No entanto, possui um valor e, mais que isso, uma eficácia na vida social. Assim sendo, o mito é capaz de revelar o pensamento de uma sociedade, a sua concepção de existência e das relações que os homens devem manter entre si e com o mundo que os cerca. Nas sociedades arcaicas, há uma distinção entre histórias verdadeiras e histórias falsas. Sendo assim, o caráter sagrado e sobrenatural diz das histórias verdadeiras, onde se encontram também os contos e o conteúdo profano, diz das histórias falsas (ELIADE, 1986, p.13). Podemos considerar significativa a distinção feita entre histórias verdadeiras e histórias falsas:

13 13 Ambas as categorias de narrativas apresentam 'histórias', isto é, relatam uma série de eventos que se verificam num passado distante e fabuloso. Embora os protagonistas dos mitos sejam geralmente Deuses e Entes Sobrenaturais, enquanto os dos contos são heróis ou animais miraculosos, todos esses personagens têm uma característica em comum: eles não pertencem ao mundo quotidiano (ELIADE, 1986, p.15). Assim, "os mitos descrevem acontecimentos que dizem respeito ao ser humano; relatam não apenas a origem das coisas, mas os acontecimentos primordiais que determinaram a condição do homem no mundo e o constituíram tal como ele é" (MONFARDINI, 2005, p.51-2). "[...] ao passo que os contos e as fábulas se referem a acontecimentos que, embora tendo ocasionado mudanças no Mundo [...], não modificaram a condição humana como tal" (ELIADE, 1986, p.15) 1. Escrevendo sobre o caráter constitutivo do mito, Eliade estabelece uma relação entre mito e história e diz que o homem das sociedades arcaicas era constituído pelos eventos dos mitos, ao passo que o homem moderno é constituído pela história. A diferença é, segundo Monfardini (2005, p.52), que a história é linear e irreversível e a narrativa mítica assenta-se sobre a intemporalidade. Isto é, no dizer de Lévis-Strauss (1955), "um mito diz respeito, sempre a acontecimentos passados [...]. Mas o valor intrínseco atribuído ao mito provém de que esses acontecimentos, que decorrem supostamente em um momento do tempo, formam também uma estrutura permanente. Esta se relaciona simultaneamente ao passado, ao presente e ao futuro" (p.241). Assim, o tempo do mito é reversível porque está sempre presente, mas cada vivência mítica particular é irreversível no tempo porque é individual. Assim, o homem primitivo precisa não somente conhecê-la, mas reatualizá-la. Nesse sentido, Monfardini continua, dizendo que, para o homem das sociedades arcaicas, conhecer o mito é saber sobre a origem das coisas e assim poder repetir o ato criador. Porém, para que a repetição do ato de criação se torne possível, é preciso não só conhecer o mito de origem mas também recitá-lo. Isso, evidencia o poder criador da palavra. A palavra, segundo Cassirer (1992), assume um caráter de arquipotência em todas as cosmogonias míticas, chegando ao ponto de sobrepor-se ao poder dos deuses ou até mesmo confundindo-se com eles. Analisando a relação existente entre mito e linguagem, Cassirer menciona uma possível existência de uma raiz comum que une a consciência lingüística à consciência mítica, assentando que ambas repousam sobre uma mesma forma de concepção 1 É importante ressaltar que o que para um povo pode ser considerado uma história verdadeira, para outro pode ser considerado como uma história falsa. Porém, os primitivos sempre distinguiram mito (histórias verdadeiras) de contos e lendas (histórias falsas).

14 14 mental: o pensar metafórico. Chamando a atenção para uma relação entre forma lingüística e forma mítica, o autor afirma que existe uma influência recíproca entre linguagem e mito: [...] a linguagem e o mito se acham originalmente em relação indissolúvel, dá qual só aos poucos cada um se vai desprendendo como membro independente. Ambos são ramos diversos do mesmo impulso de enformação simbólica, que brota de um mesmo ato fundamental e da elaboração espiritual, da concentração e elevação da simples percepção sensorial (1992, p.106). Lévis-Strauss também atribui relações entre mito e linguagem, dizendo que "[...] o mito faz parte integrante da língua; é pela palavra que ele se nos dá a conhecer, ele provém do discurso" (1955, p.240). Mais adiante, afirma: "se queremos perceber os caracteres específicos do pensamento mítico, devemos pois demonstrar que o mito está, simultaneamente, na linguagem e além dela" (1955, p.240). Na linguagem, bem como no mito, ocorre uma transposição simbólica do conteúdo sensível em uma conformação objetiva. As metáforas, tanto lingüística quanto mítica, nascem do mesmo esforço de concentração da percepção sensorial, peculiar a toda enformação, seja lingüística ou mítica. Nesse ponto, Cassirer (1992) evidencia o contraste entre conceitualização lógicodiscursiva e mítica-lingüística. No primeiro tipo de formação de conceitos há um esforço de ampliação, de reunião das partes ao todo, sem que haja a perda da delimitação de cada um, ao passo que no segundo, observamos o contrário, havendo um esforço no sentido da concentração e do nivelamento, de apagamento das diferenças específicas. É nessa distinção entre os tipos de formação de conceitos que podemos compreender o distanciamento entre linguagem e mito. Segundo Cassirer (1992), nas formações míticas atua apenas o tipo de conceitualização mítico-lingüística, ao passo que, na linguagem atua também a força do logos. Essa força aumenta e reduz o poder original da palavra que acaba se reduzindo cada vez mais a meros signos conceituais. Esse caráter metafórico original da linguagem, que se aproxima do mito, não é totalmente suprimido; ele sobrevive na expressão artística e na poesia - principalmente a poesia lírica - onde a conexão entre linguagem e mito torna-se mais evidente. Como salienta Cassirer (1992, p.114), "mito, linguagem e arte formam inicialmente uma unidade concreta ainda indivisa, que só pouco a pouco se desdobra em uma tríade de modos independentes [...]". Dentre estas, o mito pode ser considerado uma primeira tentativa de racionalização sobre as coisas. À medida que o pensamento lógico-científico desenvolveu-

15 15 se e conquistou a sua supremacia sobre o pensamento mítico, este se restringiu cada vez mais ao campo da imaginação, da fantasia, do devaneio, da arte... Com isso, ao longo dos anos, percebemos um declínio dos mitos. Monfardini (2006) salienta que Lévis-Strauss, tratando da morte dos mitos, analisa as alterações que eles sofreram ao longo dos anos, perdendo o estatuto de narrativa fundadora, e assumindo outras funções como a de legitimação de histórias em lendas, por exemplo. Percebemos, então, a extenuação da formação mítica, sem, no entanto, verificarmos o seu total desaparecimento: É, no entanto, com o advento da psicanálise que o mito é reabilitado, passando a merecer maior atenção dos estudiosos. As pesquisas de Freud sobre o inconsciente abrem caminho para diversas investigações acerca do imaginário. Através das descrições dos sonhos de seus pacientes, o psicanalista pôde detectar manifestações de dramas existenciais já representados nos mitos gregos (veja-se o complexo de Édipo, por exemplo). O inconsciente humano, que vem à tona principalmente no sonho, revela-se, assim, o último reduto desse pensamento mítico que, com a evolução do espírito, foi relegado ao estatuto de pura imaginação. As imagens guardadas no inconsciente surgem, então, como a grande chave para o conhecimento do ser humano (MONFARDINI, 2005, p.53). Dessa forma, são as imagens e os símbolos que condensam as narrativas míticas. Os mitos primitivos, que dizem respeito à humanidade e à origem, reduzem-se em imagens individuais que se relacionam com o imaginário coletivo. Assim, são essas imagens e símbolos, presentes no sonho e na literatura, que revelam a permanência do pensamento mítico. No entanto, podemos pensar que um gênero literário que revela a permanência dos mitos são os nossos contos de fadas ou contos maravilhosos (como chamou Vladimir Propp em seu livro Morfologia do Conto Maravilhoso) O Mito Troca de Roupa Como vimos, no decorrer da evolução do pensamento humano, a elaboração mítica modificou-se, porém, ela não desapareceu totalmente. Vários elementos constitutivos dos mitos aparecem nas elaborações da ficção moderna - entre essas elaborações encontramos os contos de fadas. Mielietinsky afirma que a literatura está geneticamente relacionada com a mitologia e que o conto maravilhoso também é uma forma de conservação e superação da mitologia (apud MONFARDINI, 2005, p.55). Ou seja, "a mitologia converteu-se, conseqüentemente, no produto da linguagem" (CASSIRER, 1992, p.103), de modo que "o mito recebe da linguagem, sempre de novo, vivificação e enriquecimento interior, tal como, reciprocamente, a linguagem os recebe do mito" (Idem. ibidem).

16 16 Percebemos, então, uma espécie de "mitologização" (MONFARDINI, 2005, p.55) nas elaborações da ficção moderna, pois se considerarmos o mito como um narrador de acontecimentos de questões da razão humana que são inexplicáveis, perceberemos o caráter mítico e fantástico presente na ficção moderna. Segundo Monfardini (2005, p.55), a partir do século XVIII até o início do século XX, podemos observar o abandono dos temas tradicionais, o que colaborou para o processo de desmitologização da literatura. Entretanto, junto com as correntes realista e romântica surgem outras formas de relação com a mitologia. A corrente romântica, que oscila entre o fantástico e o misticismo, abre um caminho para a mitologização: [...] Mielietinsky aponta para uma série de elementos representativos dessa nova mitologia. Observa-se, por exemplo, a presença do fantástico e do maravilhoso acompanhado freqüentemente [...] pela utilização dos processos do pensamento infantil; a intercalação de relatos de caráter mitológico, etc. [...] O fantástico do cotidiano se desenvolve com base na máxima interpenetração do maravilhoso no cotidiano. Por um lado, atrás das pessoas, dos objetos e situações mais comuns desdobram-se forças maravilhosas, fantásticas e míticas do outro mundo [...] (apud MONFARDINI, 2005, p.56). Outras peculiaridades da mitologia romântica, segundo Monfardini (2005, p.56) são: a síntese de diversas tradições mitológicas, a infinita repetição de heróis no espaço e no tempo e a representação da dualidade de mundos, ou seja, a oposição entre cotidiano e fantástico. Todorov (1975, p.47-8) refere-se a maravilhoso e estranho, ao estudar o gênero do fantástico, e afirma que este último se encontra entre ambos. O fantástico se coloca quando há uma indecisão acerca da natureza de um acontecimento. Se decidimos que se trata de um acontecimento sobrenatural, regido por leis estranhas às do mundo que conhecemos, entramos no âmbito do maravilhoso. Então, "[...] o maravilhoso corresponde a um fenômeno desconhecido, jamais visto, por vir, logo a um futuro" (p.49). Se, ao contrário, conseguimos dar uma explicação possível no mundo real, o acontecimento passa ao campo do estranho. Assim, "[...] no estranho [...] o inexplicável é reduzido a fatos conhecidos, a uma experiência prévia, e daí ao passado" (p.49). No entanto, para que o fantástico se sustente, é preciso que exista a hesitação do leitor. O mesmo autor, na seqüência de seu texto, caracteriza o maravilhoso afirmado dizendo que elementos sobrenaturais não provocam nenhuma reação particular nem aos personagens, nem ao leitor. Dessa forma, o que caracteriza este gênero não é a atitude para com os acontecimentos narrados, mas a própria natureza desses acontecimentos. Devido a isso,

17 17 relaciona-se geralmente o gênero maravilhoso ao conto de fadas; de fato, o conto de fadas não é senão uma das variedades do conto maravilhoso e os acontecimentos sobrenaturais aí não provocam qualquer surpresa: nem o sono de cem anos, nem o lobo que fala, nem os dons mágicos das fadas (para citar apenas alguns elementos dos contos de Perrault). O que distingue o conto de fadas é uma certa escritura, não o estatuto do sobrenatural (TODOROV, 1975, p.60). Por fim, considerando os temas do fantástico, Todorov aproxima-se dos postulados da psicanálise, dividindo os temas em dois grupos: os temas do eu, "que concernem essencialmente à estruturação da relação entre o homem e o mundo" (1975, p.128) e os temas do tu, que tratam "da relação do homem com o seu desejo e, por isto mesmo, com seu inconsciente" (1975, p.148). Depois de realizar uma análise temática de algumas obras do gênero fantástico, o autor conclui e ressalta que a função do sobrenatural é "[...] subtrair o texto à ação da lei e com isto mesmo transgredi-la" (1975, p.168). Portanto, o fantástico teria a função de possibilitar a expressão de temas que eram até então considerados tabus, os quais aparecem numa roupagem sobrenatural. Essa roupagem torna-se desnecessária à medida que surge a psicanálise, pois os temas da literatura fantástica tornaram-se os mesmos das investigações psicológicas, denotando, assim, a relação da literatura fantástica com as imagens que estariam submersas no inconsciente humano. Eliade (1986, p.163) também salienta a importância da corrente romântica nas sociedades modernas, pois esta, segundo ele, tomou o lugar ocupado pela recitação dos mitos e dos contos nas sociedades tradicionais e populares. Nesse sentido, ressalta que certos romances modernos podem demonstrar a sobrevivência literária dos grandes temas e dos personagens mitológicos. Portanto, o romance, bem como outros gêneros literários, prolonga a narrativa mitológica, apesar de possuir outros fins e outros planos. Portanto, embora o pensamento mítico dos primitivos tenha sofrido inúmeras transformações e suprimido partes em favor do pensamento lógico, essa supressão não foi total, pois são visíveis as formulações míticas que possuem raízes no imaginário universal. "Alguns 'comportamentos míticos' ainda sobrevivem sob os nossos olhos. Não que se trate de 'sobrevivências' de uma mentalidade arcaica. Mas alguns aspectos e funções do pensamento mítico são constituintes do ser humano" (ELIADE, 1986, p.157). Dessa forma, a expressão do pensamento mítico pode evidenciar questões que dizem respeito à humanidade como um todo e à sua condição de existência. Se considerarmos, assim como Eliade, que apesar de todas as transformações pelas quais a sociedade e o homem passaram, alguns comportamentos míticos sobrevivem, mesmo

18 18 que sob camuflagem, poderemos pensar que os contos, de uma forma geral (incluindo também os contos de fadas), são uma dessas manifestações camufladas dos mitos que se encontram vivas nos dias atuais e que se manifestam por meio da literatura. Podemos perceber aqui uma importante função da literatura. Considerando, como já foi ressaltado, que o mito é originalmente uma narração oral espontânea que se cristaliza ao longo de gerações, a literatura age como um instrumento que tenta explicar, classificar e desenvolver o mito que havia nascido de forma fragmentária e, por vezes, pouco coerente. À medida que é adaptado à esfera e às dimensões da vida humana, manipulado e elaborado conscientemente pelos indivíduos, o mito se dilui em suas características originais para metamorfosear-se em contos, por exemplo. Porém, embora camuflado, o mito ainda continua a cumprir sua função: Poder-se-ia quase dizer que o conto repete, em outro plano e através de outros meios, o enredo iniciatório exemplar. O conto reata e prolonga a 'iniciação' ao nível do imaginário. Se ele representa um divertimento ou uma evasão, é apenas para a consciência banalizada e, particularmente, para a consciência do homem moderno; na psique profunda, os enredos iniciatórios conservam sua seriedade e continuam a transmitir sua mensagem, a produzir mutações. Sem se dar conta e acreditando estar se divertindo ou se evadindo, o homem das sociedades modernas ainda se beneficia dessa iniciação imaginária proporcionada pelos contos (ELIADE, 1986, p.174) O Mito e o Conto de Fada Diante disso, podemos entender que os mitos são freqüentemente misturados aos contos e que ora possuem certas semelhanças, ora possuem certas diferenças. Eliade (1986, p.172), influenciado por Vries, salienta que existe uma estrutura comum entre o mito e o conto e que há um contraste entre o pessimismo do mito e o otimismo do conto. Bettelheim (1980) também trabalha com a questão do contraste e escreve que, o mito é pessimista, enquanto que a estória de fadas é otimista, mesmo que alguns traços sejam terrivelmente sérios. É essa diferença decisiva que separa o conto de fadas de outras estórias nas quais igualmente ocorrem coisas fantásticas, que o resultado seja feliz devido às virtudes do herói, à sorte, ou a interferência de figuras sobrenaturais (p.47-8).

19 19 Nesse sentido, o autor observa que os mitos envolvem solicitações do superego em conflito com ações motivadas pelo id e com os desejos autopreservadores do ego 2. Dessa forma, um mero mortal é muito frágil para enfrentar os desafios dos deuses. Portanto, os mitos projetam uma personalidade ideal agindo na base das exigências do superego, enquanto os contos de fadas descrevem uma integração do ego que permite uma satisfação apropriada dos desejos do id. Esta diferença responde pelo contraste entre o pessimismo penetrante dos mitos e o otimismo essencial dos contos de fadas (BETTELHEIM, 1980, p.52). Bettelheim toma este caminho e segue fazendo comparações e estabelecendo diferenças entre mito e conto de fadas. Ao mesmo tempo em que deixa transparecer os motivos pelos quais os contos são mais atraentes do que os mitos, também não deixa de lado a relação que um possui com o outro: Embora as mesmas figuras exemplares e situações se encontrem em ambos, e acontecimentos igualmente miraculosos ocorram nos dois, há uma diferença crucial na maneira como são comunicados. Colocado de forma simples, o sentimento dominante que o mito transmite é: isto é absolutamente singular; não poderia acontecer com nenhuma outra pessoa, ou em qualquer outro quadro; os acontecimentos são grandiosos, inspiram admiração e não poderia possivelmente acontecer a um mortal como você ou eu. A razão não é tanto que os eventos sejam miraculosos, mas porque são descritos assim. Em contraste, embora as situações nos contos de fadas sejam com freqüência inusitadas e improváveis, são apresentadas como comuns, algo que poderia acontecer a você ou a mim ou à pessoa do lado quando estivesse caminhando na floresta. Mesmo os mais notáveis encontros são relatados de maneira casual e cotidiana (1980, p.47). O autor estabelece, ainda, outra diferença referente ao final tanto dos mitos quanto dos contos, afirmando que "[...] nos mitos é quase sempre trágico, enquanto sempre feliz nos contos" (1980, p.47). É esse final feliz que garante à criança sugestões sob formas simbólicas de como conseguir uma auto-realização e uma saída positiva para seus conflitos, já que na infância tudo está em transformação e, por isso, muitos conflitos aparecem. Como exemplo, Bettelheim toma os heróis e afirma que os heróis míticos incorporam exigências rigorosas de forma que a criança se sente desencorajada a tomar esse caminho para a construção da integração de sua personalidade. "Enquanto o herói mítico vivencia uma transfiguração para a vida eterna no céu, [...], alguns contos de fadas concluem com a informação de que, se por 2 Os três termos (superego, id e ego) são referentes à segunda tópica freudiana e dizem respeito à estruturação da personalidade. O superego reprime ou apóia o impulso que for moral e socialmente reprovável ou aceito. O id busca a satisfação irracional. O ego ajusta as exigências e impulsos do id ao mundo da realidade.

20 20 acaso não morreu, o herói ainda deve estar vivo" (1980, p.50). Assim, uma existência feliz é projetada pelos contos de fadas como resultado das provações envolvidas nos processos de crescimento. Segundo Bettelheim, embora os contos de fadas também estejam constituídos por problemáticas e exista a oferta de imagens simbólicas para a solução dos problemas, estas problemáticas são comuns: uma criança sofrendo de ciúmes e discriminação de suas irmãs, como em "A Gata Borralheira", ou uma criança que é considerada incompetente por um dos pais, como em muitos contos... Além disso, o herói vence esses problemas na terra e não no céu. Outro aspecto apontado pelo autor é a questão de que nos mitos a história é de um herói particular: Teseu, Hércules, Brunhilda... Esses personagens não só têm nomes, como também são ditos os nomes de seus pais e de outras figuras que aparecem no desenrolar do mito. Em contraponto com os mitos, nos contos de fadas, a história se refere a pessoas muito parecidas conosco. Os títulos seguem um determinado padrão que pode servir a qualquer criança: "A Bela e a Fera", "Chapeuzinho Vermelho", "O patinho Feio"... Os protagonistas são referidos como "moça", "moço", "o irmão mais velho", "mãe"... Mesmo quando recebem um nome, como na história de "João e Maria", o uso de nomes bem comuns torna-os genéricos, valendo para qualquer menino e qualquer menina. Assim, os heróis míticos apresentam dimensões sobrenaturais, ao passo que nos contos de fadas eles se assemelham a pessoas, o que faz com que a criança se interesse pelos contos: Tentar ser guiada e inspirada por um ideal que nenhum ser humano pode alcançar plenamente pelo menos não traz sentimento de derrota - mas empenhar-se em copiar os efeitos de grandes pessoas reais parece pouco esperançoso para a criança e cria sentimentos de inferioridade: primeiro, porque sabe-se que uma pessoa não pode fazê-lo, e em segundo lugar, porque se teme que outros o possam (BETTELHEIM, 1980, p.51). Uma última diferenciação, agora feita por Rank (apud RAMOS, 1954, p.208), observa que,

21 21 [...] enquanto no mito os desejos se satisfazem de modo direto, revelando os apetites primitivos da humanidade, no conto, os mecanismos de sublimação se aperfeiçoam. Aqui os disfarces e as elaborações secundárias são mais intensos, o trabalho da censura é maior [...]. Por isso, o conto reflete já as conquistas da civilização, embora conservando as sobrevivências dos motivos míticos. Os complexos primitivos, o romance familiar, a poligamia mítica se reduzem e procuram conter-se [...]. No mito, o complexo paterno domina a situação; os complexos secundários giram em tôrno (sic) daquele. No conto, a situação familiar, já reflete as conquistas sociais, e o romance familiar se atenua [grifo do autor]. Se, por um lado, existem várias diferenças entre o mito e o conto de fadas, por outro, existem várias semelhanças que são de enorme valia para todo esse contexto. Corso e Corso (2006) afirmam que "os contos de fadas têm em comum com os mitos o fato de não possuírem propriamente um sentido, são sim estruturas que permitem gerar sentidos, por isso toda a interpretação será sempre parcial" (p.28). Nesse sentido, Rocha (1988) contribui dizendo que o mito possui diferentes possibilidades de interpretação. "[...] o mito se deixa eternamente interpretar e essa interpretação torna-se, ela mesma, um novo mito. Em outras palavras, as interpretações não esgotam o mito. Antes, de outra maneira, a ele se agregam como novas formas de o mito expor suas mensagens" (p.48). Embora Rocha fale-nos apenas dos mitos, podemos relacionar essa contribuição com a interpretação dos contos de fadas. Entendemos que estes facilitam o recurso a uma ou outra fantasia e, portanto, podem ser percebidos das mais variadas formas. Sendo assim, as interpretações também serão referentes ao momento em que cada um se encontra e, por isso, são inúmeras. "[...] os efeitos de determinados contos nas crianças são os mais variáveis e imprevistos, as histórias de fadas possuem personagens e passagens fortes que as cativam vivamente, mas no seu uso os efeitos não são únicos" (CORSO e CORSO, 2006, p.166). Portanto, "a mitologia comparece como uma sabedoria do passado, a mais indomesticada das produções culturais, algo que segue ao mesmo tempo fascinando e nos desafiando sobre seu sentido" (Idem, ibidem, p.258). Cassirer discorrendo sobre a mitologia, também chama a atenção para a sua importância. Nesse sentido, diz que a mitologia é uma necessidade inerente à linguagem à medida que reconhecemos nesta a forma externa do pensamento. "[...] a mitologia irrompe com maior força nos tempos mais antigos da história do pensamento humano, mas nunca desaparece por inteiro. Sem dúvida, temos hoje nossa mitologia, tal como nos tempos de Homero, com a diferença de que atualmente não reparamos nela [...]" (1992, p.19).

22 HISTÓRIAS QUE OS CAMPONESES CONTAVAM As modernas versões dos contos de fadas, segundo Corso e Corso (2006, p.16), que encantaram tanto nossos antepassados quanto as crianças de hoje, datam do século XIX. Foi a partir dessa data que as narrativas populares européias, matrizes dos modernos contos de fadas, passaram a integrar a mitologia universal. Essas narrativas "não apresentavam a riqueza simbólica que faz dos contos de fadas um depositário de significações inconscientes [...]" (CORSO e CORSO, 2006, p.16). Elas nem sequer eram destinadas exclusivamente às crianças. Nessa perspectiva, evidências escritas provam que os contos existiam antes de ser concebido o 'folclore' [...]. Os pregadores medievais utilizavam elementos da tradição oral para ilustrar argumentos morais. Seus sermões, transcritos em coleções de 'Exempla' dos séculos XII ao XV, referem-se às mesmas histórias que foram recolhidas, nas cabanas dos camponeses, pelos folcloristas do século XIX. Apesar da obscuridade que cerca as origens dos romances de cavalaria, as canções de gesta e os fabliaux, parece que boa parte da literatura medieval bebeu da tradição oral popular, e não ao contrário. [...] Pretendessem elas divertir os adultos ou assustar as crianças, como no caso de contos de advertência, como 'Chapeuzinho Vermelho', as histórias pertenciam sempre a um fundo de cultura popular, que os camponeses foram acumulando através dos séculos, com perdas notavelmente pequenas (DARNTON, 1986, p.31-2) [grifo do autor]. Nesse caminho também encontramos Eliade (1986) que afirma que para os folcloristas o nascimento de um conto se confunde com o aparecimento de uma peça de literatura oral. Segundo Darnton (1986), autor que faz um percurso histórico referente ao conto e a sua relação com os camponeses, "[...] os contos populares são documentos históricos. Surgiram ao longo de muitos séculos e sofreram diferentes transformações, em diferentes tradições culturais" (p.26). O autor ressalta que uma das transformações ocorridas foi o ocultamento da questão sexual, questão esta que os camponeses tratavam como algo comum entre eles e, portanto, não precisavam de um código secreto para falar a respeito dela. "E por aí vai, do estupro e da sodomia ao incesto e ao canibalismo. Longe de ocultar sua mensagem com símbolos, os contadores de história do século XVIII, na França, retratavam um mundo de brutalidade nua e crua" (1986, p.29). Darnton (1986) situa o contexto histórico em que os camponeses se encontravam, o que justifica alguns elementos dos contos que permaneceram até os dias atuais. Apesar da

23 23 guerra, das epidemias e da fome, a ordem social que existia ao nível das aldeias permaneceu estável, durante o início do período moderno na França. Os camponeses eram relativamente livres, mas não conseguiam escapar de um sistema senhorial que lhes negava terra suficiente para alcançarem a independência econômica e que lhes sugava qualquer excedente produzido. Os homens trabalhavam do amanhecer ao anoitecer, arranhando o solo em faixas pequenas de terra, cortando seu cereal com pequenas foices, a fim de deixar o restolho para a pastagem comunitária. As mulheres casavam-se tarde e tinham no máximo cinco filhos, sendo que destes, apenas dois ou três sobreviviam até a idade adulta. Grandes massas humanas sobreviviam num estado de subnutrição crônica, subsistindo sobretudo com uma papa de pão e água, eventualmente, misturada a algumas verduras domésticas. Comiam carne apenas umas poucas vezes ao ano. Muitas vezes não conseguiam os quilos diários de pão de que necessitavam para se manterem com saúde e então facilmente contraiam doenças. Durante quatro séculos permaneceram aprisionados em instituições rígidas e condições maltusianas 3. Atravessaram um período em que a história permaneceu imóvel. Segundo Darnton, a história parecia imóvel ao nível da aldeia porque o senhorialismo e a economia de subsistência mantinham os aldeões curvados sobre o solo e as técnicas agrícolas primitivas não lhes davam qualquer oportunidade de se desencurvarem. Com isso, os agricultores não conseguiam obter cereais em quantidade suficiente para alimentar grande número de animais e não possuíam gado suficiente para produzir adubo capaz de fertilizar os campos e aumentar a colheita. Não conseguiam progredir, pois os métodos de cultivo coletivo os impediam. Dependiam de terras e florestas comuns, para além dos campos cultivados, para pastagem, lenha e castanhas ou morangos. A única área onde podiam tentar progredir através da iniciativa individual era o galinheiro ou o quintal unido aos lotes de suas casas. Ali, esforçavam-se para levantar montes de adubo, cultivar o linho para fiar e produzir verduras e frangos para o consumo doméstico e mercados locais. A horta do quintal, muitas vezes, proporcionava a margem de sobrevivência para as famílias. Tinham extrema necessidade de terra porque grande parte de sua colheita era destinada a tributos senhoriais, dízimos, impostos... Alguns camponeses mais prósperos agiam fraudulentamente explorando os mais pobres. Estes tomavam empréstimos dos mais ricos, o 3 Referente ao malthusianismo: doutrina de Thomas Robert Malthus, economista inglês ( ). Essa doutrina defendia a restrição da reprodução da espécie humana por motivos de ordem econômica e em defesa da própria humanidade.

24 24 que acarretava no endividamento. A servidão por dívidas, ódio, inveja e conflitos era muito presente entre eles. Ainda de acordo com Darnton, para a maioria dos camponeses, a vida na aldeia era uma luta pela sobrevivência. Isso significava estar acima da linha que separava os pobres dos indigentes. Em tempos de escassez, as famílias pobres necessitavam comprar comida. No entanto, sofriam como consumidores, pois enquanto os preços disparavam os camponeses mais prósperos lucravam. Assim, várias más colheitas podiam levar as famílias pobres a sair das aldeias e a procurar outra tarefa como lavradores, ou então sair pela estrada (aos milhares), o que significava passar o tempo recolhendo restos de comidas. Outros invadiam galinheiros, ordenhavam vacas soltas, roubavam roupas das cercas, dilaceravam seus corpos a fim de passarem por inválidos em locais onde estavam distribuindo esmolas, tornavam-se contrabandistas, prostitutas... E, no final, quando chegavam ao extremo, se entregavam à imundas casas destinadas aos pobres - hôpitaux - ou rastejavam para debaixo de um arbusto ou de um palheiro e morriam. A morte vinha de maneira implacável também para as famílias que permaneciam nas aldeias e se mantinham acima da linha da pobreza. A vida era uma constante luta inesgotável contra a morte em todas as partes da França no início dos tempos modernos. Entre mil bebês, duzentos e trinta e seis morriam antes de completar um ano de vida. Cerca de quarenta e cinco por cento dos franceses nascidos no século XVIII morriam antes da idade de dez anos. Dos que sobreviviam, poucos chegavam até a idade adulta e morriam antes da morte de um dos pais pelo menos. Poucos pais alcançavam o fim de seus anos férteis; morriam antes. Os casamentos duravam em média quinze anos, pois eram terminados não com o divórcio, mas pela morte. Os homens que perdiam suas mulheres, geralmente tornavam a se casar. Com isso, as madrastas proliferavam por toda a parte - muito mais do que os padrastos. "Os filhos postiços podem não ter sido tratados como Cinderela, mas as relações entre irmãos, provavelmente, eram difíceis" (DARNTON, 1986, p. 45). Dessa forma, um novo filho, muitas vezes significava a diferença entre a pobreza e a indigência. Mesmo quando não se sobrecarregava a despensa família, isso poderia significar a penúria para a próxima geração, pois havia o aumento do número de herdeiros da terra. Sempre que a população aumentava, o empobrecimento estabelecia-se. Segundo Darnton, o homem do início da época moderna não entendia a vida como sendo algo que ele poderia controlar. Portanto, a mulher dava à luz quando Deus queria. Muitos filhos morriam ainda durante a amamentação ou durante os primeiros anos de vida.

25 25 Outros eram sufocados por seus pais na cama - um acidente muito comum. Famílias inteiras empilhavam-se em uma ou duas camas e cercavam-se de animais domésticos, para manteremse aquecidos: Assim, as crianças se tornavam observadoras participantes das atividades sexuais de seus pais. Ninguém pensava nelas como criaturas inocentes, nem na própria infância como uma fase diferente da vida, claramente distinta da adolescência, da juventude e da fase adulta por estilos especiais de vestir e de se comportar. As crianças trabalhavam junto com os pais quase imediatamente após começarem a caminhar, e ingressavam na força de trabalho adulta como lavradores, criados e aprendizes, logo que chegavam à adolescência (DARNTON, 1986, p.47). Dessa forma, "os camponeses, no início da França moderna, habitavam um mundo de madrastas e órfãos, de labuta inexorável e interminável, e de emoções brutais, tanto aparentes como reprimidas" (DARNTON, 1986, p.47). Após contextualizar como os camponeses viviam no final do Antigo Regime e meados dos tempos modernos na França, o autor cita alguns contos na intenção de demonstrar o quanto estes diziam do cotidiano, dos desejos, dos medos, das necessidades... enfim, do mundo dos camponeses. Um dos contos utilizados pelo autor é uma versão do "Pequeno Polegar". Este proporciona, segundo Darnton (1986), uma visão do universo maltusiano: 'Era uma vez um lenhador e sua mulher, que tinham sete filhos, todos meninos... Eram muito pobres e seus sete filhos se tornaram um pesado fardo, porque nenhum tinha idade suficiente para se sustentar... Chegou um ano muito difícil e a fome era tão grande que essa pobre gente decidiu livrar-se dos filhos' (p.48). Esta versão de Perrault, escrita em auge da pior crise demográfica do século XVII - mostra o quanto era comum a morte de crianças, no início da França moderna. Segundo Darnton, este foi o período em que a peste e a fome dizimavam a população do norte da França, quando os pobres comiam carniça atiradas nas ruas por curtidores, quando eram encontrados cadáveres com capim na boca e as mães 'expunham' os bebês que não podiam alimentar, para eles adoecerem e morrerem. Abandonando seus filhos na floresta, os pais do Pequeno Polegar tentavam enfrentar um problema que acabrunhou os camponeses muitas vezes, nos séculos XVII e XVIII - o problema da sobrevivência durante um período de desastre demográfico (1986, p.49). De acordo com o autor, o mesmo tema existe em outras versões dos contos camponeses, onde aparecem outras formas de infanticídio e maus tratos infligidos às crianças.

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