UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI RENATO TORQUATO A FUGACIDADE DO CAPITAL RETRATADOS EM WALL STREET I E II

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1 UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI RENATO TORQUATO A FUGACIDADE DO CAPITAL RETRATADOS EM WALL STREET I E II SÃO PAULO 2014

2 2 RENATO TORQUATO A FUGACIDADE DO CAPITAL RETRATADOS EM WALL STREET I E WALL STREET II Dissertação de Mestrado apresentada à Banca Examinadora, como exigência para a obtenção do título de Mestre do Programa de Mestrado em Comunicação, área de concentração em Comunicação Contemporânea da Universidade Anhembi Morumbi, sob a orientação da Profª. Dra. Maria Ignês Carlos Magno SÃO PAULO 2014

3 3 RENATO TORQUATO A FUGACIDADE DO CAPITAL RETRATADOS EM WALL STREET I E II Dissertação de Mestrado apresentada à Banca Examinadora, como exigência para a obtenção do título de Mestre do Programa de Mestrado em Comunicação, área de concentração em Comunicação Contemporânea da Universidade Anhembi Morumbi, sob a orientação da Profª. Dra. Maria Ignês Carlos Magno Aprovado em ----/-----/----- Prof.ª Dra. Maria Ignês Carlos Magno Prof. Dr. Gelson Santana Penha Prof.ª Dra. Tânia Callegaro

4 4 AGRADECIMENTOS O primeiro agradecimento é a Deus, pois para concretizar esse objetivo pessoal em minha vida, foi necessário algo tão simples e tão essencial ao ser humano que é a saúde. A minha esposa Claudete e filhas Priscilla, Cintia e Viviane por me ensinarem que a vida é mais que o momento e pelo apoio perene em todas e quaisquer circunstâncias. Ao meu ex-gestor Marcelo Vasconcelos, o qual viabilizou a possibilidade de realizar meu mestrado e a Alessandra Marota por todo o apoio junto na parte burocrática do mestrado. A Profª. Maria Ignês pelo cuidado e dedicação na orientação do mestrado em todas as etapas, na gentileza de conseguir escutar meus pontos de vista, muitas vezes confusos e transformá-los em algo tão objetivo, qualitativo e direcionado em meus estudos. Ao casal que levo comigo por toda a vida Professores Gelson Santana e Bernadette Lyra pela ampliação de meu olhar para vários outros pontos de vista do cinema e da sociedade em que vivemos, pelo lado humano engrandecedor, pela escuta ativa ao possibilitar me expressar, pelas suas inesquecíveis aulas, pela grandeza de conhecimento e de alma. Obrigado à vida por conhecê-los. Aos Professores Renato Pucci e Sheila Schvarzman pelas tão bem pontuadas questões históricas do cinema e suas transformações até a pós-modernidade. Aos amigos de sempre Augusto Roque, Walter Chiquetto e Marcello Cacavallo como meus grandes incentivadores, apoiadores em todo o período do mestrado e pelas dicas e escuta ativa para os meus desabafos. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. I Timóteo 6:10

5 5 RESUMO A proposta desta pesquisa está na apreciação dos filmes Wall Street I Poder e Cobiça (1987), Wall Street II O Dinheiro Nunca Dorme (2010) e suas relações com as transformações do capital. A ideia central é tratar sobre os efeitos da pósmodernidade, no mercado financeiro e as grandes mudanças que ocorreram na mobilidade do dinheiro, desse capital fugaz, no período aproximado de pouco mais vinte anos, entre os dois filmes. A narrativa dos filmes acontece em um cenário de uma economia já desregulamentada em seu sistema financeiro e realizando seus movimentos de capitais excedentes, cada vez mais intensos, refletindo os efeitos de uma economia globalizada. Busca-se compreender como esses filmes retratam essa riqueza ou perda quase que instantânea conquistada através dos recursos investidos no capital especulativo das bolsas de valores e a intangibilidade desse tipo de capital. A metodologia pautou-se pelo estudo dos dois filmes e pesquisas teóricas que tratam das transformações do capital, procurar associar como os filmes relacionam essas transformações do capital produtivo para o especulativo num espaço de vinte anos e como as sociabilidades na era desse capital especulativo, também foram influenciadas. Os resultados pretendidos nessa pesquisa são o de identificar como os dois filmes retratam esse tipo de capital especulativo e sua presença cada vez mais constante na sociedade pós-moderna. Palavras-Chave: Cinema. Wall Street I e II. Capital. Especulação.

6 6 ABSTRACT The purpose of this research is the examination of the films Wall Street Greed and power I (1987), Wall Street II Money Never Sleeps (2010) and its relations with the transformations of capital. The central idea is to treat the effects of postmodernity, the financial market and the major changes that occurred in the mobility of money, this elusive capital, the approximate period of just over twenty years between the two films. The narrative of the film takes place against a backdrop of an economy already in deregulated its financial system and performing their movements increasingly intense capital surplus, reflecting the effects of a globalized economy. We seek to understand how these films portray that wealth or loss almost instantly conquered by the resources invested in speculative capital from the stock exchanges and the intangibility of such capital. The methodology was guided by the study of both films and theoretical research dealing with transformations of capital, seek to involve how films relate these transformations of productive capital to a speculative space of twenty years and sociability as the speculative capital that was also were influenced. The results of this research are intended to identify how the two films portray this kind of speculative capital and its constant presence in the increasingly postmodern society. Keywords : Movie. Wall Street I and II. Capital. Speculation.

7 7 LISTA DE FIGURAS Figura 1 Pânico dos investidores em frente os portões de Wall Street...19 Figura 2 Os 10 Estados mais envolvidos na crise do subprime...26 Figura 3 - Gordon Gekko...30 Figura 4 - Discurso de Gordon Gekko ao grupo de acionistas da Teldar Paper...31 Figura 5 Escritório de Gordon Gekko...32 Figura 6 Bud Fox na corretora em que trabalha...33 Figura 7 - Bud Fox e seu pai Carl Fox...35 Figura 8 - Cena do bar em que Carl Fox passa a informação ao Bud Fox sobre a Bluestar...36 Figura 9 - Bud Fox no escritório de Gekko passando uma informação privilegiada..37 Figura 10 - O investidor Larry Wildman, Bud Fox e Gordon Gekko...38 Figura 11 - Bretton James e Julie Steinhardt reunião no banco central americano...39 Figura 12 - Jacob Moore e sua mãe...40 Figura 13 Bolhas representadas em Wall Street O Dinheiro Nunca Dorme...41 Figura 14 Jacob Moore e Louis Zabel caminhando no parque...42 Figura 15 - Jacob Moore, Bretton James e Gordon Gekko...43 Figura 16 Gordon Gekko e o medidor de pressão para inibir Bud Fox...44 Figura 17 Gekko tem a informação privilegiada de Bud Fox...45 Figura 18 Jacob Moore e a presença constante da tecnologia...46 Figura 19 - Bud Fox e Gordon Gekko modelo Yuppie dos anos Figura 20 Gekko, Darien Taylor e Bud Fox...49 Figura 21 - Capa da revista Newsweek Magazine de 31/12/ Figura 22 Bud Fox e a decoradora Darien Taylor...51 Figura 23 Bud Fox encontra com seu pai Carl Fox...52

8 8 Figura 24 Larry Wildman oponente de Gekko...55 Figura 25 - Gekko utilizando o primeiro modelo de celular Motorola DynaTAC...56 Figura 26 Celular Motorola Dyna TAC devolvido a Gordon Gekko Figura 27 Jacob Moore e Winnie Gekko no filme Wall Street II Figura 28 A chegada dos celulares e computadores pessoais em Wall Street I...60 Figura 29 - Bretton James em seu escritório Wall Street II...62 Figura 30 Gekko entrega o cheque da primeira operação com Bud...63 Figura 31 Lou Mannheim e Bud Fox na Corretora...64 Figura 32 A polícia dá voz de prisão a Bud Fox...65 Figura 33 Gordon Gekko e sua filha Winnie...68 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 Comportamento dos preços da Tulipa entre 1636 e Gráfico 2 Comportamento do Índice Dow Jones entre 1920 a Gráfico 3 Nasdaq composite history index 1995 through Gráfico 4 Taxa de Desemprego nos Estados Unidos entre 1980 a

9 9 SUMÁRIO INTRODUÇÃO WALL STREET NO CONTEXTO DO CAPITALISMO ESPECULATIVO O uso da Informação Privilegiada O Dinheiro nunca dorme: a Informação está disseminada WALL STREET I E II ESPAÇOS E SOCIABILIDADES NA ERA DO CAPITAL ESPECULATIVO O Espaço Social da Geração Yuppie O Desaparecimento da Distância O Espaço Social do Consumo CONSIDERAÇÕES FINAIS...63 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...71 FILMOGRAFIA...72

10 10 INTRODUÇÃO Ao tratar do assunto capital e sua relação com os filmes Wall Street I Poder e Cobiça (1987) e Wall Street II O Dinheiro Nunca Dorme (2010) há a necessidade de se percorrer um pouco da história, trajetória e transformações desse mesmo capita, pois como diz Leo Huberman em sua obra A História da Riqueza do Homem 1, a ciência triste continuará triste, enquanto ensinada e estudada em um vácuo histórico. Huberman compreende na expressão ciência triste citada em sua obra, a importância de se explicar a história de uma sociedade através do estudo da teoria econômica, possibilitando uma interrelação ou intersecção essencial entre os dois temas: econômico e histórico numa sociedade. Os dois filmes Wall Street I Poder e Cobiça e Wall Street II O Dinheiro Nunca Dorme retratam em sua narrativa essas mudanças econômicas e nas transformações do capital num período de pouco mais de vinte anos entre 1987 a Ao longo da história sempre existiu a riqueza e a pobreza, a fartura e a miséria, os servos e seus senhores, convivendo numa mesma sociedade. Na maior parte da idade média (período compreendido aproximadamente entre os séculos V e XV) a riqueza era então percebida pela quantidade de terras que uma determinada pessoa, família ou entidade possuíam. Com a rápida expansão do comércio na Europa, a partir do século XI, um dos efeitos mais perceptíveis dessa expansão foi o crescimento das cidades. Também a expansão do comércio traz a essas sociedades um novo tipo de riqueza, que não apenas a riqueza em terras. Surge a riqueza em capital, a riqueza em dinheiro onde é definida estruturas do capitalismo, o qual tem o seu início histórico no continente europeu, com as expansões marítimas e o comércio veneziano, surgimento dos bancos e da burguesia, a qual passa a usufruir desse novo tipo de riqueza conquistada através do lucro financeiro do comércio de bens. O dinheiro, conforme citado a seguir por Huberman vai mudando de sentido e criando novas identidades em sua relação com a sociedade: 1 O trecho citado faz parte da clássica obra de Leo Huberman: A História da Riqueza do Homem, datada de julho de 1936, onde o mesmo procura explicar a Economia através do estudo da história.

11 11 Os direitos que mercadores e cidades conquistaram refletem a importância crescente do comércio como fonte de riqueza. E a posição dos mercadores na cidade reflete a importância crescente da riqueza em capital, em contraste, com a riqueza em terras. Nos primórdios do feudalismo, a terra, por si só, constituía a medida da riqueza de um homem. Com a expansão do comércio, surgiu um novo tipo de riqueza a riqueza em dinheiro. (HUBERMAN, 1986 p.35) Nesse período da idade média, os ricos financeiros passam a arrumar formas de dar dinâmica ao dinheiro e começam a emprestar dinheiro para outras pessoas com necessidades do mesmo, só que surge um conflito com a Igreja: cobrar juros sobre um empréstimo realizado em dinheiro era chamado de Usura 2 e pela Igreja Cristã também de Pecado. Jacques Le Goff em sua obra: A bolsa e a vida: a usura na idade média aborda com clareza como se estabelecia um conflito entre o dinheiro e o inferno, a riqueza ou o paraíso e como o lucro e a nova forma do dinheiro foi se incorporando ao novo sistema do capital. O usurário cristão tinha escolhido, dentre os valores terrestres em alta, o mais abominável, mesmo sendo materialmente cada vez mais procurado: o dinheiro. Não faço do usurário cristão uma vítima, mas um culpado que partilha sua culpa com o conjunto da sociedade, que mesmo o desprezando e perseguindo, servia-se dele e partilhava sua sede pelo dinheiro.. (GOFF, 1986 p.35) A Usura também era condenada pelos Governos considerando que a mesma era um dos vícios mais odiosos e detestáveis de uma sociedade. A partir do século XIV surge outro fenômeno no capital: a desvalorização da moeda, que na época significava menor quantidade de ouro e prata nas moedas. Por exemplo, vamos supor que para um dólar, existisse um grama de ouro contido na nota. A desvalorização por parte dos países acontecia da seguinte forma: ao invés de um grama de ouro, reduzia-se para a metade, ou seja, em cada nota de um dólar, a mesma teria apenas ½ grama de ouro. Nesse caso: o valor nominal da moeda continua, porém seu poder de compra era menor pela desvalorização. Esse movimento aumentava a riqueza dos países. As mudanças vão ocorrendo de forma rápida ao final da idade média, próximo ao século XV, sendo a ascensão de uma classe média, principalmente nas grandes cidades, um dos fatos importantes desse período. Essa mesma classe média passa a entrar em conflito com a religião católica dominante, conforme cita Huberman: 2 No século XV chamava-se de usura a prática de cobrar juros de qualquer espécie sem relação com a produção ou mesmo com as possibilidades de produção, pois entendia-se na época que dinheiro não poderia gerar dinheiro.

12 12 Esse novo grupo, a nascente classe média, sentia que havia um obstáculo no caminho do seu desenvolvimento: o ultrapassado sistema feudal. A classe média compreendia que seu progresso estava bloqueado pela Igreja Católica, que era a fortaleza de tal sistema. (HUBERMAN, 2010 p.82) Também nesse período acontece o surgimento das casas bancárias. No ano de 1434, em Florença na Itália, o principado dos Médici, tradicional família de burgueses que comandava Florença. Os banqueiros que emergiram nesse período detinham um recurso escasso (que não era mais uma mercadoria) que é o dinheiro e emprestavam recursos aos mercadores e até aos governos. O capital vai se transformando cada vez mais. Durante o século XV, a cidade de Antuérpia (Bélgica) se torna o centro de toda a atividade comercial e financeira do continente europeu, com a implantação de várias casas bancárias e surgimento das bolsas de valores, possibilitando maior expansão para o capital. A reforma protestante também acontece no século XV onde o capital passa a se acumular rapidamente e há um sentimento de culpa, por seus enriquecidos, quanto à questão dos princípios da vida cristã. Nesse novo movimento do capital, um investidor se tornava acionista de uma empresa, de posse de um título, porém sem participar ou trabalhar na mesma. O recurso vindo desses investidores servia para que a empresa captasse recurso para poder crescer, porém o risco de dar algo errado agora também era compartilhado. A partir desse período o ato de levantar capital não dependeria apenas de uma ou duas pessoas individualmente, mas contando com o apoio de muitos investidores que compravam papéis dessas empresas para que elas, com os recursos obtidos, investissem em empreendimentos de expansão na América, África e Ásia. Com o sucesso inicial da bolsa de valores, até mesmo as expedições de corsários, conseguiam realizar suas viagens com recursos de acionistas investidores. Com essa rápida expansão surge também os primeiros movimentos de especulação financeira. Max Weber, em sua clássica obra A Ética Protestante 3 denomina o capital como espírito estabelecendo que através da ética, poderia se estabelecer uma procura 3 O livro a Ética Protestante de Max Weber foi uma obra escrita no período entre 1904 e 1905 onde o autor investiga as origens do capitalismo convergências entre as ideias religiosas e o comportamento econômico de uma sociedade

13 13 racional pelo ganho econômico. A partir daí vários sinônimos e adjetivos são acrescentados à palavra Capital. Weber comenta: Lembre-se que o dinheiro é de natureza prolífica e geradora. O dinheiro pode gerar dinheiro, e seu produto gerar mais, e assim por diante. Cinco shillings circulando são seis; circulando de novo são sete e três pence e assim por diante, até se tornarem cem libras. Quanto mais dele houver, mais produz a cada aplicação, de modo que seus juros aumentam cada vez mais rapidamente. Aquele que mata uma porca prenhe destrói sua descendência até a milésima geração. Aquele que mata uma coroa destrói tudo aquilo que poderia ter produzido, até muitas libras. (WEBER, 2010 p.16) Conforme Weber, o culto ao capitalismo está destinado à sua própria culpa, principalmente em seu início devido a questão religiosa. Os ensinamentos Calvinistas procuram estabelecer um bom convívio entre o capitalismo e a religião. Nesse período ocorre a possibilidade de convergência entre o capital e religião, sem que o capitalista ficasse com o sentimento de culpa de sua riqueza conquistada. Por que razão a renda com negócios, não pode ser maior do que a renda com a propriedade da terra? De onde vem os lucros do comerciante, senão de sua diligência e indústria. (HUBERMAN, 1986, p.169) Com uma economia no século XVI, já vivendo uma espécie de globalização, os banqueiros criam formas para que as transações entre os países, não sejam pagas mais através de dinheiro físico e sim virtual: criam-se certificados, recibos e letras de câmbio, apenas com os valores transacionados, como citado por Huberman: Se a Inglaterra deve à França 100 mil onças de prata, para o balanço do comércio, se a França deve 100 mil onças à Holanda, e se a Holanda deve 100 mil onças à Inglaterra, essas quantias poderão ser encaminhadas através de letras de câmbio entre os respectivos banqueiros desses três Estados, sem a necessidade de enviar dinheiro a qualquer deles. (HUBERMAN, 1986, p.96) Os primeiros movimentos do que se pode denominar fugacidade do dinheiro, teve como principal centro financeiro Amsterdã na Holanda onde, com o passar do tempo, as transações financeiras passam a superar as próprias transações do comércio. Porém essa expansão traz consigo suas consequências nem sempre positivas. No início do século XVII, em 1602, surge a Bolsa de Valores em Amsterdã, na Holanda, onde o cenário econômico apresentava algo extremamente positivo. As

14 14 ações da Companhia das Índias estavam em alta, gerando nos investidores um clima de euforia e de êxtase. Também ocorre nesse período um crescimento econômico na produção de Tulipas, onde o mercado externo se vislumbrava com esse plantio, o qual tinha padronização, qualidade e identificação de procedência. O sistema financeiro se engendra na produção das Tulipas, criando um mecanismo semelhante ao mercado de ações onde os investidores poderiam comprar títulos de bulbos de Tulipa para vendê-los futuramente na colheita obtendo uma vantagem na valorização, pois o produto estava com os preços em alta. Esse sistema, semelhante ao que podemos chamar atualmente de mercado futuro, durante um período de tempo o investidor teria que esperar que os bulbos florescessem, entre 1636 e colheita no início de Os preços dispararam. Em 3 de fevereiro desse mesmo ano, a bolha estoura. Percebe-se um sistema financeiro em que foram vendidos mais títulos do que a capacidade de produção, boatos de que os compradores não pagariam os preços tão elevados do produto e os contratos não foram honrados, gerando assim um efeito dominó, pois os produtores que tinham recebido o dinheiro não tinham como devolver o retorno aos investidores, pois não havia compradores da produção. O sistema se autodestrói gerando uma perda a milhares de investidores. Gráfico 1: Comportamento dos preços da Tulipa entre 1636 e Fonte: mysmp.com Tal episódio entrou na história econômica até os dias atuais e também é comentado por Gordon Gekko, no filme Wall Street II, onde ele possui uma gravura da Tulipomania e explica o que foi esse fenômeno ao Jacob Moore.

15 15 Weber também utiliza a expressão do capitalismo aventureiro ao comentar que esse formato se expande em toda a sociedade, o comércio do uso do dinheiro e suas oportunidades em exploração de impostos, empréstimos ao Estado e financiamento de guerras zombando de qualquer limitação ética. No lado do capital produtivo também ocorre uma franca expansão. O capital produtivo, na visão de Adam Smith 4, o mesmo associa o capital produtivo à geração de Valor e Utilidade de um bem. Comenta Adam Smith a palavra Valor tem dois significados: às vezes o designa a utilidade de um determinado objeto, e outras vezes, o poder de compra que referido objeto possui, em relação a outras mercadorias. O primeiro pode se chamar Valor de Uso e o segundo Valor de Troca. A coisa que tem mais alto valor de uso, frequentemente, tem pouco ou nenhum valor de troca; vice-versa, o bem que tem o mais alto valor de troca muitas vezes tem pouco ou nenhum valor de uso. (SMITH, 1988 p.35) Adam Smith identifica quatro maneiras para o Capital ser aplicado: 1) para obter produção natural ou bruta da terra, 2) para manufaturar e preparar esta produção bruta da terra, 3) para transportar a produção bruta ou produção manufaturada e 4) para distribuir esses produtos brutos ou manufaturados em pequenas parcelas, de acordo com a demanda local. Porém, com os altos retornos proporcionados pelo capital produtivo e sua revolução industrial começam a trazer então um conflito, até então restrito às mercadorias. O que fazer com toda a produção excedente? Huberman comenta sobre esse conflito. Portanto, o desejo de controlar as fontes de matérias-primas foi um segundo fator do imperialismo. O primeiro sabe o leitor, foi a necessidade de encontrar mercado para os artigos excedentes. Havia um outro excedente, também buscando um mercado adequado e que constitui a terceira e talvez a mais importante causa do imperialismo. Foi o excesso de capital. A indústria monopolista trouxe grandes lucros a seus donos e superlucros. Mais dinheiro do que eles poderiam imaginar. O resultado foi uma superacumulação do Capital. (HUBERMAN, 1986, p.248) O século XVIII também é marcado no continente Europeu com a revolução industrial 5. A Revolução Industrial dá maior força ao capital produtivo, marcando um 4 Adam Smith, em sua obra A Riqueza das Nações é composto por cinco volumes, publicado pela primeira vez em Londres no ano de Os principais temas abordados na obra são referentes a divisão do trabalho, valor, distribuição da renda e a acumulação do capital. 5 A Revolução Industrial teve início no século XVIII, na Inglaterra, com a mecanização dos sistemas de produção. Enquanto na Idade Média o artesanato era a forma de produzir mais utilizada, na Idade Moderna tudo mudou. A burguesia industrial, ávida por maiores lucros, menores custos e produção acelerada, buscou alternativas para

16 16 período de enorme crescimento econômico em detrimento também de um alto custo social, pois as utilizações das máquinas passam a ser o foco central do processo produtivo. Eclodiram várias revoltas contra o sistema fabril: multidões de trabalhadores arremetiam-se contra as máquinas e as instalações das fábricas, destruindo o que julgavam ser a causa de seu sofrimento. (MOTTA, 2008 p.19) Um episódio em destaque pode ser o caso do Esquema Mississipi, elaborado por John Law (MELLO; SPOLADOR, 2012, p ) no começo do século XVIII, onde a emissão de títulos da companhia prometia aos investidores um retorno de 120% nas ações. Essa promessa gerou uma procura frenética dos investidores franceses. Essas ações foram gerando tanta rentabilidade quem foram chamadas na época de milionaire. John Law se tornou o homem mais rico e poderoso no início do século XVIII onde, dentre os seus ativos tinha o Banco Royale, o qual representava o Banco Central da França. Essa bolha estourou quando foi percebida a incapacidade de expansão da empresa, para devolver os recursos produtivos esperados. No século XIX, principalmente com o advento da revolução industrial, o dinheiro também passa a ter o seu capital excedente. Esse capital excedente passou a encontrar refúgio em países mais pobres em seu desenvolvimento e que estavam carentes de infraestrutura. Porém da mesma forma que ocorre o êxtase do capital, também o próprio sistema por ele criado, o faz passar por crises. Percebe-se que o sistema do capital passa a conviver também com crises como crise da moeda, hiperinflação, quebra de bolsa de valores e juntamente com os adjetivos e sinônimos que foram aplicados ao capital, se percebe um capital em crise durante diversas etapas da história. O capital vai passando por crises regulares, em diferentes momentos da história e também diferentes crises em suas formas. A história do capital passa a conviver com termos como especulação, hiperinflação, desvalorização da moeda, desemprego, quebra da bolsa, bolhas e crise. Conforme comenta Pedro C. de Mello: melhorar a produção de mercadorias. Também podemos apontar o crescimento populacional, que trouxe maior demanda de produtos e mercadorias.

17 17 A repetição de crises, nas quais aparecem os mesmos elementos comuns, leva-nos a questionar porque as pessoas não aprenderam com a história. Por que se repetem os episódios de especulação e o drama da insanidade em massa. (MELLO, 2012 p.39) No século XIX e todos os efeitos da modernidade, se observa mais uma grande crise do capital, mais precisamente em 1873, período no qual se vivenciou a mais grave crise após a revolução industrial. Um autor começa e elaborar ensaios sobre o assunto dinheiro. Georg Simmel 6 escreve sobre o Significado do dinheiro para o ritmo da vida (1897), O Papel do dinheiro nas relações entre os sexos (1898), a Filosofia do dinheiro (1900) e Dinheiro e Alimentação (1915). Marx em seus famosos Manuscritos Econômico-Filosóficos denomina o dinheiro como a prostituta universal e que mantém o poder alienado da humanidade. No século XX, com a organização racional do trabalho e surgimento da Administração, surge a teoria do Homo Economicus conceito em que todo ser humano é influenciado por recompensas salariais, econômicas e materiais. É uma relação em que a pessoa procurar obter o melhor ganho possível com o mínimo de esforço. O capital vive nesse período outro período de grande euforia e crise entre 1926 a 1933, conforme podemos verificar no gráfico 1. Entre os anos de 1920 a 1929 ocorreu uma valorização de quase 300% no preço das ações, trazendo um período extremamente saudável para os investidores americanos. O cenário era tão positivo que vários pequenos investidores realizaram empréstimos bancários para, com esse recurso, investir no mercado de ações e ficar com a expectativa de pagar o empréstimo com os juros e ainda ficar com recursos do lucro da operação. 6 Georg Simmel foi um sociólogo alemão ( ) onde dentre todas as suas obras elabora em 1900 a Filosofia do Dinheiro, um dos grandes tratados sociológicos sobre a vida moderna. Em 2009 foi publicado pelo editor português Texto & Grafia, o livro A Psicologia do Dinheiro e outros Ensaios.

18 18 Gráfico 2: Comportamento do Índice Dow Jones entre 1920 a 1932 Em 23/24 de Outubro de 1929 ocorre a grande quebra da Bolsa devido a excessiva valorização do preço das ações gerando pânico na sociedade. Nesse período os acionistas investidores percebem a fugacidade do capital na sua parte mais vil. Os bancos fecham porque estão sem recursos para pagar, os investidores que tinham tomado empréstimos para investir em ações ficaram sem dinheiro, porém agora tinham uma dívida para pagar. Muitas famílias ficam sem suas casas, pois a maior parte dos empréstimos era com garantias hipotecárias e acaba a sensação dessa classe média da época, de sentir-se no mesmo patamar dos homens de classe mais alta. A taxa de desemprego sai de 3% para quase 25% também nesse mesmo período.

19 19 Figura 1 Pânico dos investidores em frente os portões de Wall Street. Fonte: Para combater todo o impacto mundial da crise de 1929 e suas consequências econômicas e sociais foi necessária uma ação mais enérgica do governo americano, através da necessidade de regulamentar o sistema financeiro do país e implantando o plano New Deal, que ocorre entre 1933 a 1937, no governo do presidente Roosevelt, com uma série de medidas para recuperar a economia americana, estimular a produção, o consumo, aumentar o volume de emprego e redistribuir melhor a renda. Dentre as principais medidas constavam o investimento maciço em obras públicas, destruir estoques excedentes para conter a queda de preços e diminuir a jornada de trabalho para gerar mais vagas. Em Julho de 1944 ocorre a conferência de acordo global chamado chamado Bretton Woods, implantando mecanismos e estabelecendo regras para as questões comerciais e financeiras no sistema financeiro. Desse acordo é estabelecido o BIRD (Banco Interamericano de Reconstrução e Desenvolvimento) onde cada país teria que adotar uma política monetária para manter uma taxa de câmbio da moeda local dentro de um determinado valor indexado ao dólar, que também estaria associado ao ouro, numa base fixa de $ 35, dólares por onça troy 7. Essas medidas se tornam necessárias, pois o mundo passa a conviver com os efeitos do capitalismo como citado por (GARBER, 2001) as bolhas integram a intersecção entre finanças, economia e psicologia. As crises econômicas, antes ocorridas em situações pontuais, agora se tornam frequentes diante do novo cenário do capital, principalmente nos séculos XX. Após as consequências das crises 7 Uma onça é uma unidade de medida em massa, com dois valores diferentes. No sistema troy (sistema relativo a metais preciosos) a onça vale 31, gramas.

20 20 econômicas o Estado identificou que as regras mais frouxas para o capital especulativo trazem dentro de si maior concentração de rendas, mais poder dos bancos e maior velocidade na mobilidade do dinheiro com esse destino. As bolhas econômicas, as crises econômicas retratam que aquele capital fugaz, de rápida migração e de difícil compreensão agora também faz seus reféns dentro do sistema do capital especulativo. Abaixo algumas das principais crises econômicas do capital especulativo: : Crise Kipper-und Wipperzeit (crise da moeda) 1637: Inflação da Tulipomania (inflação de preços) : Esquema Mississipi (especulação) 1720: Crise South Sea Bubble (empresa inglesa lançada em bolsa e que vai a falência) 1873: A primeira grande crise na era Industrial (excedentes de estoque) 1907: The Panic of 1907 (primeiro sinal de crise na bolsa de Wall Street) 1929: Crash da Bolsa de Wall Street 1987: Crash na Bolsa de Wall Street (queda de 20% em um único dia em Wall Street) : Crise do México (crise cambial e endividamento) 1997: Crise do Sudeste Asiático (cinco países atingidos pela crise econômica, representado por bolha nos mercados imobiliários e de ações) 1998: Crise da Rússia (ataque especulativo que força a desvalorização do Rublo) 1999: Crise no Brasil (crise fiscal e ataque especulativo contra a moeda Real) : Crise da Bolha das Empresas ponto.com (1ª bolha da internet) 2001: Crise Argentina (descontrole nas finanças públicas) 2008: Crise do Subprime (crise imobiliária nos Estados Unidos) 2010: Crise dos PIIGS Zona do Euro (envolvem Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) Até a década de 70 o capital comprava mão de obra para o seu processo produtivo, ou seja, o controle do capital era estabelecido pela oferta de trabalho. Enquanto a experiência da crise de 29, com o crash da Bolsa de Nova York conhecida também como a Grande Depressão, a década de 70 é marcada pelo fim do regime de Bretton Woods 8 possibilitando assim a volta da flexibilidade aos bancos nas 8 Definido como o sistema Bretton Woods (cidade que fica em New Hampshire) foi implantado em julho de 1944, com 44 nações aliadas, estabelecendo um gerenciamento econômico internacional, para as relações comerciais e financeiras dos países industrializados.

21 21 transações de capital especulativo. Nesse mesmo período, com o fim do acordo, os bancos criam os fundos de investimento com produtos mais complexos e o mercado de derivativos 9. Em 1971, o Governo Nixon, com o fim do acordo de Bretton Woods, atende às pressões do congresso americano. A ruptura desse acordo decreta o fim do padrãoouro (determinação de que a quantidade de dinheiro em circulação deveria ter lastro em ouro) e as moedas dos países tornaram-se muito voláteis. O dinheiro esvazia-se de qualquer necessidade de outro valor que não fosse o puramente auto referencial. O capital nesse novo período não tinha mais a necessidade de ser direcionado ao capital produtivo da economia e sim ao especulativo. Nos anos 80 ocorrem a desregulamentação mais ampla da economia e o próprio fenômeno da globalização possibilitam uma economia mais integrada e uma forma totalmente nova de se relacionar com o capital especulativo. O epicentro do capital especulativo volta a percorrer países em desenvolvimento. Na Inglaterra a primeira-ministra Margareth Thatcher, dirige a economia britânica entre os anos de 1979 a Nos Estados Unidos o Presidente Ronald Reagan governa o país no período de 1981 a Nesse período, mais precisamente em 1987 é que está situado o contexto de Wall Street I Poder e Cobiça dirigido por Oliver Stone. O filme retrata um capital sem fronteiras e sem regulamentação, com termos e novos jargões do mercado financeiro, até então desconhecido para a maioria dos investidores. O filme retrata exatamente um segmento da sociedade que se beneficia dessa política desregulamentada: o mercado financeiro, pois permite o ingresso de forma mais pragmática dos Bancos, como grandes aliados econômicos e parceiros do Estado. A política do Estado é que passa a interferir diretamente na economia, sob a influência do poder dos banqueiros. O excedente que tratamos anteriormente que vinha do capital produtivo e agora também do especulativo, muitas vezes não consegue espaço para se expandir dentro da própria produção. 9 Derivativos são instrumentos financeiros cujo preço de mercado deriva do preço de mercado de um ativo/bem ou outro instrumento financeiro que lhe serve de referência. O instrumento ou produto derivativo é um contrato ou título conversível cujo valor depende integral ou parcialmente do valor de determinado ativo ou de outro instrumento financeiro. Fonte:

22 22 E o capital passa a ser migratório se movendo à busca de novas oportunidades de jorrar esses excedentes. A sociedade começa a viver uma sensação de incerteza, diante dessas direções das economias mundiais. Para que então o sistema financeiro pudesse atuar com maior liberdade os Bancos precisavam de normas mais flexíveis, de maior liberdade para o fluxo de capitais estrangeiros e especulativos e, com isso, ocorre de forma gradual na década de 80 a desregulamentação da economia, selando um termo com o Consenso de Washington em novembro de A desregulamentação econômica dos anos oitenta e devidamente homologada na Convenção de Washington (conjunto de dez medidas econômicas, formulada em Novembro de 1989 nos EUA) permitiu ao setor financeiro criar mecanismos e inovações financeiras para alavancar mais rapidamente o capital especulativo, onde se ganha dinheiro apostando e jogando com esse próprio dinheiro. Dentre as dez medidas uma se referia a desregulamentação com o afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas. Os investimentos do capital especulativo acham nessa época um período e ambiente propícios para sua expansão, como explicado por Jameson: Agora esse capital livremente flutuante, em sua busca frenética por investimentos mais rentáveis começará viver sua vida em um novo contexto, não mais nas fábricas e nos espaços de extração e produção, mas no solo do mercado de ações. (JAMESON, 1998 p.229) O capital especulativo cada vez mais se intensifica e se torna um capital migratório, que passa de mãos (ou simplesmente de máquinas) rapidamente, sem sequer que os envolvidos se conheçam. Os anos 90 traz a era da expansão da internet, com a chegada de navegadores como Netscape Navigator 10 e posteriormente a Internet Explorer. Com o avanço dos computadores pessoais e chegada da internet a expansão de usuários é exponencial, numa velocidade extremamente rápida. A NASDAQ 11 também expande o número de empresas de tecnologia, que agora abrem o capital para a bolsa de valores e captando 10 A Netscape Communications é uma empresa de serviços de computadores nos EUA, fundada em 4/abril/1994 por Marc Andreessen e James H. Clark. É mais conhecida pelo seu pioneirismo como navegador na web. Quando era uma empresa independente, a sua sede foi em Mountain View, Califórnia. 11 NASDAQ Stock Market ou simplesmente NASDAQ (acrônimo de National Association of Securities Dealers Automated Quotations; em português, "Associação Nacional de Corretores de Títulos de Cotações Automáticas") é um mercado de ações automatizado norte-americano1 onde estão listadas mais de 2800 ações de diferentes empresas, em sua maioria de pequena e média capitalização.

23 23 milhares de investidores, devido o lançamento de várias empresas ponto.com. O capital especulativo, agora livre e sem regulamentação encontra abrigo agora nas empresas ponto.com que traziam consigo um perfil diferente das empresas convencionais da Bolsa de Nova York. As empresas ponto.com recebiam investimentos e aportes com base em análise potencial de negócio da mesma e não pelo seu valor contábil ou financeiro efetivo. O risco desse novo formato era de se superestimar uma empresa ou mesmo subestimá-la devido a falta de análises financeiras mais precisas para tomada de decisão. Com os efeitos da acelerada expansão, o índice da Nasdaq dispara no final dos anos 90 e atinge um patamar próximo a pontos no início do século XXI. Após esse período podemos perceber os novos efeitos da desregulamentação econômica, surge uma nova bolha. Os preços das ações de tecnologia estavam supervalorizados e no final dos anos 90 ocorre a bolha da internet. Num período de alta elevação e que atingiu o seu ápice em 10 de março de 2000 totalizando 5.132,52 pontos, algumas empresas viram um fracasso ao apresentar seus resultados e prejuízos contábeis. Conforme HARVEY (2011) nos últimos trinta anos boa parte dos investimentos não foram destinados à produção, mas para ativos e valorização desses ativos mais intangíveis com, por exemplo, empresas na área de tecnologia. Identifica-se no gráfico da Nasdaq como os preços dos ativos de empresas na área de tecnologia tem uma rápida ascensão de preços e depois muitas cotações desabam, levando a crise muitos investidores.

24 24 Gráfico 3 Nasdaq composite history index 1995 through 2009 No final do século XX, com o a chegada da Internet, o dinheiro passa a ficar virtualizado em suas transações, transcendendo agora puramente questões locais para ambientes totalmente globalizados e que passam a não depender dos Bancos. Um dos pioneiros nessa virtualização e que não tem nenhuma origem bancária é Elon Musk que cria em 1998 o ZIP2 como meio de se transacionar dinheiro através de compras pela internet, de forma totalmente segura. Posteriormente também surge o PayPal 12. O dinheiro físico que antes só tinha uma função se for transformado em produtos de consumo e aquisição de bens, no século XXI fica totalmente virtualizado e não tem mais a necessidade de ser transformado em nada. O dinheiro utilizado na forma de investimentos, onde um investidor aplica esses recursos para obter um retorno maior dos recursos investidos. Dentro desse mercado, a ênfase desta pesquisa é o mercado de capitais especulativo e sua fugacidade, que proporciona aos seus participantes ganhos ou perdas mais rápidas. 12 é um sistema que permite a transferência de dinheiro entre indivíduos ou negociantes usando um endereço de , assim, evitando métodos tradicionais como cheques e boleto bancário. A empresa que criou e rege tal sistema situa-se em São José na Califórnia. O PayPal foi criado por Peter Thiel e Max Levchin, em 1998, para atender a necessidade de alguns usuários de efetuarem pagamentos via PDAs, que rapidamente se popularizou. Em pouco tempo se tornou a grande inovação com relação a pagamentos on-line.

25 25 No século XXI praticamente o capital transformado está em nada passam a conviver com moedas virtuais em que não há regulamentação, um banco central que coordene ou mesmo um endereço sede que o identifique. Dentre algumas moedas virtuais, a era digital passa a transitar pela internet uma moeda digital chamada Bitcoin 13. Desenvolvido mais precisamente em 04 de fevereiro de 2009, essa moeda não há um presidente que a comande ou mesmo uma sede, pois os bitcoins são controlados por computadores conectados a internet, ou seja, é totalmente descentralizado e não depende de nenhuma empresa ou banco central de um país para controlá-lo. Conforme dados do site em junho de 2014 a soma de todos os bitcoins existentes no mercado totalizam seis bilhões de dólares e os estabelecimentos que o aceitam podem ser identificados no mapa Em 2008 acontece uma das bolhas financeiras mais impressionantes crises mundiais, a qual vira um estudo mundial. Governos, banqueiros, capitalistas, investidores, imprensa, sociólogos, a sociedade e o cinema passam a compreender ou tentar compreender como ocorreu essa crise de 2008 e como ela proporcionou tantas sequelas em todas as esferas sociais. Harvey comenta: Novos mercados estranhos surgiram, liderados pelo que se tornou conhecido como sistema de banco às escuras, permitindo o investimento em trocas de crédito, derivativos de moeda e assim por diante. O mercado de futuros abarcou tudo desde o comércio de direitos de poluição até apostas sobre o tempo. De quase nada em 1990, esses mercados cresceram e passaram a circular aproximadamente 250 trilhões de dólares em 2005 (a produção total mundial foi então de apenas 45 trilhões de dólares) e talvez algo como 600 trilhões de dólares em (HARVEY, 2011, p.26) É perceptível nesse relato, que praticamente o capital especulativo atingiu o equivalente a doze planetas de capital produtivo. Com a ampla expansão do crédito americano e das hipotecas, os primeiros sinais de bolha aconteceram em 2006, nas cidades de Cleveland e Detroit, pois começa a inadimplência nas carteiras de hipoteca e por consequência um elevado número de despejos. Nesse período pouca atenção 13 O bitcoin é transferido de ponto a ponto, de uma carteira virtual para outra, sem passar por nenhuma instituição financeira, como bancos ou bandeiras de cartão de crédito. Dessa forma, o sistema de pagamento não é regulado por nenhum governo ou sistema financeiro. Para garantir a privacidade das transações, os pontos da troca, ou seja, quem transfere e quem recebe as moedas, permanecem anônimos, mas a ida de bitcoins de um ponto a outro é registrado e permanece público. Fonte:

26 26 foi dada pela maioria dos analistas e pela mídia, por serem regiões de pessoas de mais baixa renda. A percepção de alguma bolha só começa a chamar a atenção, quando essa mesma crise atinge a classe média americana como Arizona, Nevada, Flórida e Califórnia. Harvey comenta que em 2007 praticamente dois milhões de pessoas haviam perdido suas casas. Na escala do poder e da riqueza, enquanto milhões de pessoas tiveram suas poupanças e economias dizimadas e poucos se beneficiaram de tamanha catástrofe e esses poucos ficaram ainda mais ricos e mais fortalecidos. Na figura 2 nota-se o impacto dos estados que foram afetados em 2008, mais fortemente, pela bolha da crise hipotecária americana. Figura 2: Os 10 Estados mais envolvidos na crise do subprime: Fonte (acessado em 02/08/14) É nesse contexto, de pouco mais de vinte anos, entre 1987 e 2010, num ambiente econômico em que o dinheiro já é ficcional, especulativo e fugaz no mercado financeiro, que é realizada a pesquisa sobre os filmes Wall Street I Poder e Cobiça (1987) e Wall Street II O Dinheiro Nunca Dorme (1987) ambos sob a direção de Oliver Stone. Os filmes narram esse cenário da transformação do capital, que ocorrem na economia americana, duas crises econômicas sendo uma delas em 1987 (Crash da

27 27 Bolsa de Nova York) e 2008 (Crise do Subprime ou Hipotecária), a chegada intensa da tecnologia, das riquezas obtidas através da especulação e perdas instantâneas do mesmo, os espaços sociais da explosão do consumo de uma classe média ascendente, da geração yuppie 14, das bolhas econômicas, dos termos desconhecidos de operações financeiras e do endividamento da sociedade que essa pesquisa se fundamenta. Nos capítulos seguintes é discutida a narrativa dos dois filmes Wall Street I Poder e Cobiça (1987) e Wall Street II O Dinheiro Nunca Dorme (2010) e suas relações com os momentos econômicos que, principalmente a sociedade americana estava vivendo, entre o final dos anos oitenta e início do século XXI e como o dinheiro é tratado cada vez mais, de forma tão fugaz, vil, veloz e intangível no mercado financeiro, ou também chamado, mercado de capitais. Nas considerações finais é discutido o contexto dos filmes nas transformações do capital, no período de pouco mais de vinte anos e como os mesmos mostram também as mudanças ocorridas na fugacidade do capital especulativo. Um capital transformado que também possibilitou uma transformação nas sociabilidades, na relação da sociedade com o dinheiro, sua fugacidade pois alguns o tratam com desprezo, alguns como o senhor de suas vidas, alguns trocam uma expectativa futura dele para o consumo imediato no presente, alguns acumulam muito dele como se fosse durar para a eternidade, uma grande maioria não tem muito acesso a ele, pois é mal distribuído ao longo da história e cada vez ficou mais concentrado, mais intangível, mais efêmero, mais cobiçado e numa espiral evolutiva parece que ele não tem fim, pois os que não tem o dinheiro sonham com ele, os que o tem demais querem ainda mais e nisso o dinheiro vai transitando por todos os meios e em alguns casos se transformam em bolhas, pois aparecem de repente, tomam forma e simplesmente desaparecem. No filme Wall Street II O Dinheiro Nunca Dorme, Gordon Gekko é convidado para dar uma palestra a um grupo de universitários. Desde sua saída da prisão a imprensa procura Gordon Gekko para conceder entrevistas e também lança um livro. Mesmo tendo sido preso por fraude, mesmo tendo saído da mídia durante aquele período da prisão, o filme deixa claro que ele ainda é um mito, parece que as pessoas 14 Em inglês, no original: Young, Urban, Professional, cujas iniciais Y.U.P. formam a designação do Yuppie.

28 28 que sonham com o dinheiro veem no Gekko uma pessoa que lhes direciona para esse caminho, o caminho da fugacidade do dinheiro. Trechos a seguir, do discurso que Gordon Gekko faz a um grupo de universitários logo após sua prisão expressam todas essas transformações do capital citadas anteriormente: Alguém me lembrou um dia desses que eu disse que a ganância é boa. Agora parece que está legalizada. Mas pessoal, é a ganância que faz o meu garçom comprar três casas que não pode pagar, sem dar nada de entrada. É a ganância que faz os seus pais refinanciarem a casa de 200 mil por 250 mil e então pegar esses 50 mil a mais para fazer compras. Compram uma TV de Plasma, celulares, computadores, um carro esportivo e por que não uma segunda casa? Afinal sabemos que os preços dos imóveis dos Estados Unidos sempre sobem não é? Enquanto estive preso, parece que a cobiça ficou mais gulosa e juntou-se a ela um pouco de inveja. Os especuladores levavam pra casa U$ 50, U$ 100 milhões por ano. Agora ele começa a alavancar suas participações até 40, 50 para um, com o seu dinheiro. Não o dele, o de vocês, porque ele tem esse poder. No ano passado, senhoras e senhores, quarenta por cento de todo o lucro empresarial americano, veio de serviços financeiros. Não da produção, nem de nada remotamente ligado às necessidades do povo. A verdade é que somos parte do fracasso. Bancos, consumidores, estamos movendo o dinheiro em círculos. Pegamos um dólar, o enchemos de anabolizantes e chamamos isso de alavancagem. Talvez tenha ficado preso por muito tempo, mas às vezes, é só na cadeia que se mantém a sanidade. Olhamos por entre as barras e perguntamos: Ei! Estão todos loucos aí fora? É claro como água para quem presta atenção. A mãe de todos os males é a especulação, dívida alavancada, resultado líquido e empréstimos a perder de vista. Sinto muito dizer isto a vocês, mas esse é um modelo de trabalho falido. Não vai dar certo. É sistêmico, maligno e global, como um câncer. É uma doença e temos de atacá-la. WALL Street Poder e Cobiça. Direção de Oliver Stone. Produção de Fox Films (133 min.), DVD, son., color. Legendado.

29 29 2. WALL STREET I E II NO CONTEXTO DO CAPITALISMO ESPECULATIVO O filme Wall Street I Poder e Cobiça (1987) mostra um mundo, no lançamento do filme ao público, não muito familiar para a maioria da sociedade do mercado de ações, seja por desconhecimento ou mesmo por temor de todas as crises citadas na introdução e que afetaram uma boa parte da sociedade no século XX. O Wall Street I traz o personagem do especulador e como o uso da informação privilegiada se tornava um diferencial para um ganho mais imediato de capital, para o investidor com esse perfil. A especulação se torna uma constante na narrativa do filme, o uso de informação privilegiada para obter ganhos rápidos, personagens que ficam milionários com os ganhos obtidos desse mecanismo, a fugacidade do dinheiro e a velocidade do mesmo, com a chegada da tecnologia e que retratam as mudanças em uma economia agora desregulamentada e globalizada dos anos 80. Conforme comenta MELLO (2012, p.55) o especulador em sua origem é uma pessoa que tem a capacidade de enxergar situações de longo prazo, extrair conclusões, voltar ao presente e desenvolver estratégias de atuação. No mercado financeiro essa conotação tem tomado formas cada vez mais negativas na figura do especulador, como aquele que obtém seus ganhos de forma não lícita. O especulador normalmente, devido os altos investimentos que possui no mercado, consegue maior poder de concentração nas carteiras e com isso pode influir no preço dos papéis tanto no aspecto positivo como negativo. A especulação faz parte, merecidamente ou não, da área cinzenta das finanças. O mesmo acontece com o risco financeiro exacerbado, tal como existiu no recente período pré-crise de Alguns especuladores ganham muito dinheiro são efetivamente poucos enquanto a grande maioria sofre perdas e desiste desse ofício (MELLO, 2012, p.71)

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