XI Reunião da RedPOP TRABALHO MODALIDADE ORAL ÁREA: JORNALISMO CIENTÍFICO DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E TV UNIVERSITÁRIA: EXPERIÊNCIAS DA TV UNICAMP

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1 XI Reunião da RedPOP TRABALHO MODALIDADE ORAL ÁREA: JORNALISMO CIENTÍFICO DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E TV UNIVERSITÁRIA: EXPERIÊNCIAS DA TV UNICAMP MORETTI, Luiza H. A.B. mestranda em Divulgação Científica e Cultural pelo Labjor/Unicamp e jornalista da TV Unicamp. São Paulo, Brasil. Resumo O presente trabalho tem o intuito de apresentar as atividades desenvolvidas pela TV Unicamp (Universidade Estadual de Campinas Brasil) no âmbito de divulgação de ciência, assim como debater conceitos que permeiam esse segmento jornalístico, a relação cientista-jornalista e os inúmeros desafios a serem superados. Por definir-se como emissora educativa, cultural e informativa, preocupada com a elevação intelectual do público telespectador e o amadurecimento da sua noção de cidadania, a TV Unicamp deve superar dificuldades e afirmar-se como um instrumento de extensão universitária e divulgação de ciência, levando à sociedade o conhecimento e os questionamentos que a universidade produz. Palavras-chave: TV universitária, divulgação científica, mídia. A TV Unicamp no contexto de divulgação científica Dezenas de instituições de ensino superior, de todo o país, se lançam no desafio da comunicação audiovisual eletrônica desde meados dos anos 1990, para fazer com que o conhecimento científico gerado na academia chegue ao público de forma eficiente. A TV Unicamp, juntamente com a TV PUC- Campinas e TV Unip (SP), integra o Canal Universitário Campinas, instituído no Brasil pela lei federal ("Lei da TV a Cabo"), de 6 de janeiro de Trata-se de um serviço de interesse público, disponibilizado gratuitamente pelas operadoras de TV paga, para o uso compartilhado das universidades sediadas na região. Cada uma das instituições integrantes possui o mesmo tempo na grade de programação (quatro horas diárias) e autonomia para distribuir em seus horários os programas que julgar mais adequados ao público telespectador. A TV Unicamp, existente desde 2004, define-se com educativa, cultural e informativa, preocupada com a elevação intelectual do público telespectador e o amadurecimento da sua noção de cidadania. Procura afirmar-se como um instrumento de extensão universitária, levando à sociedade o conhecimento e os questionamentos que a universidade produz. Sua programação consiste em debates, entrevistas, documentários e revistas jornalísticas de interesse geral, sempre tendo por eixo central assuntos

2 típicos de investigação acadêmica e a presença constante de professores, pesquisadores, administradores escolares e estudantes. Teses acadêmicas de mestrado, doutorado ou pós-doutorado, pesquisas em andamento, projetos de ação social ou comunitária, perfis de professores e personalidades culturais, são os conteúdos veiculados pela TV Unicamp. Entre os programas que compõem a grade regular de programação, podemos citar: Repórter Unicamp Realizado desde 2005 e com média de trinta minutos de duração o programa apresenta uma série de reportagens que tem como diferencial o aprofundamento de temas relacionados à universidade e à comunidade em geral. As mesmas pesquisas e trabalhos realizados pela comunidade acadêmica divulgados pela Assessoria de Comunicação da Unicamp e grande imprensa encontram no formato da reportagem televisiva com linguagem acessível ao telespectador. Palavras Cruzadas Caracteriza-se pelo debate no estúdio que envolve três convidados de diferentes áreas de conhecimento e um jornalista em torno de um tema na área científico-tecnológica, de amplitude nacional. Com periodicidade quinzenal, o programa já discutiu assuntos tão diversos como a eutanásia e a transposição do rio São Francisco. Fóruns Permanentes Por meio de um projeto institucional da universidade é possível abordar temas ligados à ciência e tecnologia em todas as áreas do conhecimento. O programa "Fóruns Permanentes" documenta o evento homônimo realizado semanalmente na Unicamp, numa iniciativa conjunta da Coordenadoria Geral da Universidade (CGU) e da Coordenadoria de Relações Institucionais e Internacionais (CORI). Acontece no Campus Boletins semanais que mostram a realização de eventos científicos e institucionais como forma de registrar as discussões, simpósios e encontros promovidos por Institutos e unidades da Unicamp. Especiais Os Especiais reúnem tanto documentários que nascem a partir de estudos científicos, como programas que levam ao telespectador trabalhos desenvolvidos por grupos de resgate da memória e cidadania. Destaques para Aventura dos Sentidos, realizado a partir de uma dissertação de mestrado relacionada à questão do esporte adaptado para deficientes visuais, Inclusão Digital com iniciativas e estudos sobre a ampliação do acesso à Internet e suas possibilidades, vencedor como melhor reportagem de televisão do I Prêmio 3M de Jornalismo, e Aventura dos Sentidos, com o registro de pesquisas sobre acessibilidade de portadores de necessidades especiais. Linguagem e Público

3 Desde sua criação, um dos principais desafios das TVs universitárias é a identificação do público telespectador, para que possam, a partir daí, criar, produzir e veicular programas adequados a ele e, conseqüentemente,atender, mesmo que parcialmente, aos objetivos das instituições mantenedoras. Gabriel Priolli (1998), afirma: Vários elementos definem uma programação de televisão, mas sobretudo o público a que se destina. Essa é uma discussão que temos que travar mais profundamente: a que público se destina um canal universitário? É para um público interno, o estudante e o professor, ou é para o público externo?. Na perspectiva dos dirigentes das instituições de ensino, o público telespectador da TV Unicamp é, prioritariamente, a própria comunidade universitária, que envolve alunos, professores, pesquisadores. Entretanto, por ser uma televisão veiculada por cabo para Campinas, a programação é direcionada considerando um público abrangente que inclui os assinantes, além da hospedagem de todos os programas no site da TV Unicamp, em multimídia, podendo ter, inclusive, alcance mundial. Assim, faz-se necessário identificar claramente esse telespectador. Nesse contexto, falamos para o próprio segmento, ou seja, para o mundo universitário e às pessoas interessadas sobre esse universo (Priolli, 1998). PENA (2006) defende que o preparo do jornalista para lidar com a linguagem científica começa na universidade, através dos veículos universitários jornal, rádio, TV e internet. É lá que uma harmonia entre pesquisadores e comunicadores começa a ser trabalhada. Tanto um como o outro passa a saber como funciona a atividade de ambos. Jornalistas são preparados a reportar ciência ao grande público e cientistas são incentivados a simplificar a linguagem. Para falar num meio como a TV, por exemplo, o pouco espaço incentiva o pesquisador a passar suas idéias de forma simples e concisa, sendo que este exercício, praticado constantemente, pode até mudar a linguagem hermética da comunidade científica que passaria a escrever suas pesquisas com uma linguagem mais simples. "(...) Jornais, sites e rádio têm importância vital nesse processo de simplificação da linguagem acadêmica. Mas talvez seja a televisão universitária o grande veículo para a concretização desse objetivo. Cientistas e professores seriam obrigados a uma autotradução, pois a estética do meio não permite a divagação hermética. De tanto traduzir a si próprios, quem sabe eles não simplificariam a própria linguagem e passariam a produzir textos mais acessíveis? É sabido que a linguagem oral influencia diretamente a escrita. Entretanto, a proposta não é colocar professoras em uma televisão universitária, mas também alunos e funcionários, produzindo programas culturais e, principalmente, interessantes para o grande público" (PENA, 2006, p ). A partir da análise do público e dos programas produzidos na TV em questão, é possível evidenciar diversas formas de linguagem utilizadas no processo de divulgação científica. Por contemplar a expressão do pensamento da universidade, a TV privilegia gêneros mais discursivos de linguagem, como debates em estúdio, entrevistas de longa duração e palestras. Entretanto, é possível observar outras linguagens presentes, como a do documentário e reportagens. Agregar conhecimento, compreensão do que é dito, e informação de qualidade com reflexão são os objetivos que se pretende alcançar.

4 Diferentemente da televisão comercial em que o tempo da reportagem e do debate é subordinado à grade de programação, os formatos se modificam na experiência da TV Universitária. O discurso verbal, mais do que imagético, se destaca, de modo geral, também por faltar à TV recursos financeiros para investir em formas mais sofisticadas de produção. As edições são marcadas por entrevistas menos editadas, as vozes de uma mesma reportagem podem ser discordantes, não há o objetivo de formar opinião, mas estabelecer perguntas e apontar novos caminhos para o jornalismo audiovisual. As pesquisas realizadas na universidade, nas diferentes áreas, pautam o trabalho da reportagem que procura sempre uma maneira acessível de tratar o tema para o público em geral. O diálogo com o cientista, antes, durante e após a realização dos programas procura minimizar superficialidades e equívocos na abordagem dos temas. Desafios e possíveis soluções A partir de estudos e análise da produção da TV Unicamp nesses quase quatro anos de existência, portanto objeto de estudo recente, importantes iniciativas em divulgação científica podem ser constatadas. Entretanto, é possível apontar desafios e propostas para o veículo. O primeiro deles está no diálogo entre os atores desse processo de comunicação, isto é, cientistas e jornalistas. A comunidade científica deve fornecer informações qualificadas para o jornalista que, agindo com responsabilidade, torna-se mediador da relação com a sociedade em geral. O objetivo é uma relação mais produtiva entre esses atores, já que ainda hoje muitos cientistas acham que o jornalista não entende o tema que divulga, assim como, muitas vezes, o comunicador desiste de procurar fontes diretas de informação (CASTELFRANCHI, 2007). Nesse sentido, a identificação do público telespectador configura-se em mais um desafio, que vai de encontro com a responsabilidade cidadã e social da TV universitária, como praticante do jornalismo científico. Daí a importância de uma programação dinâmica e de qualidade, para que possa atingir não apenas a comunidade acadêmica, mas o público assinante do canal a cabo em geral, além do público internauta que pode ter acesso aos programas pelo site. Conforme Lima (2003), Essa modalidade de TV apresenta a possibilidade de aproximar a realidade acadêmica daquela vivenciada pela sociedade, podendo atuar na contramão das grandes redes, que divulgam a produção acadêmica de maneira superficial e, muitas vezes, como ingrediente do espetáculo televisivo. Dessa forma, há uma clara sinalização no sentido da democratização do fazer televisivo, porém, é preciso reconhecer, trata-se de uma modalidade de acesso restrito. A TV Unicamp, e de modo geral a TV pública no Brasil, carece de profissionais qualificados e recursos financeiros para lograr a qualidade sugerida acima, embora avanços significativos possam ser apontados em seu discurso de divulgação científica. Obstáculos também estão presentes nas questões burocráticas de uma universidade pública. Os projetos de televisão são, indiscutivelmente, penalizados por exigências incompatíveis com as suas necessidades.

5 De modo geral, entre as TVs universitárias, no plano conceitual, amadurece progressivamente a idéia de que elas são muito mais do que estudantis. Trata-se da expressão audiovisual de sua comunidade, de suas atividades e de seus projetos. O intuito é dar estabilidade e continuidade aos projetos existentes, e que a TV possa oferecer experimentação, criação de formatos, padrões e conhecimento. No plano político, pode-se citar a agregação da TV Unicamp à Associação Brasileira de Televisão Universitária, com vistas à discussão de problemas comuns, à troca de experiências e ao intercâmbio de programação. A ABTU hoje congrega 21 instituições e trabalha para implantar o projeto da RITU- Rede de Intercâmbio de Televisão Universitária, central nacional de distribuição de programas universitários. Referências bibliográficas CASTELFRANCHI, Yurij. JOLY, Carlos. VIOLA, Eduardo. NOBRE, Carlos. Acervo RTV UNICAMP. Fórum Permanente Extra Mudanças Climáticas e Mídia. Gravação em 18 de junho de 2007 HOHLFELDT, A., MARTINO, L. C. e outros (orgs.) Teorias da Comunicação. Petrópolis: Vozes, LIMA, Vilma. CNU: A TV Universitária no mercado televisivo paulistano. In Núcleo de Comunicação Audiovisual, XXVI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Belo Horizonte (MG), PENA, Felipe. "Imprensa universitária e jornalismo científico". In: Teoria do Jornalismo, São Paulo: Contexto, P PRIOLLI, G. Diretrizes e características de programação: Integração com a Comunidade. IN De CARLY, A. M. S. e TRENTIN, A. N. A TV da Universidade. Caxias do Sul: UCS, MELO, José Marques de. Quando a ciência é notícia. São Paulo, SP: ECA/USP, apud GUIMARÃES, Eduardo (Org.). Produção e Circulação de conhecimento. Campinas, SP. Pontes Editores, 2003.

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