Férias e viagens Roteiros que farão seu coração bater mais forte

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1 em destaque PUBLICAÇÃO BIMESTRAL DA SOCIEDADE DE CARDIOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO ANO VII N 0 6 NOVEMBRO/DEZEMBRO 2012 Férias e viagens ROMA Roteiros que farão seu coração bater mais forte BARCELONA LISBOA As novidades sobre o Congresso 2013 Exame Cremesp mostra falhas da formação médica FLORENÇA SOCESP em campanha para incentivar a adoção de hábitos saudáveis

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3 ÍNDICE 4 Congresso Exame Cremesp 7 Entrevista Renato Azevedo 8 Atualização 9 Sua Carreira 10 Turismo 12 Inglês para médicos 13 Gestão pública 14 Multidisciplinar 16 Pesquisa 17 Campanha hábitos saudáveis 18 Surpreenda-se 19 Regionais 20 Perguntas e respostas Um brinde à cardiologia Cardiologista de São Paulo, mais uma vez encontramo-nos às vésperas do Natal e de outra virada de ano. Nesta época, é corriqueiro olhar para trás, fazer um balanço das realizações, das pendências e traçar metas para os novos tempos. Na SOCESP não é muito diferente, aproveitamos o período para ver onde acertamos ou erramos, preparando-nos para o próximo ano. Dois mil e doze foi relevante pelas inúmeras conquistas que obtivemos, realizamos um congresso de elevada qualidade, tivemos intensa participação nas lutas pela valorização dos médicos e, em particular, dos cardiologistas, promovemos dezenas de encontros científicos de alto nível e abrimos cada dia mais nossas portas à participação de todos. A SOCESP é sua, é do cardiologista que trabalha a seu lado, é nossa, enfim, é de todos os especialistas do estado. Portanto, ao ver o quanto caminhamos e os avanços de nosso primeiro ano de mandato, sinto-me satisfeito; mas com a satisfação do compromisso honrado. Esse, aliás, é o sentimento de toda a diretoria. Temos uma sociedade democrática, transparente, bem administrada, com qualidade científica, bons produtos, serviços e o mais importante: com respeito aos associados seus únicos donos. É lógico, porém, que sempre podemos fazer mais e melhor. É com essa mentalidade que já trabalhamos 2013 bem antes de ele bater às nossas portas. Nosso mais tradicional encontro científico, o Congresso SOCESP, já está com a organização adiantada e cheio de boas surpresas. Você verá nas próximas páginas. Também já começamos a traçar junto com as entidades estaduais uma estratégia de luta para melhorar as remunerações dos procedimentos em Planejamos um movimento coeso, forte, para exigir dos planos de saúde respeito e dignidade. O mesmo vale para a saúde pública, área em que também devemos ganhar melhor e receber incentivos. Garanto a você que pode esperar muito mais trabalho de nós no ano novo que vem aí. E aproveito essas últimas linhas de minha mensagem para desejar a você, aos amigos e familiares um feliz Natal e um 2013 de várias realizações. Obrigado. Carlos Magalhães, Presidente da SOCESP editorial 3

4 socesp em foco Congresso 2013: um investim Mais uma edição do Congresso SOCESP se aproxima e, isso, com certeza, é motivo de festa e orgulho para todos os cardiologistas. Além do compromisso de qualidade, o XXXIV Congresso SOCESP trará, em 2013, inúmeras novidades em termos de conforto, formato, atrações científicas e atividades teórico-práticas. Marcado para os dias 30, 31 de maio e 1 0 de junho, no espaço Transamérica Expo Center, o encontro reunirá autoridades em cardiologia de todo o mundo, discutindo e interagindo em torno do mote Ampliando os horizontes na prevenção cardiovascular. Já nas próximas edições do SOCESP em Destaque, apresentaremos os convidados especiais confirmados. Atrações como simpósios, mesas-redondas, fóruns e sessões reformuladas de hands on também estão agendadas. Para o presidente da SOCESP, Carlos Magalhães, o XXXIV Congresso é uma oportunidade única de atualização, imprescindível ao médico cardiologista. Conclamo os colegas a aproveitarem nosso encontro científico, pois, hoje em dia, o acesso à informação se torna cada vez mais difícil, por causa O Congresso SOCESP está sendo preparado de forma a surpreender os visitantes das atribulações da vida pessoal e das exigências da prática diária. As chances de atualização são minimizadas por falta de tempo, mas, participar de um congresso de prestigio e de excelência, como o da SOCESP, é um investimento na valorização e desenvolvimento profissional, o que agrega demasiado valor a nossos currículos. INTERAÇÃO Um dos destaques para o próximo congresso será o Fórum de Prevenção Cardiovascular, que irá propor mudanças nas condutas relacionadas aos fatores de risco. O Fórum tem entre seus organizadores Ieda Jatene e Mauricio Wajngarten e contará com a presença de convidados ligados à área médica e à política. Carlos Magalhães ressalta a importância de abrir espaço para a participação de pessoas de outras áreas além da cardiologia e coloca a medida como um avanço que pode repercutir em grandes mudanças. Trazer pessoas ligadas à política para participar da discussão pode auxiliar na implementação da saúde pública; em fatores relevantes como a merenda servida nas escolas. Queremos ocasionar impacto diferente, propondo modificações amplas e abrangentes. Outro ponto forte do congresso será a interação direta do congressista com os palestrantes e professores. Uma ferramenta também permitirá medir a eficácia da informação veiculada. Carlos Magalhães pondera que a preocupação está em saber como anda o aproveitamento do cardiologista em relação aos temas em discussão. HANDS ON Os laboratórios de interatividade médica, atração trazida para o país pela primeira vez em 2012, pela SOCESP, também ganharão novos diferenciais. Vale frisar que esse módulo de treinamento prático foi uma das atrações da 33 a edição e promete se consolidar definitivamente em Aliás, com base na boa aceitação no congresso anterior, novas sessões de Hands on serão criadas, visando atender a demanda e as expectativas dos cardiologistas de todo o país. CIENTÍFICO Sempre aguardado no mundo médico pela qualidade de sua programação científica, o Congresso SOCESP está sendo preparado de forma a surpreender os visitantes. Segundo sua presidente, Ieda Jatene, a proposta é englobar aspectos mais modernos da cardiologia, com foco na utili- 4

5 ento para o seu futuro zação na prática clínica, permitindo a reciclagem em diferentes áreas. Algumas formas de atuação serão abordadas de modo mais pontual como, por exemplo, hipertensão arterial, cardiopatia congênita, doença coronariana, doença valvar, aspectos da cirurgia hemodinâmica, cateterismo, angioplastia e imagem em cardiologia. A ideia é tratar esses assuntos de forma a abranger a todos, e não somente o cirurgião ou quem faz cateterismo. Queremos mostrar o que de prático se pode usar nesse tipo de procedimento, como o clínico pode se beneficiar dessas informações e assim por diante. Carlos Magalhães comenta que o encontro busca oferecer informações que contribuam para a formação e para a atualização de seus especialistas. E o impacto que a SOCESP ocasiona é justamente por realizar essa tarefa do modo mais satisfatório possível. Uma de nossas principais preocupações é que o programa científico seja rico e que vá ao encontro das expectativas dos congressistas. TEMAS LIVRES As inscrições para os trabalhos de temas livres e para os pôsteres já estão abertas. No ano passado, foram mais de inscritos, um recorde que deve ser batido agora. Para a próxima edição, os trabalhos serão selecionados de acordo com uma comissão julgadora formada por profissionais de diferentes áreas de atuação. Também ganhará destaque a área de exposição dos pôsteres. De acordo com Miguel Moretti, coordenador da comissão executiva do congresso, o espaço terá maior visibilidade, de modo que o acesso às informações seja democratizado. Carlos Magalhães ressalta que os temas livres e pôsteres apresentados no congresso são fruto de pesquisas e estudos desenvolvidos em grandes centros de cardiologia, por profissionais de excelência e, portanto, merecem luzes e aplausos. A área dos pôsteres foi valorizada, melhorando o acesso às informações para que possam ser prestigiados, analisados e discutidos de maneira adequada. Haverá, ainda, premiação em dinheiro para as diferentes categorias. Os interessados em participar devem inscrever seus trabalhos, impreterivelmente, até o dia 27 de janeiro, por intermédio do portal da SOCESP. DIFERENCIAIS Haverá muitos outros diferenciais no congresso Primeiro exemplo: foi criada uma Comissão Social, coordenada por Isabel Regina Kaufmann Moreira, que já iniciou seus trabalhos. Nas próximas edições, teremos novidades bem interessantes. Será uma boa chance de desfrutar de atrações culturais e sociais de nível e prazerosas. Uma área de exposição com produtos, principais lançamentos em aparelhos e estudos, novas medicações e outras surpresas das empresas parceiras estará à disposição dos congressistas, com excelente mobilidade e conforto. Enfim, é uma oportunidade de entrar em contato com especialistas, laboratórios e indústrias que contribuirão para sua formação e atualização como cardiologista. Tudo isso, em apenas três dias. Portanto, garanta já sua inscrição e comece 2013 com a certeza de já ter feito um grande investimento, com retorno 100% garantido. 5

6 formação Mais da metade dos recém-formados em medicina em São Paulo são reprovados no exame obrigatório O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) realizou pela primeira vez, em 11 de novembro de 2012, o Exame do Cremesp obrigatório a todos os formandos em medicina. Entre participantes, formados em escolas médicas do Estado de São Paulo, 54,5% foram reprovados no Exame do Cremesp, pois acertaram menos de 60% da prova, ou seja, menos de 71 das 120 questões (Quadro 1). O Exame contou com a presença de egressos das 28 escolas médicas paulistas que funcionam há mais de seis anos. Desses, 114 tiveram suas provas invalidadas. No total, recém-formados se inscreveram no Exame do Cremesp. Desses, 71 (2,5%) não compareceram. Dos presentes, 119 (4,2%) tiveram suas provas invalidadas (114 de São Paulo e 5 de outros estados) sendo que 86 boicotaram o exame, assinalando letra b em todas as questões, e 33 apresentaram provas com outros padrões de respostas inconsistentes. As provas invalidadas não foram consideradas na apuração dos resultados. Também compareceram ao exame recémformados de 51 diferentes cursos de medicina de Osmar Bustos outros estados (347, do total de presentes). Como irão se registrar no Cremesp e atuar no Estado de São Paulo, eles também fizeram a prova. O objetivo principal do exame obrigatório do Cremesp é avaliar o ensino médico no Estado de São Paulo. Por isso, para alguns resultados, não foram considerados os participantes formados em outros estados. A prova contou com 120 questões objetivas de múltipla escolha que abrangem problemas comuns da prática médica, de diagnóstico, tratamento e outras situações, em nove áreas básicas: clínica médica, clínica cirúrgica, pediatria, ginecologia, obstetrícia, saúde mental, epidemiologia, ciências básicas e bioética. A nota de corte utilizada pelo Cremesp é 6, ou seja, para aprovação, o participante deve acertar pelo menos 72 questões. O exame foi aplicado pela Fundação Carlos Chagas. DESEMPENHO No resultado do Exame do Cremesp de 2012, de acordo com a natureza das escolas médicas, considerando provas válidas, verificou-se que a média (percentual de acertos da prova) foi maior entre os cursos de medicina públicos (63,74 % de acertos), quando comparados com os participantes oriundos de instituições privadas (54,38 % de acertos). ENCAMINHAMENTOS As notas individuais serão encaminhadas confidencialmente a cada participante. As escolas médicas terão um relatório pormenorizado de desempenho de seus alunos por área do conhecimento, preservando a identidade dos formandos. Também receberão relatório sobre o Exame do Cremesp os ministérios da Educação e da Saúde, o Conselho Federal de Medicina, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Fonte: Cremesp PARTICIPANTES APROVADOS E REPROVADOS NO EXAME DO CREMESP 2012* Participantes Número** Aprovados Reprovados % reprovação Formados em Escolas Médicas do Estado de São Paulo ,5% * Não foram considerados os participantes formados em escolas médicas fora de São Paulo ** Provas válidas 6

7 O parecer do presidente do Cremesp O cardiologista Renato Azevedo fala dos problemas do ensino médico OBRIGATORIEDADE A iniciativa de tornar obrigatória a participação em um exame de final de curso, realizado pelo próprio Cremesp, foi tomada em decorrência da queda acentuada na qualidade do ensino médico. Exames opcionais realizados pelo conselho nos últimos sete anos revelaram que quase metade dos graduandos sai das escolas despreparada, sem as mínimas condições de exercer a medicina. NÚMEROS Desde 2005, o Cremesp realiza o exame de forma opcional para alunos de escolas médicas paulistas. A participação na prova era voluntária e o resultado não tinha interferência na inscrição junto ao Cremesp. O que vimos é que quase metade dos graduandos prestes a se iniciar no mercado de trabalho se revelou mal preparada para exercer a profissão. Dos estudantes que participaram do exame do Cremesp entre 2005 e 2011, 46,7% foram reprovados. Ao longo desses sete anos, somente cerca de 15% dos formandos fizeram o exame. Esse número é representativo, porém insuficiente para um diagnóstico global do universo dos graduandos. Ao torná-lo obrigatório, o exame se estabelece como ferramenta fundamental do papel fiscalizador do Cremesp previsto por lei. Ele não será impeditivo do exercício da profissão, mas tornará transparentes as deficiências e os méritos dos cursos e de seus alunos. CONFIDENCIALIDADE Os resultados individuais e as notas obtidas serão confidenciais, revelados única e exclusivamente ao participante, e farão parte, juntamente com a prova, dos demais documentos que compõem o prontuário do médico. O Cremesp assume o compromisso com o sigilo e confidencialidade desses resultados. PROBLEMA A iniciativa de tornar o exame obrigatório busca evitar uma queda ainda maior na qualidade do ensino provocada pela abertura indiscriminada de novas escolas no país. O Brasil tem hoje 197 cursos, só perdendo para a Índia, que tem população seis vezes maior. O governo anunciou, em 2012, a intenção de criar outras vagas de medicina no Brasil, como forma de suprir uma suposta carência de médicos. Tal medida foi criticada pelas entidades médicas. Muitos cursos passaram a funcionar com currículos inadequados às necessidades de saúde da população, com turmas numerosas e corpo docente insuficiente e sem qualificação. Muitos têm ausência de hospital-escola, aprovação automática e não garantem vagas na residência médica para os formandos. Defendemos a instituição de um Exame Nacional de Habilitação, que depende de aprovação de lei pelo Congresso Nacional. OBJETIVOS O objetivo do exame é avaliar o ensino médico e promover mudanças positivas na graduação de medicina. A má-formação gera evidente prejuízo na qualidade da assistência médica, com sérios riscos à saúde e à vida da população. Além disso, a falta de preparo do jovem médico que entra no mercado de trabalho pode levá-lo a responder denúncias e processos e prejudicar sua reputação profissional. Portanto, melhorando a qualidade do ensino médico, todos saem ganhando. A má-formação gera evidente prejuízo na qualidade da assistência médica, com sérios riscos à saúde e à vida da população" 7

8 atualização COMO TRATAR A HIPERTENSÃO SISTÓLICA DO IDOSO SEM EFEITOS COLATERAIS? Carolina Giusti Buzo, Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo FMUSP, Neuza Helena Moreira Lopes, Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo FMUSP e Grupo Fleury e Humberto Pierri, Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo FMUSP. Hipertensão arterial sistólica isolada é definida quando os valores da pressão sistólica estão acima de 140 mmhg e da diastólica abaixo de 90 mmhg. É uma condição muito frequente no mundo todo acometendo principalmente os idosos. Neste grupo, ela é comum e apresenta-se como fator de risco para acidente vascular encefálico e eventos cardiovasculares importantes. Resultados do estudo HYVET (Hypertension in the Very Elderly Trial) mostraram redução de morte por AVE em 45% e por insuficiência cardíaca em 72% nos pacientes acima de 80 anos tratados adequadamente (N Engl J Med 2008; 358: ). Por seu caráter multifatorial e, frequentemente, estar associada a outras comorbidades a única forma de evitar efeitos colaterais relacionados ao tratamento se dá através do diagnóstico preciso com adequada anamnese e exame físico completo, incluindo-se aferição dos níveis pressóricos deitado, sentado e em posição ortostática, três minutos após assumir esta postura. Em idosos, peculiaridades relacionadas ao processo de envelhecimento arterial podem levar a resultados distorcidos das medidas pressóricas encontradas, sendo a MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial) e a MRPA (monitorização residencial da pressão arterial) opções válidas para o diagnóstico, quando necessário. Avaliações complementares da função renal, tireoidiana e cardiológica auxiliarão na busca de mudanças comportamentais e de medicações mais adequadas para cada paciente, sem prejuízo dos órgãos nobres. Além disso, a avaliação do risco cardiovascular destes pacientes irá nortear as metas de pressão arterial a serem alcançadas. Medidas não farmacológicas podem auxiliar no uso de um menor número de drogas anti-hipertensivas e menor incidência de efeitos colaterais (Age and Aging 2003; 32: ). Entre elas podemos citar orientações já estabelecidas na literatura como perda de peso, alimentação DASH, atividade física e interrupção do tabagismo (Arq Bras Cardiol 2010; 95(1 supl.1): 1-51) e desestimular a automedicação, que pode levar ao uso de drogas antagônicas ou alterar sua concentração plasmática. Seguindo orientações que valem para todas as idades, devemos associar o menor número de drogas e iniciar o tratamento com baixas doses para facilitar a adesão e evitar um dos principais efeitos colaterais no idoso, que é a hipotensão. Outros efeitos específicos devem ser questionados em todas as consultas, como tonturas e hipotensão ortostática (diuréticos e bloqueadores alfa-adrenérgicos), tosse seca (IECAs), cefaleia e taquicardia (vasodilatadores), edema de membros inferiores (antagonistas do canal de cálcio) etc. Ademais, devemos ficar atentos à adesão às orientações. O tratamento anti-hipertensivo no idoso e seus benefícios estão bem definidos. Seu planejamento deve ser criterioso e individualizado, com o objetivo de atingir as metas tensionais de maneira gradual, reduzindo a morbimortalidade da doença e melhorando a qualidade de vida desta população. 8

9 Leitos ociosos em São Paulo José Luiz Portella Engenheiro, ex-secretário estadual e municipal em São Paulo, comentarista/ articulista da rádio CBN, Rede TV e Folha.com sua carreira Ao contrário do que se possa imaginar, há vários leitos hospitalares ociosos em São Paulo. Frequentemente nos deparamos com imagens na mídia mostrando hospitais superlotados, macas pelos corredores, gente esperando uma vaga. É verdade, naqueles hospitais destacados. Porém, se olharmos o universo todo, não é assim. Um estudo feito pela Secretaria de Saúde do Estado, denominado "Rede hospitalar no Estado de São Paulo: mapear para regular", mostra o quadro completo. Foi feito exatamente para possibilitar uma racionalidade maior na área. Ou seja, organizado, o sistema hospitalar proporcionará vagas com mais rapidez do que a construção de novos hospitais. Segundo o trabalho, dos 105 hospitais-gerais e especializados do SUS-SP e de ensino na Grande São Paulo, existem 18 com 50 leitos ou menos; 31 com variação entre 51 e 150 leitos; 56 com mais de 150 leitos e 16 hospitais de ensino. Naqueles com 50 leitos ou menos, há só 48,23% de taxa de ocupação. Ou seja, 51,77% de ociosidade. Temos 63,61% de ocupação nos hospitais que têm entre 51 e 150 leitos; 69,75% naqueles com mais de 151 leitos e 73,31% de ocupação nos hospitais de ensino. Ou seja, há muita vaga não utilizada. Segundo o estudo, "as baixas taxas de ocupação encontradas indicam que os hospitais do SUS-SP, igualmente aos demais de outros estados do Brasil, podem ampliar a oferta de leitos à comunidade. Isto é, a quantidade de leitos existentes na estrutura é suficiente para atender às demandas, desde que ocorra uma revisão e afinação dos parâmetros para o atendimento da população e dimensionamento de leitos totais, por especialidades...". Surpresa geral. Todo mundo, pelo que vê e ouve, crê que faltam vagas. No estudo, entre as sugestões para aperfeiçoar o sistema, temos de: modificar os pequenos hospitais para atendimento a outras necessidades de saúde. integrar melhor os recursos de atenção básica com rede hospitalar nas regiões. aperfeiçoar o transporte de pacientes. Essa sugestão de aperfeiçoamento do transporte significa que, se comprarmos veículos para mobilizar pacientes e distribuí-los eficientemente pelo sistema, teremos resultados mais imediatos do que construir prédios novos. Isso é mais eficaz. Não quer dizer que novos hospitais não sejam necessários, mas a demanda por eles será bem menor do que se apregoa, se cuidarmos das vagas ociosas existentes. E bem mais barata. O problema de São Paulo, muitas vezes, é que não se conhece o problema com a profundidade devida. E se cria uma solução-clichê baseada no que se vê (ou ouve dizer) e não no que de fato ocorre. É mais fácil aparecer com uma obra nova do que manter com qualidade aquilo que já se tem. A solução dos problemas da cidade é mais conceitual e estrutural do que quantitativa; do que sair fazendo X isso, Y aquilo, inúmeras unidades daquilo outro. É ter um plano que olhe o todo e junte as partes. Que saiba usar o orçamento sem desperdícios e, cada vez mais, uma solução metropolitana. Ter um sistema de governo da região metropolitana fica mais fácil. Texto publicado na Folha.com 9

10 turismo Para curtir a Europa em alto-astral As festas de fim de ano e as férias já bateram às nossas portas. É hora de tirar o pé do acelerador, ao menos por uns dias, e recarregar as baterias para construir um 2013 cheio de oportunidades e conquistas. Se você já trabalha com essa possibilidade, mas ainda não definiu seu destino, o SOCESP em Destaque traz boas dicas de viagens. Caso já esteja com rumo acertado, guarde as sugestões para uma próxima. Vale destacar que os roteiros vêm de quem entende do assunto. São indicações de Adalberto Canto, proprietário da Solfesta Turismo que, desde 1955, planeja passeios bem interessantes para seus clientes e amigos, e também do site LISBOA Com dúvidas a respeito de por onde começar a visita à cidade das Sete Colinas? Uma boa dica é ir até o Castelo de São Jorge. Com localização privilegiada, permite ao visitante ter uma visão completa da cidade a seus pés. Aproveite e conheça também o bairro de Alfama, aos pés do Castelo. É um dos mais famosos e tradicionais da cidade, abrigando ruas e estreitas vielas em labirinto, escadarias que se perdem entre prédios antigos, balcões, residências, restaurantes e casas de fado, que garantem a magia do lugar. Outro monumento que não pode ficar de fora LISBOA do roteiro é a Torre de Belém. Situada à oeste do centro é um dos marcos mais importantes de Lisboa. Se a intenção é fazer compras, não deixe de visitar a Rua Augusta, localizada no centro da cidade, o principal ponto de comércio de Lisboa. Na mesma rua fica o famoso Elevador de Santa Justa, a estrutura metálica inaugurada em 1901, que permite ao visitante apreciar uma excelente vista. O elevador de Santa Justa também dá acesso ao Bairro do Alto, região com mais de 200 restaurantes de comida típica, que dão ao visitante a oportunidade de desfrutar diversas iguarias da culinária portuguesa. Não é difícil se orientar em Lisboa, os bondes elétricos, como opção ao excelente transporte público, são atrativo à parte. BARCELONA Arquitetura, clima, povo, comida, festas e transporte inigualáveis. Talvez seja por isso que Barcelona é a morada dos sonhos para muitos. É uma cidade deslumbrante, onde é possível caminhar com prazer pelas ruas repletas de parques, jardins, monumentos e prédios de beleza inquestionável. Quem vai a Barcelona não pode deixar de conhecer um dos cartões postais da cidade: Las Ramblas. A avenida com 1,2 km de extensão abriga diversos restaurantes e bares com mesas na calçada, quiosques de sorvetes, waffles, souvenirs, flores, animais e criativas estátuas vivas. Também é preciso ir a localidades como o Barrio Gótico, formado por estreitas ruelas medievais e becos tortuosos, repleto de construções antigas de atmosfera de mistério. Se a intenção é apreciar uma vista completa da cidade, experimente um passeio no Teleferic de Montjuic. A subida, realizada em duas etapas, conduz o visitante até o alto da montanha, onde fica a Fortaleza de Montjuic, construída em 1640, e que atualmente abriga um museu da história espanhola. Com um pouco de paciência, é possível co- 10

11 nhecer a igreja Sagrada Família, com o início da construção datada em O templo é um dos marcos da cidade. À oeste da Sagrada Família fica o bairro de Eixample, concentração de prédios em estilo modernista. Para os mais interessados no tema, uma boa opção é percorrer a rota do modernismo, roteiro que contempla os principais ícones arquitetônicos do estilo. ROMA Uma cidade lindíssima, com trânsito proporcionalmente caótico e um povo alegre e expansivo. Mitologia e história pura constituem Roma. As ruínas da antiguidade, por si sós, satisfazem os anseios de qualquer visitante. Elas formam praticamente uma cidade dentro da cidade, em uma região tombada, que ocupa boa parte do centro. Fórum Romano, Arco de Setimus Severus, Cúria, Casa das Vestais, Templo de Castor e Pollux, Arco de Titus, Palatino, Arco de Constantino, Templo de Vênus e de Roma, Mercado de Trajano, Fórum de Augustus, Templo de Fortuna Virilis, Porta Maggiore e Circus Maximus são apenas alguns dos marcos arquitetônicos que deixam qualquer turista com vontade de retornar no tempo para prestigiar o esplendor da cidade em seu apogeu. Mas, de todos os lugares históricos, o mais conhecido é, sem dúvida, o Coliseu. Com o início de sua construção datada do ano 72, o prédio, com paredes de 60 metros de altura, concentra beleza e simbologia. Outra visita obrigatória é ao Vaticano. Os religiosos mais fervorosos se darão por satisfeitos com a bênção papal, mas também é preciso dar a devida atenção a construções como a Basílica, o Museu e a famosa Capela Sistina, onde se pode apreciar as extraordinárias pinturas de Michelangelo. Para os visitantes que desejam garantir o retorno a este paraíso, é recomendada a visita à Fontana di Trevi, a mais famosa fonte de Roma. Reza FLORENÇA BARCELONA a lenda que, aquele que jogar nela uma moedinha, assegura sua volta à cidade eterna. Além dos prazeres contemplativos, ainda é possível saborear um delicioso almoço. Em volta da fonte estão concentrados alguns restaurantes com bons preços, onde você se pode experimentar os delírios da culinária romana. O vinho da casa é uma ótima sugestão. FLORENÇA Reconhecida mundialmente pela enorme concentração de obras de arte, Florença reúne, como em poucos lugares, obras, trabalhos, esculturas, pinturas e afrescos executados por alguns dos maiores gênios que a humanidade já conheceu. Entre os principais atrativos artísticos estão obras como O Nascimento de Vênus, de Botticelli; Vênus de Urbino, de Ticiano e a Sagrada Família, de Michelangelo. Outro destaque é a igreja Santa Croce, que guarda 276 sepulturas de nomes imortais das artes, como Michelangelo, Ghiberti, Machiavelli, Dante e Galileu. Caminhar por lá se assemelha a um passeio por um museu a céu aberto, como símbolo da cidade. É possível mencionar três das construções do arquiteto Brunelleschi: Duomo, Campanile e Battistero, e que projetam em suas estruturas muito do que é Florença. Os visitantes de Florença também poderão contemplar de perto a estátua de David, a genial obra de Michelangelo, localizada no Museo dell Accademia, fundado em 1784 por Leopoldo de Lorena. A culinária é outro dos destaques; os visitantes podem se deleitar passando pelas trattorias Acqua Cotta, Via dei Pilastri 51, ou então, na Belle Donne, via delle Belle Donne 16, que estão entre as mais conhecidas. No quesito doces, os fiorentinos não deixam a desejar: La Boutique del Cioccolato, Via Maragliano 12, dispõe de tortas, doces e pralines, além de verdadeiras obras de arte na forma de instrumentos musicais, animais e pessoas, todas feitas em chocolate. A Pasticceria Luca, Via Lazzerini 2, vencedora do campeonato italiano de artesãos de chocolate, é visita obrigatória. 11

12 serviços Ricky Silveira Mello Silveira.Mello Comunicações e Eventos Traduções e versões, revisão de Medical Papers, aulas de conversação e estrutura gramatical, tradução de teses Mobile: (11) Dear readers, It s nice to be here with you again. Hope you enjoy the vocabulary I have selected for you. United Health a maior empresa de planos de saúde dos Estados Unidos ConEd - Consolidated Edison Company companhia de fornecimento de energia elétrica da cidade de Nova Iorque. Equivalente à nossa Eletropaulo, em São Paulo, a ConEd serve Nova Iorque há mais de 180 anos. Time period amount (ou waiting period) carência, tempo de espera To ooze pus purgar Nimble ágil, ligeiro Inglês para MÉDICOS To drool babar-se Disarray desorganizar, confundir, transtornar Inauguration address discurso de posse Ballots cédulas para votação Pools, ballot boxes urnas Electoral college colégio eleitoral Blunder tolice, mancada, erro estúpido Busted flagra Perks regalias, vantagens, benefícios dados pelas companhias, como celulares, gasolina, etc. Puddle poça d água Wind gusts rajadas de vento Check clearing compensação de cheques Chegamos mais uma vez ao final de outro ano. Agradeço a todos a atenção que dedicaram lendo a nossa coluna. Espero que a seleção de palavras que fizemos durante este ano todo tenha ajudado a enriquecer vossos vocabulários. Desejo a todos the Best in 2013 and Merry Xmas Cordially yours, Ricky Hit me with any comments and suggestions or just to say hello at

13 Gestão defi ciente e a morosidade da Justiça A morosidade da Justiça no Brasil, que prejudica os indivíduos, as famílias e as empresas, parece constituir-se em realidade já assimilada pela sociedade, como se fosse algo insolúvel. Obviamente, não devemos nos resignar à situação, pois ela contrasta com os objetivos de desenvolvimento e é um dos fatores que reduzem a competitividade da economia. A boa notícia é que, apesar da complexidade do sistema, as soluções podem estar ao alcance de um eficaz processo de gestão. Os magistrados, por mais brilhantes e letrados nas matérias legais, de direito, filosofia e humanidades, não primam pela capacidade de administração. Nem mesmo as melhores faculdades de direito do país enfatizam essa disciplina. Por isso, talvez a desejada reforma do Judiciário devesse começar com um choque de gestão, sob a responsabilidade de profissionais especializados. As estatísticas justificam isso, a começar pelos recursos humanos. Conforme a mais recente edição do relatório Justiça em Números, o Brasil tinha magistrados em 2010, 3% a mais do que em São 8,7 para cada cem mil habitantes. Aí, já estamos diante de uma primeira questão relevante: ou se aumenta muito a produtividade ou se multiplica o número de juízes. Apenas como referência, informações da Comissão Europeia para Eficiência da Justiça (CEPEJ) mostram que em 29 nações do Velho Continente a média é de 18 por cem mil. Será possível melhorar a produtividade de modo tão agudo? Vejamos: no tocante ao número de casos novos por magistrado, segundo aquela publicação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), observou-se, em 2010, redução de 7% em relação a 2009, decorrente tanto da queda dos processos quanto do aumento do número de juízes. Ou seja, aumentou-se o número de profissionais, mas se reduziu a produtividade per capita. O relatório também demonstra um imenso déficit no que diz respeito aos processos a serem julgados. Somente em 2010, entraram na Justiça (Estadual, Federal e do Trabalho) 24,2 milhões de casos novos, que se somaram a 59,2 milhões pendentes e a 25,3 milhões de processos baixados. Naquele ano, pasmem, proferiram-se apenas 22,1 mil sentenças. Restaram 86,5 milhões de processos à espera de julgamento. Especialistas explicam que duas medidas seriam importantes para a melhoria da produtividade: valorização das sentenças de primeira instância, pois isso daria muito mais velocidade aos processos e propiciaria apreciável economia de recursos; e a chamada desmaterialização dos arquivos, com sua conversão em mídias digitais, facilitando a leitura, os acessos e os trâmites. Há, ainda, uma série de questões doutrinárias e constitucionais que não nos cabe avaliar. Finalmente, há que se considerar que, em 2010, as despesas do Judiciário somaram R$ 41,04 bilhões, contra receitas de R$ 17,58 bilhões. Nada que um bom contador não possa equacionar... Bom humor à parte, as dimensões do problema corroboram a tese da profissionalização da gestão, deixando aos magistrados a decisiva missão de julgar e fazer prevalecer a justiça, condição essencial para a consistência da democracia e a perpetuação do Estado de Direito. Antoninho Marmo Trevisan Presidente da Trevisan Escola de Negócios e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) da Presidência da República gestão pública 13

14 multidisciplinar Carina Pirró Alves Guimarães, psicóloga com formação em Advanced Training Course in Rational Emotive & Cognitive Behavior Therapy Catrec Albert Ellis Institute, de Nova Iorque, EUA, especialista em psicologia clínica e hospitalar em cardiologia pelo Instituto do Coração do HCFMUSP, e em medicina comportamental pela Unifesp Terapia Cognitivo-Comportamental e Cardiologia Não é preciso muito tempo de prática clínica para perceber que os pacientes reagem de forma diferente às doenças, tratamentos ou hospitalizações. Características de personalidade, circunstâncias sociais e a própria natureza da patologia e de seu tratamento são variáveis responsáveis pela modulação da resposta emocional. Ainda hoje, o coração é comumente designado como o centro das emoções e sentimentos. Depositário das lembranças boas ou ruins, moradia para os amores e as desilusões, é metaforizado nos discursos daqueles que amam ou sofrem, vivem ou morrem. Neste universo de significados, as cardiopatias recebem as designações daquilo que se encontra no imaginário humano, e passam a ser não mais somente uma doença de conceituação fisiológica, mas igualmente emocional e social. Assim, cuidar de um paciente cardiopata requer não somente o conhecimento das especificidades de cada patologia cardíaca, mas o significado pessoal e subjetivo que foram despertados em quem as vivencia. A teoria cognitivo-comportamental considera o pensamento o principal componente envolvido no sofrimento humano. Parte do pressuposto de que o indivíduo interpreta todas as experiências de sua vida e, a partir do significado que lhes confere, constrói a visão sobre si mesmo, sobre o mundo e o futuro. Baseados neste modelo, podemos dizer, então, que a realidade para o paciente cardiopata é aquilo que ele percebe. E são essas percepções que mediarão seus sentimentos e comportamentos. Um dos grandes desafios nos consultórios médicos é a questão da não adesão ao tratamento. A hipertensão arterial sistêmica (HAS), por exemplo, constitui um dos principais fatores de risco para o aparecimento das doenças cardíacas. Ainda assim, cerca de 50% dos pacientes hipertensos não aderem ao tratamento. Os fatores que determinam esse comportamento não são conhecidos em sua totalidade. Mas a investigação dos construtos psíquicos poderia nos conduzir a um melhor entendimento e a uma estratégia mais personalizada de ação. Alguns componentes psicossociais identificados no estilo de vida que são fatores de risco para a hipertensão, tais como obesidade, consumo excessivo de sódio, álcool e o sedentarismo, requerem que o paciente adote modificações em sua rotina. Costumo me lembrar de um texto de Rubem Alves, que diz que comer tijolo faz mal à saúde, no entanto, não há médico que combata esse pernicioso hábito. Falam do perigo do torresmo, das picanhas engorduradas, das frituras, do açúcar... Mas sobre a ingestão de tijolos o silêncio é total. O autor termina com a célebre conclusão: A proibição aparece somente no lugar onde mora o desejo. Neste sentido, nenhuma estratégia de gerenciamento de doenças que não aborde a subjetividade do paciente será suficiente para modificar o comportamento humano. Não dá mais para acreditar que seguindo os protocolos convencionais de tratamentos teremos controle sobre a doença. Nenhum desses protocolos considera que o paciente é o nosso maior desafio. A terapia cognitivo-comportamental inicia o tratamento pelo paciente, e não pela doença, buscando entender a doença segundo o doente. O que representa para ele ter determinado mal, quais informações tem sobre seu diagnóstico, quais são suas fantasias sobre esse tema, bem como suas estratégias de enfrentamento. No processo de psicoterapia, essas crenças pessoais são testadas com relação à suas consequências dentro de contextos específicos e o paciente tem a oportunidade de refletir sobre a funcionalidade de seu modo de pensar e agir para sua vida. O intuito é ajudar na reestruturação do modo de pensar, de forma breve e focal, direcionada para a aquisição de estratégias de enfrentamento mais compatíveis com o autocuidado necessário no manejo das doenças. Ainda que a psicologia e a medicina tentem, de forma cartesiana, cuidar de seus pacientes, cada qual com o seu conhecimento, sabe-se que essa estratégia está prioritariamente em benefício das lutas de ego, e não da realidade das ciências e necessidades humanas. 14

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16 pesquisa Os benefícios da cirurgia para o tratamento de problemas coronarianos em pacientes diabéticos Dados sobre a saúde dos brasileiros apontam que dos 12 mil pacientes diabéticos no país, cerca de 9 mil, ou 75%, desenvolverão problemas cardíacos em algum momento da vida. O número parece alarmante, ainda mais se levarmos em consideração que boa parte deverá ser submetida a uma intervenção invasiva no coração. Nesses casos, a responsabilidade do médico é aumentada, e no momento da cirurgia pode surgir dúvida a respeito do método a adotar. Até então, não havia estudos científicos que auxiliassem o profissional nessa decisão, mas recente pesquisa multicêntrica acaba de apontar um caminho. O estudo Future Revascularization Evaluation in Patients with Diabetes Melitus: Optimal Managemment of Multivessel Disease (FREEDOM), realizado na Mount Sinai School of Medicine, nos Estados Unidos, analisou, durante cinco anos a evolução de pacientes diabéticos cardíacos com obstrução em três artérias coronárias principais. Chegou à conclusão de que a cirurgia é melhor alternativa do que a angioplastia com implante de stent medicamentoso em pacientes diabéticos cardíacos. Segundo Fábio Jatene, professor titular de cirurgia cardiovascular da FMUSP, o trabalho divulgado durante a mais recente edição da American Heart Association, agrega informações essenciais: A FREEDOM é uma pesquisa importante; foi desenvolvida por profissionais de excelência, e que têm a acrescentar ao conhecimento cardiológico. Traz um nível alto de evidência e dados relevantes para a cardiologia. As averiguações apontam que, em estágio avançado da doença coronária, é preciso intervir diretamente na obstrução para garantir a vida do paciente. Para Fábio Jatene, a precisão dos dados impressiona e a credibilidade é inquestionável. Estamos falando de métodos sofisticados e um nível alto de evidência. Se alguém me perguntar se eu concordo com o que a pesquisa traz, eu repondo: concordo! Principalmente pela força metodológica e pelas características. Acredito que, a partir da FREEDOM, os profissionais tenham mais embasamento para tratar do assunto. APONTAMENTOS E CONCLUSÕES A pesquisa, que conta com a colaboração do Instituto do Coração (Incor), revela que os pacientes diabéticos cardíacos submetidos à cirurgia apresentaram menor taxa de mortalidade por causas diversas, se comparados aos submetidos à angioplastia com stent medicamentoso. No caso, o grupo submetido à cirurgia totalizou 11% de óbitos contra 16% da angioplastia com stent medicamentoso. Constatou-se ainda que a taxa de infarto no decorrer da doença foi menor no grupo cirúrgico, num total equivalente a 6% contra 14%. A redução na necessidade de novas intervenções cirúrgicas também foi relevante: apenas 5% dos pacientes cirúrgicos apresentam essa necessidade, contra 13%. 16

17 SOCESP em campanha para incentivar a adoção de hábitos saudáveis Foi lançada oficialmente dia 4 de dezembro, no Espaço da Corte, Brasília (DF), a campanha Salve Saúde. Com o slogan "O Futuro Promete. Chegue Bem Lá", trata-se de uma iniciativa da Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM), SOCESP e de outras cerca de 100 sociedades de especialidades médicas e áreas de atuação, para incentivar a mudança de hábitos entre a população. A meta é melhorar a qualidade de vida e a saúde dos cidadãos de todas as idades. Unidas de forma inédita, entidades médicas usam o otimismo que a população brasileira tem em relação ao futuro do país como linha-mestra da ação. Sempre com o mote "Salve Saúde. O Futuro Promete. Chegue Bem Lá", o movimento pretende envolver mais de 400 mil médicos de forma que eles ofereçam a seus pacientes informações e orientações que possam ajudá-los a evitar doenças crônicas não contagiosas, tão comuns hoje em dia. Além de encontrar orientação com seus médicos, as pessoas poderão ter acesso ao repertório de dicas para saúde através de um portal e de uma cartilha impressa. As doenças crônicas não contagiosas, adquiridas principalmente por maus hábitos alimentares e vida sedentária, além de empobrecer a qualidade de vida dos brasileiros, são responsáveis, em grande parte, pelo congestionamento das redes de saúde. "Todos sabem que a alimentação regrada e a prática de atividades físicas são aliadas no combate às doenças não transmissíveis, como complicações cardiovasculares, diabetes, problemas respiratórios e obesidade, que estão entre as principais causas de morte em nosso país e no mundo. O Brasil gasta milhões com internações nessas áreas, a fundo perdido. Isso porque elas representam grande parte de nossos óbitos por doenças atualmente", pondera Carlos Magalhães, presidente da SOCESP. "Se houver uma tomada de consciência, se mudarmos pequenos hábitos, teremos uma população mais saudável. Portanto, tais recursos poderão muito bem servir a outras relevantes ações em saúde, inclusive à formatação de um Sistema Único de Saúde cada vez mais qualificado a uma assistência universal e integral". A campanha estimula mudanças simples, como alimentar-se de forma saudável, praticar exercícios, descansar adequadamente, tomar mais água, entre outras. O intuito é mostrar que o futuro segue viável e promissor. Mas, para tanto, devemos fazer nossa parte, plantando, todos os dias, novas sementes para dias melhores, completa Florentino Cardoso, presidente da AMB. O movimento Salve Saúde objetiva envolver e contar com o apoio de toda a cadeia de saúde no Brasil, de forma a realmente fazer diferença na qualidade de vida da população e, consequentemente, no desafogo das redes de saúde do país. conscientização 17

18 surpreenda-se João Fernando Monteiro Ferreira O que é bom pode fi car melhor Colega cardiologista, fechamos 2012 com a sensação de termos definitivamente abandonado a zona de conforto. O jornal SOCESP em Destaque, bastante elogiado em nossas pesquisas, sofreu uma reformulação para quebrar a máxima de que não se mexe em time que está ganhando. Ousamos criar seções, chamar colunistas renomados do jornalismo brasileiro e dar à nossa publicação um diferencial. Na área médica, há poucos veículos que falam de política, economia, cultura, viagens, sem perder o contato com suas raízes. O SOCESP em Destaque alcançou esse objetivo. E aqui tenho muito a agradecer a você, nosso leitor, à diretoria de nossa sociedade, que deu carta branca às mudanças, e a todos os colaboradores, em especial a Antoninho Trevisan e Portella, que enriquecem nosso editorial graciosamente. A despeito de todo o preâmbulo que fiz até aqui, quero deixar um aviso geral: o que é bom pode ficar ainda melhor, e é isso que buscaremos em Já estamos preparando uma pesquisa para que você nos diga como e onde podemos melhorar. Nosso entendimento é que só uma publicação dinâmica, democrática e que sabe ouvir seu público mantém seu prestígio e consegue avançar. Portanto, contamos com você para novos tempos e dias melhores. Em nome de toda a equipe do SOCESP em Destaque, aproveito para desejar boas festas e um grande 2013.

19 BOTUCATU: prioridade para a conscientização da população e a atualização profi ssional Presidida por Silméia Garcia Zanati Bazan, a regional Botucatu tem como focos principais a orientação da população e levar atualização aos especialistas. Frequentemente, são realizadas palestras com dicas de prevenção e outros cuidados com a saúde do coração para os cidadãos. Já os cardiologistas recebem as novidades em fármacos, equipamentos, procedimentos e técnicas por intermédio de encontros com renomados professores de diversas partes do Brasil. Buscamos esclarecer os leigos sobre as doenças cardiovasculares, enquanto incentivamos os médicos a buscar desenvolvimento contínuo para oferecer um bom atendimento, orientar o paciente para o tratamento mais adequado e à prevenção das doenças. Agindo nessas duas frentes, aumentamos as chances de ter uma saúde melhor na região, pondera Silméia. em destaque DIRETORIA DA SOCESP BIÊNIO 2012/2013 PRESIDENTE Carlos Costa Magalhães VICE-PRESIDENTE Francisco Antonio Helfenstein Fonseca PRIMEIRO-SECRETÁRIO Rui Manuel dos Santos Povoa SEGUNDO-SECRETÁRIO José Carlos Aidar Ayoub PRIMEIRO-TESOUREIRO Rui Fernando Ramos SEGUNDO-TESOUREIRO Celso Biagi DIRETORA CIENTÍFICA Fernanda Marciano Consolim Colombo DIRETOR DE PUBLICAÇÕES João Fernando Monteiro Ferreira DIRETOR DE REGIONAIS José Luiz Aziz regionais PARCERIAS IMPORTANTES Em parceria com a Faculdade de Medicina da Unesp, a SOCESP Botucatu também realiza anualmente, em junho, a Feira da Saúde, na qual desenvolve o projeto Liga do Coração. Alunos, professores e residentes de medicina promovem, gratuitamente, aferição da pressão arterial e dão informações sobre uma vida mais saudável aos munícipes. Outro destaque anual é o Curso de Atualização em Cardiologia, que ocorre sempre no mês de outubro. A Regional foi fundada no ano de 1997, presidida por Paulo José Ferreira Tucci. Também foi presidida pelos seguintes cardiologistas: Joel Spadaro, Beatriz Bojikian Matsubara e Katashi Okoshi. De lá para cá, cresce a cada ano, tornando-se cada vez mais importante na cardiologia local e estadual. Hoje, estão sob sua jurisdição as cidades de Águas de Santa Bárbara, Anhembi, Arandu, Areiópolis, Avaré, Barão de Antonina, Bofete, Botucatu, Cerqueira César, Conchas, Coronel Macedo, Fartura, Iaras, Itaí, Itaporanga, Itatinga, Laranjal Paulista, Manduri, Paranapanema, Pardinho, Pereiras, Piraju, Porangaba, Pratânia, São Miguel, Sarutaiá, Taguaí, Taquarituba, Tejupá e Torre de Pedra. DIRETORIA Presidente Silméia Garcia Zanati Bazan Primeiro-secretário Daniéliso Renato Fusco Segundo-secretário Ricardo Mattos Ferreira DIRETOR DE PROMOÇÃO E PESQUISA Andrei C. Sposito DIRETOR DE INFORMÁTICA João Manoel Rossi Neto DIRETOR DE QUALIDADE ASSISTENCIAL Silas dos Santos Galvão Filho DIRETOR DO CENTRO DE EMERGÊNCIAS Agnaldo Pispico COORDENADORES DE PESQUISA José Luiz Ferreira dos Santos José Francisco Kerr Saraiva Ricardo Pavanello COORDENADOR DE EVENTOS Alberto Francisco Piccolotto Naccarato COORDENADOR DE POLÍTICAS DE SAÚDE Henry Abensur CONSELHO FISCAL Luiz Freitag, Bruno Mahler Mioto, Ibraim Masciarelli Pinto, Edson Stefanini EDITORES Ângela Teresa Bacelar, Beatriz Matsubara, Edson Stefanini, Moacir F. Godoy, João Carlos Hueb, Luiz Francisco Cardoso SOCESP em Destaque é editado bimestralmente pela Diretoria de Publicações da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, Avenida Paulista, Horsa I, 15 o andar, cj , CEP , São Paulo, SP. Telefone: DIREÇÃO DE ARTE Giselle de Aguiar Pires IMPRESSÃO Hawaii Gráfica SOCESP NA INTERNET: 19

20 perguntas e respostas QUAIS SÃO AS DOENÇAS CARDIOVASCULARES QUE A APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO PODE CAUSAR? Geraldo Lorenzi-Filho e Luciano Drager, Disciplina de Pneumologia e Cardiologia (respectivamente) do Instituto do Coração (InCor, HC-FMUSP) A apneia obstrutiva do sono (AOS) é caracterizada por obstruções recorrentes da via aérea superior durante o sono, levando à fragmentação do sono e hipóxia intermitente. A prevalência de AOS entre os pacientes com doença cardiovascular já estabelecida é extremamente alta, como, por exemplo, hipertensão arterial sistêmica (~30%), hipertensão resistente (~70%), doença coronária (~30%), fibrilação atrial (~50%) e síndrome metabólica (~70 a 90%). (Arq. Bras. Cardiol. 2011;97(2):e40-7). Os mecanismos pelos quais a AOS é potencialmente deletéria ao sistema cardiovascular são múltiplos e incluem aumento da atividade simpática, geração de radicais livres, inflamação sistêmica, resistência à insulina, disfunção endotelial e progressão da aterosclerose (Chest. 2011; 140(2):534-42). A relação causal mais bem estabelecida é entre AOS e hipertensão arterial sistêmica. As melhores evidências derivam de estudos em que a AOS foi tratada com máscara ligada a gerador de pressão contínua em vias aéreas (CPAP), que elimina a AOS. O tratamento da AOS moderada a grave com CPAP causa uma redução média na pressão arterial sistêmica não somente durante a noite, mas ao longo das 24 horas, em torno de 2.2 mmhg. A queda da pressão pode ser maior porque vários estudos incluíram pacientes sem hipertensão ou com hipertensão controlada. A AOS é hoje reconhecidamente uma causa de hipertensão secundária, e é a causa mais comum de hipertensão secundária entre os pacientes com hipertensão resistente (Hypertension. 2011;58(5):811-7). A AOS é, muito provavelmente, um fator agravante de inúmeras doenças cardiovasculares, no entanto, as evidências são ainda pequenas e, portanto, não definitivas. O tratamento da AOS se associou com a diminuição da incidência de recorrência da fibrilação atrial, em estudo observacional. O tratamento da AOS com CPAP em estudos randomizados pequenos causou redução da resistência à insulina, atividade inflamatória sistêmica, melhora da função endotelial e melhora da rigidez arterial. Em estudo recente, o tratamento da AOS com CPAP causou melhora de vários componentes da síndrome metabólica (N. Engl. J. Med. 2011;365(24): ). Estudos de coorte associaram a AOS grave com aumento de risco de mortalidade por doença cardiovascular (acidente vascular cerebral e infarto agudo do miocárdio). Atualmente, estudos multicêntricos randomizados com grande número de pacientes estão sendo realizados e responderão à pergunta, se o tratamento da AOS é capaz de reduzir a mortalidade cardiovascular. Em resumo, a AOS é muito comum e existem evidências crescentes de que é um fator de risco independente para doença cardiovascular, que deve ser reconhecido e tratado. Estudos multicêntricos randomizados que estão sendo realizados responderão se o tratamento da AOS é capaz de reduzir a mortalidade cardiovascular" 20

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