Pela rediscussão do projeto de segurança da FEA

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1 São Paulo, 20 de setembro de 2013 Pela rediscussão do projeto de segurança da FEA Recentemente, foi divulgado o orçamento das obras para a implantação de controles de acesso (catracas) no prédio principal e nos fundos da FEA, aprovado em reunião do CTA (Conselho Técnico-Administrativo). De acordo com a pesquisa de preços realizada pela Diretoria da FEA para elaborar o orçamento inicial, o custo das obras para a implantação das catracas na faculdade deveria chegar quase ao montante de 1,2 milhão de reais. A divulgação de tal orçamento, que envolve somente as obras para instalação das catracas, sem considerar a compra dos equipamentos de controle de acesso, fez ressurgir o necessário debate sobre a política de segurança para nossa Faculdade e o ordenamento das prioridades no ambiente FEAno. O CAVC é contrário ao atual plano de segurança interna da FEA, mantendo sua posição de refutar as catracas nos acessos à Faculdade como melhor solução para minimizar a ocorrência de crimes, acreditando que é possível construir - via diálogo e argumentação - um projeto de segurança mais robusto, composto por medidas sabidamente eficientes e tecnicamente justificadas. A rediscussão multilateral do projeto de segurança entre as três categorias (alunos, funcionários e professores) só trará benefícios para a comunidade da FEA, dado que levará à construção mais consonante de um conjunto ampliado de medidas. CONTEXTUALIZAÇÃO A questão das catracas vem sendo discutida há anos na FEA. O projeto de controle de acesso já havia sido aprovado pela Congregação da Faculdade, mas só foi consolidado de fato na gestão do Diretor Reinaldo Guerreiro, em Após postura questionadora do CAVC e audiência pública com os alunos, o Diretor decidiu realizar um plebiscito paritário em que as três categorias da comunidade FEA alunos, funcionários e professores votariam contra ou a favor da implementação das catracas especificamente no prédio FEA-1. A votação foi feita de maneira em que cada categoria possuia um voto, e ganhou o sim às catracas, por 2 a 1. Dos 963 alunos que votaram, 758 (78,7%) foram contra a proposta vencedora. 71 professores eram favoráveis, de um total de 93 votantes. Essas posições já eram claras antes do início do plebiscito. Assim, coube aos funcionários decidir: foram 38 contrários e 43 a favor das catracas (uma diferença ínfima de 5 votos). Em números absolutos, 818 (71,9%) votan-

2 tes eram contra a medida em votação, mas o sim venceu com 319 votos devido às regras do plebiscito. Após o anúncio dos números da votação, a gestão do CAVC tentou organizar um abaixoassinado propondo solução consensual. Porém, houve pouca adesão ao documento, principalmente por parte dos docentes. Em declaração ao Visconde, o Vice-Reitor da USP Hélio Nogueira da Cruz disse: Ir contra o resultado das urnas fica complicado. Pode ser que o processo não tenha sido o ideal, que tenha sido insuficiente, mas foi feito. Pode-se chamar novamente os especialistas, promover um novo debate, convidar outras pessoas para conversar e talvez fazer uma nova votação mais adiante. (...) Entendo que no caso das catracas talvez se possa renovar o debate e aprimorar as reflexões. A rediscussão das catracas torna-se uma necessidade após o conhecimento de seu elevado valor financeiro - fato novo que motiva ponderações sobre o custo benefício do projeto e sobre quais outros avanços podemos ter com tal investimento na FEA. MAPEAMENTO DETALHADO DE FURTOS O grande motivo para se votar a favor das catracas foi a noção de que elas seriam a melhor solução para diminuir a ocorrência de furtos e outros crimes na FEA. Desse modo, é imperioso levantar a sugestão: deve ser feito um mapeamento detalhado dos furtos e outros crimes na Faculdade, que de fato justifique ou não a instalação de catracas. À epoca do plebiscito, não havia qualquer material desse gênero para embasar os votos da comunidade FEA. Na reunião de setembro da Congregação, foi entregue ao CAVC, pela Assistência Administrativa da Faculdade, um boletim das ocorrências criminosas na FEA entre 2003 e 2013, porém muito superficial, com poucas informações e especificações, além de metodologia incerta. A imprescindível análise de um mapeamento mais detalhado talvez tenha maior impacto na redução da insegurança na FEA do que os controles de acesso - saberíamos, pelo menos, qual o real problema a ser remediado. Permitiria ter conhecimento de onde os crimes são realizados, qual o perfil do infrator, quais as eventuais rotas de fuga, etc. A avaliação dos furtos e crimes na FEA seria um norteador das nossas ações em prol da segurança na FEA; seria o principal material necessário para o aperfeiçoamento da discussão. Além do mapeamento detalhado, que deve ser feito antes de se aprovar um orçamento do projeto de segurança definitivamente, há outras políticas de segurança facilmente implementáveis na FEA, que não causariam transtornos tão grandes nem seriam tão caras como o projeto das catracas. A FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), ao enfrentar problemas de segurança semelhantes, rejeitou as catracas e preferiu implementar de modo consensual soluções para aprimorar seu sistema de segurança e organização de eventos. Estudos sobre os impactos das catracas e de medidas alternativas em outras unidades da USP (FAU, Química, Odontologia, São Francisco, por exemplo) poderiam ser analisados à luz da qualificação das argumentações em torno do projeto de segurança da FEA.

3 ALTERNATIVAS PARA A SEGURANÇA DA FEA Algumas alternativas para a segurança na FEA sem a necessidade de obras no valor inicial de R$ 1,2 milhão para instalação de catracas seriam: o mapeamento detalhado de furtos e outros incidentes relativos à segurança na FEA; a contratação de pelo menos dois vigilantes nos turnos com maior movimento, aumentando o atual efetivo e atuando psicologicamente na coibição de crimes - o que também permitiria uma reorganização espacial do efetivo para dar uma maior atenção aos locais de risco segundo o mapeamento de furtos e crimes (tal contratação terá de ser feita de qualquer forma, para gerir o sistema de acesso de controle); instalação de catracas (sem mudança estrutural) nos prédios FEA-2, FEA-3, FEA-5 e no segundo andar do FEA-1, locais de trabalho e pesquisa onde se concentra grande parte dos reports de roubos; criação de aplicativo para smartphones Achados e Perdidos na FEA, onde os alunos, professores e funcionários notificariam para o corpo de seguranças da FEA objetos sob descuido na Faculdade, criando uma cultura de zelo pelo bem alheio; instalação de luzes de emergência no FEA-1 para ocasiões de blackout; desobstrução das saídas de emergência da Faculdade; e a análise dos efeitos de catracas e outras recursos de segurança em diversas unidades da USP. São medidas eficazes de segurança de mais fácil e rápida implementação, que poderiam ser aplicadas antes da exploração da alternativa do controle de acesso na totalidade do espaço da FEA. Essas medidas, conjuntamente, agiriam de forma direta na prevenção dos crimes relatados no atual boletim de problemas internos de segurança. Para coordenar a introdução de tais soluções na Faculdade, é fundamental a reabertura da Comissão de Segurança da FEA, organismo oficial da qual participariam representantes das três categorias da comunidade - a sugestão é que ela seja composta por dois membros de cada categoria. A Comissão seria assessorada e apoiada em suas funções pela Frente de Trabalho sobre Segurança da FEA, coordenada pelo CAVC e aberta a todos os alunos, funcionários e professores interessados em construir um projeto de segurança melhor estruturado para nossa Faculdade. Além da discussão da eficácia do projeto das catracas, é preciso considerar que, com a instalação dos controles de acesso no FEA-1, dificuldades operacionais serão inevitáveis. São mais de 900 alunos do Cursinho da FEA e do CAVC Idiomas que não possuem carteirinha USP e por isso precisariam de permissão diária para entrar na FEA, bem como os participantes de palestras e outros eventos realizados na Faculdade em grande número. Isso geraria uma situação potencialmente caótica de filas na entrada da FEA, ou então a frequente liberação total das catracas, tornando-as inócuas para o fim de segurança. É preciso, pois, ressuscitar a discussão sobre a instalação de catracas nos acessos à FEA, de modo a avaliar qual o melhor projeto de segurança para nosso ambiente de estudo, pesquisa e convívio e, com total clareza e racionalidade, quais são as prioridades de nossa Faculdade. Os estudantes estão mobilizados para externar concretamente suas opiniões, como visto no ato organizado na semana passada, mas é preciso integrar amplamente professores e funcionários

4 da FEA nesse processo. Para recolocar o debate de modo qualificado, é vital que se realize um mapeamento detalhado de crimes dentro da Faculdade que demonstre e especifique os pontos fracos e gargalos da segurança na FEA. É indispensável também a análise de estudo de efeitos de projetos de segurança em outras unidades da USP. Para facilitar a realização dessas duas etapas, propõe-se reabrir a Comissão de Segurança da FEA, com participação das três categorias, assessorada pela Frente de Trabalho sobre Segurança da FEA. As decisões sobre o projeto de segurança da FEA devem ser tomadas de modo cauteloso dado seu grande impacto presente e futuro. Tal cautela deve abarcar a busca de soluções construídas pelo diálogo entre as categorias, visando um projeto que seja o máximo consensual possível, para que tenhamos avanços de fato abrangentes para toda a comunidade da FEA. Centro Acadêmico Visconde de Cairu Subscrevem essa nota as seguintes entidades: União Nacional dos Estudantes União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) Conselho dos Centros Acadêmicos da USP (CCA) Centro Acadêmico XI de Agosto Centro Acadêmico de Pesquisas e Estudos Sociais (CEUPES) Centro Acadêmico Guimarães Rosa (Guima) Centro Acadêmico Lupe Cotrim (CALC) Grêmio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (GFau) Centro de Engenharia Elétrica (CEE) Centro Acadêmico de Engenharia de Produção (CAEP) Centro Acadêmico Professor Paulo Freire (CAPPF) Centro Acadêmico da Biologia (CABIO) Centro Acadêmico Emílio Ribas (CAER) Centro Acadêmico Luiz de Queiroz (CALQ) Centro Acadêmico da Matemática, Estatística e Ciência da Computação (CAMAT) Centro Acadêmico de Farmácia e Bioquímica (CAFB)

5 Centro de Estudos Químicos Heinrich Rheinboldt (CEQHR) Centro Acadêmico Rui Barbosa (CARB) Centro de Estudos de Física e Matemática (CEFISMA) Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira (CAASO) Secretaria Acadêmica de Engenharia Mecatrônica (SAdEM) Centro Paulista de Estudos Geológicos (CEPEGE) Centro Acadêmico de História (CAHis) Centro Acadêmico de Filosofia Prof. João Cruz Costa (CAF) Centro Acadêmico Paulo Marques dos Santos (CAPMS) Centro Acadêmico Lourenço Roselino (CARL) Centro Acadêmico Marina de Andrade Rezende (CAMAR) Secretaria Acadêmica da Engenharia Ambiental (SAPA) Centro Acadêmico de Gestão Ambiental (CAGesA) Secretaria Acadêmica da Engenharia de Produção (Pró-Produção) Diretório Acadêmico Insper/Ibmec-SP

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