AGREDECIMENTOS. Prof.ª Helena Silva Barranha Prof.ª Teresa Valsassina Heitor Dr.ª Susana Oliveira Dr. Nuno Neves

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1 AGREDECIMENTOS Prof.ª Helena Silva Barranha Prof.ª Teresa Valsassina Heitor Dr.ª Susana Oliveira Dr. Nuno Neves 1

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3 RESUMO E PALAVRAS-CHAVE Como espaços arquitectónicos de grande dimensão e importância nas cidades contemporâneas, os interfaces ferroviários assumem um papel relevante no transporte de passageiros e como locais de espera. Sendo espaços associados à passagem ou à curta permanência, os usos contidos nestes equipamentos centramse em funções de reduzida dimensão e âmbito, como sejam espaços de comércio ou alimentação. Os interfaces podem ser lidos de forma diacrónica: ora saturados nos seus períodos de utilização máxima, ora vazios em momentos de utilização reduzida, originando assimetrias no seu uso ao longo do dia. Aliada à inexistência de usos complementares, a utilização do transporte privado em detrimento de transportes públicos (particularmente ao fim-de-semana) traduz-se no subaproveitamento destes equipamentos, que se tornam espaços inseguros e desconfortáveis para o utilizador. É aqui sugerida a reconfiguração do programa do interface de forma a que este funcione não somente como um equipamento de transporte e de passagem, mas como algo mais vantajoso para os utentes e para a cidade. Aliado a usos culturais como espaços expositivos, usos vocacionados para a aprendizagem informal, bibliotecas e espaços de leitura, os interfaces podem ser revitalizados enquanto dinamizam as áreas envolventes. Explorando estas directrizes, a presente dissertação sugere relações de coexistência pacífica entre situações de estada e de fluidez entre usos, onde nenhuma das funções deverá comprometer o desempenho das restantes, propiciando antes complementaridade e mais-valia. É também estudada a aplicabilidade de novos usos associados ao consumo e ao empréstimo de bens, incluindo espaços informais como cyber-cafés, zonas de leitura e salas de espera. PALAVRAS-CHAVE: Interface; Cultura; Aprendizagem; Idea Store; Equipamentos Públicos. 3

4 ABSTRACT As buildings of large dimension and importance in contemporary cities, rail interfaces play important roles in passenger transport as well as being places related to waiting. As equipments associated with movement or short periods of stay, the purposes of these facilities focus on tasks of limited size and scope, such as shopping or catering. Transport hubs have several different daily occupation rates: sometimes saturated within their periods of maximum use, other times empty, creating imbalances in their use throughout the day. Allied to the absence of complementary functions, the use of private transport over public transport (especially during the weekend) is reflected in these underused facilities, which can become unsafe and uncomfortable for the user. This study suggests the reconfiguration of the interface's program so that it may function not only as a cargo transport and a transitory space, but also as something more beneficial for users and their city. The addition of cultural spaces such as exhibition areas, spaces oriented for informal learning and reading like libraries, can be revitalized while they boost the interfaces and their surroundings. By exploring these guidelines, this study also suggests relations and interactions between situations of stay and fluidity in those new proposed uses, without compromising each other. Providing complementarity and an asset is also one of the main goals of this study. It also analyzes the applicability of new uses associated with the consumption and the loan of goods, including informal spaces such as cyber-cafes, reading spaces, exhibition halls and waiting rooms. 4

5 ÍNDICE 1. Introdução 9 âmbito do trabalho objectivos e metodologia Enquadramento teórico do tema 13 o interface, espaço de passagem o museu, espaço expositivo a biblioteca, espaço de leitura a cafetaria, espaço de lazer a idea store, espaço multifacetado Apresentação do estudo de caso: Interface Comboio-Metro de Entrecampos 33 introdução breve contextualização histórica da zona de Entrecampos dados estatísticos e demográficos da zona de Entrecampos e outros indicadores relevantes trabalho desenvolvido em Projecto Final 2007/2008 o edifício análise SWOT do Interface de Entrecampos Proposta de inserção de usos associados a cultura e aprendizagem em espaços de interface 43 avaliação da adequação dos elementos estudados no enquadramento teórico elaboração da proposta: Interface de Entrecampos circulação pedonal, usos, avaliação e gestão de conflitos Considerações finais e conclusões 57 Fontes e Bibliografia 61 Anexos 64 5

6 LISTA DE ABREVIATURAS AML Área Metropolitana de Lisboa CML Câmara Municipal de Lisboa DGLB Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas EPUL Empresa Pública de Urbanização de Lisboa EUA Estados Unidos da América ICOM International Council of Museums IMC Instituto dos Museus e da Conservação (antigo IPM - Instituto Português de Museus) INE Instituto Nacional de Estatística OAC Observatório para as Actividades Culturais PDM Plano Director Municipal RPM Rede Portuguesa de Museus TGV train à grande vitesse (comboio de alta velocidade) UNESCO United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization LISTA DE ILUSTRAÇÕES capa: Foto da autora, Imagem disponível em: 2. Imagem disponível em: Modern trains and splendid stations: architecture, design, and rail travel for twenty-first century, THORNE, Martha; Art Institute of Chicago (2001) London: Merrel; Chicago: The Art Institute of Chicago, p Imagem disponível em: 4. Foto da autora, Foto da autora, Imagem disponível em: Museus para o século XXI, MONTANER, Josep Maria (2003) Barcelona: Gustavo Gili, capa 7. Imagem disponível em: 8. Imagem disponível em: 9. Imagem disponível em: 10. Imagem disponível em: 11. Imagem disponível em: Tamanho XL, Visão Sete, separador integrado na Revista Visão n.º 806, Agosto de 2008, p Imagens disponíveis em: 13. Imagens disponíveis em: 14. Fotos da autora, Imagem disponível em: 16. Praça de Entrecampos, imagem disponível no website da EPUL em: 6

7 17. Esquema concebido pela autora, Esquemas concebidos pela autora, Planta concebida pela autora, Planta concebida pela autora, Corte concebido a Projecto Final pelo grupo de alunos referido na p.33, Fotos da autora, Imagem disponível em: 24. Foto da autora, Fotos da autora, Fotos da autora, Foto da autora, Esquema concebido pela autora, Esquema concebido pela autora, Esquema concebido pela autora, Esquema concebido pela autora, Esquema concebido pela autora, Esquema concebido pela autora, Esquema concebido pela autora, Esquema concebido pela autora, Foto da autora,

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9 1. Introdução ÂMBITO DO TRABALHO Como espaços arquitectónicos de grande dimensão e importância nas cidades contemporâneas, os interfaces ferroviários assumem um papel significativo, não só no transporte de passageiros, mas também como grandes locais de espera, na sua maioria subaproveitados. Tratando-se de espaços associados à passagem ou a uma curta permanência, estes equipamentos contêm usos de igualmente reduzida dimensão e âmbito, como sejam pequenos espaços comerciais, de restauração (cafés) ou quiosques. Outra particularidade destes espaços advém das assimetrias do seu ciclo de vida diário, factor que se traduz no reduzido aproveitamento do equipamento, em parte justificado pela fraca presença de usos complementares. Ora correspondente a uma saturação de pessoas coincidente com as alturas de início e fim do dia (hora-deponta), e também a particularidades como eventos em locais próximos; ora, por outro lado, associada a momentos mortos, a utilização desigual do interface associada a estes momentos origina muitas vezes sensações de desconforto e insegurança no utilizador. Esta última situação atinge o seu expoente máximo durante o fim-de-semana, geralmente relacionada com o uso do transporte privado em detrimento do transporte público como meio de deslocação dentro e fora das cidades, factor que compromete também a frequência dos transportes públicos. Estas inibições ao uso dos transportes públicos por parte dos utilizadores poderão ser solucionadas pela reestruturação do programa do interface, que deixa assim de funcionar como um equipamento meramente de transporte e de passagem, com pequenos períodos de espera, mas englobando outras funções complementares. Assim, aliado a usos culturais como galerias de arte, pequenos museus e espaços expositivos, e ainda a usos vocacionados para a aprendizagem informal como sejam acções de formação e workshops, bibliotecas e espaços de leitura, o espaço do interface pode ser adaptado a novas funções, sendo revitalizado enquanto dinamiza a área em que se integra. Fazendo uso dos movimentos pendulares casatrabalho/escola-casa, podem surgir espaços de empréstimo/aluguer de livros e material multimédia (música e cinema em suportes digitais como CDs e DVDs), que suportam a ideia de auto-aprendizagem. Iniciativas como o book crossing já têm 9

10 lugar em Portugal, pelo que se justifica a criação, através da arquitectura, de ambientes e espaços capazes de as receber. Na era da chamada sociedade da informação, a conjugação de tipos de espaços arquitectónicos como museus, bibliotecas, cafés e estações de comboios para a criação de conceitos mais vastos e abrangentes na oferta de cultura e aprendizagem ao público constitui um dos objectivos deste trabalho. Este estudo explora assim a multiplicidade de funções e conceitos em espaços de interface, particularizando o caso de estudo do Interface Comboio-Metro de Entrecampos. Também são contextualizados historicamente na sua evolução os referidos tipos arquitectónicos, do panorama nacional ao internacional (quando possível e justificável), com particular destaque para um passado mais recente (a partir de 1960). OBJECTIVOS E METODOLOGIA A presente dissertação aborda o tema da inserção e adaptabilidade de usos culturais e de aprendizagem em espaços de interface de transportes (no caso particular comboio-metro). Assumem-se como objectivos fundamentais: o Dar a conhecer a evolução de alguns tipos de espaços de aprendizagem e cultura e a sua situação actual, com particular destaque para as que contêm programas de uso social (museus, bibliotecas, transportes ferroviários); o A avaliação das necessidades, exigências e/ou condicionantes espaciais, funcionais e ambientais do equipamento urbano que constitui o interface, no sentido da inclusão dos referidos usos; o A exploração das formas de apropriação do espaço físico do interface através da conjugação dos usos de carácter social acima mencionados; o A formulação de princípios a considerar em programas de remodelação/requalificação de interfaces ferroviários existentes particularização feita ao Interface de Comboio-Metro de Entrecampos, em Lisboa. o A exploração da aplicabilidade destes conceitos, associados não só ao consumo mas também ao empréstimo de bens, e ao próprio interface. Para tal, foi efectuada pesquisa documental sobre os referidos espaços associados a cultura e aprendizagem, bem como de espaços de interface e de lazer (em particular cafetarias e restaurantes). Este estudo foi ainda auxiliado por 10

11 documentação vária para o esclarecimento dos conceitos e formulação da proposta (como indicadores estatísticos, demográficos, entre outros). A este processo correspondeu a consulta em bibliotecas e arquivos de registos fotográficos e/ou documentais de arquitectura e outras áreas consideradas de interesse. Foi ainda efectuado um levantamento fotográfico do caso de estudo e dos equipamentos culturais e educativos existentes na sua área envolvente. Neste sentido, foram contactadas as entidades responsáveis pelos espaços estudados e analisado in situ o local de estudo e o Interface de Comboio-Metro de Entrecampos. Com efeito, este trabalho tem como caso de estudo o Interface de Comboio-Metro de Entrecampos. Tal se deve ao facto deste equipamento se encontrar inserido na zona trabalhada na cadeira de Projecto Final no ano lectivo 2007/2008 do Mestrado Integrado em Arquitectura do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. O objectivo de Projecto Final consistiu na criação de um Plano Urbano para uma área específica dentro da área estudada (neste caso, Entrecampos). A minha escolha individual recaiu sobre o lote da antiga Feira Popular de Lisboa, tendo como objectivo a integração urbana da proposta na área envolvente e com os seus equipamentos, num sentido de complementaridade e continuidade, dando particular ênfase ao Interface de Entrecampos. 11

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13 2. Enquadramento teórico do tema Os usos propostos para qualificar o espaço do interface podem categorizar-se, como anteriormente referido, em três tipos: de cultura, de aprendizagem e de lazer. Como enquadramento à proposta serão enunciados os usos que aqui se julgam mais adequados face às exigências e hábitos da sociedade contemporânea, bem como ao espaço do interface. Assim, para cada uso estudado é feita uma breve apresentação do seu conceito e da sua evolução ao longo dos tempos, com o objectivo de antever e desenhar o seu papel na sociedade contemporânea, como mais-valia que complementa um espaço de interface de transportes. Este estudo incide então sobre os seguintes conceitos: o o o o o O interface, espaço de passagem; O museu/espaço expositivo; A biblioteca/espaço de leitura; A cafetaria, espaço de lazer; A idea store/espaço multifacetado. O INTERFACE, ESPAÇO DE PASSAGEM A primeira ferrovia pública de que se tem conhecimento para transporte de passageiros data de 1807, no País de Gales (Reino Unido). No caso das mercadorias e bens, os comboios facilmente se tornaram meios universais de transporte, pelo que tiveram um rápido desenvolvimento, mesmo que só passado algum tempo da sua criação tenham visto estendidos os seus serviços a passageiros. Na segunda metade do século XIX assiste-se a um progresso nas questões de segurança, conforto e velocidade, principalmente no transporte de passageiros. O mesmo período corresponde ainda também à destruição de muitas estações, que se vieram a reconstruir já sob o Estilo Internacional 1. 1 Estilo Internacional movimento arquitectónico, ocorrido entre os anos 1925 e 1965, que assentava na ideia base das tecnologias de industrialização como motores para uma construção que se baseava na forma e num enorme sentido de programa social, com início nos EUA e na Europa, tendo-se espalhado pelo mundo inteiro. (KHAN, Hasan-Huddin (2001) Estilo Internacional: Arquitectura Moderna de 1925 a 1965, TASCHEN) 13

14 No entanto, a arquitectura do ferro e do vidro teve o papel mais significativo e marcante na construção das estações de comboios, uma vez que possuíam uma enorme leveza aparente e grandiosidade, ao mesmo tempo que permitiam a criação de grandes vãos e, consequentemente, originavam amplos espaços internos, com pés-direitos igualmente generosos. Não é, por isso, de estranhar que as construções da arquitectura do ferro tenham tido lugar em equipamentos como mercados, estufas ou mesmo espaços expositivos, particularmente no início do século XIX. Era um tipo de construção associado a exigências construtivas, mas também de qualidade e beleza arquitectónica. Dada a versatilidade deste tipo de construção, estas estruturas poderiam conter no seu interior variados tipos de usos, o que levou a que algumas delas tenham sofrido mudanças de programa ao longo do seu tempo de vida 2. Com o final da 2ª Guerra Mundial, o serviço ferroviário sofre uma quebra devido ao desenvolvimento da indústria de aviação comercial no que toca a viagens de longa distância. Também o crescente uso do automóvel privado, no início do século XX para trajectos de curtas e médias distâncias veio possibilitar a viagem porta-a-porta, com maior comodidade e privacidade 3. No entanto, a década de 1970 traz de volta a ideia de trânsito em massa através de transportes públicos como meio económico de viajar. Este retorno ao uso dos transportes públicos, particularmente no caso dos comboios, tem também origem na expansão periférica das cidades, processo que veio introduzir novos objectivos no programa da estação para responder a novas necessidades. O trajecto já não se cinge à viagem feita somente através do comboio mas também aos percursos que antecedem e que precedem a mesma viagem. É desta forma que surgem com naturalidade os interfaces de transportes. O acto de viajar dentro e fora das cidades é uma das particularidades que caracterizam o modo de vida contemporâneo nas grandes metrópoles. Tal como os museus, os interfaces têm proporcionado grandes regenerações urbanas nos sítios onde se inserem, tornando-se imagens de marca do lugar que os acolhe. A Gare do Oriente, em Lisboa, constitui um excelente exemplo de rejuvenescimento urbano, constituindo já um importante pólo de terciário, habitação, comércio e lazer na cidade de Lisboa. 2 Veja-se o exemplo do Mercado de Hungerford em Londres (Charles Fowler, 1835), cuja estrutura em mariposa foi concebida para a cobertura de um mercado de peixe que não teve sucesso, dando lugar a uma biblioteca em 1851 e tendo sido finalmente comprada em 1862 para ser parte integrante da estação ferroviária de Charing Cross (PEVSNER, 1980) 3 THORNE, Martha; Art Institute of Chicago (2001) Modern trains and splendid stations: architecture, design, and rail travel for twenty-first century, London: Merrel; Chicago: The Art Institute of Chicago 14

15 Dados os grandes desenvolvimentos nas zonas adjacentes à localização do interface e à mediatização por vezes feita em torno destes equipamentos, são lugares dinâmicos que acolhem multidões de quase todos os estratos sociais. Podem ser considerados, nesse sentido, espaços públicos por excelência. Assim sendo, as estações e as linhas ferroviárias devem ser encaradas não como obstáculos, mas como meios de facilitação da vida na cidade. A proximidade de estações ferroviárias a determinados terrenos e edifícios de habitação, escritórios e comércio tende a aumentar o valor imobiliário destes 4. À semelhança de outros tipos arquitectónicos, os interfaces assistiram à chegada da modernização à custa da inserção de novos usos onde existiam apenas serviços ligados à estação e ao seu funcionamento directo e manutenção. Nas grandes metrópoles actuais, o interface funciona como cartão de visita para quem chega à cidade de comboio. Estes equipamentos tendem a funcionar agregando sistemas distintos de transportes como Metro, autocarros e táxis. Por conseguinte, em seu redor ou por vezes fazendo já parte integrante do seu programa (nos casos mais recentes de novas construções), estes equipamentos contêm hotéis, pólos de comércio, terciário e serviços, a par de outros usos. Além dos interfaces ferroviários, também aeroportos como o de Barajas-Madrid (Richard Rogers, ) ou o de Schiphol (em particular o Lounge 1 e a Plaza, Benthem Crouwel Architects, ) contêm amplas zonas inteiramente dedicadas ao comércio e outros usos. Imagens 1 e 2. Masterplan Euralille, França (OMA, 1994); Atocha Station, Madrid, Espanha (Rafael Moneo, 1992) 4 HASS-KLAU, Carmen (2004) Evidence of Price premiums at public transport stations in several europe metropolitan areas, Alemanha: University of Wuppertal, (baseado no estudo não publicado da mesma autora Capture of Land Value Premiums as Source of Funding for Public Transport: Evidence and Practice in Selected European Metropolitan Areas ) 15

16 O caso europeu é dos que melhor representa estas incorporações. Veja-se o exemplo de Lille (França), que viu evoluir desde 1989 até 1994 o complexo Euralille (na verdade, um masterplan que incluía a completa regeneração urbana da zona), onde, numa área de 80 ha, foram pensados em conjunto zonas comerciais, escritórios, hotéis, habitação e uma estação ferroviária urbana com ligação a linhas de alta velocidade (TGV). Outro exemplo é a estação ferroviária de Atocha (Madrid, Espanha), concebida pelo arquitecto Rafael Moneo e finalizada em Precisamente um século antes, em 1892, a estação continha uma cobertura de aço e vidro que foi preservada e incorporada no novo projecto. O programa contém espaços de restauração, serviços e jardins que complementam o conjunto arquitectónico da estação. No exterior, a grande praça que serve a entrada principal constitui um espaço público de qualidade que serve tanto a estação como a cidade, funcionando como ponto de chegada, de encontro, ou simplesmente de estada. À semelhança e outros interfaces, a estação comunica directamente com o Metro, autocarros e táxis, possuindo ainda zonas de estacionamento automóvel. Imagens 3, 4 e 5. Lounge 1, Aeroporto de Schiphol, Amesterdão (Benthem Crouwel, 2005); Gare do Oriente, Lisboa (Santiago Calatrava, 1998). O MUSEU, ESPAÇO EXPOSITIVO No seu interior, o museu transformou-se num lugar destinado à afluência maciça de um público activo, aos estímulos, à interacção e também ao consumo no seu sentido mais amplo [...] Na sua relação com o exterior, o museu reforçou a sua dimensão colectiva e tornou-se num dos lugares públicos mais característicos da cidade contemporânea. 5 Josep Maria Montaner p. 148 (trad.) 5 MONTANER, Josep Maria (2003) Museus para o século XXI, Barcelona: Gustavo Gili, 16

17 O museu tem vindo a sofrer alterações tanto físicas como conceptuais desde a sua criação, tanto enquanto programa como enquanto obra arquitectónica. Sendo considerados interessantes manifestações das grandes mudanças sociais e culturais ocorridas no século XX, os museus caracterizam-se por uma expressão vincadamente urbana e pela missão social que representam. A sua natureza é metamórfica e constituem uma das tipologias que mais evoluiu ao longo dos tempos como sugere Maria Luísa Bellido Gant 6. O modelo de sociedade pauta-se por uma forte noção de consumo e de massificação, motivado por um forte sentido de retorno às origens e valorização de um passado histórico 7 já desde a segunda metade do século XX. Ainda assim, o grande compromisso era para com o futuro. O desenvolvimento rápido e exponencial das cidades e o crescimento da sociedade de consumo determinaram o aumento em quantidade destas instituições. A sociedade respondeu também ao museu pelo afluxo em massa de visitantes. Esta instituição fazia assim parte integrante do desenvolvimento de uma cidade, não raras vezes sendo incluída no plano estratégico desta. Através do museu surge a consciência de uma identidade colectiva 8 e grandes cidades como Paris ou Londres encontram nele e um meio de sedução do utilizador através da divulgação de cultura. Desde as primeiras exposições mundiais, a arquitectura e os arquitectos têm um importante papel na materialização de ideias em espaços de carácter vanguardista. Ainda hoje o programa do museu é indissociável da sua leitura arquitectónica, que muitas vezes serviu de pretexto para a criação e mediatização destes espaços, como se demonstrará ao longo deste capítulo. O século XX acompanhou a expansão do conceito de arte a outros suportes e áreas que não a pintura ou escultura ciência, território, entre outros. Também as novas tecnologias foram portadoras de grandes mudanças, incluindo a possibilidade de reprodução massiva dos objectos expostos, trazendo consigo problemas no que toca à distinção entre o original e a cópia e banalizando o objecto exposto, mas originaram também novas formas de interacção com o visitante 9. 6 GANT, Maria Luísa Bellido (2001) Arte, museos y nuevas tecnologías, Gijón: EDICIONES TREA, S. L., p Ver em: LAMPUGNANI, V. M.; SACHS, A. (1999) Museus para o novo milénio: conceitos, projectos, edifícios, Munique: Prestel 8 GANT, Maria Luísa Bellido, op. cit., p Ver em: Pedro Azara e Carles Guri (2000) Arquitectos a Escena escenografías y montajes de exposición en los 90, Barcelona: Editorial Gustavo Gili 17

18 É seguidamente abordada a evolução do conceito de museu num passado mais recente, desde a década de 1960 até às tendências emergentes no séc. XXI. A década de 60 introduz novos paradigmas no que diz respeito à relação entre objectos e do espaço expositivo com o espectador. A aposta é feita na qualidade dos objectos e também do espaço que os expõe. O visitante é levado a ver mais do que uma mostra de conteúdos, uma exibição de ideias é introduzido na criação do ambiente vivido no espaço expositivo, bem como dos percursos que o constituem. Os edifícios convertem-se, eles próprios, em veículos de comunicação e publicidade do acontecimento contido no interior. O museu desta década caracteriza-se da seguinte forma: museu como espaço de cultura viva e participativa flexibilidade do espaço museológico pluralidade de funções do museu espectador activo aparecimento das tecnologias de informação e de comunicação proporcionam um novo entendimento da arte, trazendo consigo a seriação e a massificação da obra de arte. aparecimento dos centros de arte contemporânea, eco-museus e museus de sítio Museus como a Neue Nationalgalerie de Berlim (Mies van der Rohe, ) e o Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa (Ruy Jervis d'athouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa, 1969). A década de 1970 assiste a uma terciarização do mundo do trabalho, que se traduz no aumento do tempo de ócio e num crescente movimento turístico. O museu é visto como uma instituição não somente capaz de preservar e expôr cultura, mas também de a gerar. A arte é considerada espectáculo, e os diversos tipos de material expositivo que existem aumentam de variedade, adquirindo uma renovada importância aos olhos do público. Assim, tem-se para este período: museu como instituição capaz de gerar cultura, em vez de se limitar à sua preservação uso recorrente da cenografia em detrimento de sistemas tradicionais espectacularidade arquitectónica do museu passagem das exigências funcionais do museu para um segundo plano Como exemplos deste tipo de museu refiram-se o Centro Pompidou em Paris (Richard Rogers e Renzo Piano, ) ou a Neue Staatsgalerie, Estugarda (James Stirling e Michael Wilford, ). 18

19 Nos anos 80, o museu assumiu toda uma nova dinâmica, pensado à escala urbana da cidade e por vezes do país onde se insere, respondendo programaticamente a exigências de funcionalidade e espacialidade. No entanto, o interior do museu, no que respeita ao espaço expositivo em particular, acaba por se tornar o lugar onde menos inovação se verifica, servindo como pretexto para outras estratégias e experiências. Sumariamente, assistiu-se nesta década a: crescimento quantitativo e em larga escala dos museus museu como símbolo máximo da sociedade do ócio e agente de regeneração urbanística e social retorno ao modelo tradicional de museu com a afirmação do pós-modernismo Museus como o Getty Center, Los Angeles, EUA (Richard Meier, ) ou a reestruturação da antiga Gare de Orsay no Musée d Orsay, Paris, França (Gae Aulenti, ) introduzem novas escalas e diversificação nos contextos urbanos onde se inserem. Na década de 90, instituições como universidades, bibliotecas e museus apoiam-se nas exposições como modelo universal de transmissão de cultura. Surge agora um novo modelo de exibição, onde são pensados em conjunto objecto e suporte material do mesmo. À semelhança do que acontece nas décadas anteriores, existe uma enorme diversidade e disparidade de posturas arquitectónicas que caracterizam os museus, tornando-se difícil encontrar um denominador comum. Estes museus assumem um carácter manifestamente experimental nos planos arquitectónico e urbano, acompanhando a ideia de conteúdo expositivo como entretenimento e não apenas como elemento informativo ou cognitivo. museus conjugam estúdios de artistas, armazéns, escritórios e áreas residenciais ampliações e remodelações de museus já existentes e emergência de novas construções grande diversidade e disparidade de posturas arquitectónicas informatização do museu e a sua difusão no ciberespaço forte investimento das instituições em projectos de arquitectura de arquitectos consagrados O Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto (Álvaro Siza Vieira, ) e O Museu Guggenheim de Bilbao, Espanha (Frank Gehry, ) materializam duas abordagens distintas do conceito museológico dos anos 90. O fenómeno de explosão museológica ocorrido em Portugal entre 1980 e 1999, acompanha a tendência internacional verificada no mesmo período. O Inquérito aos Museus em Portugal serviu para constatar a existência de grande número de entidades que se auto-designavam museus, mesmo não correspondendo 19

20 completamente aos parâmetros nacionais e internacionais de museu. O inquérito mencionado trouxe algumas conclusões sobre a oferta destas entidadades, nomeadamente de espaços destinados ao público. Entre 2000 e 2002, o número de entidades museológicas que oferecem espaços destinados ao público que não somente os expositivos aumentou, sendo dos tipos: Tipo de Espaço 2000 (%) 2002 (%) Biblioteca/Centro de Documentação Loja Espaços para Serviço Educativo Cafetaria/Restaurante Espaço Multimédia/Audiovisuais Quadro 1. Tipos de Espaço Destinados ao Público Embora a vertente comercial de um museu faça parte da estratégia global deste e represente um meio informal de interacção entre o público e a entidade, não deve ser esquecida a missão social do museu: a divulgação de cultura, informação e aprendizagem. Para tal, o serviço educativo estabelece importantes ligações museu/público/comunidade. A diversificação da oferta de espaços é uma das características mais importantes a ter em conta na compreensão das tendências evolutivas destas instituições. Maria Luísa Bellido Gant vaticina sobre os novos museus (10), sugerindo que o museu do século XXI será: transportável no sentido em que cada pessoa poderá levar consigo o seu próprio museu (que toma aqui um significado imaterial); museu imaginário e museu sem paredes 11 ; participativo com a particularidade da evolução da obra exposta quanto ao tipo de suporte, com uma maior multiplicidade de soluções e técnicas; virtual com vantagens relacionadas com os horários de abertura (museus sempre abertos) e comodidade para o utilizador (pode aceder em qualquer lugar): quotidianização do museu. 10 Ver em: GANT, Maria Luísa Bellido, op. cit. 11 O conceito de museu imaginário existia já desde 1947, tendo sido criado por André Malraux. Consistia na reprodução das obras de arte por meio da fotografia impressa como representação da realidade material e permitia a criação de um imaginário individual e/ou colectivo. Mais recentemente, em dá-se o aparecimento do Museu Sem Fronteiras, materializado em duas vertentes: a primeira, in situ, constituía a visita a lugares, monumentos ou obras na sua localização real; a segunda consistia na sua documentação e catalogação num espaço virtual acessível pelo website da organização, com o objectivo de permitir ao utilizador revisitar o objecto/local através de documentos online. 20

21 Para além das valências tradicionais, o museu do século XXI assenta em principios como imaterialidade ou multiplicidade tanto da instituição e do seu edifício como dos seus conteúdos expositivos, à semelhança de iniciativas anteriores como o Museu sem Fronteiras (ver nota de rodapé n.º 11). É esperado destas instituições, com base nas tendências verificadas, o preenchimento dos seguintes critérios: aumento das actividades comerciais, adição de novos espaços e valências a biblioteca, o café, o restaurante, a loja o museu virtual e o museu digital como apostas de divulgação da arte e das suas diversas formas a um público mais vasto, sem limitações de horário e de localização Imagens 6 e 7. Tate Modern, Londres (Herzog & De Meuron, ); Newseum, Washington, (James Polshek, 2008). A BIBLIOTECA, ESPAÇO DE LEITURA We are drowning in information but starved for knowledge. 12 John Naisbitt No capítulo dedicado aos museus interpretou-se a incorporação de bibliotecas em programas de espaços expositivos. Seguidamente aborda-se a biblioteca enquanto equipamento público individual. No Manifesto da UNESCO sobre Bibliotecas Públicas (1994) foram definidas as missões da biblioteca pública, que pretendiam englobar noções de informação, literacia, educação e cultura, tendo como objectivo o desenvolvimento pessoal e a auto-formação. Considerada o centro local de informação, deveria ser portadora de uma missão social que prestasse serviços com base na igualdade de acesso. Warner Books 12 NAISBITT, John (1982) Megatrends: Ten New Directions Transforming Our Lives, 21

22 Era também importante que as suas colecções reflectissem as tendências da actualidade, a evolução da sociedade e a preservação das suas memórias. O século XIX traz os maiores desenvolvimentos tanto de remodelação de espaço (como o retirar das estantes de livros das salas de leitura, hierarquizando e separando funções de procura e leitura) como de tornar verdadeiramente públicas as bibliotecas. Primeiramente nos EUA e depois em Inglaterra, a criação das free public libraries 13 (bibliotecas públicas gratuitas) foi um dos maiores passos na aproximação da leitura ao público. Como tipo arquitectónico, a biblioteca não foi sempre igual, tendo sofrido alterações ao longo da sua existência. Rudolf Anaya sugere que a biblioteca deveria ser o coração da cidade 14, devendo ser também considerada centro de cultura, à semelhança de museus e outras instituições culturais. Sendo equipamentos de grandes dimensões nas cidades, a sua existência está associada não raras vezes ao domínio da arquitectura. A extensão feita por Philip Johnson à Biblioteca Pública de Boston (ver imagem 8) e a Biblioteca Central de Seattle de Rem Koolhaas (ver imagem 9) são disso exemplo. Também a Biblioteca Nacional de França, em Paris (Dominique Perrault, ) constitui um exemplo de reestruturação urbana e grandiosidade de escala, enquanto a Peckham Library em Londres (Alsop and Störmer, 2000) traduz a vanguarda de materiais e soluções construtivas bem como a contemporaneidade da linguagem arquitectónica. Imagens 8 e 9. Anexo à Biblioteca Pública de Boston (Boston, EUA), Philip Johnson ( ) e Seattle Central Library (Seattle, USA), OMA Architects (2004) 13 Ver em: PEVSNER, Nikolaus (1980) Historia de las tipologias arquitectonicas, Barcelona: Gustavo Gili, p ANAYA, Rudolf (cit. in Michael, CRAWFORD, Walt; GORMAN, Michael (1995) Future libraries: dreams, madness and reality, Chicago; London: American Library Association) 22

23 O livro e a leitura são vistos sob distintos pontos de vista: quem são os leitores, como executam as suas práticas de leitura e qual o caminho da evolução do livro enquanto suporte de informação e conhecimento. Sendo também um meio de conservação e transmissão do conhecimento e do saber 15, o livro é um objecto relativamente independente da idade ou do estrato social do seu utilizador. As novas tecnologias e novos suportes digitais, umas vezes considerados aliados, outras vezes ameaças ao livro e às práticas de leitura. Se, por um lado, vêm facilitar o armazenamento e divulgação das obras literárias, por outro provocam por vezes a diminuição da separação entre o original e a cópia, mas permitem ao utilizador a construção do seu próprio percurso de leitura e pesquisa 16. Em 1986, como base para o lançamento da Rede Nacional de Leitura Pública, foi efectuado um relatório sobre o estado das bibliotecas em Portugal 17, onde se concluíu que a imagem negativa das bibliotecas junto do público se devia maioritariamente à desactualização e escassez de fundos bibliográficos. As propostas de resolução dos problemas encontrados, para além criação de uma rede de bibliotecas públicas, assentavam na originalidade e qualidade arquitectónica dos edifícios, que deveriam conter novos espaços e oferecer novos serviços, conjugando assim o conceito de biblioteca tradicional com uma biblioteca mais moderna e dinâmica, que permitisse o acesso livre e gratuito de toda a população ao livro, acompanhando a emergência da sociedade de informação. 15 NUNES, Henrique Barreto (1998) A Oferta Pública de Leitura, FOLHA OBS n.º 3, Publicação Periódica do OAC, p o leitor tem de construir o seu próprio percurso para encontrar a informação de que necessita e é-lhe exigida a capacidade de agir, criando, alterando ou aproveitando encontros no corpo do conhecimento que se está a desenvolver, FURTADO, J. A. (2006) O livro na era digital: riscos e oportunidades, Funchal: Islenha nº 39, p Relatório apresentado à Secretaria de Estado da Cultura em 1986 por Maria José Moura, intitulado Relatório sobre as Bibliotecas Públicas em Portugal, por iniciativa da então Secretária de Estado da Cultura, Teresa Patrício Gouveia. O primeiro objectivo do Programa era dotar todos os concelhos do País de uma Biblioteca Pública, de acordo com os princípios e normas estabelecidos internacionalmente. Era uma tarefa difícil, uma vez que em Portugal não existiam praticamente bibliotecas que funcionassem de acordo com esses princípios: serviços diversificados para adultos e crianças, colecções abrangentes e em diferentes suportes, empréstimo domiciliário, livre acesso às estantes, etc. informação disponível no site da DGLB, 23

24 Em 1999, em Portugal, o público das bibliotecas era maioritariamente jovem e em idade escolar. Tendo como causa as exigências escolares que originaram este tipo de utilizador (e também a função convivial representada pelo encontro com amigos 18 ), as consequências destes acontecimentos revelaram que este tipo de utente, apesar de ainda não ter concluído o seu percurso escolar e ter, por conseguinte, um capital escolar baixo possuía, no entanto, um capital cultural superior ao dos seus progenitores. Era preciso abordar o livro e a leitura para além da obrigatoriedade escolar, atraindo outros públicos. Ainda assim, e contrariamente à tendência verificada noutros países europeus, em Portugal constatou-se um crescimento dos leitores. No artigo Bibliotecas e Leitores 19, foram traçados seis eixos que representavam o novo modelo de biblioteca : a polivalência, a divulgação e animação cultural, as estratégias inclusivas de democratização cultural, a aposta forte no marketing e na sedução, o estabelecimento de contactos e parcerias e a especial atenção às populações desfavorecidas ou debilitadas. No âmbito da democratização cultural e das estratégias de captação de públicos, era simultaneamente desenvolvido no Reino Unido o conceito das idea stores (veja-se pp ). Paralelamente, nas últimas duas décadas, tem sido dada particular atenção à entrada da biblioteca nos mundos digital e virtual. Através da disponibilização online do seu acervo, é facilitada a consulta e requisição dos seus títulos pelo utilizador. A inclusão de obras e documentos (na sua totalidade ou em pequenos excertos) em formato digital para consulta online vem também possibilitar o acesso imediato ao conteúdo das bibliotecas, em qualquer lugar e horário. Neste sentido, também as livrarias adoptaram sistemas análogos de divulgação dos seus conteúdos. No caso particular das livrarias online (como a Amazon), José Afonso Furtado refere vantagens face à livraria tradicional como a variedade de oferta, o horário de funcionamento (pode considerar-se sempre aberta), a entrega ao domicílio (o consumidor ocupa o lugar central), a competitividade de preços e a capacidade de adaptação de escala (funciona tanto como pequena livraria como grande veículo 18 LOPES, João T.; ANTUNES, Lina (1999) Bibliotecas e Leitores: Alguns resultados que nos interpelam, OBS n.º 5, Publicação Periódica do Observatório das Actividades Culturais, p.8 19 LOPES, João T.; ANTUNES, Lina, op. cit. 24

25 comercial 20 ). No entanto, embora com tendência de crescimento, a percentagem de utilizadores que efectuava compras online era ainda reduzida em Portugal, como se constatou n A Leitura em Portugal 21. O caminho a seguir prende-se com o desenvolvimento e aprofundamento das estratégias já iniciadas por bibliotecas e livrarias no sentido de captação e diversificação de público. Se o empréstimo de livros entre amigos e familiares tem um grande peso face à aquisição própria, é aconselhável a exploração de estratégias de empréstimo e aluguer nos espaços que agora apenas permitem a consulta ou a venda. Conceitos como o book crossing (troca de livros entre desconhecidos onde se tenta excluir o sentimento de posse em relação a um livro através da partilha deste ou troca por outro exemplar diferente gerando uma cadeia de informação) poderão ter sucesso e estão já implantados em Portugal, como no caso do Magnólia Caffé, em Lisboa, exemplificado no capítulo seguinte dedicado a cafetarias (ver p. 27). A CAFETARIA, ESPAÇO DE LAZER (...) é esse o principal objectivo de um café europeu: dar-nos a possibilidade de nos demorarmos mais tempo do que seria aceitável, mas desprovidos de qualquer sentimento de culpa. Não admira que a maioria dos grandes filósofos do mundo fosse originária da Europa: passavam muito tempo nos cafés, deixando o espírito vaguear até que lhes surgia, repentinamente, a ideia de uma corrente filosófica radicalmente inovadora (...) 22 Eric Weiner 20 O aparecimento de websites onde é possível efectuar a compra de livros e outras edições impressas vem facilitar a aquisição pelo utilizador destes mesmos artigos sem a necessidade de se deslocar a locais de venda como papelarias, livrarias ou quiosques. A venda online tanto de material impresso como de versões digitais tem ganho força nos últimos anos através de websites criados exclusivamente para o efeito como no caso da Amazon (que não se dedica exclusivamente à venda de livros) ou através de lojas como a FNAC, que disponibilizam o seu conteúdo online. No caso particular da livraria da FNAC, que dispõe de um espaço físico que se pode efectivamente visitar, o website representa uma extensão da loja. No caso da Amazon, também já com presença mundial (é uma empresa concebida em 1994, lançada online em 1995 nos EUA e sediada em Seattle, Washington), não possui um local físico de venda ao público, sendo as vendas feitas exclusivamente online. 21 SANTOS, Maria de Lourdes Lima dos (2007), A Leitura em Portugal, versão electrónica da edição impressa pelo GEPE Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação 22 WEINER, Eric (2008) A Geografia da Felicidade, Alfragide: Lua de Papel, p.18 25

26 Como já foi mencionado, os cafés e outros espaços de restauração exercem um elevado poder de sedução junto do público. Não, é por isso, de entranhar que instituições como museus e bibliotecas tenham adoptado estes serviços como complemento aos restantes que já possuem, constituindo áreas de descanso. Como espaços de descontracção e convívio por excelência, conferem não raras vezes alguma identidade ao espaço onde se inserem, estreitando as relações entre os visitantes e a instituição que complementam. Tais espaços são também muitas vezes catalisadores de mudança, uma vez que funcionam por vezes em horários distintos e mais alargados que os da instituição onde se encontram, potenciando também que estas vejam o seu horário de abertura repensado e alargado, definitiva ou ocasionalmente. A ida ao café/restaurante representa uma das práticas de sociabilidade mais registadas entre os portugueses 23, pelo que assumem um importante papel na regeneração de um espaço enquanto captadores de público e introdutores de novas dinâmicas nos equipamentos que os integram. O autor norte-americano Eric Weiner rotula os cafés europeus, aquando das suas viagens pelo mundo em busca dos países onde se registam maiores ou menores taxas de felicidade, da forma peculiar acima citada. Como ele próprio pôde constatar, os cafés europeus são radicalmente diferentes dos norte-americanos, tanto no espaço e no ambiente que porporcionam como no próprio café que servem. Será incorrecto afirmar que os cafés europeus pouco evoluíram ao longo dos tempos, no entanto, a sua relevância urbana mantém-se inalterada e até mesmo mais vincada, continuando a ser hoje pontos de encontro e locais de descontracção e convívio. Assim, não é de admirar que se aposte na arquitectura de interiores e na qualidade do serviço, tanto em novos espaços como na remodelação de espaços existentes. A tradição reside no acto de estar no café, de ver e ser visto, independentemente do acto de consumo. Constatou-se já a inserção destes espaços noutros de carácter completamente diferente. No entanto, o inverso também acontece, e as novas cafetarias possuem também elas outros espaços que não de refeição, acompanhando as tendências de outros lugares públicos. 23 SANTOS, Maria de Lourdes Lima dos (2007) A Leitura em Portugal, versão electrónica da edição impressa pelo GEPE Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação 26

27 Um exemplo concreto é o Magnólia Caffé, que só em Lisboa conta já com seis estabelecimentos. O mais recente foi inaugurado no dia 31 de Julho de 2008, na Avenida Miguel Bombarda, em Lisboa. O espaço interno está dividido em três zonas distintas, sendo a primeira, junto à entrada, inteiramente dedicada à cultura, oferecendo um espaço informal com sofás e cadeirões onde o cliente se pode sentar confortavelmente a ler os jornais, revistas e livros disponibilizados para consulta gratuita no local, ou simplesmente a conversar. Na segunda zona são servidas refeições ligeiras, sendo também permitida a leitura naquele local de refeição, o que o torna mais informal. Finalmente, a terceira zona, denominada Zona Lounge, serve refeições sofisticadas e está separada das anteriores por uma parede de cortinas. A inovação da zona dedicada exclusivamente à leitura assenta no conceito de book crossing, já existente no Magnolia Caffé do Campo Pequeno, e que consiste na troca de livros entre clientes, uma vez que estes podem levar um livro e deixar outro no seu lugar, renovando constantemente a oferta que é assim do público, e não do estabelecimento 24. Imagens 10 e 11. Restaurante do Centro Pompidou, Paris; Magnólia Caffé, Lisboa Como anteriormente referido, as cafetarias e restaurantes são espaços de lazer há muito absorvidos por equipamentos como museus e bibliotecas. As livrarias não são excepção e, em Portugal, espaços de venda de livros, CDs e DVDs de música e filmes como a FNAC ou a Byblos, incorporam também cafetarias, comprovando mais uma vez que a leitura e o lazer estão longe de ser dissociáveis. 24 PINTO, Sandra (2008) Tamanho XL, Visão Sete, 14 de Agosto de 2008, p. 8 27

28 A IDEA STORE, ESPAÇO MULTIFACETADO A public space is a human construct, an artifact, the result of the attempt by human beings to shape the place and thus the nature of their interactions 25 Marcel Hénaff O início do século XXI trouxe consigo uma interessante materialização de multiplicidade de conceitos num mesmo espaço, em Londres, denominada idea store. A livre tradução ( loja de ideias ) traduz a pluridisciplinaridade tanto do conceito como do espaço que este exibe, bem como da sua oferta cultural. Este espaço constitui uma ideia revolucionária no que toca à integração da sociedade num espaço simultaneamente de cultura e de aprendizagem num ambiente informal e participativo 26. Esta temática vai ser ainda reinterpretada como exemplo de uma contemporaneidade que se pretende trazer com esta proposta para o panorama português, aqui integrado em espaços de interfaces de comboio-metro. Como anteriormente referido, a idea store é um conceito revolucionário, desenvolvido em Londres, que conjuga num só lugar espaços expositivos, de leitura, de consulta, de aprendizagem, de informação, descontracção e lazer, para todas as idades e estratos sociais. Toma-se aqui como expoente máximo do rumo tendencial de pluralidade de funções de um espaço de cultura e lazer (como já acontecia, por exemplo, com a introdução de bibliotecas e restaurantes/cafetarias em museus). a idea store: o novo conceito de espaço público que oferece num mesmo local espaços de leitura e aprendizagem, culturais, expositivos, informais e de lazer. É um novo passo na aproximação ao público e no desempenho de uma vincada função social participada, usando do verdadeiro sentido de comunidade. Instituições como museus e bibliotecas constituem, desde há muito tempo, pólos dinamizadores do desenvolvimento urbano e cultural da zona onde se inserem. A consciencialização de um mercado e de uma comunidade cada vez mais globais (mesmo à escala local) foi o ponto de partida para o desenvolvimento de alguns estudos e medidas de crescimento dos padrões educativos do sistema escolar no Reino Unido, tanto para jovens em idade escolar como para adultos. 25 HÉNAFF, Marcel; STRONG, Tracy B., (2001) Public Space and Democracy, Minneapolis: University of Minnesota Press, 5. (cit. in David Carr, op. cit., p. 127) 26 CARVALHO, Jorge (2006) Idea Store, Whitechapel, Londres, Jornal De Arquitectos n.º 222, Publicação Trimestral da Ordem dos Arquitectos, pp

29 Aliado a estes conceitos está o combate à exclusão social, factor que vai ser determinante no posicionamento estratégico das idea stores em Londres, privilegiando assim zonas demográfica e culturalmente diversificadas no sentido de incrementar e tirar partido dessa mesma riqueza cultural. Quando hoje em dia se fala em globalização, em termos urbanos tal expressão representa uma cidade que não pertence somente ao seu próprio país, e que se caracteriza não pela sua dimensão física ou número de habitantes mas pela sua riqueza e diversidade em vários âmbitos (social, cultural, económico, entre outros). Importa, contudo, fazer a distinção entre os conceitos cosmopolitismo e globalização, no sentido em que o primeiro pressupõe o conhecimento e a troca e o segundo a homogeneização cultural, ou seja, [...] o cosmopolitismo requer a existência de tradições e a necessidade da respectiva intercomunicação, o segundo a anulação das mesmas 27. Estas premissas resultam do inquérito feito aos não-utilizadores de bibliotecas no Reino Unido (ca. 70% da população em 1998), que revelou os seguintes dados: Razões pelas quais eram utilizadores pouco frequentes de bibliotecas Falta de tempo Horário de abertura inconveniente Falta de interesse Fraca selecção de livros Ambiente desagradável O que gostariam de encontrar numa biblioteca para passarem a utilizadores frequentes Abertura aos Domingos Alargamento do horário de abertura Presença de arte e exposições Aumento da quantidade de livros Acesso a zonas comerciais Informação sobre a freguesia/concelho Empréstimo de material audiovisual Quadro 2. Resultado do inquérito aos não-utilizadores de bibliotecas no Reino Unido (Fonte: A Library and Lifelong Learning Development Strategy for Tower Hamlets, 1999, pp. 4, 20, 21) A idea store surge, então, na tentativa de responder à necessidade de tornar o sector do ensino e a tradição da biblioteca mais apelativos ao público, ao mesmo tempo que se impõe o desafio de trazer novos utilizadores. Para tal efeito, a estratégia adoptada implicou a renovação da imagem errada que por vezes existia da biblioteca (principalmente junto dos não-frequentadores), tanto ao nível do edifício em si como ao nível da sua estrutura interna. A mobilidade condicionada foi um dos factores-chave das transformações ocorridas ao nível da arquitectura do edifício. 27 GREGOTTI, Vittorio (1999) L identitá dell architettura europea e la sua crisi, Turim: Einaudi, p 162 (trad.) 29

30 Estão subjacentes as ideias de continuidade do espaço pela ausência de barreiras e obstáculos físicos, de flexibilidade e adaptabilidade de espaços internos sugeridos pelo desenho arquitectónico, e de contemporaneidade na escolha de materiais e de toda a linguagem que caracteriza o conjunto 28. A noção de auto-aprendizagem alia-se à de aprendizagem ao longo da vida (lifelong learning 29 ), enfatizando assim o carácter informal do espaço, que se pretende que capte a atenção do utilizador ao mesmo tempo que oferece outras actividades de cultura e lazer. Esta ideia de fomentação da busca de conhecimento tem como objectivo o aumento da auto-confiança e auto-estima dos utilizadores nos domínios pessoal e de conhecimento adquirido, sendo alvos particulares as pessoas/grupos socialmente excluídos. É ainda importante referir o papel relevante das novas tecnologias no desenvolvimento do conceito da idea store. A maioria dos serviços é prestada no local, embora o utilizador possa, a título de exemplo, efectuar pedidos de empréstimo de material multimédia ou livros através da internet, em casa ou no trabalho, que depois pode levantar no local. Existem ainda salas multimédia com ligação à internet, disponibilização de documentos vários online, entre outras vantagens possibilitadas pelas tecnologias de informação e comunicação. Outros critérios de atractividade das idea stores ou de lugares semelhantes são: A possibilidade de serem encarados como locais de encontro de colegas/amigos; Existência de espaços de refeição e take-away; Proximidade ou mesmo inclusão de um supermercado; Proximidade dos transportes públicos preferencialmente nos pontos que se situam nos percursos entre o trabalho, a escola e a casa. Imagem 12. Interior tipo de uma idea store: zona infantil, posto self-service da biblioteca e cafetaria 28 Ver em: ADJAYE, David (2006) David Adjaye Making Public Buildings, London: Thames & Hudson, pp Ver em: A Library and Lifelong Learning Development Strategy for Tower Hamlets, (1999), disponível em: 30

31 Em 2002 abre a primeira idea store em Bow (Londres), pela mão do arquitecto Bisset Adams. Desde então, mais três foram abertas também em Londres seguindo os mesmos princípios, por arquitectos como David Adjaye (idea stores de Chrisp Street e Whitechapel) e Dearle & Henderson (Canary Wharf) 30. Ainda em desenvolvimento, as idea stores contemplam ou visam contemplar num futuro próximo: Bibliotecas de aluguer/empréstimo de livros; Actividades de promoção de leitura; Biblioteca; Cuidados infantis; Actividades dedicadas à família, adultos, crianças, estudantes, idosos, etc.; Serviços de informação sobre turismo e lazer, oferta de emprego, entre outros; Estudos locais e serviço de arquivo; Salas de aula e espaços de leitura e de estudo; Workshops de aprendizagem para adultos; Salas dedicadas às tecnologias de informação; Cafetarias; Espaços de comércio; Espaços expositivos e de performance de arte; Videowall; Standardização de horários e abertura todos os dias da semana. A recente transformação do conceito de livraria com a inclusão de cafetarias, espaços de exposições e/ou concertos é um exemplo da necessidade de diversificação de oferta de uma instituição. O potencial consumidor é seduzido por espaços vocacionados para um uso complementar dentro dos lugares mencionados (museus, bibliotecas, livrarias), e que têm como objectivo último uma maior permanência do utilizador e, por conseguinte, o encorajamento ao consumo. Exemplo concreto de sucesso destas iniciativas é a livraria FNAC, com grande expressão na Europa desde a década de Embora só tenha chegado a Portugal em 1998, a FNAC contabiliza já um número de visitantes superior a 143 milhões na totalidade das lojas existentes no país desde a abertura da primeira, no Centro Comercial Colombo, em Lisboa A Library and Lifelong Learning Development Strategy for Tower Hamlets, (1999) Customer Services and Education Directorates for the Arts, Leisure, Sports and Youth and Community Services Committees, estudo disponível em: 31 dados disponíveis em: 31

32 Ainda no âmbito dos espaços públicos dedicados à leitura, nos últimos anos o Pelouro da Juventude da Câmara Municipal de Lisboa tem oferecido aos munícipes (em particular aos estudantes) espaços gratuitos equipados com salas multimédia e acesso à internet, bem como zonas de estudo. Denominados Espaços da Juventude, são actualmente cinco e situam-se no Centro Comercial Acqua Roma, nas Amoreiras, no Campo Grande, em Chelas, no Bairro do Armador e no Bairro Alto. À semelhança do que acontece nas idea stores, embora em áreas bastante mais reduzidas, estes espaços oferecem serviços de informação diversa nos âmbitos da habitação, do ensino, do emprego, da saúde, da cultura, do desporto e do ambiente 32. No entanto, existe ainda um longo caminho a percorrer, tanto na divulgação destes espaços junto do seu público-alvo como no seu melhoramento e diversificação, pelo que as idea stores constituem um excelente exemplo a seguir e a adaptar à realidade portuguesa Imagem 13. Interior do Espaço da Juventude Aqua Roma: zona de estudo e zona de acesso à internet 32 página oficial: 32

33 3. Apresentação do Estudo de Caso Interface de Comboio-Metro de Entrecampos Imagem 14. Interface de Entrecampos: Entrada Sul (exterior e interior) e Piso 1 INTRODUÇÃO O trabalho desenvolvido no ano lectivo 2007/2008 na cadeira de Projecto Final 33 foi executado em duas partes: a primeira, em grupo 34, consistiu na elaboração de uma análise, caracterização e proposta de intervenção à escala urbana nas áreas de Entrecampos ou Sete Rios, em Lisboa; a segunda fase, de trabalho individual, tinha como objectivo a elaboração de um plano urbano urbano incidente numa das áreas previamente analisadas. A análise crítica desenvolvida na fase de grupo permitiu reconhecer debilidades e potencialidades da zona de Entrecampos e definir vectores de intervenção que consolidassem uma área que se mostrou fragmentada nos seus usos e tecido urbano. A debilidade da zona do Bairro de Santos e do Rego, com fogos devolutos e construção antiga, espartilhada por eixos viários de grande importância e dimensão na cidade, a barreira que representava a linha do comboio ao atravessar a freguesia de Nossa Senhora de Fátima e grandes áreas expectantes junto à linha férrea como o lote da antiga Feira Popular, deram origem a um plano de intenções para a área estudada. Critérios como adequação de usos, continuidade urbana, mobilidade e qualificação do espaço público foram as directrizes que mais tarde se materializaram no plano desenvolvido individualmente. 33 Docentes: Arq.º Carlos Cruz, Arq.º Nuno Lourenço, Arq.º Frederico Moncada e Arq.ª Ana Maria Martins 34 Alunos: Ana Carolina Batista, Bruno Fernandes, Mónica Coutinho, Pedro Alvito e Ricardo Arrifano 33

34 BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DA ZONA DE ENTRECAMPOS O actual interface de comboio-metro de Entrecampos, objecto de estudo desta dissertação, situa-se na freguesia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, tendo sido desanexada das freguesias de S. Sebastião da Pedreira e do Campo Grande em É delimitada a Norte pela Avenida das Forças Armadas, a Nascente pela Rua de Entrecampos, a Sul pela Avenida Duque D Ávila e a Poente pelas Avenidas dos Combatentes e António Augusto Aguiar, importantes eixos de concentração de terciário e serviços. Imagem Limite da Freguesia de Nossa Senhora de Fátima Sob a influência do terramoto de 1755, a zona é alvo de grandes remodelações, dando-se o alargamento das antigas quintas e a criação de novas. A grande mudança é materializada com o plano do Engenheiro Ressano Garcia, em 1888, com a criação do conjunto das Avenidas Novas. A acrescentar às construções de maior relevo, e que ainda hoje caracterizam a zona envolvente da freguesia, destacam-se a Praça de Touros do Campo Pequeno ( ), a Cidade Universitária e a Biblioteca Nacional ( ), o Hospital de Santa Maria (1954) e as instalações da Fundação Gulbenkian ( ) ver Anexo 3. Um dos aspectos mais importantes da zona de Entrecampos foi a terciarização que sofreram as Avenidas Novas, onde a habitação deu lugar a espaços de escritórios e o comércio tradicional perde terreno para o comércio de massas, standardizado, com o surgimento de grandes superfícies comerciais (em particular na zona do Saldanha e, mais recentemente, sob a Praça de Touros). No entanto, à semelhança 34

35 do que acontece com outros equipamentos e programas, a evolução é cíclica, pelo que a terciarização desta zona já sofreu um retorno à habitação nalguns casos. Ainda sobre as grandes construções na freguesia, destaca-se o projecto de construção do atravessamento em viaduto sobre a Avenida da República pela via férrea da Linha Urbana de Lisboa, aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa a 13 de Julho de (ver Anexo 5). DADOS ESTATÍSTICOS E DEMOGRÁFICOS DA ZONA DE ENTRECAMPOS E OUTROS INDICADORES RELEVANTES O actual PDM de Lisboa, aprovado em 1994, veio salientar a necessidade de solucionar problemas no âmbito do crescimento desmesurado da periferia da cidade e do consequente abandono do centro da cidade por parte das camadas mais jovens da população. O resultado foi um envelhecimento generalizado da população residente na cidade e também do seu tecido edificado, particularmente na habitação (em Entrecampos, quase um terço da população é idosa, mas mais de 20% é também representada pela camada jovem em idade escolar até 24 anos). A somar a uma grande quantidade de fogos e edifícios devolutos, este efeito originou a degradação de muitas zonas, especialmente as de uso maioritaria ou estritamente residencial, que viram o comércio local fechar as suas portas face ao aparecimento das grandes superfícies comerciais. A resolução do défice de equipamentos colectivos era uma das acções de resgate da população mais jovem para o centro da cidade, o que passava inevitavelmente pelos sistemas de mobilidade e transportes públicos (ver Anexo 4). Segundo os dados disponibilizados pelo INE, no ano de 2001, 25% da população portuguesa residia na AML. Embora possuísse uma densidade relativamente baixa quando comparada com o conjunto das metrópoles europeias (aproximadamente 900 hab/km 2 ), a sua constituição era bastante heterogénea, pois apenas 21% desses mesmos habitantes residia em Lisboa (contudo, a freguesia de Nossa Senhora de Fátima possui um grande número de residentes que ascendia a mais de 15 mil em ). Entrecampos é, no entanto, uma das áreas da capital com maior número de famílias e alojamentos na cidade de Lisboa. 35 Cronologia dos caminhos de ferro portugueses disponível em: 36 SEIXAS, J. (2004) Diagnóstico Sócio-urbanístico da Cidade de Lisboa Uma perspectiva censitária (2001), Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa Pelouro de Licenciamento Urbanístico e Planeamento Urbano 35

36 No entanto, têm vindo a ser praticadas várias políticas de dinamização do centro da cidade, através da criação de infraestruturas de apoio à população residente e recuperação e criação de edifícios de habitação. Iniciativas como as da EPUL foram importantes na criação de habitação jovem e colmatação de estados de precariedade urbanística um pouco por toda a cidade, e Entrecampos não foi excepção, com a criação da Praça de Entrecampos. Imagem 16. Fotomontagem do projecto Praça de Entrecampos, Lisboa, actualmente em construção Espera-se que estas iniciativas revertam a tendência de perda da população do concelho de Lisboa para os concelhos adjacentes integrados na AML. Se, por um lado, a expansão da rede de transportes veio facilitar o acesso da periferia ao centro da cidade, por outro é ela também em parte responsável pelo afastamento da população, uma vez que cria todas as condições de transporte rápido e cómodo para os concelhos vizinhos, onde o custo da habitação é significativamente inferior. Estas questões, por vezes dúbias e de difícil resolução, têm requerido grande atenção nos últimos anos. A partir de 2002 houve um ligeiro processo de reversão destas tendências negativas 37, com a chegada de um grande número de população jovem, na sua maioria estudantes universitários (ver Anexo 2). 37 (2007) Lisboa 2012 Uma visão estratégica, p

37 TRABALHO DESENVOLVIDO EM PROJECTO FINAL 2007/2008 O Lote da antiga Feira Popular de Lisboa é hoje um troço de cidade expectante. É um elemento de transição entre o Campo Grande e o Campo Pequeno e possui um enorme potencial pela sua localização as Avenidas Novas. Necessita agora de um recapitular da sua história, para que possa ser compreendido e receber finalmente o século XXI, servindo a cidade. Nos dias de hoje, ele está compreendido entre grandes artérias viárias da cidade, requerendo por isso a máxima atenção no que respeita a acessibilidades, densidade, programas, usos e tipologias de construção e em relação ao espaço público que pode apresentar (ver Anexo 6). Dada a ligação directa ao Interface de Entrecampos a Sul, à localização estratégica no corredor de terciário (instituído pelo PDM de Lisboa), a proximidade do Jardim do Campo Grande, a Norte, e dos bairros de S. Miguel, a Nascente, e de Santos, a Poente, é uma área vocacionada para a passagem, para a chegada e partida da cidade, e vista também como local de trabalho e residência. Todas estas diferentes apropriações no tempo e no espaço deste troço de cidade são passíveis de gerar conflitos viários, pedonais e de usos, pelo que é necessária a máxima atenção ao tratar deste último troço da Avenida da República. O desenvolvimento individual do plano para o lote da antiga Feira Popular de Lisboa representa uma possível materialização de um conjunto de intenções e linhas orientadoras desenvolvidas numa fase anterior em grupo. Dada a importância deste espaço em termos de localização geográfica e estratégica na cidade e todo o seu contexto histórico e cultural, foi desenvolvido um conjunto de situações urbanas que pretendem rematar este troço de cidade expectante, servindo o principal utente o cidadão. A cidade é vista à luz de conceitos como vida, trabalho, lazer, consumo e movimento, que correspondem às mais variadas interpretações e concretizações quando se elabora um plano urbano. As tipologias de construção adoptadas tendem a sugerir um espaço menos denso e mais aberto, mas nem por isso menos vivenciado. O fluxo diário de pessoas devido à proximidade do Interface de Comboio-Metro de Entrecampos origina ocasionalmente, ao longo do dia, movimentos pedonais de grande intensidade. Paralelamente a este movimento pedonal, no mesmo período existe também o aumento do fluxo rodoviário, tanto de transportes públicos como de privados (maioritariamente dos segundos). Assim, dada a vocação deste espaço para acolher diariamente grandes quantidades de pessoas (não só moradores e trabalhadores mas também turistas), a reformulação 37

38 do lote originou a sua divisão em duas partes, segundo um eixo pedonal desenhado nas fases anteriores de projecto a ligação Sete Rios/Bairro de Santos Entrecampos. Imagem 17. Planta de Localização com o plano urbano desenvolvido em Projecto Final Imagem 18. Esquemas da proposta apresentada em Projecto Final A primeira das duas grandes áreas resultantes desta divisão localiza-se junto ao Interface que, sendo a mais ampla, possui equipamentos de carácter mais público e lúdico. Já a segunda, a Norte da primeira, é mais densa e nela convivem entre si usos de habitação, comércio e serviços e hotelaria. No sentido longitudinal dá-se uma cisão do lote também em duas partes e novamente através de um percurso pedonal a ligação Campo Grande Parque Urbano (também desenvolvido na fase anterior). 38

39 Um dos principais objectivos foi a criação de uma rede de espaços públicos de variadas dimensões e tipologias que desse alguma continuidade aos já existentes, unindo-os entre si. A malha urbana proposta não reflecte o prolongamento da métrica das Avenidas Novas, dando assim continuidade à tendência verificada ao longo dos tempos, assumindo-se como um momento de diversidade na Av. da República, potenciando assim a leitura de espaço de transição que efectivamente representa. No que respeita aos usos propostos, a proposta vai de encontro ao sugerido no PDM de Lisboa, oferecendo terciário, habitação e também alguma diversidade e complementaridade não só à nova construção, mas também ao tecido urbano que a integra. Para tal, a proposta introduz vários tipos de habitação, espaços públicos qualificados, diversificação do comércio e criação de equipamentos públicos vocacionados para cultura e aprendizagem informal (ver Anexo 6, esquema de usos). O EDIFÍCIO Com projecto de arquitectura do Arq.º Carlos Roxo, o interface de comboio-metro de Entrecampos abriu ao público em 1998, vindo substituir o projecto de renovação da estação do Rego elaborado aquando do Plano de Estruturação Urbanística para a zona do Rego, em Condicionantes urbanas como a desactivação do antigo Mercado Abastecedor de Lisboa e a habitação precária e ilegal junto à via férrea estiveram na base da reestruturação profunda da zona 38. Em termos de acessibilidades e transportes, a nova estação ferroviária viria a ser construída sobre as avenidas 5 de Outubro e da República, importantes eixos terciários e com possibilidade de ligação directa à rede do metropolitano. Este acontecimento teve impactos negativos na uniformização e remate do tecido urbano no bairro de Santos, tendo sido adiada a sua conclusão. Estas problemáticas estiveram na base do programa de Projecto Final no ano lectivo 2007/2008, e aqui se tomam também como contextualização do interface de Entrecampos e da proposta desenvolvida neste trabalho. A actual estação de Entrecampos faz parte de um conjunto de estratégias no âmbito da modernização dos transportes ferroviários que ocorreram cidade de Lisboa, organizando-se em três pisos: o piso 0, de entrada; o piso 1, que constitui um mezanino de distribuição de fluxos pedonais aos quatro cais de embarque; e o piso 2, que contém os quatro cais (ver corte representado na imagem 21). 38 Ver em: VAZ, Diogo; GUEDES, M. Sousa (1995) Plano de Estruturação Urbanística da Zona do Rego Estudo Preliminar, Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa 39

40 Imagem 19. Interface de Entrecampos: Planta de arquitectura do Piso 0 Imagem 20. Interface de Entrecampos: Planta de arquitectura do Piso 1 Imagem 21. Interface de Entrecampos: Corte transversal 40

41 ANÁLISE SWOT DO INTERFACE DE ENTRECAMPOS Para efeitos de análise da situação actual do interface enquanto equipamento público e das suas potencialidades, foi efectuado um registo de diversos aspectos negativos e positivos sob a forma de análise SWOT (Strong, Weak, Opportunities, Threats). Sob a forma de breves tópicos, este tipo de análise oferece uma leitura imediata dos pontos fortes e fracos, bem como das oportunidades e ameaças que caracterizam os actuais interfaces de comboios. STRONG Pontos Fortes Forte rotatividade e presença contínua de pessoas ao longo do dia; Existência de períodos mortos de uso ou permanência de pessoas; Presença de recursos espaciais subaproveitados ou sub-rentabilizados. WEAK Pontos Fracos Picos de sobreutilização de pessoas em horas de ponta ; Baixos factores de segurança e conforto psicológico coincidentes com os períodos menos intensos de utilização do interface; Efeitos de stress no utilizador que inibem a utilização tranquila do interface; Valores elevados de ruído e vibração que interferem no conforto do utilizador; Problemas de vigilância. OPPORTUNITIES Oportunidades Reestruturação de usos do interface permite alargamento de horários, serviços e transportes; Aprendizagem e cultura ao alcance de maior número de pessoas, de maneira fácil e rápida; Oferta de espaços de descontracção para actividades de pesquisa, estudo, leitura, entre outras; Contacto intergeracional. THREATS Ameaças Choque entre os diferentes usos de parmanência e passagem associado aos períodos de maior tráfego pedonal; Problemas de controlo e segurança contra roubos nos períodos de maior utilização do interface. Quadro 3. - Análise SWOT No âmbito da presente tese de mestrado, em entrevista realizada ao administrador da CPCom, Dr. Nuno Neves, pelo Interface de Entrecampos passam mensalmente mais de um milhão de passageiros. Este número representa desigualdades de ocupação consoante os períodos diários de hora-de-ponta e com os fins-de- -semana (geralmente com muito menos ocupação que os dias úteis da semana). Além destas desigualdades de ocupação no plano diacrónico, o plano espacial da estação é também portador de assimetrias no que toca à sua ocupação por usos e pessoas. O local menos utilizado da estação corresponde ao lado poente do edifício, entre as entradas Norte e Sul junto à Av. 5 de Outubro (ver Anexo 7). Tendo a Av. da República, em termos de usos, acessibilidades e ligações a outros transportes, um peso consideravelmente maior que a Av. 5 de Outubro, não é de difícil justificação que ao lado Nascente da estação corresponda um maior fluxo de pessoas. Esta desporporção é ainda agravada pelo facto de a ligação ao Metro se 41

42 fazer também em direcção ao lado Nascente do edifício, no piso -1. A inexistência de um serviço-âncora no lado menos utilizado da estação e no seu exterior, a Poente, traz problemas de vigilância e segurança naquela zona da estação, tanto no piso 0 como no piso 1. No entanto, salientam-se oportunidades como as acções de reabitação e criação de equipamentos no centro da cidade (veja-se o projecto da EPUL, p Praça de Entrecampos), que promovem a recuperação do parque habitacional e o desenvolvimento de programas culturais e lúdicos. Os novos usos de cultura e aprendizagem (espaços expositivos e de leitura, entre outros) a implementar no Interface de Entrecampos podem constituir a materialização destas acções. Paralelamente, existem estratégias em desenvolvimento no município no que respeita a acessibilidades e mobilidade no centro da cidade (desenvolvimento e modernização das redes e equipamentos associados ao transporte público), susceptíveis de levar a um aumento da utilização dos transportes públicos por parte da população a médio prazo. Em zonas maioritaria ou exclusivamente residenciais como nalguns dos bairros envolventes (ver Anexo 1), além da reversão do envelhecimento da população nestas zonas e prevenção da degradação e abandono do edificado, as acções mencionadas resultarão na diversificação populacional (etária, de classes, etc.), pelo que a zona deve beneficiar de diversidade também na oferta de equipamentos. Auxiliada por estas premissas, a proposta aqui feita pretende tirar partido não só das potencialidades mas também das actuais ameaças ao bom funcionamento do interface, fazendo uso do contexto urbano em que se este insere e com vista à valorização de ambos. 42

43 4. Proposta de inserção de usos associados a cultura e aprendizagem em espaços de interface É agora estudada a adequação dos conceitos de espaço expositivo, cafetaria e biblioteca ao interface enquanto usos catalisadores de mudança. Estes conceitos materializam-se programatica e arquitectonicamente no espaço em usos que se dividem, por sua vez, em três categorias gerais: os de cultura, os lazer e os de estudo e aprendizagem. As referidas categorias e os espaços arquitectónicos estudados que as materializam devem ser vistos de forma integrada de modo a permitir a contaminação programática que se pretende trazer com a proposta apresentada. Uma vez que a versatilidade acompanha as novas tendências de espaços tradicionais como bibliotecas e museus, aos quais se dá particular ênfase neste estudo, as três categorias oferecem novos espaços tão apelativos e dinâmicos como cyber-cafés, espaços expositivos, livrarias, mediatecas e salas de estudo. A adaptabilidade dos novos usos ao interface de comboios é também explorada sob o ponto de vista das exigências programáticas, funcionais, ambientais e ergonómicas. AVALIAÇÃO DA ADEQUAÇÃO DOS ELEMENTOS ESTUDADOS NO ENQUADRAMENTO TEÓRICO Um espaço deve cumprir determinadas funções e proporcionar vivências ao seu utilizador. No caso particular do espaço público e das diversas formas que este toma, a capacidade de adaptação e mudança com vista à sua evolução são elementos fundamentais no prolongamento da sua existência e significado perante a comunidade que servem. Os lugares já mencionados museus, bibliotecas, cafetarias e interfaces são aqui considerados espaços públicos na medida em que servem o público, devendo por isso ser proporcionado o livre acesso a estes. Equipamentos com fortes missões sociais como os analisados traduzem muitas vezes a imagem de uma cidade, da sua cultura, da sua população. Devem por isso ser dotados e dotar a cidade de identidade própria sob pena de, num mundo cada vez mais globalizado, a própria noção de lugar perder o seu significado, se todos os lugares forem iguais. Dos equipamentos anteriormente apresentados, o cruzamento entre eles é aqui sugerido, e pode ser materializada de várias formas, sempre no intuito de 43

44 enriquecer a situação existente. Partindo do equipamento do interface de comboiometro, a proposta desta dissertação vem sugerir a introdução de usos associados a cultura e aprendizagem neste espaço, rentabilizando-o e dinamizando-o. Das categorias propostas - cultura, aprendizagem e lazer a última constitui a única já implementada no interface, sob a forma de lojas e cafetarias. Analisadas as tipologias de museu, biblioteca e cafetaria, torna-se quase impossível classificar cada uma delas num uso distinto, uma vez que em todas se aprende, se convive e se adquire cultura, sob diversas formas. No entanto, o museu, quando materializado num espaço expositivo (independentemente da colecção exposta), é considerado um uso cultural. Assim, à biblioteca, quando materializada numa sala de leitura ou multimédia, é associado um uso de aprendizagem. A cafetaria, pela sua elevada ligação a uma estada informal, é usualmente associada a um uso de lazer. No entanto, todos estes usos se complementam e intersectam, como se pôde comprovar na fusão conseguida em Londres pelas idea stores. É esse exemplo que aqui se toma como base na materialização deste estudo de conjugação de usos. O uso de uma arquitectura apelativa e contemporânea do espaço aliada à oferta do mesmo vem tentar quebrar a ideia negativa que ainda possa existir destas instituições, cativando novos públicos e oferecendo algo singular aos já frequentadores destes equipamentos. Define-se então o que oferece maioritária e individualmente cada um destes espaços: MUSEU BIBLIOTECA CAFETARIA INTERFACE Espaço vocacionado para exposição e documentação de bens culturais Veículo arquitectónico de divulgação cultural de uma instituição, cidade, país ou comunidade Espaço vocacionado para leitura e estudo Dupla virtude do espaço arquitectónico: a zona de consulta e a zona de leitura Deve prever o aumento e a reestruturação do seu espaço físico adaptabilidade e versatilidade de programas e percursos Interacção entre a instituição e o utilizador Conexão e compromisso entre o passado e o futuro Fundo comunitário cultural acessível a todos Lugares informais de descontracção e lazer Constituem pontos de paragem, estada e descanso Interacção entre utilizadores e o equipamento dependente do consumo Equipamentos de deslocação intra e inter-cidades e países Constituem maioritariamente locais de passagem mas também locais de espera de grandes dimensões Reduzida interacção entre utilizadores e o equipamento Actividades de lazer e consumo Medidas de recuperação urbana e consequente impacto na zona envolvente Miscigenação cultural e geracional Criação de memórias Serviço à comunidade Quadro 4. Oferta de cada tipo arquitectónico estudado 44

45 Há, como se pode constatar, vários pontos onde todos os equipamentos se tocam, e encontram-se fundamentalmente associados à ligação com o utilizador enquanto indivíduo ou elemento integrante de uma comunidade. É este o critério a ter em conta, potenciando ainda mais estas relações através da interligação dos diversos usos, quer na conjugação de actividades, quer na partilha de um mesmo espaço o interface. Como explorado no capítulo dedicado às idea stores, a materialização do conceito de multiplicidade de funções (nomeadamente associadas a cultura e aprendizagem) pode recorrer eficazmente à arquitectura e à manipulação do espaço. Para tal, critérios como continuidade visual e espacial são explorados arquitectonicamente, no intuito de acompanhar os critérios de coesão e diversidade programática destes espaços. Se as idea stores tinham também como critério a proximidade dos transportes públicos, extrapola-se aqui a integração deste conceito para dentro dos transportes públicos (mais concretamente dos espaços que os albergam). Já foi testado e ocorre umas vezes com relativo sucesso e outras constituindo sucessivos fracassos a introdução de espaços comerciais em estações de metro e de comboio (como por exemplo a estação de metro do Marquês de Pombal e o interface de Campolide). Normalmente associados a pequenas lojas ou espaços de restauração de dimensão igualmente reduzida, pretende-se provar que estes espaços podem oferecer e apresentar muito mais que meras representações em pequena escala de centros comerciais. Devido à elevada concentração de pessoas em determinadas horas do dia (coincidentes com o período de partida ou chegada ao trabalho/escola/casa hora de ponta ), justifica-se a introdução de um ambiente mais qualificado e seguro nestes espaços. Pelo elevado poder de sedução exercido junto do público, cafetarias e restaurantes são desde há algum tempo conjugados em programas de museus, bibliotecas e livrarias. Os exemplos concretos existentes no Interface de Entrecampos corroboram a ideia de que os espaços de refeição são os mais rentáveis, ou não fossem os que existem em maior número e desde o início da construção da estação. Veja-se o Café com Livros (piso 1), o espaço existente de maior potencial dentro da estação. É simultaneamente uma cafetaria com zona de esplanada e livraria, dando ainda acesso directo ao piso inferior, que contém uma livraria e uma galeria de arte. Junto dos lojistas obteve-se a indicação que a cafetaria do Café com Livros tem muito mais utilizadores do que a própria livraria, contígua a este. Tal pode dever-se ao facto de a esplanada constituir um espaço de espera com lugares sentados, colmatando uma das grandes lacunas da estação (ver Anexo 7). 45

46 Imagem 22. Interface de Entrecampos, Entrada para o Café com Livros, Piso 1 Um exemplo de um espaço de cultura inserido num equipamento de transportes públicos é o Museu da Música, situado na estação de Metro do Alto dos Moinhos, em Lisboa. Sendo um do poucos usos públicos não comerciais ou de restauração no Metropolitano de Lisboa, este equipamento pode considerar-se que tenha tido, desde a sua criação em 1994, uma óptima aceitação por parte do público 39, esta instituição acolheu mais de visitantes em 2007). Este caso pode revelar o grau de aceitação de outros usos em espaços de passagem associados a transportes públicos. Outro exemplo de incorporação de um espaço expositivo num equipamento de transporte de passageiros é a extensão do Rijksmuseum no aeroporto de Schiphol, em Amesterdão, que inclui também uma pequena loja do museu (ver imagem 23). Veja-se o caso de estudo do Interface de Entrecampos. Actualmente com a média anteriormente mencionada de mais de um milhão de passageiros por mês, a aposta noutros usos que não estritamente comerciais deve ser testada, tirando partido desta situação para implementar espaços expositivos. Imagens 23 e Extensão do Rijksmuseum no Aeroporto de Schiphol, Amesterdão, Holanda (2003); Museu da Música, Estação de Metro Alto dos Moinhos, Lisboa (1994) 39 Ver dados disponíveis em: 46

47 Já no caso dos espaços de leitura, basta uma observação no local para se constatar que, onde existe um lugar sentado, existe quase invariavelmente um passageiro com um livro ou um jornal na mão, aguardando pelo comboio. A inexistência de uma sala de leitura (ou sequer de uma sala de espera) resulta na livre apropriação do espaço por parte dos utilizadores para este fim, situação que nem sempre nas condições de maior segurança ou conforto. Pode retirar-se da avaliação feita que tanto usos de cultura e aprendizagem como espaços expositivos e de leitura complementam a oferta já proporcionada pelos espaços comerciais e constituem uma alternativa a estes últimos, na sua maioria exclusivamente associados a consumo no local. Pretende-se com estes novos usos tirar partido dos pontos fortes descritos anteriormente na análise SWOT do interface (ver Quadro 3, p. 41). Imagem 25. Utilizadores do Interface de Entrecampos: espaços de espera, espaços de leitura Em comum, tanto o interface como os restantes usos possuem fortes capacidades de proporcionar relações intergeracionais, interculturais e com a envolvente territorial, cumprindo assim um papel vincadamente social capaz de gerar momentos urbanos, memórias e vivências, explorando os tópicos oportunidades mencionados na análise SWOT. A compreensão dos fluxos pedonais do interface é ajudada pelas observações anteriormente efectuadas ao nível dos usos e apropriação do espaço. De acordo com a observação no local, sintetizada no Anexo 7, em ambos os pisos, o maior movimento de pessoas regista-se no lado Nascente do edifício da estação, por se poderem efectuar ligações a outros transportes (autocarros e táxis na Av. da República e Metropolitano de Lisboa sob a mesma avenida). 47

48 Imagem 26. Interface de Entrecampos: 1. Loja de acessórios, Piso 0; 2. Café com Livros, Piso 1; 3. Quiosque Cafetaria, Piso 1; 4. Loja de instrumentos musicais (esquerda) e pronto-a-comer (direita), Piso 0. Por forma a combater as desigualdades de movimentos e utilização da estação ao longo do seu horário de funcionamento é necessário intervir, como anteriormente mencionado, na gestão e posicionamento dos usos actualmente existentes e proceder à sua conjugação com os novos usos propostos. Um dos efeitos que se pretende com a proposta e da inclusão de usos que tirem partido da envolvente urbana e da comunidade que a constitui é a criação de um lugar. A proposta tenta também, através da arquitectura e da reformulação do programa do Interface de Entrecampos, definir e realçar as noções de comunidade e identidade, materializando o sentido de lugar. À semelhança das idea stores, a articulação no espaço dos tipos de uso estudados pretende-se contínua, de leitura intuitiva e fruível. 48

49 ELABORAÇÃO DA PROPOSTA: Interface de Entrecampos circulação pedonal, usos, avaliação e gestão de conflitos Imagem 27. Interface de Entrecampos: Acesso do piso 1 ao piso -1 (ligação ao Metro) Após observação no local dos principais fluxos pedonais ao longo de vários dias, em 2008, foi possível traçar o diagnóstico de algumas lacunas do Interface de Entrecampos no que respeitava ao seu funcionamento vocacionado para o público. Foi possível concluir que a lógica de funcionamento da estação estava invertida e que o facto de todos os serviços públicos e privados se concentrarem no topo Nascente do edifício gerava bastante insegurança e subaproveitamento da zona Poente junto à Av. 5 de Outubro. Sendo a estação composta por três pisos, houve necessidade de entender se parte do problema não seria também justificado pela solução arquitectónica. O Piso 0 é enterrado face à envolvente e todo o conjunto a Norte e a Sul é ladeado por rampas e escadarias de acesso às entradas principais. Também por escadas e meios mecânicos (escadas rolantes e elevadores) é feito o acesso aos Pisos 1 (acesso ao Metro) e 1. O Piso 2 é constituido pela plataforma da estação e pelas linhas electrificadas. O Piso 1 encontra-se destacado da fachada a Norte, e constitui um mezanino de enormes dimensões, cuja função é a de distribuição pelos usos em actividade, que se concentram junto às fachadas Sul e Nascente, permitindo também o acesso em vários pontos, ao cais de embarque no Piso 2. É sobre este piso que serão levantadas seguidamente algumas questões quanto à sua utilidade e funcionamento. Uma vez que o único acesso à estação é feito ou pelo Piso 0 ou pelo Piso -1 de acesso ao Metro, o mezanino não tem comunicação directa com o 49

50 exterior, estando dependente de comunicações verticais (ver imagem 29: vermelho elevadores; laranja escadas). Imagem 28. Planta Esquemática de Enquadramento do Interface de Entrecampos Imagem 29. Corte longitudinal AA : comunicações verticais entre pisos É questionável o sentido da existência do Piso 1, uma vez que as suas funções de distribuição podem ser integradas no interface de outra forma que não através da ocupação de um piso inteiro. Veja-se a distribuição para os usos actualmente existente. Uma vez que os usos e serviços se estendem ou podem estender ao Piso 0, nalguns casos já existem comunicações verticais internas privadas (no caso dos serviços) ou públicas (no caso do Café com Livros, que possui acesso interno junto à fachada Sul e com comunicação directa para o exterior e para a galeria de arte e para a papelaria), a abolição do Piso 1 terá apenas de prever a comunicação directa entre o Piso 0 e o Piso 2. 50

51 Arquitectonicamente, a libertação deste piso iria proporcionar no interior da estação um amplo pé-direito entre os pisos 0 e 2, com vista para as lojas e serviços distribuidas em dois pisos, na fachada Sul. Esta nova leitura do espaço permitiria outro tipo de hierarquia interna, onde se poderiam separar zonas privadas de serviços de zonas públicas de comércio e novos usos (de cultura e aprendizagem), acompanhando as trajectórias principais de utilização da estação por parte dos passageiros. Também a vigilância da estação tornar-se-ia mais eficaz, uma vez que ao invés da monitorização de três pisos distintos, poder-se-ia encarar o interface em dois grandes espaços amplos: uma área coberta interior correspondente aos Pisos 0 e 1, agora unidos num só; e uma área exterior coberta, correspondente ao cais de embarque no Piso 2. Actualmente a organização funcional é feita da seguinte forma (ver Anexos 8A e 8B): Imagem 30. Existente (Piso 0): 1. Desocupado; 2. Papelaria; 3. Galeria de Arte; 4. Serviços - Invesfer; 5. Restauração; 6. Loja e I.S.; 7. Bilheteiras; 8. Loja: 9. Cafetaria (quiosque) Imagem 31. Existente (Piso 1): 1. Desocupado; 2. Café com Livros (Livraria); 3. Café com Livros (Cafetaria); 4. Serviços - Invesfer; 5. Monitorização e Segurança; 6. Cafetaria (quiosque) 51

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