PRESENÇA DE DORES CORPORAIS RELACIONADAS AO USO DA VOZ EM INDIVÍDUOS DO SEXO MASCULINO E FEMININO

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1 PRESENÇA DE DORES CORPORAIS RELACIONADAS AO USO DA VOZ EM INDIVÍDUOS DO SEXO MASCULINO E FEMININO Palavras chave: Dor; Voz; Distúrbios da Voz Introdução: Segundo a International Association for the Study of Pain IASP (1), dor ode ser definida como: exeriência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada à lesão real ou otencial dos tecidos. Existem formas diferentes de classificação da dor, que ode ser feita de acordo com sua duração (aguda, crônica ou recorrente), intensidade (medição feita com escalas), freqüência (esorádica ou contínua) e de acordo com o tio ou qualidade da dor (ardor, queimação, ontada, choque, latejamento, corte, ressão ou formigamento). As essoas classificam a rória dor de acordo com suas exeriências anteriores e estudos mostram que homens e mulheres reagem de forma diferente a estímulos dolorosos semelhantes (2,3). A Sociedade Brasileira de Estudos da Dor SBED (4) identifica os fatores biológicos (lesão nos tecidos, condições físicas e efeitos de medicações), sociais (suorte social, relação familiar e influências culturais) e sicológicos (comortamento, tio de ersonalidade e grau de conhecimento) como influentes ara a sensação de dor individual. A associação entre dores cororais e sintomas de roblemas de voz tem sido observada clinicamente, mas não adequadamente investigada. Quando um indivíduo usa a voz de forma inadequada, com tensão e esforço ara falar ode sentir desconforto e mesmo dor à fonação. A esta dor da-se o nome de odinofonia, considerado um sinal e sintoma de roblema vocal (Brewer, 1975) (5). A dor é um sintoma que ode estar associado ao refluxo gastresofágico, disfonia or síndrome de tensão músculo-esquelética e a algumas lesões laríngeas como granulomas (6;7;8;9). Objetivos: Identificar e caracterizar a resença es cororais em homens e mulheres e relacionar com dados referentes à voz e roblemas vocais relatados. Métodos: A resente esquisa foi arovada elo Comitê de Ética do CEV Centro de Estudos da Voz arecer (0413/05). Foi alicado um questionário auto-exlicativo (10) em 797 sujeitos (510 mulheres e 287 homens) que investiga dados de identificação, rofissão, ocorrência de roblemas vocais, auto-avaliação vocal e relato es cororais durante e/ou aós o exercício rofissional. Foram investigadas treze dores divididas em dois gruos: dores roximais à laringe (dor na articulação têmoromandibular (ATM), na língua, na garganta, na nuca, nos ombros, no escoço e ara

2 falar) e dores distais à laringe (dor nos braços, nas costas/coluna, no eito, nas mãos, nos ouvidos e dor de cabeça). Os sujeitos também foram agruados em 4 categorias de acordo com o nível de exigência vocal no exercício rofissional (11). Os critérios de inclusão foram: indivíduos brasileiros adultos, com cognição reservada, em estado de saúde geral relatado como normal e sem dor aguda no momento da alicação do questionário. Foram realizadas análises ara avaliar as correlações entre dores roximais e distais e a auto-avaliação vocal, roblemas vocais, necessidade de afastamento de trabalho or roblemas vocais e consulta a esecialistas. O nível de significância adotado ara os testes estatísticos foi de 5%. Resultados: A auto-avaliação vocal ara o sexo feminino e masculino foi semelhante, com maior relato de voz boa (57,6%), seguida or razoável (22%), ótima (18,1%), ruim (1,7%) e equena ocorrência de voz éssima (0,6%). Mulheres aresentaram o dobro de sintomas, com 2,3 sintomas em média, sendo 2,3 ocorrências es roximais e 2 sintomas em média es distais. Por sua vez, os homens aresentaram uma média de 0,94 sintomas, senso 1,03 roximais e 0,85 distais. A distribuição dos diversos tios de acordo com os sexos está na tabela 1 e as correlações são aresentadas na tabela 2. Tabela 1. e ausência dos diversos tios es cororais, roximais e distais nos sexos feminino e masculino. Tios es cororais Dores roximais Feminino Masculino Total N % N % N % N % N % N % ATM/Mandíbula , , , , , ,2 Língua 19 3, , , , ,8 Garganta , , , ,1 0, , Nuca , , , , ,1 Ombros , , , , , ,4 Pescoço , , , ,3 Difusa 90 17, , , Dores distais Braços , , , ,1 0, , ,8 Cabeça , , , , , ,8 Costas/Coluna , ,7 Peito , , , ,9 0, , ,6 Mãos , ,1 0, , ,8 Ouvidos , , , ,8 0, , ,2 Tabela 2. Correlações significantes entre dores cororais e auto-avaliação vocal, necessidade de afastamento do trabalho, roblemas vocais durante o exercício

3 rofissional e consulta ao otorrinolaringologista e/ou fonoaudiólogo devido a roblema vocal. Feminino Autoavaliação vocal Corre l. Problemas vocais Afastamento or roblema de voz ORL Fonoaudiólogo Dor de cabeça 0,121 0,007-0,228-0,098 0,028-0,088 0,049 Dor na ATM 0,119 0,008-0,142 0,001-0,164-0,181 Dor na língua 0,168-0,105 0,018-0,127 0,004 Dor na garganta -0,259-0,227-0,251-0,189 Dor na nuca -0,233-0,139 0,002-0,183-0,161 Dor nos ombros -0,322-0,145 0,001-0,179-0,173 Dor nas costas Dor no escoço 0,114 0,011-0,263-0,126 0,005-0,209-0,209 Dor no eito Dor nos braços Dor nas mãos Dor de ouvido 0,127 0,004-0,222-0,142 0,001-0,128 0,004-0,121 0,006 Dor ara falar 0,103 0,021-0,348-0,217-0,332-0,309 Masculino Dor de cabeça Dor na ATM Dor na língua Dor na garganta Dor na nuca Dor nos ombros Dor nas costas Dor no escoço Dor no eito Dor nos braços Dor nas mãos Dor de ouvido Dor ara falar 0,139 0,021-0,163 0,006-0,12 0,044-0,271-0,148 0,014-0,157 0,008-0,277-0,256 Tabela 3. Comaração entre as 4 categorias de nível de exigência vocal no exercício rofissional e as variáveis: auto-avaliação vocal, relato de ocorrência de roblemas vocais durante o exercício rofissional, necessidade de se afastar do trabalho devido a roblemas vocais e rocura médico otorrinolaringologista e/ou fonoaudiólogo devido a roblemas vocais. Feminino Variável Par de Categorias I x II I x III I x IV II x III II x IV III x IV Todos os gruos Auto-avaliação vocal 0,073 Afastamento 0,462 0,543 0,923 Problemas Vocais 0,019 0,006 0,192 0,13 ORL 0,022 0,003 0,001 0,155 0,288 Fonoaudiólogo 0,022 0,181 0,763 Masculino Auto-avaliação vocal 0,084

4 Afastamento 0,136 Problemas Vocais 0,253 0,462 0,557 0,022 0,002 0,204 0,02 ORL 0,506 0,032 0,104 0,002 0,037 0,317 0,006 Fonoaudiólogo 0,285 Discussão: As mulheres aresentaram maior ocorrência es roximais na articulação têmoro-mandibular (), garganta (=0,002), nuca (), ombros (), escoço () e ara falar () e dores distais na cabeça (), nas costas () e nos ouvidos (=0,039) e ocorrência igual aos homens na língua, no eito, nos braços e nas mãos (tabela 2). Em nenhuma das ossibilidades os homens aresentaram maior ocorrência. Este resultado era eserado e corrobora com os estudos que comaram a sensação entre os sexos que mostram que as mulheres têm menor resistência e mais queixas relacionadas à dor (2;3;12). Das dores de maior ocorrência relatadas elas mulheres, 6 foram dores classificadas como roximais à laringe e 3 classificadas como distais. A auto-avaliação vocal foi semelhante ara homens e mulheres, sendo a maior ocorrência de voz boa (455-57,6%), seguida de razoável (174-22%), ótima (143-18,1%), ruim (13-1,7%) e éssima (5-0,6%). Esta classificação é semelhante à encontrada em uma esquisa com rofessores que teve como base o mesmo questionário deste estudo (10). Quando se relaciona a auto-avaliação vocal com as dores investigadas observa-se que quanto ior a auto-avaliação vocal, maior a ocorrência das dores roximais ara as mulheres na articulação têmoro-mandibular (=0,007), na língua () e ara falar (=0,021) e dores distais no escoço (=0,011) e no ouvido (=0,004). Para os homens essa relação aconteceu aenas ara dor na articulação têmoro-mandibular (=0,021). Para ambos os gruos, quanto maior a ocorrência de roblemas vocais, maior a resença es roximais na articulação têmoro-mandibular (=0,001 ara mulheres e =0,006 ara os homens), na garganta (), na nuca ( ara as mulheres e =0,014 ara os homens) e dor ara falar (); as mulheres ainda aresentaram correlação estatística com dores na língua (=0,018) e nos ombros (). As dores distais no escoço e nos ouvidos também aresentaram correlação com a auto-avaliação vocal em ambos os sexos ( ara as duas dores no sexo feminino, =0,008 ara dor no escoço e ara dor de ouvido no sexo masculino). A investigação de rocura or consulta em otorrinolaringologista e/ou fonoaudiólogo mostrou que mulheres rocuraram mais estes esecialistas. Quanto

5 maior a ocorrência es roximais na articulação têmoro-mandibular (), na garganta (), na nuca (), nos ombros () e ara falar () e das dores distais no escoço () e nos ouvidos (=0,006) maior foi a rocura or otorrinolaringologista e/ou fonoaudiólogo. Mulheres ainda aresentaram correlação significante com rocura or consulta fonoaudiológica e dor na língua (=0,004). Em relação ao nível de exigência vocal no exercício rofissional, os gruos I, II, III e IV não aresentaram diferença entre si quando se comara a auto-avaliação vocal. Para as mulheres, as questões: roblemas vocais durante o exercício rofissional, necessidade de afastamento do trabalho or roblemas de voz e rocura or rofissionais esecíficos aresentaram ocorrência diferente entre os gruos (todas as relações com ). Para os homens, esta ocorrência foi diferente em relação a roblemas vocais (=0,02) e rocura or consulta otorrinolaringológica (=0,006). Conclusões: Os indivíduos do sexo feminino e masculino relatam resença es cororais durante e/ou aós o exercício rofissional e esta ocorrência foi maior no sexo feminino. Houve correlação entre auto-avaliação vocal e resença es cororais. Gruos com maior exigência vocal aresentaram maior relato de roblemas vocais durante o exercício rofissional. A elevada ocorrência es e sua relação com roblemas vocais justificam uma investigação mais detalhada deste sintoma na anamnese fonoaudiológica. Referências: 1-IASP- International Association for the Study of Pain [cited 2008 Jan 28]. Available from: htt://www.ias-ain.org 2 - Kcogh E, Herdenfeldt M. Gender, coing and the ercetion of ain. Pain. 2002; 97: Robinson ME, Gagnon CM, Riley III JL, Price DD. Altering Gender Role Exectations: Effects on Pain Tolerance, Pain Threshold, and Pain Ratings. The Journal of Pain Jun 4; (5): SBED: Sociedade Brasileira ara Estudos da Dor. [cited 2008 Jan 28]. Available from: htt://www.dor.org.br 5- Brewer DW. Early diagnostic sings and symtoms of larygeal disease. Laryngoscoe. 1975; 85: Koufman JA, Wiene GJ, Wu WC, Castell DO. Reflux laryngitis and its sequelae: the diagnostic role of ambulatory 24- hour H monitoring. JVoice. 1988;2: Roy N, Ford CN, Bless DM. Muscle tension dyshonia and sasmodic dyshonia: the role of manual laryngeal tension reduction in diagnosis and management. Ann Otol Rhinol Laryngol (11): Behlau M, Feijó D, Pontes P. Disfonias or Refluxo Gastresofágico. In: Behlau, M. Voz: O livro do esecialista. vol 2. Rio de Janeiro: Revinter; Roy N, Mauszycki SC, Merrill RM, Gouse M, Smith ME. Toward imroved differential diagnosis of adductor sasmodic dyshonia and muscle tension dyshonia. Folia Phoniatr Logo. 2007;59(2): Scheffel L. de Dores Cororais Relacionadas ao Uso da Voz em Professores do Ensino Fundamental da Rede Escolar Municial da Cidade de Novo Hamburgo-RS [monografia]. São Paulo: Centro de Estudos da Voz; Koufman JA, Isaacson G. The sectrum of vocal dysfunction. Otolaryngol Clin North Am. 1991; 24(5): Kut E, Schaffner N, Wittwer A, Candia V, Brockmann M, Storck C, Folkers G. Changes in self-erceived role identity modulate ain ercetion. Pain. 2007;131;1-2:

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