Mestrando em Literatura Brasileira na UERJ.

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Mestrando em Literatura Brasileira na UERJ. E-mail: ulyssesmaciel@ipsilon.jor.br."

Transcrição

1 Ulysses Maciel O EFEITO DA IMAGINAÇÃO TÉCNICA NA LITERATURA* Ulysses Maciel** Resumo: arte e a técnica, Objetos entre técnicos a magia aparecem e a razão, nas obras entre literárias o real e como a representação. objetos situados Nessa no zona limite fronteiriça entre a ilusão. onde se Lima desenvolve Barreto, o discurso no conto literário, Um e outro, o objeto mira técnico um automóvel é o desencadeador mas acerta da a hesitação ambigüidade de Lola, e da Las personagem babas del dividida diablo, entre e Antonioni, a imaginação no filme do Blow objeto up, e a desconstroem paixão pelo chauffeur. a fotografia Cortázar, como imitação no conto real. As narrativas desses autores ultrapassam a mera utilidade dos objetos técnicos e apontam do trabalho para um busca imaginário é localizar que liberta esses textos o ser literários humano de na uma zona relação fronteiriça direta entre com o simbólico a técnica. e O o que técnico. este Palavras-chave: literatura, representação, fotografia, imagem. 1 INTRODUÇÃO que os Os operam, objetos características revelam, naqueles ontológicas. seres humanos Portar que um os portam, objeto, saber que os operá-lo utilizam, para que ele atinja a sua finalidade, pressupõe, por parte do operador, um certo conhecimento mensagens que da esses técnica objetos e um enviam conhecimento constantemente necessário ao operador. para decodificar Além desses as códigos, os códigos apanágios impostos dos pela objetos, natureza, atribuídos que escapam pela técnica ao controle que os do constituiu, operador existem e que este manipulado. apenas decodifica segundo as possibilidades e características do objeto gravidade Assim, limitam luz a e tecnologia química limitam inerente a tecnologia ao automóvel, inerente que busca à fotografia. a velocidade, Atrito e a * O título do artigo refere-se à exposição Movimentos improv veis:o efeito cinema na arte contempor nea, curadoria de Philippe Dubois e Ivana Bentes, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, jun.-jul As obras apresentadas implodem as noções de imagem, apontando para narrativas, como sugere o conto de Cortázar analisado no decorrer do artigo. ** Mestrando em Literatura Brasileira na UERJ. Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun

2 O efeito da imaginação técnica na literatura neutralização da representação do curso deles na do literatura, tempo. Mas que existe não está uma limitada outra ordem seja pela para técnica os objetos: contidaa neles, seja pelos códigos impostos pela natureza. A representação dos objetos pela eficaz literatura, pelo efeito então, que não produzir. apresentará Também ao não leitor será o que tanto eles mais têm eficaz de físico, quanto mas mais será próxima for da realidade, mas quanto mais elaborar a estética que é, em última instância, Não mais a o semelhança, jogo de possibilidades mas a imagem; que produzirá não mais a o imitação, efeito segundo mas o certas efeito: regras. [...] a similitude já não é a forma do saber, mas a ocasião do erro. O tempo privilegiado representa no do seu trompe-l œil, interior outro da teatro, ilusão do cômica, qüiproquó, do teatro das fantasias que se desdobra e visões: ée o e alegorias tempo dos definem sentidos o enganadores, espaço poético o tempo da linguagem. em que as metáforas, (FOUCAULT, as [s.d.], comparações p. 77) Imersa nesse jogo de possibilidades, limites e impossibilidades, está a A questão realidade do grau parece de que verdade sempre que nos deve escapa estar presente na nossa na busca representação de representá-la do objeto. forma de objetos de arte, sejam eles simbólicos ou icônicos, ou mesmo simbólicoicônicos. A intersecção desses dois campos resulta na representação que nossos na autores pretendem alcançar da natureza, não na sua verdade, mas enquanto objeto artístico. A representação mascara a realidade, daí o seu efeito. 2 O EFEITO MÁSCARA A respeito do uso da máscara do efeito máscara no teatro e do que ela comunica, cito o seguinte depoimento da atriz Mônica Müller: ator, [...] uma tentar tentativa me comunicar frustrada através é quando dela o [máscara]. público se Lembrando apresenta apático. que, para Neste um tipo de trabalho, em geral, a reação do público é rica, porque rico é o universo de sentimentos que evoca as diferentes máscaras. As máscaras orientais e as Balinesas, que são as que já usei, não possuem nenhuma como o velho, expressão a mulher, de sentimento. o menino e outros. São máscaras Os artesãos tradicionais que confeccionam de figuras estas máscaras devem ser muito experientes para não caírem no erro de atribuir expressões de sentimentos. Melhor será a máscara quanto mais 470 Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun.2004

3 Ulysses Maciel desprovida Bom, daí, vem de sentimentos o trabalho ela do for. aceitar a máscara e conseguir ator atuar que as com usa: quanto ela, sem mais lhe ele impor conseguir interpretação pessoal melhor será o uma resultado.1 Micenas, Também uma técnica desprovidas de captar de a sentimento imagem do rosto eram do as rei máscaras morto através mortuárias de uma de fina folha de ouro. Essa tecnologia era certamente ligada a um ritual e atributo de um comparável homem, com um sacerdote, o dispositivo talvez, fotográfico, que capturava pois se a imagem tratava de através capturar de um uma dispositivo imagem num folha meio de ouro-filme sensível. A seria expressão a superfície da face sensível do morto e seria as mãos a luz seriam (o que o é aparelho: captado); máscara é a foto revelada. a presentes: Os por elementos que o ouro? naturais, Certamente aqueles por que esse o homem metal apresentar não controla, características estão aí de ductilidade (propriedade de ser reduzido a finas folhas) mais acentuadas. Quanto mais próxima mais fina da realidade a folha, melhor será a máscara. se interpreta Mas o a código própria imposto morte está pela representada natureza, e e presente na imagem capturada. do rosto A do máscara ator é ou tanto do rosto mais eficaz, do rei produz morto mais um rosto efeito, desprovido quando coloca, de expressão, no lugar abrindo afinal, de espaço representar, para a não representação de revelar sentimentos de qualquer possíveis sentimento na vida irreal. real. Trata-se, Trata-se de buscar imagens de um corpo sem rosto inumano que seja puro efeito. Marcel Proust (1983), no seu romance pretende anunciar para o leitor a doença grave da Em avó busca do personagem do tempo narrador, perdido, até então disfarçada pelo comportamento afetivo da família. Elaborará para isso uma introdução máscara no mortuária texto literário feita antes lugar da das morte. palavras Tal efeito da imagem máscara fotográfica. será obtido pela A fotografia literária de Proust é também uma possibilidade de contato enriquecedor autor revela, através entre de diferentes significados campos trazidos semióticos: do campo da a linguagem fotografia, como e a fotografia. o personagem Este narrador em primeira pessoa se dá conta do grave estado de saúde da avó. 1 Depoimento dado ao autor por Mônica Müller, atriz de teatro. Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun

4 O efeito da imaginação técnica na literatura ligada à Proust fotografia introduz como um cópia corte do no real, enredo, não literalmente, por onde pode mas penetrar através a de imaginação metáforas estruturadas com os significados do campo fotográfico. Idéias como o fotógrafo que da vista ; nunca a voltará idéia do ao momento local fotografado, em que a a presença objetiva despercebida puramente material do narrador em lugar faz dele um ausente e o momento em que o narrador avista a máscara: tão só por um conhecia. instante, A pois primeira ela desapareceu imagem do ser logo fotógrafo [...] a uma é o velha viajante consumida de capa que e chapéu, eu não apontado premissas, como da expressão um sinal totalmente de espontaneidade espontânea do indicadora artista, sem estar de uma preso arte a nada. sem Esse é o trecho em que se dá o corte: O avistei que, minha mecanicamente, avó, foi mesmo se efetuou uma fotografia! naquele instante Jamais vemos em meus os entes olhos queridos quando a ternura, não ser a no qual, sistema antes animado, de deixar no que movimento cheguem perpétuo até nós as de imagens nossa incessante apresentam a sua face, arrebata-as no seu vórtice, lança-as sobre a idéia que que nos 1983, fazemos p. deles 49) desde sempre, fá-las aderir a ela, coincidir com ela. (PROUST, objetividade Os significados e mecanicidade, do campo evidenciam semiótico a incapacidade da fotografia, do com nosso seus olhar conteúdos de ver de objetivamente e, em contrapartida, a eficácia do dispositivo fotográfico em produzir esse Proust descolamento seria mais entre adequado o olhar dizer: e o de afeto. que ele O equipamento se utiliza para fotográfico causar no descrito leitor por efeito com a sua fotografia, resume-se praticamente à ótica e à chapa. Ele não se refere um propriamente não lida com o à material câmera, sensível que implica no laboratório, em ser operada isto é, ele pelo não homem; imprime Proust sua também foto. como recurso A fotografia estético. de Proust, A imagem então, fotográfica, é puro conceito. impressa E disso em papel provém sensível a sua eficácia através de objeto um fotografado processo químico, alguma não carga tem de verdadeiramente conotação. Só pode a propriedade ser efetivamente de retirar isenta do de simbólico contaminação dos significados humana do quando campo da for resultado da tradução para o campo fotografia.2 2 A expressão contaminação humana está Brassaï. Marcel Proust sous líemprise de la photographie. Paris: Gallimard, 1997, p Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun.2004

5 Ulysses Maciel 3 A DESCONSTRUÇÃO DA VERDADE O fotógrafo Henri Cartier-Bresson, em seu texto Eu, fotógrafo, exprime a opinião abaixo, muito próxima da de Proust: O de olho imprimir recorta na o película assunto a e decisão a máquina do olho. só tem de fazer seu trabalho, que é o Essa é a visão que pode ser apontada como o imaginário existente nos primórdios realiza como da descreve fotografia. Bresson. Na realidade, Por um lado, pode-se o fotógrafo dizer que interpreta a fotografia códigos não da se natureza, captado dos por fenômenos outro, o dispositivo naturais, fotográfico uma vez que (câmara a imagem e filme) fotográfica traduz o é que umaé impressão sobre uma superfície plana e que os filmes não são sensíveis a todas as cores Bresson, igualmente a perspectiva, e em as quaisquer distinções condições dos planos, de iluminação. a tradução das Do cores ponto da de natureza vista de em como tons naturalmente de preto e captadas, branco ou independentemente nas cores da imagem de opções fotográfica feitas apresentam-se pelo homem. de o ser Esse fotógrafo imaginário, decodificar ainda voltado os códigos para as citados formas, acima, relacionava-se ou seja relacionava-se com o modo utilizaram com a forma a câmara de olhar escura através para do captar aparelho. paisagens, Vinha como da tradição Fox Talbot, dos que artistas utilizava que a câmara escura para fazer desenhos de paisagens. Este, em seu livro of Nature, The Pencil quadros que de1996 a natureza (cf. SCHAEFFER, pinta e que 1996), a lente reflete de vidro sobre da câmara a beleza projeta inimitável sobre dos papel. Nessa época as imagens ainda não eram impressas. Com a invenção doo processo químico fotográfico propriamente dito, quando as imagens da câmara escura se impôs passaram era que a ser intervenção efetivamente do homem fixadas não num era meio determinante sensível; a para simbologia o resultado que final, como se a fotografia fosse um processo natural. O fascínio exercido pela fotografia devia-se também à possibilidade de revelar sobre fenômenos para o homem, da natureza através de até sucessivas então invisíveis, imagens fotográficas, como os movimentos a verdade extremamente rápidos das patas do cavalo galopando. Mais recentemente, surgiram a fotografia infravermelha, mostrando as ondas de calor, as fotografias com flash, Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun

6 O efeito da imaginação técnica na literatura mostrando líquida e a radiografia, a gota de leite mostrando formando o interior uma coroa do corpo ao se humano, chocar com entre a outras. superfície equipamento Quanto uma ao imitação aparelho do aparelho fotográfico, visual pode-se humano, pensar a relação que entre por a fotografia ser este e o seu imaginário seja mais direta do que a trama que conecta Lola e o através do Pope no conto Um e outro, de Lima chauffeur Barreto.3 entretanto. As idéias sobre o que seja a representação fotográfica Não é estendem-se o que ocorre, em um vasto campo que vai da fotografia a-humana e objetiva de Proust até o questionamento da fotografia como busca da verdade de Cortázar e Antonioni. equipamento No tocante dependerá, à representação sem dúvida, se no não objeto da natureza, artístico, com a eficácia certeza da do vontade nosso do deste autor trabalho. do objeto Dois de deles arte. são É o histórias caso dos mal textos que serão analisados no decorrer contadas4 Las babas del o conto de Julio Cortazar, diablo5 e o filme Blow up,6 devemos sempre desconfiar do que aparece literalmente: de Michelangelo pode Antonioni ser uma pista, onde que não nos cabe desvelar. O outro texto é uma história bem contada o conto falsa Um e outro, de Lima Barreto e neste, nossa desconfiança não deverá ser conotação, menor, já que na forma por trás de do segundos código sentidos. lingüístico claro e denotativo, existe muita efeito de O objetividade imaginário técnico alcançado que por aparece Proust. no Esse conto contraste de Cortázar aponta contrasta mesmo com para oa impossibilidade uma visão evolucionista de entendermos de causalidade, o imaginário onde atual um estágio pelo imaginário fosse conseqüência passado, em anterior. O diálogo de um com o outro existe e ocorre através dos elementos sutis, do da plena utilização da capacidade humana de imaginar: as metáforas e as intuições, os insights. Ocorre nos pontos em que as fronteiras entre os campos icônico e simbólico responder se questões tornam suscitadas frágeis, onde no processo. cada um deles, isolado, já não dá conta de se afastam Como da conectar verdade? modos Ainda de mais representação considerando tanto sua mais distância díspares no quanto tempo mais e, 3 Barreto, L. Um e outro. Disponível em: 4 No sentido em que dizemos, desconfiados: Essa história está mal contada. 5 Cortázar, J. Las babas del diablo. In: Em anexo. 6 Antonioni, M. Blow up Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun.2004

7 Ulysses Maciel portanto, diferentes seus imaginários contextos técnicos, de produção já que o e que divulgação os unirá diferentes, aqui será a ou questão seja seus do efeito técnica na literatura? A proposta deste trabalho é resolver esse impasse abordando aqueles textos segundo um método trans-disciplinar que leve em conta o texto e sua literalidade os sons, gestos, (quando cores... houver) E que mas considere também a as cadeia tramas sintagmática e as linguagens do texto não-literais, como o lugar lugar de da transmissão comunicação. das metáforas, insights, polifonia, patologias e imagens... O imaginário Essa técnico possibilidade em cada de obra. conexão virá através da estética que representa o As três obras narrativas serão analisadas jogando-se fora tudo que possa indicar também um são reto caminho. Seguiremos ao acaso, como os fios da virgem (que aparecendo e Las desaparecendo, babas del diablo), um mal levados guia, um pelo péssimo vento fio e cavalgados condutor. A pelo história sol, bem contada, narrada em um estilo direto, mas não desprovido de simbolismo,7 é um exemplar representante de uma imaginação que se deslumbrou com a máquina, diferenciando-se com a como possibilidade ser que utiliza de libertar-se objetos. do tempo através da velocidade, Utilizando palavras para criar imagens, os três textos informam o leitor sobre impossíveis, imagens mas possíveis. ainda assim Desinformam eficazes enquanto também, imagens, quando enquanto sugerem efeito fotografia imagens ou nova efeito relação automóvel entre homem na literatura. e imagem Esses da técnica. efeitos apontam, Regidas pela muitas técnica, vezes, essas para novas uma partir relações das são dobras como e um fissuras jogo que dos coloca textos. em As cena regras objetos desse e jogo seus significados, abandonam a literalidade, às avessas que escapam é a metáfora. à racionalidade dos enredos e descambam para a armadilha 7 Simbolismo, cf. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, versão 1.0, dez Verbete: simbolismo: na acp. LIT, modo de representação figurada e indireta que une a significação manifesta de um comportamento ou de uma palavra, de um discurso com o sentido latente, inconsciente; na acp. de psicn, modo de representação que se distingue principalmente pela constância da relação entre o símbolo e o inconsciente simbolizado. Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun

8 O efeito da imaginação técnica na literatura A respeito dessa cadeia sintagmática que tudo comporta, e considerando que os três textos remetem a uma certa visualidade, é oportuna a citação do trecho de Michel Foucault, no qual este autor se refere à relação entre a palavra e a imagem: palavra Mas, a relação seja imperfeita, da linguagem nem que, com em a pintura face do é visível, uma relação ela acuse infinita. um déficit Não que que sea por esforçaria mais que em se vão tente por dizer superar. o que Trata-se se vê, o que de duas se vê coisas jamais irredutíveis reside no que uma se à diz; outra: mais que se tente fazer ver por imagens, por metáforas, comparações, o que se por o lugar em que estas resplandecem não é aquele que os olhos projetam, mas sim diz, aqueles que as seqüências sintáticas definem. (FOUCAULT, [s.d.], p. 25) 4 UMA HISTÓRIA BEM CONTADA: UM E OUTRO A teia de significados que os objetos técnicos engendram, uma vez postos significando na literatura, afasta a máquina. o que é Essa natural articulação e imitado também o corpo se humano dá quando do se que trata imita representação das máquinas sofisticadas da modernidade, seguindo regras de da historicidade e de magia. É o que ocorre em relação aos personagens Lola e Pope a- que do conto é a amante Um e outro, do chauffeur, de Lima Barreto. e o automóvel, Devido à chamado distância colocada Pope, só entre é possível Lola, relacioná-los conecta Lola ao através automóvel. de uma rede de significados onde o chauffeuré a teia que sustentada No conto quando Um vai e para outro, a rua a personagem se encontrar Lola com é o constituída chauffeur. como A rua ser é o mulher do Pope, o objeto que cumpre o efeito de libertar Lola de sua vida burguesa. habitat dar uma olhadela nos móveis e se sentir culpada, Lola lamenta a fatalidade Após morte e pensa que ela não deveria morrer da mesma forma como morrem da vagabundas comuns. Ela morreria na riqueza, entre os móveis bons e caros, as mas morreria assim mesmo. Morreria na riqueza, mas morreria. Lima Barreto, O chauffeur sendo é ora a personagem homem, ora que máquina, encarna conforme a ambigüidade a imaginação no conto de Lola de perceba e as faculdades as semelhanças/dessemelhanças mecânicas da máquina. No entre conto as de faculdades Lima mantém-se primitivas a ambigüidade do homem do passam objeto a viger técnico, num segundo lugar literário as regras distante da a-historicidade da presença física e da da magia, máquina. mas estas 476 Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun.2004

9 Ulysses Maciel mais simbólica A associação nesse conto, entre signos porque técnicos o objeto e técnico signos personagem humanos é da necessariamente obra é um ser mecânico humano passa possível, a ser um a imaginação automóvel. O da lugar personagem do encontro Lola, entre onde a ela máquina funde e Pope o ser chauffeur nas mesmas características de beleza, imponência, potência. A relaçãoe de como Lola mostrado não é diretamente por Lima com Barreto o carro, na cena mas é do fortemente rompimento visual entre e através Lola do e José: motorista, E aquela abundante beleza do automóvel de luxo que ela tão alta via nele [...] se parecia esvaiu. indissolúvel, Havia internamente, e o brusco rompimento entre as duas perturbou-lhe imagens, um completamente nexo que lhe a representação mental e emocional daquele homem. (BARRETO,[s.d.]) Canevacci assinala essa possibilidade de assimilação de qualidades do carro através de imagens visuais em toda essa narrativa visual está o valor associado à força de elementos naturais: [...] mecânico, o mundo feito animal, de uma dos mercadoria tigres mutantes que se prontos apresenta a dar como o bote, um o mundo fetiche, e o mundo humano, segmentado em possíveis compradores que, grande tomar posse das chaves do carro, se transformam animista e fetichisticamente ao (isto [...] e é, funcionário ecologicamente) modelo. em rocha Motorista pontiaguda, e domador. besta (CANEVACCI, feroz, monstro 2001) mecânico um ser O moderno. que Lola A rejeita vida dela, com repugnância uma série de é rompimentos o homem que com não passados ousou fazer-se constante andar pra frente ) não comporta um homem que vê uma máquina (um como mercadoria uma e máquina, fera selvagem, que não convite está à voltado velocidade para e à a aventura. biografia dessa máquina, poderes Na extra-conhecimento imaginação de Lola, que o automóvel a libertam torna-se da sua um vida objeto anterior, mágico, da sociedade fonte dos conservadora, como um filtro do mágico estatismo do amor: dos móveis, faz com do que medo ela enxergue da morte. no O grotesco automóvel chauffeur funciona beleza da máquina e se apaixone por ele. Como filtro mágico social, faz Lola ler a sociedade Lola, o automóvel de forma não crítica é apreendido e por isso libertadora. como utensílio. Por ser A sua imagem utilização na imaginação está além da de velocidade do automóvel. Quando Lola o usa, ele assume uma outra aparência mágica. Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun

10 O efeito da imaginação técnica na literatura Símbolo para a sociedade, do poder que de Lola passa para a ver afrontar Lola como a sociedade possuidora que do ela automóvel. vê como hostil. Lima Símbolo é a-histórico: cria Lola já amando o chauffeur que para ela é algo único. Barreto que um Também modelo sintoma 1930 substitui da a-historicidade, o modelo o Pope Dessa não forma figura ele numa se constitui série, em um objeto único, individualizado, sedutor, posto no jogo da troca simbólica. em magia posta no carro, suas características humanas (o ente sobre-humano, A arrogante, com as características insolente, orgulhoso que ela atribui como um ao chauffeur. deus) confundem-se A imagem na dos mente dois era de Lola suprema beleza, tendo ao seu dispor a força e a velocidade do vento. de no enredo Lima através Barreto da não imaginação conduz o leitor de Lola. a passear A relação no Pope. de Este Lola só com é apresentado diretamente, não implica em uma relação técnica. Essa relação técnica, aliás, o carro, é explicitada pelo autor nem mesmo em relação ao motorista. Sintomaticamente, não não realmente há, em viajando nenhum no ponto Pope sendo da narrativa, guiado pelo algum chauffeur. momento Apenas em que uma Lola vez esteja Barreto refere-se a essa situação, mas como uma lembrança de Lola e o que Lima exposto é o pensamento dela: é [...] casquette, e só lhe sentado fora à dado almofada, vê-lo com [o chauffeur] o busto ereto, soberbo, a guiar maravilhosamente todo de branco, o destra carro do lustroso, chauffeur resoluto que e ela insolente, amava. (BARRETO, pelas ruas em [s.d.]) fora dominado pela mão através A desse relação olhar entre que o se motorista constitui e o a ser máquina motorista é filtrada que domina pelo olhar o carro. de Lola. Lado É lado o autor desfia signos que nada têm a ver com a técnica automotiva: todos eles a referem-se imagem do ao chauffeur. imaginário de Lola a respeito do veículo, se bem que através da máquina Ela ela é comunica quem, na com realidade, o carro, encarna o Pope, o que ser não motorista: aparece, ela se como relaciona a concordar com a com o que afirma Roland Barthes (1963, apud BAUDRILLARD, 1973, p. 32), a respeito das formas e funções do automóvel: O automóvel transmite seu poder fantasmático a num certo conjunto de práticas. Já que não se pode mais bricoler [realizar trabalhos manuais sem 478 Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun.2004

11 Ulysses Maciel importância] mais as formas o e próprio as funções objeto do é automóvel a direção que que solicitarão se vai bricoler o sonho [...] humano, não são é o seu manejo [...]. Sem a distância entre leitor e personagem técnico, a regra da a-historicidade se perderia, ao se trazer para a literatura uma máquina que sai da linha de montagem automóvel torna-se para circular único nas na imaginação ruas do Rio de de Lola Janeiro e do leitor, do início quando do século Lima Barreto XX. O magia o batiza no de conto Pope. de A Lima fantasia Barreto quanto entretanto, às realizações baseia-se do automóvel no imaginário a regra que da o automóvel encurtamento cria, das por distâncias. suas possibilidades Lima Barreto, técnicas: então, uma não noção mostra de para velocidade o leitor e de as entranhas contrário, mecânicas a prova de do que Pope; o Pope, elas não apesar são formadoras da imaginação do mistério de Lola, e é seriam, um mero ao objeto. modernidade Se há criou algo natural a respeito no das conto máquinas, de Lima do Barreto qual é conto o imaginário não explica que a origem. significados Lima que Barreto a constituirão faz o automóvel ser-moderno. soprar em Lola o efeito automóvel os entre Lola Por e fim o Pope. o chauffeur No conto deixa de Lima o Pope Barreto e vai não dirigir é necessário um táxi. Rompe-se separar fisicamente a ligação os membros da máquina para deixar o imaginação de Lola. O abandono do Pope chauffeur pelo horrivelmente chauffeur, que mutilado, ocasiona na rompimento com Lola, anuncia, pela forma como Lima Barreto fecha o enredo, o que na mente de Lola a ideologia formada em relação à moderna técnica persistirá no relacionamento com um outro Pope e um outro moderno, Lola poderá facilmente constituir em objeto chauffeur. único um outro Constituída Pope para ser- ser o seu. máquina-automóvel. As possibilidades Através de vivências da intuição se expandem da modernidade, para Lola, pela Lima presença Barreto da reconfigura como anunciadora o corpo da de velocidade, Lola e a reinscreve da compressão na sociedade do tempo como e do espaço. ser-moderno, psicológicas Esta, então, de ser é humano, a possibilidade e representá-las de atribuir na ao literatura, automóvel via características imaginário do autor. autor como Não esqueçamos ser narrador que de o um imaginário imaginário que coletivo. está em jogo, na realidade, é o do Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun

12 O efeito da imaginação técnica na literatura 5 DUAS LAS BABAS HISTÓRIAS DEL DIABLO MAL CONTADAS: E BLOW UP fotográfico Unindo está esses a popularização dois campos que imaginários estes aparelhos do automóvel alcançaram. e do Ambos aparelho estão presentes no cotidiano de milhões e milhões de pessoas, tanto nas suas práticas quanto objetos. nas A publicidade mensagens tem que importante lhes envia a papel publicidade como observadora que é praticada desse sobre imaginário esses pelos que anda potenciais nas cabeças consumidores. e anda nas bocas a fim de ser observada de forma eficaz e o Tigra Da de mesma Canevacci, forma é que frutífero é frutífero se opor colocar à fotografia lado a lado que a Proust Lola de faz Lima da Barreto avó do narrador de Em busca do tempo perdido e a fotografia que o Michel de Las babas um outro del casal diablo num faz do parque. casal e que é a mesma que o fotógrafo de Blow up faz de separam No os conto fatos possíveis de Cortázar, de acontecer existem dos várias enredos camadas fantásticos de representação e da imaginação que dos a cena personagens. que Michel A fotografa, cena do é assédio lida como do menino o real. A pela fotografia mulher dessa ruiva cena na ilha, é presa que na é parede subitamente, pelo percebe fotógrafo um que movimento passa a nas observá-la folhas da (ainda árvore, na que camada ele ainda do considera real) e, nova aceitável, narrativa, mas quando um novo a mão desfecho da mulher para a ruiva fotografia, começa mas a já mover-se, agora na inicia-se camada uma dos enredos simbólico fantásticos. e icônico A e passagem o rompimento é sutil, das e nela fronteiras se dá a entre interpenetração eles. dos campos Essa nova narrativa é realizada no texto como uma descrição das imagens captadas medida que pela ela objetiva avança da os câmara objetos fotográfica aumentam, avançando ficam desfocados no cenário e saem da fotografia. do quadro. À Não significação se trata no de campo uma fotografia da fotografia, real, mas contaminado de uma expansão pela invasão das da possibilidades representação de simbólica enriquecendo de fatos o imaginário verossímeis da e fotografia de fatos inverossímeis. com idéias de Assim, imagens a literatura que se movimentam dá o troco, e às de que fotografias a fotografia que possui não seccionam na camada o do tempo, verossímil. propriedades efetivamente contrárias 480 Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun.2004

13 Ulysses Maciel conto de Na Cortázar, última cena o fotógrafo do filme assiste Blow e participa up, de Michelangelo de um jogo de Antonioni, tênis sem baseado bola jogado no porclowns. Essa imagem serve de ponto de chegada para o escopo deste texto: a imagem o real, mas fotográfica o que impressa o leitor buscará no papel nela, sensível através retrata do mais imaginário fielmente que ou menos a permeia, fielmente é a possibilidade de imaginar uma nova narrativa. Basta deixar-se levar, agora citando Cortázar, como os fios da virgem, levados pelo vento cavalgado pelo sol. sobre ele O se dispositivo formaram. fotográfico Esse dispositivo é o lugar que onde ultrapassa, se encontram como os conceito, significados a imagem que fotográfica, o operador mensagens o aparelho contaminadas fotográfico e até pelos mesmo significados o ato de da fotografar fotografia, que remete também para produzem delas sobre o leitor do conto de Cortázar o efeito fotografia. O ser fotógrafo babas del diablo não é apenas o operador da câmera. Uma vez constituído em perder ser o fotógrafo, rebote de passa um a raio receber de sol mensagens numa velha do pedra ; dispositivo se deveria fotográfico ensinar não crianças a fotografar, pois isso implica disciplina que não são condizentes com as o Michel-fotógrafo que pensa em Apollinaire quando passa em frente ao hotel Lauzun Ċortázar não cria no conto um nexo de causas e conseqüências; daí pedir a pelos cumplicidade múltiplos narradores. ou o engajamento Cumplicidade, do leitor também, numa é das o que situações se sugere criadas espectador de ao prova que houve Blow um up, crime. baseado Se o receptor no conto optar de Cortázar. por ter Na havido narrativa o crime, do filme vai ler nada filme de mistério, caso contrário, vai assistir a uma reflexão sobre a possibilidade um de representação da verdade no cinema e na literatura. Ou então vai ver uma história desaparece. de Ou amor vai ficar entre tentando um homem descobrir aprisionado quem e porque pela misteriosa matou aquele mulher homem... que O muitas subtítulo leituras. adicionado São las no babas... Brasil Depois daquele beijo é significativo sobre as Las babas del diablo também é uma montagem, um encadeamento de textos imagens que (fotos) montam que uma no imagem final vira [fotográfica] um filme. Por que outro se revela lado em são fragmentos de Blow up: por ser um aparentemente filme, estrutura desconexos uma e que metáfora a objetividade de verdade da fotografia em torno não consegue dos elementos revelar. Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun

14 O efeito da imaginação técnica na literatura por Clowns eles. são, O fotógrafo, pela própria em essência, Blow up, sem não sentido, fotografa e os ainda clowns; mais em as coisas Las babas expostas del diablo, Michel não fotografa o homem da cara branca. As concepções de Proust e de Cortázar/Antonioni sobre a fotografia são sintomas da ausência ou presença do procedimento químico fotográfico. Nos textos papel. literários O processamento analisados no a laboratório diferença se é dá uma pelo fase ato à de parte imprimir da criação ou não fotográfica, a foto em manipulação da obtenção de da efeitos imagem estéticos, através de desde trucagens o contraste diversas. ou a Isso granulação, sem falar até na a possibilidade procedimento de condenado cortes que por alterem alguns o fotógrafos, enquadramento como feito Cartier-Bresson. no ato de fotografar, tamanho A imagem fotográfica é formada por grãos de prata irregulares quanto ao fino e à forma. Isso confere uma propriedade à fotografia impressa (o grão de ou grosso) que constitui um meio de obter determinados efeitos, já no campo et l obtus, uma linguagem, a imagem por fotográfica envolver significados. não pode, evidentemente, Como observa ser Barthes, decomposta em L obvie em infinitamente elementos significativos para se obter simples, outras que imagens. se repitam Existem, e que entretanto, possam formas ser combinados de obter determinados efeitos estéticos já conhecidas pelos fotógrafos. Mas há uma outra química, mais subjetiva, mais sutil. A representação da que natureza é espelho: pela a luz fotografia e a ótica é a com combinação, a linguagem em estética uma imagem, que o fotógrafo do que é acrescenta, físico do dessa pelo enquadramento, estética a fotografia a iluminação, sempre vai o ângulo, estar presente os planos no e imaginário a aproximação. de leitores Através personagens autores, participando é um dos do temas diálogo do conto entre de os Cortázar dois. O diálogo analisado entre adiante. autor, leitor e possibilidade A resultante de fuga desse do real. diálogo Nesse poderá segundo ser um caso, sinal autor/leitor de objetividade e personagem, ou uma fosse constituídos ser[es] fotógrafos, buscam na fotografia a realidade física (como se química, um porque, espelho) no e só seu encontram limite, o a que impossibilidade a imagem fotográfica de reprodução contém do são real grãos pela irregulares de prata. Antonioni, no filme grão, cria uma idéia que representa um Blow paradoxo: up, explorando o fotógrafo o busca, efeito estético através do de ampliações sucessivas, a apreensão exata da realidade, mas esbarra no limite 482 Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun.2004

15 Ulysses Maciel aumento imposto pelos do grão, grãos existe de prata. um ponto Com em as que ampliações a imagem sucessivas se dissolve e o conseqüente no filme de Antonioni, é comparada com uma pintura impressionista e saímos da linguagem, da fotográfica. estética e da representação, não estamos mais lidando com uma representação e a estética Em que da química ponto se do localiza grão? essa Esse fronteira ponto indeterminável que delimita a só representação pode ser expresso do real através de idéias totalizantes, como as criadas por Antonioni e por Cortázar. da fotografia Segundo escapou Barthes de (1963, certa apud maneira BAUDRILLARD, à história [...] 1973, e representou p. 36), a invenção antropológico [...] ao mesmo tempo absolutamente novo e definitivamente um fato inultrapassável. do século XIX a entrada Essas palavras em cena dão da fotografia, idéia do que e a influência representou que para ela teve, o pensamento sobre os escritores da época, como Proust, autor da passagem abaixo: inclusive, [...] e diferente, como não quando omitiria até eu nos o que espetáculos nela [na mais avó] pudera indiferentes ter-se da tornado vida, a pesado vista carregada de pensamento, despreza, como o faria uma tragédia clássica, nossa todas que lhe as podem imagens tornar que não inteligível concorrem o desfecho? para a ação Mas que, e retém em exclusivamente vez da nossa vista, as olhado, seja uma e então objetiva o que puramente veremos no material, pátio do uma Instituto, placa por fotográfica, exemplo, que em vez tenha saída de um acadêmico que quer chamar um fiacre, serão os seus titubeios, da as estivesse suas precauções ébrio ou o para solo não coberto cair para de gelo. trás, a (PROUST, parábola 1983, da sua p. queda, 106) como se O fotógrafo amador de Cortázar, personagem do conto diablo, cria um texto imaginativo a partir da fotografia que tira da Las mulher babas ruiva del e do autor menino. se exime, Michel abre mão é culpado da sua de autoridade, literatura, cria diz a porta uma outra de entrada, voz de a narrador. fenda, a rua O iluminada ou o beco escuro por onde o leitor é convidado a imaginar também. narrativa Às muitas do leitor. narrativas As palavras do conto, estão correspondentes encadeadas às sintagmaticamente, muitas vozes, junta-se mas a abandonam frames sem a legendas, literalidade deixam quando, lacunas como que os são quadrinhos preenchidas que, nas mentalmente seqüências pelo de Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun

16 O efeito da imaginação técnica na literatura leitor, tona seus contaminado medos e seus pela forte sonhos, comunicação sugeridos pelas visual. ilustrações. Nessa narrativa, o leitor traz à mal contadas. Não se Não trata se de trata buscar de a qual verdade, é a verdade, se os autores mas de das qual obras é a criaram ilusão que histórias esses autores pretenderam criar através do imaginário da fotografia, pois o conto e o filme Se os analisados autores não aqui resolveram são discursos os mistérios sobre como e nos narraram se imagina através a partir de da pistas fotografia. falsas, então ou de não pistas. há Trata-se, verdade. antes, A verdade de uma também espécie não de deve máscara, estar oculta a mesma por que trás encobre de indícios os rostos dos personagens do homem da cara branca (em Las babas del diablo) e dosclowns elas ocultam? (em O nada Blow (cf. up). CANEVACCI, O que há por 2001, trás p. das 135ss). máscaras? Qual o segredo que Michel sai para fotografar para combater o nada. Thomas deixa as modelos criam ilusão, no estúdio ao invés e sai de de objetividade. carro. Eles criam A câmara as máscaras fotográfica com suas não câmaras. pode ser Eles um espelho visor o fotógrafo da natureza prepara visível, narrativa. porque é, Toda antes foto de conta tudo, uma olhar. história, Quando está olha ligada pelo um local e a um tempo: é a sua narrativa. a aparelho Entre fotográfico a natureza e o autor visível da e a foto. fotografia É este que impressa decodifica estão os a códigos física e a da química, natureza, o carregados pela luz que desencadeia uma reação fotoquímica no filme. A magia de capturar a-humanamente uma imagem cedeu lugar para a magia olhar para de mascarar a foto dele a natureza. não é a mesma Olhar para coisa. um A natureza monumento não é e o concomitantemente representação. Não era no tempo dos pintores, não foi na época mesmo em que que pintores a sua usaram se prende a câmara a ser ou escura não ser e não fiel é ao hoje, real. com Prende-se o aparelho a ter fotográfico. ou não ter A um questão autor que não tenha decodificado o código dos fenômenos naturais, segundo um código dado pelo os dados aparelho da natureza, fotográfico, mas pela determinados ótica, pelo filme, pelo autor que são da os foto. fatores que interpretam O fotógrafo pode não ser o autor da foto, como no caso do conto de Cortázar, físico, mas no que qual decifrou o autor os da códigos. foto é o autor do conto: é uma foto sem aparelho 484 Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun.2004

17 Ulysses Maciel entrada EmBlow na foto up e a e cena em Las do babas retorno del diablo, ao parque antes em do busca desfecho, do as cadáver cenas da se correspondem. A história do crime (o assassinato), pode perfeitamente ser imaginação é imaginação do de fotógrafo, Michel. assim Em Blow como up, no a conto história a tentativa do assassinato de sedução é desencadeada do menino pelo interesse da mulher pelo filme fotográfico, assim como no conto a imaginação homem de Michel da é cara despertada branca pela (que atitude podia da ter mulher intervindo e reforçada sem ter pela nada intervenção a ver com doa história). Houve apenas São duas uma narrativa histórias mal literária contadas. contada Na a verdade partir de não uma houve foto crime que Cortázar algum. imaginou que se sucedem e da qual na Antonioni página impressa fez um filme. ou na Mantenhamo-nos tela do cinema. na Assim realidade: poderemos signos perceber da imagem o imaginário da natureza. que Saque percorre e dispare! o conto Toda e o foto filme é um e que crime. é aquele Cortázar da fotografia, disparou um conto. Antonioni um filme. 6 CONCLUSÃO dissolve A quanto busca mais do fotógrafo se amplia, em quanto Blow mais up se é analisa. a busca O de encontro uma verdade está na fantasia. que se As máscaras dos os elementos do mosaico clowns e e do um homem mosaico da ao cara outro. branca Entrar formam na trama a trama é jogar que com conecta ela. Lola não pode participar da trama porque não busca a verdade. Conhecemos aparelho, o automóvel, seu passado não e produz seu presente, imagens ela impressas, não faz parte não representa desse mosaico. a natureza Seu de alguma forma. Este aparelho, por seu lado, é a própria representação. Lima Barreto usa duas vezes a palavra representação: O carro era como os membros do outro e os dous completavam-se numa representação insolência, de orgulho interna, e maravilhosa força. de elegância, de beleza, de vida, de Havia internamente. entre as duas imagens, um nexo que lhe parecia indissolúvel, e o brusco rompimento perturbou-lhe completamente a representação mental e emocional daquele homem. Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun

18 O efeito da imaginação técnica na literatura imaginário São de mesmo Lola, sem representações se preocupar visuais, com a presença que Lima da Barreto verdade. realiza, pelo O mistério do conto de Lima Barreto é o Pope, que não aparece fisicamente, mosaico só na imaginação de Lola.O Pope poderia fazer parte do mosaico? Fazer parte do imaginação é constituir-se de Lola: admiração, ser múltiplo, força, polimórfico. ousadia, velocidade: O Pope só fala modernidade. num tom, e pela são O conto de Lima Barreto podia virar um filme. É linear. Seus personagens iria aparecer. definidos, Por assim quê? como O Pope o narrador. é o lugar da Nesse fantasia, filme, é provavelmente, o ponto de chegada o Pope da fuga não ou do lar de Lola, mas ela só chega a ele no imaginário. Como no conto de Cortázar o desfecho, no filme de o Pope Antonioni, apareceria onde também os elementos no desfecho. não fotografados só aparecem para opera José opera o automóvel como Michel e Thomas operam a câmera. Lola carro, o chauffeur. Lola projeta no homem as qualidades humanas que ela vê no no já que não pode ver no homem. Enquanto Lola imagina qualidades humanas mulher carro ruiva e enfeita e para com o menino.thomas elas seu chauffeur, imagina Michel o que imagina fazer com uma uma história hélice. para a de José Lima e através Barreto deste faz, a durante fotografia o conto, do Pope. uma fotografia de Lola e faz uma fotografia Blow Para dialogar com a trama e conectar os elementos aparentemente díspares, desenvolvendo-se up não faz uma hermenêutica do conto de Cortázar e nem o reproduz, literalmente, paralelamente a ele. Os elementos não se correspondem personagens se mas correspondem dialogam: no exatamente. filme não há Mas as se muitas o conto vozes é o do mistério conto, que nem não as o cabe filme esclarecer conclui a (é trama impossível que conecta esclarecer as polifacetas do ponto de do vista conto. da intenção do autor) discursos A competem tensão provocada pelos significados nos limites leva da à expansão contigüidade dos campos desses e ao campos rompimento cujos (CANEVACCI, das fronteiras 2001, entre p. eles, 8) e fazendo se enriqueçam com que reciprocamente eles negociem a com troca suas de metáforas. significados apontam Os para textos um analisados imaginário ultrapassam que possibilita a mera a utilidade expansão dos do objetos conhecimento técnicos doe homem sobre a técnica, escapando de uma relação direta e apontando para um 486 Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun.2004

19 Ulysses Maciel expandem sentido extra-conhecimento. os significados presentes A literatura nessa e as zona outras fronteiriça formas de entre arte o representativa humano e o técnico, constituindo os objetos técnicos em personagens técnicos. Lima Barreto, Cortázar e Antonioni criam pela ambigüidade a possibilidade de se lidar com a técnica de uma forma diferente. O objeto técnico perde sua funcionalidade fim e passa a nos e adquire dar as significados. regras de formação A técnica de deixa um imaginário, de ser um que meio é para o modo um como o ser humano lida com ela. quando Essas se incita são algumas a contaminação das possibilidades dos campos ampliadas semióticos de uns representação pelos outros estética estruturam metáforas que prendem o leitor pelo inusitado e o libertam pela e se possibilidade de múltiplas representações. REFERÊNCIAS BARRETO, L. Um e outro. [s.d.] Disponível em: <http:// BAUDRILLARD, J. O sistema dos objetos. São Paulo: Perspectiva, CANEVACCI, M. Antropologia da comunicação visual. Rio de Janeiro: DP&A, CHIAMPI, Paulo: Perspectiva, I. O barroco no ocaso da modernidade. In: Barroco e modernidade. São CORTÁZAR, J. Las babas del diablo. [s.d.]. Disponível em: <http://juliocortazar.ar.com>. FOUCAULT, M. As palavras e as coisas. Rio de Janeiro: Martins Fontes, [s.d.]. de PROUST, Guermantes. M. Em busca do tempo perdido. Porto Alegre: Globo, Vol. 3: O Caminho SAMPAIO, S. Dona Maria de Lourdes. In: Sérgio Sampaio. Rio de Janeiro: Philips-Phonogram, SCHAEFFER, J. -M. A imagem precária. Sobre o dispositivo fotográfico. Campinas: Papirus, Recebido em 18/07/03. Aprovado em 22/12/03. Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun

20 O efeito da imaginação técnica na literatura Title: Author: The Ulysses effect Maciel of technical imagination in literature between Abstract: art Technical and technique, objects between appear magic in literary and reason, works as the objects real and positioned representation. within the In such limits frontier zone where literary discourse develops, the technical object triggers ambiguity and a hesitation, delusion. Lima a character Barreto, divided in his short between story the Um imagination e outro, aims of the at object an automobile and the passion but hits for Lola s driver. Both Cortázar, in his short story Las babas del Diablo, and Antonioi, in his film Blow up, the beyond deconstruct the mere photographic usefulness pictures of the as technical imitations objects of the and real. point The to narratives an imagination by these that authors frees the go within human the being frontier from a zone direct between relation the to symbolic technique. and The the objective technical. of this work is to situate these texts Keywords: literature; representation; photography; image. Tìtre: Auteur: L effet Ulysses de l imagination Maciel technique dans la littérature Resume: technique, Dans entre les la magie œuvres et littéraires, la raison, il entre y a des le réel objets et la situés représentation. dans le limite Dans entre cette l art zone et de la et frontière, de l illusion. où se développe Lima Barreto, le discours dans littéraire, le conte l objet Um e technique Outro, mire est le un déclencheur automobile de mais l ambiguïté l hésitation de Lola, personnage partagé entre l imagination de l objet et la passion pour atteint chauffeur. Cortázar, dans le conte Las babas del diablo, et Antonioni, dans le film Blow up, le déconstruisent la simple utilité la des photographie objets techniques comme et imitation pointent vers du réel. un imaginaire Les narrations qui libère de ces l être auteurs humain dépassent relation directe avec la technique. Ce que ce travail cherche à faire c est placer ces textes d une Mots-clés: littéraires dans littérature; la zone de représentation; frontière entre photographie; le symbolique image. et le technique. Título: Autor: Ulysses El efecto Maciel de la imaginación técnica en la lectura Resumen: entre el arte Objetos y la técnica, técnicos entre aparecen la magia en y las la razón, obras entre literarias el real como y la objetos representación. situados En en esa el límite fronteriza donde se desarrolla el discurso literario, el objeto técnico es el desencadeador de zona ambiguedad y la ilusión. Lima Barreto, en el cuento Uno y otro, mira un auto mas acierta la hesitación de Lola, personaje dividida entre la imaginación del objeto y la pasión por el chouffeur. la Cortázar la fotografía en el como cuento imitación Las babas del real. del diablo, Las narrativas y Antonioni, de esos en la autores película ultrapasan Blow up, la mera desconstruye de los objetos técnicos y apuntan para un imaginario que liberta el ser humano de una relación utilidad directa fronteriza con entre la técnica. el símbólico Lo que y el este técnico. trabajo busca es ubicar eses textos literarios en zona Palabras-clave: literatura; representación; fotografía; imagen. 488 Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, v. 4, n. 2, p , jan./jun.2004 Foto Ulysses Maciel

Para pensar o. livro de imagens. Para pensar o Livro de imagens

Para pensar o. livro de imagens. Para pensar o Livro de imagens Para pensar o livro de imagens ROTEIROS PARA LEITURA LITERÁRIA Ligia Cademartori Para pensar o Livro de imagens 1 1 Texto visual Há livros compostos predominantemente por imagens que, postas em relação,

Leia mais

OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES

OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES Introdução ao tema A importância da mitologia grega para a civilização ocidental é tão grande que, mesmo depois de séculos, ela continua presente no nosso imaginário. Muitas

Leia mais

Lição 5. Instrução Programada

Lição 5. Instrução Programada Instrução Programada Lição 5 Na lição anterior, estudamos a medida da intensidade de urna corrente e verificamos que existem materiais que se comportam de modo diferente em relação à eletricidade: os condutores

Leia mais

O uso do desenho e da gravura sobre fotografia como práxis poética da memória

O uso do desenho e da gravura sobre fotografia como práxis poética da memória O uso do desenho e da gravura sobre fotografia como práxis poética da memória Vinicius Borges FIGUEIREDO; José César Teatini CLÍMACO Programa de pós-graduação em Arte e Cultura Visual FAV/UFG viniciusfigueiredo.arte@gmail.com

Leia mais

Fotografia e Escola. Marcelo Valle 1

Fotografia e Escola. Marcelo Valle 1 Fotografia e Escola Marcelo Valle 1 Desde 1839, ano do registro da invenção da fotografia na França, quase tudo vem sendo fotografado, não há atualmente quase nenhuma atividade humana que não passe, direta

Leia mais

Construindo a câmara escura

Construindo a câmara escura Construindo a câmara escura Shizue Introdução Captar e registrar imagens tornou-se possível com a câmara escura de orifício. Essa câmara nada mais é do que uma lata, preta por dentro para não refletir

Leia mais

Ler em família: viagens partilhadas (com a escola?)

Ler em família: viagens partilhadas (com a escola?) Ler em família: viagens partilhadas (com a escola?) Ação nº41/2012 Formadora: Madalena Moniz Faria Lobo San-Bento Formanda: Rosemary Amaral Cabral de Frias Introdução Para se contar histórias a crianças,

Leia mais

PADRÃO PLÁSTICO TOM.

PADRÃO PLÁSTICO TOM. PADRÃO PLÁSTICO TOM. Os princípios de dinâmica de um padrão tonal são muito parecidos com o que vimos em relação aos da linha. Ao colocarmos algumas pinceladas de preto sobre um campo, eles articulam uma

Leia mais

Guia Curta Fácil 1 Festival Nacional Curta no Celular de Taubaté

Guia Curta Fácil 1 Festival Nacional Curta no Celular de Taubaté 1 Conteúdo TIPOS DE PLANOS... 3 PLANO GERAL... 3 PLANO MÉDIO... 3 PLANO AMERICANO... 4 PRIMEIRO PLANO OU CLOSE-UP... 4 PRIMEIRÍSSIMO PLANO... 4 MOVIMENTOS DE CÂMERA... 5 PANORÂMICAS - PANS... 5 PANORÂMICA

Leia mais

Descobrindo o que a criança sabe na atividade inicial Regina Scarpa 1

Descobrindo o que a criança sabe na atividade inicial Regina Scarpa 1 1 Revista Avisa lá, nº 2 Ed. Janeiro/2000 Coluna: Conhecendo a Criança Descobrindo o que a criança sabe na atividade inicial Regina Scarpa 1 O professor deve sempre observar as crianças para conhecê-las

Leia mais

Pedro Bandeira. Leitor em processo 2 o e 3 o anos do Ensino Fundamental

Pedro Bandeira. Leitor em processo 2 o e 3 o anos do Ensino Fundamental Pedro Bandeira Pequeno pode tudo Leitor em processo 2 o e 3 o anos do Ensino Fundamental PROJETO DE LEITURA Coordenação: Maria José Nóbrega Elaboração: Rosane Pamplona De Leitores e Asas MARIA JOSÉ NÓBREGA

Leia mais

O TEMPO DA HISTERIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O COLETIVO E O SUJEITO DO INCONSCIENTE Ana Costa

O TEMPO DA HISTERIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O COLETIVO E O SUJEITO DO INCONSCIENTE Ana Costa O TEMPO DA HISTERIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O COLETIVO E O SUJEITO DO INCONSCIENTE Ana Costa No decorrer dos séculos, a histeria sempre foi associada a uma certa imagem de ridículo que por vezes suas personagens

Leia mais

BAKHTIN: O EVENTO DA ENUNCIAÇÃO NO PROCESSO TRADUTÓRIO

BAKHTIN: O EVENTO DA ENUNCIAÇÃO NO PROCESSO TRADUTÓRIO BAKHTIN: O EVENTO DA ENUNCIAÇÃO NO PROCESSO TRADUTÓRIO Evandro Santana 1 RESUMO O presente artigo propõe uma análise do processo de tradução à luz das proposições de Mikhail Bakhtin (1895-1975) 1975) no

Leia mais

1. O feminino e a publicidade: em busca de sentido

1. O feminino e a publicidade: em busca de sentido 1. O feminino e a publicidade: em busca de sentido No estudo da Comunicação, a publicidade deve figurar como um dos campos de maior interesse para pesquisadores e críticos das Ciências Sociais e Humanas.

Leia mais

Esta é uma breve análise de uma peça publicitária impressa que trabalha com o

Esta é uma breve análise de uma peça publicitária impressa que trabalha com o Chapeuzinho Vermelho ou Branca de Neve? O sincretismo imagem, texto e sentido. 1 Autor: Fernanda Rodrigues Pucci 2 Resumo: Este trabalho tem por objetivo analisar um anúncio de publicidade impressa em

Leia mais

Mapa. CONSULTORAS Patrícia Corsino e Hélen A. Queiroz

Mapa. CONSULTORAS Patrícia Corsino e Hélen A. Queiroz Mapa CONSULTORAS Patrícia Corsino e Hélen A. Queiroz SINOPSE geral da série Chico, 6 anos, adora passar as tardes na estamparia de fundo de quintal do seu avô. Nela, Vô Manu construiu um Portal por onde

Leia mais

O CHÃO DA PALAVRA: CINEMA E LITERATURA NO BRASIL: A CULTURA CINEMATOGRÁFICA E LITERÁRIA BRASILEIRAS SOB O OLHAR DE JOSÉ CARLOS AVELLAR

O CHÃO DA PALAVRA: CINEMA E LITERATURA NO BRASIL: A CULTURA CINEMATOGRÁFICA E LITERÁRIA BRASILEIRAS SOB O OLHAR DE JOSÉ CARLOS AVELLAR O CHÃO DA PALAVRA: CINEMA E LITERATURA NO BRASIL: A CULTURA CINEMATOGRÁFICA E LITERÁRIA BRASILEIRAS SOB O OLHAR DE JOSÉ CARLOS AVELLAR Matheus Oliveira Knychala Biasi* Universidade Federal de Uberlândia

Leia mais

CULTURA JOVEM E NARRATIVA PUBLICITÁRIA: UM ESTUDO SOBRE ANÚNCIOS DE CIGARRO DAS DÉCADAS DE 1960/1970

CULTURA JOVEM E NARRATIVA PUBLICITÁRIA: UM ESTUDO SOBRE ANÚNCIOS DE CIGARRO DAS DÉCADAS DE 1960/1970 Departamento de Comunicação Social CULTURA JOVEM E NARRATIVA PUBLICITÁRIA: UM ESTUDO SOBRE ANÚNCIOS DE CIGARRO DAS DÉCADAS DE 1960/1970 Aluno: Juliana Cintra Orientador: Everardo Rocha Introdução A publicidade

Leia mais

Constelação 1 RESUMO. PALAVRAS-CHAVE: haicai; minimalismo; poesia; imaginação INTRODUÇÃO

Constelação 1 RESUMO. PALAVRAS-CHAVE: haicai; minimalismo; poesia; imaginação INTRODUÇÃO Constelação 1 Bruno Henrique de S. EVANGELISTA 2 Daniel HERRERA 3 Rafaela BERNARDAZZI 4 Williane Patrícia GOMES 5 Ubiratan NASCIMENTO 6 Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN RESUMO Este

Leia mais

Copiright de todos artigos, textos, desenhos e lições. A reprodução parcial ou total desta aula só é permitida através de autorização por escrito de

Copiright de todos artigos, textos, desenhos e lições. A reprodução parcial ou total desta aula só é permitida através de autorização por escrito de 1 Nesta aula você aprenderá a diferenciar um desenhista de um ilustrador e ainda iniciará com os primeiros exercícios de desenho. (Mateus Machado) O DESENHISTA E O ILUSTRADOR Ainda que não sejam profissionais

Leia mais

História e imagem: O historiador e sua relação com o cinema

História e imagem: O historiador e sua relação com o cinema História e imagem: O historiador e sua relação com o cinema Luciana Ferreira Pinto 1 1.Introdução Desde o início da Escola dos Anais, na França, os objetos de estudo da História vêm se modificando, exigindo

Leia mais

II FESTIVAL NACIONAL CURTA NO CELULAR GUIA CURTA FÁCIL

II FESTIVAL NACIONAL CURTA NO CELULAR GUIA CURTA FÁCIL II FESTIVAL NACIONAL CURTA NO CELULAR GUIA CURTA FÁCIL O FEST CURT CELU Guia Curta Fácil 2 A câmera de cinema funciona como se fosse uma máquina fotográfica que dispara milhares de foto em um espaço muito

Leia mais

COMO FORMATAR MONOGRAFIA E TCC

COMO FORMATAR MONOGRAFIA E TCC TEXTO COMPLEMENTAR AULA 2 (15/08/2011) CURSO: Serviço Social DISCIPLINA: ORIENTAÇÕES DE TCC II - 8º Período - Turma 2008 PROFESSORA: Eva Ferreira de Carvalho Caro acadêmico, na Aula 2, você estudará Áreas

Leia mais

Elvira Cristina de Azevedo Souza Lima' A Utilização do Jogo na Pré-Escola

Elvira Cristina de Azevedo Souza Lima' A Utilização do Jogo na Pré-Escola Elvira Cristina de Azevedo Souza Lima' A Utilização do Jogo na Pré-Escola Brincar é fonte de lazer, mas é, simultaneamente, fonte de conhecimento; é esta dupla natureza que nos leva a considerar o brincar

Leia mais

Resoluções Prova Anglo

Resoluções Prova Anglo Resoluções Prova Anglo TIPO F P-1 tipo D-5 Língua Portuguesa (P-1) Ensino Fundamental 5º ano DESCRITORES, RESOLUÇÕES E COMENTÁRIOS A Prova Anglo é um dos instrumentos para avaliar o desempenho dos alunos

Leia mais

Histórias, Redes Sociais e Memória

Histórias, Redes Sociais e Memória Histórias, Redes Sociais e Memória h.d.mabuse "A capacidade de lembrar o que já se viveu ou aprendeu e relacionar isso com a situação presente é o mais importante mecanismo de constituição e preservação

Leia mais

OLHAR GLOBAL. Inspirado no mito da Fênix, Olivier Valsecchi cria imagens com cinzas. A poeira do. renascimento. Fotografe Melhor n o 207

OLHAR GLOBAL. Inspirado no mito da Fênix, Olivier Valsecchi cria imagens com cinzas. A poeira do. renascimento. Fotografe Melhor n o 207 OLHAR GLOBAL Inspirado no mito da Fênix, Olivier Valsecchi cria imagens com cinzas A poeira do renascimento 36 Fotografe Melhor n o 207 Olivier convida pessoas que encontra na rua ou na internet para posarem

Leia mais

O que Vês na Imagem?

O que Vês na Imagem? O que Vês na Imagem? Fonte: Farol, versão portuguesa do COMPASS: www.humanaglobal.com Duração aproximada: 30 minutos a 1 hora Palavras-chave: direitos humanos, interpretação/visão individual dos direitos

Leia mais

QUEM LÊ ALFA É O CARA: AS RELAÇÕES ARGUMENTATIVAS ESTABELECIDAS ENTRE ENUNCIADOR E ENUNCIATÁRIO

QUEM LÊ ALFA É O CARA: AS RELAÇÕES ARGUMENTATIVAS ESTABELECIDAS ENTRE ENUNCIADOR E ENUNCIATÁRIO QUEM LÊ ALFA É O CARA: AS RELAÇÕES ARGUMENTATIVAS ESTABELECIDAS ENTRE ENUNCIADOR E ENUNCIATÁRIO Ana Karla Pereira de MIRANDA Universidade Federal do Mato Grosso do Sul PPGMEL ak_miranda@hotmail.com Resumo:

Leia mais

JONAS RIBEIRO. ilustrações de Suppa

JONAS RIBEIRO. ilustrações de Suppa JONAS RIBEIRO ilustrações de Suppa Suplemento do professor Elaborado por Camila Tardelli da Silva Deu a louca no guarda-roupa Supl_prof_ Deu a louca no guarda roupa.indd 1 02/12/2015 12:19 Deu a louca

Leia mais

JAKOBSON, DUCHAMP E O ENSINO DE ARTE

JAKOBSON, DUCHAMP E O ENSINO DE ARTE JAKOBSON, DUCHAMP E O ENSINO DE ARTE Terezinha Losada Resumo: A obra Fonte de Marcel Duchamp é normalmente apontada pela crítica de arte como a síntese e a expressão mais radical da ruptura com a tradição

Leia mais

COMUNICAÇÃO APLICADA MÓDULO 3

COMUNICAÇÃO APLICADA MÓDULO 3 COMUNICAÇÃO APLICADA MÓDULO 3 Índice 1. Semiótica...3 1.1. Conceito... 3 1.2. Objetivos da Semiótica... 4 1.3. Conceitos Básicos... 4 1.3.1. Signo... 4 1.3.2. Índices... 4 1.3.3. Símbolo... 4 1.4. Conceito...

Leia mais

Chantilly, 17 de outubro de 2020.

Chantilly, 17 de outubro de 2020. Chantilly, 17 de outubro de 2020. Capítulo 1. Há algo de errado acontecendo nos arredores dessa pequena cidade francesa. Avilly foi completamente afetada. É estranho descrever a situação, pois não encontro

Leia mais

UM CAMINHO DE UMA PRODUÇÃO AUDIOVISUAL

UM CAMINHO DE UMA PRODUÇÃO AUDIOVISUAL UM CAMINHO DE UMA PRODUÇÃO AUDIOVISUAL Existem infinitas maneiras de organizar, produzir e finalizar uma obra audiovisual. Cada pessoa ou produtora trabalha da sua maneira a partir de diversos fatores:

Leia mais

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESTÉTICA DO CARTAZ DE GUERRA NA EUROPA 1914-1918

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESTÉTICA DO CARTAZ DE GUERRA NA EUROPA 1914-1918 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESTÉTICA DO CARTAZ DE GUERRA NA EUROPA 1914-1918 Prof. Dr. Vanessa Bortulucce A proposta desta comunicação é realizar uma reflexão acerca dos elementos que constituem a estética

Leia mais

Como os artistas passam a encarar a preservação de sua obra, no contexto do museu ou fora dele?

Como os artistas passam a encarar a preservação de sua obra, no contexto do museu ou fora dele? A RESPEITO DAS OBRAS QUE NÃO CABEM NO MUSEU DEPOIMENTO DE LUCAS BAMBOZZI A REGINA SILVEIRA, POR OCASIÃO DE SUA PARTICIPAÇÃO NO SEMINÁRIO TRANSMUSEU - PENSANDO A RESERVA TÉCNICA DE UM MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA

Leia mais

CENTRO UNIVERSITÁRIO SENAC. José Fernando Baldo Caneiro. Trabalho Final História da Arte Auto Van Gogh

CENTRO UNIVERSITÁRIO SENAC. José Fernando Baldo Caneiro. Trabalho Final História da Arte Auto Van Gogh CENTRO UNIVERSITÁRIO SENAC José Fernando Baldo Caneiro Trabalho Final História da Arte Auto Van Gogh São Paulo 2005 1 INTRODUÇÃO Van Gogh foi um artista como poucos. Influências de vários movimentos e

Leia mais

CONSTRUÇÃO DO EU LÍRICO E O RETRATO NA POETICA CECÍLIA MEIRELES

CONSTRUÇÃO DO EU LÍRICO E O RETRATO NA POETICA CECÍLIA MEIRELES CONSTRUÇÃO DO EU LÍRICO E O RETRATO NA POETICA CECÍLIA MEIRELES Silvia Eula Muñoz¹ RESUMO Neste artigo pretendo compartilhar os diversos estudos e pesquisas que realizei com orientação do Prof. Me. Erion

Leia mais

Recomendação Inicial

Recomendação Inicial Recomendação Inicial Este estudo tem a ver com a primeira família da Terra, e que lições nós podemos tirar disto. Todos nós temos uma relação familiar, e todos pertencemos a uma família. E isto é o ponto

Leia mais

Autor: Rabbi Yehuda Ashlag

Autor: Rabbi Yehuda Ashlag Autor: Rabbi Yehuda Ashlag A Kabbalah ensina a correlação entre causa e efeito de nossas fontes espirituais. Estas fontes se interligam de acordo com regras perenes e absolutas objetivando gols maiores

Leia mais

Desfazendo Mitos e Mentiras Sobre Línguas de Sinais

Desfazendo Mitos e Mentiras Sobre Línguas de Sinais Desfazendo Mitos e Mentiras Sobre Línguas de Sinais Renê Forster 1 Resumo: Este artigo apresenta uma das cartilhas desenvolvidas pelo Programa Surdez com informações sobre a LIBRAS e as línguas de sinais

Leia mais

Top Guia In.Fra: Perguntas para fazer ao seu fornecedor de CFTV

Top Guia In.Fra: Perguntas para fazer ao seu fornecedor de CFTV Top Guia In.Fra: Perguntas para fazer ao seu fornecedor de CFTV 1ª Edição (v1.4) 1 Um projeto de segurança bem feito Até pouco tempo atrás o mercado de CFTV era dividido entre fabricantes de alto custo

Leia mais

Para a grande maioria das. fazer o que desejo fazer, ou o que eu tenho vontade, sem sentir nenhum tipo de peso ou condenação por aquilo.

Para a grande maioria das. fazer o que desejo fazer, ou o que eu tenho vontade, sem sentir nenhum tipo de peso ou condenação por aquilo. Sonhos Pessoas Para a grande maioria das pessoas, LIBERDADE é poder fazer o que desejo fazer, ou o que eu tenho vontade, sem sentir nenhum tipo de peso ou condenação por aquilo. Trecho da música: Ilegal,

Leia mais

ANÁLISE DO DISCURSO AULA 01: CARACTERIZAÇÃO INICIAL DA ANÁLISE DO DISCURSO TÓPICO 01: O QUE É A ANÁLISE DO DISCURSO MULTIMÍDIA Ligue o som do seu computador! OBS.: Alguns recursos de multimídia utilizados

Leia mais

Projeto Internos: a fotografia no hospital

Projeto Internos: a fotografia no hospital CRIAÇÃO Projeto Internos: a fotografia no hospital Haná Vaisman É impossível ficar três meses lidando com uma pessoa todo dia e falar que ela é só paciente e você só médico. Você acaba tendo preocupações

Leia mais

Fotos necessárias para a confecção da estatueta. Rosto

Fotos necessárias para a confecção da estatueta. Rosto Fotos necessárias para a confecção da estatueta Todo o trabalho é referenciado em fotos, ou seja, não nos responsabilizamos por material fotográfico que confecção, para isto criamos este guia, para atender

Leia mais

Circuito de Oficinas: Mediação de Leitura em Bibliotecas Públicas

Circuito de Oficinas: Mediação de Leitura em Bibliotecas Públicas Circuito de Oficinas: Mediação de Leitura em Bibliotecas Públicas outubro/novembro de 2012 A leitura mediada na formação do leitor. Professora Marta Maria Pinto Ferraz martampf@uol.com.br A leitura deve

Leia mais

Aluno(a) Nº. Série: Turma: Ensino Médio Trimestre [ ] Data: / / Disciplina: Professor: Linguagem e língua

Aluno(a) Nº. Série: Turma: Ensino Médio Trimestre [ ] Data: / / Disciplina: Professor: Linguagem e língua Aluno(a) Nº. Série: Turma: Ensino Médio Trimestre [ ] Data: / / Disciplina: Professor: Linguagem e língua É a palavra que identifica o ser humano, é ela seu substrato que possibilitou a convivência humana

Leia mais

Transcinema é o cinema situação, ou seja, um cinema que experimenta novas arquiteturas, novas narrativas e novas estratégias de interação.

Transcinema é o cinema situação, ou seja, um cinema que experimenta novas arquiteturas, novas narrativas e novas estratégias de interação. Transcinema e a estética da interrupção Kátia Maciel Transcinema é o cinema situação, ou seja, um cinema que experimenta novas arquiteturas, novas narrativas e novas estratégias de interação. Se o cinema

Leia mais

Negociação: conceitos e aplicações práticas. Dante Pinheiro Martinelli Flávia Angeli Ghisi Nielsen Talita Mauad Martins (Organizadores)

Negociação: conceitos e aplicações práticas. Dante Pinheiro Martinelli Flávia Angeli Ghisi Nielsen Talita Mauad Martins (Organizadores) Negociação: conceitos e aplicações práticas Dante Pinheiro Martinelli Flávia Angeli Ghisi Nielsen Talita Mauad Martins (Organizadores) 2 a edição 2009 Comunicação na Negociação Comunicação, visão sistêmica

Leia mais

Walter Benjamin - Questões de Vestibulares

Walter Benjamin - Questões de Vestibulares Walter Benjamin - Questões de Vestibulares 1. (Uem 2011) A Escola de Frankfurt tem sua origem no Instituto de Pesquisa Social, fundado em 1923. Entre os pensadores expoentes da Escola de Frankfurt, destaca-se

Leia mais

Introdução. instituição. 1 Dados publicados no livro Lugar de Palavra (2003) e registro posterior no banco de dados da

Introdução. instituição. 1 Dados publicados no livro Lugar de Palavra (2003) e registro posterior no banco de dados da Introdução O interesse em abordar a complexidade da questão do pai para o sujeito surgiu em minha experiência no Núcleo de Atenção à Violência (NAV), instituição que oferece atendimento psicanalítico a

Leia mais

Título: Professor: Turma: 2ª Lista de Física II Tadeu 2ª Ano. Questão 1. Questão 4

Título: Professor: Turma: 2ª Lista de Física II Tadeu 2ª Ano. Questão 1. Questão 4 Título: Professor: Turma: 2ª Lista de Física II Tadeu 2ª Ano Questão 1 Um raio luminoso emitido por um laser de um ponto F incide em um ponto I de um espelho plano. O ponto F está a uma distância b do

Leia mais

GOVERNO DO ESTADO DO AMAZONAS TEXTO DE APOIO

GOVERNO DO ESTADO DO AMAZONAS TEXTO DE APOIO AULA 2.2 - A SIGNIFICAÇÃO NA ARTE TEXTO DE APOIO 1. A especificidade da informação estética Teixeira Coelho Netto, ao discutir a informação estética, comparando-a à semântica, levanta aspectos muito interessantes.

Leia mais

Manifeste Seus Sonhos

Manifeste Seus Sonhos Manifeste Seus Sonhos Índice Introdução... 2 Isso Funciona?... 3 A Força do Pensamento Positivo... 4 A Lei da Atração... 7 Elimine a Negatividade... 11 Afirmações... 13 Manifeste Seus Sonhos Pág. 1 Introdução

Leia mais

*Doutora em Lingüística (UNICAMP), Professora da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

*Doutora em Lingüística (UNICAMP), Professora da Universidade Federal de Viçosa (UFV). PRÁTICAS DE LEITURA EM SALA DE AULA: O USO DE FILMES E DEMAIS PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS EM AULAS DE LÍNGUA - PORTUGUESA 52 - Adriana da Silva* adria.silva@ufv.br Alex Caldas Simões** axbr1@yahoo.com.br

Leia mais

Introdução à fotografia Prof. Mateus Portal

Introdução à fotografia Prof. Mateus Portal Introdução à fotografia Prof. Mateus Portal Olhar e composição Atrás de cada fotografia deveria existir um motivo suficiente para justificá-la. A fotografia representa uma declaração pessoal do seu autor,

Leia mais

LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS Professora Josi e Professora Mara

LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS Professora Josi e Professora Mara LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS Professora Josi e Professora Mara Denotação x Conotação Sentido denotativo: Meus alunos comeram uns doces. Sentido conotativo: Meus alunos são uns doces. Figuras

Leia mais

ABCEducatio entrevista Sílvio Bock

ABCEducatio entrevista Sílvio Bock ABCEducatio entrevista Sílvio Bock Escolher uma profissão é fazer um projeto de futuro A entrada do segundo semestre sempre é marcada por uma grande preocupação para todos os alunos que estão terminando

Leia mais

LISTA DE ARTE. Quais são os elementos construídos no quadro, pelo artista em questão, que enfatizam os acontecimentos em destaque?

LISTA DE ARTE. Quais são os elementos construídos no quadro, pelo artista em questão, que enfatizam os acontecimentos em destaque? Ensino Médio Unidade Parque Atheneu Professor (a): Elias Aluno (a): Série: 3ª Data: / / 2015. LISTA DE ARTE 1) Após analisar a obra a seguir, responda o que se pede. Os fuzilamentos de 3 de Maio de 1808.

Leia mais

A fala freada Bernard Seynhaeve

A fala freada Bernard Seynhaeve Opção Lacaniana online nova série Ano 1 Número 2 Julho 2010 ISSN 2177-2673 Bernard Seynhaeve Uma análise é uma experiência de solidão subjetiva. Ela pode ser levada suficientemente longe para que o analisante

Leia mais

1- Fonte Primária 2- Fonte Secundária. 3- Fonte Puntiforme 4- Fonte Extensa

1- Fonte Primária 2- Fonte Secundária. 3- Fonte Puntiforme 4- Fonte Extensa Setor 3210 ÓPTICA GEOMÉTRICA Prof. Calil A Óptica estuda a energia denominada luz. 1- Quando nos preocupamos em estudar os defeitos da visão e como curá-los, estamos estudando a Óptica Fisiológica. Estudar

Leia mais

A ICONICIDADE LEXICAL E A NOÇÃO DE "VER COMO

A ICONICIDADE LEXICAL E A NOÇÃO DE VER COMO A ICONICIDADE LEXICAL E A NOÇÃO DE "VER COMO Ana Lúcia Monteiro Ramalho Poltronieri Martins (UERJ) anapoltronieri@hotmail.com Darcilia Marindir Pinto Simões (UERJ) darciliasimoes@gmail.com 1- Da noção

Leia mais

ENTRETANTOS, BOLETIM ONLINE

ENTRETANTOS, BOLETIM ONLINE Entretantos, 2014 Grupo: BOLETIM ONLINE Integrantes: Cristina Barczinski, Elaine Armênio, Maria Carolina Accioly, Mario Pablo Fuks, Nayra Ganhito e Sílvia Nogueira de Carvalho. Interlocutora: Sílvia Nogueira

Leia mais

Panorama Critico #03 - Out/Nov 2009

Panorama Critico #03 - Out/Nov 2009 Lia no infinitivo Vitor Butkus A análise de um objeto artístico pode se valer de procedimentos drásticos, mesmo cruéis. Um bom começo, para amenizar a situação, é a descrição da obra. Por aí, se elabora

Leia mais

PARANÁ GOVERNO DO ESTADO

PARANÁ GOVERNO DO ESTADO A COMUNICAÇÃO NA INTERNET PROTOCOLO TCP/IP Para tentar facilitar o entendimento de como se dá a comunicação na Internet, vamos começar contando uma história para fazer uma analogia. Era uma vez, um estrangeiro

Leia mais

DO DESENHO A ESCRITA E LEITURA

DO DESENHO A ESCRITA E LEITURA DO DESENHO A ESCRITA E LEITURA Cleide Nunes Miranda 1 Taís Batista 2 Thamires Sampaio 3 RESUMO: O presente estudo discute a relevância do ensino de leitura e principalmente, da escrita, trazendo em especial

Leia mais

Atividade: Leitura e interpretação de texto. Português- 8º ano professora: Silvia Zanutto

Atividade: Leitura e interpretação de texto. Português- 8º ano professora: Silvia Zanutto Atividade: Leitura e interpretação de texto Português- 8º ano professora: Silvia Zanutto Orientações: 1- Leia o texto atentamente. Busque o significado das palavras desconhecidas no dicionário. Escreva

Leia mais

A LIBERDADE COMO POSSÍVEL CAMINHO PARA A FELICIDADE

A LIBERDADE COMO POSSÍVEL CAMINHO PARA A FELICIDADE Aline Trindade A LIBERDADE COMO POSSÍVEL CAMINHO PARA A FELICIDADE Introdução Existem várias maneiras e formas de se dizer sobre a felicidade. De quando você nasce até cerca dos dois anos de idade, essa

Leia mais

CIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: DESENHOS E PALAVRAS NO PROCESSO DE SIGNIFICAÇÃO SOBRE SERES VIVOS

CIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: DESENHOS E PALAVRAS NO PROCESSO DE SIGNIFICAÇÃO SOBRE SERES VIVOS CIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: DESENHOS E PALAVRAS NO PROCESSO DE SIGNIFICAÇÃO SOBRE SERES VIVOS DOMINGUEZ RODRIGUES CHAVES, C. (1) Curso de Licenciatura em Ciências da Natureza. USP - Universidade de

Leia mais

Elaboração de Projetos

Elaboração de Projetos Elaboração de Projetos 2 1. ProjetoS Projeto de Vida MACHADO, Nilson José. Projeto de vida. Entrevista concedida ao Diário na Escola-Santo André, em 2004. Disponível em: .

Leia mais

Percursos da pesquisa de campo: as rodas de conversas e a caracterização dos jovens e seus contextos

Percursos da pesquisa de campo: as rodas de conversas e a caracterização dos jovens e seus contextos 44 5. Percursos da pesquisa de campo: as rodas de conversas e a caracterização dos jovens e seus contextos As rodas de conversa tiveram como proposta convidar os participantes a debater o tema da violência

Leia mais

QUESTÃO 1 Nessa charge, o autor usou três pontos de exclamação, na fala da personagem, para reforçar o sentimento de

QUESTÃO 1 Nessa charge, o autor usou três pontos de exclamação, na fala da personagem, para reforçar o sentimento de Nome: N.º: endereço: data: telefone: E-mail: Colégio PARA QUEM CURSA O 6.O ANO EM 2013 Disciplina: Prova: português desafio nota: Texto para a questão 1. (Disponível em: )

Leia mais

FORTALECENDO SABERES DESAFIO DO DIA DINÂMICA LOCAL I CONTEÚDO E HABILIDADES ARTES. Conteúdo: - Cubismo e Abstracionismo

FORTALECENDO SABERES DESAFIO DO DIA DINÂMICA LOCAL I CONTEÚDO E HABILIDADES ARTES. Conteúdo: - Cubismo e Abstracionismo CONTEÚDO E HABILIDADES DESAFIO DO DIA DINÂMICA LOCAL I Conteúdo: - Cubismo e Abstracionismo 2 CONTEÚDO E HABILIDADES DESAFIO DO DIA DINÂMICA LOCAL I Habilidades: - Conhecer e distinguir diferentes momentos

Leia mais

O CONCEITO DE MATÉRIA NA FILOSOFIA KANTIANA DA NATUREZA

O CONCEITO DE MATÉRIA NA FILOSOFIA KANTIANA DA NATUREZA O CONCEITO DE MATÉRIA NA FILOSOFIA KANTIANA DA NATUREZA Gilberto do Nascimento Lima Brito* 1. INTRODUÇÃO Nossa pesquisa consistirá em analisar o conceito de matéria na filosofia da natureza de Immanuel

Leia mais

Discursivas do Cespe Tema específico: resposta fácil, organização complicada.

Discursivas do Cespe Tema específico: resposta fácil, organização complicada. Toque de Mestre 16 Discursivas do Cespe Tema específico: resposta fácil, organização complicada. Profa. Júnia Andrade Viana profajunia@gmail.com face: profajunia Autora do livro Redação para Concursos

Leia mais

Tutorial de animação quadro a quadro

Tutorial de animação quadro a quadro Tutorial de animação quadro a quadro quadro a quadro é uma técnica que consiste em utilizar imagens ou fotografias diferentes de um mesmo objeto para simular o seu movimento. Nesse caso, trata-se de relatar

Leia mais

SUPLEMENTO DE ATIVIDADES

SUPLEMENTO DE ATIVIDADES SUPLEMENTO DE ATIVIDADES NOME: N O : ESCOLA: SÉRIE: 1 Considerado um dos mais importantes escritores de todos os tempos, Edgar Allan Poe se inscreveu na história da literatura mundial com seu estilo inconfundível.

Leia mais

Superando Seus Limites

Superando Seus Limites Superando Seus Limites Como Explorar seu Potencial para ter mais Resultados Minicurso Parte VI A fonte do sucesso ou fracasso: Valores e Crenças (continuação) Página 2 de 16 PARTE 5.2 Crenças e regras!

Leia mais

COMPRE AQUI E MORE BEM : A LINGUAGEM PUBLICITÁRIA E OS DISCURSOS DA PROPAGANDA IMOBILIÁRIA

COMPRE AQUI E MORE BEM : A LINGUAGEM PUBLICITÁRIA E OS DISCURSOS DA PROPAGANDA IMOBILIÁRIA COMPRE AQUI E MORE BEM : A LINGUAGEM PUBLICITÁRIA E OS DISCURSOS DA PROPAGANDA IMOBILIÁRIA Maria Eliane Gomes Morais (PPGFP-UEPB) Linduarte Pereira Rodrigues (DLA/PPGFP-UEPB) Resumo: Os textos publicitários

Leia mais

como a arte pode mudar a vida?

como a arte pode mudar a vida? como a arte pode mudar a vida? LONGE DAQUI, AQUI MESMO 1 / 2 Longe daqui, aqui mesmo 1 Em um caderno, crie um diário para você. Pode usar a escrita, desenhos, recortes de revista ou jornais e qualquer

Leia mais

MATERIAL COMPLEMENTAR PARA ESTUDOS HISTÓRIA DA ARTE- 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO

MATERIAL COMPLEMENTAR PARA ESTUDOS HISTÓRIA DA ARTE- 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO Arte Moderna Expressionismo A busca por expressar os problemas da sociedade da época e os sentimentos e emoções do homem no inicio do século xx Foi uma reação ao impressionismo, já que o movimento preocupou-se

Leia mais

Guia de como elaborar um Projeto de Documentário

Guia de como elaborar um Projeto de Documentário Guia de como elaborar um Projeto de Documentário Prof. Dr. Cássio Tomaim Departamento de Ciências da Comunicação Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)/Cesnors Adaptação: Prof. Claudio Luiz Fernandes

Leia mais

10 simples passos que irão mudar a forma como você tira fotos

10 simples passos que irão mudar a forma como você tira fotos VERSÃO FOTOGRAFIA 10 simples passos que irão mudar a forma como você tira fotos Existem várias formas de alterar o resultado final de uma foto, seja através do ISO, da velocidade do obturador, da abertura

Leia mais

ORIENTAÇÕES PARA PRODUÇÃO DE TEXTOS DO JORNAL REPORTAGEM RESENHA CRÍTICA TEXTO DE OPINIÃO CARTA DE LEITOR EDITORIAL

ORIENTAÇÕES PARA PRODUÇÃO DE TEXTOS DO JORNAL REPORTAGEM RESENHA CRÍTICA TEXTO DE OPINIÃO CARTA DE LEITOR EDITORIAL ORIENTAÇÕES PARA PRODUÇÃO DE TEXTOS DO JORNAL REPORTAGEM RESENHA CRÍTICA TEXTO DE OPINIÃO CARTA DE LEITOR EDITORIAL ORIENTAÇÕES PARA OS GRUPOS QUE ESTÃO PRODUZINDO UMA: REPORTAGEM Tipos de Textos Características

Leia mais

GRUPO DE ESTUDOS: TRANSFERÊNCIA:- HISTÓRIAS DE (DES)AMOR SUELI SOUZA DOS SANTOS. 3º Encontro - 31 de agosto 2015. No começo era o amor (Cap.

GRUPO DE ESTUDOS: TRANSFERÊNCIA:- HISTÓRIAS DE (DES)AMOR SUELI SOUZA DOS SANTOS. 3º Encontro - 31 de agosto 2015. No começo era o amor (Cap. GRUPO DE ESTUDOS: TRANSFERÊNCIA:- HISTÓRIAS DE (DES)AMOR SUELI SOUZA DOS SANTOS 3º Encontro - 31 de agosto 2015 No começo era o amor (Cap.I) No primeiro capítulo do Livro 8, Lacan (1960-1961) inicia com

Leia mais

Tocando coisas: a impressão como registro de existência, ampliada em outras experiências. Por Carolina Rochefort

Tocando coisas: a impressão como registro de existência, ampliada em outras experiências. Por Carolina Rochefort APRESENTAÇÕES ARTÍSTICAS E PROVOCAÇÕES PERMANENTES Tocando coisas: a impressão como registro de existência, ampliada em outras experiências. Por Carolina Rochefort - Conceito da Obra/Apresentação. Em minha

Leia mais

A função especular da fala materna e suas referências. ao psiquismo e à constituição do si mesmo.

A função especular da fala materna e suas referências. ao psiquismo e à constituição do si mesmo. A função especular da fala materna e suas referências ao psiquismo e à constituição do si mesmo. Alexandre Socha No artigo O papel de espelho da mãe e da família no desenvolvimento infantil (1967), Winnicott

Leia mais

6. Considerações finais

6. Considerações finais 84 6. Considerações finais Nesta dissertação, encontram-se registros de mudanças sociais que influenciaram as vidas de homens e mulheres a partir da chegada das novas tecnologias. Partiu-se da Revolução

Leia mais

Novas possibilidades de leituras na escola

Novas possibilidades de leituras na escola Novas possibilidades de leituras na escola Mariana Fernandes Valadão (UERJ/EDU/CNPq) Verônica da Rocha Vieira (UERJ/EDU/CNPq) Eixo 1: Leitura é problema de quem? Resumo A nossa pesquisa pretende discutir

Leia mais

SEU GUIA DEFINITIVO PARA PLANEJAR E EXECUTAR DE UMA VEZ POR TODAS SEU SONHO ENGAVETADO

SEU GUIA DEFINITIVO PARA PLANEJAR E EXECUTAR DE UMA VEZ POR TODAS SEU SONHO ENGAVETADO FAÇA ACONTECER AGORA MISSÃO ESPECIAL SEU GUIA DEFINITIVO PARA PLANEJAR E EXECUTAR DE UMA VEZ POR TODAS SEU SONHO ENGAVETADO RENATA WERNER COACHING PARA MULHERES Página 1 Q ue Maravilha Começar algo novo

Leia mais

Vamos começar nossos estudos e descobertas????????

Vamos começar nossos estudos e descobertas???????? Aula 07 RESUMO E RESENHA Vamos iniciar nossos estudos???? Você já deve ter observado que pedimos que leia determinados textos e escreva o que entendeu, solicitamos que escreva o que o autor do texto quis

Leia mais

Os sindicatos de professores habituaram-se a batalhar por melhores salários e condições de ensino. Também são caminhos trilhados pelas lideranças.

Os sindicatos de professores habituaram-se a batalhar por melhores salários e condições de ensino. Também são caminhos trilhados pelas lideranças. TEXTOS PARA O PROGRAMA EDUCAR SOBRE A APRESENTAÇÃO DA PEADS A IMPORTÂNCIA SOBRE O PAPEL DA ESCOLA Texto escrito para o primeiro caderno de formação do Programa Educar em 2004. Trata do papel exercido pela

Leia mais

RELATO DE EXPERIÊNCIA. Sequência Didática II Brincadeira Amarelinha

RELATO DE EXPERIÊNCIA. Sequência Didática II Brincadeira Amarelinha ESCOLA MUNICIPAL JOSÉ EVARISTO COSTA RELATO DE EXPERIÊNCIA Sequência Didática II Brincadeira Amarelinha Professoras: Maria Cristina Santos de Campos. Silvana Bento de Melo Couto. Público Alvo: 3ª Fase

Leia mais

14 segredos que você jamais deve contar a ele

14 segredos que você jamais deve contar a ele Link da matéria : http://www.dicasdemulher.com.br/segredos-que-voce-jamais-deve-contar-aele/ DICAS DE MULHER DICAS DE COMPORTAMENTO 14 segredos que você jamais deve contar a ele Algumas lembranças e comentários

Leia mais

Sumário. Prefácio... xi. Prólogo A Física tira você do sério?... 1. Lei da Ação e Reação... 13

Sumário. Prefácio... xi. Prólogo A Física tira você do sério?... 1. Lei da Ação e Reação... 13 Sumário Prefácio................................................................. xi Prólogo A Física tira você do sério?........................................... 1 1 Lei da Ação e Reação..................................................

Leia mais

Unidade 2: A família de Deus cresce José perdoa

Unidade 2: A família de Deus cresce José perdoa Olhando as peças Histórias de Deus:Gênesis-Apocalipse 3 a 6 anos Unidade 2: A família de Deus cresce José perdoa História Bíblica: Gênesis 41-47:12 A história de José continua com ele saindo da prisão

Leia mais

A mobilização de conhecimentos matemáticos no ensino de Física

A mobilização de conhecimentos matemáticos no ensino de Física Cintia Ap. Bento dos Santos Universidade Cruzeiro do Sul Brasil cintiabento@ig.com.br Edda Curi Universidade Cruzeiro do Sul Brasil edda.curi@cruzeirodosul.edu.br Resumo Este artigo apresenta um recorte

Leia mais

23/09/2011. Tecnologias da Educação. Tecnologias e mídias. Diferença entre tecnologia e mídia. Diferença entre tecnologia e mídia.

23/09/2011. Tecnologias da Educação. Tecnologias e mídias. Diferença entre tecnologia e mídia. Diferença entre tecnologia e mídia. Tecnologias da Educação Marco Antônio Tecnologias e mídias Comunicar não é de modo algum transmitir uma mensagem ou receber uma mensagem. Isso é a condição física da comunicação, mas não é comunicação.

Leia mais

Endereço: Rua 1. Mércia ARAÚJO 2 Nelson SOARES 3 Faculdade Social da Bahia, Salvador, BA

Endereço: Rua 1. Mércia ARAÚJO 2 Nelson SOARES 3 Faculdade Social da Bahia, Salvador, BA Endereço: Rua 1 Mércia ARAÚJO 2 Nelson SOARES 3 Faculdade Social da Bahia, Salvador, BA RESUMO: O presente trabalho foi apresentado à disciplina Fotojornalismo II e consistiu na produção de um ensaio fotodocumental.

Leia mais