O decrescimento como condição de uma sociedade convivial. Ser ge La tou che. ano 4 - nº

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1 O decrescimento como condição de uma sociedade convivial Ser ge La tou che ano 4 - nº

2 UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS UNISINOS Re i tor Mar ce lo Fer nan des de Aqui no, SJ Vice-reitor Aloysio Bohnen, SJ Insti tu to Hu ma ni tas Uni si nos Diretor Iná cio Ne utz ling, SJ Diretora adjunta Hiliana Reis Gerente administrativo Jacinto Aloisio Schneider Ca der nos IHU Idéi as Ano 4 Nº ISSN: Editor Prof. Dr. Iná cio Ne utz ling Uni si nos Conselho editorial Pro fa. Dra. Cle u sa Ma ria Andre at ta Uni si nos Prof. MS Dár nis Cor bel li ni Uni si nos Prof. MS Gil ber to Antô nio Fag gi on Uni si nos Prof. MS La u rí cio Ne u mann Uni si nos MS Rosa Maria Serra Bavaresco Unisinos Esp. Su sa na Roc ca Uni si nos Pro fa. MS Vera Re gi na Schmitz Uni si nos Con se lho científico Prof. Dr. Adri a no Na ves de Bri to Uni si nos Dou tor em Fi lo so fia Pro fa. MS Angé li ca Mas su quet ti Uni si nos Mes tre em Eco no mia Ru ral Prof. Dr. Antô nio Flá vio Pi e ruc ci USP Li vre-docente em So ci o lo gia Pro fa. Dra. Be re ni ce Cor set ti Uni si nos Dou to ra em Edu ca ção Prof. Dr. Fer nan do Jac ques Althoff Uni si nos Dou tor em Fí si ca e Qu í mi ca da Ter ra Prof. Dr. Gen til Co raz za UFRGS Dou tor em Eco no mia Pro fa. Dra. Hi li a na Reis Uni si nos Dou to ra em Co mu ni ca ção Pro fa. Dra. Ste la Na za reth Me neg hel Uni si nos Dou to ra em Me di ci na Pro fa. Dra. Su za na Kilpp Uni si nos Dou to ra em Co mu ni ca ção Responsável técnico Laurício Neumann Revisão Mardilê Friedrich Fabre Se cre ta ria Ca ren Jo a na Sba bo Editoração eletrônica Rafael Tarcísio Forneck Impressão Impressos Portão Uni ver si da de do Vale do Rio dos Si nos Insti tu to Hu ma ni tas Uni si nos Av. Uni si nos, 950, São Le o pol do RS Bra sil Tel.: Fax: si nos.br/ihu

3 O DECRESCIMENTO COMO CONDIÇÃO DE UMA SOCIEDADE CONVIVIAL Por Ser ge La tou che, ob je tor de cres ci men to 1 Pois será uma satisfação perfeitamente positiva comer alimentos sadios, ter-se menos barulho, viver num meio ambiente equilibrado, não mais sofrer restrições de circulação, etc. Jac ques Ellul 2 A casa está pe gan do fogo..., não sou eu que o digo, mas o Presidente Jacques Chirac em Johannesburgo. Enquanto, em 1954, Jacques Ellul figurava como um mensageiro do apocalip - se, to dos nós sa be mos hoje que es ta mos indo di re to de en con - tro ao muro. A lista das catástrofes ecológicas atuais e anuncia - das está pron ta. Sa be mos mu i to bem dis so, mas não o percebe - mos como real. O clash é inimaginável antes de ocorrer. Tam - bém sa be mos mu i to bem o que se ria pre ci so fa zer: en trar no de - crescimento, mas nada fazemos. Olhamos para outro lado..., enquanto a casa termina de queimar. Devemos dizer em nossa defesa que os responsáveis, tanto políticos quanto econômi - cos, nos con vi dam a fa zê-lo (Chi rac ou Mo vi men to das Empre - sas Francesas MEDEF). E en quan to isso, aque les bom be i - ros-piromaníacos põem mais le nha/pe tró leo na fo gue i ra, gri tan - do mu i to alto que é a úni ca ma ne i ra de apa gá-lo. E as sim con ti - nuamos insistindo sempre na mesma coisa. O pa trão da nos sa al de ia glo bal, o che fe dos bom be i - ros-piromaníacos, Ge or ge W. Bush, de cla rou em 14 de fe ve re i ro de 2002, em Sil ver Spring, di an te da ad mi nis tra ção da me te o ro - lo gia, que, por ser a cha ve do pro gres so am bi en tal, por for ne - cer os recursos que permitem investir nas tecnologias limpas, o cres ci men to é a so lu ção e não o pro ble ma 3. Esta po si ção 1 N.T.: Tra ta-se de um tro ca di lho: ob jec te ur de cro is san ce e ob jec te ur de cons - ci en ce. O ter mo é nor mal men te uti li za do para ob je tor de cons ciên cia, sig ni fi - can do os ci da dãos que, por mo ti vos éti cos ou re li gi o sos, se re cu sam a par ti ci - par em guer ras, por exem plo. 2 Jacques Ellul, Le système tech ni ci en, Ca lamnn-lévy, 1977, p. 342 (p. 317 na re e dição de 2004 da Cher che-midi). 3 Jor nal Le Mon de de 16/02/2002.

4 2 Ser ge La tou che pró-crescimento é, no fundo, amplamente compartilhada pela esquerda, inclusive pelos alterglobalistas, que consideram, além dis so, que o cres ci men to é tam bém a so lu ção para o pro - ble ma so ci al na me di da em que cria em pre gos e fa vo re ce uma distribuição mais eqüitativa. O anúncio triunfalista da retomada americana feito pelos jornais, os planos (franco-alemão ou europeu de recuperação) re pou sam nas gran des obras (in fra-estrutura de trans por tes), que não podem senão agravar a situação (climática principal - mente). Diante disso, espanta-nos o silêncio ensurdecedor dos socialistas, dos comunistas, dos verdes, da extrema esquerda... Única voz discordante é a de Jean-Marie Harribey, Alain Lipietz e dos lí de res da Attac, que pro põem uma de sa ce le ra ção do cres - ci men to. Pro pos ta que par te de uma boa in ten ção, mas in fe liz por nos privar tanto dos benefícios do crescimento quanto das vantagens do decrescimento... Como observa Hervé Kempf: Será que esta esquerda pode aceitar proclamar a necessidade de reduzir o consumo material, um imperativo que permanece no centro da abordagem ecológica? 4 Após algumas décadas de desperdício frenético, parece que en tra mos na zona das tem pes ta des, no sen ti do pró prio e no sentido figurado do termo... A desordem climática vem acompanha da por guer ras pelo pe tró leo que se rão se gui das não so - men te por guer ras pela água 5, mas tam bém por pos sí ve is pan - demias e catástrofes biogenéticas previsíveis. Parece mesmo que es ta mos vi ven do a sex ta ex tin ção das es pé ci es, mas o que a tor na di fe ren te das an te ri o res é o fato de que o ho mem é di re ta - men te res pon sá vel por ela e po de ria mu i to bem ser sua ví ti ma... Nes tas con di ções, a so ci e da de de cres ci men to não é sus - tentável nem desejável. É portanto urgente pensar uma sociedade de de cres ci men to, se pos sí vel, se re na e con vi vi al. 1 A sociedade de crescimento não é sustentável nem desejável Para compreender o que poderia ser uma sociedade de de - crescimento, convém, antes de tudo, definir a sociedade de crescimento. A idéia moderna de crescimento, segundo Henry Teune, foi formulada há cerca de quatro séculos, na Europa, quando a economia e a sociedade começaram a separar-se 6. Porém, acrescenta justamente Takis Fotopoulos, a própria eco - nomia de crescimento (definida como o sistema de organização econômica orientado, seja de forma objetiva, seja de for ma de li - be ra da, para a ma xi mi za ção do cres ci men to eco nô mi co) sur giu bem de po is do nas ci men to da eco no mia de mer ca do do iní cio 4 Jor nal Le Mon de de quin ta-fe i ra, 19 de ju nho de Van da na Shi va, La guer re de l e au. Pa ran gon, Henry Te u ne, Growth. Lon dres, Sage Pu bli ca ti ons, 1988, p. 13.

5 Cadernos IHU Idéias 3 do século XIX e só se de sen vol veu após a Se gun da Gu er ra Mun - dial 7, ou seja, no mo men to em que o Oci den te (por in ter mé dio do Pre si den te Tru man...) lan ça va a pa la vra de or dem e o em - pre endimento do desenvolvimento. A sociedade de crescimento pode, pois, ser definida como uma sociedade dominada por uma economia de crescimento e que ten de a de i xar-se ab sor ver por esta. O cres ci men to pelo crescimento torna-se, assim, o objetivo primordial da vida, se não o úni co. Tal so ci e da de não é sus ten tá vel por que vai de en - contro aos limites da biosfera. Se tomarmos como indício do peso am bi en tal de nos so modo de vida a pe ga da 8 ecológica deste na superfície terrestre ou no espaço bioprodutivo necessário, obtemos resultados insustentáveis tanto do ponto de vista da eqüidade dos direitos de exploração da natureza quanto do ponto de vista da capacidade de regeneração da biosfera 9. Des de já, o pla ne ta não é su fi ci en te. Ora, pre ci sar-se-ia de três a seis pla - ne tas para ge ne ra li zar o modo de vida oci den tal e mais de trin ta, no ho ri zon te de 2050, se con ti nu ar mos com um ín di ce de cres ci - mento de 2%, e considerando-se o crescimento previsível da população! Para conciliar os dois imperativos contraditórios do cresci - mento e do respeito ao meio ambiente e refutar a necessidade de um decrescimento, os especialistas e os industriais elaboraram uma ar gu men ta ção em qua tro pon tos: 1) a ecoeficiência; 2) o imaterial; 3) os pro gres sos fu tu ros da ciên cia; 4) a substitutibilidade dos fatores. Eles pensam sobretudo terem encontrado a poção mágica na ecoeficiência, peça cen tral e, na ver da de, úni ca base sé ria do de sen vol vi men to sus ten tá vel. Tra ta-se de re du zir pro gres si va - men te o im pac to eco ló gi co e a in ten si da de da co le ta dos re cur - 7 Ta kis Fo to pou los. Vers une dé mo cra tie gé né ra le. Pa ris: Se u il, 2002, p N. T.: Tra ta-se de uma fer ra men ta pro pos ta por Wac ker na gel & Rees (1996) de - no mi na da Ecological Footprint Method, ter mo que pode ser tra du zi do como pe ga da eco ló gi ca e que re pre sen ta o es pa ço eco ló gi co cor res pon den te para sus ten tar um de ter mi na do sis te ma ou uni da de. Por tan to, por de fi ni ção, o Eco - logical Footprint é a área de ecossistema necessária para assegurar a sobrevi - vência de uma determinada população ou sistema. O método representa a apro pri a ção de uma de ter mi na da po pu la ção so bre a ca pa ci da de de car ga do sis te ma to tal (WACKERNAGEL & REES, 1996; CHAMBERS et al., 2000). 9 Se com 1,8 hec ta res em mé dia, os ho mens já aban do na ram o ca mi nho de um modo de ci vi li za ção sus ten tá vel, que pre ci sa ria li mi tar-se a 1,4 hec ta res. Admi - tin do-se que a po pu la ção atu al per ma ne ça es tá vel, es ta mos mu i to lon ge da igual da de pla ne tá ria. Um ci da dão dos Esta dos Uni dos con so me em mé dia 9,6 hec ta res, um ca na den se 7,2, um eur po peu mé dio 4,5. Ver Gi an fran co Bo log na (sob a di re ção de), Italia capace di futuro. WWF-EMI, Bo lo nha, 2001, pp

6 4 Ser ge La tou che sos naturais para alcançar um nível compatível com a capacida - de determinada de carga do planeta 10. É incontestável o fato de que a eficiência ecológica tenha aumentado de maneira notável, mas, ao mesmo tempo, a perpe - tuação do crescimento desenfreado provoca uma degradação global. As reduções de impactos e de poluição por unidade são sistematicamente aniquiladas pela multiplicação do número de unidades vendidas e consumidas (fenômeno que se denominou efeito rebote). É bem ver da de que e este é o se gun do ar gu men to a nova economia, à base de serviços e do virtual, é relativamente ima te ri al. Entre tan to, ela subs ti tui me nos a an ti ga do que a com - ple ta. Além dis so, é mais ávi da por in puts ou insumos materiais do que pa re ce. Se, por um lado, os soft wa res incorporam sobretu do mas sa cin zen ta, por ou tro, ape nas a fa bri ca ção de um com - pu ta dor con so me, por exem plo, 1,8 to ne la das de ma te ri a is, dos qua is 240 kg de ener gia fós sil, e um chip de dois gra mas pre ci sa de 1,7 kg de ener gia, sem fa lar de uma enor me quan ti da de de água 11. Enfim, to dos os ín di ces de mons tram que as co le tas con - tinuam aumentando 12. O relatório americano da National Science Foundation de 2002, intitulado Converging technologies for Improving Human per for man ces, ilustra perfeitamente o terceiro argumento, ou seja, o da so lu ção ci en tí fi ca. Ele pro me te nada me nos que o bem-estar material e espiritual universal, a paz mundial, a intera - ção pacífica e mutuamente vantajosa entre os humanos e as má - quinas inteligentes, o desaparecimento completo dos obstáculos à comunicação generalizada principalmente aqueles resul - tan tes da di ver si da de das lín guas o aces so a fon tes de ener gia inesgotáveis, o fim das preocupações ligadas à degradação do meio ambiente. E finalmente, a marcha para um grau superior de com pa i xão e de re a li za ção. E tudo isso gra ças à co ne xão en - tre as nanotecnologias, as biotecnologias, as tecnologias da informação e as ciências cognitivas 13. No jor nal Le Mon de de , Yves Cop pens, pro fes sor do Collège de France, exclamava: Deve mos pa rar de pin tar um fu tu ro ne gro! O fu tu ro é es plên di - do. A ge ra ção por vir vai apren der a de ci frar seu có di go ge né - 10 The Bu si ness case for sus ta na ble de ve lop pe ment. Do cu men to do World Bu si - ness Coun sil for Sus ta na ble De ve lop pe ment para Jo han nes bur go. 11 Ver re la tó rio para a ONU, Ordi na te ur et en vi ron ne ment [Com pu ta dor e Meio Ambiente], Kluwer Academics, citado por Alain Gras, La décroissance, n. 2, maio Ma u ro Bo na i u ti, Ni cho las Ge or ges cu-ro e gen. Bi o e co no mia. Ver so un al tra economia ecologicamente e socialmente sostenible. Torino: Bollati Boringhieri, Em par ti cu lar, p Jean Pi er re Du puy, Qu and les tech no lo gi es con ver ge ront, Re vis ta do MAUSS n. 23, pri me i ro se mes tre de 2004.

7 Cadernos IHU Idéias 5 tico, aumentar a eficácia de seu sistema nervoso, fazer os filhos de seus sonhos, do mi nar a tec tô ni ca das pla cas, pro - gra mar os cli mas, pas se ar nas es tre las e co lo ni zar os pla - ne tas que ela bem en ten der. Vai apren der a mo ver a ter ra para co lo cá-la na ór bi ta de um Sol mais jo vem. (...) Vai con - duzir, não duvidemos disso, a humanidade a uma melhor refle xão, a uma li ber da de ain da ma i or e a uma ma i or cons ciên - cia das responsabilidades que acompanham tal liberdade. Não é de se es pan tar que Jac ques Chi rac te nha con fi a do a presidência da comissão sobre o desenvolvimento sustentável e o meio ambiente a esse cientista... Ter uma fé cega na ciên cia e no fu tu ro para re sol ver os pro - ble mas do pre sen te é con trá rio não só ao prin cí pio de pre ca u - ção, mas tam bém sim ples men te ao bom sen so. Mes mo que se possa esperar captar novas energias, será que seria razoável construir arranha-céus sem escadas nem elevadores, com base ape nas na es pe ran ça de um dia ven cer a lei da gra vi da de? 14. É, no en tan to, o que fa ze mos com o nu cle ar, acu mu lan do-se re sí - du os po ten ci al men te pe ri go sos para os sé cu los fu tu ros sem pers pec ti va de so lu ção. Enfim, é pre ci so toda a fé dos eco no mis tas or to do xos para pensar que a substitutibilidade ilimitada da natureza pelo artifício seja concebível. Dentro de certos limites, é lícito substituir o homem pela má qui na (ou seja, o fa tor tra ba lho pelo fa tor ca pi tal), mas não os fluxos de matérias-primas (inputs) por um au men to dos es to - ques. Como observa Mauro Bonaïuti, jamais se poderá obter o mesmo número de pizzas diminuindo a quantidade de farinha e aumentando o número de fornos ou de cozinheiros. A so ci e da de de cres ci men to, por sua vez, tam bém não é de se já vel por pelo me nos três ra zões: ela ca u sa um au men to das desigualdades e das injustiças, cria um bem-estar muito ilu - sório, não proporciona nem mesmo para os abastados uma sociedade convivial e sim uma anti-sociedade doente por causa de sua ri que za. O primeiro ponto é abundantemente ilustrado pelos famo - sos relatórios do PNUD. Além dis so, se gun da ra zão, a ele va ção do ní vel de vida com a qual a ma i o ria dos ci da dãos do Nor te pensa beneficiar-se é uma ilusão. Eles gastam certamente mais com pra de bens e ser vi ços mer can tis, mas es que cem de de du - zir a ele va ção su pe ri or dos cus tos. Esta toma di fe ren tes for mas mer can tis e não-mercantis: de gra da ção da qua li da de de vida não qualificada mas sofrida (ar, água, meio ambiente), despesas de compensação e de reparação (medicamentos, transportes, lazer) que a vida moderna torna necessárias, elevação dos pre - ços dos gêneros escassos (água engarrafada, energia, espaços verdes...). Jacques Ellul já observava: 14 Bo na i u ti Ma u ro. La nu o va eco no mia di Ni cho las Ge or ges cu-ro e gen. Roma: Ca roc ci, 2001, p. 109 e 141.

8 6 Ser ge La tou che Con si de ra-se toda ati vi da de re mu ne ra da um va lor agre ga - do, ge ra dor de bem-estar, ao pas so que o in ves ti men to na in dús tria an ti po lu i ção em nada au men ta o bem-estar, per - mi te, no má xi mo, con ser vá-lo. Sem dú vi da, às ve zes ocor re que o acrés ci mo de va lor a de du zir é su pe ri or ao acrés ci mo de va lor agre ga do 15. Herman Daly estabeleceu um índice sintético, o Genuine Progress Indicator (Indicador de Progresso Autêntico) que corrige o Gross National Product (Produto Interno Bruto) das perdas causadas pela po lu i ção e pela de gra da ção do meio am bi en te. A par tir dos anos 1970, no caso dos Esta dos Uni dos, o ín di ce do Pro gres - so Autêntico estagna e até mesmo regride, enquanto o do Produto Inter no Bru to não ces sa de au men tar 16. É la men tá vel que, na Fran - ça, ainda ninguém tenha feito esses cálculos. Temos todas as razões para pen sar que o re sul ta do se ria com pa rá vel. É, aliás, cor ro - borado por toda uma série de outros indicadores alternativos : Índice de Saúde Social, Produto Verde, Produto Interno Brando dos quebequenses etc 17. Po de-se di zer que, nes sas con di ções, o crescimento é um mito mesmo no imaginário da economia de bem-estar, para não di zer da so ci e da de de con su mo! Enfim, observando-se atentamente, a ri que za tem um ca rá - ter bem mais patológico que a pobreza. A riqueza extrema constitui o flagelo principal da sociedade moderna. Em vez de aumen tá-la ain da mais sob a ale ga ção de re me di ar a po bre za, se - ria preciso atacá-la como uma doença perigosa mascarada pelo imaginário instituído do crescimento. Jean Baptiste Say enunciou a lei de que a felicidade é proporcional ao volume do consumo. Trata-se da impostura economicista e modernista por excelên - cia. Durkheim já denunciava esse pressuposto utilitarista da feli - cidade como soma de prazeres ligados ao consumo egoísta. Para ele, tal fe li ci da de não está lon ge de le var à ano mia e ao su i - cídio 18. Majid Rahnema observa com pertinência: A mi sé ria mo ral dos ri cos e po de ro sos as sun to-tabu na li te - ratura especializada sobre a pobreza curiosamente chamou mais a aten ção dos ro man cis tas, po e tas e, é cla ro, dos pró - prios po bres que a dos so ció lo gos e eco no mis tas que a con - sideram fora de discussão. O estudo profundo das verdadeiras causas da miséria poderia, no entanto, mostrar que ela está exa ta men te no cen tro se não for o cen tro do as sun to. 15 Jacques Ellul. Le Bluff technologique, Pa ris: Ha chet te, 1998, p C. Cobb, T. Hals te ad, J. Rowe. The Ge nu i ne Pro gress Indi ca tor : Sum mary of Data and met ho do logy, Re de fi ning Pro gress. San Fran cis co, 1995 e dos mers - mos au to res, If the GDP is Up, Why is Ame ri ca Down? In: Athlan tic Monthly, n. 276, out Re la tó rio de Jean Ga drey e F. Jany-Ca tri ce so bre os in di ca do res al ter na ti vos de de sen vol vi men to. (www.tra va il.gouv.fr/étu des) 18 Durk he im. Le suicide. Puf,1967. Ver tam bém Chris ti an La val. L ambition socio - logique. La découverte MAUSS, Pa ris 2002, p. 255 e se guin tes.

9 Cadernos IHU Idéias 7 Ele continua: A mi sé ria mo ral dos abas ta dos, ves ti da com seus mais be los or na men tos e, por tan to, bem me nos vi sí vel do ex te ri - or, é pa ra do xal men te mais per ni ci o sa que aque la que afe ta os in di gen tes: à ob ses são pro pri a men te pa to ló gi ca do ma - is-ter, ao de se jo in ces san te de acu mu lar para si e de re ti rar dos ou tros pelo sim ples pra zer de exer cer so bre eles um po der acres cen tam-se fa to res ex ter nos, tais como os mu i - tos cri té ri os de êxi to so ci al, a im pi e do sa di nâ mi ca da com - pe ti ção, a re gra de ouro do lu cro a qual quer pre ço ou a mer can ti li za ção de to das as re la ções hu ma nas 19. É a miséria psíquica e espiritual dos saciados que produz no outro extremo da cadeia a miséria material dos excluídos, pois, numa so ci e da de que pen sa que a vida é um com ba te e a mor te, um fra cas so, o re mé dio para a de pres são psí qui ca é a ex - citação cujo exemplo é fornecido pela especulação da bolsa de valores. Essa dupla miséria é exacerbada pela publicidade, que é um meio de de i xá-lo des con ten te com o que temos para fa zer com que desejemos aqui lo que não temos. Sen do as sim, e se se guir mos a li ção de Ivan Illich, o de sa - parecimento programado da sociedade de crescimento não é necessariamente uma má notícia. A boa no tí cia é que não é pri me i ra men te para evi tar os efe i - tos co la te ra is ne ga ti vos de uma co i sa que se ria boa em si que de ve mos re nun ci ar a nos so modo de vida como se ti - vés se mos que ar bi trar en tre o pra zer de uma igua ria de li ci o - sa e os ris cos afe ren tes. Não, o fato é que a igua ria é in trin - se ca men te ruim, e nós se ría mos mu i to mais fe li zes se nos afas tás se mos dela. Vi ver de ou tro modo para me lhor vi ver 20. Infelizmente, nada disso basta para deixarmos o veículo em alta velocidade, levando-nos direto de encontro ao muro e fa - zer-nos to mar a di re ção opos ta. 2 Organizar uma sociedade de decrescimento serena e convivial O projeto de uma sociedade autônoma e econômica não nas ceu on tem, for mou-se ao lon go da crí ti ca da téc ni ca e do de - senvolvimento. Há mais de quarenta anos, temos analisado e denunciado os malefícios do desenvolvimento, sobretudo no sentido do empreendimento do Norte na direção do Sul 21. Esta 19 Ma jid Rah ne ma. Quand la misère chasse la pauvreté. Pa ris: Fa yard/actes Sud, 2003, p Jean-Pi er re Du puy, Ivan Illich ou la bon ne nou vel le, Jor nal Le Mon de de 27/12/ Este nós remete à pequena internationale anti ou pós-desenvolvimentista, na filiation d Ivan Illich, Jac ques Ellul e Fran ço is Par tant, que pu bli cou The de ve lop ment dictionary. Zed Books, Londres Tradução francesa a ser publicada por Parangon sob o tí tu lo Dictionnaire des mots toxiques [Dicionário das palavras tóxicas].

10 8 Ser ge La tou che crítica conduzia à al ter na ti va his tó ri ca, ou seja, à au to-or ga ni za - ção das sociedades/economias vernáculas. Certamente, interessava-se também pelas iniciativas alternativas no Norte, do tipo SEL, REPAS (Rede Comercial de Práticas Alternativas e Soli - dárias), etc., mas não por uma alternativa societal. O sucesso repentino e muito relativo de nossa crítica, durante muito tempo pregada no deserto, principalmente devido à crise do meio am - biente, mas também à emergência da globalização, nos conduz a aprofundar suas implicações na economia e na sociedade do Norte. Na verdade, a farsa do desenvolvimento sustentável diz res pe i to tan to ao Nor te quan to ao Sul, e o pe ri go do cres ci men to é hoje pla ne tá rio. Com pre en da mo-nos bem. O de cres ci men to da pe ga da eco ló gi ca no Nor te (e por tan to do PIB) é uma ne ces si da de; não é inicialmente um ideal, tampouco o único objetivo de uma socie - da de do pós-desenvolvimento e de um ou tro mun do pos sí vel. Mas façamos da necessidade uma virtude e concebamos o de - crescimento como um objetivo do qual podemos tirar vantagens 22. Numa primeira abordagem, podemos conceber uma po - lítica de decrescimento como tendo por objetivo derrubar a rela - ção en tre a pro du ção do bem-estar e o PIB. Tra ta-se de des vin - cular ou desligar a melhoria da situação das pessoas da eleva - ção estatística da produção material, ou seja, fazer decrescer o bem-ter estatístico para melhorar o bem-estar vivido. A palavra de ordem decrescimento tem, assim, como principal objeto, marcar fortemente o abandono do objetivo insensato do cresci - men to pelo cres ci men to, ob je ti vo cujo mo tor não é ou tro se não a bus ca de sen fre a da do lu cro pe los de ten to res do ca pi tal. É cla ro que não se visa à in ver são ca ri ca tu ral que con sis ti ria em pre gar o decrescimento pelo decrescimento. Em particular, o decresci - men to não é o cres ci men to ne ga ti vo, ex pres são an ti nô mi ca e ab sur da que tra duz bem a do mi na ção do ima gi ná rio do cres ci - men to 23. Sabe-se que a simples desaceleração do crescimento mergulha nossas sociedades no desespero, devido ao desem - prego e ao abandono dos programas sociais, culturais e ambientais que asseguram um mínimo de qualidade de vida. Pode- 22 No que diz res pe i to às so ci e da des do Sul, tal ob je ti vo não se en con tra re al men - te na or dem do dia nos mes mos ter mos, no sen ti do de que, mes mo que elas se jam atra ves sa das pela ide o lo gia do cres ci men to, a ma i o ria de las não são so ci e da des de cres ci men to. 23 Isso sig ni fi ca ria ao pé da le tra: avan çar re cu an do. A im pos si bi li da de de tra du - zir de cres ci men to para o in glês é mu i to re ve la do ra des sa do mi na ção men tal do eco no mis mo e, de cer to modo, si mé tri ca à im pos si bi li da de de tra du zir cres - ci men to ou de sen vol vi men to nas lín guas afri ca nas (mas tam bém, na tu ral men - te, de cres ci men to...) O ter mo em pre ga do por Ni cho las Ge or ges cu-ro e gen, de cli ning, não tra duz ver da de i ra men te o que en ten de mos por de cres ci men to, as sim como tam bém não de cre a se, pro pos to por al guns. Os ne o lo gis mos un - growth, de growth, de de ve lop pe ment tam bém não são sa tis fa tó ri os.

11 Cadernos IHU Idéias 9 mos imaginar que catástrofe seria um índice de crescimento ne - ga ti vo! Assim como não há nada pior que uma so ci e da de tra ba - lhis ta sem tra ba lho, não há nada pior que uma so ci e da de de crescimento sem crescimento. É o que condena a esquerda insti tu ci o nal, por não ou sar des co lo ni zar o ima gi ná rio, ao so ci al- li - beralismo. O de cres ci men to, por tan to, só é pos sí vel numa so - ci e da de de de cres ci men to. O pro je to de cons tru ção, tan to no Nor te quan to no Sul, de so ci e da des con vi vi a is au tô no mas e econômicas implica, para falar com maior rigor, mais um a-crescimento, como se fala de a-teísmo, que um de cres ci - men to. Aliás, é jus ta men te do aban do no de uma fé e de uma re li - gião que se tra ta: a re li gião da eco no mia. No Sul, o de cres ci - men to da pe ga da eco ló gi ca (ou mes mo do PIB) não é ne ces - sá rio nem de se já vel, mas daí não se po de ria con clu ir a ne ces si - dade de construir uma sociedade de crescimento ou de não sair dela se já se en trou nela. Con vém en tão de ter mi nar os con tor - nos daquilo que poderia ser uma sociedade de não-crescimen - to. Esta supõe uma diminuição drástica das externalidades negativas do crescimento e repousa na organização de círculos vir - tuosos de decrescimento. Uma política de decrescimento poderia consistir sobretudo em reduzir, ou até mesmo em suprimir, as externalidades negativas do cres ci men to, que vão des de os aci den tes de trân si to até as despesas com medicamentos contra o estresse. O questionamento do volume considerável dos deslocamentos de homens e mercadorias no Planeta com seu impacto negativo correspon - dente sobre o meio ambiente (portanto, uma relocalização da economia), o questionamento não menos considerável da publicidade barulhenta e muitas vezes nefasta, aquele, enfim, da ob - solescência acelerada dos produtos e dos aparelhos descartáveis sem outra justificação além daquela de fazer girar cada vez mais rápido a megamáquina infernal constituem reservas importantes de decrescimento no consumo material. Pensemos que o orçamento mundial da publicidade, apenas ultrapassado por aquele das despesas militares, representa mais de 500 bilhões de dólares de poluição visual, auditiva, ma - terial e sobretudo mental... Além disso, internalizando os custos externos do transporte (infra-estrutura, poluição do tipo efeito estufa e desordem climá - tica), um grande número de atividades seriam relocalizadas. Com certeza, o famoso potinho de iogurte de morangos deixaria de incorporar 9000 km! Se gun do a tese de Stép ha nie Böge, pu bli ca da em 1993 pelo Wup per tal Insti tut, um pote de io gur te de mo ran gos de 125 gra mas, ven di do em Stutt gart, em 1992, per cor reu 9115 km, se con si de rar mos o per cur so do le i te, o dos mo ran - gos cultivados na Polônia, o do alumínio para a etiqueta, a distância na distribuição etc. (Ver Si len ce, n. 167, jul. 1993).

12 10 Ser ge La tou che Quanto aos resíduos nos quais o crescimento ameaça pura e simplesmente nos submergir, é urgente fazê-los diminuir. Au - mentou-se a produção de resíduos de maneira exponencial, na verdade, sem ligação direta com a geração do bem-estar. Nos anos 70, produziam-se dez milhões de toneladas de resíduos por ano na Fran ça, em 2000, 28 mi lhões! Enquan to não nos ori - entarmos para uma redução da produção de resíduos, não haverá solução. Considerando-se o custo e a poluição residual gerados pela eliminação e pela reciclagem, o problema é insolúvel se não mudarem os parâmetros. A triagem do desperdício, evo - cada pelos responsáveis, é uma solução muito limitada, quando não um em bus te 25. Ape nas os re sul ta dos da ma i or par te das re - du ções de nos sas co le tas na bi os fe ra não po dem, por tan to, pro - por ci o nar se não um me lhor es tar. Podemos sin te ti zar tudo isso num pro gra ma em oito R : Reavaliar, Reconceitualizar, Reestruturar, Relocalizar, Redistribuuir, Reduzir, Reutilizar, Reciclar. Estes oito objetivos interdependentes são capazes de desencadear um círculo virtuoso de decres - ci men to se re no, con vi vi al e sus ten tá vel 26. Reavaliar significa rever os valores nos quais acreditamos, sobre os quais organizamos nossa vida, e mudar aqueles que de vem ser mu da dos. Vermos logo qua is são os va lo res que de - vem ser privilegiados e que deveriam sobrepujar os va lo res do - minantes atuais. O altruísmo deveria passar à frente do egoísmo, a cooperação, à frente da competição desenfreada, o prazer do la zer e o etos da lu di ci da de, à fren te da ob ses são pelo tra ba lho, a im por tân cia da vida so ci al, à fren te do con su mo ili mi ta do, o lo - cal, à fren te do glo bal, a au to no mia, à fren te da he te ro no mia, o gos to pela bela obra, à fren te da efi ciên cia pro du ti vis ta, o ra zoá - vel, à fren te do ra ci o nal etc. O pro ble ma é que os va lo res atu a is são sistêmicos. Isso significa que eles são suscitados e estimula - dos pelo sistema e, em contrapartida, contribuem para refor - çá-lo. Certamente a escolha de uma ética pessoal diferente, como a sim pli ci da de vo lun tá ria, pode mu dar o rumo da ten dên - cia e não deve ser ne gli gen ci a da. Deve até mes mo ser es ti mu la - da na me di da em que con tri bui para mi nar as ba ses ima gi ná ri as do sistema, porém, sem uma crítica radical deste, a Reavaliação cor re o ris co de ser li mi ta da. Tra tar-se-ia de re a tar de cer to modo com a abundância perdida das sociedades primitivas, em rela - ção às qua is, de po is de Sa lhins e mu i tos ou tros, Ba u dril lard nos 25 Ver Pierre-Emmanuel Neurohr, diretor do Centro de Informação sobre Resíduos. Sor tir du tout-je ta ble. Jornal Libération 10/11 jan Po der-se-ia es ten der a lis ta dos R com: ra di ca li zar, re con ver ter, re de fi nir, re - di men si o nar, re mo de lar, re pen sar etc. Mas to dos es tes er res es tão mais ou me nos in clu í dos nos oito pri me i ros.

13 Cadernos IHU Idéias 11 lem bra que a ri que za não está fun da da nos bens, mas na tro ca concreta entre as pessoas e é portanto ilimitada 27. Reconceitualizar/ Reenquadrar: Re en qua drar, se gun do Paul Walz la wick, John We a land e Ri chard Fisch, sig ni fi ca mo di fi car o con tex to con ce i tu al e/ou emo ci o nal de uma si tu a ção ou o pon to de vis ta se gun - do o qual ela é vi vi da, co lo can do-a num ou tro qua dro que cor res pon da igual men te, ou até me lhor, aos fa tos des sa situação concreta, cujo sentido, por conseguinte, muda completamente 28. Reconceitualizar ou redefinir/redimensionar impõe-se, por exem plo, para os con ce i tos de ri que za e de po bre za 29, mas tam - bém para o par infernal fundador do imaginário econômico: escassez/abundância, que urge definir. Como bem mostraram Ivan Illich e Je an-pierre Du puy, a eco no mia trans for ma a abun - dância natural em escassez por meio da criação artificial da falta e da necessidade, através da apropriação da natureza e de sua co mer ci a li za ção. Os OGMs são a última ilustração do fenômeno da desapropriação, sofrida pelos agricultores, da fecundidade natural das plantas em proveito das firmas agroalimentares. Reestruturar significa adaptar o aparelho de produção e as relações sociais em função da mudança dos valores. Tal reestruturação será ainda mais radical porque de o caráter sistêmico dos valores foi abalado. É a orientação para uma sociedade de de cres ci men to que está em ques tão aqui. Isso pode im pli car a 27 La so cié té de con som ma ti on, Pa ris, De noël, 1970, P 92. É cla ro que re a va li ar tam bém traz o pro ble ma da trans mis são en tre ge ra ções. O mun do que le ga - mos a nos sos fi lhos e pelo qual são fa bri ca dos é um mun do as so la do pela vi o - lência, pe las guer ras, por uma com pe ti ção eco nô mi ca sem pi e da de, en fim, é um mun do pro fun da men te des pe da ça do. A ma i or par te de nos sos con tem - po râ ne os es tão eles pró pri os des pe da ça dos. Como po de ri am eles fa bri car fi - lhos sá di os e nor ma is. Aris tó te les di zia que os pró pri os mu ros da ci da de con - tri bu em para for mar o ci da dão, mas será que os mu ros de nos sos su búr bi os tris tes, co ber tos de pu bli ci da des, po dem for mar ou tra co i sa além de, na me lhor das hi pó te ses, con su mi do res e usuá ri os frus tra dos e, na pior, sel va gens re - bel des? Como é que a éti ca da guer ra eco nô mi ca a qual quer pre ço pode co e - xis tir com a éti ca da so li da ri e da de, da gra tu i da de e da do a ção que de ve ria mo - ver um mun do fra ter no e com o ri gor ci da dão e a igual da de im pli ca dos pelo Esta do de mo crá ti co? Como, por exem plo, va mos cri ar nos sos fi lhos e fa bri - car os fu tu ros agen tes da so ci e da de do ama nhã? Qual des tas mo ra is nós ve - re mos, ou vi re mos e ple bis ci ta re mos pelo au di mat na te le vi são ou nas on das? 28 Paul Walz la wick, John We ak land e Ri chard Fisch. Chan ge ments. Pa ra do xes et psychothérapie. Pa ris: Le Se u il, 1975, p Ver Patrick Viveret. Reconsidérer la richesse. L aube/nord, Rahnema Majid. Quand la misè re chas se la pa u vre té. Fa yard Actes Sud. Arna ud Bert houd. La ri chesse et ses deux types, Revista do MAUSS, n. 21, 1 o se mes tre de 2003.

14 12 Ser ge La tou che reconversão das indústrias automobilísticas para fabricar apare - lhos de re cu pe ra ção de ener gia por co-geração etc 30. Relo ca li zar sig ni fi ca, é cla ro, pro du zir no lo cal es sen ci al - mente os produtos destinados à satisfação das necessidades da população, com empresas locais financiadas pela poupança co - letada localmente. Não seria preciso adotar o princípio de subsi di a ri da de do tra ba lho e da pro du ção for mu la do por Yvon ne e Mi chel Lefeb vre, ou seja, o prin cí pio da pri o ri da de na es ca la des - centralizada 31? Tudo o que se pos sa pro du zir na es ca la lo cal para necessidades locais deve ser produzido localmente. Isso resultará em que: toda decisão econômica que possa ser toma - da na escala local deva ser tomada localmente. Tal princípio re - pousa no bom senso e não na racionalidade econômica. De que adi an ta ga nhar al guns fran cos so bre um ob je to, ex - pli cam os au to res, quan do é pre ci so con tri bu ir com vá ri os mi lhões de fran cos, por meio de en car gos di ver sos, para a so bre vi vên cia de uma fra ção da po pu la ção que não pode mais par ti ci par jus ta men te da pro du ção do ob je to. Se as idéias devem ignorar as fronteiras, os movimentos de mercadorias e de capitais devem ser reduzidos ao indispensável. Inter na li zan do os cus tos ex ter nos do trans por te (in fra-es tru - tura, poluição, gerando efeito estufa e desordem climática), um grande número de atividades seriam relocalizadas. Por redistribuir entende-se a divisão das riquezas e do aces so ao pa tri mô nio na tu ral tan to en tre o Nor te e o Sul quan to dentro de cada sociedade. Reduzir quer dizer reduzir sobretudo os horários de trabalho, mas também diminuir o impacto sobre a biosfera, causado por nos sos mo dos de pro du zir e con su mir. Já em 1981, Jac ques Ellul estabelecia como objetivo a redução drástica do tempo de trabalho. 35 horas? Não, está completamente obsoleto. A meta a ser al can ça da: duas ho ras por dia. Ellul ins pi ra-se aqui, nos diz Je an-luc Por quet, em duas obras: a fa mo sa Deux heures par jour, cujo au tor é Adret, e La Révolution des temps choisis. Cer ta men te, re co nhe ce ele, isso não é nada fá cil nem sem riscos: Sei mu i to bem o que se pode ob je tar: o té dio, o va zio, o de - sen vol vi men to do in di vi du a lis mo, o des man te la men to das co mu ni da des na tu ra is, o en fra que ci men to, a re gres são 30 Para cons tru ir um mi cro ge ra dor, na ver da de, bas ta um mo tor de au to mó vel com um al ter na dor ins ta la do num co fre me tá li co. As com pe tên ci as, as tec no lo - gi as e até mes mo as ins ta la ções ne ces sá ri as são pra ti ca men te idên ti cas. Ora, a co-ge ra ção di fu sa per mi te pas sar de um ren di men to ener gé ti co de apro xi ma - da men te 40% para 94%! Per mi te eco no mi zar as sim tan to o con su mo de ener - gia fós sil quan to a emis são de CO 2. (Ver Pal lan te Ma u ri zio. Un fu tu ro sen za luce? Roma: Ri u ni ti, 2004.) 31 Yvon ne Mig not-le feb vre e Mi chel Le feb vre. Les pa tri mo i nes du fu tur. Les so cié - tés aux pri ses avec la mon di a li sa ti on. Pa ris: L Har mat tan, 1995, p. 235.

15 Cadernos IHU Idéias 13 eco nô mi ca ou, en fim, a re cu pe ra ção do tem po li vre pela so ci e da de mer can til e pela in dús tria do la zer que fará do tem po uma nova mer ca do ria. Mas, se, por um lado, ele ima gi na fa cil men te aque les que viverão colados à tela da TV, aque les que pas sa rão a vida no bar, etc., por ou tro, ele diz es tar con ven ci do de que as sim se re mos obri ga dos a fa zer per gun tas fun da men ta is: per - gun tas so bre o sen ti do da vida e so bre uma nova cul tu ra, so bre uma nova or ga ni za ção que não seja nem res trin gen te nem anár qui ca, a aber tu ra de um cam po de uma nova cri a ti - vi da de... Não es tou so nhan do. Isso é pos sí vel. (...) O ho - mem pre ci sa in te res sar-se por algo, e é por fal ta de in te res - se que hoje es ta mos mor ren do. Com tempo livre e possibilidades múltiplas de expressão, este ho mem em ge ral en con tra rá sua for ma de ex pres são e a con cre ti za ção de seus de se jos. Tal vez não seja belo, tal vez não seja edu ca do nem efi caz; será Ele. Aqui lo que per de mos 32. Além dis so, como diz Hu bert Re e ves, não se tra ta de vol tar à Ida de da Pe dra e de ilu mi nar-se à luz de vela. Con si de ra-se que a for ça ener gé ti ca ne ces sá ria para uma vida hu ma na ade qua da (ca lor, hi gi e ne, trans - por te, pro du tos ma nu fa tu ra dos) equi va le àque la gas ta por um mo des to aque ce dor li ga do per ma nen te men te (ou seja 1 ki lo watt). Hoje a Amé ri ca do Nor te (Ca na dá e Esta dos Uni - dos) gas ta doze ve zes mais que isso, e a Eu ro pa do oes te, cin co ve zes mais, en quan to um ter ço da hu ma ni da de está bem aba i xo des ta nor ma. É este so bre con su mo que se ria ne ces sá rio re du zir para ali vi ar as res tri ções ener gé ti cas que pe sa rão mais so bre nos so fu tu ro e para al can çar uma par ti lha mais igual do bem-estar mun di al 33. Para isso, seria preciso, na medida do possível, reutilizar os apa re lhos e os bens de con su mo, em vez de jo gá-los fora, e evi - dentemente reciclar os resíduos de nossa atividade que não po - dem ser submetidos à compressão 34. Esta marcha para uma sociedade de decrescimento deve - ria ser organizada não apenas para preservar o meio ambiente, mas também, e talvez sobretudo, para restaurar o mínimo de justi ça so ci al sem o qual o Pla ne ta é con de na do à ex plo são. 32 Ellul. Chan ger de ré vo lu ti on. p , ci ta do por Jean-Luc Por quet. In: J. Ellul L hom me qui ava it (pres que) tout pré vu. Ed. Le cher che Midi, 2003 p Hubert Reeves. Mal de ter re. Se u il, 2003, p Assim, pode-se es ti mar em mais de ár vo res por ano o des per dí cio pou - pa do na Fran ça pe los pa péis e pa pe lões que os com pa nhe i ros de Emmaüs se em pe nham em re co lher, tri ar, acon di ci o nar. Sem isso, tudo apo dre ce ria ou queimaria, e poluiria. (Fabrice Liegard. Travail et économie dans les communau - tés d Emmaüs. Relatório para o Ministério da Cultura, Paris, 2003).

16 14 Ser ge La tou che Sem dúvida alguma, para aplicar estas políticas de decrescimento, é pre ci so an tes, tan to no Sul quan to no Nor te, um ver - dadeiro tratamento coletivo de desintoxicação. O crescimento, na ver da de, foi um ví rus per ver so e uma dro ga ao mes mo tem - po. Como es cre ve ain da Ma jid Rah ne ma: Para se in fil trar nos espaços vernáculos, o primeiro homo economicus adotara dois mé to dos: um de les é a ação do re tro ví rus HIV e o ou tro, os me i os empregados pelos traficantes de drogas 35. Tra ta-se da des tru i - ção das defesas imunitárias e da criação de novas necessida - des. A rup tu ra das ca de i as da dro ga será ain da mais di fí cil por ser do in te res se dos tra fi can tes (no caso, a ne bu lo sa das fir mas transnacionais) manter-nos na escravidão e porque os drogados preferem sustentar seus dealers a sustentar os médicos. Todavia, há to das as chan ces para que se ja mos le va dos a isso pelo cho que sa lu tar da ne ces si da de (e, por exem plo, a alta da co ta - ção do pe tró leo). Com o de cres ci men to, não se tra ta de vol tar ao de sen vol vi - mento (redesenvolvimento), tampouco entrar em subdesenvolvi men to ou em des-desenvolvimento, mas sim ples men te sair do desenvolvimento. 35 Ma jid Rah ne ma. Ibid, p. 214.

17 TEMAS DOS CADERNOS IHU IDÉIAS N. 01 A te o ria da jus ti ça de John Rawls Dr. José Ne del. N. 02 O feminismo ou os feminismos: Uma leitura das produções teóricas Dra. Edla Eggert. O Serviço Social junto ao Fórum de Mulheres em São Leopoldo MS Cla ir Ri - beiro Ziebell e Acadêmicas Anemarie Kirsch Deutrich e Magali Beatriz Strauss. N. 03 O pro gra ma Li nha Di re ta: a so cie da de se gun do a TV Glo bo Jor na lis ta So - nia Mon ta ño. N. 04 Ernani M. Fiori Uma Filosofia da Educação Popular Prof. Dr. Luiz Gil ber to Kron ba u er. N. 05 O ru í do de guer ra e o si lên cio de Deus Dr. Man fred Ze uch. N. 06 BRASIL: Entre a Iden ti da de Va zia e a Cons tru ção do Novo Prof. Dr. Re na - to Ja ni ne Ri be i ro. N. 07 Mundos televisivos e sentidos identiários na TV Pro fa. Dra. Su za na Kilpp. N. 08 Simões Lo pes Neto e a Inven ção do Ga ú cho Pro fa. Dra. Már cia Lo pes Du ar te. N. 09 Oligopólios midiáticos: a televisão contemporânea e as barreiras à entrada Prof. Dr. Va lé rio Cruz Brit tos. N. 10 Fu te bol, mí dia e so cie da de no Bra si l: re fle xões a par tir de um jogo Prof. Dr. Édi son Luis Gas tal do. N. 11 Os 100 anos de The o dor Ador no e a Fi lo so fia de po is de Aus chwitz Pro fa. Dra. Már cia Ti bu ri. N. 12 A domesticação do exótico Profa. Dra. Pau la Ca lef fi. N. 13 Po me ra nas par ce i ras no ca mi nho da roça: um je i to de fa zer Igre ja, Te o lo gia e Educação Popular Pro fa. Dra. Edla Eggert. N. 14 Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros: a prática política no RS Prof. Dr. Gun ter Axt. N. 15 Medicina social: um instrumento para denúncia Pro fa. Dra. Ste la Na za reth Me neg hel. N. 16 Mudanças de significado da tatuagem contemporânea Pro fa. Dra. Dé bo ra Kris chke Le i tão. N. 17 As sete mulheres e as negras sem rosto: ficção, história e trivialidade Prof. Dr. Má rio Ma es tri. N. 18 Um initenário do pensamento de Edgar Morin Pro fa. Dra. Ma ria da Con ce i - ção de Alme i da. N. 19 Os donos do Poder, de Raymundo Faoro Pro fa. Dra. Hel ga Ira ce ma Lad - graf Piccolo. N. 20 So bre téc ni ca e hu ma nis mo Prof. Dr. Oswal do Gi a cóia Ju ni or. N. 21 Cons tru in do no vos ca mi nhos pa ra a in ter ven ção so ci e tá ria Pro fa. Dra. Lucilda Selli. N. 22 Físi ca Quân ti ca: da sua pré-história à dis cus são so bre o seu con teú do es sen cial Prof. Dr. Pau lo Hen ri que Di o ní sio. N. 23 Atualidade da filosofia moral de Kant, desde a perspectiva de sua crítica a um solipsismo prático Prof. Dr. Va lé rio Rod hen. N. 24 Ima gens da ex clu são no ci ne ma na cio nal Pro fa. Dra. Mi ri am Ros si ni. N. 25 A estética discursiva da tevê e a (des)configuração da informação Pro fa. Dra. Ní sia Mar tins do Ro sá rio. N. 26 O dis cur so so bre o vo lun ta ri a do na Uni ver si da de do Vale do Rio dos Si nos UNISINOS MS. Rosa Ma ria Ser ra Ba va res co. N. 27 O modo de objetivação jornalística Pro fa. Dra. Be a triz Alca raz Ma roc co. N. 28 A cidade afetada pela cultura digital Prof. Dr. Pau lo Edi son Belo Re yes. N. 29 Pre va lên cia de vio lên cia de gê ne ro per pe tra da por com pa nhe i ro: Estu do em um ser vi ço de aten ção pri má ria à saú de Por to Ale gre, RS Profº MS. José Fer nan do Dresch Kron ba u er.

18 N. 30 Getúlio, romance ou biografia? Prof. Dr. Ju re mir Ma cha do da Sil va. N. 31 A crise e o êxodo da sociedade salarial Prof. Dr. André Gorz. N. 32 À meia luz: a emer gên cia de uma Te o lo gia Gay - Seus di le mas e possibilida - des Prof. Dr. André Sid nei Muss kopf. N. 33 O vampirismo no mundo contemporâneo: algumas considerações Prof. MS Mar ce lo Pi zar ro No ro nha. N. 34 O mundo do trabalho em mutação: As reconfigurações e seus impactos Prof. Dr. Mar co Au ré lio San ta na. N. 35 Adam Smith: filósofo e economista Pro fa. Dra. Ana Ma ria Bi an chi e Anto nio Ti a go Lou re i ro Ara ú jo dos San tos. N. 36 Igreja Uni ver sal do Re i no de Deus no con tex to do emer gen te mer ca do re li - gi oso brasileiro: uma análise antropológica Prof. Dr. Air ton Luiz Jung blut. N. 37 As concepções teórico-analíticas e as proposições de política econômica de Key nes Prof. Dr. Fer nan do Fer ra ri Fi lho. N. 38 Rosa Egipcíaca: Uma Santa Africana no Brasil Colonial Prof. Dr. Luiz Mott. N. 39 Malt hus e Ri car do: duas vi sões de eco no mia po lí ti ca e de ca pi ta lis mo Prof. Dr. Gentil Corazza N. 40 Corpo e Agenda na Revista Feminina MS Adri a na Bra ga N. 41 A (anti)fi lo so fia de Karl Marx Pro fa. Dra. Leda Ma ria Pa u la ni N. 42 Veblen e o Comportamento Humano: uma ava li a ção após um sé cu lo de A Te o ria da Clas se Oci o sa Prof. Dr. Le o nar do Mon te i ro Mo nas te rio N. 43 Futebol, Mídia e Sociabilidade. Uma experiência etnográfica Édi son Luis Gas tal do, Ro dri go Mar ques Le ist ner, Ro nei Te o do ro da Sil va & Sa mu el McGinity N. 44 Genealogia da religião. Ensaio de leitura sistêmica de Marcel Gauchet. Apli - cação à situação atual do mundo Prof. Dr. Gé rard Don na di eu N. 45 A re a li da de quân ti ca como base da vi são de Te i lhard de Char din e uma nova concepção da evolução biológica Prof. Dr. Lot har Schä fer N. 46 Esta terra tem dono. Disputas de representação sobre o passado missio - ne i ro no Rio Gran de do Sul: a fi gu ra de Sepé Ti a ra ju Pro fa. Dra. Ce res Ka - ram Brum N. 47 O desenvolvimento econômico na visão de Joseph Schumpeter Prof. Dr. Achyles Bar ce los da Cos ta N. 48 Re li gião e elo so ci al. O caso do cris ti a nis mo Prof. Dr. Gé rard Don na di eu. N. 49 Co pér ni co e Ke pler: como a ter ra saiu do cen tro do uni ver so Prof. Dr. Ge - ral do Mon te i ro Si ga ud N. 50 Mo der ni da de e pós-modernidade lu zes e som bras Prof. Dr. Evilázio Teixeira N. 51 Violências: O olhar da saúde coletiva Éli da Aze ve do Hen ning ton & Ste la Na za reth Me neg hel N. 52 Ética e emoções morais Prof. Dr. Tho mas Kes sel ring; Juízos ou emo ções: de quem é a pri ma zia na mo ral? Prof. Dr. Adri a no Na - ves de Bri to N. 53 Computação Quântica. Desafios para o Século XXI Prof. Dr. Fer nan do Haas N. 54 Atividade da sociedade civil relativa ao desarmamento na Europa e no Brasil Pro fa. Dra. An Vranckx N. 55 Terra habitável: o grande desafio para a humanidade Prof. Dr. Gil ber to Du pas

19 Cadernos IHU Idéi as: Apresenta artigos produzidos pelos con - vidados-palestrantes dos eventos promovidos pelo IHU. A di - ver si da de dos te mas, abran gen do as mais diferentes áre as do conhecimento, é um dado a ser destacado nesta publicação, além de seu caráter científico e de agradável leitura.

20 Ser ge La tou che (1940), de fen sor do de cres ci - mento, é economista, sociólogo, antropólogo, professor de Ciên ci as Eco nô mi cas na Uni ver si da de de Pa ris-sul e pre si den te da Asso ci a ção Li nha do Horizonte. É doutor em Filosofia (Université de Lil - le III, 1975) e em Ciên ci as Eco nô mi cas (Uni ver si té de Pa ris, 1966), di plo ma do em Estu dos Su pe ri o - res em Ciências Políticas (Université de Paris,1963) e di re tor de pes qui sas (3ème à Pa ris I I.E.D.E.S.). Algu mas pu bli ca ções do au tor La pen sée créa ti ve con tre l économie de l absurde. Paris: Parangon, Jus ti ce sans li mi tes Le défi de l éthique dans une éco no mie mon di a li sée (Justiça sem limites. O desafio da ética numa economia globalizada), Pa - ris: Fa yard, La pen sée créa ti ve con tre l économie de l absurde (O pen sa men to cri a ti - vo contra a economia do absurdo), Paris: Parangon, La déraison de la raison économique. Pa ris: Albin Mi chel, Les Dangers du marché planétaire (Os pe ri gos do mer ca do pla ne tá rio). Pa ris: Edi to ra Pres ses de Sci en ces, A Oci den ta li za ção do Mun do. Petrópolis: Vozes, 1994.

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