AULA 2º ANO DO ENSINO MÉDIO

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1 1 AULA 2º ANO DO ENSINO MÉDIO Jader Peranboni INTRODUÇÃO O presente mateial didático tem por objetivo a introdução e um exemplo de aplicação do tema Ética ao 2º Ano do Ensino Médio. O tempo previsto para o trabalho deste conteúdo é de seis períodos presencias e cerca de mais ou menos quatro pedíodos extra sala de aula para o desenvolvimento do material a ser apresentado em forma de seminário e entregue ao final do tempo previsto. ÉTICA: DO QUE SE TRATA? Atualmente, quase que diáriamente um tema tem sido alvo de inumeras discussões. Enquanto caminhamos, passamos por grupos que comentam sobre o assunto, enquanto lemos ou assistimos o jornal, diversas vezes ouvimos falar em ética. Mas afinal, O que é a ética? A ética é uma palavra originada do grego ethos, através do latin ethica é um campo de reflexões filosóficas que busca conhecer as relações entre os seres humanos, seu modo de ser e pensar. Enquanto doutrina filosófica, a ética é essencialmente especulativa e, a não ser quanto ao seu método analítico - (a) é o estudo dos aspectos lógicos de um discurso ou tratado moral - É o estudo do significado dos termos usados no discurso ético; b) é o tipo de reflexão que analisa o discurso moral constituindo uma metalinguagem de caráter pretendidamente neutro ou não-normativo a este campo chamamos Metaética)-, jamais será normativa, característica esta, exclusiva do seu objeto de estudo, a moral (O termo moral é derivado do latim mores, que significa relativo aos costumes - é o nome dado a qualquer regra social resultante de uma prática reiterada de forma generalizada e prolongada, o que resulta numa certa convicção de obrigatoridade, de acordo com cada sociedade e cultura específica. Assim sendo, a ética mostra o que era moralmente aceito no Brasil Colonial, possibilitando uma comparação com o que é moralmente aceito no Brasil atual, por exemplo, indicando através da comparação, mudanças no comportamento humano e nas regras sociais e suas conseqüências, podendo daí, detectar problemas e/ou indicar caminhos. Além de tudo ser Ético é fazer algo que te beneficie e, no mínimo, não prejudique o "outro".

2 2 Eugênio Bucci, em seu livro Sobre Ética e Imprensa, descreve a ética como um saber escolher entre "o bem" e "o bem" (ou entre "o mal" e o mal"), levando em conta o interesse da maioria da sociedade. Ao contrário da moral, que delimita o que é bom e o que é ruim no comportamento dos indivíduos para uma convivência civilizada, a ética é o indicativo do que é mais justo ou menos injusto diante de possíveis escolhas que afetam terceiros. A ética, enquanto estudo, pode ser interpretada como um termo genérico que designa aquilo que é freqüentemente descrito como a "ciência da moralidade", seu significado derivado do grego, quer dizer 'Morada da Alma', isto é, suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. Para a filosofia, o comportamento ético é aquele que é considerado bom, e, sobre a bondade, os antigos diziam que: o que é bom para a leoa, não pode ser bom à gazela. E, o que é bom à gazela, fatalmente não será bom à leoa. Este é um dilema ético típico. Portanto, de investigação filosófica, e devidas subjetividades típicas em si, ao lado da metafísica e da lógica, não pode ser descrita de forma simplista. Desta forma, o objetivo de uma teoria da ética é determinar o que é bom, tanto para o indivíduo como para a sociedade como um todo. Os filósofos antigos adotaram diversas posições na definição do que é bom, sobre como lidar com as prioridades em conflito dos indivíduos versus o todo, sobre a universalidade dos princípios éticos versus a "ética de situação". Nesta o que está certo depende das circunstâncias e não de uma qualquer lei geral. E sobre se a bondade é determinada pelos resultados da ação ou pelos meios pelos quais os resultados são alcançados. O homem vive em sociedade, convive com outros homens e, portanto, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: Como devo agir perante os outros?. Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Moral e da Ética. Enfim, a ética é um julgamento do caráter moral de uma determinada pessoa. A Visão ética é aplicada sobre todas as áreas possíveis, contúdo, algumas acabam por se destacar frente à outras. Áreas como a economia, a política, a religião entre outras, vem sendo alvo de, não sem razões, do olhar crítico da ética. Uma sentença ética, também é conhecida como uma afirmativa normativa. Trata-se de um juízo positivo ou negativo (em termos morais) de alguma coisa. Sentenças éticas são frases que usam palavras como bom, mau, certo, errado, moral, imoral, etc. Vejamos alguns exemplos: O presidente do Brasil é uma boa pessoa Os homens não devem roubar

3 3 A honestidade é uma virtude Em contraste, uma frase não-ética, precisa ser uma sentença que não serve para uma avaliação moral. Alguns exemplos são: O presidente do Brasil é uma pessoa alta Os homens correm pelas ruas "Lula é o chefe A visão ética quando aplicada às práticas das ciências, nos coloca questões bastante complexas que, as vezes, tornam-se dilemas, paradóxos que parcem ser insolucionáveis, pois, as respostas apresentadas por lados opostos, constituem posições que, munidas de argumentos, parecem ser indestrutíveis. Um exemplo disso é a questão que trata sobre o aborto. Por um lado existem aqueles que são contra (conservadores), por outro, aqueles que são a favor (liberais); ambos estão munidos de argumentos que parecem dar a questão respostas verdadeiras, porém contrárias se comparadas entre sí. Atualmente, um dos autores que mais se destaca no campo da ética prática, ou como alguns preferem dizer, na ética aplicada, é o australiano Peter Singer. Detentor de uma obra bastante extensa e que se aplica a uma gama bastante diversa de áreas, Singer trabalha questões bastante polêmicas em nossos dias, entre elas, esta a já citada questão sobre o aborto. O ABORTO O aborto (do latim ab-ortus, privação do nascimento) é a interrupção da gravidez, que pode ocorrer de forma espontânea ou de forma voluntária, através de intervenção médica ou provocada pela própria gestante. Desde os séculos anteriores a Cristo, na Grécia antiga o aborto era permitido e socialmente aceite, assim como o infanticídio. Já na Roma antiga o aborto era punido com pena de morte. O aborto provocado nestes tempos geralmente ocasionava, por falta de recursos médicos científicos, a morte da mãe. Após a humanização do Direito, por influência do Cristianismo, o aborto passou a ser considerado um crime. A União Soviética, em 1920, foi o primeiro país a legalizar o aborto voluntário. Na década seguinte, esta tendência liberal estendeu-se a vários países escandinavos e posteriormente ao Japão, à China e à Europa Ocidental. Mas afinal de contas o que a ética fala sobre o aborto? Certo ou errado? Vejamos o posicionamento de Singer frente a esta questão.

4 4 A partir do capítulo quatro, de sua obra Ética Prática, o autor inicia com a problemática da sacralidade da vida humana e o porquê de ela ser considerada sagrada e especial. Apresenta o exemplo do dito popular a vida é sagrada e propõe a pergunta a respeito do porque ser somente a vida humana considerada sagrada e especial. Mostra alguns exemplos e procura mostrar a igualdade entre as diferentes espécies sobre a questão da sacralidade da vida. Apresenta uma diferença entre o Homo Sapiens e a Pessoa, mostrando com argumentos que nem sempre uma pessoa é um ser humano e podem existir outros animais que se encaixam na classificação de Pessoa. O argumento do utilitarismo preferencial, do utilitarismo total e o argumento de Tooley mostram o porque do direito a vida de uma Pessoa, como a relação com outras pessoas, a consciência de si, consciência de tempo presente, passado e futuro e o desejo de continuar vivendo. Ao buscar um princípio universalmente válido para nortear as relações humanas, Singer redefine a essência do critério da igualdade e o aplica a todas as relações humanas que possam afetar, negativa ou positivamente, os interesses de seres vulneráveis à liberdade de ação e expressão de outros, especialmente quando aqueles não podem expressar-se de um certo modo, considerado tradicionalmente pela filosofia moral como o único e o mais adequado para revelar quem é membro da comunidade moral humana: pela linguagem verbal,

5 5 ordenada logicamente num discurso pronto a ser compreendido e cooptado pelos interesses de sujeitos racionais egoístas. Animais, humanos recém-nascidos, adultos senis, portadores de lesões neurológicas degenerativas da consciência e os deficientes mentais constituem um só e mesmo grupo de sujeitos, vulneráveis aos atos de sujeitos egoístas, e impotentes para se expressarem do único modo que sujeitos egoístas reconhecem ser válido para a expressão: o da linguagem racional. Mas, o mesmo sujeito egoísta que estabelece como princípio moral o princípio da nãomaleficiência, e o impõe aos demais para que regulem suas ações, de modo a não prejudicá-lo quando seus interesses pessoais estão em jogo, é o primeiro a esquivar-se de o obedecer quando joga com seus interesses particulares em âmbitos que afetam negativamente os interesses de seres incapazes de se defender de suas investidas. O sujeito moral tradicional admite regular sua ação pelo princípio da igualdade apenas até o ponto em que seus interesses prevalecem. Tão logo interesses de seres indefesos se anteponham aos seus, o princípio moral da igualdade na consideração é deixado de lado, sob pretexto de que tais seres não são seus iguais. Desse modo conservador, tem sido fácil convencer-se da própria lisura ética. O racismo, o machismo, o elitismo e o especismo são formas de discriminação que evidenciam a duplicidade de critérios morais. O autor estabelece um novo sentido para a palavra igualdade. Ele não busca uma igualdade factual naqueles que julga deverem compor a comunidade moral. Também não afirma que todos os interesses são iguais. Afirma a ética como a busca de um princípio de igualdade cujo critério, o da senciência, não se restrinja ao âmbito humano, mas seja expansivo a todas as espécies animais dotadas de sensibilidade e de consciência. Dessa exigência resulta a necessidade de se redefinir o direito humano tido como moral, de infligir dor e sofrimento a seres sencientes, especialmente se esses não falam a língua dos humanos. A senciência pode apresentar-se mais refinada em indivíduos de certas espécies do que em outros, de outras. Tal refinamento não se reduz simplesmente a uma maior capacidade para sentir dor ou sofrer, mas a uma maior capacidade para vivenciar outras experiências, não vinculadas nem subsumidas diretamente à dor e ao prazer. A capacidade mais refinada torna a vida mais rica e valiosa. Esse valor especial em nada define, porém, o estatuto moral da senciência. A senciência diz respeito às experiências de dor e de prazer, de conforto e de bemestar, de sofrimento e de felicidade, enquanto a autoconsciência diz respeito à capacidade de traçar um plano racional de vida. Embora tenhamos a última a nos distinguir da vida animal de outras espécies, essas têm a primeira em comum conosco. Para todos os seres vivos

6 6 dotados de sensibilidade, sem exceção, a vida torna-se tanto mais insuportável, quanto maior for o número de experiências dolorosas, ou mais intenso o sofrer. Ter a capacidade de traçar um plano racional para conduzir sua própria vida não torna um ser humano superior aos animais, em sua capacidade de sentir dor e prazer. Essa capacidade, assim o constata Darwin, pode variar em grau, mas não em espécie. A ética animal trata dessa questão, quando abordada na perspectiva utilitarista preferencial. Seres dotados de senciência não necessariamente precisam da segunda capacidade, da autoconsciência, para gozar plenamente a espécie de vida na qual nascem. Por essa razão, duas são as questões éticas levantadas, respectivamente, pela senciência e pela autoconsciência, nos escritos do autor. Enquanto a primeira habilidade nos tira o direito de causar dor e sofrimento, o direito de torturar e de abusar, a segunda nos tira o direito de matar injustificadamente, entendendo-se por justificável a penas a morte concedida a um indivíduo para atender a seu interesse maior, e não ao de quem se aproveita da morte alheia para tirar algum proveito próprio. Transforma a questão penal e religiosa de matar numa questão moral. Isso choca os espíritos mais conservadores, para os quais nada há que ser discutido, do ponto de vista ético, no verbo matar, quando se refere a um indivíduo particular, embora tenham uma posição favorável ao matar, quando praticado em massa, por exemplo, na guerra justa. A tortura, por sua vez, termo comum no meio jurídico, aplica-se exclusivamente para designar tratamento doloroso, invasivo e destruidor, dispensado aos adversários de regimes políticos nãodemocráticos. Traz para o campo da ética o verbo torturar, e o usa para designar o que fazemos aos animais. Para os filósofos e políticos conservadores, qualquer que seja o tratamento dispensado aos animais, não se deve jamais compará-lo, não nos mesmos termos lingüísticos empregues, para julgar o que se pratica contra humanos. O empenho ético de Singer sustenta-se sobre o que ficou estabelecido desde os primórdios gregos para designar o princípio da igualdade: preservar a coerência moral do sujeito, indicando-lhe um único critério e medida para ajustar o igual e o diferenciar do nãoigual. Fugindo da igualdade como padronização, no entanto, ao aprimorar o conceito de justiça através do critério da eqüidade, estabelece uma nova perspectiva para nortear ações e decisões humanas com vistas a expandir o círculo tradicional da moralidade até o ponto mais abrangente, aquele no qual nenhum sujeito moral se encontra autorizado a praticar ações que afetam negativamente interesses de seres sencientes e auto-conscientes, pois esse mesmo sujeito abomina tais ações, quando sofre as mesmas, na condição de paciente moral.

7 7 A coerência moral passa a ser o fundamento do princípio da igual consideração de interesses semelhantes, proposto por Singer para redefinir o âmbito tradicional da igualdade contratual. Em vez da igualdade factual, requerida pela moral conservadora para estabelecer quem é digno de respeito, a semelhança de interesses ocupa o lugar central do juízo ético. Onde definimos para os humanos um tratamento respeitoso, em nome de nosso dever de respeito a seus interesses, devemos estender o dever em relação a todos os interesses da mesma ordem, ainda que eles apareçam em seres destituídos da capacidade de raciocinar, de falar e de reivindicar direitos. Interesses se definem pela capacidade de sofrer, de sentir dor, de ter a qualidade da própria espécie de vida diminuída em função de ações alheias. Tudo isso aparece não apenas em seres da espécie humana. A igualdade, definitivamente, deixou de ser pensada como uniformização, padronização, massificação. Por seu caráter moral e não factual, a igualdade, não é uma característica requerida dos que estão sujeitados às ações alheias, mas sim do sujeito que age. A igualdade não é critério ou qualidade factual dos pacientes morais, mas princípio que deve nortear juízos e decisões de agentes morais. Enfim, no sujeito moral revela-se ou não a igualdade, no seu caráter e em suas decisões, manifestando-se, desse modo, na coerência do sujeito com um princípio que ele mesmo definiu para ordenar as ações dos outros, quando seu interesse está em jogo. É o sujeito moral, portanto, que se mostra sempre igual, ao respeitar igualmente, isto é, sem discriminação, interesses semelhantes, ainda que esses apareçam em indivíduos com as mais diversas características biológicas. É dessa redefinição do princípio moral da igualdade, dessa espécie de correção de antigos desvios, que a ética animal de Singer trata. Se a vida tem valor apenas para seres auto-conscientes, tal valor não desaparece quando a autoconsciência se apresenta num animal de outra espécie que não a Homo sapiens. Discriminar seres auto-conscientes de outras espécies e exigir que os da nossa espécie sejam respeitados pode ser um costume antigo, mas não pode mais ser sustentado num princípio ético, ainda que haja um desejo humano de continuar a gozar de benefícios obtidos às custas da dor, do sofrimento e da vida desses seres. Se não admitimos tirar a vida de seres humanos, mesmo quando destituídos de consciência e de autoconsciência, por reconhecer que há outros interesses em jogo para além daqueles estabelecidos pela razão e linguagem, não há como admitir que a vida de animais auto-conscientes, capazes de sentir dor e de sofrer, seja destruída sem qualquer justificativa ética, além do argumento do benefício unilateral que tal destruição representa para aquele que os mata. Mas, é preciso que se faça a pergunta, como se pode considerar ético tirar a vida de

8 8 seres que apreciam estar vivos, quando o benefício de sua morte nada representa de bom para si, e, ao mesmo tempo, recusar conceder a morte a seres humanos que a suplicam, quando esta representa um benefício para eles? Singer argumenta em seu livro que tanto o aborto quanto a eutanásia não provocam sofrimento, ao contrario são praticas que aliviam o sofrimento. Considera o feto uma vida humana, mas não uma vida que tenha sensações e sofrimentos, pelo menos na fase de gestação em que ocorre a maioria dos abortos. Singer é contra interrupção da vida de um ser, seja humano, animal, que deseje continuar viver e sofrerá com a morte inesperada. Para Singer todos os seres deveriam ser avaliados com o mesmo interesse. A tolerância ao aborto não queria dizer que as sociedades clássicas estavam livres de polemicas semelhantes. Por mais de dois mil anos, essa indefinição foi motivo de inquietação só para poucos filósofos. Hoje, porém a ciência mexe fundo nesse conceito. Expressões como manipulação genética e proveta estão cada vez mais presentes no cotidiano, e a pergunta sobre quando começa a vida virou uma polêmica que vai guiar boa parte da sociedade em que vimos viver. A resposta sobre a origem de um individua será decisiva para determinar se o aborto é crime ou não. Se for ético manipular embriões humanos em busca de cura para doenças como mal de Alzheimer e deficiências físicas. Contemporâneos e pupilos de Platão, Aristóteles afirmavam que o feto tinha vida, sim. A partir do 1º movimento no útero materno, no feto masculino, apenas no 40º dia e no feminino, a partir do 90º dia. Aristóteles acreditava que as mulheres eram física e intelectualmente inferiores aos homens e por isso se desenvolviam mais lentamente como naquela época. Não era possível determinar o sexo do feto, o pensamento aristotélico defendia que o aborto deveria ser permitido apenas até o quarto dia da gestação. Sua teoria sobreviveu cristianismo adentro. Foi reforçado por teólogos como são tomas de Aquino e santo agostinho e até 1588, quando o papa Sixto 5º condenou a interrupção da gravidez, sob pena de excomunhão. Gregório 9º voltou atrás na lei, e determinou que o embrião não formado não pudesse ser considerado um ser humano. Cientistas e teólogos não conseguiam concordar sobre o momento exato, daí papa Pio 9º, decidiu proteger o ser humano da hipótese mais precoce da concepção na união do óvulo com o espermatozóide. Cito aqui algumas curiosidades pesquisadas na revista super-interessante, segundo as respostas da visão da ciência: A visão embriológica a vida começa na terceira semana da gravidez, quando é estabelecida a individualidade humana. Isso porque até os 12 dias após a

9 9 fecundação o embrião é capaz de se dividir e dar origem a duas ou mais pessoas. E é essa a idéia que justifica o uso da pílula do dia seguinte e contraceptivo administrados nas duas primeiras semanas da gravidez. A vida começa a partir da fertilização essa é a visão genética e também a opinião do catolicismo. A visão neurológica é quando o feto começa a apresenta atividade no cérebro, o problema é que está data não chegou a um consenso comum, tem se a 8ª sema a 20ª semana. E a visão ecológica se fundamenta que a capacidade de sobreviver fora do útero é que faz do feto um ser independente e determina o inicio da vida, médicos consideram que um bebe prematuro só se mantém vivo se tiver pulmões prontos, o que acontece entre a 20ª e a 24ª semana da gravidez, esse foi o mesmo critério usado pela suprema corte dos EUA na decisão que autorizou o direito ao aborto. Mas a visão metabólica, afirma que a discussão sobre o começa da vida humana é irrelevante, uma vez que não existe um momento único no qual a vida tem inicio. Para essa corrente, espermatozóides e óvulos são tão vivos quanto qualquer pessoa. Além disso, o desenvolvimento de uma criança é um processo continuo e não devem ter um marco inaugural. Pesquisas realizadas sobre as cinco respostas da religião: o catolicismo cita que a vida começa na concepção, quando o óvulo é fertilizado formando um ser humano pleno e não um ser humano em potencial. Por mais de uma vez, o papa Bento 16 reafirmou a posição da igreja contra o aborto e a manipulação de embriões. Segundo o papa, o ato de negar o dom da vida, de suprimir ou manipular a vida que nasce é contrario ao amor humano. Já o judaísmo acredita que a vida começa apenas nos 40º dia, quando acreditamos que o feto começa a adquirir forma humana, diz o rabino Shamai, de São Paulo. Antes disso a interrupção da vida não é considerado homicídio. Dessa forma o judaísmo permite a pesquisa de células troncos e o aborto quando a gravidez envolve risco de vida para a mãe ou resulta de estupro. Para o islamismo o inicio da vida acontece quando a alma é soprada por Ala no feto, cerca de 120 dias após a fecundação. Mas há estudiosos que acreditam que a vida tem início na concepção. Os muçulmanos condenam o aborto, mas muitos aceitam a prática principalmente quando há risco para a vida da mãe. E tendem a apoiar o estudo com célulastronco embrionárias. A vida é um processo contínuo e ininterrupto segundo o Budismo. Não começa na união de óvulo e espermatozóide, mas está presente em tudo o que existe - nossos pais e avós, as plantas, os animais e até a água. No budismo, os seres humanos são apenas uma forma de vida que depende de várias outras. Entre as correntes budistas, não há consenso sobre aborto e pesquisas com embriões. Já o Hinduísmo, a alma e matéria se encontram na fecundação e é aí

10 10 que começa a vida. E como o embrião possui uma alma, deve ser tratado como humano. Na questão do aborto, hindus escolhe a ação menos prejudicial a todos os envolvidos: a mãe, o pai, o feto e a sociedade. Assim, em geral se opõem à interrupção da gravidez, menos em casos que colocam em risco a vida da mãe. Tem se também cinco respostas da lei: no Brasil, só há duas situações em que o aborto é permitido: em casos de estupro ou quando a gravidez implica risco para a gestante. Em quaisquer outros casos de a interrupção da gravidez é considerada crime. Espera-se ainda para este ano uma decisão final do supremo tribunal federal que pode liberar ou proibir em definitivo o aborto de fetos anaencéfalos no país. Já nos EUA, o aborto é permitido desde 1973, quando a suprema corte reconheceu que o aborto é um direito garantido pela constituição americana. Pode-se interromper a gravidez até a 24ª semana da gestação - na época em que ela foi promulgada, era esse o estagio mínimo de desenvolvimento que um feto precisava para sobreviver fora do útero. O Japão foi um dos primeiros paises a legalizar o aborto, em 1948 a pratica se tornou método anticoncepcional favorito das japonesas em 1955 foram realizadas abortos contra nascimentos.hoje o aborto é legal em caso de estrupo, risco físico ou econômico a mulher, mas apenas até a 21ª semana atual limite para o feto sobreviver fora do útero. Já na França, desde 1957 as francesas podem fazer abortos até 12ª semana de gravidez. Após esse período a gestação só pode ser interrompida se dois médicos certificarem que a saúde da gestante esta em perigo ou que o feto tem problema grave de saúde. Em 1988, a França foi o primeiro país a legalizar o uso da pílula do aborto RU 486 que pode ser utilizada até a 7ª semana da gestação. Porem o Chile proíbe o aborto em qualquer circunstancia. A pratica é considerada ilegal mesmo nos casos que colocam em risco a vida da mulher. Em casos de gravidez ectópica quando o embrião se aloja fora do útero, geralmente nas trompas a lei exige que a gravidez se desenvolva até a ruptura da trompa, colocando em risco a saúde da mulher. O aborto é hoje, uma das questões éticas mais complexas. Falar em uma posição ética frente ao aborto implica a necessidade de superar posições bastante aceitas e defendias. Atualmente, muitos autores vêm abordando a questão na busca por uma argumentação que nos permita chegar a um conceito dotado de uma ética a partir da qual se poderiam desenvolver considerações práticas. A existência de diferentes juízos relativos a questão do aborto e suas implicações. Conseqüências das Pesquisas: O status da vida humana ganha, a partir de 1978, com a primeira fertilização em vitro, um novo e significativo problema. A possibilidade da fertilização em vitro- FIV, tornou-se, por um lado, a solução às mulheres com dificuldades

11 11 para engravidar, por outro lado, originou uma questão complexa. Para se chegar a um nível razoável de fertilizações com sucesso, as pesquisas destruíram muitos embriões. Muitos embriões são congelados para que assim o risco de uma fertilização mal sucedida não represente demasiado problema. Porém, isso teve como efeito um número bastante grande de embriões congelados. O problema que se percebe aqui é que nem todos eles serão fertilizados, o problema da existência de um banco de embriões ou fetos para serem usados como peças à reparos em vidas já existentes. O problema que divide os grupos entre os favoráveis e os contra o aborto reside no fato de não sabermos qual é a linha divisória entre o óvulo fertilizado e o adulto. Enquanto tal linha não for do conhecimento dos homens, por mais que hajam bons argumentos, como os de Singer, ainda assim os conservadores poderão dizer que matar um óvulo significa cometer um assassinato. Estudos mostram que somente a partir da 6º semana depois da concepção é que o feto passa a ter movimentos e ter a capacidade de sentir dor. Isso obrigou os liberais a ter maior cautela ao falar sobre a consciência como o estado a partir do qual o feto passa a ter direito sobre a própria vida. John Stuart Mill diz que impedir que os outros sejam prejudicados é o único objetivo pelo qual o poder pode ser legitimamente exercido. Porém, esse também é um argumento fala sobre as leis e não sobre a ética que rege o aborto. Posições como a do criminologista Adwin Schwin Schur reivindicam o respeito pela posição da mulher, pois, a escolha de fazer ou não um aborto deveria, segundo ele, deve ser da responsabilidade e escolha daquela que passa pelo problema. O argumento de Edwin, à interpretação de Singer, não parece ser boa e possui certo grau de arbitrariedade, pois, para que fosse válida, teríamos que simplesmente deixar de lado nossas posições sendo complacentes com fatos muitas vezes absurdos. A pratica do aborto deixa vítimas? Argumentos feministas Judith Jarvis Thomson diz o seguinte, a mulher tem direito sobre seu próprio corpo; ainda que o feto seja um ser humano inocente ele só terá direito a vida, caso a pessoa de quem ele depende (a mãe) esteja de acordo. Do contrário, ninguém esta obrigado a ceder seu corpo a manutenção da vida de outra pessoa. Embriões humanos em fase inicial de formação, são mantidos vivos dentro de um fluido especial, fora do corpo humano.argumentos contra essa experiência se fundamentam de que o embrião tem direito à proteção por ser um ser humano em potencial. Surge daí uma questão. Seres humanos são indivíduos e embriões não tem nenhuma caracterização de individuação.

12 12 Embriões podem ser mantidos num recipiente por um período de 2 a 3 dias, enquanto se desenvolve e divide em 2,4 e 8 células, mais ou menos nesse estagio é transferido para o útero da mulher, tem uma probabilidade inferior a 20% de se tornar uma gravidez, em geral não passando de 10%. Se o embrião é uma pessoa em potencial, porque óvulo e espermatozóide, considerados em conjunto, não é também uma pessoa em potencial? Contudo nenhum movimento do provida deseja resgatar óvulos e esperma para salvar vidas das pessoas em que eles têm o potencial de se transformar-se. Atualmente o problema a respeito da pesquisa com o embrião e o feto já foram em parte resolvidos. Pesquisadores do Japão já estão fabricando órgãos humanos a partir de células da pele, evitando assim a utilização de embriões com até 14 dias de vida. Outra tentativa de solucionar o problema está em restringir o número de fertilizações in vitro para no máximo três por pedido de casal. Segundo Peter Singer e a sua concepção de pessoa o aborto é aceitável até o momento em que o feto não se tornou ainda um ser sensciente. Mas a linha que delimita este campo é muito tênue. Trata-se do status da vida fetal e do recém-nascido. O ponto sobre o infanticídio é tido como a primeira forma de controle de natalidade, pois o ato de matar uma criança deficiente era aceito por Aristóteles e Platão. Mas segundo o filósofo Peter Singer, seja no aborto ou no infanticídio, tirar a vida de um bebê ou de um feto sem o consentimento e cujos pais não querem a sua (do bebê ou feto), constitui um problema completamente diverso do que já foi tratado. REFLEXÃO Notamos ao longo do texto de Singer que sua posição é, em termos gerais, favorável ao aborto. Por isso temos que concordar com o que diz Singer? Se adotarmos um posicionamento filosófico para responder a essa pergunta, nossa resposta seria a seguinte: a não ser que sejamos capazes de provar o contrário, ou ao menos que possamos refutar o que diz o autor, seu posicionamento é válido e um voltar-se contra tal posição sem para tal estar munido de argumentos fortes o bastante para torná-lo inválido, a exemplo, uma resposta do tipo: Não concordo, não possui relevância teórico/prática. Mas então, se não consigo negar o posicionamento de um determinado autor tenho que necessariamente tomar o que ele diz como sendo um guia as minhas ações? Não, pois a ética,

13 13 como vimos no início deste trabalho, se trata apenas de uma visão baseada em determinados argumentos. Então o que diz o autor de nada vale, não possui aplicabilidade a nossa realidade? É um terrível equívoco pensar dessa maneira, pois, o que diz o autor, deve ser levado em consideração sempre que uma situação parecida se apresenta a nós, não como a única verdade possível, mas como uma alternativa a ser somada a outras que, é claro, existem e também, em alguma medida, possuam uma estrutura argumentativa válida. 1ª AVALIÇÃO Suponhamos a seguinte situação: Joana é uma bela jovem de quinze anos, estuda no 2º ano do ensino médio, é boa aluna, possui como qualquer jovem, muitos sonhos, dentre eles, formar-se em medicina, casar-se e ter dois filhos. Joana, em uma festa da escola, conhece Pedro, um jovem bastante simpático, que, assim como Joana, estuda no 2º ano do ensino médio e possui muitos sonhos. Os dois conversam, gostam um do outro e por isso decidem começar a namorar. No 2º mês de namoro, ainda escondidos de seus pais, Joana acaba engravidando, pois, nem ela nem Pedro tomaram o cuidado necessário. Para confirmar a gravidez eles vão até uma farmácia para fazer um exame de sangue, onde posteriormente é confirmada a gravidez, porém, também apontada uma algo que jamais poderiam esperar. Joana é portadora do HIV, logo seu filho também nascera portador e Pedro muito provavelmente, caso não tenha sido o transmissor, agora também, com razoável grau de certeza, também adquiriu o vírus. Agora desesperados, pois, enfrentam ainda muito jovens, a pior situação de suas vidas. Todos os seus sonhos agora se vêem duplamente comprometidos porque, ambos não dispõem de recursos para manter um filho e, infelizmente não poderão apelar a seus pais, porque os mesmos também enfrentam demasiado problema financeiro. O medo da morte em muito pouco tempo, naturalmente transcendeu todos os outros como o próprio medo de serem pais, mesmo sem condições morais e financeiras. Todavia, agora a situação ganhou novas proporções. Inicialmente era apenas uma gravidez, agora é uma gravidez onde se espera um filho já condenado.

14 14 Neste caso, o que você enquanto futura mãe, ou enquanto futuro pai faria? Esta questão deve ser trabalhada individualmente. Será apresentada em forma de seminário e posteriormente entregue ao professor. Deverá, necessariamente, conter no mínimo duas páginas escritas a mão ou digitadas. Este trabalho contará como nota a uma das quatro avaliações da disciplina. REFERÊNCIAS Singer, Peter, Ética Prática, Matins Fontes acesso em acesso em

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