O DESAFIO DA VIDA INTRAUTERINA UM DEBATE JURÍDICO

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "O DESAFIO DA VIDA INTRAUTERINA UM DEBATE JURÍDICO"

Transcrição

1 FACULDADES INTEGRADAS PROMOVE DE BRASÍLIA CURSO BACHAREL EM DIREITO O DESAFIO DA VIDA INTRAUTERINA UM DEBATE JURÍDICO Acadêmico: Eduardo Pereira dos Santos Orientador Prof.: João Marcelo Dantas Brasília/DF 2013

2 EDUARDO PEREIRA DOS SANTOS CURSO BACHAREL EM DIREITO O DESAFIO DA VIDA INTRAUTERINA UM DEBATE JURÍDICO Projeto de Pesquisa docurso dedireito das Faculdades Integradas Promove de Brasília, como requisito para conclusão de curso. Orientador Prof.: João Marcelo Dantas Brasília/DF

3 O Desafio da Vida Intrauterina Um debate Jurídico The Challengeof Life intrauterine A legal debate Por Eduardo Pereira dos Santos Graduando do Curso de Direito do 10º semestre das Faculdades Integradas Icesp - Promove de Brasília. RESUMO O aborto é um tema polêmico, suscitando controvérsias no campo jurídico, religioso e científico. Desde as civilizações mais antigas até a sociedade atual, existe uma grande diversidade de opiniões sobre o assunto. Este trabalho busca demonstrar os diferentes pontos de vistas acerca da temática, evidenciando o desafioda vida intrauterina, numa perspectiva jurídica, observando a legislação Pátria vigente bem como os princípios da dignidade da pessoa humana e do direito a vida. Palavras chave: Aborto, legislação, dignidade da pessoa humana. ABSTRACT Abortion is a controversial topic, provoking controversy in the legal, religious and scientific. From the earliest civilizations to the present society, there is a diversity of opinions on the subject. This paper seeks to demonstrate the different viewpoints on the theme, highlighting the challenge of intrauterine life, from a legal perspective, noting thenational legislation, the principles of human dignity and the right to life. Keywords: abortion, law, human dignity. 3

4 Sumário: 1.Introdução. 2. Aborto: etimologia, história, conceito, prática. 2.1 Aspectos etimológicos e históricos do aborto. 2.2 O conceito e prática médica do abortamento. 3. Aborto - Prática social e legislação no contexto internacional. 3.1Estados Unidos da América e o aborto. 3.2 O tema aborto na China. 4. Aborto - Prática social e legislação no contexto brasileiro. 5.Principais posições sociais e doutrinárias acerca do aborto. 5.1 Posicionamentos favoráveis ao aborto. 5.2 Posicionamentos contrários ao aborto. 6. Aborto: alterações propostas para o novo Código Penal. 7. Em defesa do Direito à vida. Considerações finais. Referências. 1. Introdução O presente estudo tem como objetivo proceder auma reflexãosobre a definição de quando se inicia a vida intrauterina, a partir de qual momento os direitos da mãe não interferem no direito à vida do nascituro.em face de diferentesposicionamentos acerca da concepção intrauterina, surge um desafio jurídico diante da legislação e um dilema médico devidoao juramento de proteger a vida.debate repleto de contradições e polêmicas, pois envolve diversos aspectos e valores da sociedade num cenário universal, em quetratados internacionais como o Pacto de São José da Costa Rica, no qual o Brasil é signatário, têm como primazia o direito à vida e a dignidade da pessoa humana. Inicialmente o artigo versará sobre os aspectos etimológicos, conceituais e histórico do tema.no desmembramento, a temáticaserá abordada no contexto nacional e internacional especificamente nos EUA e China, analisando-se os posicionamentos favoráveis e contrários ao aborto,evidenciando as alterações propostas pelo Anteprojeto do Novo Código Penal Brasileiro PLS 236/2012.Em conclusão o artigo revelaráà necessidade da defesa a vida, desde sua concepção, aclarando os riscos que podem ser ocasionados também para a gestante. 2. O aborto: etimologia, história, conceito e prática médica. Neste primeiro momento será abordado o tema num viés etimológico aclarando o lapso temporal, a partir do código de Hamurabi até os dias atuais. 4

5 2.1 Aspectos etimológicos, conceitual e histórico do aborto. Etimologicamente a palavra aborto, vem do termo latim abortus, e significa expulsar prematuramente do útero feminino o nascituro, viável ou não, o que é a privação do nascimento, porque vem de Ab que quer dizer privação, e ortus, nascimento. (BENTO,2008) Após análise etimológica é pertinente trazer à baila o aspecto conceitual do aborto segundo os respectivos dicionários Aurélio e Caldas Aulete significa: Aborto: 1. Med. Ação ou efeito de abortar. 2. Fig. Individuo disforme; monstro. (FERREIRA, 2008) 1. Ação ou efeito de abortar; ABORTAMENTO; 2. Med. Interrupção natural de uma gravidez: Não se sabe o que causou o aborto. 3. Med. Ação ou resultado de provocar o fim de uma gravidez: fazer um aborto. 4. Fig. Indivíduo imperfeito ou monstruoso, que nasceu com forma imprópria à sua espécie, ou que não atingiu o seu completo desenvolvimento. 5. Fig. Planta ou fruto que não alcançou seu desenvolvimento natural 6. Fig. Qualquer coisa incomum ou malfeita: A obra desse autor é um aborto. 7. Fig. Ação malsucedida, fracasso, malogro. [F.: Do lat. abortus, us. Hom./Par.: aborto (sm.), aborto (fl. de abortar) (AULETE,2011) No que tange a dimensão histórica, os primeiros dados que dispomos referentes ao aborto são do código de Hamurábi, 1700 anos antes de Cristo. Nele, considera-se o aborto um crime acidental contra os interesses do pai e do marido, e também uma lesão contra a mulher. Deixava-se, no entanto, bem claro que o marido era o prejudicado e ofendidoeconomicamente. Hipócrates, que viveu 400 anos antes de Cristo, apesar de seu juramento no qual prometia não dar à mulher grávida nenhum medicamento que possa fazêla abortar, não hesitava em aconselhar às parteiras métodos tanto anticoncepcionaisquanto abortivos. A gravidez muitas vezes significava uma ameaça aos direitos adquiridos por algum membro da família sobre heranças, e este poderia ter o interesse em um aborto. Essa aparente contradição de Hipócrates em suas recomendações aos médicos deve ser vista, portanto, sob esse ângulo, ou seja, o da proteção aos direitos de um cidadão e não somente em relação ao aborto voluntário.sócrates era favorável em facilitar o aborto quando a mulher desejasse, já Aristóteles opinava que, que em casos de excesso de população, 5

6 deveria ser autorizado o aborto antes da animação do feto (considera-se feto animado sessenta dias após sua concepção), para aquelas mulheres que tivessem engravidado fora das exigências da legislação. Em Roma, anteriormente, o aborto voluntário não era considerado um delito, pois o feto não era considerado um ser vivo. O aborto fundava-se sobre o direito de vida e morte que o pai tinha sobre os filhos até a sua maioridade (e das filhas até o casamento). No antigo Direito romano não se encontram disposições sobre o aborto, em Roma, as mulheres que praticavam aborto contra a vontade do marido, desejando agredi-lo ou logo após um divorcio, tinham como castigo o desterro, ou então o marido unia sua autoridade à do Tribunal Doméstico (Instituição legal que regulamentava comportamentos intrafamiliares), a fim de impor o castigo devido à culpada. Ovídio poeta do século I da era cristã declarava em suas obras que as patrícias (mulheres nascidas de classes dominantes romanas) abortavam com frequência para castigar seus maridos argumenta DANDA (2007, pg.45/46). No Brasil o código criminal do império de 1830 como afirma Luiz Regis Prado, não tipificava o aborto praticado pela própria gestante. Apenas quando executado por terceiro, com ou sem consentimento daquela, chamado aborto sancionado. O Código da República, de 1890, dispunha sobre o aborto criminoso, mas previa a redução da pena para aquelas mulheres que praticassem o auto aborto para ocultar a desonra própria. Em 1940, foi editado o Código Penal brasileiro, ainda hoje em vigor, considerando ilícita a prática abortiva, ou seja, a interrupção da gravidez com a consequente morte do feto, seguida ou não da sua expulsão, lembrando que em 1984 houve uma reforma na parte geral do Código Penal Brasileiro vigente.(prado, LUIZ -2013) 2.2 O conceito e prática médica do aborto. Após análise da temática na formaetimológica,conceitual e histórica tratar-se-á neste momentonuma perspectiva médico-legal, conforme o parecer do Conselheiro José Cássio de Moraes, do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, em que salienta: Do ponto de vista jurídico, a lei não estabelece limites para a idade gestacional, isto é: aborto é a interrupção da gravidez com intuito de morte do concepto, não fazendo alusão à idade gestacional. Na realidade, o entendimento de aborto legal é baseado no conceito médico, que dita que aborto é a interrupção da gravidez até a 20º ou 22º semana, ou quando o feto pese até 500 gramas, ou ainda quando mede até 16,5cm.(CONSELHO REGINAL DE MEDICINA, 2001). 6

7 Já para os doutrinadores jurídicos Damásio e Mirabete consideram a interrupção de gravidez a qualquer tempo, com a consequente morte de seu produto (o feto), já compreendem os elementos necessários para se configurar o aborto. Damásio Evangelista de Jesus conceitua o aborto como sendo: a interrupção da gravidez com a consequente morte do feto (produto da concepção). (DAMÁSIO, JESUS 2012 PAG. 151). Júlio Fabrini Mirabete diz: Aborto é a interrupção da gravidez com a destruição do produto da concepção. É a morte do ovo (até três semanas de gestação), embrião (de três semanas a três meses) ou feto (após três meses), não implicando necessariamente sua expulsão. O produto da concepção pode ser dissolvido, reabsorvido pelo organismo da mulher ou até mumificado, ou pode a gestante morrer antes da sua expulsão. (MIRABETE (2013, p.59). Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Instituto Guttmacher nos Estados Unidos, que tem como representante a pesquisadora sênior Gilda Sedgh: revela que o declínio do aborto em todo o mundo está estagnado. De acordo com o estudo, chamado Aborto Induzido: Incidências e Tendências pelo Mundo de 1995 a 2008, o número total de aborto entre mulheres de 15 a 44 anos, caiu de 35 para mulheres para 29 / entre 1995 e 2003, e para 28/1.000 em Já a proporção de abortos considerados de risco tem aumentado. O estudo foi publicado no periódico The Lancet.(CHENG, 2012)Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 43,8 milhões de abortos foram feitos em 2008, comparados a 41,6 milhões em 2003 e a 45,6 milhões em Cerca de 80% de todos os abortos foram realizados em países em desenvolvimento em 1995, com um aumento para 86% em Nesse mesmo período, a proporção de mulheres em idade reprodutiva aumentou de 80% para 84% nessas regiões. Em todo o mundo, 49% dos abortos realizados eram considerados como de risco em 2008, ante 44% em Aproximadamente uma a cada cinco gestações terminaram em aborto em Quase todos os procedimentos realizados na África 97% eram inseguros em Cerca de 90% dos abortos realizados na Europa são considerados seguros, com praticamente todos os procedimentos de risco se concentrando na Europa oriental - onde 13% dos abortos eram inseguros em

8 Para chegar aos resultados, a equipe de pesquisadores, coordenada por Gilda Sedgh, usou dados de pesquisas, estatísticas oficiais e registros hospitalares. Os resultados apontam que embora a taxa de aborto esteja estagnada, a proporção de casos de risco tem aumentado significativamente. Países com leis restritivas contra o aborto não estão associados com uma menor incidência do procedimento. Segundo o levantamento, medidas para reduzir o número de gravidez indesejada e o aborto de risco, incluindo investimentos em serviços de planejamento familiar e cuidados para um aborto seguro são fundamentais. Na América Latina, 95% dos procedimentos são considerados inseguros - na região, o índice de abortos era de 32% em 2008.Vale ressaltar a pesquisa entre os menores em quea Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que é fundamental o empenho das autoridades para evitar a gravidez entre adolescentes. No mundo todo, uma em cada cinco adolescentes e jovens dão à luz com menos de 18 anos. Nas regiões mais pobres, a proporção passa para uma em cada três. A organização informa que é elevado o número de mortes entre pessoas de 15 a 19 anos que não resistem às complicações pós-parto. A estimativa é que aproximadamente 3 milhões de jovens, de 15 a 19 anos, submetemse a abortos ilegais por ano. Também há de indicações que eles sejam mais propensos a ter baixo peso ao nascer. A maior incidência (95%) ocorre em países de baixa e média renda.em 2011, a Assembléia Mundial da Saúde aprovou uma resolução incentivando os países a implementar medidas que levassem à melhora da saúde das adolescentes e jovens no mundo. Tais recomendações têm como objetivo reduzir os casamentos antes de 18 anos, diminuir as gestações das mesmas, com menos de 20 anos e também o aumento do uso de contraceptivos. (GIRALDI, 2012) 3. Aborto: prática social e legislação no contexto internacional Após explanação do aborto no âmbito da Medicina, é válido tratar sob o tema na perspectiva social e jurídica no contexto internacional, notadamente nos Estados Unidos e na China. 8

9 3.1Estados Unidos da América e o aborto O aborto nos Estados Unidos é um tema bastante polêmico e abrangente, pois envolve grandes debates em diversos blocos da sociedade americana. Conforme explanado em matéria recente pela Folha de São Paulo, que publicouque há quatro décadas, depois da histórica decisão da Suprema Corte que descriminalizou o aborto nos EUA, Estados cujos Legislativos são dominados pelo Partido Republicano aprovaram, desde 2010, cerca de 130 leis para restringir o acesso das mulheres a esse procedimento. A legalização foi conquistada em uma intensa luta que começou nas ruas e terminou na justiça com o caso conhecido como Roe versus Wade. Uma das maiores batalha jurídicas do século XX, iniciada no Texas e encerrada na Suprema Corte dos EUA. Em 22 de janeiro de 1973, quando julgou o caso, o Supremo Tribunal norte-americano decidiu, por 7 votos a 2, que o Estado não pode negar à mulher o direito de decidir sobre a interrupção de sua gravidez. A sentença, que desde então dividiu boa parte do país nas facções "pró-vida" (contrária ao aborto) e "pró-escolha" (favorável), permitia aos Estados proibir o aborto só depois que o feto atingisse a "viabilidade" -em decisão posterior, de 1992, essa viabilidade seria fixada por volta da 22ª semana de gestação. Embora legalmente não possam vetar o procedimento, Estados em que os republicanos têm maioria na Assembleia já introduziram várias leis para dificultar ou desestimular o acesso à operação. Elas incluem aconselhamento e exames de ultrassom obrigatórios para mulheres que queiram abortar, restrições à cobertura provida por seguradoras e limitações ao funcionamento de clínicas.na Virgínia (sul dos EUA), por exemplo, a Secretaria da Saúde obriga as clínicas a terem o mesmo padrão arquitetônico de hospitais -incluindo corredores de 1,50 m de largura-, e o Texas hoje discute uma norma que impõe realizar todas as operações em centros cirúrgicos ambulatoriais.já outros Estados propuseram leis para banir o aborto após a 20ª semana de gravidez, que são contestadas na Justiça por entidades "pró-escolha". No Mississippi, também no sul, a única clínica de aborto do Estado ameaça fechar em razão de lei que exige dos médicos que trabalham nela autorização para operar em hospitais locais a qual os hospitais se recusam a fornecer. Em entrevista recente, o governador do Mississippi, o republicano Phil Bryant, afirmou que sua meta é fechar a clínica. "Se eu tivesse o poder de fechá-la legalmente, faria isso amanhã mesmo", disse. 9

10 "Dentro do contexto de Roe x Wade, fomos muito bem-sucedidos em expandir a proteção legal da vida humana. Trabalhamos para tornar essa decisão irrelevante", diz Charmaine Yoest, presidente da entidade antiaborto Americanos Unidos pela Vida. Organizações pró-aborto veem como sinal positivo a derrota, nas eleições de 2012, de candidatos que se disseram contra o procedimento mesmo em casos de estupro. Corroborando, a jornalista Kate Pickert, em matéria a Revista Time relata ao comparar a época do caso Roevs Wade com a atual, conclui que, há um número muito menor de médicos que aceitam fazer o procedimento, e mesmo o número de clínicas de aborto teria diminuído "Os ativistas pro-choice foram ultrapassados por seus adversários pró-vida, que tiveram êxito ao pressionar por regulações estatais que limitassem o acesso ao aborto, afirma a jornalista. Os procedimentos em vigor em alguns Estados norte-americanos, como aconselhamentos, procuram conscientizar mães candidatas a uma cirurgia abortiva sobre as consequências do seu ato para si mesmas e para seu filho. Em 2012 sob baixa temperatura e neve, os pró-vida percorreram várias ruas até finalmente chegarem à Corte Suprema dos Estados Unidos. Portando cartazes e proferindo preces espontâneas. As centenas de milhares de pessoas expuseram claramente o seu sim à vida. Durante todo o percurso, marcado por hinos e muita música, era possível ver dezenas de faixas com as seguintes palavras: 40 Anos = 55 milhões de bebês mortos como produto do aborto. Foi a maior marcha pró-vida realizada em solo americano desde o seu surgimento em Enquanto países estão lutando para a legalização do aborto, a maior potência mundial está querendo rever a sentença de 1973, que legalizou o aborto no país. 3.2 O tema aborto na China De acordo coma temática na China, pode-se dizer que desde meados da década de 70, existe na China uma política de restrição a nascimentos, ou seja, é permitidosomente um filho por família. Os abortos seletivos iniciaram-se na década de 80, quando passou a ser possível, por meio de exames ecográficos, identificar o sexo do feto antes de seu nascimento. Já em 1982 o desequilíbrio entre as populações masculinas e femininas era de 108 homens para cada

11 mulheres. Transcorridos dez anos, essa desproporção já era de 111 homens para cada 100 mulheres. Em 2005, a razão já registrada era de 119 homens para 100 mulheres. Segundo o relatório, as razões para o desequilíbrio são complexas e variam de região para região. Segundo o pesquisador Wang Yuesheng, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, a oportunidade de se casar será distante para um homem com mais de 40 anos. Isso aumentará sua dependência em relação ao sistema de seguridade social à medida em que envelhece e tem menos recursos próprios, disse o pesquisador chinês segundo AQUINO (2011, p.176). As dificuldades de se encontrar uma esposa em algumas regiões na China provocam também situações que atentam contra a dignidade da mulher, como matrimônios forçados, exploração da prostituição e até mesmo raptos em países vizinhos. AQUINO (2011, p.177). Em março de 2013, a conceituada Revista Exame publicou dados acerca do aborto na China, onde cerca de quase 330 milhões de abortos foram praticados no país entre 1971 e 2010, segundo números do Ministério da Saúde, foram apresentadasessas estatísticas sobre as esterilizações e abortos, antes de se anunciar a fusão com a Comissão Nacional da População e de Planejamento Familiar. Mas os abortos também serviram para a eliminação seletiva de embriões e fetos femininos, o que reduziu em dezenas de milhões o número de mulheres. Em médio prazo, a China será obrigada a flexibilizar o controle da natalidade em consequência do envelhecimento demográfico e da redução da população ativa, segundo demógrafos e analistas. 4. O aborto: prática social e legislação no contexto brasileiro. Em complemento aos estudos realizados sobre o aborto, é importante relatar, sobre o posicionamento na sociedade brasileira e os aspectos da legislação atual no que tange o tema. A ilegalidade do aborto no Brasil não temimpedido sua prática. De acordo com a OMS, no Brasil, 31%dos casos de gravidez terminam em abortamento. De acordocom as estimativas, anualmente ocorrem 1,4 milhão deabortamento espontâneo e inseguro, com uma taxa de 3,7abortos para cada 100 mulheres em idades de 15 a 49 anos.como reflexo dessa situação, em 2004, internaçõesna rede SUS foram por curetagens pósabortamento,correspondentes aos casos de complicações. (FONSECA, 2010). O Código Penal vigente brasileiro trata do aborto nos artigos 124 a

12 Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento Aborto provocado por terceiro Art Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoquem: Pena - detenção, de um a três anos. Forma qualificada Art Provocar aborto, sem o consentimento da gestante é considerado crime com pena de reclusão, de três a dez anos. Art Provocar aborto com o consentimento da gestante é considerado crime com pena - reclusão, de um a quatro anos. Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência. Aborto necessário Art As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em consequência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém à morte. Art Se não há outro meio de salvar a vida da gestante; Aborto no caso de gravidez resultante de estupro - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. Em que pese às hipóteses de aborto legal previstas no Código Penal vigente.(junior, 1996 p.382) Existe a classificação de diversas formas de aborto, no entanto, apenas duas são permitidas no ordenamento jurídico brasileiro, quais sejam: o aborto sentimental e o aborto terapêutico. O aborto terapêutico encontra previsão legal no Art. 128, I (aborto necessário), já o aborto sentimental está previsto no inciso II do referido artigo (Aborto no caso de gravidez resultante de estupro). A Constituição sendo fonte de todos os fundamentais relata sobre o princípio da dignidade da pessoa humana. Princípio valoroso se apresenta como fundamento e fim último de toda ordem política. Busca-se reconhecer não apenas que a pessoa é sujeito de direitos e créditos diante dessa ordem, mas que é um ser individual e social ao mesmo tempo. No espaço privado, reino da satisfação das necessidades, a pessoa humana é individuo, isto é, mostra-se voltada para suas necessidades biológicas. 12

13 vida. A Constituição Federal de 1988 traz em seu art. 5º caput a inviolabilidade do Direito à Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. nascituro: Na mesma esteira da CF/88 o Código Civil vigente, por sua vez, traz os direitos do Art. 2 o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. MACHADO (2012, p. 15) Antes de nascer o nascituro não tem personalidade jurídica, mas tem natureza humana (humanidade), razão de ser de sua proteção jurídica pelo CC: infansconceptuspro nato habetur. O direito de nascer é o primeiro do homem. Sobre a proteção dos direitos do nascituro sob a ótica de sua natureza humana, antes mesmo de adquirir personalidade. JÚNIOR, NELSON (2007, p.185). Situação jurídicas de vantagem para o nascituro: desde a concepção o nascituro é envolto em situações jurídicas de vantagem, a ele asseguradas pelo ordenamento jurídico. No entanto, somente adquirirá personalidade, qualidade de quem é sujeito de direito, se nascer com vida. Tecnicamente, o nascituro é ente não dotado de personalidade, mas que, pelo fato da gestação, pode assumir posição jurídica de vantagem em específicas situações jurídicas, como por exemplo: a) Não ter interrompida sua gestação-direito de nascer; b) direito a alimentos; c) direito a registro (LRP 53); d) direito a representação (CC 1630 e 1634 VI); e) direito a curatela (CC 1779 caput e parágrafo único e CPC 878 parágrafo único); f) direito à sucessão (CC ). JÚNIOR, NELSON (2007, p.186). Apesar de o Código Civil tratar dos direitos do nascituro, recentemente o Supremo Tribunal Federal se posicionou favorável a interrupção sobre os fetos anencéfalos na ADPF 54: 13

14 Gestantes de anencéfalos têm direito de interromper gravidez Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou procedente o pedido contido na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 54, ajuizada na Corte pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), para declarar a inconstitucionalidade de interpretação segundo a qual a interrupção da gravidez de feto anencéfalo é conduta tipificada nos artigos 124, 126 e 128, incisos I e II, todos do Código Penal. Ficaram vencidos os ministros Ricardo Lewandowski e Cezar Peluso, que julgaram a ADPF improcedente. Vale ressaltar o posicionamento do relator Ministro Marco Aurélio; O ministro Marco Aurélio, votou, pela possibilidade legal de interromper gravidez de feto anencéfalo. O ministro considerou procedente o pedido feito pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), para declarar inconstitucional a interpretação dada aos artigos 124, 126 e 128 (incisos I e II) do Código Penal que criminaliza a antecipação terapêutica de parto nos casos de anencefalia.em seu voto, o ministro Marco Aurélio sustentou que na ADPF 54 não se discute a descriminalização do aborto, já que existe uma clara distinção entre este e a antecipação de parto no caso de anencefalia. Aborto é crime contra a vida. Tutela-se a vida potencial. No caso do anencéfalo, repito, não existe vida possível, frisou. A anencefalia, que pressupõe a ausência parcial ou total do cérebro, é doença congênita letal, para a qual não há cura e tampouco possibilidade de desenvolvimento da massa encefálica em momento posterior.. O anencéfalo jamais se tornará uma pessoa. Em síntese, não se cuida de vida em potencial, mas demorte segura, afirmou.nesse sentido, no entendimento do relator, não há que se falar em direito à vida ou garantias do indivíduo quando se trata de um ser natimorto, com possibilidade quase nula de sobreviver por mais de 24 horas, principalmente quando do outro lado estão em jogo os direitos da mulher. Dados apresentados na audiência pública demonstram que a manutenção da gravidez nesses casos impõe graves riscos para a saúde da mãe, assim como consequências psicológicas severas e irreparáveis para toda a família. O ministro Marco Aurélio ao sustentar a descriminalização baseia-se no fato de que o feto terá condições de sobrevida de apenas algumas horas e/ou dias e por este motivo devem ser preservados os direitos básicos da mulher, ou seja, considera-se também neste caso o aborto sentimental, desconsiderando o direito a vida do nascituro anencéfalo mesmo que por um curto período de tempo. Ele intensifica seu posicionamento contrário ao aborto que considera crime contra a vida, mas segundo ele a antecipação do parto em casos de anencéfalos não pode ser considerando crime, pois é uma doença sem cura e/ou tratamento, com a ausência da massa cefálica não existe vida possível. No entanto, se partimos do pressuposto da justificativa do ministro Marco Aurélio,deverá se avaliar a possibilidade do aborto sentimental para as demais doenças congênitas. 5. Principais posições sociais e doutrinárias acerca do aborto. Após análise no contexto social e da legislação Pátria vigente, é cabível analisar os posicionamentos favoráveis e contrários ao aborto. 14

15 5.1 Posicionamentos favoráveis ao aborto Defende Débora Diniz, professora de Bioética da Universidade de Brasília (UnB): independentemente do tema abordado deve-se respeitar as liberdades individuais e a autonomia da vontade de cada indivíduo. Temerosas da lei penal, mas convictas de suas escolhas, as mulheres abortam. Aos 40 anos, uma em cada cinco mulheres já fez pelo menos um aborto. O aborto legal e seguro é uma necessidade de saúde não satisfeita. As mulheres morrem, adoecem, sofrem física e psiquicamente pelo aborto realizado em condições inseguras e ilegais. Esse quadro perverso de consequências à saúde deve ser comprovado por estudos que explorem diferentes facetas da ilegalidade do aborto na vida das mulheres. Essa foi a tarefa conjunta das pesquisadoras que submeteram suas pesquisas a este número temático sobre aborto. A magnitude do aborto ilegal e inseguro desafia as pesquisadoras em saúde pública a enfrentar a controvérsia política pelo uso da pesquisa acadêmica. Não devemos esperar que o dilema moral do aborto seja solucionado por um pacto moral razoável sobre crenças tão diversas. Nossos esforços argumentativos devem estar na produção de evidências científicas que demonstrem as consequências para a vida e a saúde das mulheres em criminalizar o aborto.(diniz / MENEZES, 2012) Guilherme de Souza Nucci: considera apenas a possibilidade do aborto sentimental, para anemizar a dor e/ou trauma da mãe, em caso de estupro de vulnerável, em detrimento ao dolo causado ao nascituro. Há duas posições: a) autoriza o aborto sentimental, pois está claramente prevista, a hipótese em lei; b) não autoriza, pois é impossível a morte do ser humano em nome de uma ficção. Preferimos à primeira, pois em harmonia com o principio da legalidade lembramos que, após a edição da Lei de 2009, foi revogado o art. 224 do Código Penal, mencionando as hipóteses da violência presumida. Entretanto tais situações foram incorporadas em um tipo penal autônomo, intitulado estupro de vulnerável (art A). Por isso, pode permanecer o debate, acerca da autorização para o aborto caso ocorra estupro de vulnerável, logo, sem violência ou grave ameaça. Permanecemos fieis a primeira orientação, agora respaldados na própria titulação da lei penal, vale dizer a relação sexual com menor de 14 anos, enfermo, doente mental e incapaz de resistir é considerado estupro. Se houver gravidez deve-se autorizar o aborto. NUCCI (2013,p.223) Para Danda Prado, doutora, escritora e defensora de movimentos feministas: vai além de Nucci e analisa o aborto como uma forma de planejamento familiar, ou seja, o direito da mulher sobre seu corpo e de manter o controle sobre sua reprodução. O aborto é uma das maneiras de evitar o nascimento não desejado, e evidentemente só se recorre a ele quando a gravidez não pode ser evitada. Ora, a conseqüência da proibição do aborto é suprimir um dos meios de evitar os nascimentos não desejados, quer dizer, limitar possibilidade para as mulheres de controlar sua reprodução (e, portanto, de serem donas de seu próprio corpo, de seu destino). Em abril de 2006, o documento intitulado Diretrizes Para Elaboração do Programa do Governo. Oficialmente aprovado pelo partido dos trabalhadores no 13º Encontro Nacional do PT ocorrido em São Paulo contém as seguintes diretrizes: A vitória de Lula e das forças populares em 2006 será um passo fundamental para dar novo impulso à mudança histórica anunciada em 2002, iniciada nos últimos três anos, e para cuja aceleração estão criadas condições excepcionais, dentre outros fatores pelas reformas até agora realizadas. É necessário, assim, anunciar as grandes diretrizes do programa de Governo 2006, que dará novo impulso ao processo em curso.(...) O Governo Federal se empenhará na agenda 15

16 Legislativa que contemple a descriminalização do aborto.prado, DANDA (2007, p. 55/ 81). Na mesma esteira a ministra Eleonora Menicucci, também ignora os direitos do nascituro e defende o aborto no caso de violência sexual, visando apenas minimizar o sofrimento da mulher. Nota da ministra Eleonora Menicucci sobre a sanção da Lei de A sanção do PLC 03/2013 pela Presidenta Dilma Rousseff representa, antes de tudo, respeito ao Congresso Nacional que o aprovou por unanimidade nas duas casas. Significa, também, respeito às mulheres que sofrem violência sexual, com a adoção de ações que amenizam seu sofrimento, com o atendimento imediato e multidisciplinar para o controle e tratamento dos impactos físicos e emocionais causados pelo estupro. Esse PLC, de autoria da deputada federal Iara Bernardi (PT-SP) e em tramitação desde 1999, está em consonância com a Constituição da República, com as normas nacionais referentes ao tema e com os tratados internacionais. Sintetizando os referidos posicionamentos favoráveis, podemos evidenciar a análise partindo do princípioda autonomia da vontade, que garante à mulher o poder de manifestar sua liberdade de decidir sobre seu próprio corpo, por outro lado, mostrando o martírio da mulher em caráter sentimental,quando torna-se vítima de violência sexual, a partir daí busca minimizar o sofrimento da gestante, tendo o direito e a liberdade de interromper a gestação. 5.2Posicionamentos contrários ao aborto Após análise dos posicionamentos favoráveis ao aborto,é viável relatar sob o tema, porém, no aspecto contrario, ou seja, no que tange a contrariedade do tema. Para o ilustre Cláudio Fonteles, o ex-procurador-geral da República, salientou em defesa da vida na Ação Direta de Inconstitucionalidade, nos seguintes termos: a vida humana acontece, a partir, da fecundação: o zigoto, gerado pelo encontro dos 23 cromossomos masculinos com os 23 cromossomos femininos; no desenvolvimento o zigoto, constituído por uma única célula, imediatamente produz proteínas e enzimas humanas, é totipotente, vale dizer, capacita-se, ele próprio, ser humano embrionário, a formar todos os tecidos que se diferenciam e se auto renovam, constituindo-se em ser humano único e irrepetível. CNBB ( 2006). Já Rogério Greco defende todos os estágios da vida, desde o momento da concepção, para ele não há diferenças no tempo, tudo é evidenciado como vida e deve possuir o mesmo valor. 16

17 A vida, independentemente do seu tempo, deve ser protegida. Qual a diferença entre causar a morte de um ser que possui apenas 10 dias de vida, mesmo que no útero materno, e matar outro que já conta com 10 anos de idade? Nenhuma, pois vida é vida, não importando sua quantidade de tempo. GRECO ( 2011 p.223) No mesmo sentido, Maria Helena Diniz, se fundamenta nos direitos do nascituro, que afirma que ninguém pode privar o direito a vida de outro ser humano. Embora não tenham personalidade jurídica, têm seus direitos ressalvados, pela lei, desde a concepção, o que inclui, obviamente, os direitos da personalidade. Poder-se-ia mesmo afirmar, que, na vida intrauterina, tem o nascituro personalidade jurídica formal, no que atina aos direitos personalíssimos e aos da personalidade, passando a ter personalidade jurídica material, alcançando os direitos patrimoniais que permaneciam em estado potencial, somente com o nascimento com vida. Se nascer com vida, adquire personalidade jurídica material, mas se tal não ocorrer, nenhum direito patrimonial terá. GAGLIANO (2009, p.83/151) Genival Veloso de França se posicionade forma brilhante, membro efetivo da Junta Diretiva da Sociedade Ibero-Americana de Direito Médico, diz: O direito ampara a vida humana desde a concepção, com a formação do ovo, embrião e feto, começa a tutela, a proteção e as sanções da norma penal, pois daí em diante se reconhece no novo ser uma expectativa de personalidade a qual não poderia ser ignorada. FRANÇA (2011 p. 307) A abordagem dos posicionamentos contrários ao aborto supracitados se fundamentamno princípio da dignidade da pessoa humana, numa perspectiva intrauterina, ou seja, no momento em que a vida humana começa a existir a partir da fecundação e independentemente do seu tempo à vida deve ser preservada, pois o nascituro tem direitos e personalidade jurídica que não pode ser ignorada, dessa formar podemos analisar que a mulher tem o direito e autonomiasobre o seu corpo, no entanto, não tem o direito sobre o corpo e a vida do nascituro. 6. Aborto: alterações propostas para o novo Código Penal. Art Não há crime de aborto: I se houver risco à vida ou à saúde da gestante; II se a gravidez resulta de violação da dignidade sexual, ou do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida; III se comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida extrauterina, em ambos os casos atestado por dois médicos; ou IV se por vontade da gestante, até a décima segunda semana da gestação, quando o médico 17

18 ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade.parágrafo único. Nos casos dos incisos II e III e da segunda parte do inciso I deste artigo, o aborto deve ser precedido de consentimento da gestante, ou, quando menor, incapaz ou impossibilitada de consentir, de seu representante legal, do cônjuge ou de seu companheiro. (AGÊNCIA SENADO, 2013). A problemática acerca do tema encontra-se no inciso IV do referido artigo: se por vontade da gestante, até a décima segunda semana da gestação, quando o médico ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade. Posiciona-se, Reinaldo Azevedo da revista Veja: É um acinte à inteligência e um atentado aos códigos de conduta de duas profissões. E os médicos e psicólogos sabem que estou certo. Indago: a) desde quando médicos estão habilitados a assinar laudos psicológicos? b) com base em qual fundamento teórico um psicólogo assinaria um laudo técnico atestando que a gestante não tem condições de arcar com a maternidade? Pergunto aos juristas: médico e/ou psicológico poderiam, por exemplo, discordar da gestante? Digamos que ela manifestasse o desejo de abortar e se dissesse sem as tais condições Um desses profissionais poderia objetar: Ah, ela diz que não tem condições de ser mãe, mas a gente acha que sim?. Tratar-se-ia, obviamente, da legalização pura e simples do aborto, ao arrepio da Constituição, de maneira oblíqua, longe do debate com a sociedade. Recentemente o Conselho Federal de Medicina (CFM) e os 27 conselhos regionais de medicina (CRMs) deliberaram, por maioria, posicionamento das entidades componentes deste sistema, que representa 400 mil médicos brasileiros, com respeito à ampliação dos excludentes de ilicitudes penais em caso de interrupção da gestação. É importante frisar que não se decidiu serem os Conselhos de Medicina favoráveis ao aborto, mas, sim, à autonomia da mulher e do médico. Neste sentido, as entidades médicas concordam com a proposta ainda em análise no âmbito do Congresso Nacional, esclareceu o presidente do CFM, Roberto Luiz d Avila. Segundo ele, os Conselhos de Medicina são contrários ao aborto, que continua a ser crime. Por maioria, os Conselhos de Medicina concordaram que a Reforma do Código Penal, que ainda aguarda votação, deve afastar a ilicitude da interrupção da gestação em uma das seguintes situações: a) quando houver risco à vida ou à saúde da gestante ; b) se a gravidez resultar de violação da dignidade sexual, ou do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida ; c) se for comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado por dois médicos ; e d) se por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação. Para chegar a este posicionamento, os Conselhos de Medicina se debruçaram sobre o tema durante vários meses. Foram ouvidos representantes de diferentes segmentos e analisados inúmeros estudos e contribuições. Aspectos éticos e bioéticos; epidemiológicos e 18

19 de saúde pública; sociais; e jurídicos foram avaliados. Representantes de grupos religiosos também foram chamados a colaborar, apresentando seu ponto de vista. Este conjunto de contribuições levou ao posicionamento adotado.do ponto de vista ético, entendeu-se, por maioria, que os atuais limites excludentes da ilicitude do aborto previstos no Código Penal de 1940, os quais vêm sendo respeitados pelas entidades médicas, são incoerentes com compromissos humanísticos e humanitários, paradoxais à responsabilidade social e aos tratados internacionais subscritos pelo governo brasileiro. Para os Conselhos, a rigidez dos princípios não deve ir de encontro às suas finalidades. Neste sentido, deve-se ter em mente que a proteção ao ser humano se destaca como apriorístico objetivos moral e ético. Tais parâmetros não podem ser definidos a contento sem o auxílio dos princípios da autonomia, que enseja reverência à pessoa, por suas opiniões e crenças; da beneficência, no sentido de não causar dano, extremar os benefícios e minimizar os riscos; da não maleficência; e da justiça ou imparcialidade, na distribuição dos riscos e benefícios, primando-se pela equidade. Com relação aos aspectos epidemiológicos e de saúde pública, concluiu-se que a prática de abortos não seguros (realizados por pessoas sem treinamento, com o emprego de equipamentos perigosos ou em instituições sem higiene) tem forte impacto sobre a Saúde Pública. No campo social, levou-se em consideração as estatísticas de morbidade e mortalidade da mulher em decorrência de práticas inseguras na interrupção da gestação são ainda maiores devido à dificuldade de acesso à assistência adequada, especialmente da parcela menos favorecida da população. Na avaliação dos Conselhos, esse aspecto agrega a dimensão social ao problema, que lança no limbo um segmento importante de mulheres que acabam perdendo a vida ou comprometendo sua saúde por conta de práticas sem o menor cuidado. Finalmente, na esfera jurídica, entende-se que a proposta de alteração do Código Penal estabelecida no PLS 236/ não irá descriminalizar o aborto. A conclusão dos Conselhos de Medicina é de que com a aprovação desse projeto o crime de aborto continuará a existir, apenas serão criadas outras causas excludentes de ilicitude. Ou seja. Portanto, somente nas situações previstas no projeto em tramitação no Congresso que a interrupção da gestação não configurará crime. 19

20 Diante do exposto, o Conselho Federal de Medicina manifestou-se favorável as mudanças propostas pela Comissão de Juristas na ampliação do aborto até a 12 semanas e na autonomia da mulher decidir sobre a totalidade de seu corpo. Em posição contrária a Comissão de Juristas e o Conselho Federal de Medicina, o relator da Comissão Especial do Senado Federal, Senador Pedro Taques (PDT-MT) manifestou oposição à ampliação do aborto até a décima segunda semana proposta no Anteprojeto (PLS 236/2012). Não custa lembrar que a gestante não é nem será obrigada a criar o filho que gerou. A adoção é alternativa perfeitamente legítima, continua. O relator defende que existe vida desde a concepção, e que ela deve ser protegida judicialmente. O Senador vai além e rechaça a discursão alegando: A possibilidade de exclusão do aborto como crime seria inconstitucional diz Taques. Na opinião do relator, a eutanásia deve ser mantida como crime de homicídio, mantida a ortotanásia como conduta atípica. Também a possibilidade de aborto nas 12 primeiras semanas de gravidez em razão da impossibilidade da gestante de arcar com a gravidez possibilidade introduzida pelo texto original foi excluída pelo Senador. Defende que a vida deve ser protegida judicialmente desde a sua concepção. Ao ser aprovado o Anteprojeto pela comissão especial do Senado, será encaminhado à Câmara dos Deputados para análise. Para o relator do Anteprojeto do Novo Código Penal, o procurador Luiz Carlos Gonçalves, relator-geral da comissão explica: Votamos pela permissão do aborto praticado por médico até a 12ª semana de gestação, desde que haja comprovação de que a mulher não pode levar adiante a gravidez. Sabemos que é uma situação muito dolorosa. Na verdade, o aborto é sempre traumático e deixa seqüelas psicológicas e físicas. De acordo com o relator que é favorável a ampliação do aborto na reforma,mas que reconhece as consequências que podem lesionar a gestante. Segundo a ilustre doutora em direito penal pela USP, Janaína Paschoal que é advogada e professora livre-docente da Faculdade de Direito da USP afirmou em entrevista a Folha de São Paulo: Por um lado, a comissão diminui a pena daquele que realiza um aborto na gestante e alarga consideravelmente as hipóteses em que se torna lícita tal prática. Por outro, a mesma comissão propõe pena de um a quatro anos para quem abandona um cachorro na rua. A ilustre doutora critica o Anteprojeto do Novo Código Penal que demonstra a valorização dos animais, no titulo de Crimes contra Interesses Metaindividuais em detrimento 20

NOVO CÓDIGO PENAL E A RESPONSABILIDADE PENAL DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE. José Arthur Di Spirito Kalil

NOVO CÓDIGO PENAL E A RESPONSABILIDADE PENAL DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE. José Arthur Di Spirito Kalil NOVO CÓDIGO PENAL E A RESPONSABILIDADE PENAL DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE José Arthur Di Spirito Kalil O aborto e o Código Penal Atual (Dec. Lei 2.848, de 1940) O aborto e o Anteprojeto do Código Penal Aborto

Leia mais

Prof. José Nabuco Filho. Aborto

Prof. José Nabuco Filho. Aborto Aborto Apostila 1. Introdução Sob o nomem juris de aborto, o Código Penal tipifica quatro crimes diferentes: 1 duas definidas no art. 124, tendo como sujeito ativo a gestante; outras duas, em que o sujeito

Leia mais

L G E ISL S A L ÇÃO O ES E P S EC E IAL 10ª 0 ª-

L G E ISL S A L ÇÃO O ES E P S EC E IAL 10ª 0 ª- DIREITO PENAL III LEGISLAÇÃO ESPECIAL 10ª - Parte Professor: Rubens Correia Junior 1 DIREITO PENAL III 2 ABORTO CRIMINOSO Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento Art 124 - Provocar aborto

Leia mais

COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA. PROJETO DE LEI N o 797, DE 2011 I RELATÓRIO

COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA. PROJETO DE LEI N o 797, DE 2011 I RELATÓRIO COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA PROJETO DE LEI N o 797, DE 2011 Inclui nos programas Sociais e Financeiros do Governo programa específico de apoio à mulher e a adolescente, nos casos de gravidez

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br BuscaLegis.ccj.ufsc.Br O Crime de Aborto e Suas Principais Características Carlos Valfrido Aborto Conceito: Aborto é a interrupção de uma gestação com a conseqüente morte do feto. Do latim ab (privação),

Leia mais

Dos crimes contra a vida

Dos crimes contra a vida Direito Penal Parte Especial Professor Sandro Caldeira Dos Crimes Contra a Vida Parte II Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após: Pena - detenção,

Leia mais

Câmara dos Deputados Gabinete da Deputada Jandira Feghali PCdoB/RJ COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA PROJETO DE LEI Nº 1135/91

Câmara dos Deputados Gabinete da Deputada Jandira Feghali PCdoB/RJ COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA PROJETO DE LEI Nº 1135/91 COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA PROJETO DE LEI Nº 1135/91 I RELATÓRIO Suprime o artigo 124 do Código Penal Brasileiro. Autores: Deputados Eduardo Jorge e Sandra Starling Relatora: Deputada Jandira

Leia mais

O ABORTO NO DIREITO PENAL BRASILEIRO: CARACTERÍSTICAS E ALGUMAS IMPLICAÇÕES DA DESCRIMINALIZAÇÃO

O ABORTO NO DIREITO PENAL BRASILEIRO: CARACTERÍSTICAS E ALGUMAS IMPLICAÇÕES DA DESCRIMINALIZAÇÃO O ABORTO NO DIREITO PENAL BRASILEIRO: CARACTERÍSTICAS E ALGUMAS IMPLICAÇÕES DA DESCRIMINALIZAÇÃO Keila Lacerda de Oliveira Magalhães Advogada, com recém aprovação na OAB/PB e com estágio profícuo e conceituado

Leia mais

"A voz da consciência é tão delicada que é fácil reprimi-la: mas está também muito claro que é possível enganá-la."

A voz da consciência é tão delicada que é fácil reprimi-la: mas está também muito claro que é possível enganá-la. 15 "A voz da consciência é tão delicada que é fácil reprimi-la: mas está também muito claro que é possível enganá-la." Madame de Staël, romancista francesa Texto I Aborto: claramente a favor Vladimir Safatle

Leia mais

Acesso à anticoncepção de emergência: direito das mulheres e dever do Estado Beatriz Galli

Acesso à anticoncepção de emergência: direito das mulheres e dever do Estado Beatriz Galli Acesso à anticoncepção de emergência: direito das mulheres e dever do Estado Beatriz Galli A anticoncepção, ou contracepção de emergência é um método contraceptivo que pode evitar a gravidez após a relação

Leia mais

Células-Tronco e Aspectos Bioéticos

Células-Tronco e Aspectos Bioéticos Células-Tronco e Aspectos Bioéticos Acadêmicas: Ana Paula Sakr Hubie Dayanne Alba Chiumento Isadora Cristina Benvenutti Kalinowski Larissa Sokol Rotta Paula Bragato Futagami O que são Células-Tronco? Tipos

Leia mais

Legalização do aborto em Moçambique: "A nova lei visa a assegurar os direitos sexuais e reprodutivos", diz ativista -

Legalização do aborto em Moçambique: A nova lei visa a assegurar os direitos sexuais e reprodutivos, diz ativista - Legalização do aborto em Moçambique: "A nova lei visa a assegurar os direitos sexuais e reprodutivos", diz ativista por Por Dentro da África - terça-feira, abril 14, 2015 http://www.pordentrodaafrica.com/ciencia/legalizacao-do-aborto-em-mocambique-a-nova-lei-visaassegurar-os-direitos-sexuais-e-reprodutivos-diz-ativista

Leia mais

Dos fundamentos e das aporias do direito à vida

Dos fundamentos e das aporias do direito à vida Dos fundamentos e das aporias do direito à vida Grupo de pesquisa: Direito à vida e direito à morte: a legislação, a doutrina e a jurisprudência Linha de pesquisa: Fundamentos Constitucionais do Direito

Leia mais

ABORTO E A SANTIDADE DA VIDA HUMANA

ABORTO E A SANTIDADE DA VIDA HUMANA ABORTO E A SANTIDADE DA VIDA HUMANA JOHN PIPER JÁ FOI PRESO? John Piper Prisão em 19/12/1988 SACRIFÍCIOS DE CRIANÇAS AINDA EXISTEM? Idolatria 4 em cada 10 gravidezes na cidade de Nova Iorque terminam em

Leia mais

Abortamento ou Aborto Interrupção da gravidez antes que o feto alcance a fase da viabilidade. Pode ser espontâneo ou provocado.

Abortamento ou Aborto Interrupção da gravidez antes que o feto alcance a fase da viabilidade. Pode ser espontâneo ou provocado. Abortamento ou Aborto Interrupção da gravidez antes que o feto alcance a fase da viabilidade. Pode ser espontâneo ou provocado. Ao longo do tempo e principalmente em fins do século XX, declinou a incidência

Leia mais

A EUTANÁSIA À LUZ DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO DIREITO À VIDA

A EUTANÁSIA À LUZ DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO DIREITO À VIDA A EUTANÁSIA À LUZ DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO DIREITO À VIDA Equipe: Juliana Maria Araújo de Sales Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) Luana Elaine da Silva - Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)

Leia mais

Aborto, Saúde e Direitos Reprodutivos

Aborto, Saúde e Direitos Reprodutivos BEM ESTAR FAMILIAR NO BRASIL Aborto, Saúde e Direitos Reprodutivos Vera Cabral João Pessoa - PB ABORTO Situação Mundial 210 milhões de gestações ocorrem a cada ano no mundo 46 milhões (22%) terminam em

Leia mais

ABORTO DE FETO ANENCÉFALO: CONCEITOS JURÍDICOS- PENAIS E O ENTENDIMENTO DO STF

ABORTO DE FETO ANENCÉFALO: CONCEITOS JURÍDICOS- PENAIS E O ENTENDIMENTO DO STF 1 ABORTO DE FETO ANENCÉFALO: CONCEITOS JURÍDICOS- PENAIS E O ENTENDIMENTO DO STF JANJACOMO, V. A. B. RESUMO O presente estudo trata da obrigação proibitiva do aborto anencéfalo no ordenamento jurídico

Leia mais

A tecnologia e a ética

A tecnologia e a ética Escola Secundária de Oliveira do Douro A tecnologia e a ética Eutanásia João Manuel Monteiro dos Santos Nº11 11ºC Trabalho para a disciplina de Filosofia Oliveira do Douro, 14 de Maio de 2007 Sumário B

Leia mais

HOJE EM DIA O ABORTO JÁ É LEGAL? COMO É A LEI DO ABORTO?

HOJE EM DIA O ABORTO JÁ É LEGAL? COMO É A LEI DO ABORTO? HOJE EM DIA O ABORTO JÁ É LEGAL? COMO É A LEI DO ABORTO? Em 1984 legalizou-se o aborto em Portugal, mas os prazos dessa lei já foram alargados. Desde 1997 tornou-se legal abortar por razões de saúde da

Leia mais

Aborto. Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:

Aborto. Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: - Aborto provocado pela Aborto Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena - detenção, de um a três anos. - Introdução: - O abortamento é a cessação da gravidez, antes

Leia mais

A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO NO ANTEPROJETO DO CÓDIGO PENAL

A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO NO ANTEPROJETO DO CÓDIGO PENAL A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO NO ANTEPROJETO DO CÓDIGO PENAL Nathália Abrão Mantovani Antonioli 1, Gisele Mendes de Carvalho 2 RESUMO: A legalização do aborto é um tema polêmico, sendo assim fundamental analisar

Leia mais

CODIGO PENAL PROPOSTAS DE ALTERAÇÃO

CODIGO PENAL PROPOSTAS DE ALTERAÇÃO Homicídio simples Art 121. Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a vinte anos. TÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A VIDA Caso de diminuição de pena 1º Se o agente comete

Leia mais

Arthur Migliari Júnior

Arthur Migliari Júnior Arthur Migliari Júnior Doutorando pela Universidade de Coimbra. Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professor universitário e de cursos preparatórios para concursos.

Leia mais

O BIODIREITO, A BIOÉTICA E AS CÉLULAS-TRONCO

O BIODIREITO, A BIOÉTICA E AS CÉLULAS-TRONCO 1 O BIODIREITO, A BIOÉTICA E AS CÉLULAS-TRONCO FABENE, L. R. Resumo: O tema apresentado está em voga, e tem presença constante nos meios midiáticos. Isto porque a palavra célula-tronco traz esperança de

Leia mais

COMUNIDADE JESUS MENINO CASA DOS AMIGOS ESPECIAIS

COMUNIDADE JESUS MENINO CASA DOS AMIGOS ESPECIAIS COMUNIDADE JESUS MENINO CASA DOS AMIGOS ESPECIAIS Utilidade Pública Municipal nº 06 (27/04/1994) Utilidade Pública Federal nº 1521 (08/11/2002) Conselho Nacional de Assistência Social nº 51 (16/04/2003)

Leia mais

NOVOS INSTRUMENTOS PERMITEM CONCRETIZAR DIREITOS HUMANOS NO STF E STJ

NOVOS INSTRUMENTOS PERMITEM CONCRETIZAR DIREITOS HUMANOS NO STF E STJ NOVOS INSTRUMENTOS PERMITEM CONCRETIZAR DIREITOS HUMANOS NO STF E STJ (Conjur, 10/12/2014) Alexandre de Moraes Na luta pela concretização da plena eficácia universal dos direitos humanos o Brasil, mais

Leia mais

Anencefalia - ADPF 54: Decisão Liminar e sua Repercussão nos Casos Concretos

Anencefalia - ADPF 54: Decisão Liminar e sua Repercussão nos Casos Concretos 75 Anencefalia - ADPF 54: Decisão Liminar e sua Repercussão nos Casos Concretos Daniel da Silva Fonseca Juiz de Direito da 1ª Vara Cível de Itaboraí Trata o presente de questão tormentosa em trâmite no

Leia mais

PROJETO DE LEI Nº, DE 2005 (DO SR. TAKAYAMA)

PROJETO DE LEI Nº, DE 2005 (DO SR. TAKAYAMA) PROJETO DE LEI Nº, DE 2005 (DO SR. TAKAYAMA) Dispõe sobre os crimes de antecipação terapêutica de parto de feto anencefálico ou inviável, e dá outras providências. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Art. 1º

Leia mais

PARECER N.º P/01/APB/05 SOBRE A UTILIZAÇÃO DE EMBRIÕES HUMANOS EM INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA

PARECER N.º P/01/APB/05 SOBRE A UTILIZAÇÃO DE EMBRIÕES HUMANOS EM INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA PARECER N.º P/01/APB/05 SOBRE A UTILIZAÇÃO DE EMBRIÕES HUMANOS EM INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA RELATOR: RUI NUNES 1 PREÂMBULO Poucas questões têm despertado tanta controvérsia como a natureza e a atribuição

Leia mais

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal Supremo Tribunal Federal 1 Audiência Pública Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental Proponente: Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde CNTS Eleonora Menicucci de Oliveira Profa. Titular

Leia mais

Núcleo de Pesquisa e Extensão do Curso de Direito NUPEDIR VII MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA (MIC) 25 de novembro de 2014

Núcleo de Pesquisa e Extensão do Curso de Direito NUPEDIR VII MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA (MIC) 25 de novembro de 2014 SOBRE A PROTEÇÃO DA VIDA ANTES DO NASCIMENTO: DA PERSONALIDADE JURÍDICA E DOS DIREITOS DO NASCITURO Angélica Eikhoff 1 Cláudia Taís Siqueira Cagliari 2 SUMÁRIO: 1 INTRODUÇÃO. 2 A PERSONALIDADE JURÍDICA

Leia mais

RESOLUÇÃO CFM Nº 2.013/2013

RESOLUÇÃO CFM Nº 2.013/2013 RESOLUÇÃO CFM Nº 2.013/2013 (Publicada no D.O.U. de 09 de maio de 2013, Seção I, p. 119) Adota as normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida, anexas à presente resolução, como

Leia mais

O Dano Moral por Uso Indevido da Imagem do Empregado. O direito à imagem é um dos direitos de personalidade alçados a nível constitucional.

O Dano Moral por Uso Indevido da Imagem do Empregado. O direito à imagem é um dos direitos de personalidade alçados a nível constitucional. 1 O Dano Moral por Uso Indevido da Imagem do Empregado. O direito à imagem é um dos direitos de personalidade alçados a nível constitucional. Art. 5. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer

Leia mais

PARECER CREMEB Nº 14/13 (Aprovado em Sessão Plenária de 05/04/2013)

PARECER CREMEB Nº 14/13 (Aprovado em Sessão Plenária de 05/04/2013) PARECER CREMEB Nº 14/13 (Aprovado em Sessão Plenária de 05/04/2013) Expediente Consulta Nº 018.621/2012 Assunto: Fertilização in vitro com material biológico de doador falecido. Relatora: Consª Maria Lúcia

Leia mais

Direitos LGBT: do casamento ao enfrentamento da discriminação

Direitos LGBT: do casamento ao enfrentamento da discriminação Direitos LGBT: do casamento ao enfrentamento da discriminação Publicado em 28/06/2015, às 15h26 Atualizado em 28/06/2015, às 15h58 Sérgio Costa Floro* Especial para o NE10 #LoveWins tomou conta do discurso

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XIV EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XIV EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL João e José são pessoas com deficiência física, tendo concluído curso de nível superior. Diante da abertura de vagas para preenchimento de cargos vinculados ao Ministério

Leia mais

RESOLUÇÃO CFM nº 2.121/2015

RESOLUÇÃO CFM nº 2.121/2015 RESOLUÇÃO CFM nº 2.121/2015 Adota as normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida sempre em defesa do aperfeiçoamento das práticas e da observância aos princípios éticos e bioéticos

Leia mais

CÉLULAS-TRONCO - UM ENFOQUE SOBRE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E VALORES HUMANOS

CÉLULAS-TRONCO - UM ENFOQUE SOBRE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E VALORES HUMANOS CÉLULAS-TRONCO - UM ENFOQUE SOBRE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E VALORES HUMANOS Elaborado em 04.2008 Vitor Vilela Guglinski Graduado em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais Vianna Júnior.

Leia mais

RESOLUÇÃO CFM Nº 2.013/13

RESOLUÇÃO CFM Nº 2.013/13 RESOLUÇÃO CFM Nº 2.013/13 Adota as normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida, anexas à presente resolução, como dispositivo deontológico a ser seguido pelos médicos e revoga

Leia mais

O FIM DA ISENÇÃO: O PAGAMENTO DA COFINS PELOS ESCRITÓRIOS DE ADVOCACIA Danielle Becker 1

O FIM DA ISENÇÃO: O PAGAMENTO DA COFINS PELOS ESCRITÓRIOS DE ADVOCACIA Danielle Becker 1 O FIM DA ISENÇÃO: O PAGAMENTO DA COFINS PELOS ESCRITÓRIOS DE ADVOCACIA Danielle Becker 1 RESUMO O artigo refere-se á análise da decisão proferida, no mês de setembro de 2008, pelo Supremo Tribunal Federal

Leia mais

Dilemas e Soluções na rotina dos serviços Revista Eletrônica Ipas Setembro / Outubro 2005

Dilemas e Soluções na rotina dos serviços Revista Eletrônica Ipas Setembro / Outubro 2005 Dilemas e Soluções na rotina dos serviços Revista Eletrônica Ipas Setembro / Outubro 2005 Violência sexual, gravidez indesejada e acesso ao aborto legal: uma abordagem de direitos humanos e igualdade de

Leia mais

TEORIA GERAL DO DIREITO. Professor: Hugo Rios Bretas

TEORIA GERAL DO DIREITO. Professor: Hugo Rios Bretas TEORIA GERAL DO DIREITO Professor: Hugo Rios Bretas Vigência e Duração Norma de origem e derivada Publicidade, lapso temporal de vigência: Regra Proibição Direta Princípio basilar- força Continuidade normativa:

Leia mais

Controle de Constitucionalidade

Controle de Constitucionalidade 18 Controle de Constitucionalidade Alessandra da Rocha Lima Roidis Juíza de Direito da Vara Criminal de Queimados Um dos temas mais polêmicos em tramitação no Supremo Tribunal Federal refere-se à divergência

Leia mais

PROJETO DE LEI Nº, DE 2015

PROJETO DE LEI Nº, DE 2015 PROJETO DE LEI Nº, DE 2015 (Do Sr. Arnaldo Jordy) Altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio

Leia mais

Aspectos legais do atendimento ao adolescente - em busca da saúde integral

Aspectos legais do atendimento ao adolescente - em busca da saúde integral Aspectos legais do atendimento ao adolescente - em busca da saúde integral Luiz Claudio Campos Núcleo de Populações mais vulneráveis Gerência de Prevenção - CE DST/Aids Legislação e Direitos do Adolescente

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br BuscaLegis.ccj.ufsc.Br Aborto - Histórico e Modalidades João Henrique Santana Falcão* 1 ABORTO 1.1 BREVE HISTÓRICO Uma vez que já foram vislumbradas as formas em que determinada conduta pode deixar de

Leia mais

Projeto de Lei do Senado nº., de 2007. O CONGRESSO NACIONAL decreta:

Projeto de Lei do Senado nº., de 2007. O CONGRESSO NACIONAL decreta: 1 Projeto de Lei do Senado nº., de 2007 Dispõe sobre a obrigatoriedade de patrocínio, pela União, de traslado de corpo de brasileiro de família hipossuficiente falecido no exterior. O CONGRESSO NACIONAL

Leia mais

ABORTO E ANENCEFALIA RESUMO INTRODUÇÃO

ABORTO E ANENCEFALIA RESUMO INTRODUÇÃO ABORTO E ANENCEFALIA Kelly Cristina B. da S. Soares RESUMO Este artigo trata da possibilidade do aborto de fetos anencéfalos. Posições favoráveis e contrárias, médicas e religiosas são analisadas, assim

Leia mais

CASOTECA DIREITO GV PRODUÇÃO DE CASOS 2011

CASOTECA DIREITO GV PRODUÇÃO DE CASOS 2011 CASOTECA DIREITO GV PRODUÇÃO DE CASOS 2011 CASOTECA DIREITO GV Caso do Campo de Algodão: Direitos Humanos, Desenvolvimento, Violência e Gênero ANEXO I: DISPOSITIVOS RELEVANTES DOS INSTRUMENTOS INTERNACIONAIS

Leia mais

Inelegibilidade: A Questão das Doações de Campanha nas Eleições 2010

Inelegibilidade: A Questão das Doações de Campanha nas Eleições 2010 Inelegibilidade: A Questão das Doações de Campanha nas Eleições 2010 27 André Fernandes Arruda 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho pretende abordar o tema da aplicação da pena de inelegibilidade nas representações

Leia mais

ENUNCIADOS. Suspensão Condicional do Processo. Lei Maria da Penha e Contravenções Penais

ENUNCIADOS. Suspensão Condicional do Processo. Lei Maria da Penha e Contravenções Penais ENUNCIADOS Suspensão Condicional do Processo Enunciado nº 01 (001/2011): Nos casos de crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher não se aplica a suspensão condicional do processo. (Aprovado

Leia mais

ARTIGO: Efeitos (subjetivos e objetivos) do controle de

ARTIGO: Efeitos (subjetivos e objetivos) do controle de ARTIGO: Efeitos (subjetivos e objetivos) do controle de constitucionalidade Luís Fernando de Souza Pastana 1 RESUMO: há diversas modalidades de controle de constitucionalidade previstas no direito brasileiro.

Leia mais

A POSSIBILIDADE DE ABORTO DE FETO ANENCÉFALO NO ANTEPROJETO DO NOVO CÓDIGO PENAL

A POSSIBILIDADE DE ABORTO DE FETO ANENCÉFALO NO ANTEPROJETO DO NOVO CÓDIGO PENAL A POSSIBILIDADE DE ABORTO DE FETO ANENCÉFALO NO ANTEPROJETO DO NOVO CÓDIGO PENAL Andréia Lorenzetti 1 Carlos Roberto da Silva 2 SUMÁRIO Introdução. 1. Aspectos gerais do crime de aborto 1.1 Objetividade

Leia mais

Direito à Saúde Sexual e Reprodutiva

Direito à Saúde Sexual e Reprodutiva Direito à Saúde Sexual e Reprodutiva O que é a saúde sexual e reprodutiva? A saúde sexual e reprodutiva é uma componente essencial do direito universal ao mais alto padrão de saúde física e mental, consagrado

Leia mais

Direito à vida, direito à saúde e direito à alimentação adequada

Direito à vida, direito à saúde e direito à alimentação adequada CURSO DE EDUCADOR SOCIAL MÓDULO II- AULA 2 Direito à vida, direito à saúde e direito à alimentação adequada ITS Brasil1 Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República2 Nascemos iguais,

Leia mais

QUESTÕES PERTINENTES AO ABORTO Thaís Eliza Dalos 1 Gilmara Pesquero Fernandes Mohr FUNES 2

QUESTÕES PERTINENTES AO ABORTO Thaís Eliza Dalos 1 Gilmara Pesquero Fernandes Mohr FUNES 2 QUESTÕES PERTINENTES AO ABORTO Thaís Eliza Dalos 1 Gilmara Pesquero Fernandes Mohr FUNES 2 RESUMO: Neste estudo são tratadas questões pertinentes ao aborto como a comparação entre os abortos clandestinos

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL OAB

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL OAB PADRÃO DE RESPOSTAS PEÇA PROFISSIONAL : Fábio é universitário, domiciliado no Estado K e pretende ingressar no ensino superior através de nota obtida pelo Exame Nacional, organizado pelo Ministério da

Leia mais

FACULDADES DE ENSINO SUPERIOR DA PARAÍBA FESP CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO TAISE ARAUJO TEIXEIRA. ABORTO: Uma Emergência

FACULDADES DE ENSINO SUPERIOR DA PARAÍBA FESP CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO TAISE ARAUJO TEIXEIRA. ABORTO: Uma Emergência FACULDADES DE ENSINO SUPERIOR DA PARAÍBA FESP CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO TAISE ARAUJO TEIXEIRA ABORTO: Uma Emergência JOÃO PESSOA 2013 TAISE ARAUJO TEIXEIRA ABORTO: Uma Emergência Trabalho de Conclusão

Leia mais

Edivalda da Silva Bezerra. Controvérsias sobre a legalização do aborto anencefálico

Edivalda da Silva Bezerra. Controvérsias sobre a legalização do aborto anencefálico Edivalda da Silva Bezerra Controvérsias sobre a legalização do aborto anencefálico Rede de Ensino Flávio Monteiro de Barros FMB Campina Grande 2010 Edivalda da Silva Bezerra CONTROVÉRSIAS SOBRE A LEGALIZAÇÃO

Leia mais

Questões relevantes Parte Especial CP

Questões relevantes Parte Especial CP Direito Penal 2ª Fase OAB/FGV Aula 07 Professor Sandro Caldeira Questões relevantes Parte Especial CP Crimes contra a vida; ; Homicídio simples Art. 121 CP. Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a vinte

Leia mais

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal RECLAMAÇÃO 15.309 SÃO PAULO RELATORA RECLTE.(S) PROC.(A/S)(ES) RECLDO.(A/S) ADV.(A/S) INTDO.(A/S) ADV.(A/S) : MIN. ROSA WEBER :MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO :PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO

Leia mais

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE REDAÇÃO. PROJETO DE LEI Nº 3.174, DE 1997 (Apensos os PLs 1.655/99, 2.346/00 e 3.547/00)

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE REDAÇÃO. PROJETO DE LEI Nº 3.174, DE 1997 (Apensos os PLs 1.655/99, 2.346/00 e 3.547/00) COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE REDAÇÃO PROJETO DE LEI Nº 3.174, DE 1997 (Apensos os PLs 1.655/99, 2.346/00 e 3.547/00) Altera a Lei nº 5.700, de 1º de setembro de 1971, que dispõe sobre a forma

Leia mais

A RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM MATÉRIA DE POLÍTICA INTERNACIONAL. Fábio Konder Comparato *

A RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM MATÉRIA DE POLÍTICA INTERNACIONAL. Fábio Konder Comparato * A RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM MATÉRIA DE POLÍTICA INTERNACIONAL Fábio Konder Comparato * Dispõe a Constituição em vigor, segundo o modelo por nós copiado dos Estados Unidos, competir

Leia mais

HISTÓRIA EM QUADRINHOS FUNDAMENTOS LEGAIS DÚVIDAS FREQUENTES

HISTÓRIA EM QUADRINHOS FUNDAMENTOS LEGAIS DÚVIDAS FREQUENTES C a r t i l h a E d u c a t i v a HISTÓRIA EM QUADRINHOS FUNDAMENTOS LEGAIS DÚVIDAS FREQUENTES Apresentação Com base no perfil constitucional de 1988, o Ministério Público age também como defensor dos

Leia mais

Apelação Cível. Pedido de interrupção de gestação. Feto anencéfalo e com múltiplas mal-formações congênitas

Apelação Cível. Pedido de interrupção de gestação. Feto anencéfalo e com múltiplas mal-formações congênitas Apelação Cível. Pedido de interrupção de gestação. Feto anencéfalo e com múltiplas mal-formações congênitas Relator: Des. Nereu José Giacomolli Tribunal TJRS Data: 31/05/2011 APELAÇÃO. PEDIDO DE INTERRUPÇÃO

Leia mais

A.B.P. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA

A.B.P. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA A.B.P. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA Talvane M. de Moraes Médico especialista em psiquiatria forense Livre Docente e Doutor em Psiquiatria Professor de psiquiatria forense da Escola da Magistratura

Leia mais

PARECER N.º, DE 2009

PARECER N.º, DE 2009 PARECER N.º, DE 2009 Da COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA, sobre o Projeto de Lei da Câmara n.º 122, de 2006 (PL n.º 5.003, de 2001, na Casa de origem), que altera a Lei n.º 7.716,

Leia mais

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 89457 AL (2008.05.00.054927-8) AGRTE : LUCAS FERREIRA DE CARVALHO ASSIST : ELIANE FERREIRA DE M. E SILVA ADV/PROC : LUIS GUSTAVO GONÇALVES VIEIRA FIRMINO AGRDO : UFAL - UNIVERSIDADE

Leia mais

CONDUTA TEO E R O I R AS A a) c ausal b) c ausal valora r tiva (neoclássica) c) finalista d) s ocial e) f uncionalistas

CONDUTA TEO E R O I R AS A a) c ausal b) c ausal valora r tiva (neoclássica) c) finalista d) s ocial e) f uncionalistas DIREITO PENAL Prof. Marcelo André de Azevedo TEORIA GERAL DO CRIME INTRODUÇÃO TEORIA GERAL DO CRIME FATO TÍPICO CONDUTA RESULTADO NEXO DE CAUSALIDADE CONDUTA TEORIAS a) causal b) causal valorativa (neoclássica)

Leia mais

PARECER Nº, DE 2015. RELATORA: Senadora MARTA SUPLICY I RELATÓRIO

PARECER Nº, DE 2015. RELATORA: Senadora MARTA SUPLICY I RELATÓRIO PARECER Nº, DE 2015 Da COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS sobre o Projeto de Lei da Câmara nº 75, de 2014, do Deputado George Hilton, que dispõe sobre a regulamentação da profissão de instrumentador cirúrgico.

Leia mais

CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA, SIGILO E REGISTRO ELETRÔNICO DO PACIENTE. Curitiba, 21 de novembro de 2012

CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA, SIGILO E REGISTRO ELETRÔNICO DO PACIENTE. Curitiba, 21 de novembro de 2012 CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA, SIGILO E REGISTRO ELETRÔNICO DO PACIENTE Curitiba, 21 de novembro de 2012 CONFLITO DE INTERESSES Declaro não haver conflito de interesses na apresentação desta palestra, sendo que

Leia mais

LATROCÍNIO COM PLURALIDADE DE VÍTIMAS

LATROCÍNIO COM PLURALIDADE DE VÍTIMAS LATROCÍNIO COM PLURALIDADE DE VÍTIMAS ALESSANDRO CABRAL E SILVA COELHO - alessandrocoelho@jcbranco.adv.br JOSÉ CARLOS BRANCO JUNIOR - jcbrancoj@jcbranco.adv.br Palavras-chave: crime único Resumo O presente

Leia mais

A p s e p c e t c os o s Ju J r u ídi d co c s o s n a n V n e t n ilaç a ã ç o ã o M ec e â c n â i n ca

A p s e p c e t c os o s Ju J r u ídi d co c s o s n a n V n e t n ilaç a ã ç o ã o M ec e â c n â i n ca Aspectos Jurídicos na Ventilação Mecânica Prof. Dr. Edson Andrade Relação médico-paciente Ventilação mecânica O que é a relação médico-paciente sob a ótica jurídica? Um contrato 1 A ventilação mecânica

Leia mais

PARECER Nº, DE 2009. RELATOR: Senador CRISTOVAM BUARQUE I RELATÓRIO

PARECER Nº, DE 2009. RELATOR: Senador CRISTOVAM BUARQUE I RELATÓRIO PARECER Nº, DE 2009 Da COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS, em decisão terminativa, sobre o Projeto de Lei do Senado nº 157, de 2002, do Senador Carlos Bezerra, que acrescenta art. 392-B à Consolidação das Leis

Leia mais

O DIREITO À SUCESSÃO DOS EMBRIÕES. Antônia Lisânia Almeida

O DIREITO À SUCESSÃO DOS EMBRIÕES. Antônia Lisânia Almeida O DIREITO À SUCESSÃO DOS EMBRIÕES Antônia Lisânia Almeida O DIREITO À SUCESSÃO DOS EMBRIÕES Antônia Lisânia Almeida Acadêmica do Curso de Direito, 9º Período na Estácio de Sá FAP. O tema que iremos abordar

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL VII EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL VII EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL O Estado KWY editou norma determinando a gratuidade dos estacionamentos privados vinculados a estabelecimentos comerciais, como supermercados, hipermercados, shopping

Leia mais

Lei Maria da Penha: uma evolução histórica

Lei Maria da Penha: uma evolução histórica Lei Maria da Penha: uma evolução histórica Karina Balduino Leite e Rivadavio Anadão de Oliveira Guassú Maria da Penha foi uma entre as incontáveis vítimas de violência doméstica espalhadas pelo planeta.

Leia mais

MEDIDA PROVISÓRIA Nº 446, DE 2008

MEDIDA PROVISÓRIA Nº 446, DE 2008 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 446, DE 2008 (MENSAGEM Nº 865, DE 2009) Dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade

Leia mais

Dr. Guilherme Augusto Gonçalves Machado advogado mestrando em Direito Empresarial pela Faculdade de Direito Milton Campos

Dr. Guilherme Augusto Gonçalves Machado advogado mestrando em Direito Empresarial pela Faculdade de Direito Milton Campos $ 5(63216$%,/,'$'( &,9,/ '2 3529('25 '( $&(662,17(51(7 Dr. Guilherme Augusto Gonçalves Machado advogado mestrando em Direito Empresarial pela Faculdade de Direito Milton Campos A Internet se caracteriza

Leia mais

GUIA DE ESTUDO: Aborto

GUIA DE ESTUDO: Aborto GUIA DE ESTUDO: Aborto Julho 2015 1 ABORTO EM CASO DE ESTUPRO, ANENCEFALIA E GRAVIDEZ DE RISCO 1.1 Debate da eficiência da legislação atual 1.2 Produção de um documento final 2 ABORTO PARA TODOS OS CASOS?

Leia mais

16.7.1 Execução de alimentos. Prisão do devedor, 394

16.7.1 Execução de alimentos. Prisão do devedor, 394 1 Introdução ao Direito de Família, 1 1.1 Compreensão, 1 1.2 Lineamentos históricos, 3 1.3 Família moderna. Novos fenômenos sociais, 5 1.4 Natureza jurídica da família, 7 1.5 Direito de família, 9 1.5.1

Leia mais

OBJETIVO MELHORAR A SAÚDE

OBJETIVO MELHORAR A SAÚDE cap5.qxd 9/9/04 15:48 Page 50 50 OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO BRASIL OBJETIVO MELHORAR A SAÚDE MATERNA cap5.qxd 9/9/04 15:48 Page 51 51 5 " META 6 REDUZIR EM TRÊS QUARTOS, ENTRE 1990 E 2015,

Leia mais

SISTEMA EDUCACIONAL INTEGRADO CENTRO DE ESTUDOS UNIVERSITÁRIOS DE COLIDER Av. Senador Julio Campos, Lote 13, Loteamento Trevo Colider/MT Site:

SISTEMA EDUCACIONAL INTEGRADO CENTRO DE ESTUDOS UNIVERSITÁRIOS DE COLIDER Av. Senador Julio Campos, Lote 13, Loteamento Trevo Colider/MT Site: SISTEMA EDUCACIONAL INTEGRADO CENTRO DE ESTUDOS UNIVERSITÁRIOS DE COLIDER Av. Senador Julio Campos, Lote 13, Loteamento Trevo Colider/MT Site: www.sei-cesucol.edu.br e-mail: sei-cesucol@vsp.com.br FACULDADE

Leia mais

DIREITO DE ESCOLHA A TRATAMENTO MÉDICO ISENTO DE SANGUE, POR RAZÕES DE CONSCIÊNCIA E CONVICÇÕES RELIGIOSAS

DIREITO DE ESCOLHA A TRATAMENTO MÉDICO ISENTO DE SANGUE, POR RAZÕES DE CONSCIÊNCIA E CONVICÇÕES RELIGIOSAS DIREITO DE ESCOLHA A TRATAMENTO MÉDICO ISENTO DE SANGUE, POR RAZÕES DE CONSCIÊNCIA E CONVICÇÕES RELIGIOSAS Maria Claudia de Almeida Luciano Jacob 1 Sérgio Ricardo Vieira 2 RESUMO O presente trabalho visa

Leia mais

A POLÍTICA DE PROTEÇÃO DA MATERNIDADE JULIO MAYER DE CASTRO FILHO

A POLÍTICA DE PROTEÇÃO DA MATERNIDADE JULIO MAYER DE CASTRO FILHO A POLÍTICA DE PROTEÇÃO DA MATERNIDADE JULIO MAYER DE CASTRO FILHO Ministério da Saúde Diretrizes gerais Pacto pela Saúde Estados ComissãoBi partite Municípios Plano Municipal de Saúde Objetivos Ações estratégicas

Leia mais

Dossiê apresenta a realidade do aborto inseguro na Bahia

Dossiê apresenta a realidade do aborto inseguro na Bahia Dossiê apresenta a realidade do aborto inseguro na Bahia A cada cem internações por parto, na capital baiana, ocorrem 25 em decorrência do aborto, número bem acima da proporção nacional que é de 15 para

Leia mais

VAMOS CONVERSAR SOBRE ABORTO? CONHEÇA E DEFENDA SEUS DIREITOS!

VAMOS CONVERSAR SOBRE ABORTO? CONHEÇA E DEFENDA SEUS DIREITOS! VAMOS CONVERSAR SOBRE ABORTO? CONHEÇA E DEFENDA SEUS DIREITOS! Você sabia que no Brasil o aborto é legal em algumas situações? Estatísticas absurdas, que precisam mudar A legislação sobre o assunto é muito

Leia mais

Sumário NOTA À TERCEIRA EDIÇÃO... 15 NOTA PRÉVIA... 19 PREFÁCIO... 21 APRESENTAÇÃO... 23

Sumário NOTA À TERCEIRA EDIÇÃO... 15 NOTA PRÉVIA... 19 PREFÁCIO... 21 APRESENTAÇÃO... 23 Sumário NOTA À TERCEIRA EDIÇÃO... 15 NOTA PRÉVIA... 19 PREFÁCIO... 21 APRESENTAÇÃO... 23 CAPÍTULO I... 25 1. Novos riscos, novos danos... 25 2. O Estado como responsável por danos indenizáveis... 26 3.

Leia mais

Expert Consultation on Prevention of and Responses to Violence against Young Children Lima, 27 28 August 2012

Expert Consultation on Prevention of and Responses to Violence against Young Children Lima, 27 28 August 2012 Expert Consultation on Prevention of and Responses to Violence against Young Children Lima, 27 28 August 2012 JANDIRA FEGHALI (Deputada Federal/Brasil) Temas: Trabalhando com autoridades e parlamentares

Leia mais

Quando começa a vida humana? Fecundação... A primeira célula!

Quando começa a vida humana? Fecundação... A primeira célula! Quando começa a vida humana? Fecundação... A primeira célula! Quando começa a vida humana Quando os 23 cromossomos masculinos transportados pelo espermatozóide se encontram com os 23 cromossomos da mulher,

Leia mais

PARECER N, DE 2011. RELATOR: Senador SÉRGIO SOUZA

PARECER N, DE 2011. RELATOR: Senador SÉRGIO SOUZA PARECER N, DE 2011 Da COMISSÃO DE MEIO AMBIENTE, DEFESA DO CONSUMIDOR E FISCALIZAÇÃO E CONTROLE, em decisão terminativa, sobre o Projeto de Lei do Senado nº 452, de 2011, da Senadora Angela Portela, que

Leia mais

N o 4.406/2014-AsJConst/SAJ/PGR

N o 4.406/2014-AsJConst/SAJ/PGR N o 4.406/2014-AsJConst/SAJ/PGR Arguição de descumprimento de preceito fundamental 292/DF Relator: Ministro Luiz Fux Requerente: Procuradoria-Geral da República Interessado: Ministério da Educação Arguição

Leia mais

PROJETO DE LEI Nº 5.237, DE 2013 (Apenso: Projeto de Lei nº 385, de 2015)

PROJETO DE LEI Nº 5.237, DE 2013 (Apenso: Projeto de Lei nº 385, de 2015) PROJETO DE LEI Nº 5.237, DE 2013 (Apenso: Projeto de Lei nº 385, de 2015) Acrescenta inciso V ao art. 3º da Lei 9.474, de 22 de agosto de 1997, e inciso VI e parágrafo único ao art. 7º da Lei nº 6.815,

Leia mais

VISTOS, relatados e discutidos os autos acima referenciados.

VISTOS, relatados e discutidos os autos acima referenciados. 4* 'L, Á `4'INI ~nu Pd Estado da Paraíba Poder Judiciário Tribunal de Justiça Gabinete do Des. Marcos Antônio Souto Maior ACÓRDÃO APELAÇÃO CÍVEL N 001.2008.001148-7/001 - CAMPINA GRANDE RELATOR : Juiz

Leia mais

PROPONENTE: CONSELHEIRO WALTER DE AGRA JÚNIOR- PRESIDENTE DA COMISSÃO DA INFÂNCIA E JUVENTUDE JUSTIFICATIVA

PROPONENTE: CONSELHEIRO WALTER DE AGRA JÚNIOR- PRESIDENTE DA COMISSÃO DA INFÂNCIA E JUVENTUDE JUSTIFICATIVA PROPOSTA DE RECOMENDAÇÃO PROPONENTE: CONSELHEIRO WALTER DE AGRA JÚNIOR- PRESIDENTE DA COMISSÃO DA INFÂNCIA E JUVENTUDE JUSTIFICATIVA A Recomendação ora apresentada se faz necessária para que o Ministério

Leia mais

CONSTRUINDO A IGUALDADE DE GÊNERO NOS SERVIÇOS DE SAÚDE SOB A ÓTICA DA ENFERMAGEM: UM OLHAR SOBRE A HUMANIZAÇÃO NO PROCESSO DE ABORTAMENTO

CONSTRUINDO A IGUALDADE DE GÊNERO NOS SERVIÇOS DE SAÚDE SOB A ÓTICA DA ENFERMAGEM: UM OLHAR SOBRE A HUMANIZAÇÃO NO PROCESSO DE ABORTAMENTO CONSTRUINDO A IGUALDADE DE GÊNERO NOS SERVIÇOS DE SAÚDE SOB A ÓTICA DA ENFERMAGEM: UM OLHAR SOBRE A HUMANIZAÇÃO NO PROCESSO DE ABORTAMENTO JOÃO PAULO LOPES DA SILVA - jplopes_pb@hotmail.com MARIA ZÉLIA

Leia mais

(PROCURADORA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL) Excelentíssimo Presidente do Supremo Tribunal Federal,

(PROCURADORA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL) Excelentíssimo Presidente do Supremo Tribunal Federal, A SRA. JANAÍNA BARBIER GONÇALVES (PROCURADORA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL) Excelentíssimo Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes, na pessoa de quem cumprimento as demais autoridades

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br BuscaLegis.ccj.ufsc.Br Reflexo da Legalização do Aborto Na Sociedade Helilsa Silva de Mattos* INTRODUÇÃO O início da vida começa na concepção já é pacífico e aceito pelos defensores da vida, pela ciência

Leia mais