Ciência e controvérsias públicas O aborto

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1 AGRUPAME TO DE ESCOLAS DE ALFE A TEXTOS E I FORMAÇÕES STC S G7 DR3 Ciência e controvérsias públicas O aborto Um aborto ou interrupção da gravidez é a remoção ou expulsão prematura de um embrião ou feto do útero, resultando na sua morte ou sendo por esta causada. Isto pode ocorrer de forma espontânea ou artificial, provocando-se o fim da gestação, e consequentemente o fim da vida do feto, mediante técnicas médicas, cirúrgicas entre outras. Após 180 dias (seis meses) de gestação, quando o feto já é considerado viável, o processo tem a designação médica de parto prematuro. A terminologia "aborto", entretanto, pode continuar a ser utilizada em geral, quando refere-se à indução da morte do feto. Através da história, o aborto foi provocado por vários métodos diferentes e seus aspectos morais, éticos, legais e religiosos são objeto de intenso debate em diversas partes do mundo. Tipos de aborto Aborto espontâneo: aborto devido a uma ocorrência acidental ou natural. A maioria dos abortamentos espontâneos é causada por uma incorreta replicação dos cromossomos e por fatores ambientais. Também por ser denominado aborto involuntário ou casual. Aborto induzido: aborto causado por uma ação humana deliberada. Também é denominado aborto voluntário ou procurado, ou ainda, interrupção voluntária da gravidez. O aborto induzido possui as seguintes subcategorias: Aborto terapêutico aborto provocado para salvar a vida da gestante; para preservar a saúde física ou mental da mulher; para dar fim à gestação que resultaria numa criança com problemas; congênitos que seriam fatais ou associados com enfermidades graves; para reduzir seletivamente o número de fetos para diminuir a possibilidade de riscos associados a gravidezes múltiplas. Aborto eletivo: aborto provocado por qualquer outra motivação.

2 Quanto ao tempo de duração da gestação: Aborto subclínico: abortamento que acontece antes de quatro semanas de gestação; Aborto precoce: entre quatro e doze semanas; Aborto tardio: após doze semanas. Legislação em Portugal O aborto em Portugal, também denominado interrupção voluntária da gravidez, foi legalizado por referendo em 2007 e é permitido até às 10 semanas de gravidez a pedido da mulher independentemente das razões. A interrupção voluntária de gravidez é permitida até às dez semanas de gestação a pedido da grávida podendo ser realizada no sistema nacional de saúde ou, em alternativa, em estabelecimentos de saúde privados autorizados. A Lei nº 16/2007 de 17 de Abril indica que é obrigatório um período mínimo de reflexão de três dias e tem de ser garantido à mulher "a disponibilidade de acompanhamento psicológico durante o período de reflexão" e "a disponibilidade de acompanhamento por técnico de serviço social, durante o período de reflexão" quer para estabecimentos públicos quer para clínicas particulares. A mulher tem de ser informada "das condições de efectuação, no caso concreto, da eventual interrupção voluntária da gravidez e suas consequências para a saúde da mulher" e das "condições de apoio que o Estado pode dar à prossecução da gravidez e à maternidade;". Também é obrigatório que seja providenciado "o encaminhamento para uma consulta de planeamento familiar." Permitida até às dezesseis semanas em caso de violação ou crime sexual (não sendo necessário que haja queixa policial). Permitida até às vinte e quatro semanas em caso de malformação do feto. Permitida em qualquer momento em caso de risco para a grávida ("perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida") ou no caso de fetos inviáveis. Nas situações permitidas a interrupção voluntária da gravidez pode ser realizada quer em estabelecimentos públicos quer em clínicas particulares devidamente autorizadas. As mulheres que tenham realizado uma interrupção voluntária da gravidez ou tenham tido um aborto espontâneo têm direito a licença por um mínimo de 14 dias e um máximo de 30 dias. O aborto provocado por terceiros sem consentimento da grávida é punível com 2 anos de prisão, e com 3 no caso de consentimento da grávida. Estas penas são aumentadas

3 em caso de "morte ou ofensa à integridade física grave da mulher grávida", ou no caso de tal prática ser habitual. A própria mulher grávida que faça uma interrupção voluntária da gravidez ilegal é punível com 3 anos de prisão. Quando começa a vida? Uma das questões fulcrais na discussão do aborto diz respeito ao início da vida. Afinal, quando podemos considerar que se trata de vida humana e não apenas de uma "massa de células"? Ao contrário do que habitualmente se pensa a definição do início da vida não é apenas uma questão filosófica. A biologia tem um peso crucial nesta definição. E o que dizem os cientistas? Há várias opiniões. Vamos analisar cada uma delas: 1. A vida humana começa com a fecundação. É a mais aceite. O que define um ser vivo é o seu ADN e este forma-se no momento da fecundação. Durante toda a gestação, nada mais é acrescentado ao embrião ou ao feto. Com os nutrientes fornecidos pela mãe, ele desenvolve ou seus órgãos e aumenta o seu tamanho. 2. A vida humana começa com a nidação. É uma opinião bastante comum. Fundamenta-se no facto de ser a partir deste momento que os movimentos celulares se iniciam dando origem aos órgãos, ou seja, é partir daqui que o embrião adquire forma humana. Também é nesta altura que o embrião se liga à mãe, deixando de ter apenas potencial para ser um ser humano e passando a desenvolver esse potencial. Tudo isto ocorre a partir do 4º dia após a fecundação. 3. A vida humana começa com o bater do coração. O coração já bate desde as 4 semanas. 4. A vida humana começa com o estado de feto. Passar de embrião a feto significa a conclusão da formação da generalidade dos órgãos. A partir daqui, o feto praticamente só aumenta de volume. A maior parte dos cientistas é da opinião que a passagem de embrião a feto ocorre às 8 semanas. 5. A vida humana começa quando está formado o sistema nervoso central.

4 Na 5ª semana de gestação, o embrião já apresenta movimentos involuntários, o que indica actividade do SNS. O desenvolvimento do sistema nervoso só se conclui durante a adolescência. Fará então sentido postular o início da vida humana com base na formação do sistema nervoso? 6. A vida humana começa com capacidade de ser consciente de si próprio. Muitos cientistas e psicólogos opinam que só aos 18 meses se tem consciência de si próprio. António Damásio opina que a consciência de si próprio surge muito antes. Um paciente em estado de coma ou um deficiente profundo possuem consciência de si próprios? Se a resposta for não, significa que não são vida humana? Um feto com 6 meses possui consciência de si próprio? Se a resposta for não, significa que se pode abortar com 6 meses? 7. A vida humana começa com o nascimento. Esta era a posição dominante durante a Idade Média e grande parte dos séculos que lhe seguíram. Hoje em dia não tem qualquer fundamento. Bases biológicas do início da vida humana Entrevista com a doutora Anna Giuli, bióloga molecular: (Por: Doutora Anna Giuli, Bióloga molecular e professora de Bioética na Faculdade de Medicina da Universidade Católica do Sagrado Coração (Roma). A doutora Anna Giuli publicou um livro com o título Início da vida humana individual. Bases biológicas e implicações bioéticas ( Inizio della vita umana inviduale. Basi biologiche e implicazioni bioetiche, Edizioni ARAC E). Estas palavras foram retiradas de uma entrevista que concedeu a Zenit) Por que se fala tanto da questão da vida humana pré-natal? A vida humana pré-natal continua a ser um tema crucial para nossa sociedade, chamada a confrontar-se com os desafios de levar a cabo precoces intervenções terapêuticas e diagnósticos sobre o embrião e sobre o feto. A produção de embriões in vitro para a superação da esterilidade ou de riscos genéticos, a utilização de embriões para obter células estaminais para seu emprego no âmbito da medicina regenerativa, a pesquisa com embriões com fins de investigação ou sua clonagem, são alguns dos mais discutidos filões biomédicos, que têm como protagonista o indivíduo humano nas fases precoces de seu desenvolvimento. Quem é o embrião humano? É um sujeito, um objecto, um simples amontoado de células? Que valor tem a vida humana precoce? É

5 lícito manipulá-la ao menos nos primeiros estágios de seu desenvolvimento? Que grau de tutela outorgar-lhe? Estes são os interrogantes que vão no centro do actual debate sobre o início da vida humana; poder proporcionar uma resposta amplamente compartilhada é fundamental pelas relevantes implicações não só no campo de saúde, mas para toda a sociedade e para o próprio futuro do homem. Estas questões não só interpelam o biólogo, o especialista em bioética ou o legislador, mas cada um de nós, simples cidadãos, chamados a expressar-nos em matérias delicadas e complexas, como sucedeu no ano passado com o tema da fecundação artificial (na Itália. NR) ou como está ocorrendo nestes meses, com a pesquisa sobre a pílula abortiva RU486. O amplo debate, frequentemente com tons confusos, suscitado por estes temas, revelou a necessidade de uma informação cada vez mais clara e objectiva para enfrentar com conhecimento e consciência crítica os novos desafios éticos e sociais do progresso biotecnológico. É, por isso, importante esclarecer antes de tudo a natureza biológica do ser humano e das suas origens, graças à contribuição dos numerosos estudos embriológicos, genéticos e biomoleculares que nos últimos anos permitiram descobrir os mecanismos mais íntimos do desenvolvimento inicial do indivíduo humano. O que se entende por início da vida humana individual? Algumas correntes de pensamento afirmam que a existência de um indivíduo humano verdadeiro ao qual pode-se dar nome e apelido começa num momento sucessivo em relação à concepção, e que até esse momento aquela vida humana não pode ter a dignidade, ou ainda o valor (e portanto a tutela) de qualquer outra pessoa. Na biologia cada indivíduo identifica-se no organismo cuja existência coincide com seu ciclo vital, isto é, a extensão no espaço e no tempo da vida de uma individualidade biológica. A origem de um organismo biológico coincide, portanto, com o início de seu ciclo vital: é o início de um ciclo vital independente o que define o início de uma nova existência biológica individual que se desenvolverá no tempo atravessando várias etapas até chegar à maturidade e depois à conclusão de seu arco vital com a morte. Sobre a base dos dados científicos disponíveis actualmente, é portanto importante analisar a possibilidade de identificar o evento crítico que marca o início de um novo ciclo vital humano. Quando começa a vida? - Dr.ª. Giuli: Um novo indivíduo biológico humano, original em relação a todos os exemplares de sua espécie, inicia o seu ciclo vital no momento da penetração do espermatozóide no ovócito. A fusão dos gâmetas masculino e feminino (chamada também singamia ) marca o primeiro passo generacional, isto é, a transição entre os gâmetas que podem considerar-se uma ponte entre as gerações e o organismo humano não-formado. A fusão dos gâmetas representa um evento crítico de descontinuidade porque marca a constituição de uma nova individualidade biológica, qualitativamente diferente dos gâmetas que a geraram.

6 Em particular, a entrada do espermatozóide no ovócito provoca uma série de acontecimentos, estimáveis do ponto de vista bioquímico, molecular e morfológico, que induzem a activação de uma nova célula o embrião unicelular e estimulam a primeira cascata de sinais do desenvolvimento embrionário; entre as muitas actividades desta nova célula, as mais importantes são a organização e a activação do novo genoma, que ocorre graças à actividade coordenada dos elementos moleculares de origem materna e paterna (fase pronuclear). O novo genoma está, portanto, já activo no estágio pronuclear assumindo de imediato o controle do desenvolvimento embrionário; já no estágio de uma só célula (zigoto) se começa a estabelecer como sucederá o desenvolvimento sucessivo do embrião, e a primeira divisão do zigoto influi no destino de cada uma das duas células que se formarão; uma célula dará origem à região da massa celular interna ou embrioblasto (de onde derivarão os tecidos do embrião) e a outra ao trofoblasto (de onde derivarão os tecidos envolvidos na nutrição do embrião e do feto). A primeira divisão do zigoto influi, portanto, no destino de cada célula e, em definitivo, de todos os tecidos do corpo. Estas evidências declaram que não é possível dar espaço à ideia de que os embriões precoces sejam um monte indiferenciado de células. Alguns fenómenos, como a possibilidade de formar os gémeos monozigóticos durante as primeiras fases do desenvolvimento embrionário, não anulam a evidência biológica da individualidade estabelecida na fusão dos gâmetas; em todo o caso trazem à luz a capacidade de compensação de eventuais danos ou erros no programa de evolução embrionária. O embrião humano precoce é um sistema harmónico no qual todas as partes potencialmente independentes funcionam juntas para formar um único organismo. Em conclusão, dos dados da biologia até hoje disponíveis evidencia-se que o zigoto ou embrião unicelular se constitui como uma nova individualidade biológica já na fusão dos dois gâmetas, momento de ruptura entre a existência dos gâmetas e a formação do novo indivíduo humano. Desde a formação do zigoto se assiste a um constante e gradual desenvolvimento do novo organismo humano que evoluirá no espaço e no tempo seguindo uma orientação precisa sob o controle do novo genoma já activo no estágio pronuclear (fase precoce do embrião unicelular). O progresso biotecnológico influiu tanto no nosso modo de pensar e nos nossos estilos de vida que frequentemente se ouve falar de terceira cultura. De que se trata? Alguns sociólogos definiram a cultura contemporânea como a terceira cultura, na qual tem predomínio a tecnologia. Entre os princípios desta nova cultura fundamental está a ideia de que não há nada fora do universo tangível, que o homem é um organismo não qualitativamente diferente de qualquer outro animal e, portanto, reduzido só à sua realidade corpórea. No campo científico afirma-se que a ciência e a tecnologia são nossas: já que a essência da ciência é a objectividade, todo obstáculo ao progresso científico é como uma limitação a tal objectividade; como consequência não devem pôr-se restrições à actividade científica e ao progresso tecnológico. Fala-se de ciência do possível, que considera justo e bom tudo o que é tecnicamente possível e que não aceita mensagens

7 de orientação ou de estímulo por parte de sistemas de pensamento de ordem antropológica ou ética. Se o homem e toda a realidade biológica são fruto de uma evolução cega, não existem critérios segundo os quais conformar a actuação, e toda a realidade natural é só matéria à disposição do homem. Consequentemente, tudo o que é possível se converte em lícito e todo o limite é um obstáculo que há que se superar. Daí resulta um grande impulso a não orientar-se por princípios éticos, em outras palavras, pelo sentido de responsabilidade. Uma atitude que pode ser muito perigosa. Ao crescimento das possibilidades de auto-manipulação do homem, deverá corresponder um igual desenvolvimento de nossa força moral para nos permitir proteger e tutelar a liberdade e dignidade própria e alheia. Por que se diz que o embrião humano tem dignidade própria? - Dr.ª. Giuli: Na nossa cultura está a mudar o sentir comum em respeito ao ser humano, sobretudo nos momentos mais emblemáticos e vulneráveis de sua existência, induzindo uma tendência para um gradual desalojamento do valor da vida que cada vez vai arraigando mais no tecido social e legislativo da cultura ocidental, historicamente berço dos direitos humanos. Segundo esta tradição cultural, como se afirma entre outros lugares no Preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, o ser humano é o valor do qual se originam e para o qual se dirigem todos os direitos fundamentais; qualquer outro critério de ordem cultural, política, geográfica ou ideológica resultaria redutivo e arbitrário. A pertença à espécie humana é o elemento suficiente para atribuir a cada um a sua dignidade. A tradição cultural dos direitos humanos teve, também, uma profunda incidência na reflexão biomédica contribuindo à afirmação mais vigorosa dos direitos do homem também na medicina, através da elaboração dos códigos de deontologia médicoprofissionais e do desenvolvimento dos direitos do doente para lhe assegurar a autonomia e evitar abusos indevidos. É, no entanto, oportuno não desconhecer esta tradição e valorizar suas lógicas consequentes em relação ao tema do início da vida humana no âmbito biomédico. O embrião humano precoce é um indivíduo em acto com a identidade própria da espécie humana à qual pertence, e consequentemente devem ser reconhecidos seus direitos de sujeito humano e a sua vida deve ser plenamente respeitada e protegida. Aborto: Que diz a ciência? No século XIX descobriu-se que a partir da concepção tínhamos um novo ser humano e que, por isso, o aborto consistia em matar deliberadamente um ser humano inocente. Interessa, pois, saber se desde então foi feita alguma descoberta científica que anulasse ou questionasse as descobertas desse século.

8 Os livros a seguir citados são usados em cerca de 80% das Faculdades de Medicina dos Estados Unidos da América e em muitos outros países do mundo. Os sublinhados foram acrescentados ao texto. Zigoto. Esta célula resulta da fertilização de um oócito por um espermatozóide e é o início de um ser humano Cada um de nós iniciou a sua vida como uma célula chamada zigoto. (K. L Moore. The Developing Human: Clinically Oriented Embryology (2nd Ed., 1977), Philadelphia: W. B. Saunders Publishers) Da união de duas dessas células [espermatozóide e oócito] resulta o zigoto e inicia-se a vida de um novo indivíduo. Cada um dos animais superiores começou a sua vida como uma única célula. (Bradley M. Palten, M. D., Foundations of Embryology (3rd Edition, 1968), New York City: McGraw-Hill.) A formação, maturação e encontro de uma célula sexual feminina com uma masculina, são tudo preliminares da sua união numa única célula chamada zigoto e que definitivamente marca o início de um novo indivíduo. (Leslie Arey, Developmental Anatomy (7th Edition, 1974). Philadelphia: W. B. Saunders Publishers) O zigoto é a célula inicial de um novo indivíduo. (Salvadore E. Luria, M. D., 36 Lectures in Biology. Cambridge: Massachusetts Institule of Technology (MIT) Press) Sempre que um espermatozóide e um oócito se unem, cria-se um novo ser que está vivo e assim continuará a menos que alguma condição específica o faça morrer: (E. L. Potter, M. D., and J. M. Craig, M. D Palhology of lhe Fetus and lhe lnfant, 3rd Edition. Chicago: Year Book MedicaI Publishers, 1975.) O zigoto ( ) representa o início de uma nova vida. (Greenhill and Freidman s, Biological Principies and Modem Practice of Obstetrics) Como já se disse o valor científico destas afirmações é inquestionável, pois constam dos livros adoptados pela maioria das Faculdades de Medicina dos EUA. Em 1971 o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA pediu a mais de duzentos cientistas, entre os mais prestigiados especialistas americanos, que elaborassem um relatório sobre o desenvolvimento embrionário. Esse documento diz o seguinte: Desde a concepção a criança (1) é um organismo complexo, dinâmico e em rápido crescimento. Na sequência de um processo natural e contínuo o zigoto irá, em aproximadamente nove meses, desenvolver-se até aos triliões de células do bebé recémnascido. O fim natural do espermatozóide e do óvulo é a morte, a menos que a fertilização ocorra. No momento da fertilização um novo e único ser é criado, o qual, embora recebendo metade dos seus cromossomas de cada um dos progenitores, é completamente diferente deles. (Amicus Curiae, 1971 Motion and Brief Amicus Curiae of Certain Physicians, Professors and Fellows of the American College of Obstetrics and Gyneco1ogy, Supreme Court of the United States, October Term, 1971, No , Roe v. Wade, and No , Doe v. Bolton.) Em 1981 o Senado dos EUA estudou a chamada Human Life Bill. Para o efeito ouviu durante oito dias os maiores especialistas do mundo na questão (americanos e não só). Ao todo foram feitos cinquenta e sete depoimentos. No final, o relatório oficial dizia o seguinte:

9 Médicos, biólogos e outros cientistas concordam em que a concepção marca o início da vida de um ser humano um ser que está vivo e que é membro da nossa espécie. Há uma esmagadora concordância sobre este ponto num sem-número de publicações de ciência médica e biológica. (Report. Subcommittee on Separation ofpowers to Senate Judiciary Committee th Congress. 1st Session p. 7.). Conclusão A partir do momento da concepção, do ponto de vista biológico, temos um ser vivo. A expressão ser vivo, aparece nesta frase com o mesmo valor e significado com que aparece na frase A Rainha de Inglaterra, do ponto de vista biológico, é um ser vivo. Este ser vivo está individualizado. Este ser vivo pertence a uma espécie definida: a espécie à qual pertencem todos os seres humanos. Portanto, A partir do momento da concepção, do ponto de vista biológico, temos um ser vivo, individualizado e humano. Estas palavras têm todas exactamente o mesmo valor e significado com que aparecem na afirmação A Rainha de Inglaterra, do ponto de vista biológico, é um ser vivo, individualizado e humano. Está completamente fora de dúvidas que o aborto mata um ser humano. Aos defensores do aborto resta explicar como se pode defender a morte arbitrária de seres humanos inocentes. No original: From conception the child ( ). Muitas pessoas pretendem que o aborto não mata um bebé: o que mata é um feto. É curioso notar que duzentos especialistas americanos elaboraram um texto onde começam por se referir à criança e não ao feto ou ao zigoto. Também no livro de Baruch Brody, Abortion and the Sanatity of Human Life, MIT Press, 1975, ele afirma que enquanto não conseguir distinguir feto de criança rejeitará a palavra feticídio usando indistintamente a palavra homicídio. Sites consultados:

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