INVENTÁRIO DE PATRIMÓNO ARQUEOLÓGICO E DE ALGUNS VALORES ARQUITECTÓNICOS DO CONCELHO DE TORRE DE MONCORVO. Volume I. Relatório

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1 INVENTÁRIO DE PATRIMÓNO ARQUEOLÓGICO E DE ALGUNS VALORES ARQUITECTÓNICOS DO CONCELHO DE TORRE DE MONCORVO Volume I Relatório PROJECTO ARQUEOLÓGICO DA REGIÃO DE MONCORVO 2008

2 Índice Geral: Volume I Ficha Técnica Relatório: 1 Introdução 1 2 Breve historial do trabalho realizado e da investigação arqueológica no concelho de Torre de Moncorvo 3 3 Objectivos (critérios de inclusão) e metodologia Peças do Inventário, Ficha e Descritores 6 5 O Ficheiro: algumas conclusões sobre o Património Arqueológico e Arquitectónico do concelho de Torre de Moncorvo recenseado até à data Notas finais e algumas recomendações :27 ANEXOS Volume II - Ficheiro 1ª Parte Índice geral dos Sítios e Construções Ficheiro (de A a H): Açoreira Adeganha Cabeça Boa Cardanha Carviçais Castedo Felgar Felgueiras Horta da Vilariça Volume III - Ficheiro 2ª Parte Ficheiro/continuação (de L a U): Larinho Lousa Mós Peredo dos Castelhanos Souto da Velha Torre de Moncorvo Urros Chave de Leitura Bibliografia

3 FICHA TÉCNICA: AUTORIA GERAL: PARM Projecto Arqueológico da Região de Moncorvo ELABORAÇÃO E REVISÃO DE FICHAS (2008): Nelson Campos e Rui Leonardo BASES DE IMAGEM SATÉLITE: para localização dos sítios foi utilizada a imagem de satélite do IGP/DGRF, datada de 2006, disponibilizada por internet através do Google Earth Esta utilização tem por fim apenas este trabalho, salvaguardando-se a autoria e propriedade das referidas entidades, a quem deverá ser pedida a autorização para a respectiva reprodução. CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS: salvo indicação em contrário as fotografias colocadas nas fichas pertencem ao Arquivo Fotográfico do PARM ou são da autoria de Nelson Campos ou Rui Leonardo DIGITALIZAÇÃO de imagens fotográficas e outra colaboração: António Botelho e Fátima Dias TRABALHOS DE CAMPO: além de novos sítios que foram identificados e registados nos últimos anos, nomeadamente por Nelson Campos, Miguel Rodrigues, Higino Tavares e Rui Leonardo, o presente inventário teve o contributo, entre 1983 e 1993, dos seguintes elementos: Alexandra Cerveira Lima, António Paulo Amaral, Carlos Abreu Ferreira, Higino Tavares, Joaquim Henriques, Miguel Rodrigues, Nelson Rebanda, Paulo Dordio Gomes, Ricardo Jorge Teixeira, entre outros, identificados nas respectivas fichas por iniciais, sempre que foi possível determinar a sua colaboração. AGRADECIMENTOS: aos associados do PARM e outras pessoas que colaboraram directa ou indirectamente para que este trabalho fosse possível, sobretudo os inúmeros informadores, muitos deles pastores ou lavradores anónimos de todo o concelho de Torre de Moncorvo. Na impossibilidade de os referirmos a todos registemos, contudo, o nome do nosso principal informador e sócio honorário do PARM, o Sr. Alberto Fernandes Castelo, entretanto já falecido. Aqui fica a nossa homenagem.

4 1 1 Introdução A presente versão do Inventário Arqueológico do Concelho de Torre de Moncorvo, destinada a integrar o novo PDM deste concelho, corresponde a uma actualização de uma versão anterior, entregue pelo PARM (Projecto Arqueológico da Região de Moncorvo) ao Município de Torre de Moncorvo, em 1993, para inclusão no primeiro PDM, ratificado por resolução do Conselho de Ministros n.º 24/95 e publicado no DR de 23 de Março de Foi, nessa ocasião, estabelecido um protocolo entre a CMTM e a associação do PARM, para cedência de toda a informação por esta recolhida, através de inventariação sistemática, dos sítios arqueológicos referenciados e descobertos, tendo em vista a sua preservação e valorização, devendo, em contrapartida, efectuar-se a publicação do referido inventário, o que, esperamos, venha a concretizar-se desta feita. Para esta nova versão, foi elaborada uma nova ficha, mais completa, com indicações sobre o estado de conservação, a relevância e recomendações, o que nos pareceu fundamental, na óptica da gestão do Património. Relativamente ao conjunto de sítios arqueológicos anteriormente mencionados, foram feitos alguns ajustamentos, corrigindo-se algumas designações. Houve sítios arqueológicos e elementos patrimoniais que figuravam em determinadas freguesias e que agora, consultando-se os limites definidos na cartografia digital do SIG (Sistemas de Informação Geográfica) em uso pelos serviços técnicos do Município, tiveram de transitar para as freguesias vizinhas, pese embora estes novos limites administrativos, em alguns casos, serem algo discrepantes dos antigos termos. Foram ainda acrescentados novos sítios arqueológicos entretanto descobertos e alguns valores arquitectónicos que se consideraram de maior interesse (sobretudo os que estavam classificados), embora sem pretensão de exaustividade, quanto a estes. Actualizou-se a

5 2 situação de alguns imóveis entretanto classificados ou em vias de classificação. Não tivemos a pretensão da exaustividade quanto à inclusão de todo o património recenseável, de que resultaria um documento extremamente pesado e de complexa gestão. Não se considerou, por exemplo, a totalidade dos sítios e valores patrimoniais que serão submersos pela albufeira do Baixo Sabor, já que, uma vez submersos, deixarão de ter interesse em termos da sua gestão. Mantivemos, todavia, os que já constavam no anterior inventário, e outros que, pelo seu excepcional interesse, como, por exemplo, a gravura rupestre do Ribeiro da Sardinha, deveriam ser acautelados durante a fase de obra. Também foram mantidos alguns sítios/valores patrimoniais entretanto destruídos ou afectados, como referência para outras ocorrências que possam acontecer nas imediações, uma vez que os vestígios, ainda que revolvidos (no caso de surribas ou lavras profundas) podem ter restado no terreno, ainda que sem contexto estratigráfico. Interessa também posicionar estes sítios pelo interesse científico da sua localização, no sentido de se compreenderem as redes de povoamento antigas. Desde a anterior versão do PDM (1994), o caso mais grave (de que temos conhecimento) foi a destruição do sítio pré-histórico dos Apostolónios (freguesia de Torre de Moncorvo) devido a um projecto de florestação, apesar de constar na listagem e cartografia que fornecemos em Situações há, porém, de achados verdadeiramente inesperados, e que só certas obras vêm revelar, apesar de também os poderem destruir. Foi o caso, por exemplo, de umas estruturas graníticas a mais de 1,5 metros de profundidade, no Barral dos Quinhões, no sopé do Cabeço da Portela, do lado Oeste, descobertas aquando da abertura de umas valas de sondagem geológica, pelo Instituto Superior Técnico (Lisboa), com objectivos de estudos geotectónicos solicitados pela EDP. Terão ainda sobrado vestígios que jazem enterrados sob a camada aluvial, neste cabeceiro da Vilariça, e que devem ser estudados antes de se rasgar o novo troço do IP2, que deverá passar na vertente sobranceira a este ponto. Como se constata, a probabilidade de ocorrência de novos sítios arqueológicos, ou a possibilidade de se virem a incluir outros imóveis, ao nível do Património Arquitectónico (o que, só por si justificaria um estudo em separado), é notória. Como escrevemos na introdução do levantamento do Património entregue em 1993: Um inventário arqueológico de um concelho por mais sistemático e exaustivo que procure ser, tem de ser encarado sempre como um documento em aberto, em que, a qualquer momento, podem ser acrescentados novos dados e sítios arqueológicos. Importa, para este efeito, intensificar a prospecção em certas áreas do concelho menos conhecidas. Por isso, deve ser prevista a possibilidade de uma actualização anual deste inventário, de acordo com a actualização da nossa base de dados.

6 3 2 Breve historial do trabalho realizado e da investigação arqueológica no concelho de Torre de Moncorvo O levantamento de sítios arqueológicos que integra o presente inventário, decorre de trabalhos de prospecção arqueológica sistemática iniciados em 1981 por N. Rebanda, no âmbito de um trabalho académico do curso de História/variante Arqueologia da FLUP. Em 1983, o mesmo, juntamente com outros colegas de curso (M. Rodrigues, P. Dordio Gomes, R. Teixeira, A. Lima, entre outros), com o apoio do então Serviço Regional de Arqueologia da Zona Norte do IPPC, dão continuidade aos trabalhos iniciados anteriormente, no âmbito do levantamento da Carta Arqueológica Nacional, então em curso, tendo-se realizado acções de campo durante os períodos de férias académicas, até A partir de 1986/87, após a institucionalização do PARM, deu-se início a uma fase de sondagens arqueológicas em vários sítios do concelho, passando os trabalhos de prospecção a ser realizados de forma mais pontual até ao final dos anos 90. Da década de 90 ao momento actual foram verificados e acrescentados novos sítios, à medida das informações que nos iam chegando, de colaboradores locais ou de outros habitantes do concelho. É preciso dizer que este levantamento beneficiou de um conhecimento acumulado ao longo de mais de 100 anos, desde os primeiros trabalhos sobre arqueologia do concelho, na década de 90 do séc. XIX, pelo Pe. José Augusto Tavares ( ), abade de Carviçais, com alguns artigos publicados na recém-fundada revista O Archeologo Portuguez, para não falar de uma ou outra notícia de antiquários anteriores, sem carácter de continuidade 1. Ainda na primeira metade do séc. XX, o Prof. J. R. dos Santos Júnior ( ), com a publicação, em 1929, de um opúsculo sobre o Castro da Cigadonha, e de outros trabalhos, nos anos 30 (artigos sobre o chamado Castro do Baldoeiro ), viria a interessar-se pontualmente pela arqueologia da região, culminando no seu grande estudo sobre os berrões transmontano-beirões, em que inclui os exemplares achados pelo Abade Tavares no Olival dos Berrões (freguesia de Cabeça Boa, concelho de Torre de Moncorvo), depositados no Museu Nacional de Arqueologia (Lisboa). No início da década de 60, o Prof. Adriano Vasco Rodrigues e sua esposa Dra. Maria da Assunção Carqueja Rodrigues publicam os primeiros estudos relacionados com a arqueologia do ferro de Torre de Moncorvo, chamando a atenção para os grandes amontoados de escórias em redor da Serra do 1 O facto mais relevante, que constitui, talvez, o marco inicial da História da Arqueologia no concelho de Torre de Moncorvo, foi o achado da Ara dedicada a Júpiter e à Civitas Baniensium, no Baldoeiro, por volta de 1845 (noticiada por Francisco António Carneiro de Magalhães, na Revista Universal Lisbonense, 1845)

7 4 Roboredo, vulgo escoriais, chegando mesmo a empreender escavações num deles. O mesmo investigador (A.V.R.), juntamente com D. Domingos de Pinho Brandão, promove, por essa época, uma missão arqueológica na Vilariça, tendo registado várias inscrições romanas. Verifica-se depois um prolongado hiato no desenvolvimento da arqueologia local, que só é quebrada com os trabalhos do PARM. A nossa principal dificuldade foi identificar no terreno alguns dos locais anteriormente mencionados, pois, à excepção de um artigo do Prof. Adriano Vasco Rodrigues, os autores precedentes não procediam à representação cartográfica dos sítios arqueológicos a que se referiam, até pela indisponibilidade de mapas em escala conveniente 2. Pela mesma ocasião em que surgia o PARM, a ex-empresa mineira Ferrominas sob a orientação do Dr. Jorge Custódio, promoveu, entre , um levantamento dos antigos escoriais de ferro do concelho, em especial na zona circundante da Serra do Roboredo/Cabeço da Mua, procedendo à sua localização cartográfica e, em alguns casos, levantamento topográfico das áreas de dispersão de vestígios. Esta informação seria posteriormente incorporada no inventário arqueológico do concelho, sendo uma das especificidades do mesmo, a que teremos de associar o restante Património Mineiro, tendo em consideração a importância das minas de ferro de Moncorvo e a existência do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo. Nos últimos anos, face à realização de diversos empreendimentos públicos de grande impacto no território foram feitos levantamentos arqueológicos, nomeadamente na área a submergir pela albufeira do Baixo Sabor (1997/98, depois continuado), na ligação de Torre de Moncorvo ao IP2 (1998) e, mais recentemente, ao longo do traçado do IP2, desde o nó da Junqueira até ao atravessamento do Douro, na zona do Pocinho. Enquanto os dois primeiros foram trabalhos que incluíram uma prospecção de terreno bastante intensiva, o terceiro baseou-se sobretudo na listagem dos sítios arqueológicos conhecidos, disponibilizados até on-line pelo ex-ipa, que os obteve, na sua esmagadora maioria, das bases de dados do ex-ippar, que, por sua vez os herdara do SRAZN/IPPC. E, como vimos, no que respeita ao concelho de Torre de Moncorvo, foi neste último serviço que o PARM depositou a informação que fora sistematizando e recolhendo, nos anos As referências geográficas desses arqueólogos pioneiros baseava-se no conhecimento que as populações tinham sobre o território, muito mais directo e generalizado do que na actualidade. Por outro lado, a democratização do uso da cartografia a uma escala suficiente para representar os pontos de interesse arqueológicos, só se começa a generalizar a partir da década de 60, com a Carta Corográfica de Portugal, à escala 1:50.000, baseada na Carta Militar à escala 1:25.000, de uso mais reservado atendendo aos seus fins militares. Por exemplo, as folhas 11C e 11D da Carta 1:50.000, que cobrem a maior parte do concelho de Torre de Moncorvo, só foram publicadas em 1962.

8 5 3 Objectivos (critérios de inclusão) e metodologia: Como principais objectivos deste levantamento, independentemente da sua utilização como instrumento de salvaguarda no âmbito do PDM concelhio, temos a destacar, desde a sua elaboração inicial: 1 A caracterização prévia da ocupação humana na área do actual concelho de Torre de Moncorvo, ao longo dos tempos, a partir dos dados de superfície (objectivo científico inicial); 2 Reconhecimento das potencialidades arqueológicas do concelho para a preparação de intervenções arqueológicas a desenvolver posteriormente no âmbito de projectos de investigação específicos (objectivo científico de 2.ª fase) como foi o caso do projecto: A Região de Torre de Moncorvo na Idade Média ( ), no âmbito do qual se fizeram várias escavações arqueológicas (Baldoeiro, Vila Velha e Castelo de Torre de Moncorvo); 3 Protecção e salvaguarda dos sítios e vestígios arqueológicos e outros valores patrimoniais, para memória futura (na perspectiva de legado às gerações vindouras); 4 Utilização de alguns elementos inventariados e estudos científicos realizados sobre os mesmos tendo em vista o seu aproveitamento para a recuperação patrimonial e valorização, numa óptica de fruição turística (turismo cultural) e como elementos de identidade para as populações locais. 5 Na mesma linha do ponto anterior, e com mais actualidade, muitos destes locais, sobretudo os de interesse etnográfico (caminhos antigos, moinhos, quintas abandonadas) podem ser incluídos em roteiros de Turismo da Natureza, acrescentando mais-valia económica e sustentabilidade à região. Quanto aos procedimentos metodológicos de identificação e registo, desde a fase inicial, foram adoptados os seguintes passos: 1 Levantamento documental, bibliográfico e cartográfico; 2 Trabalho de campo, com deslocação aos sítios previamente registados na bibliografia, de que havia informação prévia obtida por inquérito oral; em alguns casos, em certas zonas tidas como susceptíveis de ocorrerem vestígios, ou ameaçadas por lavras ou obras de construções, foram feitas prospecções sistemática através de batida de campo ( fieldwalking, na expressão da arqueologia anglo-saxónica). Na fase de trabalho de campo incluem-se uma série de registos: cartográficos, fotográficos, croquis e, em alguns casos, levantamentos topográficos; 3 Estudo, em gabinete, dos materiais arqueológicos recolhidos para melhor aferição cronológica e tipológica de alguns sítios arqueológicos referenciados.

9 6 Para os bens imóveis integráveis na categoria de património edificado (rural ou erudito), seguiu-se um procedimento análogo, embora com recurso a uma linguagem discursiva diferente, utilizando-se os conceitos da Etnografia (caso de moinhos, quintas abandonadas, etc.) ou da Arquitectura e História de Arte (no caso de Igrejas, capelas, solares, fontanários). Quanto ao tipo de Património incluído no inventário, o mesmo não se limita aos sítios arqueológicos propriamente ditos, definidos como associações significativas de vestígios domésticos ou de construção depositados à superfície, pelos campos. Incluímos também valores que se podem considerar no âmbito da Arqueologia Industrial e Rural, nomeadamente conjuntos rurais desertificados, moinhos de rodízio, escoriais, caminhos antigos (viária medieval ou anterior que chegou até aos nossos dias e que já foi, ou está a ser destruída), entre outros. Incluíram-se também, nesta versão, alguns elementos do chamado património construído ou edificado de natureza religiosa mais ou menos erudita, nomeadamente igrejas, solares, conjuntos urbanos/rurais, embora, neste caso, sem pretensão de exaustividade, pois entendemos que deverão ser objecto de um levantamento mais específico. Em todo o caso, era imprescindível incluir os imóveis deste tipo já classificados, em vias de classificação, e os que entendemos que deveriam ser classificados, pelo menos como Imóvel de Interesse Municipal. 4 Peças do Inventário, Ficha e Descritores O presente inventário é composto por este volume introdutório (vol. I) e pela parte de Ficheiro (repartido por 2 volumes). O ficheiro abre com um índice geral dos sítios arqueológicos e outros valores patrimoniais, identificados por um número de ordem sequencial (que será necessariamente alterado, à medida que se fizerem actualizações), seguido de um código alfanumérico que passa a designar o sítio/imóvel, a par da sua denominação toponímica e localização administrativa. Seguem-se as fichas individuais por sítio arqueológico/imóvel, compostas por duas páginas: uma delas descritiva e outra ilustrada com uma fotografia aérea /imagem satélite, com a localização do sítio a que se refere a ficha, tendo-se incluído, sempre que possível, fotografias do local e/ou pormenores do objecto em causa.

10 7 No final do 2.º volume do ficheiro (terceiro do conjunto deste documento), foram incluídas as chaves de leitura das siglas referentes quer a instituições, quer a nomes de pessoas mencionadas nas fichas, as quais foram abreviadas a fim de se reduzir o espaço nos campos a preencher, e o tempo de preenchimento. A Ficha agora utilizada corresponde ao modelo sumário apresentado no inventário anterior (1993), com algumas alterações e acrescentos. Esta ficha condensa uma série de informações mais desenvolvidas que o PARM possui em Arquivo e pretende funcionar como uma espécie de bilhete de identidade do sítio/valor patrimonial em causa e que interessam ao decisor. Podemos agrupar os campos da ficha adoptada em 10 tópicos gerais: 1 Identificação do local, na óptica de gestão de arquivo: N.º do Inventário anterior; código do sítio/monumento (segundo o inventário actual que datámos de 2008); designação por que é conhecido o valor patrimonial em causa; 2 Localização / geo-referenciação e indicação cartográfica (de acordo com a cartografia que utilizámos): coordenadas geográficas; coordenadas Gauss; altitude média; folha da Carta Militar de Portugal, dos S.C.E., à escala 1:25.000; 3 Localização Administrativa, por nos parecer essencial para o decisor, quer ao nível autárquico quer da tutela, pois os arquivos, de modo geral obedecem à organização administrativa: Distrito/Concelho/Freguesia, podendo esta ter vários lugares anexos. Tratando-se, como se sabe, de um inventário do concelho de Torre de Moncorvo, e pertencendo este ao distrito de Bragança, omitiu-se informação, que iria gerar uma repetição desnecessária, sobrecarregando a ficha. Ficaram apenas os campos Freguesia e Lugar. 4 Tipificação e caracterização do sítio ou valor patrimonial de acordo com a sua natureza: Tipo de Património (definição segundo categorias definidas no descritor, em baixo); caracterização (descrição mais desenvolvida). 5 Cadastro e utilização (actual) do solo: ocupação do solo; proprietário. 6 Conservação do sítio ou valor patrimonial do maior interesse em termos de diagnóstico: Estado de Conservação. 7 Estatuto legal / importância atribuída / gestão do sítio ou valor patrimonial: relevância/valor; classificação legal; recomendações. 8 Responsabilidade da Informação técnica/autoria específica dos trabalhos realizados sobre o sítio ou valor patrimonial: trabalho de campo.

11 8 9 Conhecimento/reconhecimento público e científico sobre o sítio ou valor patrimonial e que pode servir também de instrumento de medida da importância atribuída: bibliografia. 10 Outras informações que não caibam nos campos considerados: observações. Para maior detalhe, apresenta-se o descritor, ou Manual de Preenchimento da ficha, segundo a sequência dos campos (a preencher) da mesma: - N.º Anterior (1993): código do sítio ou valor patrimonial considerado, no inventário anterior; se se tratar de um sítio omisso no inventário anterior (ou seja, tratando-se de um novo sítio), aparecerá a tracejado. - Código do Sítio / Monumento (2008): código actual, e que passa a vigorar a partir deste trabalho, sendo composto por uma série alfanumérica de três letras separadas de dígitos por um espaço sublinhado. As letras correspondem a um acrónimo composto, de modo geral, pelo início das sílabas do topónimo da freguesia em que o sítio ou imóvel se encontra (por exemplo, Adeganha = ADG), salvo as excepções com apenas três ou quatro letras (por exemplo: Mós =MOS; Urros = URR) ou de topónimos compósitos (por exemplo: Cabeça Boa = CBB). No caso de topónimos compósitos ou com caracteres especiais os mesmos foram simplificados (por exemplo: Açoreira = ACR ou Mós = MOS). Os dígitos correspondem a um número sequencial até ao limite das centenas (= 999), devendo ser atribuídos a cada novo sítio, dentro do conjunto de cada freguesia, a partir do último número já existente (por exemplo: ao sítio ADG_026, dever-se-á seguir, em caso de novo achado, ou acrescento de outro imóvel, a designação ADG_027). Este sistema permite manter a base de dados sempre em aberto, por freguesia, sendo esta tomada por unidade de gestão. A vantagem do sistema alfanumérico sobre o que anteriormente usámos, de duas séries de números, é que os acrónimos remetem-nos imediatamente para a freguesia (vd. Anexo 1), enquanto no sistema anterior era difícil distinguir o universo dos sítios da designação do conjunto, a freguesia. - Designação: neste campo foi aposto, em maiúsculas, a denominação do sítio ou imóvel, por que é conhecido localmente, consagrada por tradição popular (topónimo), ou oficiosamente. Nos casos em que não foi possível aproximar-se o micro-topónimo, transportou-se a designação do topónimo mais próximo encontrado na Cartografia em uso (Carta Militar de Portugal, à esc. 1: ),

12 9 podendo o mesmo ser alterado futuramente, em actualizações que se venham a realizar relativamente a este inventário. - Freguesia: designação por extenso da freguesia do concelho de Torre de Moncorvo em que o sítio ou imóvel se encontram. Seguimos, para preencher este campo, os limites definidos pela cartografia em uso por parte dos serviços técnicos da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, sendo certo que há algumas discrepâncias com os antigos termos das freguesias. No entanto, a fim de ajustarmos a carta de património aos instrumentos de gestão territorial em uso no município, transferimos alguns sítios das freguesias anteriormente considerados (1993), para os limites presentemente em vigor. Casos há, no entanto, de sítios ou bens patrimoniais que se repartem entre duas freguesias e até mesmo entre dois concelhos. Temos, nesta última situação, a ponte férrea do Pocinho que está entre a freguesia de Açoreira (concelho de Torre de Moncorvo) e a freguesia e concelho de Vila Nova de Foz Côa, assim como o Castelo da Cizonha, entre as freguesias de Felgar (concelho de Torre de Moncorvo) e Ferradosa (Alfândega da Fé). Assim, qualquer decisão que passe por estes dois casos (sendo possível que surjam outros) terá de ter em consideração os capítulos do Património dos PDM s de cada concelho (onde ambos devem figurar) e as decisões de ambos os muncicípios. No interior do concelho há as situações de certos caminhos, que principiam numa freguesia e terminam noutra, ou da Ponte do Sabor, próximo da Portela, que está entre as freguesias de Torre de Moncorvo e Adeganha. Neste caso, tomou-se como referência a sede de freguesia mais próxima e de onde partiria o maior volume de tráfego, ou seja, o bem patrimonial em causa foi incluído no conjunto da freguesia de Torre de Moncorvo. No caso dos caminhos, considerou-se a freguesia com a maior percentagem de troço, ou maior proximidade em relação à vila, embora também se mencionando no campo respectivo, as duas freguesias (por exemplo: LRN_001 = Caminho Velho Larinho/Felgar, freguesia de Larinho/Felgar). - Lugar: identificação da povoação anexa a uma freguesia (por exemplo: Estevais da Vilariça, freguesia de Adeganha), ou macro-topónimo em que o sítio se insere (quinta, ou topónimo mais geral, reservando-se o micro-topónimo para a Designação). - Tipo de Património: para este efeito, foram criadas seis categorias para funcionarem como caracterização genérica e, dentro destas, várias

13 10 subcategorias ou tipos específicos, eventualmente conjugados com um indicador cronológico (por exemplo: habitat romano). Foram consideradas as seguintes categorias e respectivos tipos: a) Sítio Arqueológico: procura englobar o conceito clássico de estação arqueológica, definível como local onde ocorre uma associação significativa de vestígios de uma dada época ou de um conjunto de épocas diferentes, em determinado espaço, tanto à superfície como no subsolo; distingue-se do arqueossítio, que habitualmente designa um complexo arqueológico de larga diacronia, e com maior complexidade tipológica, decorrente de várias ocupações (por exemplo: Baldoeiro, ou o conjunto de Silhades, composto por um castro, um habitat romano associado a possível templo e o povoado rural de origem medieval). Todavia, na expressão genérica de sítio arqueológico podem caber realidades mais singulares, como uma simples rocha com arte rupestre, ou um escorial de ferro de época pré-industrial. Os tipos de sítios considerados nesta categoria foram: - Habitat Pré-Histórico; - Arte Rupestre; - Santuário Pré-Histórico; - Povoado Fortificado (da Idade do Ferro); - Habitat Romano; - Povoado Medieval (fortificado ou não); - Escorial; b) Património Construído, por vezes também chamado Património Edificado: aqui se inclui tanto o Património vernacular (rústico, tradicional) como o Património erudito, ou ainda infra-estruturas técnicas. Assim, embora se tenham omitido os adjectivos rústico, erudito ou técnico, dada a complexidade decorrente desta classificação, considerámos, conceptualmente estas subdivisões: - Património Construído (Vernacular): casa rural/quinta; côrte de gado; pardieiro ou abrigo agrícola ou de pastor; eira; moinho; muro apiário; pombal, ou outros conformes aos princípios da Carta sob re o Património Vernacular do ICOMOS, aprovada na Cidade do México, de Outubro de 1999; - Património Construído (Erudito): solar ou casa brasonada; igreja; capela de traça mais elaborada; castelo; pelourinho; fonte clássica; edifícios de

14 11 arquitectura civil (por exemplo: cadeia ou casa da câmara de Mós); ponte com trabalho de mestre canteiro (por exemplo: Ponte do Sabor); - Património Construído (Técnico/Arqueologia Industrial): fábrica (por exemplo: Fábrica dos Cobertores do Felgar); infra-estruturas mineiras (bairro mineiro, oficinas, armazéns, estruturas para cabos aéreos), etc. c) Caminhos Antigos: são, normalmente, realidades de muito longa duração, atravessando diversas épocas. Embora grande parte do que se considerava (mesmo popularmente) como caminhos romanos possa pertencer a épocas posteriores, sobretudo medievais, não é de excluir que estes decalcassem trilhos ou percursos herdados da noite dos tempos. Infelizmente, nos nossos dias, a adaptação aos transportes rodoviários motorizados, tem levado à progressiva destruição dos velhos caminhos, não restando mais do que pequenos troços que urge preservar e defender a todo o custo. Assim, porque é muito difícil senão impossível, à falta de documentação, distinguir cronologicamente os caminhos anteriores à Idade Contemporânea, e, sendo igualmente quase impossível assegurar a origem romana de alguns deles, serão considerados genericamente como caminhos medievais. Caso se tivesse incluído neste inventário, poder-se-ia, por exemplo, considerar a estrada de Torre de Moncorvo ao Rego da Barca, como uma estrada da Idade Contemporânea, porque existe documentação quanto à sua construção (anos 80 do séc. XIX), usando uma técnica da época, o macadame, embora sobrepondo-se parcialmente a um caminho medieval. d) Mina: nesta fase do trabalho apenas se incluiu a mina de ferro do Cabeço da Mua, cujos principais vestígios de exploração (galerias) são do séc. XX. No entanto, dada a importância que o sector mineiro teve para a vida económica do concelho, pode ser um tipo de património a considerar, no sentido da sua preservação, em futuras actualizações deste inventário. e) Elemento Arqueológico ou Arquitectónico móvel isolado: nesta categoria poderão caber todos os achados cujo contexto ou proveniência permaneça desconhecida. f) Paisagem tradicional residual: nesta categoria incluímos espaços que se podem incluir numa Arqueologia da Paisagem strictu sensu, ou seja, objectivada em resíduos da paisagem humanizada antiga, com uma utilização tradicional (por exemplo: jardim ou horta), ou com um significado particular, e

15 12 que esteja em risco de desaparecimento. No presente inventário foi considerado um único sítio dentro desta categoria: as Hortas de Santiago, na vila de Torre de Moncorvo (vd. TMC_006). g) Paisagem Cultural: este conceito, encontra-se bem expresso no ponto 9 da Carta de Cracóvia 2000: As paisagens reconhecidas como património cultural são o resultado e o reflexo da interacção prolongada nas diferentes sociedades entre o Homem, a Natureza e o meio ambiente físico. São testemunhos da relação evolutiva das comunidades e dos indivíduos com o seu meio ambiente ( ) 3. No concelho de Torre de Moncorvo aplica-se este tipo ao segmento da Paisagem do Alto Douro Vinhateiro, classificada como Património Mundial pela UNESCO, no limite Sul da freguesia da Lousa que confina com o rio Douro. - Cronologia: considerou-se a periodização clássica em que normalmente se subdivide o tempo histórico, de forma muito simplificada, apenas para se dar uma aproximação temporal, sobretudo porque, tratando-se, na maior parte dos casos, de sítios identificados por dados de superfície, sem contextualização estratigráfica definida, não é possível, no estado actual dos nossos conhecimentos, uma melhor definição cronológica. Assim, foram consideradas as seguintes etapas, ou períodos históricos: a) Pré-História, com indicação, entre parêntesis, da subdivisão genérica: Paleolítico; Neolítico; b) Pré-História Recente: reservada para o período de transição do Neolítico até à Idade do Ferro, coincidente com o Calcolítico e Idade do Bronze; c) Idade do Ferro; d) Período Romano/Romanização; e) Idade Média, com subdivisão, se possível, em Alta e Baixa Idade Média; f) Idade Moderna (sécs. XVI a XVIII); g) Idade Contemporânea (sécs. XIX e XX); h) Indeterminado: sempre que não foi possível identificar a época, embora com vestígios de reconhecida antiguidade (anterior ao séc. XX). 3 Carta de Cracóvia 2000 Princípios para a Conservação e o Restauro do Património Construído (Polónia), , in LOPES, Flávio e CORREIA, Miguel Brito, Património arquitectónico e arqueológico. Cartas, Recomendações e Convenções Internacionais, Livros Horizonte, Lisboa, 2004, pp

16 13 - Ocupação do Solo: terreno cultivado ou inculto; no caso de cultivado, que tipo de cultura; se está em área habitada (bairro, rua, aglomerado populacional, etc.) - Proprietário: remete para o item anterior, referindo-se ao proprietário do terreno onde se situa o sítio arqueológico, ou mesmo o seu proprietário, no caso de património construído; indicar nome e contacto do proprietário, se possível (é um tipo de informação que se poderá ir incluindo à medida em que se determinar o proprietário, ou até a mudança de dono, por venda ou herança), o que implica uma monotorização dos locais e do Ficheiro. - Coordenadas Geográficas: Latitude/Longitude, foram recolhidas através de Google-Earth, podendo ser, posteriormente, confirmadas por GPS. No caso de áreas arqueológicas mais extensas, foi feita a leitura num ponto central da estação. No caso de caminhos, fez-se a leitura num ponto intermédio do caminho, devendo depois o utilizador seguir o itinerário do objecto cartografado. - Coordenadas de Gauss: expressa em P e M, e lidas nas margens das cartas que continuámos a utilizar para este trabalho (Carta Militar de Portugal, dos S.C.E., à esc. 1/25000); as subdivisões de quadrícula foram feitas com uma grelha apropriada. No caso de alguns elementos patrimoniais, como caminhos antigos, fez-se a leitura no início e no final do troço considerado; sempre que tal aconteceu, foi referido em observações, no final da ficha; - Altitude Média: Leitura feita a partir das curvas de nível da Carta Militar 1/25.000, podendo, em alguns casos, ser confirmado posteriormente no terreno, com GPS ou altímetro; - Carta CMP 1/25.000: Neste campo foi indicado o nº da folha da Carta Militar de Portugal dos SCE, à escala indicada (1/25.000); - Caracterização: Campo destinado à descrição do sítio arqueológico ou outro valor patrimonial a que se refere a ficha, indicando aspectos como: localização específica, a orografia (monte, vale, encostas); rede hidrográfica (proximidade do ribeiro, rio, linha de água); descrição do imóvel ou do tipo de vestígios que se encontram no terreno; vestígios in situ e objectos recolhidos (paradeiro); etc. cronologia de construção ou de ocupação de cada elemento arqueológico

17 14 visível no terreno, no caso de haver vestígios tipológicos e cronológicos distintos; interpretação e significado cultural atribuído; etc. Consideraram-se os seguintes graus em sentido decrescente: Excelente, Bom, Razoável, Medíocre, Mau. No caso de sítio destruído, ou parcialmente destruído, tal foi indicado. - Estado de Conservação: Uma das dificuldades em preencher-se este campo tem a ver com a subjectividade do que se pode considerar como estado de conservação. Assim, por ex., um sítio arqueológico pode ser apenas assinalado por um conjunto de fragmentos de cerâmica dispersos, com ausência total de estruturas, o que pode induzir-nos a considerar-se uma conservação medíocre. No entanto, nos casos em que o solo/subsolo, aparenta conservar-se ainda relativamente preservado, podendo ainda fornecer bastante informação através de uma escavação cientificamente orientada, considerou-se o estado de conservação como razoável ou mesmo bom. A análise não recai, nestes casos, nos vestígios em si, mas no estado do solo e, por consequência, nos vestígios em potência. Pelo contrário, nos casos em que se viu que o solo havia sido alvo de lavras profundas, ou surribas, o estado de conservação foi considerado mau, eventualmente com indicação de destruído. - Relevância/Valor: Visa descrever a importância do local em função dos vestígios ou do Património existente, ou da possibilidade de ocorrência de achados significativos. Assim, Consideraram-se os seguintes graus, em sentido decrescente: Excepcional; Elevado, Importante; Médio; Reduzido (no caso de destruído ou parcialmente destruído). No caso do valor Médio, pode-se acrescentar, quando tal se justifique que se classifica como Médio, mas tendencialmente importante por se tornar menos comum; é o caso de elementos de construção rural sujeitos a destruição, ruína ou rápida transformação. Saindo fora da gradação, ou em reforço da mesma, poder-se-á acrescentar: interesse cientifico ou potencial cientifico elevado, no caso de sítios cuja relevância é sobretudo a este nível. Por outro lado, há sítios de valor cientifico médio ou reduzido, mas que podem oferecer grande potencial turístico, o que também pode se assinalado. Daqui resulta a dificuldade em usar-se uma classificação taxativa e confinada a uma única palavra. - Classificação Legal: Indica se o sítio se encontra classificado como Monumento Nacional, Imóvel de Interesse Público, Imóvel de Interesse Municipal, ou Património Mundial, e o diploma ou deliberação de classificação.

18 15 - Recomendações: Opinião sobretudo concernente a medidas de protecção (eventualmente classificação), conservação ou valorização do sítio/monumento. No caso de sítios arqueológicos, são recomendadas restrições ao uso do solo por meios potencialmente destrutivos. Depreende-se que, para todos os casos, se deve procurar a sensibilização dos proprietários dos terrenos/bens para a sua conservação, mesmo que tal não seja indicado em todas as fichas, por falta de espaço e para evitar repetições. Apesar de sabermos quão difícil é este caminho, pelas mais variadas razões, deve haver, tanto quanto possível, um esforço nesse sentido. - Trabalho de Campo: foi indicada a data, ou da detecção, ou de trabalhos realizados pelo PARM que estiveram na origem da informação constante na ficha. À data, seguiu-se o tipo de trabalho e a sigla do(s) nome(s) do(s) autor(es) do trabalho de campo. Alguns casos em que dispunhamos de informação, mencionaram-se outros trabalhos e seus autores, antes ou depois de elementos do PARM. - Bibliografia: usou-se uma chave ou referência bibliográfica por apelido do(s) autor(es), em maiúsculas, seguido da data da publicação e indicação de página(s) onde se dá a referência ao sítio arqueológico ou monumentos a que se refere a ficha. Esta chave é descodificada na listagem bibliográfica (ordenada alfabeticamente), inserida no final do 3º volume. - Observações: neste espaço incluíram-se outras indicações consideradas pertinentes sobre o sítio em referência, ou completaram-se aspectos que não tinham cabido nos restantes campos da ficha. - Fotografia aérea / imagem satélite: neste trabalho foram utilizadas como imagens aéreas de base os fotogramas captados por satélite, disponibilizadas pelo IGP/DGRF (Instituto Geográfico Português/Direcção Geral de Recursos Florestais), entidades detentoras dos respectivos direitos, e que, por comodidade e maior rapidez, se obtiveram através do Google-Earth. Ressalvamos que esta utilização tem unicamente o fim em vista (localizar os sítios/imóveis referidos na ficha) neste momento, dada a urgência na entrega da documentação e destinando-se apenas à equipa responsável pela elaboração do PDM. As escalas não estão uniformizadas, tendo-se ampliado ou reduzido conforme a conveniência em abranger a totalidade do local ou

19 16 objecto, ou ainda para se fornecerem pontos de referência na envolvente. Esperamos obter, o mais brevemente possível, as necessárias autorizações para o efeito, ou até, se for preferível, a substituição desta informação pelos excertos respectivos (em escala uniforme) da cartografia/imagens aéreas do SIG, em uso pelos serviços técnicos do Município, ou adoptados como base pela equipa do PDM. Sobre os fotogramas seleccionados (como se se disse, em escalas diferentes), foram posicionados os sítios ou imóveis a que se referem as fichas, delimitando o seu perímetro de protecção através de um pontilhado a cor amarela, sempre que se tratou de sítios não classificados. Para melhor identificação dos locais, foram indicados topónimos ou pontos de referência nas imediações e, no interior dos perímetros definidos, por vezes especificaram-se os elementos patrimoniais que motivam as áreas de protecção propostas. No caso de sítios classificados como Monumentos Nacionais, Imóveis de Interesse Público, Imóveis de Interesse Municipal, ou em vias de classificação, usou-se um pontilhado a vermelho, identificando-se também, no interior dos perímetros de protecção, os valores classificados. No caso de Monumentos ou elementos de Património Construído, foi considerado o limite de protecção de 50 metros; no caso de áreas arqueológicas definidas por ZEP s (por exemplo: Baldoeiro ou Alfarela), procurou-se transpor, tanto quanto possível com a maior exactidão, os limites das áreas de protecção publicadas em editais, aquando da classificação, e constantes dos arquivos do organismo da tutela (IGESPAR e Serviço de Bens Culturais da Direcção Regional da Cultura do Norte). Detectou-se, nessa operação, que a ZEP do anexo à Portaria n.º 443/2006 (2.ª Série), publicada no Diário da República n.º 49 II Série, de 9 de Março de 2006, que classifica como IIP a igreja do Santuário de Santo Apolinário, Fonte e Cruzeiro (na freguesia de Urros), apresenta um erro de localização quanto a este último elemento patrimonial, o qual se encontra isolado do conjunto igreja/fonte, bem como a orientação do ortofotomapa aí apresentado. A direcção apontada como Norte corresponde a Oeste, o que certamente originou o erro referido. Assim, foi recomendado, nas fichas respectivas, que se fizesse um pedido de rectificação, aos organismos da tutela do Património (IGESPAR e Direcção Geral da Cultura do Norte). - Fotografia(s) do sítio/monumento: entende-se aqui monumento, como os imóveis construídos, classificados ou não como tal. Foram deixados dois rectângulos para fotografias, geral e de pormenor, exterior e interior, etc., e respectivas legendas.

20 17 - Autor: neste campo foi incluído a sigla do(s) autor(es) da ficha actual. - Data: data de preenchimento da ficha actual. Este modelo de ficha foi transformado num layout do programa informático FileMaker-Pro, por ser uma base de dados bastante versátil e permitir buscas automáticas através de uma simples palavra. Permite ainda obter listagens diversas, como os anexos ao presente volume e o índice que se encontra no início do Ficheiro. Por outro lado, possibilita a atualização da base de dados em qualquer momento. 5 O Ficheiro: Algumas conclusões sobre o Património Arqueológico e Arquitectónico do concelho de Torre de Moncorvo recenseado até à data O ficheiro anexo (vols. 2 e 3) comporta um total de 165 sítios arqueológicos e outros valores patrimoniais (incluindo a área classificada como Património Mundial, na freguesia da Lousa), e está longe de se encontrar esgotado. Por exemplo, no que diz respeito ao património arquitectónico, erudito e vernacular, mais visível e, como tal, teoricamente menos ameaçado, foram sobretudo incluídos os imóveis já classificados e outros sob proposta, além de mais alguns que, pela sua relevância, se consideraram pertinentes. Todavia, como já se disse, o Inventário do Património é um documento sempre em aberto, devendo haver lugar a actualizações temporárias, ou até imediatas, no caso de sítios relevantes descobertos em circunstâncias que possam por em causa a sua preservação, ou em zonas em que a pressão de obras, ou agricultura mecanizada, constituam uma ameaça iminente. O inventário arqueológico de 1993 considerava cerca de 116 sítios e imóveis, tendo-se dado prioridade nessa fase, aos sítios arqueológicos, embora já com uma série de elementos de património vernacular. Neste momento, embora haja muitos elementos do património construído que tenham ficado em lista de espera, apesar de merecedores de figurarem no inventário, foi o acrescento de muitos elementos de Património Construído que fez aumentar o número total de sítios. Foram, por exemplo, incluídos todos os imóveis classificados ou em vias de o ser que, na anterior versão, por não se tratar de sítios arqueológicos ou de arquitectura anterior ao séc. XVI, tinham sido deixados de fora.

21 18 Incluíram-se ainda outros imóveis, ao nível de construído, que, pela sua dimensão e relevância artística ou histórica, deveriam também ser considerados, pelo menos, Imóveis de Interesse Municipal (por exemplo: as igrejas da Cardanha e Peredo dos Castelhanos, várias capelas), elementos dos pelourinhos de Torre de Moncorvo e Mós (reconstituído), chafarizes e, pela sua especificidade, o Lagar da Cera de Felgueiras, os núcleos dos palheiros de Urros e Maçores (património vernacular), alguns caminhos antigos e vários sítios arqueológicos, entre os quais quatro novos sítios com arte rupestre, nas freguesias de Torre de Moncorvo e Mós, para além da gravura do Ribeiro da Sardinha, no vale do Sabor (Felgar), descoberta em 1997 no âmbito do levantamento realizado para o EIA da barragem do Baixo Sabor. A nível de património industrial, foi incluída a ponte férrea do Pocinho, e, como fragmento da paisagem tradicional (uma especificidade patrimonial), as hortas de Santiago na vila de Torre de Moncorvo. Sem querermos correr o risco de uma patrimonialização excessiva, dentro daquilo a que M. Lacroix chama o princípio de Noé 4, a verdade é que o concelho de Torre de Moncorvo possui um património cultural apreciável (afora o que já se perdeu nos últimos 150 anos), pelo que é imperioso proteger o que existe e que ainda vale a pena, como marca de identidade e até como maisvalia económica, na óptica de uma rendibilidade turística indirecta, associada a outros sectores de actividade. Em grande parte dos casos inventariados (e agora acrescentados), a preservação é pacífica e passível de obter a concordância e até o aplauso das populações (caso de igrejas e capelas). Para melhor sistematizar o conteúdo de informações obtidas no Ficheiro, em termos de síntese, foram extraídas várias listas, que vão em anexo a este volume introdutório e que a seguir se discriminam: Anexo 1 - Lista das freguesias com os respectivos códigos de classificação administrativa nacional e os Acrónimos que utilizámos neste ficheiro. Anexo 2 - Lista de sítios ou imóveis segundo a sua Localização administrativa, com indicação do lugar, procurando responder à questão Onde se encontra o património referenciado; 4 LACROIX, Michel, O Princípio de Noé ou a ética de salvaguarda, Ed. Piaget, Lisboa, s/d [1999] ed. Original, Flammarion, 1997.

22 19 Anexo 3 - Lista de sítios ou imóveis por Tipo de património, procurando responder à questão O quê? - o que se pretende salvaguardar? Anexo 4 - Lista de sítios ou imóveis segundo a sua ordem de Antiguidade, (sendo certo que muitos foram sendo concretizados ou tiveram ocupação de várias épocas), e onde se procura responder à questão de Quando? Anexo 5 - Lista de sítios ou imóveis, pela ordem de Relevância que lhe foi atribuída (apesar da subjectividade desta hierarquização) procurando responder à questão: O que é mais Importante? Anexo 6 - Lista do Património Classificado ou em vias de classificação no concelho de Torre de Moncorvo, e que constitui o domínio do, pelo menos teoricamente, intocável. Esta lista prende-se com o anexo anterior, pois imóveis classificados como Património Mundial, M.N. ou I.I.P. integram, como seria de esperar, as categorias de valor Excepcional e Elevado. Densidade do património registado, por Freguesias: Assim, pela análise da lista de Localização (Anexo 2) verifica-se que as duas freguesias com maior quantidade de locais referenciados são Adeganha e Mós com 26 cada uma, logo seguidas das freguesias de Torre de Moncorvo ( que comparte com a Adeganha) e Carviçais (21). Este facto deve-se à maior dimensão territorial destas freguesias, mas também, no caso de Adeganha, à relativa densidade de sítios arqueológicos que se encontram no Vale da Vilariça, cuja fertilidade explica a fixação humana desde os primórdios da exploração agrícola na região (Neolítico final/calcolítico), passando por todas épocas até à actualidade, com particular incidência no Período Romano. Com efeito, se observarmos a representação cartográfica dos sítios arqueológicos ao nível do concelho, ressalta uma especial concentração de vestígios neste vale, sobretudo da época Romana, pois os assentamentos populacionais deste período localizavam-se preferencialmente no vale, onde deveria passar uma via secundária no sentido S/N em direcção a Asturica Augusta (Astorga). É também na Vilariça que a pressão da agricultura mecanizada e outros empreendimentos agrícolas, ao nível do regadio, extracção de areias e outros inertes, se fez sentir, pelo que admitimos que o risco de destruição de sítios arqueológicos é maior e, como tal, previsível a conflitualidade entre a preservação e a exploração económica. Por tudo isto, deveria ser concertada

23 20 uma estratégia entre as diversas entidades (serviços dos ministérios da Cultura e da Agricultura, Autarquia, proprietários, associações de lavoura e de defesa do Património) para o estudo e preservação de sítios arqueológicos da Vilariça. Em relação a Mós e Carviçais, o número considerável de locais assinalados prende-se com a inclusão de elevado número de elementos de património vernacular relacionados com um modo peculiar da apropriação do território que se terá acentuado a partir do séc. XVIII e sobretudo nos séculos XIX e início de XX, em pequenas quintas associadas à exploração cerealífera. Essas quintas são marcadas por construções muito simples, em xisto, normalmente associadas a eiras e fornos de cozer pão, marcas da autarcia em que viviam estas populações, que daí debandaram a partir dos surtos migratórios início nos anos 60. Contribuem ainda para aumentar o efectivo dos sítios assinalados nas freguesias de Carviçais, Mós e Felgar, o elevado número de escoriais de ferro que circundam a Serra do Roboredo onde se situa, como é sabido, um dos maiores jazigos de minérios de ferro da Europa. Estes escoriais assinalam antigas ferrarias onde se produzia ferro, através de processos metalúrgicos ancestrais, até aos finais do séc. XVIII. Em dois casos verificados, em Carviçais e Felgar, um mesmo local comporta dois tipos de patrimónios diferentes: capela barroca (Santa Bárbara) sobre grande monte de escórias a repetição do fenómeno terá a ver com o facto de Stª. Bárbara ser a padroeira dos mineiros e ferreiros, ou ainda por coincidir a moda do culto dessa mártir com um momento em que as grandes ferrarias antigas já se haviam desactivado. No caso de Torre de Moncorvo, também com um número significativo de locais, tal deve-se à riqueza do seu património edificado (igrejas, capelas, solares, chafarizes). Admitimos, porém, que possa haver diferenças de densidade na repartição geográfica dos sítios, decorrentes de uma maior ou menor intensidade da prospecção, conforme as zonas do concelho. Por exemplo, as freguesias de Urros e Peredo dos Castelhanos, Lousa, Cabeça Boa e Castedo poderão revelar mais alguns sítios arqueológicos se houver aí mais trabalho de campo. Caracterização do património registado, quanto ao Tipo:

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