Mensal. Turismo. Actualidade. Economia/Negócios. Classe: Dimensão: Nacional. S/Cor. Imagem: Âmbito: Tiragem: Página (s): 42 a 47

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3 Charme de Lisboa Quanto ao grupo Tivoli Hotels Resorts novo nome da cadeia detida pelo Grupo Espírito Santo Lisboa con tinua a ser uma das principais apostas em Portugal a par do Algarve Esta rede conta já com 12 unidades no país e cerca de quartos Na cidade de Lisboa o grupo possui três hotéis al guns dos quais têm sido alvo de impor tantes investimentos de modernização e que disponibilizam um total de 727 camas ver caixa em cima Outro grupo com uma clara aposta por Lisboa é o Sana Hotels que tem previstos dois novos hotéis um em fase final de

4 edifí construção o Sana Torre Vasco da Gama Parque das Nações e o outro já licencia do para as Amoreiras que se juntarão aos sete já existentes na capital portuguesa Também a rede Hotéis Heritage Lisboa está focalizada na capital em particular no centro histórico Com o objectivo de aumentar a cobertura nesta zona e diluir custos fixos através do ganho de sinergias entre as várias unidades o grupo prevê abrir a médio longo prazo mais duas pe quenas unidades Estas deverão ficar situa das à beira rio uma vez que o grupo dis põe já de três hotéis no centro de Lisboa Oferta de qualidade aumenta O número de hotéis de cinco estrelas e de hotéis de charme tem vindo a aumen tar em Lisboa o que potência que a capi tal esteja a ser menos afectada com a crise do que outras regiões turísticas A Cush man Wakefield Hospitality adianta que nos últimos 20 anos a oferta no segmento de cinco estrelas tem crescido a um ritmo moderado 2 8 ao ano podendo vir a representar quase metade da oferta futura potencial já que se prevê ainda que nos próximos anos sejam adicionados ao mer cado cerca de novos quartos distri buídos por 14 projectos Um responsável da Câmara Municipal de Lisboa CML destacou no Verão pas sado que no último ano a autarquia havia licenciado 30 novas unidades hoteleiras o que poderá gerar um forte impacto na oferta da capital sendo que a maioria se refere a projectos do segmento alto Entretanto a CML está a investir na reabilitação de diversos monumentos e outro património cultural da cidade e no aumento da oferta lúdica e recreativa para os turistas estrangeiros que visitam a capital bem como noutro tipo de in fra estruturas de apoio ao turismo O centro histórico de Belém o Parque das Nações e a zona ribeirinha são algumas das áreas que concentrarão o investi mento autárquico nesta matéria Mas a autarquia está ainda a promo ver em colaboração com a Associação de de Lisboa ATL e investi dores privados a iniciativa Lisboa Ca pital do Charme no âmbito da qual alienou seis imóveis paláciose cios apalaçados que serão reabilitados como hotéis de charme Pretende se assim reforçar a capacidade hoteleira da cidade no segmento alto Estas novas unidades turísticas de grande requinte contemplarão 150 quartos e custarão 42 milhões de euros no total A iniciativa procura ainda promover a cidade como marca turística de prestígio aumentar a reabilitação e requalificaçáo de edifícios situados em bairros históri cos e captar marcas hoteleiras de renome assim como turistas com maiores exi gências de qualidade frisa a autarquia que tem vindo a apostar na promoção deste destino sobretudo junto dos mer cados espanhol e brasileiro mas tam bém do Reino Unido França Itália Alemanha Benelux Escandinávia EUA Rússia ou Leste europeu Tendências em altura de crise De facto para a ATL actualmente há que apostar mais na qualidade do que na quantidade Temos actualmente cerca de 25 mil camas na hotelaria tra dicional Para atingir as previsões da WTTC necessitaríamos de mais cerca de 16 mil nos próximos dez anos No entanto estas previsões foram feitas há dois anos e não tiveram em conta a ac tual crise cujo fim e efeitos finais são imprevisíveis Para a actual procura a oferta existente é mesmo excessiva considera Vítor Costa director geral daquele organismo Para este responsá vel existe uma grande concentração da oferta na cidade de Lisboa e em cer ta medida no eixo Estoril Cascais e uma clara deficiência de oferta noutras zonas como Sintra O aumento da oferta deve passar por isso pelas unidades diferenciadoras como as marcas internacionais ou os chamados hotéis de charme que pro porcionam no primeiro caso uma re ceita por apartamento revpar superior e prestígio ao destino enquanto a ins talação de unidades em edifícios ou zonas históricas contribui para a reabi litação urbana e para a diferenciação do nosso destino turístico Quanto aos desafios da crise para o sector turístico a relação preço quali dade é cada vez mais decisiva e Lisboa tem actualmente uma proposta de grande qualidade e atractividade e é mais barata que a concorrência salien ta Vítor Costa Também Carlos Vogeler representante Regional para as Américas da Organiza

5 ção Mundial de OMT con sidera que Lisboa tem feito uma evolu ção positiva e que é hoje um destino na moda Não tenho qualquer dúvida de que Lisboa se conseguiu posicionar como cidade de negócios reconhecida a nível mundial afirmou à Actualidad Para Carlos Vogeler as vantagens da ca pital portuguesa face a outras cidades são os serviços de hotelaria existentes que juntamente com outros atractivos sócio culturais aumentam o interesse pela região e o tempo de estadia dos visi tantes estrangeiros Já Milena Melo directora da empresa de pesquisa de tendências Wefind des taca outras novidades que começam a aparecer no sector da hotelaria Lisboa que sempre foi um dos destinos mais económicos da Europa continua a atrair turistas pelo bolso no entanto com algumas alterações importantes A imprensa internacional tem vindo a ro tular a cidade como um destino trendy e isso alterou a oferta e a procura ex plica Do lado da oferta podemos des tacar o amadurecimento dos hostels Lisboa chegou inclusive a ser classifi cada pelo The Times como a capital mundial dos hostels Também numa classificação organizada pelo site Hos telworld com uma espécie de Óscares destas unidades hoteleiras quatro hos tels portugueses figuram no 10 dos melhores do mundo ressalta ainda A gestora resume que transitamos de uma oferta low cost para um low costde luxo O que na minha opinião faz todo o sentido Inevitavelmente a cria tividade a inovação e o preço devem

6 ser as armas de uma cidade como Lis boa sobretudo se quisermos de facto concorrer com o resto do mundo A funcionalidade de serviços associada às novas tecnologias aplicações para tele móveis que permitem controlar a tem peratura do quarto programar o banho seleccionar filmes e escolher a ementa para o jantar o eco luxo ou o ultra luxuoso são outras das tendências a as sinalar no turismo mundial que podem ser adoptadas também em Portugal Lisboa pode destronar Algarve Lisboa projecta se assim como uma das maiores regiões turísticas nacionais havendo especialistas que antecipam que possa destronar o Algarve em ter mos de receitas turísticas já este ano Pelo menos é o que indicam os dados do primeiro trimestre do ano em que os proveitos de estabelecimentos hoteleiros de Lisboa superaram os do Algarve com respectivamente 92 5 e 51 2 mi lhões de euros Apesar destes dados não contemplarem os meses de Verão em que o Algarve é mais forte confirmam a tendência de inversão que se veio acen tuando nos últimos meses de 2008 Efectivamente já em 2008 a capital portuguesa foi a segunda região do país onde o turismo teve maior peso na actividade económica com receitas de 569 milhões de euros aproximan do se bastante da primeira classificada o Algarve cujas receitas turísticas as cenderam a 580 milhões A explicação para esta inversão poderá estar ligada à quebra no turismo mun dial que afecta mais o Algarve com uma oferta mais massificada e sazonal enquanto Lisboa capta uma boa parte das suas receitas do turismo de negócios que tem menos sazonalidade Lisboa tem vindo mesmo a crescer como pólo de realização de congressos a nível mundial Isto apesar de alguns operadores referirem a dificuldade de encontrar espaços de grande dimensão para a realização de eventos de negócios Por outro lado há ainda a destacar que Lisboa está mais barata este ano No estudo anual Cost of Living Sur vey da Mercer sobre o custo de vida nas principais capitais mundiais Lis boa surge em 64 lugar entre 143 cida des A descida de sete lugares no ranking de 2009 deveu se de acordo com o mesmo estudo não só à diminuição real do custo de vida mas sobretudo às grandes flutuações cambiais verificadas como a desvalorização da libra e a apre ciação do dólar face ao euro Lisboa lidera ainda na criação de em prego no sector de turismo com mais de cem mil pessoas empregadas na catego ria de alojamento restauração e simila res de acordo com o Instituto de Estatística INE Considerando ainda toda a zona en volvente como Cascais e Sintra não faltam atractivos à região da Grande Lis boa para captar outros segmentos de grande potencial como o turismo liga do ao golfe ou o turismo cultural mas receitas estão em queda Todavia os efeitos da crise já se come çaram a fazer sentir na procura desde o último semestre de 2008 e tudo indica que haverá ainda maior pressão sobre os preços e sobre o retorno em 2009 de pois de um ano de 2007 e até de uma primeira metade de 2008 bastante ren tável para os operadores hoteleiros O estudo O investimento em hotela ria na cidade de Lisboa divulgado em Junho pela Cushman Wakefield re vela que o aumento de 2 6 da oferta de quartos e a diminuição da taxa de ocu pação contribuíram para a queda de 27 das vendas médias por quarto disponível um dos indicadores mais importantes para a hotelaria A consultora adianta ain da que em 2008 os valores dos hotéis da cidade de Lisboa correspondem a apenas 58 do valor dos de Barcelona e a 55 dos de Madrid o que significa uma forte perda de competitividade do negócio na capital portuguesa João Gorjão sublinha por seu turno que a sua cadeia começou a sentir em Junho a primeira quebra na taxa de ocu pação se calhar o primeiro sinal de que o Verão não vai ser fácil Por isso o ho tel ajustou os seus preços cerca de 10 e lançou uma campanha para o Verão com a oferta de quarto duplo a 60 euros sem pequeno almoço Uma aproxima ção ao conceito de qualidade low cost Nesta altura sobrevive quem se conse guir adaptar ao mercado alerta o gestor que lamenta ainda o elevado peso dos encargos sociais que as empresas do sec tor têm de pagar O sector não está fácil há hotéis a oferecer salas de reunião gra tuitas adianta João Gorjão Quanto ao conjunto do país no pri meiro quadrimestre deste ano Espa nha passou a ser o segundo mercado em termos de receitas globais de turis mo Estas totalizaram quase mi lhões de euros enquanto só as receitas dos estabelecimentos hoteleiros ronda ram os 427 milhões menos 15 adianta o INE

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