Lucia Hippólito Por eleições mais limpas

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1 Ano II # 18 Lucia Hippólito Por eleições mais limpas Consumidor MP contra a invasão de privacidade Torneio Esportivo Itália campeã (também em Barra Bonita)

2 Novos desafios para o MP A questão da violência e criminalidade organizada ocupou grande parte do noticiário nos últimos dois meses. Isso mostra a importância da nossa Instituição. E, ao contrário do que possa parecer, não apenas na questão da repressão, onde a sociedade com certeza precisará de nossos préstimos. Mais necessária, porém, é a atuação do MP como agente de transformação social. Precisamos intensificar a fiscalização para que os políticos realmente destinem os recursos públicos para saúde, transporte e educação. Necessitamos de mais e melhores instrumentos para combater a corrupção, mal que corrói as esperanças da população. É imperativo que as Instituições, estatais e privadas, cerrem fileiras para a urgente mudança do status social. É certo que este desafio é de toda a sociedade, mas podemos - e devemos - ser os indutores dessa mudança. Se abrirmos mão desta prerrogativa, todos os esforços de nossos antecessores poderão ser desperdiçados. Não basta a nossa atuação esmerada para a punição dos criminosos. Precisamos agir para evitar que a indústria do crime continue recrutando crianças e adolescentes. Não basta a nossa atuação esmerada para a punição dos criminosos. Precisamos agir para evitar que a indústria do crime continue recrutando crianças e adolescentes. Nesses últimos dois anos, lutamos para que a sociedade conhecesse um pouco mais do MP de São Paulo e, de outro lado, que formadores de opinião nos mostrassem como somos vistos pelos cidadãos. E a entrevista desta edição talvez sintetize um pouco de tudo isso. Nossa equipe procurou uma das primeiras pessoas a vaticinar a gravidade da crise que se alastrou pelas Instituições políticas. Mais que isso, tratou de sair pelo país afora para pregar eleições mais limpas e transparentes. É com imensa honra que apresentamos entrevista exclusiva com Lucia Hippólito, cientista política, jornalista e historiadora. Também nesta edição, artigo de nosso associado João Lopes Guimarães Júnior sobre a o direito do consumidor à privacidade, a cobertura do II Torneio Esportivo e a continuação do debate sobre os limites da intervenção do Conselho Nacional do Ministério Público em nossos concursos de promoção e remoção. Boa leitura a todos. Expediente: Revista APMP EM REFLEXÃO Veículo mensal de comunicação da Associação Paulista do Ministério Público. Ano II, Número 18 (2006). Tiragem: exemplares. Conselho Editorial João Antonio Garreta Prats Cláudia Jeck Garcia de Souza Paulo Roberto Dias Júnior Sérgio de Araújo Prado Júnior Coordenação Geral Luciano Ayres Jornalista Responsável Elaine Zaninotti MTB Redação Ayres.PP Comunicação e MKT Estratégico (19) Assessoria de Imprensa ReDe Comunicação (11) Fotos Ayres.PP Comunicação e MKT Estratégico Leandro Irmão Acompanhe o universo jurídico com a APMP TV Justiça Quarta-feira - 19h30. Reprises: Domingo -10h30 Segunda-feira - 10h00 TV Justiça Terça-feira - 19h30 Reprises: Domingo - 18h00 Terça-feira - 09h00 Leia também: Contraponto Lucia Hippólito Maxima Venia A criação de bancos de dados clandestinos e o direito do consumidor à privacidade MP em foco Futuro do MP X MP do Futuro História Institucional 20 anos da Carta de Curitiba APMP Esportes II Torneio Esportivo. Deu Itália aqui também! Destinos Caribe Gastronomia Culinária Mexicana João Antonio Garreta Prats Presidente Cultura e Lazer A travessia de Guimarães Rosa 48

3 Contraponto Como os formadores de opinião enxergam o MP Lucia Hippólito Que um bom cientista político é um analista arguto dos meandros e perspectivas da política nacional, todo mundo sabe. Como também sabe que um bom jornalista de rádio e TV tem como principais dons a articulação e concisão de idéias, o domínio da palavra e o pensamento rápido. O que poucos sabem é que existem personalidades que acumulam as duas qualidades. Lucia Hippólito é uma delas. O diploma de jornalismo veio muito tempo depois de Lucia já dominar inteiramente a comunicação em todas as mídias. Imprensa escrita, Internet, rádio e, por fim, a telinha. A essa altura, impressionava a desenvoltura dessa cientista política, que se portava como uma jornalista experiente, ainda que autodidata. E o que dizer do conteúdo de suas manifestações. Na Rádio CBN, o jingle do quadro Por dentro da política, seguido do indefectível Bom dia, Lucia de Heródoto Barbeiro, é a deixa para comentários e análises por vezes demolidores, mas sempre sensatos e precisos. Nesta entrevista exclusiva, Lucia Hippólito fala de sua trajetória profissional, analisa com profundidade o governo Lula e as perspectivas da política brasileira e faz um balanço da atuação do Ministério Público no combate à corrupção e na luta por eleições limpas e transparentes. Tudo isso só para você, leitor de APMP em Reflexão

4 C Contraponto Perfil Lucia Hippólito é cientista política, historiadora, jornalista, consultora e conferencista. Formada em História pela PUC- RJ e em Ciência Política pelo IU- PERJ, concluiu recentemente o curso de Jornalismo. Comentarista da Rádio CBN, do UOL News e da Globonews, também colabora com diversos jornais e revistas. Em eleição promovida pela revista Imprensa, foi escolhida a melhor jornalista de rádio de APMP em Reflexão: Como foi sua trajetória profissional? Lucia Hippólito: Desde cedo a História e a Política me interessaram muito. Sempre tive talento didático para traduzir a política para o dia-a-dia. Comecei como professora de História, fui fazer Ciência Política, até que enveredei para o campo das questões constitucionais. O cientista político trafega numa área muito próxima do Direito Constitucional. É preciso conhecer a Constituição, ter intimidade com a lei e eu sempre gostei muito disso. Posteriormente, achei que deveria ter uma experiência no Estado e comecei a trabalhar no IBGE, onde fui chefe de gabinete da Presidência e coordenei a comunicação do Censo. APMP: E sua experiência no Jornalismo? LH: Sempre escrevi para jornais. Fui convidada para trabalhar em O Globo, como professora da Redação, APMP: Qual a importância da informação no desenvolvimento social? LH: Acredito firmemente na democratização da informação. Na medida em que você coloca a informação à disposição de um maior número de pessoas, você está As pessoas de bem se afastaram da política, que está entregue à pior escória do país (...) A política, que era uma vocação, hoje está sendo encarada como profissão, como forma de ascensão social ou para escapar da cadeia, por conta desse inadmissível foro privilegiado. Acredito firmemente na democratização da informação. Na medida em que você coloca a informação à disposição de um maior número de pessoas, você está trabalhando pela democracia. ministrando aulas sobre política e questões constitucionais. Era a época do plebiscito e comecei a ensinar os repórteres que desconheciam os diferentes sistemas de governo. Fizemos também algo bastante interessante: passamos a responder às perguntas dos leitores sobre esse assunto, sobre regimes de governo no mundo etc. APMP: E isso possibilitou sua ida para o rádio, não é mesmo? LH: É verdade. O trabalho em O Globo proporcionou o convite da direção da Rádio CBN para fazer uma experiência nas eleições de Aceitei o desafio e fui ampliando minha atuação, com comentários sobre a área política na Internet e agora na TV. Senti, então, a necessidade de fazer o curso de Jornalismo, que concluí este ano, até para evitar essa controvérsia a respeito da necessidade do diploma. trabalhando pela democracia. Uma população mais bem informada é uma população que pode escolher melhor, fazer suas escolhas de maneira mais consciente e entender melhor o que está se passando. APMP: Como a sociedade brasileira tem avaliado o exercício da política? LH: Hoje, um dos problemas é que as pessoas de bem se afastaram da política, que está entregue à pior escória do país. Quando mais da metade da Câmara dos Deputados está envolvida em corrupção, sanguessuga e mensalão, as pessoas se perguntam: mas o que é isso?. A política, que era uma vocação, hoje está sendo encarada como profissão, como forma de ascensão social ou para escapar da cadeia, por conta desse inadmissível foro privilegiado. Acho que é função de todos fazer com que as pessoas de bem voltem a se preocupar com a política. APMP: Essa indignação foi por você extravasada em livro sobre a recente crise política... LH: Admito que fiquei muito assustada quando comecei a reunir os textos para esse livro, que contém comentários feitos na Rádio CBN desde Em agosto de 2003, eu já falava do aparelhamento da máquina. Em janeiro de 2004, depois do escândalo do Waldomiro, citei a desarticulação da base partidária, a suspeita de que parlamentares estavam vendendo mandatos, a história do deputado pré-pago. Isso é, ao mesmo 6

5 Contraponto tempo, curioso e assustador. Cheguei a ficar assustada ao ver como os ingredientes da crise estavam debaixo dos nossos olhos. APMP: E a maior parte da população não percebeu nada... LH: Nesse ponto a imprensa tem grande responsabilidade, porque os dados estavam ali expostos. Um livro feito a quente, como foi, corre o risco de ficar obsoleto. Até agora não encontrei nenhuma razão para achar que isso aconteceu. APMP: Nem quanto à sua afirmação de que o governo Lula terminara? LH: O livro foi lançado no final do ano passado e nele mencionei que o governo Lula acabou em agosto de Acho que não errei, porque eu me referia àquele governo Lula montado sob dois pilares muito firmes: José Dirceu, de um lado, e Palocci, do outro. Com o Dirceu cassado e o Palocci, naquela época, acossado por denúncias, o Governo Federal, tal como desenhado em 2003, de fato acabara. O que temos agora é uma outra história, pois o governo, de lá para cá, mudou radicalmente. APMP: Que lições o país pode tirar de tudo isso? O Brasil estará melhor na próxima legislatura? LH: Melhor eu não sei. Tenho muitas dúvidas para trabalhar com esse conceito de pior ou melhor. Ele está mais informado. Agora, as escolhas que o país vai fazer é que serão analisadas. Nem sempre renovar é melhorar. Está circulando na Internet uma campanha: Não reeleja, eleja! ; ou seja, para não votar em quem tem mandato. Nada garante que o próximo Congresso, se for todo renovado, será melhor que o anterior. Porque não adianta mudar as pessoas, se as práticas e os métodos não mudarem. APMP: A questão Lula sabia? ainda tem relevância? LH: Sim. Acredito que o presidente Lula sabia. Ou, pior, escolheu não saber. Há muito tempo ele escolheu não saber quem pagava a casa onde ele morava, quem custeava as despesas dele enquanto líder sindical, quem pagou as despesas de campanha... e escolheu não saber como o partido dele se viu às voltas com aquela quantidade enorme de dinheiro. Eram jatinhos alugados, festas, computadores comprados para todos os lugares, enfim, campanhas milionárias, onde nunca faltava dinheiro, muito diferente A Petrobrás não era apenas uma empresa estrangeira investindo na Bolívia, ela fazia parte de acordos firmados desde 1978 por dois Estados independentes (...) Então, a Petrobrás não era uma mera empresa privada nesse episódio, era um agente do Estado Brasileiro para que os acordos fossem viabilizados. E qual foi o sinal que o Brasil deu ao mundo inteiro? Pode interferir, encampar e se apropriar de empresas brasileiras em qualquer lugar do mundo, porque isso não tem importância. das campanhas anteriores. Para mim, o presidente tomou uma decisão: ele não quis saber. Mas no fundo eu acho que ele sempre soube. APMP: Nesse particular, o presidente reclamou muito que sua esfera pessoal foi invadida. Isso tem fundamento? LH: Minha posição é a seguinte: autoridades não têm vida privada. Ninguém é obrigado a fazer política e ninguém é obrigado a ser presidente da República. Ao escolher esse caminho, deve estar ciente de que viverá numa vitrine. O presidente da República não deixa de sê-lo nem quando está dormindo. Ele é presidente 24 horas por dia. Se estourar uma crise pavorosa de madrugada, ele não pode dizer para o assessor que está dormindo. Vida privada tem o Ronaldinho, que pode ir para a boate e reclamar de invasão da esfera pessoal. Não uma autoridade que mora num palácio pago pelo nosso dinheiro. A comida que ele come, os lençóis da cama onde ele dorme, tudo é pago por nós. Então, ele tem que prestar contas à sociedade, sim, inclusive de sua vida privada. APMP: Parte do Partido dos Trabalhadores parece bastante incomodada com os desmandos da cúpula do partido. É uma sensação correta? LH: Acho que a esquerda do PT, que cobra ética de seus dirigentes, tem sua parcela de responsabilidade, porque não é possível que eles não estivessem vendo os jatinhos com os quais o Delúbio se deslocava. Não é possível que não vissem como o Silvinho Pereira progredia. Será que não estranharam como, em 2004, não faltou dinheiro ao PT para as eleições municipais? Essa esquerda de certa forma se beneficiou um pouco e foi omissa. Teve várias oportunidades, inclusive nos últimos congressos do PT, e de novo se curvou à estratégia quase que bolchevique de se apropriar do poder. APMP: Pela primeira vez na história, uma crise política de tamanha proporção não migrou para o cenário econômico. Qual a razão disso? LH: Até agora ela não havia migrado, mas acho que ainda vai acontecer, porque há uma série de decisões que dependem da esfera política. Por exemplo, a agricultura do Rio Grande do Sul está vivendo a pior crise dos últimos 40 anos. Decisões políticas não foram tomadas no sentido de liberar créditos e consertar estradas. Por causa da crise e da quebra da safra de soja, fomos salvos de um engarrafamento de caminhões de 100 km, do porto de Paranaguá até a cidade de Curitiba. Por isso devemos aplaudir a crise? Se a safra de soja não tivesse quebrado, ia ser um desastre, porque decisões políticas não foram tomadas

6 Contraponto APMP: Poderia dar outros exemplos? LH: Não foram tomadas decisões a respeito das parcerias público-privadas e do marco regulatório. O projeto sobre as agências regulatórias está parado no Congresso. Quem irá investir no Brasil se não houver estabilidade das regras? Tudo o que aconteceu até agora foi reflexo de boas ações plantadas por muitos governos anteriores, como exportações recordes, safras recordes. O presidente reclama do Congresso, mas quando o Executivo quer o Congresso vota. Daqui para frente, as decisões políticas vão interferir muito fortemente na economia. Está circulando na Internet uma campanha: Não reeleja, eleja! ; ou seja, para não votar em quem tem mandato. Nada garante que o próximo Congresso, se for todo renovado, será melhor que o anterior. Porque não adianta mudar as pessoas, se as práticas e os métodos não mudarem. APMP: A ambição do presidente Lula era fazer um governo de projeção internacional. Ele conseguiu isso? LH: No primeiro ano do governo Lula, um dos pontos mais interessantes foi a inserção internacional do presidente. Fernando Henrique era quase um europeu, um igual. Lula era o diferente e por isso chegou ao cenário político cercado de expectativas pela esquerda mundial, de que iria fazer um governo de esquerda não populista e nem revolucionário, diferente da maioria dos governos da América Latina. Sob esse ponto de vista, ele despertou expectativas muito positivas da comunidade internacional. Porém, no caso desse delírio em busca da cadeira no Conselho de Segurança da ONU, o governo tomou decisões absolutamente equivocadas. APMP: Como assim? LH: Dar à China status de economia de mercado acabou com a indústria têxtil do sul do Brasil e O voto nulo, numa eleição majoritária, tem um sentido enorme. De outro lado, numa eleição proporcional o voto nulo faz com que você deixe de eleger o cidadão de bem e acabe elegendo o clientelista, que é o sujeito votado por gente menos informada. Em suma, na ânsia de protestar, com o voto nulo você acaba piorando o resultado da sua ação. com a indústria de calçados. Dar prioridade ao perdão da dívida de países africanos, às relações com os países da América Latina...não que não devamos mantê-las, mas em política internacional não existem amigos, existem interesses. Pela primeira vez houve grande confusão ideológica no Itamaraty, que é uma casa muito profissional e vem sofrendo com interferências indevidas durante o governo Lula. APMP: Nessa avaliação, como se insere a crise Bolívia-Petrobrás? LH: Esse episódio é algo complicado, porque a Petrobrás ficou muito desamparada. A Petrobrás não era apenas uma empresa estrangeira investindo na Bolívia, ela fazia parte de acordos firmados desde 1978 por dois Estados independentes. Houve aproximações sucessivas entre Brasil e Bolívia, que culminaram na presença da Petrobrás como investidor para viabilizar, inclusive, a economia do gás. Então, a Petrobrás não era uma mera empresa privada nesse episódio, era um agente do Estado Brasileiro para que os acordos fossem viabilizados. E qual foi o sinal que o Brasil deu ao mundo inteiro? Pode interferir, encampar e se apropriar de empresas brasileiras em qualquer lugar do mundo, porque isso não tem importância. É paradoxal você conjugar uma posição de liderança com uma atitude tão paternalista. APMP: Como vê o crescente aumento da influência de Hugo Chávez no continente? LH: O presidente Chávez está numa situação também um pouco complicada. Ele está sentado em cima de um mar de petróleo, mas a indústria petrolífera venezuelana vive um momento difícil. Eles diminuíram muito a produção nos últimos anos e, para honrar seus acordos com os Estados Unidos, estão importando petróleo da Europa para poder refinar e manter seus canais abertos com os EUA. Recurso natural é o seguinte: você pode estar sentado em cima da maior mina ou jazida do mundo. Se ela está no solo sem exploração, não vale nada. APMP: O Congresso não promoveu nem metade das cassações que se esperava. Teme que isso cause uma enxurrada de votos nulos? LH: O voto nulo é uma faca de dois gumes. Por um lado, é um voto legítimo de protesto, absolutamente democrático. Uma das minhas brigas com a Justiça Eleitoral é que a urna eletrônica tem teclas para voto branco, mas não para voto nulo. O voto nulo, numa eleição majoritária, tem um sentido enorme. De outro

7 Contraponto lado, numa eleição proporcional o voto nulo faz com que você deixe de eleger o cidadão de bem e acabe elegendo o clientelista, que é o sujeito votado por gente menos informada. Em suma, na ânsia de protestar, com o voto nulo você acaba piorando o resultado da sua ação. APMP: Como projeta um possível segundo mandato do presidente Lula? LH: Imagine que em 2002, quando já havia aquela maré de boa vontade em relação ao PT e ao presidente, ele não fez maioria na Câmara, apenas 91 deputados, ou seja, 17% da Câmara. Num eventual segundo mandato, é evidente que a posição do PMDB é estratégica, porque o presidente precisa de apoio, de coalizão. O PT deve emagrecer e o PMDB, que provavelmente fará a maior bancada, sabe que seu apoio será crucial e já está cobrando adiantado. APMP: Qual a importância de associações como a AMB e a APMP encamparem uma campanha como a Operação Eleições Limpas? LH: Tudo que ajudar a esclarecer o eleitor e aumentar o grau de informação sobre o pode e não pode de uma eleição é ótimo. Quem tem informação, tem poder. Na medida em que se democratiza a informação, você tira o poder de certos grupos, de certas elites, de certas corporações, e dissemina esse poder pela sociedade. Isso só pode ser bom. Uma iniciativa como essa tem que ser aumentada e repetida inúmeras vezes. É evidente que a APMP e a AMB têm um papel crucial nessa história. O papel pedagógico de ensinar, de dividir conhecimento. APMP: Volta e meia vem à tona a idéia de amordaçar o Ministério Público e impedir que investigue a corrupção, além das tentativas de controlar a imprensa. Qual sua análise sobre isso? LH: Qualquer forma de censura é uma barbaridade. Nós lutamos demais neste país, perdemos energia, gente e tempo de vida para instalar a liberdade de imprensa e acabar com a censura. E lutamos muito para ver uma instituição como o Ministério Público funcionar no país. Qualquer atitude que signifique censura vai me colocar na linha de frente contra isso. Eu e muita gente. APMP: O Ministério Público tem trabalhado adequadamente para combater a corrupção estatal? LH: A partir de um início um pouco exagerado, do que eu chamava de jovens jacobinos, salvacionistas, Por dentro do Governo Lula Lucia Hippólito Editora Futura Nunca mais as coisas serão as mesmas. O PT não é mais o mesmo partido que era até quinta-feira passada. O cristal se quebrou. Com essa frase profética a cientista política Lucia Hippolito se dirigiu a seus ouvintes da Rádio CBN logo após o golpe letal sofrido pelo mais poderoso ministro do Governo, num enredo escabroso que envolveu seu principal assessor, em fevereiro de José Dirceu não caiu naquele momento, mas desde então Lucia vem acompanhando de perto as manobras do Planalto para colar os cacos. Esforços frustrados que, somados a novas acusações de corrupção, perda do controle da agenda política, derrota em eleições municipais e implosão da base aliada, fizeram a autora afirmar, antes do desfecho da crise, que o governo Lula acabara antes da hora. Por Dentro do Governo Lula mostra ao leitor tudo o que ele quer saber sobre os bastidores de uma crise política sem precedentes na história da democracia nacional. Desde a criação desse novo Ministério Público, nós tivemos um avanço extraordinário. E acredito que ele seja uma das peças importantes na instalação da democracia real, não essa democracia formal, em qual falta a universalização do acesso aos bens da civilização, o que ainda está longe de conquistarmos. acredito que hoje o Ministério Público está equilibrado, porque diminuiu aquele namoro com os holofotes e passou a ter uma atuação mais discreta. O trabalho do Procurador-Geral da República, por exemplo, no caso do mensalão, foi impecável. O Ministério Público trouxe um sopro de ar fresco na investigação. Portanto, é bom não perder esse entusiasmo dos jovens promotores. Alguns equívocos que eles cometeram são naturais do processo de aprendizado. De qualquer forma, desde a criação desse novo Ministério Público, nós tivemos um avanço extraordinário. E acredito que ele seja uma das peças importantes na instalação da democracia real, não essa democracia formal, na qual falta a universalização do acesso aos bens da civilização, o que ainda está longe de conquistarmos

8 Maxima Venia Contribuição de nossos associados para a Sociedade A Revista APMP em Reflexão abre espaço para os seus associados divulgarem artigos de interesse da comunidade e com isso aproximar nossa Instituição do destinatário final de nossas ações: o cidadão. As condições para a publicação estão disponíveis na página: apmpemreflexao/maximavenia. Colabore e escreva para: com sugestões de matérias ou artigos. Os artigos da seção Maxima Venia são assinados, não refletindo necessariamente a opinião do Conselho Editorial da Revista APMP em Reflexão. ACRIAÇÃO DE BANCOS DE DADOS CLANDESTINOS E O 1. Privacidade como condição para a liberdade e para a democracia DIREITO DO CONSUMIDOR À PRIVACIDADE João Lopes Guimarães Júnior Promotor de Justiça do Consumidor em São Paulo O direito à privacidade é uma das garantias fundamentais concernentes à liberdade. A Constituição Federal assegura a todo cidadão proteção de sua vida íntima, para que não seja devassada por terceiros: são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação (art. 5º, inc. X). 1 Essa garantia, que consta da Declaração Universal dos Direitos Humanos 2, é de inspiração liberal, tendo sido concebida inicialmente para impedir a intromissão indevida do Estado na esfera particular da vida das pessoas. É fruto também de uma concepção individualista que surgiu como base da democracia moderna, e que repousa na soberania não do povo, mas dos cidadãos. Norberto Bobbio afirma que não há nenhuma Constituição democrática que não pressuponha a existência de direitos individuais, ou seja, que não parta da idéia de que primeiro vem a liberdade dos cidadãos singularmente considerados, e só depois o poder do Governo, que os cidadãos constituem e controlam através das suas liberdades. 3 No que concerne à privacidade, aspectos sociais e psicológicos ajudam a compreender sua importância. Em qualquer sociedade humana, a hierarquia estará presente e as pessoas tenderão a buscar prestígio e aceitação social. 4 Para manter um bom nível de auto-estima e uma boa posição no ranking social, cada indivíduo cuida de criar para si uma imagem aceitável nos ambientes em que circula. Nessa lógica, há aspectos de sua vida pessoal que poderão afetar negativamente o apreço que goza de seus pares e que, portanto, não lhe interessa que cheguem ao conhecimento alheio. Pela mesma lógica, a competição e as inimizades estimulam a maledicência e a fofoca: o interesse em divulgar informações depreciativas sobre os outros mobiliza muita energia em qualquer ambiente social humano. 5 Existe interesse concreto na devassa da vida privada e até mesmo o lixo doméstico pode se transformar em fonte de informações sobre os hábitos de alguém. 6 É, portanto, para preservação da honra pessoal bem que alcançou proteção da lei penal que o ordenamento jurídico preocupa-se com a manutenção de determinadas informações fora do alcance de outras pessoas: ninguém é obrigado a suportar a completa transparência do seu modus vivendi. Todo homem tem direito de manter suas atividades pessoais, sejam elas excêntricas ou não, desconhecidas do público. Não se pode, antecipadamente, aquilatar a importância das diversas informações sobre a vida pessoal de alguém: o repúdio e a admiração de cada aspecto pode variar conforme os valores vigentes em cada época ou grupo específico. Muitos homens, por exemplo, avaliam que a divulgação de suas aventuras sexuais às vezes pode lhes trazer prestígio. No entanto, para o juiz Clarence Thomas, da Suprema Corte dos EUA, e para o ex-presidente Bill Clinton, episódios envolvendo relacionamento com mulheres afetaram negativamente suas reputações. Há mais de cem anos, o consumo de cocaína, que atraía intelectuais da importância de Sigmund Freud, não trazia a depreciação social que traz hoje. 2. Conteúdo do direito à privacidade Assim como outras liberdades, o direito à privacidade implica em comando negativo: garanti-la ao cidadão significa proibir que aspectos de sua vida particular sejam devassados. A CF, no art. 5º, X, quer impedir que qualquer pessoa, sob qualquer pretexto, invada sem autorização qualquer um dos diversos aspectos da esfera pessoal do indivíduo, que devem ser preservados em nome da privacidade. 7 Para que a vida privada se mantenha sob sigilo é preciso impedir que terceiros a investiguem, divulguem, ou mesmo conservem informações indevidamente obtidas. 8 E são indevassáveis todos os aspectos da intimidade 9, como o modo de vida doméstico, nas relações familiares e afetivas em geral, fatos, hábitos, local, nome, imagem, pensamentos,

9 Maxima Venia segredos, e, bem assim, as origens e planos futuros dos indivíduos. 10 Informações sobre os hábitos pessoais são objeto de proteção. A rotina de cada um, os locais que freqüenta, as pessoas que encontra, os produtos que consome: nada está disponível ao conhecimento alheio. Tércio Sampaio Ferraz Jr. lembra que o terreno da individualidade privativa é regido pelo princípio da exclusividade, explicando que aquilo que é exclusivo é o que passa pelas opções pessoais, afetadas pela subjetividade do indivíduo e que não é guiada nem por normas nem por padrões objetivos. No recôndito da privacidade se esconde, pois, a intimidade. A intimidade não exige publicidade porque não envolve direitos de terceiros. No âmbito da privacidade, a intimidade é o mais exclusivo dos seus direitos. 11 Concerne à vida íntima do indivíduo tudo aquilo que ele consome, inclusive os produtos que adquire num supermercado. Ninguém tem direito de saber quais mercadorias ele leva para sua casa; se compra produtos viciadores, cujo consumo abusivo é mal visto por alguns, como cigarro e bebidas alcoólicas; se compra preservativos, cujo uso permite ilações sobre sua vida sexual. Pode ofender o pudor do consumidor a divulgação da informação de que compra raticida, xampu que combate a caspa, tintura de cabelo ou fixador de dentadura. Pode haver legítimo interesse na discrição sobre eventuais gastos exagerados com produtos caríssimos e supérfluos, como caviar. É evidente, pois, que da coleta e do armazenamento dessas informações resulta uma ameaça à privacidade dos consumidores. Segundo Celso Bastos, todas as despesas ordinárias feitas pelo cidadão comum em sua vida cotidiana devem ser consideradas parte Para manter um bom nível de auto-estima e uma boa posição no ranking social, cada indivíduo cuida de criar para si uma imagem aceitável nos ambientes em que circula. Nessa lógica, há aspectos de sua vida pessoal que poderão afetar negativamente o apreço que goza de seus pares e que, portanto, não lhe interessa que cheguem ao conhecimento alheio. de sua vida privada, familiar ou doméstica e, portanto, protegidas contra interferências a despeito de qualquer pretexto. Desde as condutas mais corriqueiras, como as compras efetuadas em um supermercado para manutenção da família, quanto aquelas outras moralmente reprováveis, como presentes ou jóias compradas e dadas a quem presta ao homem serviços de natureza extraconjugal, tudo está abarcado pelo manto da proteção à vida privada, familiar ou doméstica Empresas privadas e seu interesse por informações pessoais Quem pode devassar indevidamente a privacidade do cidadão? Os Estados totalitários, com seus serviços de inteligência e polícias secretas, ocuparam tradicionalmente o papel de grandes inimigos da privacidade dos indivíduos. No final do século passado, no entanto, as ameaças passaram a vir de grandes conglomerados que surgiram disputando mercado numa escala massificada. 13 Estratégias de marketing, essenciais para o bom desempenho das empresas num mercado competitivo, alimentam-se de informações sobre os hábitos dos consumidores. Listas com determinados perfis de consumidores possibilitam aos fornecedores um acesso direto a seus compradores ou clientes potenciais, com racionalização e economia de custos. Além disso, as informações servem para aumentar o grau de rapidez e segurança nas decisões, dinamizando, assim, a economia, pois se o armazenamento ou uso dessa informação é restringido, financeiras reagirão como reagiram em outros países, através da redução do número e do universo de pessoas para as quais concederão financiamentos. Um estudo do Banco Mundial de 2000, por exemplo, mostrou que leis de privacidade restritivas eliminariam 11 de cada 100 pessoas normalmente qualificadas para obter hipotecas, cartões de crédito e outros empréstimos. Tais leis, portanto, correm o risco de negar oportunidade para dezenas de milhões de consumidores americanos. 14 Os defensores da eficiência do mercado argumentam: Quando há menos informação disponível, as empresas precisam gastar mais para negociar seus produtos e serviços. A concessão de crédito e outras decisões financeiras são menos precisas e, portanto, resultam em mais inadimplência. O uso indevido de identidade alheia e outras perdas fraudulentas aumentam. 15 Ninguém tem direito de saber quais mercadorias ele leva para sua casa; se compra produtos viciadores, cujo consumo abusivo é mal visto por alguns, como cigarro e bebidas alcoólicas; se compra preservativos, cujo uso permite ilações sobre sua vida sexual. Os cidadãos agora tratados como meros consumidores são vigiados, pesquisados, interrogados. Bancos de dados minuciosos armazenam diversas informações pessoais, muitas delas íntimas: nome, sexo, endereço, profissão, idade, estado civil, número e idade dos filhos, patrimônio, rendimentos, hobbies, hábitos de consumo etc. 16 Cartões de fidelidade de redes de comércio varejista permitem a reunião de dados sobre os livros e os remédios que compramos. No caso dos supermercados, temos a nossa despensa vigiada. Empresas de cartões de crédito podem saber tudo sobre nosso cotidiano: as viagens que fazemos, as lojas e os restaurantes que freqüentamos, a quantidade de dinheiro que gastamos. Empresas de telefonia celular podem monitorar nossos deslocamentos pela cidade. Pode-se afirmar que o cidadão moderno não se importa e que até gosta de ser tratado como consumidor. Que nossa sociedade é de fato marcada pelo hedonismo, pelo materialismo e pela vaidade que geram o consumismo e que é através do consumo que suprimos necessidades primordiais. Nessa perspectiva, a violação de nossa privacidade pelas empresas é aceitável: quanto melhor os fornecedores conhecerem os consumidores, melhor atenderão seus desejos. Há, todavia, um limite ético a ser imposto: o ser humano deve ser tratado sempre como agente, como sujeito titular de direitos, e não como mero objeto na lógica de um sistema voltado para o lucro. No que toca a esse esquadrinhamento de sua vida pessoal, é preciso que ele tenha pleno conhecimento da devassa, de seus limites e de seu uso, e que ele expressamente a autorize. Cada indivíduo é o senhor de sua intimidade. Cabe a ele permitir ou não qualquer intromissão. O emprego de meios sub-reptícios para a obtenção de dados, seu armazenamento e uso clandestinos são práticas que violam o tratamento ético, fundado na confiança e na boa-fé, que deve prevalecer nas relações de consumo

10 Maxima Venia 4. Banco de dados de proteção ao crédito e banco de dados com fins mercadológicos: legalidade e requisitos Apenas motivos relevantes como a proteção ao crédito e o combate ao crime e à sonegação autorizam, excepcionalmente, o acesso a informações privadas. Existem bancos de dados criados exclusivamente para proteção ao crédito (Serasa, SPC etc.). A lei reconhece, e portanto autoriza, sua existência e até lhes confere caráter público (CDC, art. 43, 4º). 17 Há, aqui, um evidente balanceamento dos interesses envolvidos, com a ponderação de que o registro de informações destinadas à segurança das transações é admissível porque resulta no bom funcionamento do sistema econômico. 18 Numa sociedade de consumo de massa, os fornecedores contratam com pessoas desconhecidas, estando sempre presente um fator de imprevisão e, conseqüentemente, de risco. Esse risco pode ser minimizado através da consulta a um banco de dados com informações sobre o nível de adimplência das pessoas em suas obrigações contratuais. Estamos diante de uma exceção, pois o direito de privacidade não é absoluto: O direito à inviolabilidade dessa franquia individual que constitui um dos núcleos básicos em que se desenvolve, em nosso País, o regime das liberdades públicas ostenta, no entanto, caráter meramente relativo. Não assume e nem se reveste de natureza absoluta. Cede, por isso mesmo, às exigências impostas pela preponderância axiológica e jurídico-social do interesse público. 19 É importante atentar para o silogismo subjacente: 1) o direito de privacidade é garantido com ressalvas; 2) apenas uma razão socialmente relevante autoriza Cartões de fidelidade de redes de comércio varejista permitem a reunião de dados sobre os livros e os remédios que compramos. No caso dos supermercados, temos a nossa despensa vigiada. Empresas de cartões de crédito podem saber tudo sobre nosso cotidiano: as viagens que fazemos, as lojas e os restaurantes que freqüentamos, a quantidade de dinheiro que gastamos. Empresas de telefonia celular podem monitorar nossos deslocamentos pela cidade. a sucumbência do direito de privacidade; 3) para fins de proteção ao crédito justifica-se excepcionalmente a existência de arquivos. E é justamente por essa razão proteção ao crédito que a Lei Complementar nº 105/01 não considera violação do dever de sigilo o fornecimento, pelas instituições financeiras, de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes a entidades de proteção ao crédito (art. 1º, 3º, II). 20 É legal o banco de dados quando sua finalidade é a proteção ao crédito: o consumidor não pode se opor a sua criação. Há, no entanto, uma série de restrições, como o direito do consumidor de ser comunicado de sua abertura, de ter acesso às informações arquivadas a seu respeito e de corrigir informação inexata. Existe ainda a proibição de manter informações desabonadoras referentes a período superior a cinco anos e o dever de comunicação por escrito (art. 43). E os Tribunais brasileiros vêm reconhecendo o dano moral resultante do uso indevido de bancos de dados de proteção ao crédito. 21 Ou seja, mesmo o banco de dados autorizado por lei para proteção ao crédito está sujeito a ressalvas. Herman Benjamin sustenta que os organismos privados ou públicos que armazenam informações sobre os consumidores necessitam, assim, de controle rígido, seja administrativo, seja judicial. A acumulação de informações sobre o consumidor, por mais singelas que sejam, não deixa de ser uma invasão de sua privacidade. 22 As exceções devem ser interpretadas restritivamente. A finalidade está limitada à proteção do crédito de caráter preventivo: outros interesses privados de credores não prevalecem diante do direito de sigilo de dados. O Superior Tribunal de Justiça não admite violação dos sigilos bancário e fiscal em outros casos, conforme os seguintes precedentes: O sigilo bancário não teria qualquer consistência se, para aparelhar a execução, o credor pudesse desvelar os saldos depositados pelo devedor em instituições financeiras, valendo o mesmo para o pedido de acesso às declarações do contribuinte, em face do sigilo fiscal. 23 Assentado na jurisprudência da Terceira Turma do STJ o entendimento no sentido de que as declarações, para fins de imposto de renda, têm caráter sigiloso que deve ser resguardado, salvo razão excepcional, que não se configura pelo simples interesse de descobrir bens a penhorar. 24 E o que dizer do banco de dado que não visa à proteção do crédito, cuja abertura não encontra justificativa na segurança das transações? Não há nenhum interesse público que legitime o armazenamento de informações pessoais para fins meramente mercadológicos. Existe, portanto, uma distinção fundamental: há dois tipos de banco de dados. Um deles, que visa à proteção ao crédito, é como visto admitido pelo ordenamento jurídico em razão de vantagens que propicia O emprego de meios sub-reptícios para a obtenção de dados, seu armazenamento e uso clandestinos são práticas que violam o tratamento ético, fundado na confiança e na boafé, que deve prevalecer nas relações de consumo. ao sistema econômico (segurança, rapidez, baixo custo etc.). O outro tipo de banco de dados não se relaciona à proteção ao crédito, mira apenas interesses de fornecedores (criação de mailing lists, orientação de decisões empresariais, marketing etc.). Não há proibição legal para a formação desse segundo tipo de banco de dados, desde que isso não implique em violação do direito de privacidade. A garantia constitucional do art. 5º, X, impede que se bisbilhote o comportamento alheio e que se armazene indevidamente informações pessoais. Assim, sob pena de violar o direito de privacidade, só é possível colher e arquivar informações pessoais de quem expressamente os autorize, ciente do alcance da intromissão e de suas finalidades. O consumidor pode, por um ato de liberalidade, participar de pesquisas de mercado e divulgar, de qualquer modo, seus hábitos de consumo. Só ele pode decidir soberanamente sobre os limites que concede ao avanço na esfera de sua intimidade. A coleta furtiva de informações é proibida. É possível, neste particular, uma analogia com a inviolabilidade do domicílio, garantia constitucional também relacionada com a proteção da privacidade. O morador é soberano para decidir quem adentra sua casa, quando, se o acesso fica limitado à área social, se pode se estender à área íntima etc. Ou seja, inviolabilidade não significa proibição total de acesso ao domicílio, mas sujeição à autorização do morador, que estabelecerá os limites. É natural a circulação de informações pessoais nas diversas formas em que se desenvolvem os relacionamentos sociais. Como afirma Tércio Sampaio Ferraz Jr., ninguém tem um nome, uma imagem, uma reputação só para si mesmo, mas como condição de comunicação. Contudo, embora sejam de conhecimento dos outros, que deles estão informados, não podem transformar-se em objeto de troca do mercado, salvo se houver consentimento

11 Maxima Venia Sobre a soberania do cidadão quanto ao destino das informações sobre si, o seguinte precedente do STJ: Quando uma pessoa celebra contrato especificamente com uma empresa e fornece dados cadastrais, a idade, o salário, endereço, é evidente que o faz a fim de atender às exigências do contratante. Contrata-se voluntariamente. Ninguém é compelido, é obrigado a ter aparelho telefônico tradicional ou celular. Entretanto, aquelas informações são reservadas, e aquilo que parece ou aparentemente é algo meramente formal pode ter conseqüências seriíssimas; digamos, uma pessoa, um homem, resolva presentear uma moça com linha telefônica que esteja no seu nome. Não deseja, principalmente se for casado, que isto venha a público. Daí, É legal o banco de dados quando sua finalidade é a proteção ao crédito: o consumidor não pode se opor a sua criação. Há, o próprio sistema da telefonia no entanto, uma série de restrições, como o direito do consumidor de ser comunicado de sua abertura, de ter acesso às informações arquivadas a seu respeito e de corrigir informação inexata. tradicional, quando a pessoa celebra contrato, estabelece, como regra, que o seu nome, seu endereço e o número constarão no catálogo; entretanto, se disser que não o deseja, a companhia não pode, de modo algum, fornecer tais dados. Da mesma maneira, temos cadastro nos bancos, entretanto, de uso confidencial para aquela instituição, e não para ser levado a conhecimento de terceiros Banco de dados e os riscos para o consumidor É preciso que o consumidor pondere sua autorização à inclusão de dados sobre sua vida pessoal num arquivo mantido por terceiros levando em conta todos os riscos envolvidos. Os riscos à sua segurança, por exemplo: A proteção da vida privada integra também o direito à segurança, porquanto (...) o conhecimento sem justa causa das relações comerciais, bancárias e toda sorte de gastos ordinários em época onde até mesmo os menos afortunados são alvo de extorsões, seqüestros e outras formas de violência constitui grave risco potencial à segurança pessoal e familiar. 27 Outra conseqüência visível do banco de dados é o assédio de ofertas, muitas vezes indesejada, que gera: Nossa economia gera uma enorme quantidade de dados. A maioria dessas informações provém de negócios honestos ao receber e dar informação legítima. Apesar dos benefícios de viver nessa era de informação, alguns consumidores eventualmente desejam limitar a quantidade de informação pessoal que querem compartilhar. Isso é possível: mais e mais organizações utilizam uma alternativa de optar por não participar que limita a informação que é compartilhada com outros ou utilizada para propósitos promocionais. Quando você opta por não participar, é possível reduzir o número de chamadas comerciais não solicitadas (telemarketing), correio promocional, e bombardeios publicitários enviados por correio eletrônico (spam ) que possa receber. 28 A informática permite que as empresas criem bancos de dados de forma mais rápida, barata e eficiente. Permite que uma quantidade imensa de informações seja armazenada. E traz um risco concreto e notório de que essas informações sejam acessadas por estranhos, como advertem os especialistas: A Internet, a maior rede de computadores do planeta (4,5 milhões de computadores interligados, mais de 30 milhões de usuários, 150 mil novos usuários por dia) também tem os seus cibernautas delinqüentes. São os hackers, geralmente jovens entre 15 e 25 anos de idade, que penetram ilegalmente em computadores ligados à rede, e roubam ou destroem dados acumulados ali por centenas ou até milhares de usuários. 29 O Federal Trade Commission, dos Estados Unidos, também adverte: Avanços na tecnologia dos computadores tornaram possível que informações detalhadas sobre as pessoas sejam compiladas e partilhadas de modo mais fácil e barato do que nunca. Isso é bom para a sociedade como um todo e para os consumidores individuais. Por exemplo, é mais fácil para encalçar criminosos para a implementação da lei, aos bancos para prevenir fraude, e para os consumidores para aprender sobre novos produtos e serviços, permitindo-lhes fazer decisões de compras mais bem informados. Ao mesmo tempo, uma vez que a informação pessoal torna-se mais acessível, cada um de nós empresas, associações, órgãos governamentais, e consumidores devemos tomar precauções para nos proteger contra o uso indevido dessa informação. 30 E é evidente que a proliferação de bancos de dados pessoais afeta o direito à privacidade: Com os computadores, o armazenamento de dados fica cada vez mais fácil, com todos os riscos que uma má utilização possa causar.... Existem muitas entidades privadas que possuem um sem-número de informações dos cidadãos e que ficam com a guarda de muitos dados, sem que haja um controle efetivo sobre os mesmos. O conteúdo comercial, ao estabelecer um perfil do consumidor, é evidente. A intimidade do cidadão fica exposta por largo período de tempo. (... ) Os bancos de dados contêm informações que traduzem aspectos da personalidade, que permitem traçar um perfil do consumidor. Essas informações são uma nova mercadoria com interesse comercial. É necessário, por essa razão, proteger o cidadão juridicamente com relação aos avanços da tecnologia, que pode ter sua intimidade violada, caso os dados sejam divulgados ou utilizados indevidamente. 31 O risco à liberdade é expressamente reconhecido pelo constitucionalista José Afonso da Silva: O intenso desenvolvimento de complexa rede de fichários eletrônicos, especialmente sobre dados pessoais, constitui poderosa ameaça à privacidade das pessoas. O amplo sistema de informações compu- O outro tipo de banco de dados não se relaciona à proteção ao crédito, mira apenas interesses de fornecedores (criação de mailing lists, orientação de decisões empresariais, marketing etc.). Não há proibição legal para a formação desse segundo tipo de banco de dados, desde que isso não implique em violação do direito de privacidade (...) Assim (...) só é possível colher e arquivar informações pessoais de quem expressamente os autorize, ciente do alcance da intromissão e de suas finalidades. tadoriza- das gera um processo de esq u a d r i n h a m e n t o das pessoas, que ficam com sua individualidade inteiramente devassada. O perigo é tão maior quanto mais a utilização da informática facilita a interconexão de fichários com a possibilidade de formar grandes bancos de dados que desvendem a vida dos indivíduos, sem sua autorização e até sem o seu conhecimento. 32 Autorização e conhecimento são dois aspectos lembrados pelo jurista, que assumem grande relevância quando se estuda o tratamento jurídico do problema

12 Maxima Venia 6. Proteção legal à privacidade do consumidor Além da já referida proteção prevista de forma genérica na CF (art. 5º, X), o direito à privacidade é também objeto de tutela por normas infraconstitucionais. O CDC, como visto, impõe no art. 43 ressalvas aos bancos de dados de proteção ao crédito. A Lei Complementar nº 105/01 determina que As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados (art. 1º). O Código Civil traz importante dispositivo em seu art. 21: A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma. Essa regra repete a prescrição da Constituição Federal e sua utilidade consiste em afastar qualquer discussão sobre a aplicabilidade da própria norma constitucional (discussão, aliás, que está afastada pelo que determina o 1º do art. 5º). 34 O Código Civil, portanto, não deixa nenhuma dúvida sobre o modo como deve ser efetivada a proteção do direito à inviolabilidade da vida privada: basta ao interessado requerer ao juiz as providências necessárias para impedir ou fazer cessar o ato atentatório. Importante observar que a lei não quis apontar quais seriam as providências possíveis, nem mesmo indicar quais atos devem ser considerados contrários ao direito tutelado. Preferiu atribuir ao juiz tais poderes, o de identificar uma hipótese concreta de violação da vida privada e o de impor as providências necessárias para impedir ou fazer cessar a violação. Toda e qualquer providência, portanto, é, em princípio, admissível, desde que suficientes e imprescindíveis para reparar ou prevenir a violação. De grande utilidade, pois, tal comando legal, uma vez que tantas são as formas possíveis de violação da vida privada que seria impossível prevê-las completamente. Do mesmo modo, muito variadas podem ser as medidas preventivas e corretivas. Não seria conveniente, ademais, deixar que tão relevante garantia constitucional ficasse sem a proteção de um remédio judicial. Notas do texto: 1. Outros dispositivos do art. 5º da CF também salvaguardam a privacidade: a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial (inc. XI). É inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal (inc. XII). 2. Art. XII: Ninguém será sujeito a interferência na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Todo homem tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques. Lembro aqui que a Declaração Universal representa um fato novo na história, na medida em que, pela primeira vez, um sistema de princípios fundamentais de conduta foi livre e expressamente aceito, através de seus respectivos governos, pela maioria dos homens que vive na Terra (Norberto Bobbio, A Era dos Direitos, 10ª ed., Rio de Janeiro: Campus, 1992, p. 28). 3. A Era dos Direitos, 10ª ed., Rio de Janeiro: Campus, 1992, p Cf. Robert Wright, O Animal Moral, 9ª ed., Rio de Janeiro: Elsevier, 1996, especialmente Capítulo Em um pequeno grupo (digamos um grupo do tamanho de uma aldeia de caçadores-coletores), uma pessoa tem um grande interesse em diminuir a reputação dos outros, particularmente outros do mesmo sexo e idade, por quem sente uma rivalidade natural (Robert Wright, op. cit., p. 230). Na lista dos universais humanos compilados pelo antropólogo Donald E. Brown constam os mexericos e a preocupação com a percepção alheia da auto-imagem (A lista está reproduzida em Tábula Rasa a negação contemporânea da natureza humana, de Steven Pinker, São Paulo: Cia. Das Letras, 2004, pp Cf. Eliane Cantanhêde, O lixo e a intimidade, Folha de S. Paulo, 08/12/ Cf. ensina José Afonso da Silva, o caráter imperativo das normas jurídicas revela-se no determinar uma conduta positiva ou uma omissão, um agir ou um não-agir; daí distinguirem-se as normas jurídicas em preceptivas as que impõem uma conduta positiva e em proibitivas as que impõem uma omissão, uma conduta omissiva, um não-atuar, não fazer (Aplicabilidade das Normas Constitucionais, São Paulo: Malheiros. 3ª ed., 1999, p. 67). O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo concedeu liminar determinando a proibição, a empresa atacadista, de proceder a revistas ou conferências de compras já realizadas por seus fregueses por ofensa à intimidade e privacidade, ao direito de locomoção e à propriedade (Quinta Câmara de Direito Privado Agravo de Instrumento nº /9 rel. Des. Marcus Andrade ). Sobre o sigilo dos vencimentos: 1. A remuneração dos servidores públicos está prevista em lei, com publicidade ampla para conhecimento dos interessados. 2. Diferentemente, não pode o cidadão ter acesso à intimidade de cada servidor. 3. Impossibilidade de conceder a Administração certidão nominal dos ganhos de cada servidor. 4. Recurso ordinário improvido. (STJ RMS Relatora Min. Eliana Calmon Segunda Turma ) 8. Cf. José Afonso da Silva, Curso de Direito Constitucional Positivo, São Paulo: Malheiros. 14ª ed., 1997, p Tércio Sampaio Ferraz Jr. diferencia a vida privada da intimidade pelo maior grau de exclusividade da última. Sustenta que a intimidade é o âmbito do exclusivo que alguém reserva para si, sem nenhuma repercussão social, nem mesmo ao alcance de sua vida privada que, por mais isolada que seja, é sempre um viver entre os outros (na família, no trabalho, no lazer em comum). Já a vida privada, segundo o jurista, envolve a proteção de formas exclusivas de convivência. Trata-se de situações em que a comunicação é inevitável (em termos de relação de alguém com alguém que, entre si, trocam mensagens), das quais, em princípio, são excluídos terceiros (Sigilo de Dados: O Direito à Privacidade e os Limites à Função Fiscalizadora do Estado, Cadernos de Direito Constitucional e de Ciência Política 1/79). 10. Citação da doutrina de Moacyr de Oliveira em José Afonso da Silva, op. cit, p Op. cit., p. 78. O autor baseia-se no pensamento de Hannah Arendt, inspirado em Kant. 12. Sigilo Bancário, in Estudos e Pareceres de Direito Público, São Paulo: RT. 1993, p Cf. Têmis Limberger, As Informações Armazenadas pela Instituição Bancária e o Direito à Intimidade do Cliente. Revista de Direito do Consumidor 43/288; e Fábio Comparato, A Afirmação Histórica dos Direitos Humanos. São Paulo: Saraiva. 2ª ed., 2001, p Fred Cate, Invasions of Privacy? artigo publicado no jornal Boston Globe Published, , disponível no endereço newsid.14758,filter./news_detail.asp 15. Fred Cate, op.cit. 16. As informações básicas meramente identificadoras do indivíduo (nome, filiação, endereço, CPF) não integram, em princípio, o âmbito da intimidade, embora componham a vida privada, porque são informações justamente destinadas à interação social. Não possuem o atributo da exclusividade que marca os aspectos da vida pessoal que integram a intimidade. Tércio Sampaio Ferraz Jr. entende que este tipo de dado, embora privativo do sujeito, é condição de sua identificação para efeito dos intercâmbios sociais que ocorrem inclusive na vida privada. Destacados dos intercâmbios privados, eles não estão protegidos pela privacidade (op. cit., p. 87). 17. O caráter público de um banco de dados permite ao cidadão impetrar habeas data (CF, art. 5º, inc. LXXII, a). Para ser considerado de caráter público, o registro ou banco de dados deve conter informações que sejam ou que possam ser transmitidas a terceiros ou que não sejam de uso privativo do órgão ou entidade produtora ou depositária das informações (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 9.507/97). 18. Herman Benjamin aponta as vantagens para o sistema econômico das entidades de proteção ao crédito que armazenam dados sobre os consumidores: a um só tempo, superam o anonimato do consumidor (o fornecedor não o conhece, mas alguém está a par da sua vida), auxiliam na utilização do crédito (por receber informações de terceiros sobre o consumidor, a instituição financeira, mesmo sem conhecê-lo, lhe concede o crédito), e, por derradeiro, permitem que os negócios de consumo sejam feitos sem delongas (se o crédito é rápido, o consumidor pode aproveitar essa economia de tempo e adquirir outros produtos ou serviços de fornecedores diversos) (Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto, Rio de Janeiro: Forense Universitária. 5ª ed., 1998, p. 327). 19. Voto proferido pelo Min. Celso de Mello aos na Petição nº Distrito Federal Questão de Ordem. 20. Observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil. 21. Segundo precedente do STJ, A inscrição do nome da contratante na Serasa depois de proposta ação para revisar o modo irregular pelo qual o banco estava cumprindo o contrato de financiamento, ação que acabou sendo julgada procedente, constitui exercício indevido do direito e enseja indenização pelo grave dano moral que decorre da inscrição em cadastro de inadimplentes (JSTJ 16/330). O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul decidiu que constitui ilícito, imputável à empresa de banco, abrir cadastro na Serasa sem comunicação ao consumidor (artigo 43, 2º, da Lei nº 8.078/90). O atentado aos direitos relacionados à personalidade, provocados pela inscrição em banco de dados, é mais grave e mais relevante do que lesão a interesses materiais (5ª Câm. Cível Ap. nº Rel. Des. Araken de Assis j Boletim AASP 2.044/481). 22. Op. cit., p A manipulação de informações, ainda que para proteção ao crédito, deve sofrer um estrito controle e seu limite pode gerar controvérsias. O Ministério Público Federal questiona judicialmente, por exemplo, a possibilidade da Serasa receber informações da Receita Federal (vide petição inicial do Procurador André de Carvalho Ramos publicada na RDC 39/ ). 23. RESP Terceira Turma - Relator Min. Ari Parglender - JSTJ 9/ RESP Terceira Turma - Relator Min. Waldemar Zveiter - RT 725/ Op. cit., pp Em 1990, o legislativo da Califórnia aprovou uma lei protegendo a privacidade do consumidor quando paga com cartão de crédito. Essa lei impede os varejistas de colher informação pessoal sobre transações com cartões de crédito e de usá-las para suas próprias finalidades de marketing ou vender as informações para especialistas em mala-direta. (Cf. California s Advocate For The Public Interest, no sítio RHC Sexta Turma - Relator Min. Luiz Vicente Cernicchiaro - JSTJ 9/ Celso Bastos, Sigilo Bancário, in Estudos e Pareceres de Direito Público, São Paulo: RT. 1993, p. 67. Em sua edição do dia , o jornal Folha de S. Paulo (p. C5) informou que um estudante de 18 anos foi preso pela Polícia Federal dois dias antes em Petrópolis (região serrana do Rio), sob a acusação de clonar sites de instituições bancárias do Brasil e do exterior e aplicar golpes em correntistas pela internet. Segundo agentes da CGCOIE (Coordenação Geral de Combate ao Crime Organizado), o estudante criou páginas idênticas às de bancos brasileiros como o Bradesco, a CEF (Caixa Econômica Federal) e o Banco do Brasil, além de instituições da Coréia, do Peru e dos Estados Unidos, e conseguiu ter acesso a senhas e números de contas e de cartões. A partir daí, teria realizado compras, saques e transferências, lesando um número ainda não determinado de pessoas. 28. Sua Informacão Privada: O Que Você Sabe Pode Protegê-lo, texto disponível no site do Federal Trade Commission dos EUA na Internet. 29. Renato M.E. Sabbatini, Os piratas da Internet, Jornal Correio Popular, Caderno de Informática, 21/4/95, Campinas-SP. Em outro artigo, o professor escreveu que a Internet é um verdadeiro faroeste, em matéria de proteção da privacidade do usuário. Enquanto você usa um site de comércio eletrônico, dezenas de informações são coletadas sobre você, desde seu nome, endereço e número de cartão de crédito, até os seus hábitos de navegação e de compra. Você não tem a menor idéia de onde estão sendo armazenadas essas informações, se elas não são alteradas sem o seu conhecimento, vendidas para outros sites, ou roubadas. Assustador? Pode apostar que sim. A segurança da Internet, como se pode ver pelos recentes ataques de hackers a grandes sites de comércio eletrônico nos EUA, é precária, para falar o melhor. A ausência de diretivas morais e legais também é rampante entre os sites de comércio eletrônico. Um levantamento recente feito pela Federal Trade Commission, órgão do Governo Americano que regulamenta as atividades comerciais naquele país, descobriu que apenas 8% dos sites de comércio eletrônico têm um selo de privacidade, ou seja, alguma política, claramente visível, de que os usuários daquele site têm garantia de privacidade. A FTC deseja que os sites tenham quatro normas básicas: aviso, escolha, acesso e segurança. Em outras palavras, o site deve avisar claramente ao usuário qual informação está sendo coletada sobre ele, e como é usada; dar opção para que ele escolha como a informação será usada, dar acesso às informações já coletadas sobre ele, para fins de verificação, correção e apagamento, e tomar as medidas necessárias para proteger os dados de acesso por terceiros. No levantamento realizado nos EUA, apenas 20% dos sites de comércio eletrônico com mais de 40 mil visitantes por dia tinham implementando essas quatro políticas de privacidade. Como conclusão de um estudo de 208 páginas sobre práticas de privacidade na Net, a poderosa FTC concluiu que o Governo deve implementar exigências legais de proteção, pois a indústria falhou em regulamentar a si própria de maneira independente, como os líderes empresariais do setor desejam. A controvérsia se instalou. A Aliança de Privacidade na Internet, um grupo que defende a ausência de quaisquer barreiras ou legislação que tente domar o vale-tudo da Internet, é contra. Achamos que os consumidores bem informados devem decidir que nível de privacidade preferem. Eles podem disciplinar o mercado para que ele forneça a proteção de privacidade que exigem e merecem. As recomendações da FTC são muito amplas, prematuras, pouco práticas e desnecessárias. Já os consumidores pensam diferente. De acordo com um relatório de outubro de 1999 da empresa Forrester, 90% dos consumidores querem controlar como a informação coletada sobre eles é coletada e usada por terceiros, 57% favorecem leis destinadas à proteção da privacidade online, e 56% não permitiriam a coleta, se a eles fosse dada a escolha. (Os piratas da Internet, Jornal Correio Popular, Caderno de Informática, 26/5/2000, Campinas-SP) 30. Texto disponível em seu site na Internet aos Têmis Limberger, As Informações Armazenadas pela Instituição Bancária e o Direito à Intimidade do Cliente. Revista de Direito do Consumidor 43/ e Curso de Direito Constitucional Positivo, São Paulo: Malheiros.1997, 14ª ed., p Quando, no início da década de 90, os geneticistas pretenderam estudar a diversidade genética das diversas populações humanas, surgiu um impasse: grupos indígenas norte-americanos recusaram-se a fornecer as amostras de sangue imprescindíveis para o mapeamento dos genes. A recusa se baseava na desconfiança sobre a utilização das informações que seriam coletadas. Nesse contexto, Henry Greely, professor de Direito em Stanford, empregou o conceito de consentimento informado, para, junto com geneticistas, criar um Protocolo Modelo de Ética. Pelo processo do consentimento informado, as pessoas que estão pensando em se submeter a um teste genético devem saber exatamente o que as espera. Precisam conhecer a precisão do exame e o que será feito com os resultados. Precisam saber de que forma os resultados poderão afetar os membros da família, os patrões, as seguradoras e outras pessoas envolvidas. Apenas depois que as pessoas forem perfeitamente informadas a respeito do teste e suas possíveis conseqüências é que se deve perguntar se desejam ser testadas (Steve Olson, A História da Humanidade. Rio de Janeiro: Campus. 2003, p (v. Annual Review of Antropology 27 (1998): ) (Henry Greely, Informed Consent and Other Ethical Issues in Human Population Genetics. Annual Review of Genetics : ) 34. As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata

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