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1 PARLAMENTO EUROPEU Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos DOCUMENTO DE TRABALHO sobre o Sistema de Entrada/Saída (EES) para registo dos dados das entradas e saídas dos nacionais de países terceiros aquando da passagem das fronteiras externas dos Estados-Membros da União Europeia Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos Relator: Agustín Díaz de Mera García Consuegra DT\ doc PE v01-00 Unida na diversidade

2 1. Introdução O relatório sobre a criação de um Sistema de Entrada/Saída (EES) é parte da proposta que integra o chamado «pacote das fronteiras inteligentes». O presente documento de trabalho, com as variações e perspetivas próprias do atual relator, continua o trabalho realizado pelo anterior relator e identifica as questões-chave decorrentes dos estudos técnicos e de custos elaborados pela Comissão. Pretende também servir como base de reflexão e debate dentro do Parlamento Europeu. 2. Estudo técnico: aspetos considerados O estudo técnico examina em pormenor alguns dos aspetos-chave do EES, nomeadamente o seu objetivo, os dados (tipos de dados necessários, períodos de conservação, nível de proteção no seu tratamento, etc.), os processos de controlo nas fronteiras e a arquitetura do sistema (sem esquecer a compatibilidade ou não com outros sistemas já existentes a nível nacional). Em muitos aspetos, as conclusões diferem tanto do conteúdo da atual proposta legislativa, que a Comissão se comprometeu a apresentar uma proposta revista, assim que termine a fase de testes e as conclusões sejam analisadas Objetivo O relator defende a gestão integral e comunitária do controlo das fronteiras, reforçando os sistemas existentes e garantindo as liberdades do Espaço Schengen. O estudo técnico baseia-se no pressuposto de base de que «os objetivos e o alcance das propostas legislativas que fazem parte do pacote das fronteiras inteligentes não serão alterados» (página 32 do estudo). Porém, em resultado dos diferentes debates, surge como objetivo secundário o acesso ao EES por parte das forças de segurança. Recorde-se que a proposta original já incluía uma possível avaliação desta possibilidade ao fim de dois anos de funcionamento. Neste sentido, o relator entende que o acesso por parte das forças de segurança conferiria ainda maior sentido e eficácia ao EES e, por conseguinte, contribuiria para melhorar a gestão do Espaço Schengen. Não esqueçamos que, na maior parte dos casos, são as forças de segurança dos Estados-Membros que têm a responsabilidade de controlar as fronteiras. Este acesso já acontece nos sistemas VIS e Eurodac, para casos específicos e com as devidas garantias. Do ponto de vista da necessidade, da proporcionalidade e do respeito pelos direitos individuais, deveriam estudar-se as repercussões que tal acesso teria sobre o sistema: dados necessários (inclusão ou não de impressões digitais, aspetos de arquitetura técnica, tempo de conservação de dados, a respetiva proteção e o impacto nos processos de controlo nas fronteiras) Processo de controlo nas fronteiras A prática diária dos vários tipos de controlos fronteiriços (terra, mar e ar) e a previsão futura dos fluxos de viajantes (76 milhões de viajantes com 302 passagens nas fronteiras em 2025) justificam a necessidade de uma melhor e mais rápida gestão dos mesmos. Um objetivo prioritário do EES é melhorar a gestão das passagens fronteiriças, pelo que todas as medidas implementadas devem ter o menor impacto possível no tempo de espera para PE v /5 DT\ doc

3 realizar estas passagens. O capítulo 3 do estudo examina em detalhe este aspeto, distinguindo entre os nacionais de países terceiros que sejam titulares ou não de um visto. Insiste-se particularmente na utilização da maior quantidade possível de dados a que se possa ter acesso de forma automática, a partir da zona de leitura automática dos documentos de viajem e da fotografia armazenada no chip, no caso de um passaporte biométrico. Devem igualmente analisar-se às autenticações ativas e passivas no momento da verificação da integridade do documento de viagem, bem como as sinergias e divergências, caso se acabe por decidir recorrer também ao sistema VIS. O capítulo reúne as principais recomendações para a implementação de ambos os sistemas Aceleradores Para aumentar a rapidez destes procedimentos, o estudo introduziu o conceito de «aceleradores de processos», destinados a reduzir o tempo necessário para atravessar a fronteira. O capítulo 3.5 debruça-se sobre várias destas possibilidades, nomeadamente a facilitação de informações antecipadas por parte das companhias aéreas (dados API); a instalação de terminais nos quais os viajantes podem pré-registar certos dados; o aumento do período de conservação de dados (visto que este diminuiria o número de registos iniciais no EES); a organização dos pontos de passagem da fronteira (sobretudo da gestão das faixas); a utilização dos dados dos passaportes biométricos; o uso de portas de controlo automático de fronteiras, ou portas ABC, também para os nacionais de países terceiros; os sensores de impressões digitais ou a imagem ocular como dado biométrico alternativo Dados O capítulo 5 do estudo centra-se nos dados que o EES deve armazenar. Na sequência dos debates realizados, e tendo em vista o respeito pelos princípios da proporcionalidade e da necessidade, bem como a maximização da recolha automática de dados, o estudo conclui que, dos 36 tipos de dados originalmente propostos, apenas 26 seriam necessários (Quadro 5.2.3). O estudo apresenta também várias possibilidades quanto às fontes de obtenção dos dados, tais como os sistemas VIS e RTP, o chip dos passaportes biométricos, a zona de leitura automática e o documento de viagem, incluindo a vinheta do visto Dados biométricos O capítulo 4 debruça-se sobre o uso dos dados biométricos dos pontos de vista da análise, da segurança, do impacto no controlo fronteiriço e da complexidade da sua implementação, destacando as impressões digitais e o reconhecimento facial, devido ao seu elevado grau de desenvolvimento tecnológico e fiabilidade, tanto no momento da verificação (1:1) como no da identificação (1:n). Alguns debates propõem também considerar o reconhecimento da íris como uma opção a estudar na fase de testes. DT\ doc 3/5 PE v01-00

4 Apesar da atual proposta legislativa indicar a recolha das dez impressões digitais, o estudo aprecia diferentes propostas (recolher somente 10, 8, 4, 2 ou 1 impressões, assunto abordado nas páginas 157 a 160 e no quadro 34). Considera-se igualmente o uso do reconhecimento facial como dado biométrico independente ou combinado com as impressões digitais (quadros 36 e 37). Em resumo, poderíamos dizer que estamos perante uma dicotomia entre segurança e rapidez: um maior número de impressões implica uma maior fiabilidade nos resultados, mas atrasa o procedimento de gestão das fronteiras (quadro 39). Além disso, devem ter-se em conta as condições climatéricas e as características dos diferentes controlos fronteiriços: condições climatéricas, volume de fluxo de viajantes, instalações, entre outros Período de conservação dos dados (capítulo 5.3) Tendo em conta que o relator defende em absoluto o respeito e a proteção dos dados, o Regulamento deve cumprir os princípios de necessidade e proporcionalidade. O estudo indica que o período de conservação atualmente previsto na proposta legislativa não facilita a gestão do tráfego de viajantes. É demasiado curto e obrigaria qualquer pessoa que deseje entrar na UE a ter de se registar no EES com muita regularidade, em intervalos de tempo breves, atrasando o processo. Este período também não serviria, caso se decidisse, por fim, permitir o acesso às forças de segurança. É igualmente evidente a grande diferença face ao período de tempo estabelecido para o RTP (cinco anos). Esta questão está intimamente relacionada com a arquitetura do sistema, em particular com a sua vinculação ou não ao VIS. A principal proposta consiste em alinhar os períodos de conservação em ambos os sistemas, fixando-os em 5 anos, 366 dias, ou outro intervalo temporal. As páginas 211 a 224 apresentam comparações e estatísticas sobre cada uma das opções, nomeadamente a duração da passagem da fronteira, a complexidade da sua implementação, os custo, etc Modelos Operacionais com Objetivos (TOM) A fim de transformar as diferentes opções analisadas no estudo em elementos reais de análise, recorre-se ao conceito de «modelos operacionais com objetivos» (TOM), combinando os diferentes aspetos potenciais do futuro sistema. Apresentam-se concretamente três destes modelos para o EES (páginas 18 a 20), cuja diferença fundamental reside no número de impressões digitais utilizadas. O TOM A propõe o uso exclusivo do reconhecimento facial, enquanto o TOM B e o TOM C propõem a combinação do reconhecimento facial com a recolha de impressões digitais, respetivamente, quatro no modelo B e oito no modelo C. Qualquer uma das opções selecionadas comportaria implicações quanto à identificação 1:n. PE v /5 DT\ doc

5 2.8. Arquitetura A este respeito, o relator remete para o documento comum Custo O custo do EES diminuiu consideravelmente, em especial se se considerar a possibilidade de construir um só sistema (EES/RTP) ou de reutilizar elementos do VIS. Independentemente da opção que venha a ser selecionada, é importante que aprendamos com a experiência do SIS II para que não se verifiquem desvios nem alterações tanto no procedimento como no orçamento decidido. O EES deve ser eficaz e interoperável, tanto quanto possível, com os sistemas pré-existentes a nível nacional, reduzindo os custos de manutenção no futuro. Deve examinar-se igualmente o custo suplementar do eventual acesso ao sistema por parte das forças de segurança, bem como a definição do período de conservação de dados. 3. Questões para debate no Parlamento Com este documento, o relator pretende instar ao debate parlamentar e à reflexão sobre a atual proposta, sobretudo tendo em conta a futura revisão legislativa prevista. São muitas as questões que devem ser analisadas, mas destacam-se especialmente as seguintes: Que objetivos, tanto principais como secundários, são visados com o EES? Exorta-se, em particular, à reflexão sobre a possibilidade de as forças de segurança terem acesso ao sistema, no sentido de demarcar os limites e assegurar a defesa dos direitos individuais. Qual é a arquitetura mais viável e operacional para o sistema? A proteção dos dados deve estar garantida, tanto a nível nacional como comunitário. Devem assegurar-se os princípios da proporcionalidade e da necessidade. Neste sentido, o relator interroga-se sobre quais os dados necessários para cumprir os objetivos do EES, qual deve ser o período de conservação de dados, que tratamento deve ser aplicado em relação ao VIS, entre outros aspetos. A otimização do orçamento destinado à sua construção deve apostar na maior interoperabilidade com os sistemas já existentes a nível nacional, reduzindo os custos no presente e facilitando a manutenção futura. DT\ doc 5/5 PE v01-00

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