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1 A CNEN REJEITOS RADIOATIVOS 1/8 NOV/2001 A CNEN Comissão Nacional de Energia Nuclear é o órgão federal responsável pelo licenciamento e fiscalização das instalações nucleares e radiativas brasileiras. Exerce controle sobre todo o material nuclear, de forma a garantir a segurança da população, trabalhadores e meio ambiente. Na área dos rejeitos radioativos, estabelece normas de controle, que cobrem todas as atividades concernentes ao gerenciamento destes resíduos, desde a sua origem até o armazenamento final. Rejeitos Radioativos Rejeito radioativo é todo e qualquer material resultante de atividades humanas, que contenha radionuclídeos em quantidades superiores aos limites estabelecidos pela CNEN, cuja reutilização é imprópria ou não prevista. Para efeito de gerenciamento, os rejeitos provêm de dois tipos de instalações:! as nucleares, que abrangem todas as instalações do ciclo do combustível, que vão da mineração; passando por beneficiamento; conversão; enriquecimento; reconversão; produção das pastilhas e elemento combustível; seu uso em usinas nucleares e armazenamento final;! as radiativas, que são as demais instalações, como clínicas, hospitais, indústrias, universidades, centros de pesquisa etc. Gerência de Rejeitos Os rejeitos radioativos precisam ser cuidados convenientemente para não causar danos ao homem e ao seu meio ambiente. Isto significa realizar uma série de ações que vão desde a coleta dos rejeitos onde são produzidos, até seu destino final. A esta série de ações se dá o nome de "Gerência de Rejeitos". Ela engloba a coleta, a segregação dos diversos tipos de rejeitos, o transporte para a área de tratamento e/ou desta para o local de deposição final, o tratamento, o armazenamento e a própria deposição final. Os rejeitos são segregados de acordo com sua natureza: Rejeitos sólidos (compactáveis, não-compactáveis; incineráveis, não-incineráveis; biológicos, fontes seladas) Rejeitos líquidos (orgânicos, inorgânicos, ácidos, alcalinos, inflamáveis, não-inflamáveis)

2 A gerência dos rejeitos deve ser conduzida obedecendo-se aos requisitos de proteção aos trabalhadores, aos indivíduos do público e ao meio ambiente. O lançamento de rejeitos radioativos no meio ambiente é precedido de estudos para determinar as rotas percorridas pelos radionuclídeos no meio ambiente, os usos que a população faz dos recursos naturais naquelas rotas, seus hábitos alimentares e de recreação, os tempos decorridos entre o lançamento e as exposições e, por fim, as doses resultantes. Somente quando estas doses forem suficientemente baixas, não representando riscos, é que serão autorizadas as liberações. Por outro lado, se a atividade dos rejeitos e, por conseguinte, as doses resultantes impedem sua dispersão, os rejeitos são armazenados apropriadamente. O armazenamento implica no isolamento dos radionuclídeos e a restrição de sua liberação para o ambiente. O tempo de armazenamento está diretamente relacionado com o tempo de decaimento dos radionuclídeos presentes no rejeito. 2/8 O que é decaimento? Cada elemento radioativo, seja natural ou obtido artificialmente, se transmuta (se desintegra ou decai) a uma velocidade que lhe é característica. Para se acompanhar a duração (ou a vida ) de um elemento radioativo foi preciso estabelecer uma forma de comparação. Por exemplo, quanto tempo leva para um elemento radioativo ter sua atividade reduzida à metade da atividade inicial? Esse tempo foi denominado meia-vida do elemento. Isso significa que, para cada meia-vida que passa, a atividade radioativa vai sendo reduzida à metade da anterior, até atingir um valor insignificante, que não permite mais distinguir suas radiações das do meio ambiente. A este processo dá-se o nome de decaimento. Custos da Gerência de Rejeitos O tratamento dos rejeitos radioativos é realizado com o objetivo de promover uma série de transformações nas propriedades físicas e químicas dos rejeitos, de forma a resultar num aumento de segurança e na redução dos custos de transporte e deposição final. Este tratamento emprega técnicas bem conhecidas nas indústrias convencionais, adaptados para as condições de trabalho com radiação. Evidentemente, estas técnicas envolvem custos. As entidades (institutos, clínicas, hospitais, indústrias, usinas) devem tratar seus rejeitos e entregá-los à CNEN, a qual, por força da Lei 7.781, é responsável pelo recebimento e guarda definitiva. Alternativamente, a Lei determina o pagamento de R$ 5.000,00 por metro cúbico de rejeito recebido para tratamento e armazenamento pela CNEN. Isto se a entidade (quem gerou o rejeito) não for isenta.

3 Quem está isento da taxa? O parágrafo único do artigo 3º, da Lei 9.765, diz que "estão isentos da TLC os institutos de pesquisa e desenvolvimento da área nuclear do Programa de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear, organizações militares, hospitais públicos integrantes do Sistema Único de Saúde, instituições públicas de pesquisa que empreguem técnicas nucleares, bem como pessoas jurídicas instituídas exclusivamente para fins filantrópicos, assim consideradas na forma da lei e que, comprovadamente, utilizem material nuclear ou radioativo para atender a esses fins". 3/8 Cabe citar que a toda e qualquer instalação radiativa (que usa radioisótopo) é exigido um plano de gerência de rejeitos bem como a construção de área destinada ao tratamento dos rejeitos produzidos, até que estes possam ser descartados ou recolhidos a um dos depósitos da CNEN. A CNEN possui atualmente os seguintes depósitos de rejeitos radioativos:! Depósito definitivo: Goiânia (Abadia de Goiás, 25 km do centro de Goiânia) usado apenas para os rejeitos resultantes do acidente com Césio-137, ocorrido em 1987.! Depósitos temporários: Localizados no IPEN (Cidade Universitária, USP - São Paulo), no CDTN (Cidade Universitária - UFMG, Belo Horizonte) e no IEN (Cidade Universitária - UFRJ, Rio de Janeiro).! Lei que regulamenta os depósitos de rejeitos: Após 12 anos de tramitação, foi aprovada no Senado Federal, no dia 24 de outubro de 2001, e aguarda sanção presidencial, a Lei que regulamenta a construção dos futuros depósitos definitivos de rejeitos radioativos. A Lei trata dos tipos de depósitos, da seleção dos locais, da sua construção, licenciamento, administração e operação, da remoção e fiscalização dos rejeitos. Estabelece também os custos, remunerações e recolhimento de tarifas, as indenizações, a responsabilidade civil e as garantias relativas as estas instalações. Principais Geradores de Rejeitos a) Usinas Nucleares Usinas Nucleares geram os seguintes tipos de rejeitos Rejeitos de baixo nível de atividade: luvas, sapatilhas, máscaras, ferramentas e contaminadas. São armazenados em tambores e após o tempo de decaimento, são descartados, pois já não apresentam nenhum risco. As roupas contaminadas são lavadas e reutilizadas. Apenas em caso de contaminação que não possa ser retirada por lavagem (contaminação fixa), são descartadas.

4 Rejeitos de médio nível de atividade: resinas exauridas (usadas na remoção/purificação da água contaminada) bem como filtros utilizados para reter partículas radioativas. São condicionados através de sua incorporação em matriz sólida por cimentação ou betuminização. Rejeitos de alto nível de atividade: resultantes do reprocessamento dos elementos combustíveis usados nos reatores nucleares. No Brasil, os elementos combustíveis usados estão sendo estocados em locais específicos e apropriados, dentro da própria usina, para futura reciclagem e uso dos energéticos remanescentes. Com base em dados obtidos na operação de usinas nucleares no mundo, uma usina como a de Angra 2 gera, anualmente, um volume entre 50 e 100m 3 de rejeitos de baixo e médio níveis. 4/8 b) Instalações do Ciclo do Combustível Nuclear São as chamadas instalações nucleares. Executam atividades que vão da mineração; passando por beneficiamento; conversão; enriquecimento; reconversão; produção das pastilhas e elemento combustível; seu uso em usinas nucleares e armazenamento final. Tais instalações armazenam temporariamente ou de forma definitiva, no próprio sítio onde estão localizadas, os rejeitos por elas gerados, seguindo normas de segurança estabelecidas pela CNEN. c) Hospitais, Clínicas e Institutos ou Centros de Pesquisa Equipamento de radioterapia - Após o fim de sua vida útil, as fontes radioativas são substituídas e armazenadas em um dos três depósitos da CNEN. Com o objetivo de minimizar o volume de rejeitos no país, a CNEN orienta aos usuários que incluam nos contratos de aquisição de fontes cláusula que garanta a devolução ao país de origem. Luvas, seringas, frascos e demais utensílios contaminados. Rejeitos biológicos, que são, em sua maior parte, compostos de matéria orgânica misturada a materiais radioativos. Quantidade de rejeitos gerados Os rejeitos radioativos gerados ao longo de toda a história do uso da energia nuclear no Brasil, ou seja, mais de quatro décadas, encontram-se armazenados nas diversas instalações pertencentes ou supervisionadas pela CNEN. Esses rejeitos, provenientes principalmente da Central Nuclear de Angra, da Indústria de Beneficiamento de areias monazíticas, do acidente radiológico de Goiânia e do uso de radioisótopos em medicina, indústria e pesquisa, representam um volume de cerca de m 3.

5 Com relação a rejeitos gerados por usinas nucleares, pode-se citar, a título de exemplo, a experiência francesa, onde 80% da energia elétrica é gerada por via nuclear, e os rejeitos radioativos produzidos que mereçam especial atenção correspondem a apenas 0,004% dos rejeitos industriais produzidos naquele país. No Brasil, hoje, a contribuição nuclear na matriz energética é de apenas 2,0%. 5/8 Recolhimento de rejeitos A cada ano a CNEN realiza operações de recolhimento de rejeitos em todo o país. Nestas, são também obedecidas todas as exigências de forma a garantir a segurança do público, trabalhadores e meio ambiente. As entidades que geram rejeitos não precisam esperar pelas operações de recolhimento da CNEN, podendo providenciar o transporte, dentro das normas estabelecidas, através de empresas autorizadas para este tipo de operação, levando o material a um dos depósitos da CNEN. Outras Informações Aparelho de Raio-X não possui material radioativo Os raios-x são radiações da mesma natureza da radiação gama (ondas eletromagnéticas), com características idênticas. Só diferem da radiação gama pela origem, ou seja, os raios-x não saem do núcleo do átomo, portanto, não são energia nuclear. Isto quer dizer que um aparelho de raio-x não contém, em seu interior, nenhuma fonte contendo material radioativo. Os raios-x são emitidos quando elétrons, acelerados por alta voltagem, são lançados contra átomos e sofrem frenagem, perdendo energia. Aparelhos de raio-x só emitem radiação quando ligados. Uma vez desligados, não emitem radiação nem são radioativos. Rejeitos de Goiânia Em junho de 1997, a CNEN inaugurou o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste, em Abadia de Goiás (GO). Lá estão situados dois depósitos definitivos, que abrigam os rejeitos oriundos do acidente radiológico com o Cs-137, em Um deles abriga quarenta por cento do volume total do material recolhido, rejeitos cuja concentração radioativa é tão baixa que poderiam ser definidos como lixo comum. No segundo depósito, estão os rejeitos efetivamente radioativos, dentre eles os restos da fonte principal que originou o acidente.

6 Depósitos de rejeitos radioativos no País 6/8! As instalações do Ciclo do Combustível Nuclear das Indústrias Nucleares do Brasil S.A. - INB, geram rejeitos de baixa atividade que somam quantidades muito pequenas e são mantidos em depósitos intermediários localizados em áreas das próprias instalações, as quais não apresentam problemas de capacidade. A recuperação do urânio durante as sucessivas etapas do processamento é uma preocupação constante maior, tanto pelo seu valor econômico como para evitar sua presença nos efluentes das instalações.! Nas instalações de mineração da INB, o material com teor de urânio abaixo do limite de utilização (1.000 ppm) estabelecido para aproveitamento industrial econômico, porém escavado e removido pela necessidade de se alcançar porções com maior concentração em urânio, é considerado rejeito e depositado a céu aberto em terreno escolhido, próximo à mina, com os devidos cuidados para evitar-se a lixiviação pelo intemperismo, com a geração de efluentes contaminados. Assim aconteceu na mina Osama Utsumi, em Caldas (MG), e agora, na Unidade de Concentrado de Urânio - URA, em Caetité (BA).! O Centro Experimental Aramar, localizado em Iperó (SP), do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo, possui um pequeno depósito com 32 tambores (200 litros) de rejeitos de baixa atividade gerados até hoje durante seus 13 anos de operação.! Rejeitos radioativos produzidos na Usina Nuclear Angra 1 e armazenados nos depósitos intermediários da usina: Volume Total por Tipo: (até setembro de 2001) Tipo de Rejeito Total metros cúbicos Filtro 64,69 Concentrado Evaporador 611,17 Rejeito Não Compactável 314,08 Resina do Primário 169,07 Resina do Secundário 43,43 Rejeito Compactável 416,83 TOTAL 1.619,27 Obs. 1: Angra 2 não produziu rejeitos para armazenamento intermediário desde o início de suas operações, em março de 2000; Obs. 2: Os combustíveis nucleares já utilizados na usina Angra 1, no total de 466 elementos, estão armazenados em piscina, na própria instalação, e não são considerados rejeitos radioativos pela possibilidade de eventual reutilização de seu material energético.

7 ! Rejeitos constituídos pelas fontes radioativas, resultantes das atividades de pesquisa e usos medicinais, agrícolas, industriais e análogos, recolhidas em todo País e armazenadas nos depósitos intermediários dos institutos da CNEN (até o final do1 o semestre de 2001): 7/8 Instituto Número de fontes radiativas (*) Atividade total (x10 12 Bq) IPEN ,84 CDTN ,30 IEN ,71 (*) O número muito grande de fontes se deve à existência de fontes fisicamente muito pequenas como filamentos de lâmpadas, agulhas de rádio, pára-raios radioativos, detetores de fumaça etc. IPEN - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, São Paulo, SP; CDTN - Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear, Belo Horizonte, MG; IEN - Instituto de Energia Nuclear, Rio de Janeiro, RJ. Percentual de origem, por estado, das fontes radiativas recolhidas: SP:46,4%; RJ:27,1%; MG:7,2%; BA:4,2%; RS:3,1%; demais estados:12,0%! Subprodutos industriais e rejeitos radioativos variados: Instalação Volume Atividade (1) (x10 12 Bq) Observações CIPC (MG) m Armazenamento em galpões (2, 4), silos (4) e trincheiras (2). USIN (SP) 325 m 3 5,07 Armazenamento em galpão (2, 3, 4, 5). BOTUXIM (SP) m 3 32,9 Armazenamento em silos de concreto (4). ABADIA DE GOIÁS (GO) m 3 34,5 Materiais de demolição contaminados (3) ; restante da fonte radioativa de Cs-137. (1) atividade total atual do material armazenado; rejeitos: (2) mesotório [torta bruta, contendo mistura de sulfatos de bário e rádio (Ra-228), sulfeto de chumbo, baritina moída (BaSO 4 ) natural, carvão ativo e água]; (3) material diverso, contaminado, oriundo de demolição de edificações; subprodutos: (4) torta II (hidróxido bruto de tório, contendo urânio); (5) torta de fosfato trissódico. A torta II, o mesotório e a torta de fosfato trissódico, não estão mais sendo gerados; as quantidades existentes são originárias do tratamento químico das areias monazíticas realizado durante dezenas de anos na Usina Santo Amaro, São Paulo (SP), já descomissionada e demolida, estando seu local descontaminado e liberado para uso irrestrito.

8 Endereços e contatos nos Institutos para recebimento de rejeitos radioativos: 8/8 INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES - IPEN Supervisão de Rejeitos Radioativos Dra. Laura Endo Travessa R, no Cidade Universitária (USP) CEP São Paulo, SP tel: (11) fax: (11) INSTITUTO DE ENGENHARIA NUCLEAR - IEN Serviço de Proteção Radiológica Dr. Domingos Cardoso Cidade Universitária - Ilha do Fundão CEP Rio de Janeiro, RJ tel: (21) fax: (21) CENTRO DE DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIA NUCLEAR - CDTN Supervisão de Rejeitos Radioativos Dra. Márcia Flávia Guzella Cidade Universitária - Pampulha CEP Belo Horizonte, MG tel: (31) fax: (31)

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