CARLOS MOURA JORNAL REGIONAL DA ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA

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1 a Voz do Operário Fundado em 11 de outubro de 1879 pelos operários manipuladores do tabaco ANO 136 NÚMERO 3018 MENSÁRIO PREÇO 0,50 PORTE PAGO CABO RUIVO - TAXA PAGA JANEIRO 2015 DIRETOR CARLOS MOURA JORNAL REGIONAL DA ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA Perda de dinheiro do IRS compensada com fiscalidade verde Entrevista Deolinda Machado É a própria Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que nota que, sem as prestações sociais, metade da população portuguesa viveria abaixo do limiar da pobreza e que esta tende a aumentar. O Movimento para Erradicar a Pobreza defende como essencial o combate às causas do flagelo social. A política do atual Governo PSD/CDS fomenta a pobreza, afirma Deolinda Machado, acusando ainda o Executivo de Passos e Portas de pretenderem fazer das IPSS entidades de fabricação de pobreza. pág. 8 e 9 Novo ano começa com aumentos de preços acima da inflação. Entretanto, as alterações anunciadas pelo Governo em matéria de IRS preveem uma quebra de receita de 150 milhões de euros. Tanto quanto está previsto o Estado arrecadar com a denominada fiscalidade verde. É caso para dizer que o que uma mão dá, a outra tira. pág. 6 EGF Os 19 municípios acionistas da Valorsul vão tentar a exclusão judicial da EGF, principal acionista daquela empresa. A iniciativa partir do presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares, e contou com o apoio dos presidentes das câmaras de Amadora, Lisboa, Odivelas e Vila Franca de Xira. pág. 5 TAP Na véspera de Natal, Cavaco Silva promulgou o diploma que permite relançar a privatização da transportadora aérea nacional, o maior exportador português. Um crime de lesa-pátria no dizer de vastos setores da sociedade que levou o PCP a pedir a apreciação parlamentar do diploma assinado pelo Presidente da República. pág. 12 Cuba e EUA Cuba terá embaixada em Washington e os EUA em Havana. É o reatar das relações diplomáticas entre os dois países, cortadas em 1961 e anunciadas após a libertação dos três cubanos injustificadamente presos nos Estados Unidos. Quanto ao fim do bloqueio económico imposto a Cuba, Obama diz que não será para já. pág. 13

2 02 Voz Novos anos e velhos (deseng)anos O ano de 2015 é inevitavelmente um ano de escolhas, e isso nota-se. Nas palavras do Presidente da República, nas palavras do primeiro-ministro, nas palavras do secretário- -geral do PS. Nunca tantos falaram tanto para dizer tão pouco! O Presidente da República dirige-se ao País, não nas vestes de Alto Magistrado da Nação, defensor da Constituição e do regular funcionamento das instituições, mas no papel de chefe de fila de um partido político, defendendo as suas políticas e acções enquanto governo, sublinhando a necessidade de submissão aos interesses e ditames estrangeiros e, numa atitude de deixar de queixo caído até o mais empedernido dos incréus, de tentar chamar em vésperas de eleições o maior partido da oposição a associar-se às políticas do Governo, de forma a garantir suporte ao mesmo quando a sua credibilidade anda pelas ruas da amargura. Nunca, friso nunca, um Presidente se havia comportado de forma tão despudoradamente parcial, ostensivamente anti-patriótica, e no total desrespeito palas instituições. O primeiro-ministro, com uma calma que só é possível nos ignorantes, nos inconscientes ou naqueles que se preparam para seguir o trilho de D. Diogo, fez a elegia de uma política que foi um autêntico furacão nas vidas dos portugueses e na destruição das infra-estruturas do País aos vários níveis, bem para lá do tecido produtivo. Tal como em tempos o oásis que ninguém via, o responsável pelo governo vê uma terra prometida que mais ninguém vislumbra, onde a economia cresce e o desemprego cai, e cuja realidade se encarrega de desmentir. De permeio faz eco do seu mentor e apela a entendimentos com o PS que lhe garantam prosseguir à frente dos destinos deste defunto, e quem sabe almejar a outros voos no futuro. Quanto ao secretário-geral do PS Foge cão que te fazem Barão! Para onde? Se me fazem Visconde! A verdade é que na ânsia de parecer diferente, dizendo ir fazer diferente, vai entrando a todo o momento em contradição com o que foram as políticas seguidas pelo seu partido, mesmo em governos onde participou e teve responsabilidades. Advogou então aquilo que agora descarta, e apelou então a um entendimento com PSD, entendimento esse de que foge hoje como o diabo da cruz, mas só até depois das eleições. Aí, já com a distribuição de lugares bem definida, já o senhor se apresta e disse-o publicamente a fazer o que hoje se nega. Já distante no tempo havíamos visto uma peça igual. Quanto ao resto, recusa firmemente as políticas do governo, dizendo delas o que não disse Maomé do toucinho, mas antevendo já o bem que lhe sabe o bacon. Opondo-se à privatização da TAP, mas apenas no modelo; levantando a voz contra os cortes e os aumentos dos impostos, mas dizendo que não poderá proceder de outra forma; gritando contra as imposições orçamentais de Berlim via Bruxelas, mas recusando renegociação da dívida e não questionando a política monetária comum No fundo propondo-se ao mesmo, quiçá com um estilo diferente. Recusa ser Barão, mas ei-lo feito Visconde. E no entanto, ainda podemos escolher temos de ver é o quê! Carlos Moura (Por opção o autor não observa as regras do AO) PROPRIEDADE SIB A Voz do Operário Rua da Voz do Operário, n.º 13, Lisboa. Telefone: Fax: DIRETOR Carlos Moura CHEFE DE REDAÇÃO Ana Goulart DESIGN E PAGINAÇÃO Ana Ambrósio FOTOGRAFIA Nuno Agostinho COLABORADORES André Levy, Ângelo Alves, Carlos Moura, Domingos Lobo, Eugénio Rosa, Fátima Amaral, Ilda Figueiredo, Lina Seabra-Diniz, Luís Caixeiro, Manuel Figueiredo, Rego Mendes, Sara Santos, Sandra Benfica, Sérgio Ribeiro NÚMERO DE INSCRIÇÃO ICS IMPRESSÃO Empresa Gráfica Funchalense, SA DEPÓSITO LEGAL 6394/84 TIRAGEM exemplares Membro da Associação da Imprensa Não-Diária Associação Portuguesa da Imprensa Regional Faça-se sócio de A Voz do Operário e usufrua das nossas actividades! Trabalhar n A Voz do Operário A Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário, foi fundada há 132 anos por operários tabaqueiros, tendo como principal desígnio a defesa dos trabalhadores, pugnando e intervindo pela sua dignificação e elevação, nunca sendo uma Instituição acomodada, antes pelo contrário, foi incómoda ao poder instituído, sempre que este esteve são serviço dos grandes interesses económicos. A história de A Voz do Operário está repleta de sucessos em prol das vertentes em que atua, designadamente na educação e na cultura, no apoio social, no movimento associativo e no desporto, prestando um inestimável serviço à comunidade. A notoriedade e o reconhecimento do muito bom trabalho prestado por A Voz do Operário não seriam possíveis sem o grande empenho, dedicação e entusiasmo dos seus trabalhadores, apesar de algumas vezes o fazerem em condições bem complicadas, recordando que ainda não há muito tempo tiveram de passar pela muito difícil situação de salários em atraso. É certo que fruto das medidas económicas e financeiras que tomámos, conseguimos repor os salários em dia e mais do que isso, foi possível ainda em 2013 fazer um pequeno ajuste salarial e, tal como demos conhecimento aos sócios no nosso último jornal, vamos proceder a um novo aumento salarial já este mês, que representará uma recuperação real do poder de compra dos nossos trabalhadores, pese a boa parte que lhes é retirada pela injusta carga fiscal que recai sobre o trabalho (ao mesmo tempo que cada vez são dadas mais benesses à especulação e aos lucros do grande capital). Fazemo-lo porque é de inteira justiça e porque A Voz do Operário, prosseguindo uma política de grande rigor, pugnando pelo aumento de receitas e pela contenção das despesas que não ponham em causa o prosseguimento da sua atividade, tem vindo a consolidar a sua situação económica num rumo de sustentabilidade. Sendo A Voz do Operário uma Instituição Particular de Solidariedade Social, naturalmente que está bastante dependente do apoio das Instituições Públicas (Segurança Social, Ministério da Educação e Autarquias). Mas tal decorre da natureza do serviço que prestamos à comunidade, cuja qualidade é por todos reconhecida, sendo que aqueles apoios só cobrem uma parte dos custos com o serviço prestado. É também por isso que trabalhar n A Voz do Operário é diferente. Esta Instituição é muito mais do que um mero local de trabalho. Aqui, desenvolve-se trabalho em prol da comunidade e não para proveito de um qualquer grupo económico. Aqui combatemos a campanha da ideologia neo-liberal em curso de desvalorização do trabalho, tentando tornar os trabalhadores numa mercadoria desprezível e descartável e desprovidos de quaisquer direitos. Aqui sabemos e reafirmamos que o trabalho é a única fonte de criação de riqueza, sendo a sua dignificação um dos pilares da sociedade mais justa porque lutamos. Por isso, trabalhar n A Voz do Operário é contribuir para a realização de um projeto há 132 dias sonhado e dia a dia recriado, contribuindo por um lado para o engrandecimento da Instituição e por outro, para a plena realização profissional de cada um. Como ficou patente no último almoço de Natal, que constituiu um particular momento de confraternização entre os trabalhadores dos vários equipamentos, A Voz do Operário é uma grande família, com 220 trabalhadores, em que os acabados de chegar (e só nos últimos tempos entraram mais de 100) se vão integrando e enriquecendo esta magnífica equipa. Continuaremos a dar grande importância ao diálogo com os trabalhadores, auscultando as suas opiniões sobre o funcionamento da instituição e sobre a melhor forma de desenvolver os seus postos de trabalho, tendo a sua formação como um elemento muito importante para a sua elevação profissional. Estão em curso vários pequenos investimentos, que para além de elevarem as condições do serviço prestado, também possibilitam a melhoria das condições ergonómicas de trabalho. Com o esforço e dedicação dos trabalhadores e com o contributo do grande núcleo de voluntários, A Voz do Operário prosseguirá forte e interventiva, dentro da sua história e da sua prática de luta pelo conhecimento, pela cultura, pelos direitos e pelo bem-estar dos trabalhadores, dos associados e das famílias que apoia e serve. Manuel Figueiredo Presidente da Direcção

3 a Voz do Operário JANEIRO 2015 Voz 03 Com o Salão cheio, alunos e professores dos 1.º e 2.º ciclos do Espaço Educativo da Graça subiram ao palco para cantar e representar um espetáculo por todos concebido e preparado. Festas de Natal proporcionam momentos de confraternização Como habitualmente, os seis espaços educativos de A Voz do Operário realizaram a Festa de Natal que se constituem essencialmente como momentos de confraternização entre alunos, docentes, auxiliares de educação, pais (e outros familiares) e encarregados de educação, dirigentes, trabalhadores e amigos da Instituição. Os alunos do pré-escolar, sala da educadora Olga Silva, do Espaço Educativo do Restelo, aproveitaram as férias de Natal para visitar a sede da Instituição. Trouxeram canções e levaram a certeza de que A Voz do Operário é muito grande!. Alunos e professores do Chapitô, instituição com a qual A Voz do Operário mantém um protocolo de cooperação, promoveram um espetáculo para os alunos e professores de A Voz. Misto de artes circenses e dramaturgia animado com música, ainda houve distribuição de prendas balões aos quais foram dadas as formas pedidas pelas crianças. Trabalhadores e dirigentes de A Voz do Operário reuniram-se no tradicional almoço dos trabalhadores. Manuel Figueiredo, presidente da Direção agradeceu o empenho e dedicação de todos, anunciando que em janeiro os salários vão ser atualizados.

4 04 Voz Relações Ediplomáticas Manifesta-se de um modo não dissimulado, atenção às circunstâncias encontradas, este é sem dúvida um indivíduo com tanto poder como distância da realidade. Não tem uma atitude derrotista, mesmo quando é derrotado. Quando se passeia na multidão distribui sorrisos, pin s, panfletos e quem sabe alheiras se assim funcionar. O homem assistiu. Então votou. Não desejou saber, carregou o contentamento momentâneo de cumprir o seu dever. E veio a febre, a era da imponência. A sala sempre cheia. Verdes, amarelas, vermelhas. Um jornal por abrir, um vulto cansado, corpos que já não sentem para além da dor. Enganou-se, não quis saber. Disse não à luta e fez pouco de quem a defende. Sem maldade. Sem conhecimento. Cobriu-se de enganos e cobertores mas a febre persistiu. Então gritou e pediu mais tempo. Mas o indivíduo estava ausente com a maior gratidão. Aclamou férias permanentes quando o povo não podia mais descontar. O homem morreu e nada mais tem senão o vácuo do seu corpo em movimento. Sara Santos Um 2015 repleto de arte e cultura O Centro de Formação Artística / Teatro da Voz deseja a todos os estimados leitores um excelente ano novo! Em 2015, a comunidade da Graça e arredores continuará a ter várias actividades para desenvolver a sua criatividade. As aulas de Dança Contemporânea para crianças, orientadas por Dora Fonseca, têm lugar às terças-feiras, das 16,30 às 17,30 horas. Já o coreógrafo e bailarino Rafael Alvarez, dirige uma actividade de Dança Contemporânea para séniores às segundas-feiras, das 18,30 às 19,30 horas. A coordenadora do CFA, Sílvia Real, realiza a aula Dança-Teatro às terças-feiras (das 18 às 19,30 horas) e às quartas-feiras, das 17,30 às 18,30 horas. Conflitos filosóficos de Rita Pedro tem lugar quinzenalmente aos domingos, das 10,30 às 12 horas. Desenho Aberto é uma actividade concebida pela artista Mariana Ramos que se destina a todas as pessoas (literalmente dos 8 aos 80 anos). Trata-se de uma aula aberta a todos os curiosos das artes plásticas, onde a prática do desenho é o instrumento utilizado para alcançar uma melhor compreensão do mundo e de nos expressarmos através dele. Mariana propõe descobrir técnicas e pequenos truques que fazem o desenho progredir e encontrar o seu lugar. Explorar os limites dos materiais e de alguns conceitos artísticos, perder preconceitos, criar novas regras, estimulando a imaginação e a liberdade criativa, deixar espaço para que uma disciplina evolua para outra, o desenho pode tornar-se pintura, escultura ou instalação, onde o limite é a imaginação. Existem dois horários disponíveis: às segundas-feiras das 16,45 às 18,25 horas e às quartas-feiras das 18,30 às 20 horas. Paralelamente, o Centro de Formação Artística vai realizar várias sessões pontuais e de formação com as escolas do bairro da Graça ou geograficamente próximas. A programação das sessões dos Domingos da Voz também será oportunamente divulgada neste jornal. Para esclarecer qualquer questão, utilize o o telefone ou diretamente no Teatro da Voz (travessa de São Vicente, 11, Lisboa). Hortas suspensas Ter em casa uma horta não é, aparentemente, fácil, para quem habita num apartamento. Mas há solução; na falta de quintal, as ervas aromáticas, indispensáveis a uma alimentação saudável, podem ser plantadas não em extensão, mas em altura. Foi com este mote que os utentes do Centro de Convívio de A Voz do Operário participaram num workshop intitulado Hortas suspensas. Reutilizando garrafas de plástico, fizeram plantações e deitaram sementes à terra que vão progredir penduradas nas paredes.

5 a Voz do Operário JANEIRO 2015 área metropolitana de lisboa 05 Cidade Sonae em Sintra Basílio Horta recua após contestação popular Valorsul Cinco municípios tentam exclusão judicial da EGF O Plano de Pormenor da Abrunheira Norte (PP-AN), tal como está, não vai ser aprovado. As palavras são do edil de Sintra, Basílio Horta, após ter terminado o plano de consulta pública do PP-AN, o qual no essencial iria permitir à Sonae construir uma mega-urbanização no sopé da Serra de Sintra. Parado durante 15 anos, após Edite Estrela, enquanto presidente PS da autarquia de Sintra ter decidido avançar com ele para acolher um projeto apresentado pela cadeia de supermercados Carrefour, o PP-AN foi recuperado pelo atual executivo socialista para acolher a cidade Sonae ; um megaempreendimento que previa uma nova grande zona comercial, quase um milhar de habitações, dois hotéis e uma unidade de saúde. Tudo à beira do IC 19 e no sopé da Serra de Sintra que, a par do património edificado, constitui Património Mundial da Humanidade. Assim que o Plano para a Abrunheira Norte foi colocado em discussão pública, diversas organizações e associações da sociedade civil, contestaram-no. Do lado institucional, os eleitos da CDU na Câmara e na Assembleia Municipal de Sintra denunciaram o discurso político de defesa do PP-AN, com a vantagem decorrente da construção de uma grande unidade comercial, explicando: importa dizer que, segundo dados da Direção Geral das Atividades Económicas, existem cerca de quatrocentos mil metros quadrados de área comercial construída na área de influência desta que se pretende, agora, construir. Por outro lado, a criação de grandes áreas comerciais, ainda que produzindo emprego, na generalidade precário, leva ao encerramento do comércio local, com consequente aumento do desemprego. Contribuem ainda para a desertificação e degradação da vivência urbana. O relançamento da atividade comercial, tendo necessariamente de passar pela melhoria das condições de vida das famílias, exigirá, não as grandes áreas comerciais, mas um urbanismo comercial assente na coexistência, nas nossas ruas de micro, pequenas e médias empresas com as grandes marcas globais. Acresce dizer que, no concelho de Sintra, há superfícies comerciais de média dimensão Floresta Center, Fitares Shopping, entre outras devolutas e degradadas. Para além de apontarem os evidentes impactos negativos que o novo PP-AN acarretaria para Sintra Património Mundial, autarcas e populações alertaram para as dificuldades que o megaempreendimento colocaria à mobilidade, mormente ao IC 19. Em termos de mobilidade, a situação criada com a implantação da grande área comercial e das restantes áreas de logística, será catastrófica. Não será possível qualquer nó de ligação à A16, atendendo às características exigidas à auto-estrada. E qualquer ligação, por nó desnivelado, ao IC19 parece igualmente impossível dado, que a área do PP-AN se situa entre dois nós já extremamente próximos. Agora o PP-AN volta para os gabinetes da autarquia de Sintra, mas os eleitos da CDU deixam uma advertência: alguns dos projetos previstos no Plano já foram aprovados pelo Executivo Municipal PS de Sintra. A iniciativa partiu do presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares, e contou com o apoio dos autarcas da Amadora, Lisboa, Odivelas e Vila Franca de Xira: por violação do dever de lealdade, vão tentar a exclusão judicial do acionista maioritário da Valorsul, a EGF, em processo de privatização. Bernardino Soares, presidente da Câmara Municipal de Loures O primeiro passo nesse sentido, deste processo em que o município de Loures tem liderado a contestação à privatização da Valorsul, surgiu com o pedido de realização de uma assembleia geral extraordinária, endereçado ao presidente da assembleia geral daquela empresa. Na missiva, os cinco presidentes de Câmara fundamentam a iniciativa, por considerarem que a EGF ao não assegurar o respeito pelas bases que fundamentaram a constituição da Valorsul, o cumprimento dos respetivos estatutos e a defesa dos interesses da empresa, tem vindo a adotar comportamentos que consubstanciam a violação grave do dever de lealdade ou se revelam perturbadores do funcionamento da Valorsul, com relevantes prejuízos para a sociedade. Embora as 19 câmaras só tenham 44,37 por cento do capital social da EGF, segundo explicou Bernardino Soares ao semanário Expresso, a votação será feita ao abrigo de uma norma do Código das Sociedades Comerciais que impede o visado - a EGF, detentora de 55,63 por cento do capital social - de votar. Se a proposta dos 19 municípios acionistas da Valorsul for aprovada terá ainda de ser ratificada por um tribunal. Porém, caso consigam alcançar o objetivo, as câmaras municipais pretendem a seguir subscrever uma parte do capital da EGF (bastam 6 por cento), que lhes permita deter a maioria do capital social da Valorsul. Ao Expresso, o autarca de Loures disse que esta iniciativa será um elemento complexo no processo de privatização, que vai criar grande perturbação, mas garantiu: temos tudo bem fundamentado para poder justificar a nossa posição. O comportamento da EGF no processo de privatização e o desrespeito pelo Acordo Parassocial da Valorsul comprovam que a EGF tem agido na defesa dos seus interesses próprios. Em setembro, o Governo PSD/CDS vendeu a EGF à SUMA, do grupo Mota-Engil, por 150 milhões de euros, num processo apressado que levou à contestação por parte de outros interessados na compra da EGF, nomeadamente a empresa espanhola FCC. Entretanto, a Autoridade da Concorrência ainda não deu luz verde ao negócio.

6 06 IRS 2015 O que uma mão dá, a outra tira Faturas só com NIF O Governo PSD/CDS introduziu alterações no IRS que alegadamente vão beneficiar mais de um milhão de famílias. Porém, avançou com a denominada fiscalidade verde que vem agravar os impostos sobre todos, através da sua cobrança indireta. Para além dos aumentos de preços de bens e serviços já conhecidos, os efeitos da tributação ambiental vão acarretar outros, penalizando, como sempre, os trabalhadores e as famílias de menores rendimentos. Desde o dia 1 de janeiro que o Número de Identificação Fiscal (NIF), vulgo número de contribuinte, tem de constar em todas as faturas que sejam passíveis de deduções em sede de IRS despesas de educação, saúde, habitação, compras de supermercado, reparações automóveis, água, eletricidade e gás, vestuário e combustíveis. Se na fatura não constar, para além do nome, o número de contribuinte o fisco não a considerará. Porém, os valores máximos para dedução não vão obrigar quem quer que seja a guardar muitas faturas; por cada sujeito passivo o limite das despesas gerais familiares é de apenas 250 euros, ou seja, num agregado familiar com três membros, o montante global dedutível até 35% em sede de IRS com gastos no supermercado, eletricidade, água, gás, vestuário e combustíveis é de apenas 750 euros, o que corresponde à realização de 715 euros de despesas por cada sujeito passivo. As contas do discurso governamental de que as mudanças no IRS vão beneficiar um milhão de famílias, permitindo- -lhe um alívio fiscal, referem-se sobretudo aos contribuintes com filhos; em 2015 cada descendente dará direito a uma dedução de 325 euros (213,75 euros, em 2014), valor que atinge os 450 euros se a crianças tiver menos de três anos (427,50 euros, em 2014). No caso de ascendentes a cargo, os aumentos das deduções são quase irrisórios 300 euros se mais do que um (261,25 euros, em 2014); 410 euros de for apenas um (403,75 euros, em 2014). Outras deduções que o Executivo de Passos e Portas apontam como aliviadoras são as com educação e saúde. Uma observação mais atenta possibilita concluir que na educação a dedução mantém-se nos 30 por cento das despesas realizadas, com o valor máximo que é possível deduzir a passar de 760 para 800 euros; desaparece assim a possibilidade de quem tem três ou mais filhos deduzir 902,50 euros por cada dependente. Em 2015, independentemente do número de filhos a estudar, a dedução será de 800 euros. Na saúde, por seu turno, a dedução mantém em 15 por cento das despesas, até um máximo dedutível de mil euros (838,44 euros, em 2014). Quanto às despesas com habitação nada muda. A dedução de 15 por cento dos encargos com rendas de contratos celebrados ao abrigo do regime arrendamento urbano que entrou em vigor em 2014 fica nos 502 euros; os juros dos empréstimos para compra de casa e os contratos de arrendamento anteriores a dezembro de 2011 permanecem em 296 euros. 150 milhões de euros É este o valor que o Governo PSD/CDS aponta como resultado do alívio fiscal. Curiosamente, este mesmo valor é o que vai resultar da aplicação das medidas da fiscalidade verde. Porém, ainda em matéria de IRS duas outras referências; até aqui, os rendimentos anuais acima dos 80 mil euros não tinham direito a deduzir despesas, em 2015 passam a poder deduzir até mil euros. Esta e a majoração no teto global das deduções de cinco por cento por cada filho nos agregados com três ou mais descendentes, são as principais novidades introduzidas no limite global das deduções à coleta. Do lado oposto permanecem isentos do pagamento de IRS os trabalhadores que auferem o salário mínimo nacional as contas são do próprio Governo e revelam o aprofundar das desigualdades: um universo de mais de dois milhões de portugueses fica dispensado de entregar declaração de IRS. Em 2013, os trabalhadores, reformados e pensionistas foram confrontados com um brutal aumento de impostos, com a sobretaxa de 3,5 por cento de IRS a ajudar, assim como a taxa de solidariedade. Paralelamente, desde 2013 que o IRC (imposto pago pelas empresas) é reduzido. Em 2015, mantém-se a sobretaxa, a taxa de solidariedade e baixa novamente o IRC. A fiscalidade verde (ver edição n.º 3017, de dezembro de 2014, do jornal A Voz do Operário) é, no essencial, uma medida que visa proteger os lucros do capital, transferindo para os consumidores os custos ambientais da produção. Caso paradigmático do modo como o Governo a fez aprovar e aplicar foi a confusão instalada nos postos de combustíveis no último dia de 2014, com as próprias gasolineiras confusas quanto ao que cobrar aos consumidores por via da nova taxa de carbono e com a Autoridade Nacional para os Combustíveis a apressar-se a descartar qualquer responsabilidade na confusão instalada, por via de apenas nas últimas horas de 2014, a portaria relativa à nova taxa ter sido publicada. Com o preço do barril de petróleo a descer, em Portugal, os combustíveis aumentam devido aos novos impostos ambientais, levando por arrasto a outros aumentos de produtos e serviços. A partir de 15 de fevereiro, os sacos de plástico passam a custar 10 cêntimos cada. A alternativa é levar de casa os sacos sempre que se for às compras. Com a fiscalidade verde, o Governo prevê uma receita fiscal de 150 milhões de euros, exatamente o mesmo valor que perspetivou para o alívio fiscal e que leva a oposição, nomeadamente o PCP a acusar Passos e Portas de apenas reorientarem os impostos para os cobrados indiretamente, os quais penalizam sobretudo as famílias de menores recursos. A.G.

7 a Voz do Operário JANEIRO 2015 IRS O que aumenta em 2015 O novo ano chega e com ele os aumentos de bens e serviços que se vão refletir num agravamento da taxa de inflação de 0,7 pontos percentuais (valor inscrito no Orçamento do Estado para 2015). Usar aparelhos elétricos e eletrónicos vai custar muito mais aos portugueses e outros bens e serviços de primeira necessidade podem vir a encarecer pelo efeito da designada fiscalidade verde. Bebidas e tabaco Renda de casa Vários órgãos de informação têm noticiado que em 2015 não haverá aumento das rendas de casa; tal só em parte é verdade. O coeficiente de atualização publicado em Diário da República em 30 de outubro de 2014 é de 0,9969, o que pode resultar na não alteração do custo mensal a pagar pela habitação. Porém, só nos contratos de arrendamento urbano em que não foi estipulado um valor de aumento anual ou foi mencionado que a atualização seria feita de acordo com o referido coeficiente de atualização e só para contratos posteriores a Nos outros casos, a renda aumentará de acordo com o definido no contrato de arrendamento celebrado entre inquilino e proprietário (contratos posteriores a 1990) ou de acordo com a vontade do proprietário (contratos anteriores a 1990). Neste último caso, é sempre conveniente consultar a Associação de Inquilinos Lisbonenses antes de responder à proposta que o proprietário está obrigado a fazer. Eletricidade O aumento mais significativo será o do preço da eletricidade que sobe 4,7 vezes mais do que o valor da inflação previsto para 2015 (0,7%). Para os consumidores que ainda estão no mercado regulado o aumento na fatura da eletricidade é de 3,3%, um aumento justificado por os preços praticados anteriormente não refletirem os custos de produção da EDP e REN, duas empresas que fecham contas sempre com lucros de muitos milhões de euros. Segundo o semanário Expresso serão as famílias portuguesas a pagar os 1,3 mil milhões de euros do défice tarifário. Quem já tiver mudado para o mercado livre também não ficará isento de eventual aumento decidido unilateralmente pelo prestador do serviço. Água Alguns municípios já anunciaram que, em 2015, não vão proceder a alterações no tarifário. Mas outros vão definir novos preços a pagar pela água para consumo humano; os cálculos feitos pelo site Dinheiro Vivo apontam para um aumento médio no custo da água de 69 cêntimos no primeiro escalão de consumo, variando os valores do aumento de município para município. Televisão e internet As telecomunicações sofrem um agravamento médio de 3%. Falar ao telefone, ver televisão e usar a internet vai assim ficar mais caro em 2,5% para os clientes da MEO e cerca de 3% para os da NOS. A Vodafone atualiza o tarifário no dia 16 de janeiro, informando no seu site que o pacote tv+internet+voz custará 25,90 euros a partir daquela data, contra os atuais 24,90, mas não indicando qual o valor para os restantes serviços. Cerveja e bebidas espirituosas sofrem um aumento de 2,9%; apenas o vinho mantém o preço atual. Quanto aos impostos que incidem sobre o tabaco, não sendo previsível o aumento do preço dos cigarros tradicionais, o Governo estima uma subida da receita de 7,6% face a 2014 daqueles impostos, que será obtida com a tributação das novas formas de tabaco e seus substitutos, desde os mais recentes cigarros eletrónicos, ao rapé, passando pelo tabaco de mascar e o tabaco aquecido. Na lista estão ainda o tabaco em pó, grão, barras, tiras, cubos ou placas. Também os charutos e cigarrilhas passam a pagar imposto igual ao dos cigarros tradicionais. Transportes No final de 2014, era dada como garantida a manutenção dos preços dos títulos de transportes. Com a aplicação da taxa do carbono decorrente da denominada fiscalidade verde, a garantia parece ter desaparecido, dado que os operadores afirmam sentirem-se obrigados a fazer refletir o custo da referida taxa nos consumidores.

8 08 entrevista Este Governo do PSD/CDS fomenta a pobreza No dia 25 de junho de 2014, um conjunto alargado e representativo das áreas cívicas, culturais e sociais apresentou publicamente o Movimento para Erradicar a Pobreza. Não se trata de mais uma iniciativa com o objetivo de assistir aos mais desfavorecidos, mas sim para contribuir para a consciencialização da sociedade: a pobreza tem causas e só erradicando as causas se erradica o flagelo social. Deolinda Machado, dirigente da CGTP-IN e da Liga Operária Católica é um dos rostos do Movimento que exige aos partidos políticos um efetivo combate às causas da pobreza. O que passa por romper com o atual modelo económico e social. Falar de pobreza em Portugal 40 anos após a Revolução de Abril é, no mínimo, estranho. O que é hoje a pobreza? A pobreza define-se pela ausência de condições mínimas de dignidade de vida. Como diz o Papa Francisco não é de esmola que as pessoas precisam, mas de dignidade. E para isso é necessário que exista um conjunto de políticas públicas e uma economia ao serviço da pessoa. Que não matem. Que não matem? Que não matem. Não importa proteger apenas a vida à nascença, ela tem de ser protegida ao longo de toda a vivência do ser humano. Por isso não podemos matar as pessoas no seu percurso de vida. Por via da acumulação de riqueza, por via do capital exacerbado que pretende levar ao limite o abocanhar, deixando passar a expressão, de tudo, não se pode permitir que seja capaz de deixar à míngua outros seres humanos. O capital não tem rosto, não tem cor, não tem religião (e há apenas uma raça, a raça humana), mas tem esta política de levar até ao fim a exploração e trazer a pobreza à vivência humana. Hoje, há de novo escravatura com a fome, a miséria, pela falta de condições mínimas de dignidade. E que condições são essas? O cerne está na falta de criação de emprego digno. Na falta de considerarmos no centro das políticas a pessoa humana, o que não se tem verificado. O dinheiro foi colocado no centro das políticas, endeusou-se o dinheiro e excluímos as pessoas para a periferia, marginalizando- -as do centro da vida. O trabalho digno ajuda à dignificação da pessoa e coloca-a no centro da vida. Há já um conjunto, significativo, de entidades e instituições que se dedicam às questões da pobreza. O Movimento para Erradicar a Pobreza surge por sentir que algo faltava? Sim. O Movimento surge a partir da perspetiva de que a pobreza é uma forma de violação dos direitos humanos e como tal erradicá-la torna-se um imperativo. Em 2008, por consenso, a Assembleia da República declarou, através de duas resoluções, a pobreza como violação dos direitos humanos e confiou ao Governo a tarefa de definir um limiar de pobreza, reservando para si própria o acompanhamento da situação. Passados seis anos, estas importantes resoluções permanecem na gaveta sem o necessário e indispensável seguimento. O Movimento questiona porquê e nesse sentido dirigiu já um pedido de reunião à senhora Presidente da Assembleia da República. Foi esta questão que conduziu à constituição do Movimento. De facto, há variadíssimas instituições e ainda bem! que chamam a atenção para o flagelo social que é a pobreza, incluindo a Igreja Católica, no entanto, em simultâneo é necessário que todos, como comunidade, retiremos as pessoas da pobreza. Como? Dando-lhes instrumentos. Porque se a ajuda de emergência é importante, há que caminhar com estas pessoas, por forma, a que elas próprias sejam agentes da sua transformação, sejam capazes de viver em plenitude como qualquer outro cidadão ou cidadã, de viver em liberdade plena, tendo a sua autonomia devida através do salário, da vida familiar organizada. E chamar a atenção para as causas da pobreza, as razões que nos levam à pobreza. Verificámos que esse espaço não existia, por isso o Movimento para Erradicar a Pobreza não é mais uma organização para concorrer com outras, pelo contrário, pretende cooperar com outras, no sentido de chamar a atenção para as causas que conduzem à pobreza. Não importa proteger apenas a vida à nascença, ela tem de ser protegida ao longo de toda a vivência do ser humano Dados de 2014 indicam que mais de 11 por cento dos trabalhadores portugueses auferem o salário mínimo nacional, que a OCDE regista como o mais baixo da Europa, comparativamente com o custo de vida; dados da OCDE referem que há dois milhões de portugueses que vivem com menos de 409 euros por mês, ou seja, 20 por cento da população portuguesa, e que se não fossem as prestações sociais, cerca de 50 por cento da população portuguesa viveria abaixo do limiar de pobreza. Diz ainda a OCDE no último relatório de 2014 divulgado que a pobreza em Portugal tende a aumentar. É verdade. Confirma-se. Outros dados, do Instituto Nacional de Estatística (INE), indicam que o risco de pobreza ronda os 19 por cento sendo a taxa mais elevada desde , cerca de três milhões de pessoas são consideradas pobres, sendo que destas 300 mil são crianças. Os menores de 18 anos, as famílias com filhos a cargo e os desempregados são os mais afetados. E 10,5 por cento dos trabalhadores empregados encontram-se abaixo do limiar de pobreza. A CGTP-IN tem denunciado com veemência que há trabalhadores que, apesar de terem emprego, de terem trabalho, são pobres, continuam pobres. Isto não pode acontecer e tem a ver com o desenho das políticas públicas. Estas não estão ao serviço das pessoas, dos trabalhadores, da população, mas ao serviço do capital, do capital financeiro e económico, da tal economia que mata que o Papa Francisco refere e bem.

9 a Voz do Operário JANEIRO 2015 entrevista 09 Não podemos dizer que uns têm direito a comer, outros a olhar. O mínimo todos têm de ter Embora 2015 seja ano de eleições legislativas e a propaganda oficial diga o contrário, a austeridade vai manter-se. O que é que o Movimento considera essencial os partidos políticos dizerem sobre as questões da pobreza e, em concreto, o combate às suas causas? Permanentemente surgem notícias de valores que o Governo destina ao combate à pobreza. São insuficientes? Este Governo do PSD/CDS fomenta a pobreza e quer colocar ao dispor das IPSS o negócio da pobreza. As IPSS existem para dar apoio às populações e não para fazerem a política da multiplicação da pobreza, das cantinas sociais. Uma coisa é, no momento presente, retirarem da fome as pessoas, mas não são fábricas de fazer pobres, nem para perpetuar as famílias na pobreza. Por isso, o Movimento tem continuado a exigir junto de outras organizações, nomeadamente sindicais e sociais, e aos partidos políticos posições claras e concretas que façam culminar este processo de fabricação da pobreza, porque sabemos que este processo dá jeito a um conjunto de pessoas e organizações que vivem à custa disso e os cidadãos não podem deixar-se manipular por esta via, que, simultaneamente e cinicamente, tenta responsabilizá-los e culpá-los pela sua pobreza. As políticas de solidariedade substituídas pelo assistencialismo e a caridade. Como combater? Através da intervenção cidadã, ou seja, elevar a consciência social e política, envolver as populações, os trabalhadores, no sentido de se tornarem agentes da sua própria libertação. Estes são os valores pelos quais no batemos; os valores humanitários, da civilização, da dignidade que queremos para todos e não apenas para alguns. Tem de haver qualidade no emprego, salários justos, com o seu aumento, redução do horário de trabalho com a implementação das 35 horas, por forma a garantir mais emprego. Se as pessoas estiverem empregadas não representam custos para a Segurança Social e chamar a atenção para o facto de 50 por cento dos desempregados Deolinda Machado Movimento para Erradicar a Pobreza não terem qualquer apoio social. Estas pessoas vivem de quê? Este é o desafio que fazemos a quem nos governa e aos vários partidos que se preparam para um ano eleitoral: coloquemo-nos na pele de quem não recebe nada. Este ano, o aumento da idade subiu para 66 anos e dois meses, isto é uma medida inversa do que se exige que é o fomento do emprego, pelo qual alcançaríamos uma atividade económica mais forte, criação de emprego e, consequentemente, uma vida com dignidade. Considero que é uma hipocrisia política quando este Governo diz que pugna pelo aumento da natalidade, porque trata mal as crianças existentes que passam fome, cujas famílias se perpetuam na pobreza. O trabalho digno ajuda à dignificação da pessoa e coloca-a no centro da vida No Governo está um partido que se diz democrata- -cristão, o CDS. Tem o nome e não mais do que isso. A prática é que dita o que um partido é ou não é. E a prática tem sido retirar os abonos de família, subbsídios de doença e de desemprego, quando as pessoas não têm alternativa. Os abonos de família retirados a umas centenas de milhares de crianças foram canalizados para o BPP, o BPN, o BES. O sentido evangélico é o sentido do serviço e o serviço é estar ao serviço da comunidade, do coletivo e não estar a servir-se. O que temos assistido não é estar ao serviço de; as políticas têm sido as de servir-se de. Não podemos deixar que continuem. A centralidade que dão ou não ao trabalho. E a centralidade ao trabalho com direitos, ao trabalho digno, aos salários. As pessoas têm de ter o mínimo de condições para viverem e aos partidos políticos exige-se o combate efetivo à pobreza e para a sua erradicação são necessárias políticas que assegurem o desenvolvimento da economia, com a criação de emprego, uma justa repartição primária do rendimento, reformas e pensões dignas, melhor redistribuição do rendimento, serviços públicos acessíveis e de qualidade, nomeadamente na saúde, na educação, na segurança social, no acesso a uma habitação digna. Romper com o modelo económico? As causas da pobreza só serão ultrapassadas quando se romper definitivamente com o modelo económico e social vigente. Só uma ação coletiva e assente nos princípios da Constituição da República, os princípios que Abril consagrou, só esta ação empenhada e determinante de todos, poderá proporcionar a viragem que se impõe. E o Movimento para Erradicar a Pobreza pretende atingir esse objetivo e declara-se totalmente empenhado. O Movimento é um movimento nacional e um pouco por todo o País temos vindo a desenvolver ações que conduzam à consciencialização de que isto é o presente, mas também é o futuro. O que hoje vivemos tem de ser melhorado para o futuro e melhorado para todos. A solidariedade internacional também tem de existir. A melhoria das condições de vida é possível; esta sociedade é dirigida por meia dúzia de pessoas que num clube qualquer se reúnem e determinam a vida de todos nós, então é preciso que todos nós - que como diziam o Frei Fernando Ventura e o Joaquim Franco somos pobres, mas somos muitos - estejamos conscientes do que somos, do que queremos e do que é o presente e será o futuro. Queremos todos uma sociedade de paz, mas para termos uma sociedade de paz não podemos guetizar, não podemos dizer que uns têm direito a comer, outros a olhar, portanto, temos de criar oportunidades e igualdade de oportunidades para todos. O mínimo todos têm de ter. Ana Goulart

10 10 área metropolitana de lisboa Quanto custa uma cidade? Cinema Paris e Teatro Capitólio PEV exige explicações da CML O Partido Ecologista Os Verdes (PEV) exigiu à Câmara Municipal de Lisboa que esclarecesse a situação do edifício do antigo Cinema Paris, em Campo de Ourique, que se encontra em avançado estado de degradação, bem como, pretende saber o que se passa com as obras de reabilitação do ex-teatro do Capitólio agora Teatro Raul Solnado que voltaram a parar. O edifício do antigo Cinema Paris, com projeto do arquiteto Victor Piloto e inaugurado em 1931, insere-se em Zona Especial de Proteção da Basílica da Estrela, mas desde meados da década de 1980 que se encontra em avançado estado de degradação. Face ao risco que o imóvel constituía para a segurança dos cidadãos, após vistoria realizada por técnicos da autarquia em setembro de 2002 e ter sido requerida a necessária autorização do IPPAR, a Câmara de Lisboa determinou a urgência de demolição do imóvel, agendando-a para janeiro de 2003, acabando por a suspender. No requerimento que entregaram à presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, os ecologistas afirmam que a CML pediu ao Governo a declaração de utilidade pública da expropriação, autorização de posse administrativa do edifício com o objetivo de reconstruir o Cinema Paris, tendo equacionado várias soluções, desde uma possível transformação do imóvel em hotel, em supermercado, ou num espaço cultural polivalente, opções nunca foram concretizadas pelo que exigem do Executivo liderado por António Costa saber se a reabilitação será concretizada e para que fins, bem como, qual o estado do painel da autoria do pintor Paulo Guilherme. Entretanto, também as obras de reconstrução do Teatro Capitólio no Parque Mayer, denominado Teatro Raul Solnado, têm tido várias vicissitudes desde que foi tomada essa decisão pela CML em 2007, denunciam os ecologistas. A primeira fase das obras de reabilitação arrancou em 2009, mas veio a ser interrompida durante quase dois anos, entre 2010 e 2012, devido a dificuldades financeiras do empreiteiro a quem foi adjudicada as obras referentes àquela primeira fase. Após a realização de um concurso público internacional em 2012, o município resolveu adjudicar a segunda fase da reconstrução do teatro à empresa Habitâmega por um montante de 5,5 milhões de euros que previa um prazo de oito meses para a execução das obras e a sua inauguração no início de 2013, o que não se verificou. Agora o PEV quer que a autarquia de Lisboa indique quando se reiniciam as obras de reabilitação do Teatro Raul Solnado e quando terminam, atendendo a que após a falência do empreiteiro inicial, a empreitada para a recuperação daquele teatro foi adjudicada à Habitâmega em abril de 2012, com a previsão de oito meses para a conclusão das obras; as obras se encontram novamente interrompidas e suspensas, há cerca de nove meses, por causa de enormes dificuldades financeiras da empresa Habitâmega que, alegadamente, possui mais de 20 milhões de euros de dívidas e se encontra num processo de revitalização; este empreendimento prevê a reconstrução de um importante equipamento cultural na cidade de Lisboa. Está por fazer ou estará ainda mal esboçada a história de resistência e oposição desempenhada por algumas associações profissionais durante a ditadura do chamado Estado Novo. Recorda-se ao sabor da memória, a não homologação arbitrária dos dirigentes livremente eleitos pelos seus pares, a opressão ideológica, o cercear do direito ao trabalho dos membros mais activos e não raramente, a detenção. Aconteceu, entre muitos outros casos na Ordem dos Engenheiros, no Sindicato dos Bancários ou no Sindicato dos Arquitectos. Este último viu grande parte das suas iniciativas censuradas, quando, assumindo o papel de provedor da população, abordou temas como o problema da habitação para o maior número, do ordenamento do território ou da disponibilidade social do solo. Embalados pela explosão de entusiasmo que se seguiu à revolução de 74 e na sequência de uma preocupação que vinha de há muito, os arquitectos reunidos em liberdade, debateram a questão de saber: quanto custa uma cidade? ou, por outras palavras, quanto investem os próprios e a sociedade quando se forma uma família? E para isso se lançaram a colher experiências e convidar profissionais sabedores da matéria para que os ajudassem. Foram quase decepcionantes os resultados, pois todos os casos-de-estudo apresentados e mais à mão foram inconclusivos na França após a reconstrução e os discutidos HLM, no Reino Unido com a revisão da política das New Towns ou entre nós com a construção da Nova Cidade de Santo André, em Sines, e isso porque os dados se apresentavam impuros, vindos de complexas origens, repartidos entre investimentos públicos e privados e remetendo tudo para o campo subjectivo da relação entre os custos monetários e os benefícios sociais. Impôs-se, então, a experiência de arquitectos soviéticos que tinham sido convidados, quando um deles afirmou: uma cidade completa custa tanto como a sua habitação. Ou seja, para além do custo de cada fogo construído e equipado impunha-se prever, em valor igual, os recursos necessários para cobrir a parte que lhe corresponderia quanto às infra-estruturas de saneamento básico, redes de fornecimento de energia e telecomunicações, arruamentos, iluminação pública e todos os equipamentos de recreio, de desporto e cultura, edifícios para a saúde e os diversos graus de ensino, de acordo com o número e as características da população, parques e jardins, instalações necessárias à segurança, polícias e bombeiros, sem esquecer o funcionamento dos transportes e todas as manifestações de Arte Pública necessárias para regalo do quotidiano dos cidadãos. Não seriam atraentes, sob o ponto de vista formal, os exemplos então apresentados, porque qualquer cidade para ser Cidade precisa de história, maturação, tempo e relação com o sítio e todas aquelas pareciam alheadas de quase tudo isso, feitas num jacto, em nenhures, onde fossem necessárias. Garantiam contudo que a maternidade e o cemitério lá estariam à espera dos primeiros habitantes. Numa economia planificada estes factores cabem em orçamentos estatais. Inversamente são múltiplos, concorrentes ou monopolistas os financiamentos no contexto liberal, de mercado. Uma certeza resultou da discussão: não haverá, qualquer que seja o sistema político em que se insere, instrumento mais sistémico que uma cidade. Aí tudo se relaciona. Por isso as cidades são caríssimas e de difíceis equilíbrios, e nelas não podem caber nem erros de gestão, nem a especulação, nem o lucro desenfreado. Surgem estas recordações e estes comentários a propósito dos vistos dourados. É isso porque uma cidade não se vende a retalho, não se aliena uma parte em proveito exclusivo de quem vende e interesse pessoal do forasteiro que compra aquilo para que muitos contribuíram, incluindo gerações passadas, ou que virá a ser pago por gerações futuras. Quando se transacciona uma moradia, um palácio ou um andar ( em lugar com vista para o rio ) daí não advém qualquer compensação para quem os concebeu ou construiu nem mais-valia para quem fez Lisboa ou qualquer outro sítio de Portugal. Tudo se passa dentro, nada passa para fora do reino de Dom Dinheiro. Francisco Silva Dias

11 a Voz do Operário JANEIRO 2015 nacional 11 TAP Cavaco Silva promulga privatização A notícia foi avançada pelo jornal Público, na edição de 23 de dezembro; findo o prazo para se pronunciar, o Presidente da República promulgou o diploma que permite a privatização da transportadora aérea nacional. O grupo parlamentar do PCP exigiu a apreciação do diploma pela Assembleia da República considerando que privatização da empresa apenas serve os interesses das multinacionais europeias e não o interesse do País. Na véspera de Natal, o diploma que relança a privatização da TAP foi promulgado por Cavaco Silva prevendo a venda, numa primeira fases, de 66 por cento do capital de todas as empresas do grupo e, numa segunda fase, dos restantes 34 por cento. Na corrida à principal empresa estratégica portuguesa (maior exportador nacional), já se colocaram um consórcio liderado por Miguel Pais do Amaral e pelo milionário norte-americano Frank Lorenzo, a empresa espanhola Air Europa, a brasileira Azul e o empresário brasileiro Gérman Efromovich. No pedido de apreciação parlamentar que no dia 26 de dezembro, o grupo parlamentar comunista apresentou diz-se que o diploma constitui a peça legislativa que dá suporte à terceira tentativa dos governos da política de direita para privatizar a TAP. À semelhança do que sucedeu em 2012, também agora o decreto-lei publicado inscreve esta operação numa perspetiva que retoma e relança o processo iniciado em 1998 pelo então Governo PS/Guterres. Nessa altura era apresentada a decisão de privatizar a TAP e vendê-la à Swissair como uma medida supostamente inadiável e incontornável, que teria de concretizar-se sob pena de encerramento da companhia. Se essa privatização e integração da TAP na Swissair tivesse avançado, hoje não existiria TAP: teria sido extinta no processo de falência da companhia suíça, tal como sucedeu com a belga Sabena. E prosseguem os deputados comunistas: esta experiência concreta vem desmascarar a mistificação que tem sido difundida pelo Governo quanto à suposta garantia de «respeitar a importância estratégica do chamado hub [aeroportos que são os principais centros de operações de voos comerciais] de Lisboa». É que o hub de Lisboa, tal como tudo o resto, teria simplesmente desaparecido caso a TAP deixasse de existir e é esse o risco que se coloca se a companhia for entregue aos interesses de grupos económicos. A experiência recente da Iberia [companhia aérea espanhola que em 2012 foi comprada pela British Airways, despedindo para o efeito trabalhadores], desmentindo todas as garantias e compromissos sobre o hub de Madrid, é de resto só por si também esclarecedora o suficiente. Crime de lesa-pátria A privatização da transportadora aérea nacional foi inscrita no memorando negociado ao tempo do Governo PS/ Sócrates com a troika FMI/BCE/CE. A pretensão de retirar do setor público a empresa é, no entanto, mais antiga, como faz notar o grupo parlamentar do PCP é um velho objetivo que as multinacionais europeias têm tentado impor ao País, num quadro de concentração monopolista que está a ser imposto aos povos da Europa. De diversos setores da sociedade têm emanado iniciativas contra a privatização da TAP para dia 31 de janeiro está convocada uma concentração a partir das 15 horas, no Aeroporto de Lisboa -, descrita quase por unanimidade como crime de lesa-pátria ; a TAP é o maior exportador nacional com mais de dois mil milhões de euros em vendas ao exterior, assegura mais de sete mil postos de trabalho diretos na companhia aérea e, no conjunto do grupo TAP, mais de 12 mil postos de trabalho, sendo ainda responsável por mais dez mil postos de trabalho indiretos. A empresa faz entrar anualmente na Segurança Social quase 100 milhões de euros e quase outro tanto no Orçamento do Estado por via do IRS. Para o PCP, à semelhança do acontecido com a privatização de outras empresas estratégicas, como o caso exemplar da liquidação em curso da PT mostra, a privatização da TAP representaria no curto, médio prazo a sua destruição. A privatização da TAP poderá ser um bom negócio para os grupos nacionais e estrangeiros, mas não o é seguramente para o País. A.G. Cresce o desemprego, diminui o emprego Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que o desemprego está a aumentar e o emprego a diminuir. A taxa oficial de desemprego foi de 13,9 por cento em novembro de 2014, tendo o número de desempregados aumentado em 17,4 milhares face a outubro e o emprego caído em cerca de três mil postos de trabalho, em apenas um mês. Os jovens e as mulheres foram os mais afetados. Mas a realidade é mais dramática do que a indicada por estes números. Segundo a CGTP-IN, além dos desempregados apurados pelo INE, há mais de 330 mil desencorajados e outros inativos que querem trabalhar e 232 mil trabalhadores a tempo parcial que querem, mas não conseguem trabalhar mais horas, encontrando-se subempregados. Outros emigraram. Entre 2011 e 2013 emigraram temporária ou definitivamente 350 mil portugueses. 713 mil de desempregados (INE) 330 mil desencorajados 232 mil a tempo parcial 350 mil emigrantes 457 mil fora dos números do desemprego 52,9% sem subsídio de desemprego 40,2% dos desempregados abaixo do limiar de pobreza Apesar de recorrer massiva e crescentemente às chamadas medidas ativas de emprego, como os contratos emprego-inserção e os estágios - que abrangem mais de 75 mil desempregados e que estão a ser usados não para integrar os jovens e os desempregados no mercado de trabalho mas sim os explorar, impedindo a sua contratação o Governo não consegue esconder a degradação do emprego e o aumento do desemprego, acrescenta em comunicado a central sindical. Ao mesmo tempo que empurra jovens e trabalhadores mais velhos para o desemprego, o Governo nega-lhes ou enfraquece o direito à proteção no desemprego, sendo cada vez mais a proporção de desempregados sem prestações de desemprego, acusa a Intersindical. Os dados publicados pelo INE, afirma a CGTP- -IN vêm mostrar que, por mais que o Governo se esforce em fazer passar a mensagem de que o País está a melhorar, a realidade confirma, por um lado, a natureza destrutiva das políticas de austeridade e, por outro, que só é possível reduzir o desemprego e criar emprego de qualidade, com uma nova política, que promova o crescimento económico e assegure a proteção social de todos os desempregados. (Ver página 12)

12 12 nacional Dados do desemprego manipulados Subir Lall, chefe de missão do FMI em Portugal, numa entrevista dada ao Jornal de Notícias, em novembro de 2014, afirmou: Ninguém percebeu como é que o desemprego está a baixar. O chefe do FMI ainda não percebeu porque, como sempre aconteceu, nunca se deu ao trabalho de estudar a realidade portuguesa. Foi essa uma das causas do fracasso total do programa da troika e do Governo PSD/CDS. Se tivesse estudado a realidade concreta portuguesa rapidamente teria compreendido que a baixa da taxa de desemprego oficial resulta de uma gigantesca manipulação dos dados do desemprego feita pelo Governo, como revelam os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Entre o quarto trimestre de 2011 e o terceiro trimestre de 2014, ou seja, com o Governo PSD/CDS, o número de desempregados que não são considerados no cálculo do desemprego oficial e também na taxa de desemprego oficial aumentou em 89,2 por cento, passando de para desempregados. No terceiro trimestre de 2014, por exemplo, desempregados por não terem procurado emprego no período em que foi feito o inquérito pelo INE (os chamados ativos disponíveis ) não foram considerados no cálculo do desemprego oficial. Também não foram considerados no cálculo do desemprego oficial, desempregados que estavam a participar em ações de formação em centros do IEFP, o mesmo acontecendo com desempregados em ações de forção realizadas em centros de formação não pertencentes ao IEFP. Também não foram considerados no cálculo do desemprego oficial desempregados que estavam em estágios em empresas. Um escândalo que já levou o Provedor de Justiça a intervir, considerando que se estava perante um procedimento que violava a lei, é a utilização de desempregados para substituir trabalhadores despedidos ou que se reformaram ou aposentaram ou ainda que não foram contratados quando eram necessários, que também não são considerados no cálculo do desemprego oficial e da taxa oficial de desemprego. São os famigerados Contratos de Emprego e Inserção (C.E.I.), um novo tipo de trabalho semiescravo moderno, onde o desempregado tem um trabalho como qualquer outro trabalhador mas recebe praticamente apenas o subsídio de desemprego pago pela Segurança Social. O seu número, no terceiro trimestre de 2014, já atingia (o Governo utiliza-os em larga escala para substituir trabalhadores na Função Pública) e, embora fossem desempregados, também não são considerados no desemprego oficial e na taxa de desemprego oficial. Entre 2011 e 2014, os desempregados em ações de formação aumentaram entre 506 e 1005 por cento, e os desempregados em estágios profissionais aumentaram, no mesmo período, em por cento. Desta forma, o Governo conseguiu retirar dezenas de milhares de desempregados do número oficial de desemprego e baixar a taxa de desemprego oficial. E uma parte destes desempregados são considerados empregados indo também empolar os dados do emprego como o próprio Banco de Portugal já denunciou. Com esta manobra enganadora o Governo consegue dois objetivos: reduzir o desemprego e aumentar os números do emprego. Ao mesmo tempo que desta forma o Governo reduzia artificialmente a taxa oficial de desemprego, depois utilizava isso para justificar a redução do apoio aos desempregados, reduzindo o número daqueles com direito a receber o subsídio de desemprego; entre 2011 e 2014, os desempregados a receber subsídio de desemprego correspondiam apenas entre 42,7 e 47,1 por cento do desemprego oficial, o que significava que mais de metade mesmo destes desempregados oficiais não recebiam subsídio de desemprego. Mas se no lugar de se considerar apenas o desemprego oficial, se se tiver em conta o desemprego real total aquela percentagem já desce para entre 28,6 e 23,6 por cento, o que significa que, atualmente, cerca de três quartos dos trabalhadores que estão de facto desempregados não recebem subsídio de desemprego. Este facto fez disparar os desempregados a viver no limiar da pobreza para 40,2 por cento como revelam os dados do INE. Eugénio Rosa Moviflor ACT avança com queixa-crime contra administração Face ao encerramento ilegal de lojas, sem cumprir os imperativos legais, o Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) apresentou uma denúncia à Procuradoria Geral da República e solicitou a intervenção da Inspeção para as Condições de Trabalho (ACT), que avançou com uma queixa-crime contra a Albará (ex Moviflor), por encerramento temporário de estabelecimento, e três autos de notícia por não cumprimento da legislação aplicável. Por existirem indícios de responsabilidade penal, tipificado como responsabilidade penal em caso de encerramento temporário de estabelecimento, dado que a administração da Moviflor não o comunicou aos trabalhadores como legalmente estipulado, a ACT avança com uma participação crime contra a administração da agora Albará. Para além disso, a falta de pagamento pontual de retribuições e elaboração do respetivo mapa de apuramentos ; o encerramento temporário da empresa sem informação aos trabalhadores e às comissões intersindical e sindical da empresa, sobre o fundamento, duração previsível e consequências do encerramento ; e dado que a infratora não entregou aos trabalhadores os documentos destinados a fins oficiais, designadamente os previstos na legislação da segurança social, motivaram autos de notícia por parte da ACT, que serão agora alvo de investigações. Recorde-se que a Moviflor já é objeto de investigação por parte do Ministério Público e a ser dada providência à queixa-crime apresentada pela ACT a administração da empresa incorre numa pena que pode ir até dois anos de prisão. Em 2014, a empresa fundada por Catarina Remígio foi alvo de oito pedidos de insolvência, após ter falhado o pedido especial de recuperação; aos trabalhadores da ex-moviflor eram devidos, em julho de 2014, 25 por cento do subsídio de Natal de 2012, três meses de salário de 2013 e os subsídios de férias e de Natal, e os salários de janeiro e junho de 2014, e 25 por cento do ordenado de maio. Em comunicado, o CESP afirma que a Inspeção do Trabalho agiu e confirmou as violações da lei e direitos dos trabalhadores, na altura denunciadas pelo Sindicato. Loja da Moviflor na Bobadela é agora Outlet de Móveis

13 a Voz do Operário JANEIRO 2015 internacional 13 Cuba e EUA retomam relações diplomáticas Gerardo Hernandez, Antonio Guerrero e Ramon Labañino, cubanos, presos nos Estados Unidos da América desde 1998, alegadamente por espionagem, foram libertados no dia 17 de dezembro, num gesto do presidente norteamericano Barack Obama, depois de pouco mais de um mês ter mandado votar pela 23.ª vez contra o levantamento do embargo económico decretado pelos EUA, em Agora, levamos por diante, pesem as dificuldades, a atualização do nosso modelo económico para construir um socialismo próspero e sustentado, afirmou o presidente cubano Raul Castro. A libertação dos três prisioneiros foi saudada efusivamente pelo povo cubano, mas também em todo o planeta. Como referiu Raul Castro, ao receber os compatriotas: a enorme alegria dos seus familiares e de todo o nosso povo que se mobilizou infatigavelmente com esse objetivo, estende-se às muitas centenas de organizações de solidariedade, aos governos, parlamentos, instituições e personalidades que, durante 16 anos, reclamaram e envidaram todos os esforços para a sua libertação. A todos expressamos a mais profunda gratidão e reconhecimento. Detidos em 1998 por alegada espionagem contra os EUA junto com René Gonzalez, que este ano esteve em Portugal, e Fernando Gonzalez, ambos libertados anteriormente após cumpridas as penas Gerardo, Ramon e Antonio regressaram a Cuba, fruto da pressão do governo cubano, internacional e de contributos tão diversos como os do Papa Francisco e do governo do Canadá. Quero agradecer e reconhecer o apoio do Vaticano, e especialmente do Papa Francisco, ao melhoramento das relações entre Cuba e os Estados Unidos. Igualmente ao governo do Canadá pelas facilidades criadas para a realização do diálogo ao mais alto nível entre os dois países, enfatizou Raul Castro, na chegada dos seus compatriotas a Havana. Por sua vez Cuba, por razões humanitárias, libertou Alan Gross, norte-americano de origem cubana, acusado de espionagem e preso desde 2009, assim como, no estrito respeito pela legislação cubana outros cidadãos norte-americanos detidos na Ilha receberam reduções de penas, incluindo a libertação. Resultado do diálogo ao mais alto nível, que incluiu uma conversa telefónica que mantive ontem [16 de dezembro] com o presidente Barack Obama, foi possível avançar com a solução de algumas questões de interesse para ambas as nações, afirmou o presidente cubano, acrescentando que ambos acordaram igualmente no restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países. Porém, isto não quer dizer que o principal se tenha resolvido. O bloqueio económico, comercial e financeiro que provoca danos humanos e económicos ao nosso país deve cessar, exigiu Raul Castro. Fim do embargo? Os Estados Unidos e Cuba, que estão separados unicamente pelos 150 quilómetros do Estreito da Flórida, não têm relações diplomáticas oficiais desde O embargo económico, comercial e financeiro contra Cuba foi imposto pelos Estados Unidos em 1962, depois do fracasso da invasão da Ilha para tentar derrubar o regime revolucionário e socialista, em 1961, na que ficou conhecida como a fracassada invasão da Baía dos Porcos. Fruto desta decisão unilateral que há cerca de 14 anos se tornou lei dos EUA, muitos países e empresas receosos de perder o mercado norte-americano, seguiram a mesma política desumana. Hoje, os Estados Unidos estão a mudar a sua relação com o povo de Cuba disse Barack Obama na intervenção em que anunciou aos norte-americanos uma mudança radical nas relações com Havana que deverá conduzir nos próximos meses ao restabelecimento total das relações diplomáticas interrompidas desde janeiro de 1961, reconhecendo que o embargo em vigor há cinco décadas falhou todos os seus objetivos. Estas sanções também fracassaram em fazer avançar os interesses norte-americanos em Cuba. Hoje, Cuba ainda é governada pelos Castros e pelo Partido Comunista que tomou o poder há cinco décadas, declarou. O presidente dos EUA adiantou ainda que pretende rever a designação que indica Cuba como um Estado que apoia o terrorismo. Quanto ao fim do bloqueio económico, comercial e financeiro, Obama reconheceu dificuldades e que o mesmo não acontecerá para já. Ainda que as medidas do bloqueio [sanções contra Cuba] tenham sido convertidas em lei, o presidente [dos EUA] pode modificar a sua aplicação usando as suas prerrogativas executivas, recordou, por sua vez, o presidente cubano, esclarecendo: reconheço que temos profundas diferenças em matéria de soberania nacional, democracia, direitos humanos e política externa, mas reafirmo a vontade de dialogar sobre todos estes temas. Exorto o governo dos Estados Unidos a remover os obstáculos que impedem ou restringem as relações entre os dois povos, as famílias e os cidadãos de ambos os países, em particular os relativos a viagens, correio e telecomunicações. As primeiras conversas oficiais estão agendadas para os próximos dias 21 e 22 de janeiro, em Havana. Os dois países devem discutir, entre outros aspetos, a abertura de embaixadas. Um encontro entre Barack Obama e Raul Castro, em Cuba ou nos EUA está, por enquanto, fora de questão. A.G. Antiga Agência Funerária Domingos & Diniz Gerência de João Natividade Descontos de 15% para sócios de A Voz do Operário Raul Castro com os compatriotas libertados R. de S ta. Marinha, n.º 4, Lisboa R. de S. Vicente, n.º 34, Lisboa T F TM

14 14 Voz Trabalhos realizados no âmbito do Programa de Férias de Natal 2014 de A Voz do Operário Trabalho do Ricardo Ruivo elaborado após visita ao quartel dos Bombeiros Sapadores da Ajuda Ilustração de Afonso Leitão do conto O cato quer mimos Desenho da Bárbara (5.º ano) a partir da vista do Miradouro da Senhora do Monte

15 a Voz do Operário JANEIRO 2015 cultura 15 Recordar Urbano Tavares Rodrigues Don Giovani agenda Relembramos o homem, o escritor, mas também o militante comunista, no dia em que faria 91 anos. Ana Margarida de Carvalho, jornalista e escritora, introduziu desta forma a iniciativa promovida pela Organização Regional de Lisboa do PCP, no dia 6 de dezembro, dia em que Urbano Tavares Rodrigues, sócio honorário de A Voz do Operário completaria mais um aniversário. Ao longo da tarde, no Auditório da Biblioteca Nacional recordou-se o jornalista, escritor e militante comprometido sempre, com a causa dos mais fracos. Urbano não nasceu no Alentejo, mas o Alentejo esteve sempre presente na sua vida e na sua obra, foi referido por quase todos os intervenientes na sessão/ homenagem em que Manuel Gusmão, professor universitário, ensaísta, poeta e membro do Comité Central do PCP, e José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores, anotaram que Urbano Tavares Rodrigues chegou à política através da escrita e fez desta um modo de militância política de compromisso permanente de intelectual ao lado dos trabalhadores e na defesa do socialismo. De Moura, vila onde passou a infância e juventude, Urbano Tavares Rodrigues dizia ser a sua terra e ao Alentejo referia-se como o povo a que pertenço. No excerto do filme/entrevista de António Castanheira exibido no início da sessão, o escritor recorda o Alentejo, a dureza da vida dos homens e mulheres da planície e fala da sua vida em Paris, cidade que o acolheu e onde lecionou, após o regime fascista o ter impedido de dar aulas em Portugal. E relembra as viagens que então fez, muitas das quais acabaram por ser descritas em livro. Escritores, professores e dirigentes comunistas evocaram igualmente o lado humanista do escritor o amigo, o companheiro, o camarada -, assim como a coragem e bravura com que enfrentou o fascismo, mesmo quando este o encarcerou nas suas prisões políticas. Também a poesia de Urbano Tavares Rodrigues esteve presente ao longo da sessão com os atores Carmen Santos, Carlos Olário e Luís Lucas a declamarem-na. A única peça de teatro que escreveu As torres milenárias teve um excerto representado, numa encenação de Armando Caldas. E o cante. Agora elevado a Património Imaterial da Humanidade, a canção do Alentejo, terra de Urbano, fez-se ouvir pelo Grupo Coral dos Amigos da Mina de São Domingos. Escrita militante Urbano amou a mulher, o ser feminino, todas as mulheres do mundo ( ), amou a mãe terra que alimentava os que a cultivavam disse o escritor Possidónio Cachapa, também realizador do documentário sobre a vida e obra de Urbano Tavares Rodrigues, Adeus à brisa. Antes, o escritor Modesto Navarro referiu-se igualmente à literatura de Urbano evidenciando o seu permanente compromisso com a causa dos mais fracos, dos que sofrem. O percurso literário do escritor foi enfatizado pelos professores Nuno Júdice, João Marques Lopes, Maria Helena Serôdio, Kelly Basílio e Cristina Almeida Ribeiro despontou com o neo-realismo e afirmou-se como realista existencial, num existencialismo que considerava ter necessariamente de desembocar no socialismo. Destacando ainda o humanismo impresso em toda a sua obra de quase uma centena de títulos que contempla o romance, o conto, a novela, a poesia, o ensaio, a narrativa de viagens, a antologia e o teatro, os académicos salientaram o seu estilo próprio em que a denúncia do regime primeiro e a esperança, alento e conquistas despois do 25 de Abril de 1974 com Urbano Tavares Rodrigues a regressar ao seu País coexistem numa escrita igualmente marcada pelo amor, pelos afetos. Fosse um colóquio, fosse uma mesa redonda, fosse outra ação pública, Urbano Tavares Rodrigues estava sempre disponível, desde que se encontrasse em Portugal e fora da cadeia, recordou o escritor Mário de Carvalho, acrescentando: para nós, jovens estudantes, estas personalidades que conhecíamos à distância tinham qualquer coisa de lendário e exemplar. A capacidade de sedução de Urbano, bem como a generosidade, o bom coração e a coragem física, sem recear a exposição e o confronto, reforçavam a nossa admiração e muito. No dia 9 de agosto de 2013, Urbano Tavares Rodrigues despediu-se da vida. Numa entrevista concedida ao Jornal de Letras três anos antes disse: O essencial, por um lado, é o sentimento de perdurar através dos meus livros, de não morrer completamente. E também o de, entre ventos e tempestades, interrogações, incertezas, angústias, ter-me mantido sempre fiel ao mais profundo de mim próprio. A.G. O Atelier de Ópera da Metropolitana interpreta no dia 17 de janeiro, às 21 horas, no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal, a ópera Don Giovanni, uma das mais famosas de Mozart. Os cantores em início de carreira, selecionados em audição pública, interpretam, sob orientação do barítono Jorge Vaz de Carvalho, as peripécias, entre a comédia e o melodrama, de um nobre que seduziu um grande número de mulheres. Os jovens são acompanhados pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, coordenada pelo maestro Pedro Amaral, e pelo Coro de Câmara Lisboa Cantat, dirigida por Jorge Carvalho Alves. Kilimanjaro Em Kilimanjaro, a partir do conto de Ernest Hemingway, As neves de Kilimanjaro, serve de centro de gravidade a uma dramaturgia e encenação de Rodrigo Francisco que imagina o percurso de Harry (personagem principal) através de um conjunto de outros contos e cartas do escritor norte-americano da adolescência à idade adulta, entre histórias de camaradagem, romances falhados e guerras. África, Estados Unidos, Itália e Espanha são os países percorridos na peça, numa busca existencial por um sentido que teima em escapar. A peça está em cena no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, interpretada por Ana Cris, Duarte Guimarães, Elias Nazaré, João Farraia, João Tempera, Luís Vicente, Pedro Lima, Pedro Walter, Rita Loureiro e a participação especial de José Evaristo. Cuba em cinema Ao longo do mês de janeiro, o Auditório Municipal de Pinhal Novo recebe um Ciclo de Cinema onde a história e a cultura cubanas estarão em destaque. Hacerse el sueco, Los Dioses Rotos e Habanastation são os filmes a exibir, na versão original, com entrada livre. A encerrar o ciclo, a 23 de janeiro, às 21,30 horas, o Auditório recebe a iniciativa Guerra contra Cuba: Razões, fins e consequências, com a exibição do documentário Ode à Revolução, seguida de debate com a participação da embaixadora de Cuba em Portugal, Johana Tablada de la Torre. Isto não é um recital Sérgio Godinho e Nuno Artur Silva, com os seus convidados, trocam leituras e canções e falam das letras e dos poemas de amores e combates que mais os marcaram no mundo da Língua Portuguesa. E de como as vozes nesses poemas e canções dão corpo aos seus manifestos. E contam com a voz de Mitó Mendes (Naifa), a música ao vivo de Noiserv e o desenho em tempo real de António Jorge Gonçalves, no espetáculo do dia 30 de janeiro, às 22 horas, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.

16 última Eleitores gregos votam dia 25 A expetativa é grande em torno das eleições legislativas gregas marcadas para dia 25 de janeiro. De um lado, o grande capital europeu recorre a todas as formas de chantagem para manter a Grécia amarrada às políticas de austeridade que reduziram salários, emprego, serviços públicos e deixaram o PIB do país pior do que antes da intervenção da troika FMI/BCE/CE; do outro, o povo grego cansado de uma austeridade que, no dizer de uma mulher entrevistada pela BBC: nos roubou a alegria. Após falhada a terceira tentativa, no dia 29 de dezembro, para eleger como Presidente da República o candidato Stavros Dimas, proposto pelo governo o sistema grego impõe que a eleição do Presidente da República seja feita pelo parlamento e obriga a que o candidato recolha 180 votos favoráveis dos 300 deputados que o constituem. Stravos Dimas conseguiu 168 votos, o primeiro-ministro anunciou a realização de eleições antecipadas a 25 de janeiro. Com as sondagens a perspetivarem uma derrota dos partidos que com- põem o atual governo da Grécia subserviente aos ditames do grande capital europeu e o crescimento eleitoral dos partidos anti-políticas de austeridade e de esquerda, as pressões não se fizeram esperar. De Bruxelas a Berlim, os porta-vozes do capital financeiro vieram clamar pelo bom termo das reformas em curso que, conduzidas pela troika FMI/BCE/CE, ditaram as políticas de austeridade que sacrificaram a Grécia e o povo grego. O resultado do sufrágio grego assusta o grande capital não apenas pelo CE prossegue ataque aos direitos laborais revés que poderá sofrer na República Helênica, como pelo efeito que poderá ter noutros países, nomeadamente Espanha e Itália, onde os partidos anti- -políticas de austeridade, Movimento 5 e Podemos respetivamente, têm vindo a ganhar evidência. Para além da Grécia, Espanha e Itália, também Portugal, Reino Unido onde os partidos anti-união Europeia têm aumentado a sua expressão, Polónia, Dinamarca, Finlândia, Croácia e Estónia têm eleições legislativas convocados para A Voz do Operário há 100 anos Notas da Primeira Guerra Mundial A Alemanha formou-se com o militarismo e submeteu-se à Prússia. É de tal natureza este raciocínio que, com o fim de observar a rápida evolução dos factos mais salientes da casa Hohenzollern, berço do militarismo, e assistir ao desenvolvimento de um império amassado com sangue e rapina e formado à imagem e semelhança da sua casta militar, o vemos comprovado. 3 de janeiro de 1914 Mirabeu não se equivocou ao dizer que «a indústria nacional da Prússia é a guerra», e efetivamente ela leva a toda a parte as suas conquistas, até que a falsa unidade dos seus 28 Estados, produza o caos na Europa. Ao admirar a prodigiosa e incomparável engrenagem da sua máquina guerreira, nós perguntamos: É Goethe, Marx, Fichte, Kock, Roentgen, Schiller e Leibnitz, o que deve triunfar na Alemanha, ou é a casa Krupp que deve impor a justiça e o direito na Europa? A esta pergunta nos contestará, muito breve, o tempo. 10 de janeiro de 1914 O Relatório divulgado recentemente forem abrangidos pela contratação co- perante uma monstruosa mentira. pela Comissão Europeia (CE) confirma letiva, maiores serão as possibilidades A insatisfação da CE agora traduzi- As tropas italianas instalaram-se na ilha a linha de continuidade de ataques a de dinamização da negociação; ao pôr da em novas pressões sobre os salários Sasseno ( ). Em fins do mês passado, direitos laborais e sociais fundamen- em causa as portarias de extensão; a e as pensões dos trabalhadores e pen- ocuparam a cidade de Vallona. ( ) As- tais, acusa a CGTP-IN. CE demonstra que o processo de des- sionistas da Administração Pública ve- sim, justifica-se a pergunta de um jornal Entre outros aspetos constantes no regulamentação da legislação laboral rifica-se depois do Tribunal Constitu- estrangeiro ( ): Terá começado, em si- Relatório que confirmam a acusação, não está terminado e que a redução de cional ter obrigado o Governo a recuar lêncio, a intervenção da Itália na guerra a central sindical destaca a persis- direitos e de salários, faz parte inte- na intenção de tornar permanentes europeia, pela conquista da Albânia?. tência da ofensiva contra o direito de grante da «cartilha» da sua política de os cortes que antes haviam sido apre- contratação coletiva que, para além de retrocesso social e civilizacional. sentados como provisórios. Esta atitu- 17 de janeiro de 1914 afrontar a Constituição da República No relatório, a CE questiona o re- de não está desligada da obsessão da Portuguesa, constitui uma ingerência cente aumento do salário mínimo por- aplicação do Tratado Orçamental, de inadmissível à soberania do País. Ao tuguês omitindo o acordo que esta- novos ataques a direitos fundamentais A paz duradoura depende da solidarie- congratular-se com a aceleração da ca- belecia os 500 euros a partir de janeiro dos trabalhadores e da mutilação das dade internacional operária e da liberda- ducidade dos Instrumentos de Regula- de 2011 e considera que a atualização funções sociais do Estado, nomeada- de para todos os povos. mentação Coletiva (IRCT s); ao defen- poderá levar à perda de emprego, o que mente, na saúde, educação e segurança der que quantos menos trabalhadores leva a Intersindical a afirmar que se está social, aponta a CGTP-IN. 24 de janeiro de 1914

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