CUSTEIO DO E-COMMERCE: UM CASO EM UMA EMPRESA DE SEGUROS

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ Sidney Leone CUSTEIO DO E-COMMERCE: UM CASO EM UMA EMPRESA DE SEGUROS Dissertação submetida ao Programa de Pós- Graduação em Engenharia de Produção como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção Orientador: Prof. Edson de Oliveira Pamplona, Dr. Itajubá 2004

2 LEONE, Sidney Custeio do e-commerce: um caso em uma empresa de seguros / Sidney Leone Itajubá: Universidade Federal de Itajubá, p. Dissertação (mestrado) Universidade Federal de Itajubá, Orientador: Edson de Oliveira Pamplona I. II. CDD

3 UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ Sidney Leone CUSTEIO DO E-COMMERCE: UM CASO EM UMA EMPRESA DE SEGUROS Dissertação aprovada por banca examinadora em de de 2004, conferindo ao autor o título de Mestre em Engenharia de Produção Banca Examinadora: Prof. Dr. Edson de Oliveira Pamplona (Orientador) Prof. Nome do Examinador 2 Prof. Nome do Examinador 3 Itajubá 2004

4 ii DEDICATÓRIA Dedico este trabalho especialmente aos meus pais Irene e Francisco (in memoriam). Agradeço de coração por tudo que vocês fizeram por mim durante toda a minha vida. Através dos vossos ensinamentos, exemplos, amor e carinho recebidos ao longo dos anos, tenho agora a oportunidade de poder retribuir um pouco com toda a minha gratidão e amor que sinto por vocês. Não poderia esquecer de mencionar Izidora (in memoriam), Domingos (in memoriam) Rubens (in memoriam) e Waldemar (in memoriam) que Deus os abençoe. Muito obrigado.

5 iii AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por me fazer vivo e poder realizar este trabalho, me abençoando e protegendo em todos os momentos de minha vida, pois sem Ele nada poderia ser feito. Agradeço a minha mãe, Irene Affonso Leone, que tanto me incentivou para a realização desta dissertação, contribuindo com seu exemplo de perseverança, luta e paciência; minha irmã, Sueli, que vibrou e lutou junto comigo durante todo este tempo, me acompanhando principalmente nos momentos difíceis desta jornada. A minha irmã Silvana, sobrinhas Bruna e Giovanna e ao meu cunhado Robinson Romancini, pelo apoio e incentivo durante todo o desenvolver do meu trabalho. Agradeço especialmente ao Professor Dr. Edson de Oliveira Pamplona, orientador desta dissertação pela confiança depositada em mim, demonstrando acreditar na realização desta pesquisa desde o seu início, pelo incentivo e apoio, sem os quais eu não teria conseguido chegar ao fim. O senhor é um exemplo de profissional, extremamente competente e acima de tudo humilde - muito obrigado por tudo o que aprendi ao longo desta convivência. Aos meus Professores do Programa de Pós Graduação de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Itajubá, Dr. Dagoberto Alves de Almeida, Dr. Carlos Eduardo Sanches da Silva, Dr. Luis Gonzaga Mariano, Dr. João Roberto Ferreira, Dr. José Leonardo Noronha e Dr. João Batista Turrioni o meu muito obrigado pelos ensinamentos e estímulo que me proporcionaram. A todos os colegas do Programa de Pós Graduação de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Itajubá pelo incentivo e colaboração ao longo do curso, não poderia deixar de agradecer a Débora, Secretária do Programa de Pós-Graduação de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Itajubá. Ao amigo e mestre Aparecido José Martins Lopes, Rogério Mariano de Sousa e a amiga Rosana Daniballe Gonzáles pela demonstração de amizade, carinho e estímulo durante a realização deste trabalho. E finalmente um muito obrigado a Patrícia Martins Carvalho pelo trabalho de revisão.

6 iv RESUMO O presente trabalho tem por objetivo aprofundar e decompor os conceitos de custos utilizados em uma empresa de seguros, tendo como foco principal uma única área, a de prestação de serviços eletrônicos - a Internet / E-Commerce. A pesquisa faz uma análise do cenário setorial de seguros, mostrando o seu desenvolvimento ao longo dos anos, no Brasil e no mundo. A seguir, apresentou-se uma revisão histórica acerca dos avanços tecnológicos ocorridos nos últimos séculos - desde a revolução industrial até o surgimento do produto virtual. Observa-se que as empresas de seguros, inseridas neste contexto de constantes mudanças, têm vivenciado um novo desafio: como controlar os seus custos em ambientes de alta tecnologia. Diversos trabalhos literários demonstram o quão obsoletos são os sistemas de custos existentes. No caso específico de empresas de seguros, este tema além de obsoleto é muito escasso, especialmente no que se refere a custo e tecnologia da informação. Baseado nesta nova realidade, o estudo apresentado neste trabalho, procurou aperfeiçoar o sistema de custeio ABC Custeio Baseado em Atividades adaptando-o às necessidades da empresa em questão, mais especificamente ao departamento de Internet / E-Commerce. Este trabalho procura demonstrar que, ao custear os seus produtos, utilizando-se dos métodos tradicionais, a empresa em análise vem obtendo resultados distorcidos dos custos de seus produtos, concluindo-se que com a utilização do custeio ABC Custeio Baseado em Atividades tais distorções poderiam ser minimizadas.

7 v ABSTRACT The proposal of this project is to analyze the costing system of an insurance company in the use of eletronic services as Internet / E-Commerce. In other to accomplish the established goal, some points were observed. The first one is an analysis of the insurance sector in Brazil and all over the world. In addition, the project presents a historical view of the technological evolution, from the Industrial Revolution to the virtual product. Due to the quick changes in technological development, it becomes difficult to identify and control the costing system. The resource shows that there are many studies which prove how obsolete are the costing systems. In case of insurance companies the question is even worst. Besides of being obsolete, there are very few studies. Based on this new reality, this study tries to make use of the concept of Activity-Based Costing (ABC) applying to the needs of the case study company Internet /E-Commerce departament. It is known that the traditional costing system does not provide accurate results. Therefore, this study tries to demonstrate that the Activity-Based Costing (ABC) would be the best tool to meet better and more accurate established costing results, if applied to the case study company.

8 vi LISTA DE FIGURAS Figura Participação do capital estrangeiro no prêmio total do mercado de seguros Figura Relação entre valor de mercado / receita e investimentos em TI / empregados Figura Participação da receita da Schwab Corretora Figura Wells Fargo: usuários on-line que acessam o site freqüentemente Figura Canal de preferências dos clientes Figura Tempo médio gasto pelos clientes de seguros na Internet Figura Negócio digital agrega valor Figura Ranking das preferências de compras de produtos e serviços on-line Figura Fluxo do sistema de custos tradicional Figura Evolução dos componentes do valor agregado Figura Atribuição de custos no sistema ABC Figura Organograma da empresa Figura Estrutura de alocação de custos: Seguradora Segura Figura Despesas Indiretas Overhead critério de rateio de custos Figura Análise estratégica de custos e o ABC Figura Estrutura do E-Commerce na Seguradora Segura Figura Organograma da Superintendência Internet / E-Commerce Figura Recursos utilizados

9 vii LISTA DE QUADROS Quadro Demonstração do Resultado em Legislação Societária Quadro Relatório de entrevistas Quadro Descrição de atividades Quadro Associação atividades / direcionadores Quadro Comparação dos métodos de Custeio Tradicional X Custeio Baseado em Atividades

10 viii LISTA DE TABELAS Tabela 2.1 Distribuição da população e riqueza no mundo Tabela 2.2 Distribuição dos prêmios de seguro: volume e quota Tabela 2.3 Distribuição: penetração e prêmio per capita Tabela 2.4 Penetração e prêmio per capita : países selecionados Tabela 2.5 Prêmio / PIB do Brasil (em volume e participação do setor) Tabela 2.6 Mercado brasileiro de seguros- ranking Tabela 5.1 Volume de Transações e Tempo de Processamento Tabela 5.2 Apropriação do CIP com base no volume Tabela 5.3 Apropriação dos CIP com base no modelo ABC Tabela Despesas administrativas (período junho/2003 a abril/2004) Tabela Dedicação de funcionários às atividades Superintendência Internet/ E-Commerce Tabela 6.3 Dedicação dos funcionários às atividades (R$) Tabela 6.4 Agrupamento despesas não pessoal / atividades Tabela 6.5 Despesas baseadas em atividades (Pessoal e não Pessoal) Tabela 6.6 Despesas baseadas em atividades (Pessoal e não Pessoal) - Common Facilities Tabela 6.7 Despesas baseadas em atividades (Pessoal e não Pessoal) - Filiais Tabela 6.8 Despesas baseadas em atividades (Pessoal e não Pessoal) - Canal Tabela 6.9 Despesas baseadas em atividades (Pessoal e não Pessoal) - Produtos Tabela 6.10 Despesas baseadas em atividades (Pessoal e não Pessoal) -Consolidado. 107

11 ix SUMÁRIO DEDICATÓRIA... ii AGRADECIMENTOS... iii RESUMO... iv ABSTRACT... v LISTA DE FIGURAS... vi LISTA DE QUADROS... vii LISTA DE TABELAS... viii 1 INTRODUÇÃO Considerações Iniciais Proposta do Trabalho Objetivos Justificativas Limitações do Trabalho Metodologia de Pesquisa Estrutura do Trabalho Considerações Finais CENÁRIO SETORIAL EM SEGUROS Considerações Iniciais História do Seguro, no Mundo e no Brasil O Cenário Setorial O Mercado Brasileiro As Empresas do Setor Entendendo a Contabilidade de Seguros, uma Introdução Didática Considerações Finais INTERNET NO SETOR FINANCEIRO Considerações Iniciais Da Revolução Industrial ao Produto Virtual Conceito de Virtualidade, Modelo de Administração Virtual e a Internet A Internet em Empresas de Serviços Financeiros Tendências Iniciais Antecipando os Movimentos Como Realinhar a Organização Projeto de Negócio Digital Agrega Valor Considerações Finais ANÁLISE DAS METODOLOGIAS DE CUSTEIO APLICÁVEIS AO SETOR DE SEGUROS Considerações Iniciais Definição de Custos Definição de Custos em Empresas de Seguros A Contabilidade Gerencial Os Métodos de Custeio Custeio por Absorção Custeio Variável Custeio Padrão Custeio ABC (Activity-Based Costing) Cálculo de Custos em uma Empresa de Seguros Modelo Atual Como as Seguradoras alocam os seus custos... 57

12 4.7.1 Respostas das Entrevistas Análise das Respostas das Entrevistas Considerações Finais ANÁLISE DA METODOLOGIA DE CUSTEIO NA SEGURADORA SEGURA Considerações Iniciais Metodologia Proposta A Empresa O Sistema Atual de Custos da Seguradora Segura Diferença entre o Sistema de Custeio Tradicional e o Baseado em Atividades Considerações Finais APLICAÇÃO PRÁTICA: AVALIAÇÃO DOS CUSTOS RELEVANTES NA IMPLANTAÇÃO DO E-COMMERCE Considerações Iniciais A Estrutura do E-Business A Tecnologia por trás da Internet e os Principais Centros Geradores de Custos de Infra-Estrutura Redes Locais Teleprocessamento Protocolos de Comunicação WWW World Wide Web Correio Eletrônico Endereços na Internet Barreiras de segurança Custos de Operacionalização Custo das Áreas de Apoio Custo de Depreciação Conteúdo Prático Análise dos resultados Análise dos resultados das principais atividades Análise dos resultados dos principais objetos de custo Comparação dos Resultados Obtidos utilizando-se os Sistemas de Custeio Tradicional e o ABC Considerações Finais CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES Consideração Inicial Sinopse do Trabalho Considerações Finais Sugestão de Continuidade REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS x

13 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO 1.1 Considerações Iniciais Este capítulo apresenta uma breve introdução sobre a prestação de serviços eletrônicos ao cliente via Internet, em uma empresa Seguradora. São abordados os objetivos, as justificativas, a metodologia científica e a estrutura do trabalho. 1.2 Proposta do Trabalho O segmento de Seguros no Brasil, de acordo com Westenberger e Fassbender (1997), vem registrando uma série de mudanças nos últimos anos, tais como a liberação das tarifas, aumento significativo do faturamento no setor, a maior facilidade de entrada de capital estrangeiro, a possível quebra do monopólio do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), a expectativa de aprovação da Reforma da Seguridade Social, o aumento constante de investimentos em novas tecnologias, dentre outros. Neste cenário, tem sido observado um acirramento da concorrência, fazendo com que as empresas procurem adotar medidas no sentido de obterem maior eficiência operacional, para garantir a própria sobrevivência. Além destes fatos, a estabilização da economia, com a implantação do Plano Real, a partir do segundo semestre de 1994, fez com que as seguradoras sofressem uma significativa queda na receita de suas aplicações financeiras, evidenciando-se a necessidade de uma maior eficiência nas atividades inerentes ao próprio negócio.

14 Capítulo 1 Introdução 2 Com isso, as empresas de seguros foram inseridas em uma nova economia, em que a informação em todas as suas formas torna-se digital, reduzida em bits armazenados nas memórias dos computadores e correndo na velocidade da luz através das redes. Este novo cenário está criando tendências conflitantes, conforme Albertin (1998), exigindo que as empresas repensem suas missões. Ambientes virtuais e vários outros fatores estão pressionando as estruturas de custos das grandes empresas. O tempo para alcançar o mercado é exíguo, principalmente quando os produtos têm uma vida competitiva de um ano, um mês, uma semana ou algumas horas, como no caso dos produtos de seguros. O resultado final desta dissertação realça o aperfeiçoamento do sistema de custeio de uma empresa de Seguros, infiltrando-se em temas relacionados à tecnologia digital, telecomunicação, computadores, software ociosidade de equipamentos de prestação de serviços, depreciação, demanda de serviços eletrônicos e análise competitiva de custos. 1.3 Objetivos O principal objetivo desta dissertação de mestrado é contribuir para a investigação e organização dos conceitos de custos em empresas de seguros focadas em áreas de prestação de serviços eletrônicos via Internet. Ao precisar, especificamente, o custo das principais transações da Internet / E- Commerce, este estudo colabora para uma administração adequada de custos e para renovação dos modelos de custeio existentes. Para que seja possível o alcance deste objetivo, o estudo será desdobrado nas seguintes etapas:? Levantar os conceitos das metodologias de custeio aplicáveis ao setor de seguros existentes na literatura.

15 Capítulo 1 Introdução 3? Apresentar a conceituação da metodologia de custeio proposta, fazendo uma comparação apontando as vantagens e desvantagens com as metodologias apresentadas.? Implementar a metodologia proposta e analisar os resultados obtidos. São estas, pois, as fontes que guiam as linhas de raciocínio deste trabalho de pesquisa e investigação. 1.4 Justificativas Nakagawa (1990, p. 1) relata [...] que, especialmente, nas duas últimas décadas o recrudescimento da competição global tem sido de tal ordem que as empresas vêm sendo compelidas a se comprometerem seriamente com a chamada Filosofia de Excelência Empresarial. De acordo com Wernke (2000), a Inovação Tecnológica, mais que o acesso a recursos ou capital, tem se tornado imprescindível. Os clientes têm mudado suas necessidades, criando a expectativa de que as empresas precisam prover melhor qualidade, produtos adequados, rapidez, menor preço, com melhores serviços e garantia de responsabilidade social. A Internet apresenta uma série de possibilidades interessantes para as empresas realizarem negócios e melhorarem sua performance e lucratividade. Cada vez mais empresas buscam, na Internet, auxílio para otimizar a divulgação de seus produtos e serviços, atendendo a um maior número de possíveis clientes. Paralelamente a essa atividade básica de divulgação de produtos e serviços, diversos setores têm procurado estabelecer pontos de venda na Internet, através do Comércio Eletrônico (Ecommerce). A introdução da Internet no ambiente empresarial altera radicalmente o meio em que as

16 Capítulo 1 Introdução 4 empresas se encontram inseridas, num fenômeno também conhecido como e-volução (ALSOP, 1999). Além da constante evolução tecnológica, conforme Fleury (2000), [...] o mercado em que as mesmas atuam passou a evoluir. As cadeias produtivas existentes tendem a ser alteradas, com o surgimento de novos elos e o desaparecimento de outros. Segundo as palavras de Puterman (1999), [...] não existem mais possibilidades de mágicas administrativas ou burocráticas que revigorem negócios e empresas estabelecidas. O momento é de revisão de estratégias e de investimento num futuro que está sendo rapidamente reconstruído. Todavia, o que se tem constatado é que esta verdadeira revolução na organização das empresas através da utilização destas tecnologias avançadas tem encontrado um forte obstáculo, que tem inviabilizado o seu sucesso continuado. Muitas empresas, segundo Pamplona (1997), utilizam-se de conceitos e sistemas de custeio desenvolvidos há quase um século quando a natureza da competição e as demandas por informações internas eram muito diferentes das existentes atualmente. Os sistemas de custeio tradicionais foram desenvolvidos para avaliação de inventários. Tendo em vista a necessidade de se elaborar demonstrações contábeis e fiscais, têm sido continuamente aperfeiçoados através do tempo. Entretanto, tais sistemas não proporcionam aos gestores, que buscam a eficiência e a eficácia das operações, a informação precisa e oportuna de que eles necessitam para a gestão e mensuração dos custos, em ambiente de tecnologia avançada. 1.5 Limitações do Trabalho Vários desafios se impõem a este trabalho. A começar pelo acesso às informações de outras companhias; outro ponto importante diz respeito à contabilidade de custos tradicional,

17 Capítulo 1 Introdução 5 desenvolvida na primeira metade do século XX, e que, como conseqüência, não acompanha as exigências por uma demanda de informações mais precisas e rápidas. Outra limitação é o modelo de depreciação contábil, sobre o qual é necessário um estudo aprofundado em termos de utilização dos equipamentos - efetiva e potencial - ao contrário do tratamento simplista que é dado pela legislação em vigor. Somados a esses desafios, poder-se-ia acrescentar a estrutura de telecomunicações brasileira. Sob a ótica do que se chama Custo Brasil, a expansão de uma tecnologia mais efetiva e eficaz, por todo o território nacional, encareceria demais o custo final do seguro. Por último, a maior limitação do presente estudo é a participação direta do cliente no processo, em substituição aos modelos de atendimento tradicionais. Essas características serão tratadas no decorrer da pesquisa. 1.6 Metodologia de Pesquisa O método de pesquisa adotado baseou-se em restringir ao máximo o tema, focando essencialmente as áreas de atuação tecnológica e o mercado segurador, com base em uma revisão da bibliografia existente e dados disponíveis sobre o assunto. De acordo com Eco (1993, p ), um estudo científico: 1) [... aborda] um objeto reconhecível e definido de tal maneira que seja reconhecível igualmente pelos outros [...] 2) [...] deve dizer algo que ainda não foi dito ou rever sob uma ótica diferente o que já se disse [...] 3) [...] deve ser útil aos demais 4) [...] deve fornecer elementos para a verificação e constatação das hipóteses apresentadas e, portanto, para uma continuidade pública. Segundo Bryman (apud ABENSUR, 1997, p.6), [...] existem duas abordagens para pesquisa: qualitativa e quantitativa. A principal diferença entre elas está na posição do indivíduo como observador. Na abordagem qualitativa o indivíduo é o sujeito ativo e

18 Capítulo 1 Introdução 6 interage junto ao ambiente na qual está inserida. A abordagem quantitativa faz diferenciações oriundas da literatura ou das teorias. A abordagem qualitativa tem as seguintes características, segundo Nakano e Fleury (1996, p. 5) citando Bryman:? O pesquisador observa os fatos sob a ótica de alguém interno à organização.? A pesquisa busca uma profunda compreensão do contexto da situação.? A pesquisa enfatiza o processo dos acontecimentos, isto é, a seqüência dos fatos ao longo do tempo.? O enfoque da pesquisa é mais desestruturado, não há hipóteses fortes no início da pesquisa. Isso confere à pesquisa bastante flexibilidade.? A pesquisa emprega mais de uma fonte de dados. Conforme os mesmos autores (1996, p. 2), também citando Bryman: [...] a abordagem quantitativa reforça os seguintes aspectos:? A hipótese deve conter conceitos que possam ser medidos para sua verificação. O processo de transformar conceitos em medidas é chamado de operacionalização.? A hipótese também deve demonstrar uma relação de causa-efeito, seja de forma explícita ou implícita.? A pesquisa deve se preocupar com a generalização, isto é, devem-se buscar conclusões que possam ser generalizadas ultrapassando os limites restritos da pesquisa.? A pesquisa deve se preocupar com a replicação dos fenômenos pesquisados, ou seja, deve ser possível a um outro pesquisador, utilizando os mesmos procedimentos, verificar a validade dos resultados encontrados. De acordo com Bryman (apud ABENSUR, 1997, p.8), [...] os principais métodos de pesquisa são: pesquisa experimental, a pesquisa de avaliação, a pesquisa-ação e o estudo de caso. Regra geral a pesquisa experimental e a pesquisa de avaliação são usadas na abordagem quantitativa, já a pesquisa-ação e o estudo de caso são relacionados à abordagem qualitativa. Apresentar-se-á, a seguir, de forma resumida, os quatro métodos de pesquisa : Pesquisa Experimental (TURRIONI, 2004) O pesquisador tem facilidade para estabelecer relações causais entre variáveis independentes e dependentes. O experimento busca testar algo e observar as conseqüências da ação promovida através de controle, eliminando explicações alternativas para relações de causa e efeitos.

19 Capítulo 1 Introdução 7 Contudo, em sistemas organizacionais que têm diversas variáveis em um amplo campo de atuação, o controle sobre estas relações causais fica restrito. Pesquisa de Avaliação (ABENSUR, 1997, p.8) A pesquisa de avaliação associa um tratamento estatístico e subseqüentes análises e interpretações através de uma composição de questionários autoaplicáveis por entrevistas estruturadas. A coleta é estabelecida para um conjunto de variáveis reconhecidas para um determinado momento. Este método estabelece como pré-requisito, amostras estatísticas representativas nem sempre possíveis de serem levantadas. Estudo de caso (TURRIONI, 2004) O estudo de caso é o exame detalhado de uma ou mais unidades de análise, com ênfase do ponto de vista de seus integrantes com o objetivo de expandir e generalizar teorias. É uma pesquisa investigando-se um fenômeno atual dentro do contexto real, com fronteiras não claramente definidas e utilizando-se de várias fontes de evidências. Pesquisa-ação (TURRIONI, 2004) Neste método o pesquisador atua e também intervém no objeto de estudo, com o objetivo de resolver um problema específico e construir conhecimento, além disso, o pesquisador acompanha a repercussão das atitudes feitas sobre a organização. Em suma é um método de apoio que pode ser aplicado em auxílio aos outros métodos descritos. Definição do Método de Pesquisa (NAKANO; FLEURY, 1996, p. 7) A Engenharia utiliza amplamente os métodos de pesquisa quantitativos. Porém dentro do escopo da Engenharia de Produção, principalmente nos estudos organizacionais, o uso de métodos qualitativos, ou de um método misto deve ser considerado, tomando-se os cuidados necessários de rigor metodológico. Tendo em vista a abordagem qualitativa ser a mais apropriada, concluí-se que o método de estudo de caso é o mais adequado para o ambiente analisado.

20 Capítulo 1 Introdução Estrutura do Trabalho No capítulo 1, são feitas as considerações iniciais a respeito do trabalho a ser desenvolvido. São apresentados os Objetivos, Justificativas, Limitações, a Metodologia da Pesquisa e a Estrutura do Trabalho. O capítulo 2 discorre sobre o cenário atual, história, evolução e o desempenho do setor de seguros, no mundo e no Brasil, suas particularidades e os principais grupos de contas de uma empresa de Seguros. Serão abordados, no capítulo 3, os principais conceitos teóricos referentes à evolução tecnológica desde a Revolução Industrial até os dias de hoje, conceito de modelo de administração virtual, a Internet em ambientes financeiros (bancos, corretoras e seguradoras) e a conceituação do sistema analisado, como ela será utilizada na empresa. O capítulo 4 traz uma breve análise das metodologias de custeio aplicáveis ao setor de seguros, definição de custos, definição de custos em empresas de seguros, contabilidade gerencial, os métodos de custeio: Absorção, Custeio Direto ou Variável, Custeio Padrão e o Custeio ABC (Activity-Based Costing). No capítulo 5, é apresentada a conceituação da metodologia de custeio utilizada na companhia analisada. Far-se-á uma comparação apontando as vantagens e desvantagens da metodologia utilizada pela empresa e a apresentada como modelo. Já no capítulo 6 apresentar-se-á o caso prático: custeio de serviços em empresas de seguros por meio eletrônico. Neste capítulo é apresentada detalhadamente a formação de todas as variáveis de custeio desenvolvidas para os ambientes de inovação tecnológica. E, no capítulo 7, as recomendações e conclusões finais.

21 Capítulo 1 Introdução Considerações Finais Embora muito tenha sido dito a respeito de metodologias de custeio, a particularidade do presente trabalho está concentrada na abordagem de custos em uma empresa de seguros referentes aos serviços eletrônicos via Internet. Este estudo procura aprimorar os sistemas de custeio existentes neste segmento, introduzindose em temas relacionados a: informática, telecomunicação, depreciação, recursos gastos em áreas de suporte, canais de distribuição e filiais, e finalizando com uma análise competitiva de custos. Entre outros tópicos, o próximo capítulo discorrerá sobre o cenário atual, história, evolução e o desempenho do setor de seguros, no mundo e no Brasil.

22 CAPÍTULO 2 CENÁRIO SETORIAL EM SEGUROS 2.1 Considerações Iniciais Tendo concluído a apresentação inicial do trabalho, neste capítulo serão analisadas, através de um breve relato, a história e as terminologias da atividade seguradora, apontando as evoluções ocorridas no setor nos últimos tempos no mundo e no Brasil, apresentando os seus principais produtos, sua produção econômica, expectativas do setor, entender um pouco como é a sua contabilidade e a apuração de seus custos em algumas das principais empresas do setor. 2.2 História do Seguro, no Mundo e no Brasil A fim de expressar melhor o significado da palavra seguro, Ferreira (1985) define seguro como tudo aquilo livre de risco; protegido, acautelado, garantido. Segundo Luccas Filho (2000), a própria palavra seguro já traz a idéia de proteção, prevenção, previdência. Ainda de acordo com Ferreira (1985), a necessidade de segurança parece ser própria do ser humano. Na Babilônia, 23 séculos a.c., os condutores de camelos que atravessavam o deserto em caravanas para comercializar animais nas cidades vizinhas, temendo o risco de morte ou desaparecimentos de animais durante a viagem, acordavam entre si que, em caso da concretização do evento, se cotizariam para entregar outro animal ao membro do grupo prejudicado.

23 Capítulo 2 Cenário Setorial em Seguros 11 Povos da antiguidade, como hebreus e fenícios, também faziam acordos semelhantes para garantir a reposição das embarcações se acontecesse alguma adversidade na travessia entre os mares Egeu e Mediterrâneo. Na Idade Média, de acordo com a Superintendência de Seguros Privados SUSEP (2004), organizou-se a proteção coletiva em termos de socorros mútuos, que compreendiam os montepios, confrarias, misericórdias e associações de artes e ofícios. Desde então, a Igreja Católica reconhece a importância da doutrina moral e social baseada na solidariedade que se articula em torno das formas de mutualismo (repartição do prejuízo pelo total de participantes de um mesmo grupo). Os Papas destaque para Leão X no século XVI referem-se à atividade seguradora (lato sensu) de proteção e assistência moralmente recomendável. Seu fundamento era próximo da caridade e os reis católicos Dom João I, de Portugal, entre eles demonstravam seu apreço pelo mutualismo. Foi esse monarca o criador do Compromisso Marítimo de Faro em 1432, para assistir e conceder pensões de sobrevivência a associados que perdiam a capacidade laboral ou contributiva. Nesse estágio de desenvolvimento, o mutualismo chegou ao Brasil, nas primeiras décadas após o descobrimento. Alinhando-se entre as mais antigas atividades econômicas regulamentadas em nosso país, o seguro e a previdência foram criação de jesuítas e, em especial, do Padre José de Anchieta, incentivador do mutualismo ligado à assistência. A regulamentação mais remota da atividade seguradora data de 1791, quando foram promulgadas as Regulações da Casa de Seguros de Lisboa, que foram mantidas em vigor até a proclamação da independência em Anos antes, em 1808, com a abertura dos portos brasileiros, tivera início a exploração de seguros marítimos, através da Companhia de Seguros Boa Fé, sediada na Bahia. Foi a primeira seguradora a funcionar no país.

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