Anderson Silva de Aguilar; Joel Dias da Silva

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1 PAP Valoração Econômica dos Serviços Ambientais em Unidade de Proteção Integral. Estudo de Caso do Monumento Natural da Mãe D água, Serra da Moeda, Brumadinho/ MG: Enfoque Recursos Hídricos. Anderson Silva de Aguilar; Joel Dias da Silva 1

2 INTRODUÇÃO O Estado de Minas Gerais possui em torno de 500 unidades de conservação, o equivalente a uma superfície de aproximadamente ,83 km 2, ou 9,08 % do território mineiro. As unidades de conservação destinadas à proteção integral, ou seja, nas quais é proibida a coleta ou consumo direto dos recursos, cobrem 1,96% do território estadual ou km 2, distribuídos em diversas categorias como, sendo 13 estações ecológicas (156,34 km 2 ), 13 reservas biológicas (650,93 km 2 ), 114 parques (10.345,48 km 2 ) e 13 monumentos naturais (107,33 km 2 ) (GEMOG-IEF, 2011.). 2

3 Figura 1: Unidades de Proteção Integral e sua distribuição por Bioma no Estado de Minas Gerais. Fonte: GEMOG-IEF (2011), IBGE (2004). 3

4 INTRODUÇÃO Neste contexto foi criada a Unidade de Conservação de Proteção Integral: Monumento Natural da Mãe D água, Serra da Moeda, Brumadinho/MG, em 2013, com objetivo de preservar cerca de 31 nascentes que abastecem uma população local de aproximadamente pessoas e que, em 4

5 INTRODUÇÃO Porém, a região sofre pressões de interesse econômico, ligados a projetos de mineração de ferro e especulação imobiliária. Assim, dotar os recursos naturais de valor econômico torna-se, uma ferramenta ao poder público para tomada de decisão e para propostas públicas de preservação e perpetuidade dos recursos naturais, principalmente a produção de água para o abastecimento público. 5

6 OBJETIVO Desta forma, este trabalho realiza a valoração econômica ambiental, através do método do Valor Econômico do Recurso Ambiental VERA, cálculo da vazão total e calculo do Valor de Perda de Bens Ambientais VPBA; precificando a produção de água e os serviços ambientais das funções ecossistêmicas realizadas pela Unidade de Proteção Integral. 6

7 CONTEXTUALIZAÇÃO Valorar economicamente um bem ambiental é estimar valor monetário em relação a outros bens e serviços disponíveis na economia (MOTTA, 1997). Assim é uma oportunidade de dotar os recursos naturais de valor econômico, o que torna capaz de refletir ou estimar a verdadeira importância do bem natural. 7

8 MATERIAIS E MÉTODOS Foi adotado o recurso hídrico como um produto de consumo direto, utilizado para abastecimento humano Origem: Monumento Natural da Mãe D água, Serra da Moeda, Brumadinho/MG O mercado consumidor é a população de cerca pessoas Este mercado é composto por pessoas que consumem diretamente a água, sem tratamento, compreendendo os usos domésticos - alimentação, higiene - dessedentação de animais (estimação) e irrigação de pequenas hortas e jardins. 8

9 . Tarifas para Abastecimento de Água em Minas Gerais Residencial Comercial Industrial 0-3 m 3 R$ 3, m 3 R$ 7, m 3 R$ 7,95 > 3 a 6 m 3 R$ 1,11 > 3 a 6 m 3 R$ 2,66 > 3 a 6 m 3 R$ 2,65 >6 a 10 m 3 R$ 1,107 >6 a 10 m 3 R$ 2,664 >6 a 10 m 3 R$ 2,65 >10 a 15 m 3 R$ 2,162 >10 a 40 m 3 R$ 5,094 >10 a 20 m 3 R$ 4,643 >15 a 20 m 3 R$ 3,807 >40 a 100 m 3 R$ 5,457 >20 a 40 m 3 R$ 4,658 >20 a 40 m 3 R$ 3,970 >100 m 3 R$ 5,806 >40 a 100 m 3 R$ 5,330 >40 m 3 R$ 7, >100 a 600 m 3 R$ 5, >600 m 3 R$ 5,646 Fonte: Minas Gerais,

10 MATERIAIS E MÉTODOS Métodos de Valoração Utilizados no Caso: equação proposta para consumo humano e dessedentação de animais. Onde: Cons. = Consumo de água em m 3 pop = População atendida pelas nascentes cons/l/hab/dia = consumo em litros por habitante por dia 10

11 MATERIAIS E MÉTODOS Vazão Total: Para aplicação do modelo do cálculo de vazão total foram utilizadas as vazões de 4 nascentes na área da Unidade com base Mourão (2007) que realizou medição das vazões nas nascentes: Onde: Mãe D água, identificada como P082B = 172 m 3 /h Capitão Valente, identificada como P082A = 158 m 3 / 11 h Suzana, identificada como P083A = >100 m 3 /h

12 MATERIAIS E METODOS Métodos de Valoração Utilizados no Caso Segundo autora, são captados para o abastecimento público m 3 /mês de água na região 57,3 % são provenientes de Fonte: Minas Gerais. (2005 p.18). 12 nascentes

13 Valor do Uso Indireto MATERIAIS E MÉTODOS Para o cálculo de VUI+VO+VE serão utilizados os serviços ambientais ecossistêmicos por hectare, adotando a tabela proposta de Costanza (1997), Santos et. al. (2000), Oliveira et. al. (1995) e Medeiros et. al. (1995), adaptado por Peixoto et. al. (2002), que considera os valores de opção e existência Foram adotados os valores da função ambiental da mata 13 atlântica, conforme recomendado por Peixoto et. al. (2001) em Unidades com Mata Atlântica,

14 Serviço US$.m -2.ano -1 Referência Regulação do Clima Costanza et al., 1997 Regulação de Perturbação Costanza et al., 1997 Regulação das Águas Costanza et al., 1997 Suprimento de Água Oliveira et al., 1995 Controle de Erosão Costanza et al., 1997 Formação do Solo Costanza et al., 1997 Reciclagem nutrientes Costanza et al., 1997 Tratamento de Rejeitos Costanza et al., 1997 Controle biológico Santos et al., 2000 Recreação Costanza et al., 1997 Cultural Costanza et al., 1997 Valor de Opção Santos et al., 2000 Valor de Existência Santos et al., Total (Dólar Comercial: R$ 2,014.) 0,3248 (R$ 0,6541 m -2.ano -1 )

15 MATERIAIS E MÉTODOS Assim, a equação dos valores de VUI+VO+VE, será a seguinte: Onde: R$ 0,6541 m -2.ano -1 = Representa o somatório das funções ecossistêmicas em bioma de Mata Atlântica. 15 AMONAM = Área total do Monumento Natural

16 RESULTADOS Para a produção de água, foi definida a teoria de cálculo conhecida como VERA, pois a intenção é demonstrar economicamente quanto vale a Unidade de Conservação. Buscaram-se os preços de mercado para dotar o recurso ambiental de valor econômico e salientar a importância de sua preservação como fonte de fornecimento de bens de consumo. Na avaliação foi considerado os valores de uso do recurso 16 ambiental, sob a ótica de mercado, e os valores de não uso, que devem ter valor atribuído, já que são inerentes a

17 Uso Direto RESULTADOS Primeiro modelo: relação entre a estimativa de consumo de água, por habitante, por dia no Brasil (Ministério das Cidades 2010), a média de habitantes por domicílio (Censo IBGE 2010). Segue substituição dos valores: C ons. = (pop.) x (cons./l/hab./dia)x pa Logo, pop.= habitantes atendidos cons./l /hab./ dia= 159 L pa= R$ 3,087/ m 3 17

18 Uso Direto RESULTADOS Assim, C ons.= ( x 159)x 3,087 C ons. = R$ 7.263,76/dia Fazendo a progressão para valor anual, o custo do consumo é: Cons.= R$ ,94/ ano 18

19 Uso Indireto RESULTADOS Segue a substituição dos valores para o Cálculo de VUI +VO+VE: VUI+VO+VE= (R$ 0,6541 m- 2.ano- 1 x AMONAM) VUI+VO+VE= R$ ,00/ ano Logo, AMONAM= 500 hectares. R$ 0,6541 m- 2.ano- 1 = valor das funções ecossistêmicas incluindo valor de Opção e 19

20 RESULTADOS Tendo definido os valores, o próximo passo é a substituição na fórmula de cálculo. Logo, VERA= (VUD+VUI+VO)+VE VERA = R$ ,94+ R$ ,00 VERA = R$

21 Cálculo do Valor de Perda de Bens e Serviços Ambientais VPBSA (cálculo da perpetuidade): Onde VERA = R$ ,94 I (taxa de juros de referência) = 7,23 % ao ano. n (variável tempo composta por quadro cenários)= 84 anos* *PAE de16 anos; regeneração MT 4 anos, vida útil várzea das flores de 88 anos e tempo de renovação das 4 nascentes pelo método do fluxo exponencial de trítio de 133 anos. 21

22 Substituindo os valores: RESULTADOS VPBSA = R$ ,94 x (1+0,0723%) x ,0723 VPBSA= R$ ,14 (Sete bilhões, duzentos e oitenta e nove milhões, setecentos mil, vinte sete reais e quatorze centavos) 22

23 RESULTADOS A produção total de água foi calculada em 18,5 mi m 3 / ano ( ). Foi objeto de cálculo para consumo humano somente m 3 /ano. Vazão excedente 17,8 mi m 3 /ano ( ). 23

24 CONCLUSÕES A valoração dos recursos naturais do Monumento Natural da Mãe D água com enfoque nos recursos hídricos resultou no valor de 7,2 bilhões de reais, com um excedente de 17,8 milhões m 3 /ano; A avaliação do consumo pela estimativa média por domicilio no Brasil aponta o valor de 16 m 3 /mês/família, assim a taxa cobrada pela concessionária do Estado Minas Gerais para abastecimento é de R$ 3,807/m 3 Havendo a desafetação da Unidade e/ou degradação 24 que comprometa os seus atributos o custo direto mínimo a ser repartido entre Poder Público e comunidade será

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27 CONTATO Detalhes sobre o estudo acesse: https://repositorio.ufsc.br/handle/ / Fones + 55 (31) Anderson Silva de Aguilar Geógrafo e Analista Ambiental, Especialista em Meio Ambiente e Gestão de Recursos Hídricos, pelo CEFETMINAS e Mestre em Engenharia Ambiental pela UFSC. 27 Servidor Efetivo da Secretaria de Meio Ambiente de Betim/MG.

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