Curso e Colégio Acesso Filosofia Vestibular da PUC-PR. Tema 01 Platão Apologia de Sócrates

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1 Curso e Colégio Acesso Filosofia Vestibular da PUC-PR Tema 01 Platão Apologia de Sócrates O texto exprime a versão da defesa feita por Sócrates em seu próprio julgamento. Motivos do julgamento: a) Corromper a juventude b) Não aceitar os deuses que são reconhecidos pelo estado, c) Introduzir a crença em novas divindades. Para Platão, Sócrates era vítima do poder do discurso político que agiu contra o raciocínio filosófico. Uma vez que a filosofia é superiora à política, Sócrates não poderia ser condenado porque o que ele fazia era tão somente filosofar. A arte de filosofar encontrava-se justamente na atividade que foi suscitada pela sacerdotisa do Oráculo que Delfos que afirmou ser Sócrates o mais sábio de todos os homens. No texto Apologia de Sócrates, Platão narra os fatos que marcaram o julgamento e posterior condenação à morte de Sócrates. O filósofo afirma que em sua defesa, Sócrates, assume ser a ignorância a condição previa para a busca do conhecimento, uma possibilidade aberta a todos os homens, e desde então, Sócrates dedicou-se incansavelmente a demonstraraos que se julgavam sábios a falsidade de seus conhecimentos. Se autêntica essa declaração de ignorância ou então um artificio para a atividade investigativa de Sócrates, ela constitui-se um ponto de partida de uma atividade filosófica radical que põe em dúvida a validade dos princípios morais assumidos pela tradição, expondoos ao exame da razão. Cabe ao homem o exercício da dúvida com o propósito de fazer com que seus interlocutores identifiquem as falhas de seus próprios argumentos e, consequentemente, ailegitimidade de seus conhecimentos. A moral socrática não tem uma ação e interesse particular e com opiniões pessoais, mas sim está vinculada à superação das opiniões, das crenças e dos costumes pela identificação racional do bem e do mal pelo logos, ou seja, uma moral racionalmente sustentada. Em Sócrates, o conceito de aretéé modificado e apresenta a excelência humana como virtude plenamente contida no conhecimento. A filosofia moral socrática: conhecimento e virtude Se a virtude está atrelada ao conhecimento, então ela deve ser explicada e justificada pela razão. Portanto, os valores morais possuem existência objetiva e apenas podem praticar as virtudes aqueles que sabem o que ela é. O conhecimento, então, é condição necessária para qualquer oficio, mas não ésuficiente, afinal, todas as coisas podem ser feitas ou não, e a decisão sobre o que se deve ou não fazer remete automaticamente a outro tipo de saber, que é exatamente o conhecimento moral. Para Sócrates os comportamentos realmente éticos são consequência imediata do saber acerca da moral. Assim, o conhecimento do bem e a prática do mal são termos incompatíveis, uma vez que a alma humana, com a posse do saber virtuoso, não se engana na escolha dos seus bens. A virtude torna-se, aqui, sinônimo de felicidade. A unidade das virtudes

2 Sócrates reafirma a virtude como conhecimento, a ignorância como origem do erro e a unidade de todas as manifestações da virtude, porque coragem, justiça, piedade, prudência e todos os bens da alma são virtuosos porque são concretizações diferentes de um mesmo princípio, a virtude da sabedoria. Neste aspecto se estabelece a proposta socrática, que propõe a autonomia moral dos homens a partir do discernimento racional entre o certo e o errado, ou seja, a formação humana em sua autentica areté é fundamentada na razão e na existência de valores morais em si. A ética socrática é denominada de intelectualista, por compreender a vida virtuosa como desdobramento imediato do conhecimento, desconsiderando qualquer possibilidade deinclinação contrária à sabedoria da virtude que, opondo-lhe resistência, exigisse um esforço realizado pela vontade para vencer as paixões. As oposições à virtude manifestam-se apenas na ausência da sabedoria, anulando-se naturalmente com a sua presença. A questão socrática: o que é a virtude? Virtuoso é o homem que dedica sua vida na importante tarefa de encontrar a natureza da virtude, ou seja, todo o empenho do sujeito será devotado na incansável busca, mas para isso precisamos examinar em que consiste a natureza das virtudes particulares. Então, para Sócrates, devemos partir do particular em direção ao geral, confiando somente nos argumentos derivados da razão. Sócrates estabelece um método que o auxilia nessa tarefa, e esse método é a dialética que consiste em mostrar, mediante o diálogo, um debate racional sobre qualquer tema, onde os interlocutores assumem uma posição de igualdade e com honestidade vão construir conjuntamente um conhecimento preciso acerca do tema da discussão. No método socrático não está em destaque o espetáculo que o sofista proporciona, mas sim uma investigação que busca tão somente o conhecimento da natureza da virtude. Para Sócrates é um dever moral dialogar com qualquer cidadão para exercitar a reflexão e o raciocínio para o que realmente importa: a vida em conformidade com os princípios éticos. O método socrático O método dialético tem como objetivo a libertação da alma do caminho da ignorância, mas antes que alguém levante dúvidas sobre o conceito de alma, é preciso que se esclareça que a alma na visão de Sócrates é entendida como intelecto e não como espírito. Cuidar da alma significa cuidar da vida. Então, o método socrático é para despertar todos os homens, sem distinção alguma, para a importante tarefa de examinar sua vida e suas ideias. Esses homens devem se modificar para viver bem. Mas como fazer isso? Como esses homens vão fazer um autoexame? O ponto de partida do método é tornar-se um aprendiz, ou seja, no debate, diante do interlocutor, o aprendiz afirma desconhecer o que está sendo debatido. A expressão sei quenada sei é o reconhecimento de ignorância diante dos principais temas humanos e, ao mesmo tempo, é uma possibilidade de se estabelecer um diálogo. A afirmação da frase é uma recusa socrática de se estabelecer uma tese para o debate, esse fato levará o interlocutor então, a criar a tese sobre o tema. Fazendo tudo isso, tem inicio então o debate racional que visa, sobretudo, trazer uma definição que ilumine o tema. As questões obscuras serão esclarecidas pela luz do conhecimento. Dois momentos são importantes aqui: a) O protrépticoou exortação b) O élenkhosou indagação

3 A exortação ou protréptico O interlocutor diante do não saber de Sócrates, sente-se seguro para iniciar o diálogo, posto que quem nada sabe não poderá rejeitar a tese exposta. O interlocutor cria coragem e estabelece uma tese, e aí, ele cai em uma armadilha. Vejamos um exemplo. Sócrates lança a questão: O que é a beleza? E mais, se ela existe, pode ser encontrada somente no homem ou ela pode estar presente em outros objetos? O interlocutor responde: Em minha opinião, a beleza existe e pode ser encontrada em muitas coisas e objetos. Um homem não erra quando afirma que seu escudo é belo, seu sapato é belo e sua mulher, bela. Para o interlocutor a questão parece ter encerrada, uma vez que ele respondeu com clareza o questionamento de Sócrates, no entanto, o nosso filósofo não se contenta com a resposta dada e lança um novo desafio: Como é possível que coisas tão diferentes possam ser agrupadas sob o nome de belas? Sócrates não fez nenhuma afirmação, mas não aceita a opinião de seu interlocutor e exige uma explicação mais plausível. O interlocutor aceita o novo desafio e, estimulado continua o diálogo: Ora, o que permite agrupar coisas tão distintas é que todas são feitas ecumprem satisfatoriamente suas funções. Em outras palavras, todas as coisas são bem constituídas para servir nossas necessidades. A resposta do interlocutor parece ter sepultado todas as dúvidas, uma vez que ele definiu algo que a maioria das pessoas não conhecia a beleza. A indagação (élenkhos), a ironia e a refutação Será que o interlocutor venceu o debate? Antes de dar os parabéns ao interlocutor, Sócrates lança outra pergunta: Você sabe qual a razão de termos olhos? O que poderia ser algo fora de contexto conduzirá o interlocutor a sérias dificuldades para sustentar sua posição, mas ainda assim ele afirma: Claro que sei. Foram projetados para ver. Sócrates tem agora o que precisa para pressionar o interlocutor com uma longa série de perguntas e o processo agora vai ser a ironia (eironeia), que do grego, significa dissimulação. Aqui começa um amplo leque de disfarces e fingimentos para conduzir o interlocutor a reconhecer os limites de sua definição. Diante da resposta do interlocutor, o que segue é a afirmação socrática: Bem, sendo os olhos projetados para ver, e aceitando que o belo para você, consiste em ser bem-feito para cumprir determinada função, só me resta concluir que os meus olhos são melhores do que os seus. Como assim? Responde o interlocutor. Meus olhos são mais belos e melhores do que os seus pela seguinte razão: os seus só veem o que está à frente, os meus, como são esbugalhados veem também o que está dos lados. A ironia de Sócrates está no fato para afirmar que é belo os seus olhos esbugalhados. E a partir da ironia, podemos concluir que Sócrates vai então afirmar que a tese inicial do seu interlocutor não passa de opinião (doxa) e não merece ser elevada à categoria de conhecimento (episteme). Sócrates, então, através da ironia já fragilizou os argumentos do interlocutor, resta agora refutar, definitivamente, as ideias errôneas ou falsas que até então estiveram presentes no diálogo. Claro que este é um exemplo simplista, mas os diálogos são fundamentais para entendermos e chegarmos a alguma conclusão, e o importante aqui é nos livrarmos do falso ensino ou do falso saber.

4 Os diálogos certamente provocam crises, e a crise (do grego krisis) significa colocar sob avaliação, parar para considerar outras opções. Da crise, decorrente da refutação de uma tese, pode nascer o pensamento crítico fundamental para nos tornar sujeitos autônomos. Parte final do método: a maiêutica O momento em que Sócrates e seu interlocutor se lançam em busca do verdadeiro saber é chamado de maiêutica ou a proposta de gerar novas ideias. Sócrates age como um verdadeiro parteiro de almas e pretende a ajudar seu interlocutor a encontrar por si mesmo a verdade, uma vez que ele, Sócrates, não pode ensinar, pois nada conhece nada sabe. O diálogo prossegue expondo varias situações envolvidas no processo da maiêutica e mostra que nem todos estão dispostos a se livrar de antigas opiniões. Para parir ideias é preciso,antes de mais nada, estar apto para gerar novas ideias e, ideias novas são geradas quando as velhas são deixadas de lado. Conclusão Por que Sócrates levanta tanta paixão? Por que muitos jovens atenienses se entregaram a essa busca em Sócrates? O que convenceu jovens aristocratas a perambular em Atenas atrás de um homem descalço e muito malvestido? Em Sócrates, os filósofos subsequentes encontraram um exemplo de vida dedicada ao saber e à verdade. Vida que foi muitas vezes retratada como adequado exemplo de coragem, dignidade e coerência com que enfrentou as dificuldades da vida e a sentença de morte. Acusado de corromper a juventude e desacreditar os deuses da cidade, Sócrates foi levado ao tribunal de Atenas, aos setenta anos. Ele não precisa comparecer ao tribunal, mas foi e acatou a decisão que o levou à morte. Ao afirmar no tribunal, em sua defesa, que uma vida privada da investigação não seria digna de ser vivida, Sócrates praticamente assinou sua sentença de morte. Se o fato foi político ou não, não importa, mas o que é importante destacar é que ele viveu uma vida em conformidade com a virtude. Eis, portanto, diante de cada um de nós, o mártir da filosofia, o que ajudou a perpetuar definitivamente seu nome na história cultural do Ocidente. Questões do Vestibular PUC-PR 1) Na terceira parte da Apologia de Sócrates há a seguinte afirmação: "é possível que tenhais acreditado, ó cidadãos, que eu tenha sido condenado por pobreza de raciocínios, com os quais eu poderia vos persuadir, se eu tivesse acreditado que era preciso dizer e fazer tudo para evitar a condenação. Mas não é assim. Caí por falta, não de raciocínios, mas de audácia e imprudência, e não por querer dizer-vos coisas tais que vos teriam sido gratíssimas de ouvir, choramingando, lamentando e fazendo e dizendo muitas outras coisas indignas, as quais, é certo, estais habituados a ouvir de outros". Considerando esta passagem, já sendo a transcrição de suas últimas palavras, é possível afirmar que Sócrates: a) Lamenta sua fraqueza argumentativa perante a quantidade de pessoas que o condenou. b) Ressalta a preocupação de seu discurso com a verdade e não com elegante retórica, como os pretensos "sábios" o faziam. c) Reconhece sua dificuldade de elaborar um discurso persuasivo, mesmo com todo seu esforço para isso. d) Desculpa-se por decepcionar tantos admiradores e os aconselha a não empregar seus recursos argumentativos. e) Conclui que sua derrota decorreu de seu discurso audacioso e imprudente. 2) A obra Apologia de Sócrates, de Platão, descreve a defesa de seu mestre perante as acusações de não aceitação dos deuses reconhecidos pelo Estado, de introduzir novos cultos e de corromper a juventude. Considerando a proposta geral da obra, É INCORRETO dizer que Sócrates:

5 a) Assumiu a responsabilidade dos atos aludidos pelos denunciantes, mas repudiou a atitude destes por não valorizarem a liberdade de pensamento em busca da verdade. b) Em sua autodefesa, procurou recordar quem ele era, ou seja, realizou uma revisão sobre a questão "quem é Sócrates". c) Considerou inaceitável um homem livre valer-se de sofisticada retórica ou de apelos emocionais para obter sua absolvição. d) Recomendou sua condenação à morte, uma vez que considerava mais digno uma morte na verdade que uma vida na mentira. e) Tinha a preocupação de refutar qualquer perspectiva religiosa, uma vez que suas críticas levavam ao ateísmo. 3) Leia a estrofe do texto a seguir e, em seguida, assinale a alternativa que corresponde ao verdadeiro sentido das acusações contra Sócrates. O que vós, cidadão atenienses, haveis sentido, com o manejo dos meus acusadores, não sei; certo é que eu, devido a eles, quase me esquecia de mim mesmo, tão persuasivamente falavam. Contudo, não disseram, eu o afirmo, nada de verdadeiro. Mas, entre as muitas mentiras que divulgaram, uma, acima de todas, eu admiro: aquela pela qual disseram que deveis ter cuidado para não serdes enganados por mim, como homem hábil no falar. (Platão, 1987, p.33) a) Para Aristóteles, principal acusador de Sócrates, o problema consiste nas falácias que o filósofo ensina como conhecimento verdadeiro para os jovens de Atenas, os quais acabam por fazer de Sócrates uma espécie de ídolo em contraposição aos verdadeiros deuses. b) De acordo com o próprio Sócrates, nesse seu texto autobiográfico, as acusações contra ele têm um caráter eleitoral, visto que seus acusadores estavam interessados nas próximas eleições, mais do que no próprio julgamento. c) A acusação contra Sócrates é, para Platão, um problema de relacionamento afetivo entre o acusado e seus acusadores, na verdade, tratou-se de uma questão passional ligado ao amor de Alcebíades por Sócrates. d) O principal motivo das acusações contra Sócrates diz respeito à suposta revelação feita pelo Oráculo de Delfos de que ele seria o homem mais sábio da Grécia, o que acabou causando muita inveja a Meleto, que almejava tal status de sábio. e) Sócrates não está sendo acusado simplesmente porque não respeita o culto aos deuses ou por perverter a juventude, mas sim pelo fato de estar incomodando a aristocracia ateniense ao denunciar seus vícios baseados na ignorância e defender a busca da verdade e da virtude. 4) A clássica acusação de Sócrates, movida pelo poeta Meleto, pode ser considerada o início do conflito com o pensamento sofista. Segundo Platão, no texto da acusação, Sócrates é réu por pesquisar indiscretamente o que há sob a terra e nos céus, de fazer que prevaleça a razão mais fraca e de ensinar aos outros o mesmo comportamento.platão. A defesa de Sócrates. São Paulo, Abril Cultural, 1980, p.12 A este respeito, assinale a alternativa INCORRETA que não representa uma acusação contra Sócrates. a) Sócrates é acusado de corromper a juventude, uma vez que, diferente dos sofistas, não usa como método a persuasão da retórica. b) Sócrates é acusado pelo Tribunal Ateniense de ter como método de raciocínio um discurso que incita o reflexo sob si mesmo. c) Sócrates é acusado porque, a partir da ironia, reconhece que a ignorância precede o conhecimento. Neste sentido, Sócrates manifestava-se contra o discurso político do Tribunal Ateniense. d) Sócrates é acusado de opor-se aos deuses reconhecidos pelo Estado e ao questionar, por meio da ironia, os costumes que são provenientes. e) Sócrates é acusado pelos sofistas, frente ao Tribunal Ateniense, por demonstrar que não se descobre a verdade pelo uso da razão, mas pela retórica persuasiva que é proveniente da conveniência individual. Tema 02 Rousseau ( ) Jean-Jacques Rousseau: humanidade natural e sociedade civilizada Introdução

6 Jean-Jacques Rousseau ( ) nasceu em Genebra na Suíça, e mudou-se para a França em 1742, onde escrever suas grandes obras, as quais o imortalizariam. Entre elas destacamos Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens, onde Rousseaucoloca como fundamentais os valores da vida natural e ataca a corrupção, a avareza e osvícios da sociedade civilizada. Faz vários elogios à liberdade de que os selvagens desfrutavam,naquilo que ele chamou de pureza do seu estado natural, contrapondo o homem selvagem àfalsidade e ao artificialismo do homem civilizado. Assim, o modo de vida dos homens de seutempo, era por ele considerado como artificial e falso, diferente da pureza dos selvagens. Foi apartir destas ideias que surgiu o Mito do Bom Selvagem. Como Hobbes, Rousseau também concebe o homem natural ao modo de um ser que se move exclusivamente por um impulso de conservação. As aproximações, contudo, parampor aí, pois as propostas filosóficas de Rousseau são contrárias às de Hobbes, para quem,como já estudamos, a natureza dos homens é agressiva e desejosa de poder. Para Jean-Jacques Rousseau, quem assim define a natureza do homem comete um erro primário, poisvaidade, agressividade e ambição seriam precisamente traços de uma natureza humana quese perverteu, corrompendo-se nas condições da civilização. 1) A condição de natureza Ao falarmos do homem natural ou selvagem de Rousseau é preciso que destaquemos que o que conta, sobretudo, é que, descrevendo tal condição de natureza, se pretende definir ahumanidade natural, quer dizer, como seríamos se não fôssemos desde muito cedo submetidos às influências da vida em sociedade. E na natureza humana, há seres solitáriosque se movem apenas por seu instinto de conservação e que têm como características o amorde si, a comiseração, a liberdade e a perfectibilidade. O amor de si, segundo Rousseau, nada mais é do que um sentimento natural de preservação da vida, presente em todos os animais e que se concretiza em movimentos para asobrevivência, como a busca por comida, água ou proteção. Movidos pelo amor de si, os sereshumanos vivem a harmonia da satisfação com os desejos, conseguindo o suficiente para asexigências de seus instintos. Bastam a alimentação, a sexualidade, o descanso, ou seja, nãohá transtornos de paixões ou graves conflitos, porque o homem em natureza precisa de muitopouco para a sua conservação. Os atritos ou confrontos acontecem muitas vezes por uma disputa entre dois homens por uma única refeição que resultaria segundo o filósofo em rápidas agressões, que se encerrariam sem maiores consequências, com o vencedor se apossando da presa e o perdedor, sem rancores, procurando seu almoço em outro lugar. Junto a esse amor de si temos a comiseração ou compaixão uma disposição natural pelo qual o homem se identifica com os seres vivos, causando-lhe repugnância acontemplação do sofrimento de um ser sensível, especialmente quando se trata de um ser daprópria espécie. Para Rousseau, no homem natural, a dor de um é, em certo sentido, a dor dequem a presencia. Podemos concluir então que para o filósofo, no homem natural, o amor de sipossibilita a autopreservação individual, e a comiseração promove a sobrevivência da espécie. Além do amor de si e da comiseração, citamos a liberdade e o senso deperfectibilidade. A liberdade é um dado da natureza específica do homem, distinguindo-o dosdemais animais. O homem é dotado de capacidade de resistir ou de ceder às exigências danatureza, de controlar seus impulsos, de adiar uma satisfação diante de outra expectativa,enfim, contemplando com a faculdade de querer, a liberdade, coloca-se como ser espiritual,acima das leis físicas.

7 A perfectibilidade, por sua vez, é um desdobramento da liberdade, pois o livre-arbítrio humano diversifica os comportamentos da espécie para a satisfação dos seus instintos. Édessa perfectibilidade que se enseja as ações humanas sobre o meio, como a fabricação deferramentas, a agricultura, manufatura e as ciências, ou seja, um repertório cumulativo deconhecimentos por meio dos quais os homens transformam a natureza, tanto interior quantoexterior, ou ainda, a perfectibilidade é uma tendência humana ao progresso e ao aprimoramento do controle do homem sobre o mundo exterior. 2) O surgimento da sociedade civilizada O surgimento da propriedade privada é afirmado no texto de Rousseau Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens, como a chegada do homem à vida civilizada eisso é visto pelo filósofo como a ruptura definitiva do estado de natureza. Instauram-se, assim,os piores sentimentos entre os homens, que deixa o amor de si e a comiseração, passando avalorizar o amor-próprio, ou seja, uma vida de egoísmo, inveja, deslealdade e a elevação dasriquezas materiais ao plano principal da vida. Importante destacar que o aparecimento da propriedade privada, não é propriamente o momento da corrupção do estado natural, mas a realização concreta de paixões artificiaiscomo a vaidade, o orgulho, a cobiça, a materialização, na desigualdade de riquezas, do lequede vícios abertos pelo amor-próprio. Desde então, a ânsia por multiplicar a fortuna é a tônica da vida em sociedade e, nesse sentido, a estima por bens materiais já não tem nenhuma correspondência com o impulso deconservação, uma vez que, mesmo quando as riquezas excedem necessidades futuras desobrevivência, não há saciedade para quem as possui, persistindo o esforço em ampliá-la. Esse sujeito civilizado é, segundo Rousseau, um homem fora de si, que reforça posições de prestígio, mando e poder, reforça hierarquias nas quais os homens não são maishomens; são senhores uns dos outros, escravos uns dos outros e por essa razão, estão fora desua humanidade natural. 3) A desigualdade e as relações políticas A sociedade política ou o Estado como produto de um contrato social surge desta instabilidade social e da divisão da sociedade entre pobres e ricos. As competições entre os homens, desprovidas de regras que enquadrem suas ações, impedem a harmonia social e colocam sob risco a situação dos afortunados, que mal podemusufruir da superioridade de suas riquezas ante os perigos dos levantes tão comuns à desordem da concorrência civilizada. A procura pela paz, concebida como fixação da desigualdade e institucionalização do domínio dos poderosos sobre os fracos, faz com que osricos promovam a mobilização da sociedade para a formalização de normas pertinentes àconvivência amistosa entre os homens, com a criação de um poder ao qual todos, indistintamente, devem se submeter: o Estado. O Estado é criado sob o pretexto de evitar aos fracos a opressão dos poderosos, de inviabilizar os projetos ilícitos dos ambiciosos e de assegurar a casa um o usufruto de suasconquistas particulares, estando todos, independente de serem ricos ou pobres, submetidos adireitos e deveres diante do poder estatal. Rousseau, porém, alerta que, sob a aparência de preocupação com o bem comum, esse pacto social reforça as condições de desigualdade entre os homens e legaliza a sujeiçãodos homens uns aos outros, eliminando qualquer vestígio de humanidade autêntica e conferindo pretensa legitimidade ao homem fora de si da sociedade civilizada. 4) O contrato social proposto por Rousseau

8 A proposta filosófica de Rousseau é de uma humanidade que se civilize a partir de sua natureza, e não em perspectiva contrária a essa natureza. O contrato social é a propostapolítica rousseaniana que tem igualmente por base a retomada da natureza humana emdimensões morais civilizadas, reconhecendo-a como alicerce de um poder que tenha por fim arealização da própria humanidade. O contrato social propõe a reposição do eu comum dos seres humanos na organização das relações sociopolíticas de acordo com os interesses coletivos dos cidadãos,aos quais devem ajustar-se as expectativas individuais. Dessa forma, a soberania do poderpolítico somente será legítima se expressar, nos planos moral, legal e institucional, a supremacia da identidade entre os homens, senda esta proveniente da comiseração ou compaixão. Para explicar isso, é preciso diferenciar os conceitos de vontade geral e vontade da maioria. Vontade da maioria corresponde às posições defendidas por um número maior de indivíduos, o que é bastante variável, dependendo de contextos específicos e dos assuntosapresentados à apreciação dos cidadãos. Assim, sua face é quantitativa e, portanto, nãoexprime necessariamente o interesse comum, podendo ser tão somente a soma confusa deinteresses individuais. A vontade geral define-se qualitativamente, quer dizer, não é uma simples relação da soma e subtração, sendo, isto si, a manifestação do pertencimento de todos os indivíduos àmesma humanidade, que não procede de outra coisa senão do sentimento natural de comiseração, pelo qual são capazes de perceber-se na partilha de interesses coletivos. Conclusão Nos textos de Rousseau se localizam dois tipos de contrato social: o primeiro é o pacto social de fato instituído sob a aparência do bem comum, mas verdadeiramente realizado nainstitucionalização do domínio dos mais fortes sobre os mais fracos. O segundo é o pactoautêntico por ser fundado na natureza e realmente voltado para o bem comum. Por fim, resta observar que, se muitas de suas teses filosóficas parecem improváveis quando confrontadas com o desenvolvimento posterior do conhecimento, por outro lado, suainfluência não é pouca no mundo contemporâneo, seja no âmbito teórico, seja na realidadesociopolítica. As críticas de Rousseau à civilização, por exemplo, são válidas para a atualidade, assim como é notável a ascendência de suas reflexões sobre diferentes áreas do saber contemporâneo, como a pedagogia e a sociologia, dentre outras. Do mesmo modo, na históriasociopolítica dos últimos séculos, não raramente as ideias de Rousseau exerceram ascendência direta e indireta sobre diversos movimentos sociais reformistas ou revolucionáriosque s inspiraram em suas teses. Questões do Vestibular PUC-PR 1) "Os filósofos que examinaram os fundamentos da sociedade sentiram todos a necessidade de voltar até o estado de natureza, mas nenhum deles chegou até lá." (Rousseau, Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens.) Sobre a descrição rousseauniana de estado de natureza no Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens é CORRETO afirmar que: a) O estado de natureza corresponde ao período inicial da criação do mundo, conforme encontramos no texto Bíblico, uma importante referência teórica para Rousseau. b) O estado de natureza corresponde ao estágio de desenvolvimento dos índios da América do Sul dos séculos XVII e XVIII, conforme atestam as pesquisas científicas da época de Rousseau.

9 c) O estado de natureza rousseauniano tem como fundamento os estudos de Hobbes e Locke, pensadores que inspiraram Rousseau e ofereceram bases filosóficas para a elaboração da sua teoria do estado de natureza. d) O estado de natureza é uma construção hipotética, uma criação do próprio autor que não se encontra fundada em fatos e em pesquisas científicas. e) Para Rousseau, assim como para Aristóteles, o homem é um ser naturalmente sociável. Portanto, a distinção entre estado de natureza e estado civil está fundada na criação dos governos e das leis. 2) No Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens, Rousseau elabora conceitualmente a ideia de homem natural como antítese do homem social. Nesse sentido, é CORRETO afirmar sobre o estágio inicial do homem natural rousseauniano: a) Era solitário, forte e naturalmente agressivo. A sua falta de entendimento era compensada pela imaginação ativa. Ignorava a dor e a morte e não dependia dos seus semelhantes para garantir a própria vida e suprir as suas necessidades: fome, sede, repouso. b) Vivia em comunidade, era pacífico, ignorava a morte e temia a dor. O seu entendimento e a sua imaginação eram faculdades "adormecidas." Dependia dos seus semelhantes para garantir a própria vida e suprir as suas necessidades: fome, reprodução, repouso. c) O bom selvagem vivia em contato direto com a natureza, era forte e raramente interagia com os seus semelhantes. Com a imaginação e o entendimento "adormecidos", ignorava a morte, temia a dor e estava voltado unicamente para suprir as suas necessidades: fome, reprodução, repouso. d) O bom selvagem era forte e espontaneamente pacífico. Vivia pela ação da imaginação e do entendimento. Temia a dor e a morte e contava com a transparência dos seus semelhantes para suprir as suas necessidades: fome, sede, repouso. e) O bom selvagem vivia em comunidade e em contato direto com a natureza. Com a imaginação e o entendimento "adormecidos", ignorava a dor e temia a morte, estava voltado unicamente para suprir as suas necessidades: fome, reprodução, repouso. 3) No pensamento político de Rousseau, o verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancado as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado aos seus semelhantes: Defendei-vos de ouvir esse impostor, estareis perdidos se esquecerdes que os frutos da terra são de todos e que a terra não pertence a ninguém! Grande é a possibilidade, porém, de que as coisas já então tivessem chegado ao ponto de não poder mais permanecer como eram, pois essa ideia de propriedade, dependendo de muitas ideias anteriores que só poderiam ter nascido sucessivamente, não se formou repentinamente no espírito humano.rousseau, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem da desigualdade e os fundamentos da desigualdade entre os homens. 2.ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978, p Coleção Os Pensadores. A esta questão, assinale a alternativa CORRETA a respeito da teoria contratualista de Rousseau. a) Rousseau afirma que no Estado de Natureza há liberdade ilimitada, resultando como premissa a inexistência da propriedade privada e do direito de alguns sobre aquilo que é de todos os homens. b) Rousseau define que no Estado de Natureza o homem possuía o direito irrevogável sobre a propriedade constituindo a posse da terra, portanto, um direito particular. c) Rousseau adverte que no Estado de Natureza a liberdade é limitada, tornando-se necessária o dever de subordinação dos homens ao poder político do mais forte. d) Rousseau não admite que no Estado de Natureza o homem tenha o direito ilimitado sobre todas as coisas, mas apenas que a propriedade pertence coletivamente a todos. e) Rousseau busca estabelecer que no Estado Civil o direito deve preservar a propriedade privada, uma vez que no Estado de Natureza é formando pela guerra de todos contra todos. 4) Atento a tirinha da personagem Mafalda do pensador e quadrinistajoaquín Salvador Lavado Tejón, mais conhecido como Quino, assinale a alternativa que apresenta melhor correspondência entre o pensamento de Jean-Jacques Rousseau sobre a questão da desigualdade social e a tirinha em questão.

10 a) Os quadrinhos ilustram o pensamento de Rousseau, na medida em que demonstram a ignorância da Mafalda sobre o desejo dos pobres de continuarem pobres, de não quererem mudar de vida para se sentirem sempre como vítimas do sistema capitalista, o que lhes permite viver às custas do governo e de suas várias bolsas sociais. b) Os quadrinhos têm relação com a questão da desigualdade para Rousseau, pois revelam o amor de si do interlocutor da Mafalda, ou seja, um sentimento exagerado de egoísmo que faz com que a pessoa perca completamente a relação com o instinto e o impulso de não ser indiferente ao sofrimento alheio. c) A relação encontra-se na ideia expressa pelo personagem quando ele atribui aos pobres a responsabilidade por sua condição e não percebe que as pessoas nascem diferentes em força e capacidade e que algumas deverão triunfar enquanto outras irão inevitavelmente fracassar. Não se trata, portanto, de uma questão de escolha, mas de merecimento. d) Os quadrinhos ilustram justamente a mentalidade que Rousseau quer apontar como injusta e problemática, uma vez que atribui necessariamente aos pobres a responsabilidade por sua condição, negando o estabelecimento da propriedade privada e seus efeitos sobre a passagem da desigualdade física e natural para desigualdade moral ou política. e) Aparentemente não há relação possível entre os quadrinhos e o pensamento de Rousseau sobre a questão da desigualdade, já que a filosofia e a arte não são próximas. 5) Segundo Rousseau, em seu hipotético estado de natureza, o homem é portador de duas faculdades naturais: a primeira delas é a liberdade e a segunda é a perfectibilidade, uma faculdade que, com o auxílio das circunstâncias, desenvolve sucessivamente todas as outras e se encontra, entre nós, tanto na espécie quanto no indivíduo (Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, Primeira parte). Sobre essa segunda faculdade, leia as assertivas que seguem: I- Trata-se da capacidade do homem se aperfeiçoar física e espiritualmente. II- No caso do aperfeiçoamento físico, o homem se aproximaria da realização de sua natureza; no caso do espiritual, ao contrário, ele se distanciaria cada vez mais do seu estado natural. III- Como desdobramento da perfectibilidade, o homem acabaria por entrar num estado de infelicidade. IV- Ao mesmo tempo em que a perfectibilidade ajuda o homem a vencer os obstáculos da natureza, empurra-o a uma situação de degradação. Está(ão) correta(s): a) Apenas as assertivas I e II. b) Apenas as assertivas I, II e III. c) Apenas a assertiva III. d) Apenas a assertiva IV. e) Todas as assertivas. 6) De acordo com as intenções de Rousseau em Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens, considere as seguintes afirmações:

11 I- Nessa obra, Rousseau analisa a degeneração da moralidade da natureza humana e atribui responsabilidade à própria civilização pela queda moral do homem. II- A sociedade, ao ver de Rousseau, impôs aos seus indivíduos uma uniformidade artificial de comportamento, levando-os a ignorar os deveres e as necessidades fundamentais da natureza humana. III- O desenvolvimento da sociedade, para Rousseau, trouxe a possibilidade de o homem fazer uso de seu livre-arbítrio, tornando-se autossuficiente. Assinale a alternativa verdadeira: a) As três afirmações estão incorretas. b) As afirmações I e III estão corretas. c) Apenas a afirmação I está correta. d) Apenas a afirmação III está correta. e) As afirmações I e II estão corretas. 7) Rousseau, no texto Sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (1755), estabelece que: a) A invenção da propriedade privada, das sociedades e das leis foram acontecimentos que deram origem, diversificaram e aprofundaram as formas de desigualdade. b) A desigualdade natural entre os homens é a principal razão da desigualdade social e política. c) A desigualdade econômica se deve, sobretudo, à inteligência mais aguçada dos ricos. d) A invenção da sociedade e das leis nasceu para garantir os direitos naturais da vida e da propriedade. e) A invenção da política marcou o fim da desigualdade entre senhores e escravos. 8) O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Levando em conta a principal ideia que Rousseau quer transmitir com essa afirmação, assinale a alternativa verdadeira: a) A propriedade privada, já existente antes da sociedade civil, trouxe a possibilidade de melhor organização entre os indivíduos e, consequentemente, facilitou sua convivência. b) A propriedade privada é um direito natural fundado no trabalho. c) A expressão isto é meu da frase de Rousseau quer mostrar que naturalmente o homem anseia por propriedade privada. d) A sociedade civil tem sua origem na propriedade privada que, junto consigo, trouxe os principais problemas entre os homens. e) O fundador da sociedade civil era um pensador grego que tinha grande capacidade de persuasão. Tema 03 Hans Jonas ( ) O Princípio Responsabilidade Filósofo alemão de origem judaica. Desenvolveu reflexões sobre a relação entre a éticae o aumento das sociedades tecnológicas. Uma vez que a tecnologia alterou gravemente aspectos importantes do comportamento humano, a ética também sofreu os efeitos de tais mudanças e precisa enfrentar questões nãoconsideradas pelo pensamento tradicional. Nesse sentido, o homem deve enfrentar a questão da conservação do mundo e das condições que permitem sua participação no mesmo. Esse enfrentamento constitui a expressão do projeto de Jonas de buscar uma nova ética, uma ética de responsabilidade. Influenciado pelo existencialismo de Heidegger, pela fenomenologia de Husserl e pelos horrores dos campos de concentração nazista, concentrou-se em construir uma teoria quefizesse frente à perene possibilidade de a humanidade destruir-se utilizando o enorme avançotecnológico contemporâneo. Sua época ajuda-nos a compreender o porque da busca por uma ética da vida futura eque nos ajudasse a compreender o que deu errado com os ideais do Iluminismo e sua promessa de emancipação do homem.

12 Em O Princípio Responsabilidade o filósofo analisa as éticas clássicas e modernas e procura demonstrar-se como estas não conseguem lidar com a possibilidade ou com o futuro,mas apenas com a proximidade e com o presente. Jonas propõe sua tese: diante dos avanços inevitáveis das tecnologias devemos nos perguntar se temos o direito de arriscar a vida futura da humanidade e do planeta. Sua conclusão é que não devemos, embora tenhamos o poder tecnológico e a arrogância política. Para Hans Jonas há um grave distanciamento entre a ciência e a reflexão ética, provocado pela degradação do sujeito consciente de sua liberdade. A teoria da responsabilidade está com suas bases em teses que podem ser assim formuladas: a) A ação humana deve garantir uma vida autêntica. b) Não se deve por em perigo a continuidade da humanidade no planeta. c) A relação de bem, dever e ser constitui a base para a formulação da responsabilidade, cujo modelo é a relação pais-filhos. O livro está dividido em seis capítulos com algumas passagens menos sistemáticas do que as outras - aqui e ali Jonas anuncia a necessidade de outra obra a fim de analisar pormenores que escapariam à sua análise em O Princípio Responsabilidade. No capítulo I é feita a análise das diferentes perspectivas éticas clássicas e modernas ao longo de nove tópicos procura demonstrarem-se como as perspectivas clássicas e modernas não lida com a possibilidade do futuro ou com a vida potencial e seu direito à existência. No capítulo II desenvolve-se o projeto de tese e esboço do método mediante seistópicos quanto à necessidade de um princípio responsabilidade que alcance asgerações futuras e vida planetária. No capítulo III o pensador alemão, em cinco tópicos, constrói uma perspectivacrítica ontológico-ética a partir de algumas categorias fenomenológicas eheideggerianas quanto aos conceitos de "bem", "valor", "vida", "sobrevivência","medo", "proximidade" e "futuro". No capítulo IV Jonas mediante sete tópicos desenvolve toda a sua perspectiva deuma ética da responsabilidade baseada no cuidado com as futuras gerações e coma vida planetária perpassando a política, religião, valores morais e comparando como marxismo como uma forma de utopia política que pretendeu alcançar o futurotambém eticamente. No capítulo V analisa-se em seis tópicos a ideia contemporânea de progresso, osavanços tecnológicos e científicos, o capitalismo versus marxismo como duasformas de lidar com os problemas advindos dos avanços tecnológicos e científicos eas utopias que movem essas duas concepções políticas. No último capítulo Jonas por meio de três tópicos procura demonstrar, à luz doprincípio responsabilidade, como nem o capitalismo nem o socialismo são capazesde lidar com a possibilidade da vida futura e conclui pela necessidade absoluta deuma ética da responsabilidade tanto humana quanto planetária. Destaque-se que o enorme esforço teórico de Jonas suscitou e ainda suscita muitaspolêmicas quanto aos pressupostos evocados pelo pensador alemão: 1) O medo de ferir as gerações futuras como um princípio ético absoluto, 2) A tecnologia como uma face onde a possibilidade da catástrofe é maior do que apossibilidade de evitá-la,

13 3) As utopias políticas vigentes como incapazes de lidar com o futuro, 4) A sua leitura das perspectivas éticas clássicas e modernas como relativasexclusivamente as relações éticas presentes ou próximas e incapazes de lidar coma possibilidade da vida futura. O objetivo do Princípio Responsabilidade é formulado assim pelo filósofo: conservar incólume para o homem, na persistente dubiedade de sua liberdade que nenhuma mudança das circunstâncias poderá suprimir, seu mundo e sua essência, contra os abusos de seu poder. Hans Jonas merece uma boa leitura uma vez que propõe uma reflexão cada vez mais necessária sobre a nossa sobrevivência e a do planeta. E o seu princípio responsabilidade abre uma perspectiva de diálogo crítico em uma época onde o niilismo tecnológico e político fez sua morada, talvez, definitiva. Questões do Vestibular PUC-PR 1) "O enorme impacto do Princípio Responsabilidade não se deve somente a sua fundamentação filosófica, mas ao sentimento geral, que até então os mais atentos observadores poderão permitir cada vez menos de que algo poderia ir mal para a humanidade, inclusive o tempo poderia estar em posição no marco de crescimento exagerado e crescente das interferências técnicas sobre a natureza, de pôr em jogo a própria existência. Entretanto, se havia comentado que era evidente a vinda da chuva ácida, o efeito estufa, a poluição dos rios e muitos outros efeitos perigosos, fomos pegos de cheio na destruição de nossa biosfera." A partir do comentário de Hans Jonas em O princípio responsabilidade é possível pensar que a maioria das pessoas tende a se preocupar mais com o futuro da vida no planeta. Contudo, parece muito difícil haver de fato uma mudança que leve a espécie humana a assumir a responsabilidade por sua missão terrena. Nesse sentido, seria necessário desenvolver uma heurística do temor, a fim de favorecer o desenvolvimento da responsabilidade. Sobre o conceito de heurística do temor, assinale a alternativa CORRETA. a) Hans Jonas entende que a superação do medo é primordial para uma ética da responsabilidade, pois é através dela que o ser humano poderá agir e refletir sobre o destino da humanidade. b) A heurística do medo é um medo paralisante e patológico, que impede o despertar para o pensar e para o agir em prol de um futuro melhor. c) A heurística do medo pode ser considerada a incapacidade humana de resolver problemas inesperados, visto que falta coragem para superar o medo. d) A heurística do temor não é seguramente a última palavra na busca do bem, mas um veículo extraordinariamente útil. Deveria ser aproveitada para o empreendimento de preservação do planeta, podendo, dessa forma, acordar para a possibilidade de uma catástrofe, provocando a necessidade do limite e da renúncia em relação ao uso de certas tecnologias. e) Trata-se de um medo que não tem a ver com o objeto da responsabilidade, pois, para assumir a responsabilidade pelo futuro do homem, é necessário livrar-se de qualquer sombra aterrorizante sobreum futuro que talvez nunca aconteça. 2) Na obra O princípio responsabilidade, Hans Jonas propõe um ensaio de uma ética para a civilização tecnológica. Entre as principais teses defendidas pelo autor destacam-se: I- Todas as éticas até hoje partilharam de alguns pressupostos em comum, tais como: a natureza humana e extra-humana eram consideradas imodificáveis pelo agir; todas as éticas foram essencialmente antropocêntricas; e a responsabilidade da ação humana limitava-se ao tempo presente. II- Enquanto no passado a natureza humana e extra-humana eram invioláveis pela capacidade do poder tecnológico, a técnica moderna coloca em perigo a autenticidade da vida futura. III- Ninguém pode ser responsabilizado pelos efeitos involuntários posteriores de um ato bem intencionado.

14 IV- A natureza deve, sobretudo, ser protegida porque, sem ela, o homem não poderá assegurar a sua sobrevivência. V- O homem, com o poder da técnica moderna, passou a figurar como um objeto da própria técnica, perdendo sua autonomia, ou seja, o homo faber passou a dominar o homo sapiens. Estão corretas APENAS as assertivas: a) I, II e III. b) I, II e IV. c) III, IV e V. d) I, III e V. e) I, II e V. 3) Leia o trecho abaixo sobre o pensamento de Hans Jonas e assinale a alternativa correlata quanto ao seu sentido e implicações. A marca distintiva do ser humano, de ser o único capaz de ter responsabilidade, significa igualmente que ele deve tê-la pelos seus semelhantes, eles próprios, potenciais sujeitos de responsabilidade, e que realmente ele sempre a tem, de um jeito ou de outro: a faculdade para tal é a condição suficiente para a sua efetividade. Ser responsável efetivamente por alguém ou por qualquer coisa em certas circunstâncias (mesmo que não assuma e nem reconheça tal responsabilidade) é tão inseparável da existência do homem quanto o fato de que ele seja genericamente capaz de responsabilidade da mesma maneira que lhe é inalienável a sua natureza falante, característica fundamental para a sua definição, caso deseje empreender essa duvidosa tarefa. (JONAS, 2006, p ). a) Entende-se que a Heurística do Medo não é um medo paralisante e nem um medo patológico, mas sim, um medo que desperta para o pensar e para o agir. b) Compreende-se que Hans Jonas nega as premissas da ética tradicional e busca uma ponderação sobre o significado das mudanças sociais e econômicas para a nossa condição moral. c) Percebe-se que existe um Dever implícito de forma muito concreta no Ser, com obrigações objetivas sob a responsabilidade externa, como, por exemplo, a Responsabilidade Paterna. d) Fica claro que o imperativo de Kant é um caso extremo da ética da intenção, obedecendo à ação individual, válido no plano individual. e) Nota-se que não devemos ver a destruição física da humanidade como sendo algo mais catastrófico. Se chegamos a esse ponto é porque houve uma morte essencial, uma grande desconstrução e crise do ser com o meio. Gabaritos dos testes Sócrates: 1B 2E 3E 4E Rousseau:1D 2C 3A 4D 5E 6E 7A 8D Jonas:1D 2E 3C

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