Comércio em Smith e Ricardo

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1 Comércio em Smith e Ricardo

2 Comércio e Riqueza Era evidente a correlação entre comércio e riqueza do país. Mas a correlação é inversa: é porque o país é rico que há comércio e não o inverso. Tese que a Inglaterra aumentara sua riqueza a despeito das restrições ao comércio, e não por causa delas.

3 Restrições ao comércio Ao proteger um setor, a demanda tem de ser atendida internamente. Aumenta o capital e a produção aplicadas na produção das mercadorias protegidas. Através do aprofundamento da divisão do trabalho e introdução de máquinas que facilitam e abreviam o trabalho, a produtividade aumenta e o preço cai.

4 Restrições ao comércio Não aumenta a quantidade de mão de obra para aquilo além do qual o capital consegue manter. Apenas desvia o capital e a mão de obra associada para outro setor. Não há certeza que a direção artificial trará mais vantagens a sociedade, do que a direção espontânea para qual fluiria o capital.

5 Restrições ao comércio O indivíduo buscando a sua própria vantagem, aplica seu capital naqueles setores onde será maior a taxa de lucro, aumentando assim o valor anual da produção da sociedade. Ordem natural: agricultura, manufatura e comércio. Efeito imediato é reduzir a renda dos habitantes e provavelmente também a acumulação mais lenta de capital.

6 Liberalização do Comércio Liberalização do comércio Não destrói o capital Mesmo número de trabalhadores produtivos. As diferenças setoriais em termos de geração de excedente são pró-liberalização (agricultura). Restrições ao comércio. Diminui a riqueza (em valor de troca e valor de uso) Muito provavelmente diminui o ritmo de acumulação

7 Comércio e destruição de capital O capital que lhes deu emprego anteriormente em determinada manufatura continuará no país, para dar emprego a um contingente igual de pessoas, de alguma outra forma. Permanecendo inalterado o capital do país, também a demanda de mão-de-obra será a mesma ou mais ou menos a mesma, embora ela possa ser utilizada em lugares diferentes e para ocupações diferentes (WN, IV.ii.40). Sem dúvida, muito sofreria o empresário de uma grande manufatura, o qual, no caso de ser o mercado interno subitamente aberto à concorrência estrangeira, fosse obrigado a abandonar seu negócio. Talvez pudesse, sem grandes dificuldades, encontrar outra aplicação àquela parte de seu capital que ele costumava empregar para comprar materiais e pagar seus trabalhadores. Contudo, a parte do capital destinada às oficinas de trabalho e aos instrumentos de comércio dificilmente poderia ser vendida sem grande prejuízo. (WN, IV.ii.44).

8 Exceções Setores estratégicos dos quais dependem a defesa do país. A lei da navegação não favorece o comércio externo nem o crescimento da riqueza que dele pode decorrer...,... Visto que, porém, a defesa é muito mais importante do que a riqueza, a lei da navegação representa, possivelmente, a mais sábia de todas as leis comerciais da Inglaterra (WN, IV.ii.30).

9 Exceções Impostos a produtos nacionais que competem com produtos importados. Retaliação visando a reabertura dos mercados Manufaturas que empregam muitos trabalhadores após períodos de proibição prolongados. Humanidade Prejuízo de capital.

10 Balança de Pagamentos e Balança de Produção/Consumo Na verdade há uma outra balança, que já foi explicada, e que é muito diferente da balança comercial esta sim, conforme for favorável ou desfavorável, necessariamente gera a prosperidade ou o declínio de uma nação. É a balança de produção e consumo anuais. Já observei que, se o valor de troca da produção anual superar o valor de troca do consumo anual, o capital da sociedade deve aumentar proporcionalmente a esse excedente. Nesse caso, a sociedade vive nos limites de sua renda, e o que anualmente se economiza dessa renda é naturalmente acrescentado a seu capital e empregado para aumentar ainda mais a produção anual. Ao contrário, se o valor de troca da produção anual for inferior ao consumo anual, o capital da sociedade deve diminuir anualmente em proporção a essa diferença ou insuficiência. Neste caso, a despesa da sociedade supera sua renda, interferindo forçosamente em seu capital. Por isso, seu capital necessariamente diminui e, juntamente com ele, o valor de troca da produção anual de sua atividade (WN, IV.iii.c.15).

11 Mão invisível Portanto, já que cada indivíduo procura, na medida do possível, empregar seu capital em fomentar a atividade nacional e dirigir de tal maneira essa atividade que seu produto tenha o máximo valor possível, cada indivíduo necessariamente se esforça por aumentar ao máximo possível a renda anual da sociedade. Geralmente, na realidade, ele não tenciona promover o interesse público nem sabe até que ponto o está promovendo. Ao preferir fomentar a atividade do país e não de outros países ele tem em vista apenas sua própria segurança; e orientando sua atividade de tal maneira que sua produção possa ser de maior valor, visa apenas a seu próprio ganho e, neste, como em muitos outros casos, é levado como que por mão invisível a promover um objetivo que não fazia parte de suas intenções (WN, IV.3.10)

12 Visão Liberal (ordem natural) Os países sempre aumentam sua riqueza ao liberalizar o comércio entre si. Smith: as colônias são exceção devido à grande disparidade de força e poder que faz com que uma parte possa impor condições desfavoráveis à outra.

13 Ricardo

14 Debate com A. Smith Comércio não aumenta diretamente o valor do produto e portanto não aumenta diretamente a acumulação. Aumenta o lucro apenas quando diminui a necessidade de produzir em terras menos férteis.

15 Ricardo Teoria do valor trabalho Padrão ouro TQM Manutenção do nível de emprego Flexibilidade de preços relativos entre os países

16 Exemplo utilizado por D. Ricardo Vinho Tecido Inglaterra ,20 0,83 Portugal ,89 1,12

17 Exemplo Vinho Tecido Inglaterra Portugal ,6 100,8 Vale a teoria do valor trabalho acrescida do custo com transporte (financeiro e real). Inglaterra se especializa em tecido e Portugal em vinho. Supomos que preço do ouro sobe 10% na Inglaterra e cai 12% em Portugal. Então a Inglaterra entregaria o produto do trabalho de 100 homens em troca do produto do trabalho de 80.

18 Melhora na tecnologia Inglesa faz ela Vinho sair do comércio Tecido Inglaterra ,90 1,11 Portugal ,89 1,12 Exemplo: uma melhora na produção de vinho inglês que torne mais vantajosa a produção interna (hipótese tecnológica pouco plausível). Portugal continua por um tempo importando o tecido. Os preços de Portugal caem em relação ao ouro e os preços da Inglaterra sobem. Portugal passa a produzir o tecido internamente.

19 Melhora na tecnologia Inglesa faz ela sair do comércio Vinho Tecido Inglaterra Portugal ,6 100,8 Vinho Tecido Inglaterra ,0 90 Portugal ,6 100,8 Vinho Tecido Inglaterra ,5 95 Portugal ,3 95,4

20 Melhora na tecnologia Inglesa causa uma inversão na especialização Vinho Tecido Inglaterra ,80 1,21 Portugal ,89 1,12 Exemplo: uma melhora ainda maior na produtividade do vinho Inglês Portugal se especializa em tecido e Inglaterra em vinho se houver uma mudança na relação com o ouro. Ou seja, para valer a pena para Portugal comprar vinho da Inglaterra, é preciso que a desvalorização do ouro em Portugal (tornando o preço em ouro do vinho superior a 80) seja superior aos custos com transporte, e ao mesmo tempo a valorização do ouro na Inglaterra (tornando o preço do tecido em ouro inferior a 100) leve a importação de tecidos da Inglaterra

21 Melhora na tecnologia Inglesa causa uma inversão na especialização Vinho Tecido Inglaterra ,5 95 Portugal ,3 95,4 Vinho Tecido Inglaterra Portugal ,3 95,4 Vinho Tecido Inglaterra ,5 Portugal ,3

22 Teoria Ricardiana do comércio 1 Libra = 1 unidade trabalho Vinho (u) Tecido (u) Inglaterra Portugal Inglaterra (L) 78 97,5 Portugal (L) 82 92,25 Quem determina a desvalorização relativa é a diferença de produtividade do tecido. Dados os preços relativos supostos: Portugal ao invés de empregar 80 homens na produção de vinho, empregará apenas 76 na produção de tecido pela mesma quantidade de vinho. A Inglaterra, ao invés de empregar 100 homens da produção de tecido, empregará apenas 94,6 na produção de vinho pela mesma quantidade de tecido

23 Mudança dos preços relativos transformam as VC em VAC Vinho Tecido Preço do Vinho Preço do Tecido Exemplo 1 Inglaterra Portugal ,6 100,8 Exemplo 2 Inglaterra ,5 95 Portugal ,3 95,4 Exemplo 3 Inglaterra ,5 Portugal ,25

24 VC e VAC... [S]e algum país se destacar na produção de manufaturas, a ponto de causar para si um afluxo de dinheiro, o valor deste será mais baixo em qualquer outro país, enquanto os preços do trigo e do trabalho serão relativamente mais elevados. Esse aumento no valor do dinheiro não se refletirá na taxa de câmbio. As letras podem continuar sendo negociadas ao par, embora os preços do trigo e do trabalho sejam 10, 20 ou 30% mais altos num país que em outro. Nessas circunstâncias, tal diferença de preços corresponde à ordem natural das coisas, e o câmbio somente pode estar ao par quando se introduz, num país que se destaca na produção de manufaturas, dinheiro suficiente para aumentar o preço tanto do trigo quanto do trabalho (Ricardo 1817).

25 Salários Reais, taxas de lucro e câmbio Se os bens transacionados forem bens consumidos pela classe trabalhadora, ou o salário real ou o lucro precisam variar para que a VC transforme-se em uma VAC.

26 Considerações finais Objetiva demonstrar que comércio leva a uma distribuição mais racional do capital nos países. Supõe não afetar o nível de emprego ao não destruir (muito) capital. Supõe a validade da teoria do valor trabalho, que é modificada em relação ao ouro devido ao mecanismo de ajustamento da BC.

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