X Encontro Nacional de Educação Matemática Educação Matemática, Cultura e Diversidade Salvador BA, 7 a 9 de Julho de 2010

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1 UMA ANÁLISE DA PERSPECTIVA DOS GRADUANDOS DO CURSO DE MATEMÁTICA DAS MODALIDADES DE LICENCIATURA E BACHARELADO DA UFRN SOBRE A FORMAÇÃO CONTINUADA STRICTO SENSU Claudianny Noronha Amorim Universidade Federal do Rio Grande do Norte João Maria da Silva Lopes Universidade Federal do Rio Grande do Norte Pablo Jovellanos dos Santos Lima Universidade Federal do Rio Grande do Norte Resumo: Tendo em vista as discussões relacionadas à formação de um pesquisador, que de acordo com Pereira (2006), em geral existe uma valorização maior para o bacharelado do que para a licenciatura, buscamos nesse trabalho, analisar o nível de interesse e conhecimento dos graduandos de matemática de licenciatura e de bacharelado para uma formação continuada stricto sensu, verificando se tais cursos e os da pós-graduação, decorrente de suas estruturas, oferecem algum tipo de incentivo para os mesmos para está formação e em que amplitude. Para isso, realizamos uma investigação quantitativa e qualitativa, através de questionários, utilizando da análise de conteúdo. Percebemos que de fato, em nossa instituição, os alunos do bacharelado em matemática conhecem mais programas de pós-graduação do que os licenciando deste mesmo curso recebendo, portanto, mais informações e que não há grandes incentivos e divulgações por parte destes cursos e dos programas de pós-graduação para os alunos em continuar sua formação. Palavras-Chave: Pós-Graduação; Licenciatura; Bacharelado; Matemática. 1 Introdução Muitas são as discussões referentes às estruturas curriculares e a forma como são desenvolvidos os cursos de licenciatura ou de bacharelado da matemática, nas diferentes universidades do nosso país. Discussões que, atualmente, contemplam também aspectos referentes à formação de melhores professores e bacharéis. Uma das ideias que surge, no ambiente universitário, é a de que aqueles que estão sendo formados em bacharelado são os que irão se engajar na pesquisa, sendo assim os que irão fazer posteriormente mestrado e doutorado. Com isso, de acordo com Pereira (2006, p.59) [...] A maioria dos autores acusa uma valorização maior do Bacharelado por sua 1

2 relação com a formação do pesquisador e um certo descaso com a Licenciatura por sua vinculação com a formação do professor. Compreendemos que os cursos de licenciatura devem possibilitar para os seus alunos uma postura pedagógica que os auxilie na prática educativa e que ao mesmo tempo permita à estes perceberem o seu papel social e político fazendo-o agir como um instigador de opinião e de criticas sobre os seus alunos, os quais possam refletir sobre as coisas do nosso mundo sendo capazes de garantir sua própria cidadania. Por outro lado, os bacharéis devem proporcionar suporte para os licenciandos, e coletivamente colaborar com um trabalho mais educativo em qualquer que seja o seu contexto articulando produções que possam oportunizar caminhos para os quais os professores consigam se aproximar de modo mais significativo do que está sendo proposto e assim utilizar tal conhecimento com os seus alunos. Percebemos, portanto, a necessidade de uma formação conveniente e coerente para essas duas modalidades, sem haver maior valorização para qualquer lado. Alcançar tais metas parece ser uma tarefa árdua e lenta, uma revolução no ensino superior haveria de ser realizada inclusive no pensamento e nas ideias da maioria dos professores que, nas universidades, já estão realizando seu trabalho. Para os bacharéis, é possibilitado um grande campo de formação continuada, onde os mesmo podem aprimorar ainda mais suas técnicas de pesquisas, enquanto para os professores este campo ainda requer maiores observações, planejamentos e ações. Contudo a idéia de uma formação continuada precisa ser cada vez mais incentivada e aprimorada, na mesma proporção que ocorre no bacharelado, para a classe dos professores, principalmente para aqueles que atuam ou irão atuar no nível básico de ensino. Nossa convivência, não apenas com professores de matemática em exercício na rede pública de ensino do Rio Grande do Norte, mas também com alunos do curso de graduação em Matemática da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), nos faz presenciar, não apenas o significativo interesse daqueles primeiros em cursar uma pósgraduação stricto sensu, tanto para suprir lacunas formativas, como também para buscar melhores oportunidades salariais; além disso, no que refere aos graduandos, um relevante desinteresse ou mesmo desconhecimento sobre a pós-graduação. 2

3 Tendo como base esta realidade e a preocupação anteriormente apresentada, surge então a seguinte questão: A estrutura do curso de graduação em matemática, nas modalidades licenciatura e bacharelado, na Universidade Federal do rio Grande do Norte (UFRN) e as atividades que dele provém, incentivam os alunos para uma pós-graduação? Na perspectiva de responder a esta indagação e colaborar de alguma forma com a coordenação desse curso, de modo a oferecer dados que possam subsidiar o projeto pedagógico do mesmo que, vale ressaltar, está em fase de reelaboração, buscamos realizar um trabalho investigativo, através de questionários e posteriormente de entrevistas 1, com o objetivo de analisar o interesse e conhecimento dos graduandos de matemática da licenciatura e do bacharelado para cursar uma pós-graduação stricto sensu, verificando a influência que os cursos promovem para estas duas modalidades. Nesse texto, buscamos apresentar o resultado parcial desta pesquisa, com ênfase às informações adquiridas através dos questionários respondidos. Na UFRN há alguns programas de pós-graduação que absorvem os egressos do curso de Matemática, sejam licenciados ou bacharéis, são eles: o Programa de Pós- Graduação em Educação 2 (PPGED) contribui para o desenvolvimento da pesquisa e para a formação de pesquisadores em Educação, sua única área de concentração; o Programa de Pós-Graduação em Matemática Aplicada e Estatística (PPGMAE) que tem como principal objetivo o desenvolvimento da pesquisa e a qualificação de recursos humanos nas áreas de Matemática Aplicada e Estatística; o Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática (PPGECNM) que tem como objetivo contribuir com a formação de professores em exercício nas escolas da educação básica e nas instituições de ensino superior nas áreas das Ciências naturais e Matemática ou em áreas afins; e o Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Petróleo (PPGCEP) que, conforme o Regimento Interno do Curso (2010), visa preparar educadores e pesquisadores, capacitando-os para o desempenho eficiente de atividades relacionadas ao setor tecnológico e científico, oferecendo cursos regulares stricto sensu de Doutorado, Mestrado e Mestrado Profissionalizante ou lato sensu de Especialização e Aperfeiçoamento. 1 O trabalho com entrevistas ainda será realizado 2 As Informações apresentadas sobre os PPGED, PPGMAE e PPGECNM foram adquiridas nas páginas web desses Programas. 3

4 A seguir indicaremos como foi realizada a nossa pesquisa, e quais foram os resultados encontrados. 2 Percurso metodológico A pesquisa foi realizada, a priori, através de um questionário veiculado no campus da UFRN-Natal, Setor 3, com os alunos da UFRN-Natal do curso de matemática licenciatura, diurno e noturno, e bacharelado diurno 3. Neste questionário nos utilizamos de questões de múltipla escolha puras e questões de múltipla escolha com abertura para justificativas. Apreciamos da analise de conteúdo para o tratamento dos dados, visando identificar o que foi descrito nos questionários objetivando expor quantitativa e qualitativamente as respostas obtidas. Os modelos de questões de múltipla escolha têm como vantagens: a facilidade de aplicação, do processo e da análise; facilidade e rapidez no ato de responder e apresentam pouca possibilidade de erros. Além de que, as aberturas para justificativas permitem avaliar melhor as atitudes para análise qualitativa das questões estruturadas, visto que proporcionam comentários, explicações e esclarecimentos significativos para a interpretação das perguntas, cobrindo pontos que as questões puramente fechadas não cobrem. Porém, as questões de múltipla escolha exigem muito cuidado e tempo de preparação para garantir que todas as opções de resposta sejam oferecidas, pois se alguma alternativa importante não for previamente incluída fortes conseqüências podem ocorrer no resultado da pesquisa e se o questionário não for bem elaborado o respondente pode ser influenciado pelas alternativas apresentadas. Desse modo, escolhemos este tipo de instrumento e aplicamos ao todo 138 (cento e trinta e oito) questionários, sendo 63 (sessenta e três) a licenciandos do turno diurno, 53 (cinqüenta e três) do turno noturno e 22 (vinte e dois) do bacharelado. 3 O curso de bacharelado em nossa instituição só é oferecido no turno diurno, sendo que algumas disciplinas podem ser realizadas a noite, pois os dois cursos tanto de licenciatura quanto o bacharelado possuem disciplinas em comum. 4

5 Em seguida, após analisar todos os questionários, percebemos que poderíamos apresentar resultados mais próximos através de entrevistas, o que complementaria ainda mais as informações que aqui estamos oferecendo. Apreciemo-nos a seguir das analises decorridas das respostas contidas nos questionários aplicados pelo nosso grupo. 3 Análise dos questionários Com vistas a alcançar nosso objetivo, realizamos uma pesquisa qualitativa que, em sua fase inicial apresenta dados quantitativos, pois é iniciada com a aplicação de questionários de pesquisa que visam saber algumas informações sobre o conhecimento e perspectiva do aluno da graduação em Matemática a respeito da Pós-Graduação stricto sensu. Utilizamos a Análise de Conteúdo, fundamentado em Bardin (1977), como metodologia de análise dos resultados obtidos com os questionários. Na questão que visa saber o interesse dos alunos do curso de matemática para fazer uma pós-graduação ao término do seu curso, evidenciou que 100% dos alunos licenciando do turno noturno, que passaram a estudar apenas no turno diurno matutino e do turno noturno que passaram a cursar disciplinas tanto em seu turno, quanto no diurno, pretendem fazer uma pós-graduação. Por outro lado, todos os alunos pesquisados, sejam do bacharelado ou licenciando, do turno diurno que, passaram a estudar no turno noturno, informaram não querer fazer uma pós-graduação. Apesar dos fatos acima, percebemos, ainda com referência nesta questão, que existem em todos os turnos grande interesse pela formação continuada 4, porém podemos destacar que 31,48% dos licenciando em matemática do turno noturno entram na universidade não pensando em fazer uma pós-graduação e dos que mudam de opinião para querer fazer temos como resultados mais expressivos os do turno diurno matutino e vespertino sendo, respectivamente, 13,35% e 19,04%, enquanto os que pretendiam fazer e desistiram no turno noturno chega a ser 7,40% alcançando o maior índice percentual de todos os turnos. 4 Somando, em cada turno, as porcentagens dos que responderam sim e dos que responderam não, mas durante a graduação mudei de opinião, obtemos sempre valores maiores que 50%, ou seja, estamos lidando com a maioria. 5

6 Já entre os alunos da licenciatura do turno diurno integral e matutino percebe-se um maior interesse em querer realizar uma formação continuada sendo o maior valor para o matutino com 73,33% e neste mesmo turno não houve registro de mudança de opinião do querer fazer uma pós para o não fazer. No que refere ao conhecimento sobre programas de pós-graduação seja na própria UFRN ou em outras instituições, foi constatado que mais da metade, cerca de 60,18% dos selecionados das duas modalidades licenciatura e bacharelado (sendo a licenciatura nos turnos diurno e noturno), não conhecem programas de pós-graduação, sendo destes apenas 4,38% do bacharelado. Tratando individualmente cada modalidade dentre todos os alunos da licenciatura do turno noturno, do turno diurno e bacharelado, respectivamente, 77,36%, 57,14% e 27,27% não conhecem. Uma quantidade expressiva de alunos do bacharelado conhecem programas de formação continuada stricto sensu tanto em outras instituições como na UFRN. Entre os alunos que responderam conhecer informações sobre os Programas 34,69% dos licenciandos mencionam que estas foram adquiridas por meio da divulgação dos professores, que incentivam e passam informações; em segundo lugar, os amigos com 28,57% divulgam estas informações. No bacharelado, por sua vez, parece haver uma maior autonomia dos alunos em buscar as informações, visto que 43,74% as adquirem por meio de pesquisa na internet. Os licenciandos que responderam que não conhecem os programas de pósgraduação afirmam que, na instituição, não há divulgação entre os graduandos, sobre os programas de pós-graduação da mesma, seja pelos próprios programas (45,45%) ou pela coordenação do curso (42,85%). Entre os alunos do bacharelado, os poucos que responderam não ter conhecimento, também chamaram atenção para a pouca divulgação pelos programas de pós-graduação e ao seu curso de graduação com 60% e 40%, respectivamente. 4 Considerações Finais Analisando os dados, apesar das conclusões parciais, visto que ainda precisamos complementá-las com entrevistas, podemos perceber que existe de fato interesse em grande 6

7 parte dos alunos, sejam de licenciatura ou de bacharelado, de qualquer turno em fazer uma pós-graduação. Entretanto, o turno, de certo modo, influência para a realização de uma pósgraduação, pois em geral os alunos que passam a estudar disciplinas á noite desistem ou não pretendem continuar sua formação, enquanto os que passam a estudar de dia mostraram o interesse em se pós-graduar. Cabe aprofundarmos até que ponto há a influência do curso ou de outras atividades que o aluno passa a desenvolver fora da universidade. Temos que os alunos que mais mudam de opinião para não realizar uma pós, são os licenciandos do turno noturno e o contrário ocorre com os licenciandos do turno diurno. Um dado que indica poder haver incentivos maiores para quem estuda pela manhã ou pela tarde para uma formação continuada. Os incentivos para uma formação continuada, para os alunos da licenciatura, advém em grande parte pelos professores em seguida pelos amigos, ocorrendo grande defasagem de divulgações por parte dos próprios cursos de graduação e dos programas de pósgraduação. Tal defasagem também é um fato entre os alunos do bacharelado, porém os mesmos buscam mais, por vontade própria, conhecer os programas de pós-graduação. Apreciamo-nos de um depoimento auferido por um dos respondentes, que sintetiza o que até agora fora concluído: [...] Na verdade não sei se posso dizer que conheço, mas já ouvi falar através de comentários breves de alguns professores durante o curso, do mestrado em matemática aplicada e do mestrado em educação matemática. Mas infelizmente não nos foi passada nenhuma informação em nível mais detalhado sobre a pós-graduação e não nos foi dado nenhum tipo de incentivo e nem foi feito nenhum convite para participarmos de seletivas para a pós, creio que deve ser pelo fato do aluno da noite ser um pouco menosprezado em relação ao bacharelado (...) conheci através de breves comentários de alguns professores que na maioria dos casos só comentaram em virtude de questionamentos nossos a respeito do assunto o que é lamentável, pois acredito que a universidade deveria ter um programa de divulgação da pós e, mais, deveria incentivar o aluno desde o inicio do curso (...) sabemos que após um tempo fora da universidade fica mais difícil retornar para uma pós. (Aluna de licenciatura em matemática do turno noturno, 2009). 7

8 Percebemos pelas respostas que os alunos tendo ou não conhecimento sobre os programas de pós-graduação e que gostariam de fazer e até mesmo aqueles que durante o curso mudaram de opinião para está nova perspectiva de realizar uma formação continuada alegaram, como maior motivo para este fim, a possibilidade de uma melhor qualificação profissional. Tal pensamento foi expresso em sua maioria pelos alunos do turno diurno. Já os que não pretendem fazer uma pós, alegaram em grande parte á falta de tempo e de interesse, os alunos do turno noturno foram os que mais deram tais respostas. Outros pontos que podemos citar são, por exemplo: alguns alunos questionados disseram ter obtido conhecimento sobre os programas somente após 3 anos de curso. Tivemos ainda 2 alunos que responderam não querer fazer pós, porque não tinham conhecimento sobre o que isto significava, sendo um do bacharelado e outro da licenciatura do turno noturno. É necessária uma reflexão e, principalmente, ações sobre o que está acontecendo, os programas de pós-graduação devem repensar sobre suas metas e verificar os melhores meios favoráveis sobre a veiculação de seus projetos tentando garantir informações para todos, deixando claros seus objetivos e limitações, esse é um trabalho que só será bem garantido se tiver uma aliança com o próprio curso de graduação para transmitir e divulgar aquilo que almeja. Temos conhecimento das poucas vagas dentro do programa, em geral os professores acabam por convidar individualmente aqueles alunos que os mesmos sentem que serão responsáveis o suficiente para entrarem nos programas e oferecem de imediato bolsas de pesquisas, acreditamos que mesmo com a pouca oferta de vagas as outras centenas de alunos não podem ser vendados e deixados de lado por qualquer que seja o motivo. Quando um aluno se dá conta da existência dos programas, alguns professores não creditam mais a eles oportunidades para obterem sucesso nas seleções de mestrado, pois acusam os alunos de só buscarem uma formação continuada quando estão prestes a acabar o curso. Neste caso fica a pergunta foi, em totalidade, culpa somente dos alunos? Que possamos refletir sobre isso. 5 Referências 8

9 BARDIN, Laurence. Parte III: Método. In: BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, p PEREIRA, Júlio Emílio Diniz. Formação de professores nas licenciaturas: velhos problemas, novas questões. In: PEREIRA, Júlio Emílio Diniz. Formação de professores: Pesquisas, representações e poder. 2 ed. Belo Horizonte: Autêntica, p UNIVERSIDADE Federal do Rio Grande do Norte. Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia do Petróleo. Regimento Interno do PPGCEP. Disponível em: Acesso em 19 mar

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