Prof. Eloy Gustavo. Aula 4 Renascimento

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1 Aula 4 Renascimento

2 Renascimento ou Renascença O florescimento intelectual e artístico que começou na Itália no século XIV, culminou nesse país no século XVI e influenciou enormemente outras partes da Europa. A noção de renascimento se refere a uma revivificação dos valores do mundo clássico. (Dicionário de História do Mundo Oxford) Grécia Roma Antiguidade Clássica Modelos da Antiguidade Clássica (clássicos) passam a nortear a produção intelectual e artística. VI-VII-VIII-IX-X-XI-XII-XIII-XIV-XV-XVI-XVII... Idade Média Idade das trevas Renascimento Idade Moderna...

3 Classicismo - Valorização do clássico. - Clássico: o que atingiu a perfeição e, portanto, é modelar (serve de modelo). - Emulação: imitação e tentativa de superação dos modelos da Antiguidade.

4 Características do Classicismo Racionalismo: - mimesis (conceito aristotélico de imitação da natureza) - equilíbrio, harmonia, proporção, clareza - contenção emocional Universalismo Antropocentrismo (o homem é a medida de todas as coisas) Idealismo platônico (mito da caverna) Fusionismo: - Antiguidade e Cristianismo

5 Contraste entre a pintura medieval e a do Renascimento Pintura medieval anônima. Preocupação central: devoção. Mona Lisa, / Leonardo da Vinci Preocupação central: mimesis - perspectiva

6 Maneirismo Transição entre o Classicismo e o Barroco Expressão emocional mais enfatizada Exagero Figuras de linguagem: Paradoxo e Antítese

7 Maneirismo: prenúncio do desequilíbrio barroco Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer; É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder; É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor? Camões, século XVI Davi de Michelangelo, 1504

8 Maneirismo: prenúncio do desequilíbrio barroco Mãos desproporcionais ao resto do corpo, que tem exatas proporções. Davi de Michelangelo, 1504

9 Maneirismo: prenúncio do desequilíbrio barroco Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer; É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder; É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor? Camões, século XVI

10 Maneirismo: prenúncio do desequilíbrio barroco Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer; É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder; Pares paradoxais para se descrever o amor. Desconcerto amoroso É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor? Camões, século XVI

11 Escola de Atenas, 1509/10 Rafael Sanzio ( )

12 Possíveis identidades das figuras: filósofos gregos

13 Intertextualidade ícones do cinema

14 Detalhes 1 Platão com rosto de Leonardo da Vinci, conversando com Aristóteles. 2 Heráclito com rosto de Michelangelo. 3 Pitágoras.

15 Exercício 1 - Apostila Identifique dois princípios básicos da pintura renascentista presentes na obra de Rafael reproduzida na página anterior. Justifique sua escolha.

16 Exercício 1 - Apostila Identifique dois princípios básicos da pintura renascentista presentes na obra de Rafael reproduzida na página anterior. Justifique sua escolha. Uma marca fundamental da arte renascentista presente no trabalho de Rafael é a utilização das técnicas matemáticas da perspectiva, desenvolvidas por Brunelleschi e adotadas pela pintura a partir do século XIV na Europa. É visível na pintura, por exemplo, a diferença de tamanho entre o portal arredondado representado à frente das figuras humanas e aquele presente no fundo da imagem. Ainda que não se identifiquem todas as imagens pintadas por Rafael, o título faz uma referência explícita ao universo da Antiguidade, o que nos faz pensar que ícones da filosofia grega façam parte da cena retratada no quadro. A retomada de valores da Grécia antiga é também marca fundamental da arte renascentista. Outro aspecto importante é o fato de o quadro apresentar seus elementos simetricamente dispostos e posicionados de forma a gerar uma sensação de distribuição harmônica e equilibrada em quem o observa.

17 Texto I Cantiga sua partindo-se Senhora partem tam tristes. Meus olhos por vós, meu bem, Que nunca tam tristes vistes Outros nenhuns por ninguém. Exercício 2 - Apostila Texto II Amor, com sua promessa Se amor não é, qual é este sentimento? Mas, se é amor, por Deus, que cousa é tal? Se boa, por que tem ação mortal? Se má, por que é tão doce o seu tormento? Tam tristes, tam saudosos, Tam doentes da partida, Tam cansados, tam chorosos, Da morte mais desejosos Cem mil vezes que da vida. Partem tam tristes os tristes, Tam fora d esperar bem, Que nunca tam tristes vistes Outros nenhuns por ninguém. João Ruiz de Castelo Branco Se eu ardo por querer, por que o lamento? Se sem querer, o lamentar que val? Ó viva morte, ó deleitoso mal, Tanto podes sem meu consentimento! E, se eu consinto, sem razão pranteio. A tão contrário vento em frágil barca, Eu vou por alto mar e sem governo. É tão grave de error, de ciência é parca, Que eu mesmo não sei bem o que eu anseio. E tremo em pleno estio e ardo no inverno. Francesco Petrarca. Tradução de Jamil Almansur Haddad

18 Exercício 2.a - Apostila Os poemas citados são representativos de dois momentos próximos da literatura ocidental. O primeiro é um texto que retrata uma triste despedida, de autoria de João Ruiz de Castelo Branco, poeta humanista português de meados do século XV, e, o segundo, é uma reflexão filosófica de Francesco Petrarca, intelectual, poeta e humanista italiano morto em Releia os textos, considerando os temas, a época e a nacionalidade de cada artista para responder: a) Embora ambos os textos abordem a relação do eu lírico com o amor, cada um o faz de uma maneira específica. Explique em que consiste tal diferença.

19 Exercício 2.a - Apostila Os poemas citados são representativos de dois momentos próximos da literatura ocidental. O primeiro é um texto que retrata uma triste despedida, de autoria de João Ruiz de Castelo Branco, poeta humanista português de meados do século XV, e, o segundo, é uma reflexão filosófica de Francesco Petrarca, intelectual, poeta e humanista italiano morto em Releia os textos, considerando os temas, a época e a nacionalidade de cada artista para responder: a) Embora ambos os textos abordem a relação do eu lírico com o amor, cada um o faz de uma maneira específica. Explique em que consiste tal diferença. Na poesia palaciana de João Ruiz, há um lamento pela distância entre eu lírico e mulher amada. A partida que marca a separação é relatada com tristeza e com versos repetitivos que reiteram o sentimento de perda e a dor causada. Fica claro que se trata de uma experiência singular do eu lírico do texto. No soneto de Petrarca, é proposta uma reflexão acerca da natureza do sentimento amoroso, sem que isso se refira especificamente a uma experiência do eu lírico. Ainda que o eu poemático se coloque diretamente no texto, a reflexão transcende sua experiência e busca encontrar uma explicação mais universal e racional para o amor.

20 Exercício 2.b - Apostila b) Além da diferença na abordagem do tema, há também diferenças formais bem evidentes entre os textos. Identifique-as e explique por que isso ocorre.

21 Exercício 2.b - Apostila b) Além da diferença na abordagem do tema, há também diferenças formais bem evidentes entre os textos. Identifique-as e explique por que isso ocorre. O primeiro texto está escrito em medida velha (versos heptassílabos), ao passo que o segundo tem versos decassílabos (medida nova). No primeiro caso, temos três estrofes, duas de quatro e uma de cinco versos. O segundo texto é um típico soneto italiano renascentista, dividido em duas estrofes de quatro versos e duas de três versos.

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