São Paulo, 7 de maio de 2013.

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1 São Paulo, 7 de maio de Discurso do diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Banco Central do Brasil, Luiz Edson Feltrim, no Fórum de Educação Financeira promovido por Visa e Financial Times.

2 Dirijo saudação especial à Sra. Samantha Pearson, correspondente no Brasil do Financial Times e Chairperson deste evento, e ao Sr. Ruben Osta, Country Manager da Visa para o Brasil. Cumprimento os senhores representantes do Comitê Nacional de Educação Financeira, representantes do governo, das instituições financeiras, empresários, acadêmicos e os profissionais da imprensa. Senhoras e senhores, Bom dia. Agradeço o convite conjunto do Financial Times e da Visa para participar da abertura deste fórum, que tratará de tema tão importante e tão caro ao Brasil e, em particular, ao Banco Central do Brasil: os desafios para a educação financeira em países emergentes. Este fórum traz a oportunidade de discutir diferentes dimensões da educação financeira, contribuindo para a consolidação da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), à atuação transversal do Comitê Nacional de Educação Financeira (CONEF) e ao papel setorial dos diversos integrantes do Comitê, com vistas ao impulso à disseminação dos conceitos e práticas de educação financeira no Brasil. Contextualização A evolução recente da economia e a perspectiva de continuidade do processo de desenvolvimento brasileiro, de forma sustentada, com inclusão social, apontam para alvissareira perspectiva de longo prazo. A política macroeconômica consistente, aliada a programas sociais colocados em prática nos últimos anos, tem contribuído para melhorias significativas nas condições de vida da população, com a efetiva inclusão social de milhões de brasileiros. Expressivo contingente de pessoas passou a integrar a classe média.

3 Temos observado, nestes últimos anos, importante processo de inclusão financeira, com a expansão significativa da base de clientes do sistema financeiro e o incremento de todos os tipos de transação financeira.. O crescimento da demanda dos consumidores e investidores por produtos e serviços financeiros também chegou a outros setores como o de capitais, de previdência complementar e de seguro, que se tornam mais populares. Ao mesmo tempo, os mercados vêm se sofisticando, com ampliação do leque de opções no campo financeiro oferecidas à população. A sofisticação do sistema financeiro do país acompanhou o desenvolvimento global dos mercados financeiros, com ampliação da quantidade de produtos ofertados ao público, porém sem os excessos verificados em outras economias. Recente avaliação sobre o Sistema Financeiro Nacional, promovida pelo Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial constatou que a supervisão das instituições locais é forte, sofisticada e efetiva porque tem amplos instrumentos de prevenção e intervenção, de modo que o trabalho desenvolvido pela Supervisão do Banco Central do Brasil obteve uma das melhores avaliações entre as supervisões das 20 maiores economias. A variedade de instrumentos de crédito, poupança, investimento, seguro e previdência e de instituições que os oferecem tende a favorecer o consumidor, por permitir a escolha de produto que seja mais adequado ao seu perfil e aos seus objetivos. O acesso aos produtos está mais fácil: além da expansão da cobertura do território nacional pelas instituições financeiras e seus agentes, os avanços tecnológicos vem reduzindo custos de operações e de ingresso em mercados organizados.

4 Inclusão financeira De fato, a inclusão financeira no Brasil tem sido estimulada, com o Banco Central desempenhando papel relevante. Há mais de uma década o tema microfinanças vem sendo promovido pelo Banco Central. Entre os anos de 2002 e 2008, realizamos nove seminários nacionais e dois internacionais, contribuindo para disseminar o tema e fazer com que a atenção dos agentes públicos e da iniciativa privada se voltasse para o assunto. A partir de 2009, o Banco Central avançou para atuar na promoção do efetivo acesso e uso pela população de serviços financeiros adequados às suas necessidades. Desde então, foram realizados quatro Fóruns de Inclusão Financeira, o que levou ao aprofundamento das ações e da estratégia do Banco Central. Com isso, a promoção da inclusão financeira da população passou a figurar como um dos objetivos estratégicos da instituição, capaz de, em muito, contribuir para a eficiência do sistema financeiro nacional. Em 2011, lançamos a Parceria Nacional para a Inclusão Financeira, uma rede de atores públicos e privados com agenda em comum no que se refere a políticas e programas voltados à adequada inclusão financeira da população. Em maio de 2012, o Banco Central lançou o Plano de Ação para o Fortalecimento do Ambiente Institucional, que identificou as ações necessárias à consecução dos objetivos dessa Parceria Nacional, as quais vem sendo adotadas gradativamente. Os esforços no campo da inclusão financeira têm sido marcados pelo aprimoramento do marco regulatório e pela intensificação das ações com vistas ao provimento de informações, à formação e à orientação do usuário de produtos e serviços financeiros. Na esteira da inclusão financeira, a maior variedade e o mais fácil acesso aos serviços financeiros tornam mais difíceis as decisões do consumidor, em virtude da necessidade de comparar as características de cada opção para fazer escolhas. Mesmo entre produtos

5 bastante assemelhados, podem existir diferenças significativas de risco, rentabilidade, custos, prazos. Importância da educação financeira Assim, a ampliação da gama de produtos financeiros disponíveis aumenta as opções dos indivíduos que já desfrutam do acesso ao Sistema Financeiro, e, ao mesmo tempo, atribui a eles mais responsabilidade pelas escolhas realizadas. Ademais, a ascensão econômica coloca novos consumidores em contato com instrumentos e operações financeiras, sem que estejam adequadamente preparados para compreendê-los e lidar com eles. Não apenas é difícil o acesso a informações, mas também falta conhecimento na amplitude necessária para compreender as características, os riscos e as oportunidades envolvidos em cada decisão. A educação financeira pode conscientizar o cidadão para a importância do planejamento financeiro, a fim de desenvolver relação equilibrada com o dinheiro e adotar decisões sobre finanças e consumo de boa qualidade. A educação financeira pode contribuir para a tomada sustentável de crédito. Ela pode, também, estimular a poupança: a formação de reservas pelos indivíduos depende da existência de produtos financeiros adequados ao consumidor, e é certo que a decisão de poupar ou de consumir é influenciada por fatores psicológicos e culturais. Ao conscientizar os indivíduos quanto aos fatores internos e externos que influenciam suas escolhas, a educação financeira pode ajudar a equilibrar as necessidades e os desejos, submetidos aos apelos imediatos do consumo, com os objetivos de longo prazo. O melhor desempenho de cada cidadão em sua vida financeira, por sua vez, contribui para o bem-estar coletivo, seja porque dessa melhor qualificação resultará sistema financeiro mais sólido, mais competitivo e mais inclusivo, seja porque cada pessoa estará em melhores condições para lidar com as vicissitudes e os momentos difíceis da vida.

6 Com efeito, a educação financeira é um processo para que o cidadão adquira os valores e as competências necessários para se tornar consciente das oportunidades e dos riscos nelas envolvidos e, então, bem informado, faça escolhas conscientes, saiba onde procurar ajuda, adote outras ações que melhorem o seu bem-estar. A educação financeira contribui, assim, de modo consistente, para a formação de indivíduos e de uma sociedade mais responsáveis e mais comprometidos com o futuro. A atuação setorial do BC no campo da Educação Financeira Há muitos anos o Banco Central desenvolve ações no campo da educação financeira. Desde a década de 1990, as Centrais de Atendimento ao Público já prestavam atendimento ao consumidor de serviços financeiros, orientando-o no relacionamento com as instituições financeiras. O Museu de Valores há mais de quatro décadas promove a educação do brasileiro com respeito ao uso do dinheiro, tanto recebendo grupos de escolares em suas instalações quanto deslocando-se até escolas rurais. Formalmente instituído em 2003, o Programa de Educação Financeira do Banco Central passa hoje por completa revitalização, com duas frentes de ação complementares: por um lado, a Gestão das Finanças Pessoais, e, por outro, a informação, formação e orientação do cidadão para o uso dos serviços disponibilizados pelos agentes do Sistema Financeiro Nacional. A crescente importância do tema Educação Financeira, associado à Inclusão Financeira, à necessidade e conveniência da intensificação da divulgação sobre os direitos e deveres do usuário de produtos e serviços financeiros e o objetivo do Banco Central de se aproximar cada vez mais do cidadão brasileiro ensejaram a criação, em setembro do ano passado, na sua estrutura organizacional, da Área de Relacionamento Institucional e Cidadania. Esta nova diretoria está organizada em três unidades: Departamento de Educação Financeira (Depef), Departamento de Atendimento ao Cidadão (Deati) e Departamento de Comunicação (Comun). Essa reorganização tem o

7 propósito de fortalecer o relacionamento do Banco Central com a sociedade brasileira. Entre suas atribuições está o fortalecimento dos processos de educação financeira e de inclusão financeira, com o objetivo de promover o acesso a serviços financeiros de alta qualidade, o seu uso de maneira consciente e responsável, e a redução da assimetria de informações entre provedores e consumidores. A Estratégia Nacional de Educação Financeira O tema da educação financeira tem alcançado cada vez mais destaque, também, no cenário internacional. Coalizões mundiais como o G20, a Rede Internacional de Educação Financeira (International Network on Financial Education INFE), constituída pela OCDE, e a ação do Banco Mundial são exemplos dos esforços empreendidos para a promoção da educação financeira em todo o planeta. No Brasil, a necessidade de educar o cidadão para atuar no meio financeiro determinou a realização de uma estratégia conjunta do Estado e da sociedade. Assim, em 22 de dezembro de 2010, o Decreto nº instituiu a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), com a finalidade de promover a educação financeira e previdenciária e contribuir para o fortalecimento da cidadania, a eficiência e solidez do sistema financeiro nacional e a tomada de decisões conscientes por parte dos consumidores. De fato, outro não é o objetivo primordial da educação financeira senão ampliar a compreensão do cidadão, para que seja capaz de fazer escolhas acertadas quanto à administração de seus recursos. Para tanto, a Estratégia Nacional foi desenvolvida sobre as seguintes diretrizes: atuação permanente e em âmbito nacional gratuidade das ações de educação financeira prevalência do interesse público promoção de informação, formação e orientação

8 centralização da gestão e descentralização da execução das atividades formação de parcerias com órgãos e entidades públicas e instituições privadas avaliação e revisão periódicas e permanentes. A ENEF, política pública de Estado, teve sua elaboração iniciada em momento histórico em que o governo e a sociedade organizada adotavam medidas para atenuar os efeitos locais de grave crise financeira internacional. Integra o conjunto de políticas sociais macroeconômicas que contribuem para o atual estágio de amadurecimento institucional do Brasil. Combinada com as políticas sociais e econômicas adotadas desde a década de 1990, a ENEF pode ajudar a pavimentar uma trajetória sustentada de desenvolvimento socioeconômico, redução das desigualdades e promoção da cidadania. Comitê Nacional de Educação Financeira Com o intuito de definir planos, programas, ações e coordenar a execução da ENEF, foi instituído o Comitê Nacional de Educação Financeira (CONEF), composto: pelos quatro reguladores do SFN o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e a Superintendência de Seguros Privados (Susep); pelos Ministérios da Fazenda da Educação da Previdência Social e da Justiça; e ainda por quatro representantes da sociedade civil os escolhidos para compor o CONEf até até 31 de dezembro de 2014 são a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa), a Confederação Nacional das Empresas de Seguros

9 Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Presidido em regime de rodízio, a cada período de seis meses, por BCB, CVM, Previc, Susep e Ministério da Fazenda, nessa ordem, o CONEF tem sua Secretaria-Executiva exercida em caráter permanente pelo Banco Central. O CONEF tem como principal instrumento balizador de sua ações o Plano-Diretor da ENEF, documento elaborado no âmbito do Comitê de Regulação e Fiscalização dos Mercados Financeiro, de Capitais, de Seguros, de Previdência e Capitalização (COREMEC), por seus integrantes (BCB, CVM, Previc e Susep), com a colaboração de representantes de outras instâncias do governo, da iniciativa privada e da sociedade civil. Parcerias para o desenvolvimento das ações transversais no âmbito da ENEF Merece destaque, no campo da governança do Comitê, o convênio firmado com a Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil), que tem como objeto estabelecer a cooperação entre o CONEF e a AEF-Brasil para a concepção, o planejamento, a estruturação, o desenvolvimento, a implantação e a administração de iniciativas de educação financeira e previdenciária de caráter transversal que integram a ENEF. Compete hoje à AEF-Brasil a coordenação do primeiro projeto transversal da ENEF e do CONEF, do ensino da educação financeira nas escolas. Concluída, com resultados altamente positivos, a avaliação de impacto do Programa de Educação Financeira nas Escolas de Ensino Médio, desenvolvido em seis unidades da federação (CE, DF, MG, RJ, SP e TO), será iniciada ainda neste ano a disseminação do Programa, com as fundamentais participações da AEF-Brasil, do Ministério da Educação e das Secretarias de Educação estaduais e municipais às quais se vinculam as escolas participantes. A criação da nova área e do Departamento de Educação Financeira, a firme atuação setorial e a intensa participação no CONEF são sinais inequívocos do compromisso do Banco Central do Brasil com a Educação Financeira.

10 Além do Banco Central, vários são os agentes públicos e privados que se voltam cada vez mais para o desenvolvimento de iniciativas importantes no campo da educação financeira e matérias correlatas. Este Fórum é excelente exemplo dessas iniciativas Para concluir, desejo a todos um fórum inspirador e rico em debates, na certeza de que todos nós aqui presentes temos um objetivo em comum que é a educação financeira da população brasileira. Este é um excelente caminho que contribui para a consolidação de um Sistema Financeiro sólido, competitivo e inclusivo, com soluções financeiras inovadoras e socialmente responsáveis. Muito obrigado!

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