O que são as cidades criativas?

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1 O que são as cidades criativas? O conceito de cidade criativa ainda é recente e fluído e tem despertado atenção crescente em vários países de todos os continentes, desde o início do século XXI. Entre os fatores que contribuem para esse interesse estão: 1. a busca por uma organização urbana coerente com um paradigma socioeconômico em transição, do industrial para o do conhecimento; 2. o entendimento de que a competitividade econômica depende de inovação (de processos, produtos, sociais, culturais, etc.); 3. que a inovação depende da criatividade, portanto quanto mais criativo for o ambiente no qual as pessoas residem e trabalham, mais realizadas elas serão e mais forte será a economia. Outros fatores merecem destaque: 1. A globalização 1 galopante e a reação natural do que é diferencial, a exemplo das culturas. 2. A acelerada dispersão das tecnologias de comunicação e informação. 3. O fato de que mais da metade da população mundial vive em cidades, enquanto explodem os dados de insustentabilidade ambiental, econômica e social. 4. A valoração dos ativos econômicos 2 das cidades: nas metrópoles, onde predomina a diversidade; nas pequenas cidades, onde impera a tradição. 5. A visão de que o mundo se torna cada vez mais plano em termos de oportunidades de inserção. O inglês Charles Landry, criador do termo cidade criativa e autor de A arte de fazer cidades (The Art of City Making), considera cidade criativa como um lugar onde as pessoas podem se expressar e crescer, e onde o poder de decisão e planejamento são compartilhados entre os cidadãos. Landry não é o único pesquisador a tratar das cidades criativas. Veja no quadro a seguir, elaborado por Ana Carla Fonseca Reis (2012): 1 Globalização é entendida aqui como o processo de expansão capitalista e financeirização, que tem por base mudanças tecnológicas e de comportamento. 2 Ativos econômicos: benefícios econômicos.

2 Princípios da Cidade Criativa Landry sugere alguns traços característicos das cidades criativas: 1. Valorização dos recursos culturais, dentre os quais a diversidade. 2. Correlação entre recursos culturais e potencial de desenvolvimento econômico. 3. Políticas culturais transdisciplinares. 4. Maior participação cidadã. 5. Existência de incentivos à criatividade.

3 6. Infraestrutura criativa (hard) e estado mental favorável à criatividade (soft), que promovem as ideias, manifestações e busca de soluções criativas em toda a sociedade. 7. Identifica talentos locais e atrai outros talentos. Para ser uma criativa, uma cidade deve ter: 1. Reconhecimento da criatividade e da inovação como caráter transversal. 2. Necessidade do desenvolvimento harmônico das políticas econômica, social, cultural e ambiental. 3. Coexistência de tensões vistas de maneira complementar: raízes locais e influências globais cosmopolitas, patrimônio e modismo. 4. Existência de projetos icônicos capazes de atrair a atenção; projetos voltados à base criativa; cultura de elite e cultura de rua; artistas voluntários e clusters 3 de indústrias criativas 5. A consideração da cidade como um todo integrado, desconstruindo a proposta de criar polos isolados de criatividade, e incorporando não só áreas como classes marginalizadas, em oposição ao favorecimento da gentrificação 4 e ao acirramento das desigualdades. 6. Busca do equilíbrio entre produção, distribuição e consumo. 7. Valorização da cultura por aspectos múltiplos, em especial pela criação de um ambiente motivador de criatividade e diferenciação. 8. Permanência de um processo de transformação e não de intervenções pontuais e descontextualizadas. 9. Existência de conexões e mobilidades entre ideias, pessoas, diversidades, áreas, local e global, perfis, estruturas culturais hard e soft, de maneira física ou digital. Resumindo: Criativas são as... 3 Cluster: grupo de coisas ou de atividades semelhantes que se desenvolvem conjuntamente. 4 Gentrificação: processo de mudança imobiliária, nos perfis residenciais e padrões culturais, seja de um bairro, região ou cidade. Esse processo envolve necessariamente a troca de um grupo por outro com maior poder aquisitivo em um determinado espaço e que passa a ser visto como mais qualificado que o outro.

4 Uma cidade que se pretende criativa tem três características em comum, que são suficientemente norteadoras mas ao mesmo tempo não são fechadas em si. A primeira são as inovações em sentido amplo desde tecnológicas a sociais, novos olhares sobre velhos e novos problemas, perspectivas do mundo em transformação -, uma cidade que se reinventa e coloca sua criatividade em prática para se transformar em um espaço melhor. Quando as pessoas falam em cidade criativa, imediatamente algumas metrópoles vêm em mente, como Barcelona, Nova York, Berlim, mas são lembradas apenas cidades globais. As vezes, porém, cidades de cinco mil habitantes têm uma efervescência de criatividade incrível. Seja grande ou pequena, global ou não, qualquer cidade pode ser criativa. A segunda é a cultura, não só pelo ponto de vista de identidade da cidade, como também pelo impacto econômico que ela traz. Seja nas comidas de boteco de Belo Horizonte ou a gastronomia em São Paulo ou os teatros da Broadway, em Nova York, a cultura é uma maneira de ressaltar a singularidade de cada cidade podemos dizer que é a essência, o espírito da cidade. A cultura pode gerar um ambiente mais propício para a criatividade, pois ela amplia o horizonte de visão dos habitantes daquele lugar. Não há como inventar uma coisa nova sem conhecer os velhos ingredientes. Em terceiro lugar estão as conexões, promover o entendimento da cidade como um sistema e não como um arquipélago de bairros. Trazendo a discussão para São Paulo que, mesmo atravessando inúmeras dificuldades, é uma cidade muito inovadora embora essa faceta nem sempre seja reconhecida. Na metrópole, a cultura parte de um cidadão que bate uma caixinha de fósforo em um boteco da periferia e segue até a cultura institucionalizada. E existem várias conexões entre público, privado e sociedade civil. Porém, é preciso se perguntar: até que ponto a cidade funciona ao redor do cidadão? No caso da Copa do Mundo, por exemplo, ele é o último a ser ouvido. Um exercício bacana para se fazer com pessoas que não necessariamente trabalham com cidade é pedir para desenharem o mapa de São Paulo. Saem

5 coisas alucinantes, pois ninguém está acostumado a pensar isso! Nosso mapa mental é reduzido frente ao que é o mapa de fato; o mapa afetivo, então, é menor ainda. Se o meu mapa não bate com o seu, a gente não mora na mesma cidade. Temos que criar conexões entre as mais diversas áreas para espalhar essa cultura que só assim se beneficia das inovações e lançar olhares sobre regiões que não são visíveis para quem não está lá. Temos que promover novas formas de conexão, novas centralidades, organizar atividades culturais de impacto em áreas onde as pessoas normalmente não iriam. É o entendimento da cidade conectada (Ana Carla Fonseca Reis, em entrevista ao Portal Aprendiz, 15/05/ %E2%80%9Cuma-cidade-criativa-se-reinventa-permanentemente-para-se-tornarmelhor%E2%80%9D/. Acesso em: 14 mar. 2015)

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