O mercado de trabalho no biênio Dia Nacional da Consciência Negra

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1 PESQUISA DE EMPREGO E DESEMPREGO NA REGIÃO DO ABC 1 Novembro 2013 OS NEGROS NO MERCADO DE TRABALHO DA REGIÃO DO ABC O mercado de trabalho no biênio Dia Nacional da Consciência Negra 1. Compreende os municípios de Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.

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3 A rota de redução de desigualdades no Grande ABC O crescimento econômico da última década contribuiu para a redução dos diferenciais entre negros e não negros 1 em alguns indicadores do mercado de trabalho. No biênio , segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego, a diferença entre as taxas de desemprego total de negros e não negros foi a menor da série histórica da pesquisa (2,7 pontos porcentuais). Além disso, a tendência de formalização dos vínculos de trabalho favoreceu principalmente os negros, em especial pelo crescimento mais intenso da proporção de ocupações no setor público e daquelas com carteira assinada no setor privado. Esta ampliação, no entanto, não foi suficiente para se equiparar à proporção dos não negros. Este estudo pretende colaborar para a identificação de alguns aspectos geradores dessas diferenças e para a indicação de possibilidades de atuação de políticas públicas que contribuam para a redução das disparidades no mercado de trabalho. Os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego podem ser desagregados para análises específicas de determinados segmentos sociais ou econômicos, como a inserção de negros e não negros no mercado de trabalho tema de estudos realizados desde 2008 pela Fundação Seade para a Região Metropolitana de São Paulo e, pelo segundo ano, para a Região do ABC. 2 Assim, com o intuito de continuar contribuindo para o debate dessa questão, a Fundação Seade, Dieese e o Consórcio Intermunicipal Grande ABC apresentam informações atualizadas sobre o tema, referentes ao biênio Tanto os estudos divulgados nos anos anteriores com base em dados gerados pela PED como os realizados por outras instituições de análise e pesquisa têm mostrado que, apesar da redução das desigualdades ao longo das últimas décadas, ainda existem diferenças significativas nas condições de trabalho vivenciadas por negros e não negros. 1. O segmento de negros é composto por pretos e pardos e o de não negros engloba brancos e amarelos. 2. Desigualdade entre negros e não negros ainda persiste no mercado de trabalho, nov. 2008, Desigualdade entre negros e não negros no mercado de trabalho, no período , nov. 2009, Acesso ao Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda, nov. 2010, Os negros no mercado de trabalho da Região Metropolitana de São Paulo em 2010, nov. 2011, Os negros no mercado de trabalho da Região Metropolitana de São Paulo em 2011, nov e Os negros no mercado de trabalho da Região do ABC em 2011, nov Disponível em: < 3

4 Mercado de trabalho No biênio , os negros no Grande ABC representavam cerca de 32% da População em Idade Ativa (PIA) e da População Economicamente Ativa (PEA) pessoas inseridas no mercado de trabalho como ocupadas ou desempregadas, enquanto seu contingente de desempregados continuava sobrerrepresentado (38%). Entre os biênios e , a taxa de participação definida como a proporção da PEA em relação à PIA apresentou pequenas variações para negros e não negros, porém em sentidos contrários: positiva para negros (de 62,3% para 63,0%) e negativa para não negros (de 61,0% para 60,6%) (Tabela 1). Tabela 1 Taxas de participação, por raça/cor e sexo, segundo atributos pessoais Região do ABC Em porcentagem Atributos pessoais Total Negros Não negros Total Mulheres Homens Total Mulheres Homens ,4 62,3 55,1 69,8 61,0 52,6 70,4 Faixa etária 10 a 15 anos 4,9 - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) 16 a 24 anos 74,7 75,4 70,4 80,3 74,4 70,8 77,9 25 a 39 anos 84,5 82,8 74,5 91,5 85,2 77,0 94,3 40 a 49 anos 77,7 77,3 68,4 87,2 77,8 64,9 92,8 50 a 59 anos 59,7 59,1 48,5 71,4 59,9 46,9 75,0 60 anos e mais 18,4 20,1 - (1) - (1) 17,8 10,1 28,5 Nível de instrução Analfabeto 23,8 29,7 - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) Fundamental incompleto 36,2 45,0 38,4 51,8 30,8 23,5 39,6 Fundamental completo e médio incompleto 58,4 65,1 53,6 75,5 54,8 44,9 65,2 Médio completo e superior incompleto 80,4 84,6 79,2 90,5 78,9 70,2 87,8 Superior completo 88,6 91,4 89,9 92,7 88,4 84,7 92,7 Posição no domicílio Chefes 72,2 75,1 63,1 80,2 70,9 49,8 78,3 Demais membros 55,3 55,1 53,0 58,7 55,4 53,3 60,1 Cônjuges 55,3 57,5 55,6 82,1 54,4 53,6 76,9 Filhos 56,1 53,4 51,6 55,0 57,3 55,5 59,0 Outros 52,2 55,4 45,3 65,6 50,3 42,2 61,1 (continua) 4

5 Tabela 1 Taxas de participação, por raça/cor e sexo, segundo atributos pessoais Região do ABC Em porcentagem Atributos pessoais Total Negros Não negros Total Mulheres Homens Total Mulheres Homens ,3 63,0 56,3 70,2 60,6 51,9 70,4 Faixa etária 10 a 15 anos 4,1 - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) 16 a 24 anos 74,5 76,7 71,6 81,9 73,3 69,6 77,1 25 a 39 anos 84,4 83,0 74,8 91,5 85,1 76,8 94,3 40 a 49 anos 79,3 78,2 69,9 87,9 79,8 68,0 93,1 50 a 59 anos 62,5 64,2 54,6 74,7 61,8 47,3 78,4 60 anos e mais 19,1 22,3 - (1) 32,4 18,1 10,9 28,2 Nível de instrução Analfabeto 24,2 29,7 - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) Fundamental incompleto 34,9 44,0 38,4 49,6 29,2 21,0 39,2 Fundamental completo e médio incompleto 57,7 64,4 53,6 74,4 53,9 42,3 65,7 Médio completo e superior incompleto 78,7 83,1 76,0 90,8 76,9 68,2 86,1 Superior completo 87,5 92,7 90,2 96,3 86,8 83,8 90,5 Posição no domicílio Chefes 71,5 74,9 60,9 80,7 69,9 49,8 77,2 Demais membros 55,4 56,0 55,1 57,8 55,1 52,4 61,1 Cônjuges 55,0 58,3 57,0 76,5 53,7 52,7 78,8 Filhos 56,6 54,5 54,3 54,7 57,5 55,7 59,2 Outros 51,9 55,4 47,5 64,0 50,0 38,7 65,6 Fonte: Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional. Convênio Seade Dieese, MTE/FAT e Consórcio Intermunicipal Grande ABC. (1) A amostra não comporta a desagregação para esta categoria. As mudanças estruturais no mercado de trabalho são observáveis apenas em períodos mais longos. Assim, em relação ao biênio , a taxa de participação diminuiu tanto para negros como para não negros, principalmente para homens, chefes e pessoas com menor nível de instrução. 5

6 A variação positiva da taxa de participação de negros decorreu do aumento mais intenso em alguns grupos populacionais específicos, como os dos mais velhos, de mulheres, de cônjuges e filhos e de pessoas com ensino superior completo. Já a ligeira redução dessa taxa para os não negros deveu-se ao decréscimo observado com maior intensidade entre os mais jovens, mulheres, chefes e cônjuges e, de forma generalizada, entre os níveis de instrução analisados. Desemprego No período em análise, a taxa de desemprego diminuiu, principalmente, para negros (de 15,1% para 11,9%) e, em menor intensidade, para não negros (de 10,8% para 9,2%) (Gráfico 1). A maior proporção de desempregados entre os negros reflete-se nas diferenças entre sua taxa de desemprego e a dos não negros. No entanto, como as taxas de desemprego total dos dois segmentos diminuíram sensivelmente nos últimos anos, principalmente para os negros, também a diferença entre eles se reduziu, passando a ser de 2,7 pontos porcentuais no período em análise, a menor na série histórica da pesquisa, iniciada em 1998 (em , por exemplo, era de 7,3 pontos porcentuais). Gráfico 1 Taxas de desemprego, segundo raça/cor Região do ABC Em % 15,1 Negros Não negros 10,8 11,9 9, Fonte: Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional. Convênio Seade Dieese, MTE/FAT e Consórcio Intermunicipal Grande ABC. 6

7 Entre os segmentos populacionais analisados, houve decréscimo generalizado da taxa de desemprego dos negros e, entre os não negros, diminuiu para a maioria dos grupos, exceto para chefes de domicílio e pessoas com nível superior completo, cujas taxas permaneceram praticamente no mesmo patamar, já bastante baixos (Tabela 2). Tabela 2 Taxas de desemprego, por raça/cor e sexo, segundo atributos pessoais Região do ABC Em porcentagem Atributos pessoais Total Negros Não negros Total Mulheres Homens Total Mulheres Homens ,1 15,1 18,4 12,4 10,8 13,4 8,6 Faixa etária 10 a 15 anos - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) 16 a 24 anos 23,1 26,7 32,0 22,5 21,3 24,0 18,9 25 a 39 anos 10,7 14,0 16,7 11,7 9,3 12,5 6,4 40 a 49 anos 7,0 - (1) - (1) - (1) 6,3 - (1) - (1) 50 a 59 anos 6,0 - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) 60 anos e mais - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) Nível de instrução Analfabeto - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) Fundamental incompleto 11,2 12,7 16,9 - (1) 9,7 - (1) - (1) Fundamental completo e médio incompleto 17,6 20,3 - (1) 18,4 16,0 19,3 13,6 Médio completo e superior incompleto 13,0 15,3 19,3 11,7 12,0 15,8 8,9 Superior completo 5,9 - (1) - (1) - (1) 5,4 - (1) - (1) Posição no domicílio Chefes 6,2 8,1 - (1) 6,9 5,3 - (1) 4,7 Demais membros 16,5 20,5 20,5 20,5 14,7 14,4 15,2 Cônjuges 11,9 15,0 15,8 - (1) 10,7 10,8 - (1) Filhos 19,6 24,2 27,2 21,8 17,6 19,1 16,4 Outros 18,1 - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) (continua) 7

8 Tabela 2 Taxas de desemprego, por raça/cor e sexo, segundo atributos pessoais Região do ABC Em porcentagem Atributos pessoais Total Negros Não negros Total Mulheres Homens Total Mulheres Homens ,1 11,9 14,7 9,6 9,2 10,5 8,1 Faixa etária 10 a 15 anos - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) 16 a 24 anos 20,4 23,4 27,9 19,4 18,8 20,2 17,6 25 a 39 anos 9,2 10,6 13,6 - (1) 8,5 10,2 7,0 40 a 49 anos 5,5 - (1) - (1) - (1) 5,2 - (1) - (1) 50 a 59 anos 5,0 - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) 60 anos e mais - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) Nível de instrução Analfabeto - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) - (1) Fundamental incompleto 8,6 9,6 - (1) - (1) 7,6 - (1) - (1) Fundamental completo e médio incompleto 15,3 16,8 - (1) - (1) 14,3 18,2 11,7 Médio completo e superior incompleto 11,0 12,3 15,4 9,5 10,4 12,5 8,6 Superior completo 5,2 - (1) - (1) - (1) 5,1 - (1) - (1) Posição no domicílio Chefes 5,5 5,8 - (1) - (1) 5,4 - (1) 5,1 Demais membros 13,6 16,8 16,5 17,4 12,0 11,5 13,2 Cônjuges 9,2 11,6 12,3 - (1) 8,0 8,0 - (1) Filhos 16,5 21,6 22,8 20,5 14,2 15,5 13,1 Outros 15,5 - (1) - (1) - (1) 16,4 - (1) - (1) Fonte: Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional. Convênio Seade Dieese, MTE/FAT e Consórcio Intermunicipal Grande ABC. (1) A amostra não comporta a desagregação para esta categoria. Em relação a , houve forte redução da taxa de desemprego, principalmente para os negros, destacando-se, em ambos os segmentos de raça/cor, os mais jovens, mulheres, cônjuges, filhos e pessoas com menor nível de instrução. 8

9 Ocupação Os diferenciais de inserção no mercado de trabalho entre negros e não negros podem ser mais bem identificados quando se observa a composição dos ocupados nos principais setores de atividade econômica, segundo raça/cor (Gráfico 2). Gráfico 2 Distribuição dos ocupados, por setor de atividade econômica, segundo raça/cor Região do ABC ,0 50,0 Em % 50,1 47,2 Negros Não negros 40,0 30,0 26,7 27,2 20,0 10,0 16,3 17,4 8,9 4,4 0,0 Serviços (1) Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (2) Indústria de transformação (3) Construção (4) Fonte: Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional. Convênio Seade Dieese, MTE/FAT e Consórcio Intermunicipal Grande ABC. (1) Seções H a T da CNAE 2.0 domiciliar. (2) Seção G da CNAE 2.0 domiciliar. (3) Seção C da CNAE 2.0 domiciliar. (4) Seção F da CNAE 2.0 domiciliar. Responsável por cerca de metade dos postos de trabalho no Grande ABC, o setor de Serviços abrigava 47,2% do total de ocupados negros e 50,1% de não negros, em A participação de não negros também era ligeiramente superior na Indústria de Transformação (27,2% contra 26,7% de negros) e no Comércio, Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas (17,4% e 16,3%). Os segmentos em que a proporção de negros superava a de não negros Construção (8,9% e 4,4%, respectivamente) e alguns ramos dos Serviços, como os Domésticos (8,4% e 3,8%) são aqueles em que ainda predominam postos de trabalho com menores exigências de escolaridade e qualificação profissional, remunerações mais baixas e relações de trabalho mais precárias, sendo, por consequência, menos valorizados socialmente. No entanto, as recentes mudanças na legislação trabalhista para empregados domésticos e nas 9

10 condições de trabalho na construção civil têm atenuado algumas distorções em relação a outros setores de atividade, inclusive no que diz respeito aos rendimentos, como será visto adiante. Entre os demais subsetores dos Serviços, a proporção de negros também era maior do que a de não negros naqueles em que, de modo geral, se requer menor qualificação para o desempenho das atividades, como no caso de Atividades administrativas e serviços complementares (como vigilância, limpeza e teleatendimento) e Alojamento, alimentação e outros serviços pessoais (Gráfico 3). Gráfico 3 Distribuição dos ocupados nos serviços, por subsetor, segundo raça/cor Região do ABC Em % 16,0 14,0 12,0 10,0 8,0 5,9 6,0 4,0 2,0 0,0 5,8 Transporte, armazenagem e correio (1) 4,2 10,7 Informação e comunicação, atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, atividades profissionais, científicas e técnicas (2) 7,2 Atividades administrativas e serviços complementares (3) 5,3 Administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (4) Negros 10,4 10,8 9,1 Alojamento e alimentação, outras atividades de serviços, artes, cultura, esporte e recreação (5) Não negros Serviços domésticos (6) Fonte: Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional. Convênio Seade Dieese, MTE/FAT e Consórcio Intermunicipal Grande ABC. (1) Seção H da CNAE 2.0 domiciliar. (2) Seções J, K e M da CNAE 2.0 domiciliar. (3) Seção N da CNAE 2.0 domiciliar. (4) Seções O, P e Q da CNAE 2.0 domiciliar. (5) Seções I, S e R da CNAE 2.0 domiciliar. (6) Seção T da CNAE 2.0 domiciliar. Pela ótica da posição na ocupação, assalariados negros (70,6%) possuíam participação pouco menor do que os não negros (72,8%), em seus respectivos totais de ocupados, em Proporcionalmente, os ocupados negros também estavam menos representados do que os não negros no assalariamento privado com carteira de trabalho assinada (54,7% e 55,5%, respectivamente), passando a maiores proporções nas ocupações que, em geral, são mais precárias e cujos rendimentos são menores: assalariamento sem carteira de trabalho assinada no setor privado (9,4% negros e 8,5% não 14,6 8,4 3,8 10

11 negros); trabalho autônomo (16,4% e 13,7%, respectivamente); e, como já visto, trabalho doméstico (8,4% e 3,8%, respectivamente) (Tabela 3). A diferença entre as participações de negros e não negros assalariados no setor público (6,5% e 8,8%, respectivamente), possivelmente, tem origem no fato de que cerca de metade dos assalariados nesse segmento possui nível de escolaridade superior. Essa característica, associada ao fato de o ingresso no setor público ocorrer principalmente por meio de concursos, permite inferir que a sub-representação de negros deve-se, principalmente, às suas históricas dificuldades de acesso aos níveis mais elevados de ensino. Tabela 3 Distribuição dos ocupados, por raça/cor, segundo posição na ocupação Região do ABC Em porcentagem Posição na ocupação Total Negros Não negros ,0 100,0 100,0 Total de assalariados (1) 71,3 68,8 72,4 Setor privado 63,5 62,9 63,8 Com carteira 53,3 51,8 54,0 Sem carteira 10,2 11,2 9,8 Setor público 7,8 5,9 8,6 Autônomos 15,3 16,9 14,6 Empregados domésticos 6,0 10,3 4,1 Demais posições (2) 7,5 4,0 8, ,0 100,0 100,0 Total de assalariados (1) 72,1 70,6 72,8 Setor privado 64,0 64,0 64,0 Com carteira 55,2 54,7 55,5 Sem carteira 8,8 9,4 8,5 Setor público 8,1 6,5 8,8 Autônomos 14,6 16,4 13,7 Empregados domésticos 5,3 8,4 3,8 Demais posições (2) 8,1 4,5 9,7 Fonte: Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional. Convênio Seade Dieese, MTE/FAT e Consórcio Intermunicipal Grande ABC. (1) Inclui os assalariados que não sabem a qual setor pertencem. (2) Incluem empregadores, profissionais universitários autônomos, donos de negócio familiar, etc. 11

12 No agregado demais posições que reúne empregadores, profissionais universitários autônomos, donos de negócio familiar, entre outros é ainda mais forte a diferença entre a participação de negros (4,5%) e não negros (9,7%). Possuir nível superior de escolaridade (como é o caso dos profissionais universitários) ou dispor de riqueza acumulada que permita montar um negócio (caso dos empregadores e donos de negócio familiar) são os principais fatores que explicam a exclusão de grande parte dos negros. A persistência de elementos históricos, portanto, mais do que qualquer outro fator, ajuda a entender a desigualdade presente nestas posições ocupacionais. Explicação semelhante pode ser adotada para a expressiva sobrerrepresentação de negros como empregados domésticos. Esse segmento compõe-se de ocupações cujos requisitos de qualificação profissional dependem menos da formação escolar do que da experiência de trabalho. Estudos recentes da Fundação Seade e do Dieese, com base nos dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego PED, constataram que o emprego doméstico tem sido exercido, predominantemente, por mulheres negras, com idade mais avançada e baixo nível de escolaridade. As mudanças que passam a ocorrer nas condições de trabalho de negras e não negras após a aprovação da Emenda Constitucional nº 72, de abril de 2013, que amplia os direitos dessas trabalhadoras, possivelmente irão se refletir na participação de assalariadas com e sem carteira de trabalho assinada e de diaristas, bem como em seus rendimentos e características pessoais. Tais alterações poderão ser aferidas pela pesquisa nos próximos anos. Não obstante os diferenciais entre os segmentos de raça/cor, em que os negros se encontram em condições menos favoráveis, vale destacar que os movimentos de formalização da inserção ocupacional foram mais evidentes Na comparação com , os movimentos entre as posições ocupacionais para negros e não negros foram no mesmo sentido, mas com intensidades distintas. Assim, a tendência de formalização das ocupações ocorreu para os dois contingentes, mas um pouco mais forte para os negros: a proporção do assalariamento com carteira de trabalho assinada no setor privado aumentou 10,7 pontos porcentuais para negros e 9,8 para não negros; em contraponto, o trabalho doméstico diminuiu 2,6 e 1,3 pontos porcentuais, respectivamente. 12

13 entre estes, percebidos pelo aumento mais intenso do que o observado para os não negros das proporções de assalariados no setor público e daqueles com carteira assinada no setor privado e pelo decréscimo mais forte entre os assalariados sem carteira assinada no setor privado e entre os empregados domésticos. Rendimentos do trabalho As informações sobre os rendimentos do trabalho de negros e não negros na Região do ABC, no biênio , demonstram a permanência de desigualdades há muito tempo identificadas no mercado de trabalho. As razões mais evidentes dessa diferença, em que o rendimento médio por hora 3 de negros (R$ 7,06) representava 58,6% daquele recebido por não negros (R$ 12,06), em , residem nas distintas estruturas ocupacionais em que esses segmentos estão inseridos, conforme anteriormente descritas. O crescimento um pouco mais intenso do rendimento por hora dos não negros (5,9%) em relação ao dos negros (4,4%), entre e , aumentou, ligeiramente, a diferença de patamares já bastante distantes (dos 59,4% que representava o rendimento médio por hora dos negros em relação ao dos não negros, passou para 58,6%). As maiores desigualdades de rendimentos por raça/cor continuam sendo verificadas nos setores em que a proporção de não negros supera a de negros e cujos rendimentos médios são mais elevados, geralmente em setores em que a estrutura produtiva é mais diversificada e com segmentos de uso intensivo de capital, fatores que requerem maiores qualificações dos trabalhadores. Assim, em segmentos dos Serviços, como o de Administração pública, a diferença era maior, uma vez que os negros recebiam apenas 55,6% dos rendimentos por hora dos não negros, bem como na Indústria de transformação (60,5%). Essa relação melhora no Comércio (66,9%), nos Serviços de Alojamento e alimentação (78,8%) e, principalmente, nos Serviços Domésticos, segmento em que os negros obtiveram rendimentos quase iguais aos dos não negros (94,4%) (Tabela 4). 3. Os dados de rendimentos são analisados por hora com o objetivo de eliminar eventuais problemas de comparação devido a diferenciais de jornada de trabalho entre homens e mulheres, raça/cor, setores e ramos de atividade. 13

14 Tabela 4 Rendimento médio real por hora (1) dos ocupados (2) no trabalho principal, por raça/cor e sexo, segundo setores de atividade econômica Região do ABC Setores de atividade Total Total Negros Em reais de junho de 2013 Total Não Negros Mulheres Homens Mulheres Homens Total (3) 10,45 7,06 5,76 8,11 12,06 9,69 13,87 Indústria de transformação (4) 12,63 8,73 - (15) 9,80 14,42 10,66 15,79 Metal-mecânica (5) 14,70 10,03 - (15) 10,62 16,61 - (15) 17,61 Construção (6) 9,45 -(15) - (15) - (15) - (15) - (15) - (15) Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (7) 7,78 5,76 - (15) - (15) 8,61 6,85 9,95 Serviços (8) 10,33 6,64 5,81 8,07 12,02 10,21 14,36 Transporte, armazenagem e correio (9) 10,51 - (15) - (15) - (15) 11,99 - (15) - (15) Informação e comunicação, atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, atividades profissionais, 17,31 - (15) - (15) - (15) 18,47 14,81 21,50 científicas e técnicas (10) Atividades administrativas e serviços complementares (11) 6,77 - (15) - (15) - (15) 7,52 - (15) - (15) Administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde 12,78 8,06 - (15) - (15) 14,50 12,89 - (15) humana e serviços sociais (12) Alojamento e alimentação, outras atividades de serviços, artes, cultura, 7,06 6,03 - (15) - (15) 7,65 6,96 - (15) esporte e recreação (13) Serviços Domésticos (14) 5,10 4,95 4,94 - (15) 5,25 - (15) - (15) Fonte: Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional. Convênio Seade Dieese, MTE/FAT e Consórcio Intermunicipal Grande ABC. (1) Inflator utilizado: ICV do Dieese. (2) Exclusive os assalariados e os empregados domésticos mensalistas que não tiveram remuneração no mês, os trabalhadores familiares sem remuneração salarial e os empregados que receberam exclusivamente em espécie ou benefício. (3) Inclui agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (Seção A); indústrias extrativas (Seção B); eletricidade e gás (Seção D); água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação (Seção E); organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais (Seção U); atividades mal definidas (Seção U). As seções mencionadas referem-se à CNAE 2.0 domiciliar. (4) Seção C da CNAE 2.0 domiciliar. (5) Divisões 24 a 29 da CNAE 2.0 domiciliar. (6) Seção F da CNAE 2.0 domiciliar. (7) Seção G da CNAE 2.0 domiciliar. (8) Inclui atividades imobiliárias Seção L da CNAE 2.0 domiciliar. (9) Seção H da CNAE 2.0 domiciliar. (10) Seções J, K e M da CNAE 2.0 domiciliar. (11) Seção N da CNAE 2.0 domiciliar. (12) Seções O, P e Q da CNAE 2.0 domiciliar. (13) Seções I, S e R da CNAE 2.0 domiciliar. (14) Seção T da CNAE 2.0 domiciliar. (15) A amostra não comporta a desagregação para esta categoria. 14

15 Os diferenciais de rendimentos, que são maiores quando os valores monetários são mais elevados, também são percebidos na análise por posição na ocupação. Os assalariados negros com carteira de trabalho assinada recebiam 63,1% do que auferiam os não negros, relação que aumenta para 66,7% entre os trabalhadores autônomos (Tabela 5). Tabela 5 Rendimento médio real por hora (1) dos ocupados (2) no trabalho principal, por raça/cor e sexo, segundo posição na ocupação Região do ABC Posição na ocupação Total Negros Em reais de junho de 2013 Não Negros Total Mulheres Homens Total Mulheres Homens Total 10,45 7,06 5,76 8,11 12,06 9,69 13,87 Total de assalariados (3) 10,60 7,41 6,19 8,22 12,07 10,17 13,48 Setor privado 10,05 7,19 5,79 8,03 11,41 9,04 12,97 Com carteira 10,46 7,49 5,99 8,38 11,86 9,47 13,43 Sem carteira 7,19 - (5) - (5) - (5) 8,22 - (5) 9,69 Setor público 15,61 - (5) - (5) - (5) 17,64 16,00 - (5) Autônomos 8,10 6,14 - (5) - (5) 9,21 6,75 10,68 Empregados domésticos 5,10 4,95 4,94 - (5) 5,25 - (5) - (5) Demais posições (4) 18,85 - (5) - (5) - (5) 20,13 - (5) - (5) Fonte: Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional. Convênio Seade Dieese, MTE/FAT e Consórcio Intermunicipal Grande ABC. (1) Inflator utilizado: ICV do Dieese. (2) Exclusive os assalariados e os empregados domésticos mensalistas que não tiveram remuneração no mês, os trabalhadores familiares sem remuneração salarial e os empregados que receberam exclusivamente em espécie ou benefício. (3) Inclui os assalariados que não sabem a qual setor pertencem. (4) Incluem empregadores, profissionais universitários autônomos, donos de negócio familiar, etc. (5) A amostra não comporta a desagregação para esta categoria. Os diferenciais de rendimentos por raça/cor associados àqueles referentes ao sexo são ainda mais reveladores das desigualdades que se mantêm (ou até se intensificam) no mercado de trabalho da região (Gráfico 4) e que, no período analisado, deveram-se à elevação mais forte dos rendimentos dos homens não negros (6,9%). 15

16 Gráfico 4 Proporção dos rendimentos médios reais por hora (1) dos ocupados (2), por raça/cor e sexo, em relação aos rendimentos médios reais por hora dos homens não negros Região do ABC Em % ,0 100,0 71,2 69,9 60,0 58,5 42,2 41,5 Homens não negros Mulheres não negras Homens negros Mulheres negras Fonte: Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional. Convênio Seade Dieese, MTE/FAT e Consórcio Intermunicipal Grande ABC. (1) Inflator utilizado: ICV do Dieese. (2) Exclusive os assalariados e os empregados domésticos mensalistas que não tiveram remuneração no mês, os trabalhadores familiares sem remuneração salarial e os empregados que receberam exclusivamente em espécie ou benefício. O crescimento da economia nos últimos anos e seus reflexos positivos no mercado de trabalho da Região do Grande ABC contribuíram para a melhoria geral desse mercado. Como visto, alguns sinais dessas melhorias entre os negros manifestaram-se, em , na redução mais intensa da taxa de desemprego, na elevação da taxa de participação, no comportamento favorável das formas regulamentadas das relações de trabalho que garantem acesso aos direitos trabalhistas e previdenciários e no aumento dos seus rendimentos médios (embora menor do que o verificado para os não negros). Não obstante esses movimentos, desigualdades ainda persistem e, como no caso dos diferenciais de rendimento, se intensificam. Assim, depreende-se que o 16

17 crescimento econômico por si só não é capaz de garantir igualdade de oportunidades em um horizonte razoável de tempo para as atuais e futuras gerações de trabalhadores, enquanto não se atenuarem as discrepâncias socioeconômicas e, mais especificamente, do nível de escolaridade, importante elemento na melhoria de acesso e trajetória dos indivíduos no mercado de trabalho e das suas possibilidades de ascensão social e econômica. 17

18

19

20 GOVERNO DE SÃO PAULO Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional SEADE Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados Av. Cásper Líbero 478 CEP São Paulo SP Fone (11) Fax (11) / / Consórcio Intermunicipal Grande ABC Av. Ramiro Colleoni 5 CEP Santo André SP Fone (11) / Apoio: Ministério do Trabalho e Emprego MTE. Fundo de Amparo ao Trabalhador FAT. Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho Sert.

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