DICIONÁRIO DE IMAGENS, SÍMBOLOS, MITOS, TERMOS E CONCEITOS BACHELARDIANOS

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1 DICIONÁRIO DE IMAGENS, SÍMBOLOS, MITOS, TERMOS E CONCEITOS BACHELARDIANOS

2 Reitor Vice-Reitor Wilmar Sachetin Marçal Cesar Antonio Caggiano Santos Editora da Universidade Estadual de Londrina Conselho Editorial Diretora Neide Maria Jardinette Zaninelli (Presidente) Ângela Pereira Teixeira Victória Palma Francisco Cesar Alves Ferraz Joice Mara Cruciol e Souza Maria Luiza Marinho Marta Dantas da Silva Odilon Vidotto Pedro Paulo da Silva Ayrosa Roberto Buchaim Rossana Lott Rodrigues Neide Maria Jardinette Zaninelli A Eduel é afiliada à

3 Agripina Encarnación Alvarez Ferreira Dicionário de imagens, símbolos, Mitos, termos e conceitos Bachelardianos

4 Catalogação na publicação elaborada pela Bibliotecária Neide Maria Jardinette Zaninelli / CRB-9/884. Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) F383d Ferreira, Agripina Encarnacíon Alvarez Dicionário de imagens, símbolos, mitos, termos e conceitos Bachelardianos. / Agripina Encarnacíon Alvarez Ferreira. Londrina : EDUEL, p.; 24cm ISBN Bachelard, Gaston Filósofos franceses - Dicionários. I. Título. CDU: 1(44)(038)=690 Direitos reservados à Editora da Universidade Estadual de Londrina Campus Universitário Caixa Postal 6001 Fone/Fax: (43) Londrina PR Impresso no Brasil / Printed in Brazil Depósito Legal na Biblioteca Nacional 2008

5 Sumário INTRODUÇÃO... PRIMEIRA PARTE De Bar-Sur-Aube a Paris... Bachelard, trajetória intelectual... A obra em seu duplo espaço... SEGUNDA PARTE Dicionário de imagens, símbolos, mitos, termos e conceitos bachelardianos... ÍNDICE DE VERBETES... Referências bibliográficas... I - Obras de Gaston Bachelard (consultadas)... II - Obras sobre Gaston Bachelard... III - Obras Gerais... ix

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7 Ao meu querido esposo e filhos Que outra liberdade psicológica temos nós, senão a liberdade de sonhar? Psicologicamente falando, é no devaneio que somos livres. Gaston Bachelard

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9 Introdução Os sonhos que viveram numa alma continuam a viver em suas obras [...] Gaston Bachelard A obra de Gaston Bachelard sobre o imaginário é rica e densa devido ao potencial nela contido, abrangendo fontes e influências diversas, como: os elementos materiais, a alquimia, o idealismo platônico, o bergsonismo, a psicanálise, o romantismo e o surrealismo. Tudo isso é transformado e purificado na retorta alquímica do grande pensador e poeta que foi Bachelard. Quando se lêem seus escritos, têm-se todos os elementos para outras leituras. Isso é importante para o leitor ampliar suas visões de mundo, seus conhecimentos, meditar, sonhar e se posicionar melhor diante de um texto literário ou de uma obra de arte, pois não há criação sem a imaginação. Concebido como guia para a leitura de Bachelard ou como meio de consulta para um trabalho poético ou artístico, este livro divide-se em duas partes: na primeira parte, de Bar-Sur-Aube a Paris inclui um perfil intelectual de Gaston Bachelard e um breve estudo sobre a obra poética em seu duplo espaço. Na segunda parte, encontram-se os verbetes de A a Z. O dicionário de imagens, símbolos, mitos, termos e conceitos não pretende ser crítico ou analítico, muito embora seja necessário um aprofundamento para que, em cada verbete, o leitor encontre ao mesmo tempo uma imagem, um símbolo, um mito, um termo e um conceito, para melhor poder enveredar no imenso espaço do mundo poético de Gaston Bachelard. Para esclarecimento, como exemplo, pode-se apresentar um termo como a forja que deverá ser conceituado de acordo com a sua essência e significação para saber-se o que ele representa. No caso, a forja está vinculada a uma tradição mítico-religiosa em que se atribui ao ferreiro poderes demiúrgicos para forjar o cosmos. O senhor de forjas é um senhor de universo. Nas imagens do poeta, o sol poente é uma forja que se estende ao plano cósmico, e as cores que saem do ferro forjado simbolizam valor, força e energia. Como se pode observar, tudo está adensado ou reunido na palavra ou termo forja. A contribuição de Gaston Bachelard é imensa e profunda, abrangendo conhecimentos de diversas áreas provenientes de fontes e influências de herança filosófica, hermética, científica, literária e mítica. Com efeito, as discussões baseadas numa crítica intelectualista, como as de um passado bem próximo, não conduziriam o leitor à essência de uma obra poética centrada na doutrina do imaginário. Não basta uma simples leitura linear. O leitor precisa aprofundar os seus conhecimentos para atingir uma pequena parcela desse inesgotável universo, inserindo-se no mundo dos devaneios para melhor captar nos detalhes nuanças reveladoras de um élan criador. E é bom lembrar que a Dicionário de imagens, símbolos, mitos, termos e conceitos bachelardianos ix

10 terminologia, proveniente dos múltiplos ramos do saber, nem sempre conservou fidelidade às fontes de origem, sendo transfigurada pelo imaginário mundo de Bachelard. O dicionário é constituído de verbetes de assuntos e temas variados. Cada verbete é seguido de textos selecionados nos volumes da obra poética. O número e a quantidade de textos variam em função da maior ou menor abrangência do tema ou assunto e de sua especificidade no conjunto. Há assuntos e temas que constam de todos os livros, outros da primeira fase e outros da segunda, como a fenomenologia, a fênix, o devaneio, o cosmos e assim por diante. Selecionou-se o maior número possível de citações para que o leitor possa ter uma visão global e possa perceber como foi sendo desenvolvido o trabalho do filósofo. Após a seleção, fez-se um comentário breve sobre cada tópico, seguindo-se a poética bachelardiana. No estudo e na análise dos verbetes, procurou-se mostrar a evolução do pensamento bachelardiano, apontando as acepções dadas a determinados temas. A imagem poderia ser apresentada como exemplo desse percurso, que se iniciou em A psicanálise do fogo até Fragmentos de uma poética do fogo. Em A água e os sonhos, a imagem está marcada pela contemplação pancalista, que se contenta em ver o belo na superfície irisada das águas claras e primaveris. A imagem é vista em sua objetividade. A partir de A poética do espaço, segunda fase da obra, a imagem é considerada em seu processo de criação, em sua ontologia e em sua subjetividade. Com este dicionário de imagens, símbolos, mitos, termos e conceitos, o leitor não só poderá desvendar o pensamento e o mundo imaginário bachelardiano, como também terá elementos para interpretar textos literários. Propõem-se, pois, meios de acesso à obra, sublinhando a importância da imaginação para uma crítica dinâmica, aberta e criadora. E, uma vez que, para o ser humano, uma luz que se acende é um sol que brilha em sua alma, iluminando o seu caminho e a sua obra, espera-se que este dicionário seja uma luz resplandecente. x Dicionário de imagens, símbolos, mitos, termos e conceitos bachelardianos

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