FORMAÇÃO DE PROFESSORES E ENSINO DE HISTÓRIA DA ÁFRICA: DEZ ANOS DEPOIS COMO FICAMOS? PPGE-PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO

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1 02273 FORMAÇÃO DE PROFESSORES E ENSINO DE HISTÓRIA DA ÁFRICA: DEZ ANOS DEPOIS COMO FICAMOS? Sônia Maria Soares de Oliveira PPGE-PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ- UECE O presente estudo tem como temática a Formação de Professores e o Ensino de História da África e faz parte do projeto de pesquisa apresentado à seleção de mestrado do Programa de Pós- Graduação em Educação PPGE da Universidade Estadual do Ceará- UECE. Apresentamos resultados parciais quanto ao nosso objeto de estudo. Nossa pesquisa pretende analisar a formação dos professores de História em relação à História da África e cultura afro-brasileira e africana dez anos após a promulgação da Lei /03. O estudo tem como suporte teórico a referida lei, promulgada em 2003, que alterou a Lei 9.394, de 1996, pela qual haviam sido estabelecidas as bases da educação nacional, para incluir no currículo da Educação Básica, a obrigatoriedade do Ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira. Decorrida uma década da implantação da referida Lei muitas ações têm sido feitas, sobretudo em relação à formação de professores, como a preparação de material didático para o tema e a oferta de cursos de formação continuada. Mesmo assim, ainda é um grande desafio, pois na realidade o que tem se observado é que muitos educadores não estão preparados para lidar com certas situações no que diz respeito às questões teórico-metodológicas que a aprovação da lei trouxe, gerando nos meios escolares e acadêmicos algumas inquietações e muitas dúvidas. Logo entendemos ser fundamental a análise da formação docente e dos procedimentos metodológicos para sua aplicação, bem como que tipo de conhecimento histórico vem sendo produzido dez anos após a implantação da Lei /03. Palavras chave: Formação de Professores; Ensino de História ; História da África A Lei /03 que instituiu a obrigatoriedade do Ensino de História da África e Afro brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares de todo país, completa uma década. A lei é fruto de muito trabalho e luta do movimento social negro ao longo da história do Brasil. Nos últimos anos tem havido um significativo crescimento dos debates acerca do Ensino de História da África e o reconhecimento das contribuições dos africanos para a formação do patrimônio histórico e cultural da humanidade e da sociedade brasileira. Porém, dez anos após sua sanção, o maior desafio do Estado brasileiro é a aplicação do que a lei prevê na materialidade do currículo escolar. O ano de 2003, portanto, constituiu momento importante na reestruturação da forma como deveriam ser abordados no ensino escolar brasileiro os conteúdos

2 02274 referentes à África, suas populações e a população afro-brasileira. Já que foi nesse ano que se deu a aprovação e sanção da Lei /03 que alterou a Lei de Diretrizes de Bases da Educação (LDB), esta datada de 1996, o texto da Lei diz: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º. A Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B: Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro- Brasileira. 1º. O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil. 2º. Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras. 3º. (VETADO) Art. 79-A. (VETADO) Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra. Art. 2º. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. (BRASIL, 2003). De acordo com Costa (2012), a Lei /03 faz parte de um conjunto de políticas de ações afirmativas para a população negra brasileira, e embora ela tenha aberto mais espaço para que a questão da História da África seja tratada de forma diferente e que as próprias universidades estejam mais abertas para a temática africana existe ainda a questão dos docentes que já atuam e não tiveram acesso a essa temática em suas formações iniciais o que pode contribuir para manter as imagens estereotipadas que se tem da África e sua história. Para Oliva (2006) muitas ações têm sido feitas, sobretudo em relação à formação de professores, como a preparação de material didático para o tema e a oferta de cursos de formação continuada. Mesmo assim, ainda é um grande desafio, pois na realidade o que se tem observado é que muitos educadores não estão preparados para lidar com certas situações no que diz respeito a questões teórico-metodológicas que a aprovação da lei trouxe, gerando nos meios acadêmicos e escolares algumas inquietações e muitas dúvidas. Uma década depois ainda são muitos os desafios a serem enfrentados, sobretudo no que diz respeito à formação docente para o Ensino de História da África e Cultura Afro-brasileira e africana, pois afinal essa temática foi durante muito tempo

3 02275 negligenciada e quando abordada, feita pelo viés eurocêntrico que transformava a África em mero apêndice da História europeia Ocidental. Sendo assim observa-se que muitos professores não tiveram acesso a esses conteúdos em sua formação inicial e mesmo quando tiveram prevaleceram as imagens estereotipadas sobre o continente. Concordamos com Gomes (2010, p.141) quando em seu texto pergunta e ao mesmo tempo responde: O que vemos e pensamos quando olhamos para África? Um continente remoto, atrasado, faminto, palco de guerras tribais e origem de doenças. Essa é a ideia que se tem de África. De acordo com Ciro Flamarion Cardoso (1998) toda problemática epistemológica tem uma natureza pessoal, social e científica. Assim, a partir das constatações citadas anteriormente, e, sobretudo a partir de nossa própria experiência como professora de História é que pretendemos com esse trabalho analisar a formação do professor de História em História da África e Cultura Afro-brasileira e africana, pois entendemos ser de fundamental importância a compreensão dessa temática como forma de ressignificar e mostrar as várias faces da História da África. Muitos questionamentos podem ser feitos no que se refere à temática africana entre os quais podemos citar: qual a relação dos professores de História da educação básica com a História da África? Que saberes esses professores possuem? Como os mobilizam? E, sobretudo que tipo de conhecimento estão produzindo em suas práticas pedagógicas sobre essa temática, decorrida uma década da promulgação da Lei /03? Foram tais inquietações que nos motivaram a adentrar nesse campo investigativo, pois como afirma Oliva (2006, p. 191) um dos principais problemas que atingem o enfoque da história da África nas salas de aulas é a formação inadequada dos professores que atuam nos ensinos fundamental e médio. Assim, a intenção de nossa pesquisa se configura em investigar, a formação do professor de História em História da África e Cultura Afro- brasileira e africana e sua relação com a constituição dos saberes que mobiliza em sua prática pedagógica. Podemos concluir de forma parcial, no entanto, que a Formação docente no que se refere à História da África mesmo após uma década de instituída a Lei

4 /03 ainda encontra-se muito aquém do que o atual contexto exige para o ensino da História dos povos africanos e afro-brasileiros. Do ponto de vista social, esperamos estar contribuindo com a ampliação dos estudos sobre a formação docente, as práticas e os saberes relativos à História da África e Cultura Afro-brasileira e africana dos professores de História, na perspectiva de identificar lacunas nesse campo de investigação e apontar possibilidades para a compreensão da dinâmica histórica de povos que foram por muito tempo subrepresentados no currículo escolar e que fazem parte também da História brasileira. Em relação ao ponto de vista científico é importante ressaltar que a pesquisa é um caminho para produção e ressignificação de conhecimentos relacionados à História da África e à formação de professores, inquietações estas que buscam respostas no atual contexto de lutas por políticas afirmativas, vivenciadas pela sociedade e educação brasileiras. No caso específico da espacialidade desse estudo, esperamos contribuir para a educação cearense no sentido de provocar nessa área de estudo, novos olhares, novas abordagens e perspectivas, (re)interpretações e/ou ( re )descobertas sobre a formação docente no campo da História da África e Cultura Afro-brasileira e africana. Uma vez que como afirma Funes (2004) criou-se o mito de que no Ceará não existem negros. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n , de 09 de jan de Acessado em: 02/07/2013. Disponível em: CARDOSO, Ciro Flamarion. Uma introdução à História. São Paulo: Brasiliense, COSTA, Hilton. Formação de professores: por um novo olhar da história e cultura afrobrasileira. In: PINHEL, André; COSTA, Hilton; SILVEIRA, Marco Silva da (Orgs.) Uma década de políticas afirmativas: panorama, argumentos e resultados. Ponta Grossa/PR: Ed. UEPG, FUNES, Eurípedes Antônio. Negros no Ceará. In: SOUZA, Simone (Org.) Uma nova História do Ceará. 3.ed. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2004.

5 02277 GOMES, J. M. S. Formação para a inclusão e o desenvolvimento dos países da África: cenário e perspectivas. In: FUNES, Eurípedes; LOPES, Régis; RIBARD, Franck; RIOS, Kênia Sousa. África. Brasil. Portugal: história e ensino de história. Fortaleza: UFC, OLIVA, Anderson Ribeiro. A história africana nas escolas brasileiras: entre o prescrito e o vivido, da legislação educacional aos olhares dos especialistas ( ). Acessado em: 20 jul Disponível em g=pt&nrm=iso.

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