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1 Interpelação escrita Em Novembro de 2006, o Chefe do Executivo anunciou no seu Relatório das LAG/2007 que a partir do próximo ano, os organismos públicos e pessoas colectivas de direito público irão aplicar o regime de salário mínimo a todos os trabalhadores que prestam serviços de limpeza e segurança adjudicados pelo Governo. Também o Secretário para a Economia e Finanças sublinhou nas LAG a definição de um regime de salário mínimo para os serviços adjudicados às empresas privadas pelos serviços e entidades da Administração Pública, bem como por pessoas colectivas de direito público, com início da sua implementação, a partir do próximo ano, no domínio da aquisição de serviços de limpeza geral e de segurança de prédios. Assim, através desta medida, serão assegurados os interesses e direitos ao emprego dos trabalhadores locais. Desde o anúncio do Chefe do Executivo sobre a definição do regime de salário mínimo que os trabalhadores se têm mostrado bastante entusiasmados, sobretudo os que prestam serviços de limpeza e segurança, que esperam ansiosamente poder ver, a partir deste ano, os seus estatutos remuneratórios garantidos por lei. Trata-se duma política governamental de mérito que é reconhecida pela sociedade e consentânea com os valores 1

2 humanistas. No dia 3 de Fevereiro, o Director dos Serviços para os Assuntos Laborais revelou aos meios de comunicação social o seguinte: O Governo planeia introduzir o regime de salário mínimo para os serviços adjudicados no domínio da limpeza e segurança de edifícios, e está confiante de que a auscultação das partes laboral e patronal possa ter lugar a partir do 1.º trimestre do corrente ano, prevendo-se não ser difícil chegar a uma definição do salário mínimo. Esta afirmação do Director da DSAL, de o Governo estar confiante de que a auscultação das partes laboral e patronal possa ter lugar a partir do 1.º trimestre do corrente ano, prevendo-se não ser difícil chegar a uma definição do salário mínimo, deixou-me profundamente perplexo. A definição de critérios, em regulamento administrativo, que regem a aquisição de bens e serviços por parte dos organismos públicos, deveria ser concretizada sem demora. No entanto, as palavras do Chefe do Executivo, que ainda ecoam nos nossos ouvidos, são repentinamente interpretadas pelo referido Director usando expressões como planear e estar confiante. Procurei, repetidamente, inteirar-me do assunto, e cheguei à conclusão que, até à data, nenhum serviço público do Governo da RAEM recebeu instruções relativas à matéria. 2

3 Que se saiba, é no final do ano que a maioria dos organismos públicos promove a aquisição e adjudicação de serviços de limpeza geral e segurança de prédios para o ano seguinte. Devido à falta de instruções, é natural que as unidades responsáveis pela aquisição de bens e serviços não exijam, como requisito de adjudicação, a aplicação do regime de salário mínimo, referido pelo Chefe do Executivo. Em termos legais, enquanto não forem definidos critérios para o salário mínimo, é impossível os serviços públicos considerarem uma promessa política como requisito para a aquisição de bens e serviços. Referiu alguém que trabalha na área da aquisição de bens e serviços que, se os membros do Governo fossem pragmáticos no exercício das suas funções, deveriam sugerir as referidas políticas e, em simultâneo, comunicar com os serviços públicos para que estes procedessem a adjudicações temporárias dos serviços de limpeza e segurança, por exemplo por prazos de três ou seis meses. Assim, logo que fossem aprovados os critérios para o salário mínimo, poder-se-ia responder, atempadamente, às ideias e às linhas de acção governativa preconizadas pelo Chefe do Executivo e pelo Secretário para a Economia e Finanças. Neste momento, a maioria dos organismos públicos já adjudicou os respectivos serviços nos termos da lei, não devendo portanto ser possível, ainda este ano, considerar o regime de salário mínimo como critério para a aquisição de serviços. Assim sendo, os trabalhadores só podem esperar 3

4 que as suas expectativas se transformem em realidade apenas em Por outro lado, continua a DSAL a autorizar a importação de grande n.º de trabalhadores para as áreas da limpeza e segurança. Segundo a experiência, quando para determinado tipo de trabalho são importados muitos trabalhadores não residentes, as remunerações oferecidas nunca registam aumentos. De acordo com os vários inquéritos de âmbito académico já efectuados, não faltam em Macau trabalhadores nas áreas da limpeza e segurança, o problema reside nas remunerações oferecidas, que não acompanham, nem de perto nem de longe, o nível da inflação. Num contexto em que grande n.º de trabalhadores não residentes estão a prestar serviços de limpeza e segurança em Macau, como será possível ao Governo definir, em matéria do regime de salário mínimo, critérios justos, razoáveis e consentâneos com o nível de vida de Macau?! Uma vez posto em prática o referido regime, a fiscalização do Governo, no sentido de assegurar que o salário mínimo seja efectivamente pago pelas empresas, é uma questão que preocupa os trabalhadores. Face ao exposto, interpelo a Administração sobre o seguinte: 1. Em 2006, o Chefe do Executivo anunciou que a partir do próximo ano, os organismos públicos e pessoas colectivas de direito público irão aplicar o regime de salário mínimo a todos os trabalhadores que 4

5 prestam serviços de limpeza e segurança adjudicados pelo Governo. Qual é o ponto de situação disso? Será que, tal como afirmou o Director da DSAL, a promessa expressa e clara do Chefe do Executivo não passa dum mero plano? A posição do Governo mantém-se apenas na fase de estar confiante? 2. De que medidas dispõe o Governo para que todos os organismos públicos e pessoas colectivas de direito público dêem cumprimento à promessa do Chefe do Executivo? Tendo em conta o referido objectivo traçado no âmbito das LAG, poderão ser impostas limitações à importação de mão-de-obra para os serviços de limpeza e segurança, em benefício dos trabalhadores locais? 3. Irá o Governo publicar diplomas reguladores da matéria e, em simultâneo, promover uma fiscalização efectiva por parte dos serviços competentes, no sentido de assegurar que o salário mínimo seja pago pelos empregadores, de acordo com o que manda a legislação? 5 de Fevereiro de O Deputado à Assembleia Legislativa da RAEM, José Maria Pereira Coutinho. 5

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