Gerenciamento de Custos. Profª Karina Gomes Lourenço

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1 Gerenciamento de Custos Profª Karina Gomes Lourenço

2 A EXPANSÃO DOS GASTOS NA SAÚDE (Nível Macroeconômico) Aumento da Demanda Incorporação de direitos universais de cobertura Mudanças na estrutura etária da população Aumento das taxas de sobrevivência dos grupos com idades mais avançadas hábitos insalubres como álcool e tabagismo Violência e acidentes de trânsito Aumento da Diversificação e Complexidade Aumento do nível educacional e Maior exigência das pessoas Incorporação de novas tecnologias Escassez de mão de obra qualificada Custos elevados pela baixa produtividade Atenção inadequada à saúde Irresponsabilidade Administrativa/ Capacitação Gerencial

3 A EXPANSÃO DOS GASTOS NA SAÚDE (Nível Microeconômico) Preços de insumos Prazos de pagamentos Volume de compras Tamanho da instituição Tipo de tratamentos Nível de conforto oferecido pelos hospitais Permanência dos pacientes no hospital Quantitativo de Pessoal/Especialização Ineficiência na alocação de recursos

4 Os fatores que influenciam a expansão dos custos na enfermagem Visão Microeconômica Pessoal (60%) rotatividade acidentes de trabalho retrabalho Materiais (40%) Insumos Equipamentos Incorporação de novas tecnologias Preparo do pessoal Manutenção

5 Gerenciamento de Custos É um processo administrativo que visa a tomada de decisão dos enfermeiros em relação a uma eficiente racionalização na alocação de recursos disponíveis e limitados, com o objetivo de alcançar resultados coerentes às necessidades de saúde da clientela e às necessidades/finalidades institucionais. Francisco, Castilho (2002)

6 Responsabilidade do enfermeiro Eficiência Alocativa É a distribuição de recursos da melhor forma possível, ou seja, os diferentes recursos ou insumos (pessoal, materiais, equipamentos e tecnologia) devem ser combinados (balanceados) de maneira a maximizar o resultado ou produto pretendido e evitar gargalos e desperdícios na produção de um serviço, programa ou procedimento de saúde. Couttolenc, Zucchi, 1998

7 Gerenciamento de Custos Alocação eficiente dos recursos necessários Conhecimento das necessidades de saúde da clientela/ perfil/ fluxo Determinação das atividades e do tempo de desenvolvimento Dimensionamento de pessoal ajustado Controle de estoques e do consumo de materiais Acompanhamento de indicadores econômicos/sistema de informação Conhecimento e acompanhamento dos custos da unidade e dos procedimentos Avaliação econômica dos programas e procedimentos Desenvolvimento de programas orçamentários Postura ética e responsabilidade com a organização, profissão e sociedade

8 Conselho Internacional de Enfermagem 1993 Finanças: constituem outra área de domínio do conhecimento em enfermagem Recomendação profissional Promover investigações para validar metodologias de cálculo de custos nos serviços de enfermagem

9 Capacitação dos profissionais Inserção do tema nos cursos de graduação e pós-graduação Cursos de capacitação Desenvolvimento de pesquisas Criação de grupos de discussão

10 Custos de serviços/procedimentos/processos Problemas enfrentados pelas organizações hospitalares Custos desconhecidos; Nenhuma base racional de determinação de preços; A concorrência em relação aos preços na área privada obscurece os custos reais do serviço; Desconhecimento da melhor combinação de fontes de recursos e de sua efetividade; Dificuldades em ajustar as atividades dentro de um orçamento restrito

11 A contenção dos gastos na saúde ESTRATÉGIA Criação de metodologias de aferição de custos próprias para os serviços de saúde Proposição de medidas de contenção de gastos Conscientização e Capacitação dos profissionais de saúde (resistência) FINALIDADE Controle dos custos Eficiência na utilização dos recursos Promover maior eqüidade na cobertura dos serviços Garantir um acesso equitativo aos cidadãos aos serviços de saúde Manter a qualidade da Atenção à saúde

12 Mudança dos Profissionais da Saúde em Relação a Visão dos Aspectos Financeiros da Assistência à Saúde

13 Medidas de Contenção de Gastos Profissionais da Saúde Conscientização da equipe. Dimensionamento ajustado Treinamento e aperfeiçoamento do pessoal. Promoção da qualidade de vida no trabalho. Sistema de Comunicação eficaz. Aumento da produtividade.

14 Medidas de Contenção de Gastos Insumos Utilização adequada dos materiais Registro dos procedimentos no prontuário Controle de estoques/consumo Controle da qualidade/teste de materiais Recall e Upgrade dos Equipamentos

15 Controle de estoque e consumo Gerenciar recursos materiais? Gerenciar custos? CURTO PRAZO MÉDIO/LONGO PRAZO Classificação dos materiais: CURVA ABC Prioridades XYZ Implantação de sistema de códigos de barras

16 Curva ABC de valor ESTABELECIMENTO DE CLASSES % itens % custo Classe A Classe B 20 a a 30 Classe C [Gomes, Reis, 2002]

17 Classificação XYZ CLASSE X CARACTERíSTICAS Baixa criticidade Faltas não acarretam paralisações, nem riscos à segurança pessoal, ambiental e patrimonial Elevada possibilidade de usar materiais equivalentes Y Criticidade média Faltas podem provocar paradas e colocar em risco às pessoas, o ambiente e o patrimônio do Hospital Podem ser substituídos por outros com relativa facilidade Z Máxima criticidade, imprescindíveis Faltas podem provocar paradas e colocar em risco pessoas, ambiente e patrimônio Não podem ser substituídos por outros equivalentes [Paterno, 1985]

18 GASTO INVESTIMENTO CUSTO DESPESA PERDA DESEMBOLSO BAUMGARTNER, 2003

19 Terminologia de custos GASTOS : sacrifício financeiro(normalmente dinheiro) que a instituição arca para a obtenção de um produto ou serviço. Ex: gastos com a compra de medicamentos, com pessoal, com terceirizações. CUSTOS: gastos relativos a bens ou serviços utilizados no processo de produção de outros bens ou serviços. Insumos utilizados no processo de produção. EX: custos com material e pessoal. INVESTIMENTO: gasto ativado em função da vida útil ou de benefícios atribuíveis a período(s) futuro(s). EX: Programas de treinamento, novas tecnologias, anúncios publicitários do hospital. DESPESAS: bens ou serviços consumidos para obtenção de receitas. Podem ser financeiros (juros de financiamentos), administrativos ou de vendas.

20 Terminologia de custos Quanto a identificação ao objeto de custo CUSTO DIRETO: correspondem aos custos em que há possibilidade de identificação com um produto, serviço prestado ou Departamento. EX: custo do pessoal de Clínica Médica; custo de seringas utilizadas na administração de medicação, depreciação de equipamento. CUSTO INDIRETO: são aqueles não caracterizados por um centro de custos ou com um produto/procedimento específico, são custos comuns a diversos procedimentos ou serviços, não podendo ser atribuídos a um único setor. Sua apropriação se faz por meio de critérios ou fórmulas de rateio. Ex: luz, água, limpeza, telefone, IPTU, seguros, Serviço de nutrição, educação Continuada,depreciação predial etc...

21 Terminologia de custos Quanto ao comportamento em relação ao volume de atividade CUSTOS VARIÁVEIS:são os custos inerentes à produção de serviços, e por isso variam conforme o volume de atendimentos, aumentando quando eles crescem e contraindo quando diminuem. EX: materiais, medicamentos, lavanderia. CUSTOS FIXOS:são os custos operacionais vinculados à infra-estrutura instalada e que se mantém constantes, mesmo havendo modificações no número de atendimentos.ex: Custos com salários, aluguel, etc...

22 Terminologia de custos Custo Total: é a soma dos custos diretos e indiretos, ou a soma dos custos fixos e variáveis. Custos Hospitalares: são todos os valores gastos na produção de serviços hospitalares. Contabilidade de Custos: é a parte da contabilidade que se dedica ao estudo dos registros dos gastos com mão-de-obra, materiais e outros necessários para se produzir um bem ou serviço. Método de Apropriação de Custos/Sistema de Custeio: é um conjunto de procedimentos adotados numa empresa para calcular um bem ou um serviço nela processados. Pode-se dizer que ele se constitui em etapas para o desenvolvimento do cálculo de custos. Existem vários sistemas.

23 Senso comum: saúde não têm preço é um bem livre e não um bem econômico A saúde tem preço? conceito econômico de bem: tudo aquilo que pode satisfazer uma necessidade. Conceito de bens livres: os que estão disponíveis em quantidades muito superiores às necessidades dos indíviduos. Conceito de bens econômicos: são aqueles que são escassos, ou seja, estão disponíveis em quantidades inferiores às necessidades. Existe um custo associado a sua produção e aquisição A saúde como um atributo da qualidade de vida do homem é um bem livre, mas os serviços de saúde são bens econômicos

24 As demandas em saúde são infinitas e os recursos finitos

25 OMS Papel da enfermeira no gerenciamento de custos Aponta as enfermeiras como o profissional de Saúde com o maior potencial para assegurar uma uma assistência rentável, ou seja, eficaz em função dos custos. Recomenda que as enfermeiras devem ser ouvidas nos debates sobre políticas financeiras ABURDENE;NAISBITT Alertam para o fato das enfermeiras poderem ser responsáveis por 40 a 50% do faturamento dos hospitais. Apontam estudos que comprovam que o trabalho das enfermeiras melhoram a qualidade e os custos da assistência. Destacam que nenhum administrador suplanta o conhecimento sobre a administração hospitalar que as enfermeiras chefes possuem, mas que elas necessitam suplementar sua experiência administrativa com novas habilidades, que são finanças e marketing.

26 Papel da enfermeira no gerenciamento de custos ICN Afirma que: As enfermeiras administradoras estão cada vez mais sendo envolvidas em decisões financeiras e no planejamento orçamentário de suas instituições; As finanças se tornou outra domínio de conhecimento das enfermeiras; As enfermeiras devem demonstrar claramente o valor e a rentabilidade de sua assistência As enfermeiras devem ser capazes de apresentar argumentos para a obtenção de recursos para um cuidado seguro.

27 Papel da enfermeira no gerenciamento de custos ICN Recomenda as associações filiadas que: Promovam a enfermagem como um recurso fundamental para a tomada de decisões sobre gastos em Saúde; Ofereçam às enfermeiras oportunidades educativas para a obtenção de conhecimentos sobre princípios financeiros e fixação de orçamento; Auxiliem na proposição de métodos para cálculo de custos em saúde; Promovam investigações para validar as metodologias de cálculo de custos e identificar e medir a contribuição das enfermeiras nos resultados.

28 Papel da enfermeira no gerenciamento de custos ICN Recomenda as associações filiadas que: Estimulem o desenvolvimento de sistemas de bases de dados que permitam a comparação de resultados em diversos contextos; Facilitem a divulgação de informações e a formação interativa de redes sobre a investigação sobre custos.

29 Cabe aos enfermeiros, enquanto gerentes da assistência de enfermagem, analisar e controlar os seus custos.

30 Custos e enfermagem A gestão de custos deve ser compreendida como mais um instrumento gerador de informações para auxiliar na alocação de recursos, não podendo as decisões sobre a assistência serem pautadas exclusivamente nela, as questões sociais, éticas, humanas e políticas devem ser consideradas.

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