UNIVERSIDADE DE MARÍLIA MAINARDO FILHO PAES DA SILVA COMÉRCIO ELETRÔNICO: TÍTULOS DE CRÉDITOS VIRTUAIS

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1 UNIVERSIDADE DE MARÍLIA MAINARDO FILHO PAES DA SILVA COMÉRCIO ELETRÔNICO: TÍTULOS DE CRÉDITOS VIRTUAIS MARÍLIA 2013

2 MAINARDO FILHO PAES DA SILVA COMÉRCIO ELETRÔNICO: TÍTULOS DE CRÉDITOS VIRTUAIS Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Direito da Universidade de Marília como requisito para obtenção do título de Mestre em Direito, sob orientação da Professora Doutora Jussara Suzi Assis Borges Nasser Ferreira. MARÍLIA 2013

3 . Silva, Mainardo Filho Paes da. Comércio Eletrônico: Títulos de Créditos Virtuais; Mainardo Filho Paes da Silva - Marília: UNIMAR, f. Dissertação (Trabalho de Conclusão de Curso) Mestrado em Direito, Universidade de Marília, Marília, Comércio Eletrônico 2. Títulos de Créditos 3. Títulos de Créditos Virtuais. I. Silva, Mainardo Filho Paes da. CDD

4 MAINARDO FILHO PAES DA SILVA COMÉRCIO ELETRÔNICO: TÍTULOS DE CRÉDITOS VIRTUAIS Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Direito da Universidade de Marília, área de concentração Empreendimentos Econômicos, Desenvolvimento e Mudança Social, sob a orientação da Professora Doutora Jussara Suzi Assis Borges Nasser Ferreira. Aprovado pela Banca Examinadora em / /2013. Prof.(a) Dr.(a) Jussara Suzi Assis Borges Nasser Ferreira Orientadora Prof.(a) Dr.(a Prof.(a) Dr.(a

5 Dedico este trabalho primeiramente a DEUS e, em seguida, à minha família, especialmente aos meus pais Zouraima Glória da Silva e Mainardo Paes da Silva, que sempre me educaram com valores que pretendo passar para meu filho e alunos. À minha vozinha Iracema da Conceição, que sempre rezou por mim. Dedico também à minha companheira e esposa Andrea Paulo B. E. Paes, que esteve ao meu lado durante toda esta jornada, com toda a dedicação, ternura e paciência, principalmente nos momentos mais difíceis e de cansaço, quando eu pensava em desistir sempre me incentivava com palavras de estímulo e encorajamento. Ao meu filho Davi Eufrásio Paes, meu grande amigo e companheiro, sempre me recebendo com um sorriso, um beijo, um abraço gostoso e pronto para brincar. Não posso esquecer das minhas irmãs, três, Nara, Nayara e Zenaide que me orgulham e me dão preocupação. Meu cunhado Alessandro, pelas caronas de sua casa para o aeroporto, acordando de madrugada, sempre pronto para ajudar. A todos que contribuíram direta e indiretamente para a realização deste projeto de vida.

6 Agradeço, em primeiro lugar, a DEUS, pois é ele que me fortalece. Obrigado Professora Doutora. Jussara Suzi Assis Borges Nasser Ferreira, por ter me auxiliado durante este trabalho acadêmico, com toda dedicação, carinho e simpatia. Agradeço, também, a todos os professores e colaboradores do Mestrado da Universidade de Marília, que além de terem possibilitado em sala a discussão de importantes temas, me passaram valores que serão fundamentais para minha vida. Obrigado a todos os meus colegas Mestrandos, que me receberam com muito carinho e amizade, principalmente nos dias em que eu estava mais cansado, em razão das longas viagens.

7 A divisão entre classes já não é definida entre quem tem e quem não tem posses, e sim, entre quem está conectado ou desconectado. Os desconectados permanecerão pobres. Shimon Peres (Ex-ministro de Israel e prêmio Nobel da Paz de 1994)

8 COMÉRCIO ELETRÔNICO: TÍTULOS DE CRÉDITO VIRTUAIS Resumo: O comércio eletrônico surge como ferramenta protagonista desta nova fase do capitalismo globalizado. Esta nova modalidade comercial, baseada na atividade de intermediação de bens e serviços via web, impacta a economia mundial. Com o comércio eletrônico, aparecem os títulos de crédito virtuais, que em razão das suas características, quais sejam a cambiaridade, negociabilidade e executabilidade, servindo como instrumentos de pagamento dos negócios oriundos deste tipo de comércio. Diante da importância destes dois institutos, comércio eletrônico e títulos de crédito virtuais, surgem alguns questionamentos: Os negócios pactuados na web e os títulos de créditos emitidos virtualmente têm validade jurídica? O comércio eletrônico pode contribuir para o desenvolvimento do Brasil? Quais as vantagens que os títulos de créditos virtuais podem proporcionar ao comércio eletrônico? Para a construção deste trabalho foi utilizado o método dedutivo, por meio de pesquisas bibliográficas em doutrinas e artigos, consulta a legislações e jurisprudências, de onde foram extraídos os conceitos e características gerais dos institutos discutidos, sempre com a cautela de se fazer a devida referência. Desta forma, a conquista dos objetivos propostos demonstra que o comércio eletrônico é vital para que o Brasil alcance o desenvolvimento, garantido pelo preâmbulo e inciso II do artigo 3º da Constituição Federal e que os títulos de créditos são importantes como instrumentos de adimplemento de obrigações nesta nova modalidade comercial, que é o e-commerce. Ademais, tanto o comércio eletrônico como os títulos de créditos eletrônicos já têm reconhecimento jurídico. Palavras chaves: Adimplemento. Comércio eletrônico. Títulos de Créditos Virtuais.

9 ELECTRONIC COMMERCE: BONDS OF VIRTUAL CREDIT Abstract: Electronic commerce emerges as a tool protagonist of this new phase of global capitalism. This new business arrangement, based on the intermediation activity of goods and services via web, impact the world economy. With e-commerce, the titles appear virtual credit, which because of its characteristics, namely the cambiaridade, marketability and enforceability, serving as instruments of payment of business coming from this type of trade. Given the importance of these two institutes, commerce and securities virtual, some questions arise: The business agreed on the web and credit securities issued virtually have legal validity? Electronic commerce can contribute to the development of Brazil? What advantages do the titles of virtual credits can provide e-commerce? For the construction of this work we used the deductive method, through literature searches and articles on doctrines, consulting laws and jurisprudence, from which they were extracted concepts and general characteristics of the institutions discussed, always with the caution to give proper. Thus, the achievement of the proposed objectives demonstrates that electronic commerce is vital for Brazil to achieve development, guaranteed by the preamble and section II of Article 3 of the Federal Constitution and that the debt claims are important as tools for due performance of obligations in this new business arrangement, which is e-commerce. Moreover, both the e-commerce as the titles of electronic claims already have legal recognition. Keywords: adimplemento. Ecommerce. Virtual Credit Notes.

10 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Ilustração 1 - Gráfico do número de computadores por casa e com acesso a internet 23 no ano de Ilustração 2 - Gráfico do número de computadores por casa e com acesso a internet 24 no ano de Ilustração 3 - Figura representativa do funcionamento do business to business (b2b) 45

11 SUMÁRIO INTRODUÇÃO COMÉRCIO ELETRÔNICO DEFINIÇÃO E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO COMÉRCIO ELETRÔNICO INTERNET E COMÉRCIO ELETRÔNICO COMÉRCIO ELETRÔNICO: DESENVOLVIMENTO E FUNDAMENTOS ECONÔMICOS DA VALORIZAÇÃO DO TRABALHO E LIVRE INICIATIVA PREVISTOS NO ART. 170 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE REFLEXOS DO COMÉRCIO ELETRONICO NAS RELAÇÕES E FONTES OBRIGACIONAIS INSTRUMENTOS DE NEGOCIAÇÃO E SEGURANÇA JURÍDICA Documento Eletrônico Assinatura Digital Criptografia Certificação Digital FORMAS DE NEGOCIAÇÃO ELETRÔNICA Business to Governement(b2g) Business to Business(b2b) Business to Consumer (b2c) ASPECTOS JURÍDICOS DOS NEGÓCIOS VIRTUAIS Tutela Jurídica do Comércio Eletrônico no Brasil Tutela Jurídica do Comércio Eletrônico na Legislação Estrangeira TÍTULOS DE CRÉDITOS VIRTUAIS ASPECTOS GERAIS DOS TÍTULOS DE CRÉDITOS Surgimento, Conceito e Importância Previsão Legal no Brasil Atributos e Princípios Formalismo Cambial Obrigações Representáveis Classificação Pagamento, Aval e Protesto TÍTULOS DE CRÉDITOS PRÓPRIOS E TÍPICOS Letra de Câmbio Nota Promissória Cheque Duplicata DESMATERIALIZAÇÃO DOS TITULOS DE CRÉDITO Conceito Análise dos Aspectos Legais dos Títulos de Créditos Virtuais Atendimento ao Formalismo Cambial Títulos Virtuais à Luz dos Princípios e Atributos Cambiais Títulos Atípicos

12 3 TÍTULOS DE CRÉDITOS VIRTUAIS: INSTRUMENTOS DE ADIMPLEMENTO MEIOS MAIS COMUNS DE ADIMPLEMENTO Boleto Bancário Cartão de Crédito ou Débito TÍTULOS DE CRÉDITOS VITUAIS Duplicata Virtual (e-duplicata) Cheque Virtual (e-cheque) Nota Promissória Virtual (e-promissória) INADIMPLEMENTO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO VIRTUAIS CONCLUSÃO REFERÊNCIAS

13 11 INTRODUÇÃO O comércio eletrônico surge como ferramenta protagonista desta nova fase do capitalismo globalizado. Esta nova modalidade comercial, baseada na atividade de intermediação de bens e serviços via web, está impactando a economia mundial, especialmente em razão da rapidez, simplicidade e facilidade na celebração dos negócios, o comprador, que pode ser empresa, governo ou consumidor, consegue contratar e receber pagamento em poucos click s. Neste novo ambiente comercial a empresa pode funcionar 24h (vinte e quatro horas), existir somente virtualmente, ter um estoque virtual, vantagens estas que acarretam em menor preço dos produtos e serviços, comparando-se com o do comércio tradicional ou físico. Diante deste novo espaço comercial, que é o ambiente virtual, com grande potencial econômico, é imprescindível que o Brasil, como forma de alcançar seu desenvolvimento, garantido no preâmbulo e no inciso II do artigo 3º da Constituição Federal de 1988, invista neste novo mercado, por meio de políticas públicas voltadas a incentivar a abertura de empresas que ofereçam suas mercadorias via web ou empresas virtuais. Ademais, o comércio eletrônico atende fundamentos da ordem econômica da valorização do trabalho humano, com a possibilidade de abertura de novos postos de trabalho e, da livre iniciativa, por ser espaço mais competitivo e possibilitar a socialização do comércio. Uma das barreiras identificadas para um maior crescimento deste comércio no Brasil e no mundo está situada na validade dos negócios pactuados na web, segurança deste ambiente e escassez dos instrumentos de adimplemento das obrigações. Quanto à validade das obrigações pactuadas no ambiente digital, no Brasil já existem normas que reconhecem a legalidade das relações advindas da internet, como as previstas no Código Civil, Código de Defesa do Consumidor e em várias legislações esparsas. No que toca à segurança do ambiente virtual, existem vários mecanismos que possibilitam transações seguras, como a criptografia, assinatura digital e, certificação digital. Com relação aos instrumentos para pagamento das obrigações feitas virtualmente, conforme verificado em várias lojas virtuais, há cartão de crédito, cartão de débito e boleto bancário, podendo ser acrescido a estes os títulos de crédito virtuais. Os títulos de crédito são instrumentos simples, mas extremamente formais, tendo, desde há muito tempo, papel importante para o comércio, não perdendo, neste mundo dos negócios virtuais, sua importância; pelo contrário, são extremamente significativas para o fomento deste novo mercado, vez que podem ser utilizados como instrumentos de pagamento, sem perda de seus atributos e características. Os títulos de crédito oferecem para o credor,

14 12 diante do inadimplemento, meios efetivos para recebimento do seu crédito administrativamente, por meio do protesto e judicialmente, por meio do processo de execução. O ordenamento jurídico pátrio já prevê a possibilidade de emissão de títulos de crédito virtuais, conforme se observa no parágrafo 3º do artigo 889 do Código Civil. A validade desses instrumentos, também, já está sendo reconhecida por nossos tribunais. Os títulos de crédito são instrumentos que servem para o comércio eletrônico, tendo esta temática, grande relevância social. É grande seu valor para o desenvolvimento do Brasil, tanto econômico como social, com a valorização da mão de obra, socialização do mercado e abertura de espaço mais competitivo para as empresas.

15 13 1 COMÉRCIO ELETRÔNICO O comércio eletrônico surge em razão dos avanços tecnológicos para atender às novas necessidades da sociedade. Esta modalidade comercial cresce e assume papel significativo em todo o mundo, visto a facilidade que oferece para comerciantes e compradores. Luca Marine comenta que: Il progresso della tecnologia e lo straordinario sviluppo Che ha caracterizzato, negli ultimi anni, il settore delle telecomunicazioni e dell informatica hanno influenzato in modo significativo ogni aspetto della vita quotidiana, modificando abitudini ed usi ormai consolidati. In particolare, il connubio tra tecnologie informatiche e telecomunicazioni (la telemática) [...] há offerto soluzioni e possibilita contemporanea, quali la semplificazione di attività, forme e procedure, la rapidità e I automatismo delle operazioni, la riduzione dei costi, I abbattimento delle distanze geografiche e la comunicazione tra um numero crescente di soggetti, solo per ricordare alcuni dei vantaggi fornit [...]. (grifo do autor) 1 Os avanços tecnológicos que permitem o surgimento do comércio eletrônico, destacados pelo autor são a evolução nas áreas da tecnologia da informação e da informática, que permitem o surgimento desta nova forma de praticar o comércio, com mais facilidade, rapidez, simplicidade, baixo custo sem a barreira geográfica. As grandes empresas, atrizes da econômica, estão cada vez mais utilizando a tecnologia da informação para suas atividades, pois se trata de ferramenta de competitividade no mercado. Os negócios que são travados pelos atores do comércio, no meio virtual, não são pessoais, mas por meio do computador. 2 Diante destas mudanças torna-se necessária a reflexão sobre a segurança e validade dos negócios estabelecidos neste novo espaço negocial. Sem esgotar a discussão sobre o assunto, será feita uma análise do comércio eletrônico nos seus aspectos históricos, com abordagem desde a época do escambo até os dias atuais. Serão apresentadas, também, as ferramentas que propiciaram o surgimento deste novo comércio, quais sejam o computador e a internet, tendo este último impactado fontes, relações negociais e economia do Brasil e do mundo. Apresentar-se-á definição de comércio eletrônico e, também, instrumentos que tornam as tratativas feitas no ambiente virtual mais seguras e juridicamente reconhecidas, formas de negociação conhecidas como, business to governement, business to business e, business to consumer. Por fim, será apresentada a tutela 1 MARINI, Luca. Il Commercio Elettronico: Profili di diritto comunitário. Milão: CEDAM, 2000, p.1. 2 Idem, ibidem, p.2.

16 14 jurídica deste comércio no Brasil e em alguns países da União Européia (UE) e do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). 1.1 DEFINIÇÃO E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO COMÉRCIO ELETRÔNICO. O comércio eletrônico surge [...] justamente em razão da exigência da natureza humana, ou seja, da necessidade do homem agilizar suas relações, por meio de meios mais rápidos e eficazes. 3 Esta modalidade comercial traz várias vantagens, tais como, rapidez na contratação, no pagamento, acesso de pessoas de diferentes lugares a produtos que pessoalmente seria inalcançáveis ou inviáveis (economicamente), queda de preços, pode ser chamada da socialização do comércio. A definição de comércio eletrônico ainda é um caminho tortuoso tendo sido enfrentado por poucos autores. Enfrentando este desafio Ricardo Lorenzetti, com muita responsabilidade, define comércio eletrônico como [...] todas as atividades que tenham por fim o intercâmbio, por meios eletrônicos, de bens físicos e bens digitais ou imateriais, gerando relações jurídicas diversas. 4 Gregores cita algumas definições de comércio eletrônico. A primeira, feita pela Federal Eletronic Commerce Acquisition Team dos Estados Unidos, em 29 de abril de 1994, que a define como sendo [...] o uso combinado e otimizado de várias tecnologias de telecomunicação disponíveis para desenvolvimento do comércio de empresa. 5. A autora traz, também, a definição feita pelo ilustre professor Fábio Ulhoa Coelho que diz que o comércio eletrônico seria [...] a venda de produtos (virtuais ou físicos) ou a prestação de serviços realizados em estabelecimento virtual (grifo do autor). 6 Ao final a autora dá seu ponto de vista sobre o assunto, colocando que para melhor compreender o comércio eletrônico deveria depreender [...] que sempre que utilizarmos um meio eletrônico capaz de transferir a vontade para criar um vínculo jurídico de aquisição de bens ou prestação de serviços, estamos diante do comércio eletrônico. 7 Para Albertin o comércio eletrônico seria: 3 GREGORES, Valéria Elias de Melo. venda eletrônica e suas implicações. São Paulo: Método, 2006, p LORENZETTI, Ricardo L.. SALGARELLI, Kelly Cristina. Direito do Consumidor no Comércio Eletrônico: Uma abordagem sobre confiança e boa-fé. São Paulo: Ícone, 2010, p GREGORES, Valéria Elias de Melo. Op. cit., p COELHO apud GREGORES, Valéria Elias de Melo. Op. cit., p GREGORES, Valéria Elias de Melo. Op. cit., p. 34.

17 15 [...] a realização de toda a cadeia de valor dos processos de negócios num ambiente eletrônico, por meio da aplicação intensa das tecnologias de comunicação e de informação, atendendo aos objetivos de negócio. Os processos podem ser realizados de forma completa ou parcial, incluindo as transações negócio-a-negócio, negócio-a-consumidor e intra organizacional, numa infra-estrutura predominantemente pública de fácil e livre acesso e baixo custo. 8 O que se destaca dos conceitos é a necessidade de estabelecimento de vínculo jurídico obrigacional que não seja feito pessoalmente (fisicamente), mas em ambiente virtual. Assim, poder-se-ia entender que o comércio eletrônico é ambiente virtual que possibilita o estabelecimento de vínculos jurídicos entre pessoas (físicas ou jurídicas). O comércio sempre foi importante para a sociedade, sendo responsável pela povoação do planeta, do processo de inter-relacionamento entre os povos e, principalmente, do desenvolvimento das nações. O ser humano, desde os primórdios, pratica o comércio, no inicio para atender suas necessidades básicas como alimentação, vestuário, lazer e moradia, posteriormente, com o intuito de acumular riquezas. Lo que ocurre es que los métodos de comerciar han sido evolucionado a ló largo de la historia, a la vez que la propia humanidad há progresado y evolucionado también. (grifo do autor) 9 De forma sistemática, podem ser destacadas duas grandes fases da evolução comercial: a primeira chamada de comércio de troca ou permuta e a segunda de comércio capitalista. O modelo econômico que tem no comércio seu ator principal é denominado capitalismo e, segundo Machado, este [...] vem definindo a história do mundo desde meados de 1400 até os nossos dias. 10 O capitalismo que, de certa forma, é o modelo econômico adotado em quase todos os países do planeta, é o grande responsável pelo avanço comercial. Surge com a queda do feudalismo, período em que as pessoas viviam em torno dos feudos, que eram, segundo Jácome, autossuficientes, haja vista que no feudo [...] os servos e seus familiares cultivavam seus próprios alimentos e fabricavam seus [...] utensílios de acordo com suas necessidades ALBERTIN, Alberto Luiz. Comércio Eletrônico: modelo, aspectos e contribuições de sua aplicação. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2004, p E-COMERCIO.US. Origen y Evolucion Histórica. Disponível em: <http://www.ecomercio.us/electronico/banca/origen-y-evolucion-historica/>. Acesso em 18 fev MACHADO, Fernando. Mercantilismo: O renascimento do comércio põe fim ao feudalismo. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/mercantilismo-o-renascimento-do-comercio-poe-fim-aofeudalismo.htm>. Acesso em 18 fev JÁCOME, Rafael. Surgimento do comércio eletrônico nas cidades. Disponível em: <http://rafaeljacome.blogspot.com.br/2010/04/o-surgimento-do-comercio-nas-cidades.html>. Acesso em 17 fev

18 16 Nesta fase, denominada de feudalismo, as pessoas produziam apenas para sua autosubsistência, ou seja, sem animus lucrandi. Em determinado momento da história as pessoas começaram a perceber que podiam negociar o excedente do que produziam, tendo, essa nova fase sido chamada de burguesia, surgindo um novo modelo econômico, em que as pessoas buscavam o lucro. Nesta fase modificou-se a forma de valorar as coisas. A explicação de Sousa: A prática comercial experimentada imprimiu uma nova lógica econômica em que o comerciante substituiu o valor de uso das mercadorias pelo seu valor de troca. Isso fez com que a economia começasse a se basear em cima de quantias que determinavam numericamente o valor de cada mercadoria. Dessa maneira, o comerciante deixou de julgar o valor das mercadorias tendo como base sua utilidade e demanda, para calcular custos e lucros a serem convertidos em uma determinada quantia monetária. 12 Assim, o valor do bem é o seu custo acrescido do lucro desejado pelo comerciante. Nesta fase, começa a surgir o capitalismo como é conhecido hoje, em que o objetivo principal do comércio é o lucro, ou seja, o acúmulo de riquezas. Komparato comenta que: A mudança radical de mentalidade correspondeu ao surgimento, como modelo global de vida, da busca do lucro máximo pelo exercício profissional de uma atividade economia. 13 O autor acrescentou ainda que o capitalismo representa o traço de maior importância no processo de transformação global da vida em nosso planeta. 14 Transformação não somente no aspecto econômico, mas, também, social e cultural. A expansão do sistema capitalista, da Europa Ocidental ao mundo todo, representou um dos movimentos mais característicos daquilo que se denominou a aceleração da História. Essa façanha, sem precedentes no longo do processo de desenvolvimento da espécie humana na face da Terra, foi, sem dúvida, o resultado do exercício de uma nova modalidade de poder: O econômico. A dominação dos ricos sobre os pobres é tão velha quanto a própria humanidade. O capitalismo soube, porém, organizá-la de modo a lhe conferir extraordinária eficácia transformadora do meio social.(grifo do autor) 15 É indubitável que o capitalismo transforma as relações das pessoas com seus pares, com a natureza e com a tecnologia, tudo isto em razão do fato de que o poder econômico 12 SOUSA, Rainer. Origem do Capitalismo. Disponível em: < Acesso em 18 fev COMPARATO, Fábio Konder. Capitalismo: civilização e poder. Estudos Avançados, p Disponível em: Acesso em 30 abr Idem, ibidem. 15 Idem, ibidem..

19 17 capitalista está intimamente ligado à capacidade de permanente acumulação e centralização do capital. Destaca-se 03(três) fases no desenvolvimento do capitalismo: A primeira chamada de capitalismo comercial, a segunda capitalismo industrial, a terceira capitalismo financeiro. A primeira, capitalismo comercial, iniciou-se com: [...] as Grandes Navegações e Expansões Marítimas Europeias, fase em a burguesia mercante começa a buscar riquezas em outras terras fora da Europa. Os comerciantes e nobreza estavam a procura de ouro, prata, especiarias e matérias-primas não encontradas em solo europeu. Estes comerciantes, financiados por reis e nobres, ao chegarem à América, por exemplo, vão começar um ciclo de exploração, cujo objetivo principal era o enriquecimento e o acúmulo de capital. Neste contexto, podemos identificar as seguintes características capitalistas: busca do lucro, uso de mão-de-obra assalariada, moeda substituindo o sistema de trocas, relações bancárias, fortalecimento do poder da burguesia e desigualdades sociais. 16 Nesta fase, ocorre a substituição do feudalismo pelo capitalismo, com o crescimento da classe burguesa e, descoberta de novas terras, diante da necessidade de encontrar riquezas. Este período é responsável pela ligação comercial entre a América, África e Europa, expandindo-se, consequemente os mercados consumidores. A segunda fase, chamada de capitalismo industrial ocorre por volta do século XVIII, tendo a Europa, neste período importantes mudanças nos seus sistemas de produção, especialmente em decorrência da Revolução Industrial que fortalece o capitalismo, a máquina foi colocada para substituir o homem, para produzir e gerar, consequentemente mais lucros. A terceira fase denominada de Capitalismo Financeiro inicia-se no século XX e perdura até os dias de hoje, sendo as grandes corporações financeiras e o mercado globalizado suas principais características desenvolvimentistas, tendo a informática relevante papel neste contexto. Pode-se dizer que este período, [...] está em pleno funcionamento até os dias de hoje. Grande parte dos lucros e do capital em circulação no mundo passa pelo sistema financeiro. A globalização permitiu as grandes corporações produzirem seus produtos em diversas partes do mundo, buscando a redução de custos. Estas empresas, dentro de uma economia de mercado, vendem estes produtos para vários países, mantendo um comércio ativo de grandes proporções. Os sistemas informatizados possibilitam a circulação e transferência de valores em tempo quase real. Apesar das indústrias e do comércio continuarem a lucrar muito 16 SUA PESQUISA.COM. Capitalismo: origens do sistema capitalista, características, lucros e trabalho assalariado, neocolonialismo. Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/capitalismo/>. Acesso em 18 fev

20 18 dentro deste sistema, podemos dizer que os sistemas bancário e financeiro são aqueles que mais lucram e acumulam capitais dentro deste contexto econômico atual. 17 Destaca-se, nesta fase, um fenômeno denominado globalização. O ser humano tem vocação para a globalização, [...] desde os primórdios, quando o homem descobriu as possibilidades do comércio, nasceu a ideia de globalização, ou seja, as trocas entre tribos e povos diferentes obtendo o que lhes faltava ou lhes era conveniente [...]. 18 Para Spich a globalização [...] pode ser definida como um conceito que expressa uma política internacional de integração tanto econômica quanto sociocultural, a despeito de predominar o viés negocial. 19 Para efetivação do processo de globalização, com alcance dos povos de diversas nações e continentes, é incontestável a influência do avanço tecnológico, tais como, avanço nos transportes aéreos, terrestres e marítimos, surgimento do computador, melhoria no processo de informação especialmente nos serviços de telefonia e internet. Neste período globalizado, contemporâneo, vive-se em um estágio em que as relações interpessoais (nacionais e internacionais), estão cada vez mais dinâmicas, especialmente após o surgimento da internet, que potencializa o processo de informação e permite que as pessoas negociem de qualquer lugar do mundo. Por exemplo, um brasileiro pode adquirir pela internet produtos da Ásia e Oceania. Esse novo mercado, oriundo da internet é chamado de comércio eletrônico ou virtual, sendo responsável por importante fatia da circulação de riqueza no mundo. O comércio eletrônico é imprescindível para esta economia globalizada em razão do seu [...] poder de integrar fornecedores, clientes e consumidores e interligar diferentes localidades, sem restrição de tempo. 20 Este processo globalizado digital da origem a uma nova economia que pode ser denominada de economia digital. 21 Esta mudança pode ser diferenciada na medida em que a [...] economia para a era da inteligência em rede é uma 17 SUA PESQUISA.COM. Capitalismo: origens do sistema capitalista, características, lucros e trabalho assalariado, neocolonialismo. Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/capitalismo/>. Acesso em 18 fev RELVAS, Marcos. Comércio Eletrônico: Aspectos contratuais da relação de consumo. 5 reimp. Curitiba: Juruá, 2012, p SPICH, R. S. citado por SOUZA, Luciano Comper. O comércio Eletrônico Global: Desenvolvimento e regulação internacional. Disponível em : <http://www.revistadir.mcampos.br/producaocientifica/artigos/lucianocomperdesouzaocomercioeletron icoglobal.pdf>. Acesso em 30 abr ALBERTIN, Alberto Luiz. Comércio Eletrônico: modelo, aspectos e contribuições de sua aplicação. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2004, p Idem, ibidem.

21 19 economia digital. Na velha economia, o fluxo de informação era físico: dinheiro, cheques, faturas, notas de embarque, relatórios, reuniões face a face, mapas, fotografias etc. (grifo do autor) 22 Ou seja, neste novo contexto econômico, para que uma empresa seja competitiva deverá dominar não somente as estratégicas tradicionais de negociação, mas, também as tecnologias da informação (comércio eletrônico, contratos eletrônicos, títulos de crédito eletrônicos, dinheiro eletrônico e o cartão de crédito). Surge em 1980, quando a NSF (US National Science Foundation) cancelou a proibição imposta às companhias de usar a internet para tráfego comercial. (grifo do autor) 23. Pode ser acrescentado ainda que [...] em 1994 criou-se a primeira floricultura a aceitar encomendas via Internet e a cadeia Pizza Hut começa a oferecer o serviço de pizza em seu website. (grifo do autor) 24 Segundo a revista Veja, o Brasil tem um crescimento no comércio eletrônico de 29% em 2012, bem como 9 (nove) milhões de pessoas compram pela primeira pela internet, tendo as vendas somado uma importância de 24,12 bilhões de reais. 25 Podem ser identificadas várias vantagens do comércio eletrônico, tais como: conexão direta entre comprador e vendedor, troca de informações digitalmente, eliminação dos limites de tempo e lugar, interatividade, atualização das informações em tempo real. O comércio eletrônico está modificando as relações de consumo de forma intensa. Nesses mercados virtuais de compra, os consumidores, para fazerem suas compras, precisam apenas apertar o botão comprar. A título de exemplificação da importância do comércio eletrônico para a sociedade, apresenta-se, alguns campos em que o mesmo está presente: serviços bancários, shopping, entretenimentos, transações de informações e, principalmente, no mercado varejista. O sítio eletrônico E-commercebrasil.org indica os 5(cinco) sites varejistas mais visitados: em primeiro lugar está a loja Americanas.com; em segundo, a loja Submarino.com; em terceiro livraria Saraiva; em quarto a Netshoes que vende artigos esportivos e, em quinto lugar, a Casas Bahia.com. Destas lojas algumas são físicas e virtuais e outras somente virtuais. 22 TAPSCOTT apud ALBERTIN, Luiz Alberto. Comércio Eletrônico: modelo, aspectos e contribuições de sua aplicação. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2004, p SALGARELLI, Kelly Cristina. Direito do Consumidor no Comércio Eletrônico: Uma abordagem sobre confiança e boa-fé. São Paulo: Ícone, 2010, p Idem, ibidem. 25 VEJA. Vendas no comércio eletrônico brasileiro crescem 29% em Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/economia/vendas-no-comercio-eletronico-brasileiro-crescem-29-em-2012>. Acesso em: 27 fev

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