LIVRO PRINCÍPIOS DE PSICOLOGIA TOPOLÓGICA KURT LEWIN. Profª: Jordana Calil Lopes de Menezes

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1 LIVRO PRINCÍPIOS DE PSICOLOGIA TOPOLÓGICA KURT LEWIN Profª: Jordana Calil Lopes de Menezes

2 PESSOA E AMBIENTE; O ESPAÇO VITAL Todo e qualquer evento psicológico depende do estado da pessoa e ao mesmo tempo do ambiente, embora a importância relativa de uma e de outro seja diferente em diferentes casos. C = f(pa) Não temos em psicologia uma palavra que inclua a pessoa (P) e o ambiente (A), por isso usaremos a expressão espaço vital psicológico para indicar a totalidade de fatos que determinam o comportamento de um indivíduo num certo momento.

3 MODOS DE REPRESENTAÇÃO DO ESPAÇO VITAL Não dispomos de um método científico para representar o espaço vital psicológico. Descrever como os diferentes fatos no ambiente de um indivíduo estão relacionados entre si e com o próprio indivíduo. Ex: Dostoyevski.

4 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A REPRESENTAÇÃO DO ESPAÇO VITAL O espaço vital como totalidade de eventos possíveis Tanto do ponto de vista teórico como do prático, as mais importantes características de uma situação consistem no que é possível e no que não é possível para a pessoa nessa situação. Cada mudança de situação psicológica de uma pessoa significa justamente isso: certos eventos são agora possíveis ( ou impossíveis) que eram previamente impossíveis (ou possíveis).

5 INVENTÁRIOS E SISTEMAS DE COMPORTAMENTO A situação deve ser considerada como o total de possibilidades. É necessário compreender por que motivo este e unicamente este comportamento ocorre. As diferentes espécies de comportamento que ocorrem numa certa situação tem de ser entendidas como pertencentes a um sistema coerente de eventos possíveis que, em sua totalidade, constituem uma expressão das características particulares dessa situação.

6 PROCEDIMENTO CONSTRUTIVO: RESUMO 1. As sínteses fundamentais que usamos para representar a situação devem consistir em conceitos de que possamos derivar, sem ambiguidade, certos eventos como possíveis, outros como não possíveis. Em vez de conceitos classificatórios, teremos de usar conceitos construtivos que tenham relações diretas com as leis. 2. Deve ser possível derivar de tal representação todas as formas de comportamento que realmente ocorrem. Esse vigor da derivação da totalidade de casos possíveis é válido não só para o comportamento da pessoa nas situação, mas também para as possíveis mudanças da pessoa ou da própria situação.

7 RESUMO 3. Uma tal derivação da totalidade das possibilidades só pode ser efetuada se partirmos do espaço vital como um todo. 4. O centro de interesse transfere-se dos objetos para os processos, dos estados para as mudanças de estado. Se o espaço vital é uma totalidade de eventos possíveis, então as coisas que participam da situação, especialmente a própria pessoa e os objetos psicológicos tem de ser caracterizadas pelas suas relações com os eventos possíveis.

8 BOA E FRACA ABSTRAÇÃO: O MÉTODO DA APROXIMAÇÃO Começar com o espaço vital como um todo ao proceder-se uma análise. A investigação e representação de cada caso singular é uma tarefa infinita em si mesma. Toda representação de um caso é uma tarefa incompleta e simplificada. Há duas maneiras de enfrentar essa dificuldade. Abstração (do singular para o geral, desprezando peculiaridades individuais)x Geral para o particular (define a estrutura do espaço vital evitando uma simplificação).

9 CONTEÚDO E EXTENSÃO DO ESPAÇO VITAL PSICOLÓGICO O que se entende por espaço vital psicológico e o que devemos tomar em consideração para representá-lo? Aparência e realidade em psicologia Devemos representar tudo o que, do ponto de vista psicológico, existe para essa pessoa. Experiência e existência psicológica O que é real é o que tem efeitos Fatos fenomenais e física

10 SITUAÇÃO VITAL E SITUAÇÃO MOMENTÂNEA O problema específico com que temos de lidar num dado caso determina se é a situação vital ou a situação momentânea que ascende mais vigorosamente ao primeiro plano. Exemplo (p. 41).

11 FATOS QUASE FÍSICO, QUASE SOCIAIS E QUASE CONCEPTUAIS DENTRO DO ESPAÇO VITAL Fatos quase físicos só devem ser incluídos na representação do espaço vital psicológico na medida e no modo como afetem o indivíduo em seu estado momentâneo. Fatos quase sociais - devem ser incluídos na representação do espaço vital psicológico na medida e no modo como afetem o indivíduo em seu estado momentâneo. Fatos quase conceptuais é a estrutura do ambiente psicológico em que o indivíduo se movimenta, em que enfrenta as dificuldades e em que executa certas tarefas.

12 INFLUÊNCIAS POR MEIO DA PERCEPÇÃO E INFLUÊNCIAS SOMÁTICAS GROSSEIRAS Os fatos quase físicos e quase sociais no espaço vital psicológico não tem porque ser, necessariamente, uma representação adequada dos fatos físicos e sociais objetivos a que se referem. Porém a estrutura desses fatos psicológicos depende em elevado grau da estrutura dos fatos físicos e sociais. Uma mudança nos fatos quase físicos do espaço vital da pessoa é, frequentemente, o resultado de uma mudança objetiva no ambiente físico.

13 INFLUÊNCIAS POR MEIO DA PERCEPÇÃO E INFLUÊNCIAS SOMÁTICAS GROSSEIRAS Podemos distinguir dois casos em que o espaço vital é influenciado de fora: 1. A influência pode ocorrer por intermédio de um processo conceitual, culminando usualmente numa modificação da estrutura cognitiva do campo, com referência ao objeto em questão. 2. A influência pode ser de natureza somática grosseira. Os processos perceptuais, assim como as influências somáticas grosseiras podem modificar, portanto, o espaço vital em todos os seus aspectos.

14 CORRELAÇÕES CAUSAIS EM PSICOLOGIA Os conceitos histórico e sistemático de causalidade Os eventos psicológicos são inferidos remontando-os à relação dinâmica em que têm sua origem. O conceito de causa (por que) está implícito nesse processo e pode ter dois significados muito distintos em psicologia. 1. Por que é que uma dada situação S (isto é, uma determinada pessoa P num determinado ambiente A) tem o evento C e não outro como resultado? A resposta é dada descobrindo a lei que rege C=f(PA) para essa situação.

15 CORRELAÇÕES CAUSAIS EM PSICOLOGIA 2. Por que é que, exatamente, uma tal situação resulta? Por que é o espaço vital num determinado caso tem essas propriedades particulares? A resposta a essa questão só é obtida mediante uma análise da história do indivíduo e do seu meio ambiente. Ambos tipos de resposta são importantes.

16 EXISTÊNCIA, RELAÇÕES TEMPORAIS E CAUSAIS Para se derivar um acontecimento do espaço vital é necessário ter em conta numerosos princípios que são importantes para pesquisa: 1. O princípio de concretividade 2. O caráter relacional dos fatos causais 3. Princípio da contemporaneidade De fato, a estrutura da pessoa e as características psicológicas do meio ambiente em cada momento e em cada ponto dependem, de um modo decisivo, da história prévia. Do ponto de vista da causação sistemática, os eventos passados não podem influenciar os eventos presentes. Os eventos passados só podem ter uma posição nos encadeamentos históricos causais, cujas interligações geram a situação presente.

17 PASSADO E FUTURO; O IRREAL E O INDETERMINADO NO ESPAÇO VITAL O objetivo, como fato psicológico, reside indubitavelmente no presente. O conteúdo do objetivo é um evento futuro. A natureza da expectativa e o caráter do que é esperado não dependem, naturalmente de o evento ter ou não lugar. A realidade psicológica de sentimentos também não depende de o conteúdo desses sentimentos existir ou não num sentido físico ou social. A existência ou inexistência e o índice temporal de um fato psicológico são independentes da existência ou inexistência e do índice temporal do fato a que seu conteúdo de refere.

18 PASSADO E FUTURO; O IRREAL E O INDETERMINADO NO ESPAÇO VITAL O conteúdo como uma propriedade O conteúdo é da maior importância para a dinâmica psicológica. As diferenças em índice temporal e em características existenciais do conteúdo implicam uma diferença qualitativa nos próprios fatos psicológicos. Como representar isso no espaço vital? O significado do passado e do futuro num espaço vital é diferente em diferentes casos.

19 PASSADO E FUTURO; O IRREAL E O INDETERMINADO NO ESPAÇO VITAL O indeterminado É uma questão sumamente importante para a representação de situações. O grau de determinabilidade ou indeterminabilidade de um objetivo, de uma expectativa, de um pensamento, é, em cada caso, um fato dinamicamente importante e que qualquer mudança no grau de determinação é um autêntico processo psicológico.

20 PASSADO E FUTURO; O IRREAL E O INDETERMINADO NO ESPAÇO VITAL O indeterminado A definição ou indefinição de uma situação desempenha um grande papel na tomada de decisões, na firmeza geral do comportamento de um indivíduo, em sua inclinação para a combatividade ou em sua aptidão para a liderança. Como representar? A indeterminabilidade dos eventos mentais é uma inderteminabilidade do conteúdo e não do fato psicológico em si mesmo.

21 O ESPAÇO VITAL PSICOLÓGICO COMO ESPAÇO NO SENTIDO DA MATEMÁTICA Exemplos de relações características do espaço vital Todas as representações do espaço vital psicológico se baseiam na concepção fundamental de uma determinada pessoa num determinado meio. Além da pessoa, existe em esse espaço vital um grande número de outros fatos quase sociais, quase físicos e quase conceituais. Esses fatos tem uma certa relação espacial definida.

22 O ESPAÇO VITAL PSICOLÓGICO COMO ESPAÇO NO SENTIDO DA MATEMÁTICA Exemplos de relações características do espaço vital O espaço vital está articulado em regiões que são qualitativamente diferentes entre si e estão separadas por fronteiras mais ou menos acessíveis. Só é possível determinar uma região se nos referirmos a processos psicológicos específicos. Exemplos: criança na banheira, presidiário, criança com muitos e poucos tabus...

23 CRIANÇA COM MUITOS TABUS

24 CRIANÇA COM POUCOS TABUS

25 O ESPAÇO VITAL PSICOLÓGICO COMO ESPAÇO NO SENTIDO DA MATEMÁTICA Espaço de livre movimento Nas crianças Em classes sociais diferentes Locomoção - corporal e psicológica. Criança com mãe Jovem e universidade Social Conceitual Força Regiões dentro da pessoa

26 CONCEITOS Fatores básicos do meio: A estrutura cognitiva do meio (posição das regiões) As valências As forças Fatores básicos da pessoa A estrutura da pessoa (região intrapessoal e perceptomotora). A tensão

27 CONCEITOS Força se refere aos fatos dinâmicos considerados como causas do comportamento. Propriedades da força: direção, intensidade e ponto de aplicação. Tipos: impulsoras e frenadoras. Correspondentes a necessidades: indivíduo, induzidas e impessoais. Valência é a propriedade que uma região possui de atrair ou repelir o indivíduo. Uma valência não é uma força. A força correspondente a uma valência aumenta ou diminui de acordo com a mudança na intensidade da necessidade, mas também depende da distância da pessoa da meta.

28 CONCEITOS Barreira é uma fronteira ou zona de fronteira que oferece resistência à locomoção. Conflito é uma situação caracterizada pela oposição de forças de igual intensidade. Tipos: 1. Duas valências positivas 2. Uma valência positiva e uma negativa. 3. Duas valências negativas. Tensão - se refere ao estado de um sistema, ou seja, uma região considerada em relação ao seu estado de tensão. A toda necessidade corresponde um sistema de tensão da região interna da pessoa. Quando essa necessidade é satisfeita, diminui o estado de tensão.

29 CONCEITOS As forças psicológicas não afetam diretamente o sistema motor da pessoa, mas sim as regiões intrapessoais. As forças psicológicas não exercem, portanto, sobre a pessoa uma ação mecânica, mas atuam através da motivação.

30 O ESPAÇO VITAL PSICOLÓGICO COMO ESPAÇO NO SENTIDO DA MATEMÁTICA Resumo A representação do espaço vital tem que indicar a posição das pessoas e objetos em certas regiões; tem de levar em conta as locomoções de natureza quase física, quase social e quase conceitual; as relações de vizinhança das regiões; as fronteiras; as aproximações e afastamentos; a expansão e contração; e finalmente os movimentos e forças em certas direções.

31 O CONCEITO MATEMÁTICO DE ESPAÇO Não está limitado ao espaço físico. Espaço topológico espaços não métricos Conexidade Tratar a psicologia matematicamente e não fisicamente.

32 OBRIGADA

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