O SETOR DE FACÇÕES E O BAIXO NÍVEL DE EMPREENDEDORISMO EM ACARAPE (CE)

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1 O SETOR DE FACÇÕES E O BAIXO NÍVEL DE EMPREENDEDORISMO EM ACARAPE (CE) Maria de Jesus Monteiro de Oliveira 1, Salomão Moreira Focna 2 Resumo: Este trabalho tem como objetivo apresentar os resultados da pesquisa realizada em Acarape-Ce, no setor de facções, onde foi feito um levantamento sobre os faccionistas microempreendedores de Acarape e sua situação socioeconômica, os motivos destes permanecerem reproduzindo os conhecimentos adquiridos no período da implantação das cooperativas de Acarape e o sistema de produção terceirizado, onde a exploração da mão-deobra permanece, e o empreendedorismo real não acontece. Analisar as políticas públicas municipais e estaduais que não apoiam e nem dão visibilidade a uma classe que ajuda a manter a economia do município mesmo nos períodos de crise, apesar de existir a lei 467/2013 que institui o Estatuto do Microempreendedor Individual,(M.E.I.) da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte no Município de Acarape, onde consta como responsabilidade da administração pública municipal, a criação e o funcionamento da sala do empreendedor, espaço para suporte aos M.E.I. que queiram se formalizar para terem acesso aos direitos do trabalhador, as linhas de credito para investirem nos seus negócios e poderem realmente empreender e esclarecimento de dúvidas relativas a atividade exercida. Esta sala funcionou dentro da secretaria de Educação por alguns meses e depois foi fechada, deixando os microempreendedores sem apoio. Apresentando dados concretos para os órgãos que podem de alguma forma ajudar a manter em funcionamento este setor, pode vir a melhorar o setor e o nível de empreendedorismo em Acarape. Palavras-chave: empreendedorismo. Faccionistas. Acarape. 1 Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Instituto de humanidades e letras, bolsista PIBIC/UNILAB, 2 Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Instituto de humanidades e letras, bolsista voluntário PIBIC/UNILAB,

2 INTRODUÇÃO Este trabalho tem como objetivo apresentar o resultado final da pesquisa realizada em acarape (Ce) com os faccionista, e expor fatores apontados por pessoas que sobrevivem do setor de facções de Acarape mesmo sem incentivos ou a aplicação da lei Orgânica Municipal 46/2013 que dispõe do Estatuto do Microempreendedor Individual, da Microempresa de pequeno porte que determina como função do Governo Municipal criar e colocar em funcionamento [ ] a sala do Empreendedor. Esta sala teria como objetivo auxiliar os faccionistas para legalização de sua atividade e ajudá-los a promover a reestruturação, pois como Araújo e Amorim (2001, p.270) apontam, A indústria de confecção, por ser um ramo industrial baseado no uso intensivo de mão-de-obra, cujo a produção se desenvolveu com poucas inovações técnicas, limitadas a máquina de costura industrial e ao trabalho manual, caracterizou-se desde seus primórdios pelo uso continuo de diversas formas de trabalho subcontratado, principalmente do trabalho á domicilio. O intenso processo de reestruturação pelo qual vem passando este setor nas duas últimas décadas tem levado[...] a explosiva expansão da produção em pequena escala, das micro empresas e do trabalho a domicilio. Apresentaremos também o perfil formado através dos questionários aplicado aos faccionistas de Acarape e as dificuldades enfrentadas por eles no período 2014/15 devido à crise econômica que fez com que grupos fechassem e muitos faccionistas mudassem de atividade ou reduzissem seus grupos em um setor responsável por boa parte da geração de emprego e renda no município. METODOLOGIA A metodologia consistiu na análise de diferentes fontes e métodos como: a elaboração e aplicação de um questionário socioeconômico junto aos faccionistas, no período de dezembro de 2015 a julho de 2016, visitando seu local de trabalho e observando como trabalham e interagem com outros faccionistas. Isso nos permitiu observar as trocas de experiências e materiais que possibilitam a redução de custos de produção. Além disto, podemos avaliar as relações sociais no ambiente de trabalho entre os faccionistas. Pesquisamos também sobre empreendedorismo e inovação no site do Sebrae e os direitos e deveres do M.E.I. faccionistas de Acarape. Analisamos os cursos e outros meios que os ajudariam a aumentar seus conhecimentos sobre métodos produtivos e de gestão, o que contribuiria para que seu desempenho melhorasse. Pesquisamos em documentos oficiais da prefeitura municipal de Acarape e câmara municipal sobre leis que poderiam apoiar os microempreendedores municipais. Assim, foi utilizada tanto uma metodologia quantitativa, como a qualitativa, pois ambas são necessárias para a realização de levantamento de dados para a análise da realidade

3 empírica dos entrevistados, como afirma Godoy, (1995, p.62), levando-se em consideração as necessidades relacionadas para servir de indicadores de desenvolvimento para políticas públicas voltadas para o setor de facções em Acarape. RESULTADOS E DISCUSSÃO A aplicação do questionário sócio econômico foi realizada sem a identificação nominal do entrevistado, já que na primeira tentativa de aplicação, onde havia a identificação, informações importantes foram ocultadas por receio dos entrevistados que trabalham na informalidade de que seus dados pudessem ser acessados por órgãos fiscalizadores, o que poderiam trazer consequências para eles. Identificamos que muitos dos faccionistas, não constam como empreendedores, o que de fato ocorre por pertencerem a um setor onde inovação, fator que destaca a atividade empreendedora não ser facilmente aplicável. Como se criar sem recursos? Como as facções podem sobreviver em uma região com tão poucos recursos e sem suporte governamental, principalmente em período de crise e no setor que mais foi afetado em 2015 no município? Confecções em Acarape foram fechadas, grupos foram reduzidos, e uma das reclamações dos faccionistas, é que o preço da peça para fabricação, apesar do salário e o custo de vida se elevar, permanece o mesmo, ou é reduzido, como aconteceu nos anos de 2014/15. As grandes empresas fecham seus grupos, reduzem seus custos com encargos fiscais e trabalhistas e subcontratam facções por preços abaixo do mercado, aproveitando-se da atual situação, pois muitas estão sem peças para trabalhar. Entrevistamos aproximadamente 60 faccionistas, pois alguns se recusaram a fazer parte desta pesquisa, a outros não tivemos acesso pois ou não encontramos em seu local de trabalho, ou não conseguimos identificar. Temos entre os colaboradores, as microempresas individuais, microempresas e empresas de pequeno porte que atuam em Acarape e que movimentam mais de um milhão de reais mensais e geram mais de 600 empregos entre formais e informais, demostrando que apesar de existir um baixo nível de empreendedorismo, o setor contribui para que o município se mantenha estável, sobrevivendo em períodos de crise, como tem acontecido nos últimos anos, quando a terceirização tem reduzido os empregos formais e aumentado a luta pela sobrevivência em um setor sem incentivos, sem visibilidade e contando com pessoas que tem boa vontade, mas falta capital e políticas que facilitem o acesso real ao pequeno, seja faccionista ou de outra área, pois eles com algumas iniciativas do setor público poderiam inovar e empreender. Alguns faccionistas já tentaram criar sua marca, confeccionar para si, mas por falta de capital, pois o custo com tecido, modelagem, corte, lavanderia, acabamento e distribuição para revenda requer um investimento que está além do poder aquisitivo destes faccionistas e no material que fica no estoque, o lucro que ele teria fica parado. Mesmo quem conseguiu criar sua marca ou trabalhar com o sistema private label (P. L.), onde o faccionista toma para si a responsabilidade de desenvolver a peça, modelar, cortar, costurar, lavar, fazer o acabamento (colocar botão, rebites

4 e etiqueta do cliente, o dono da marca), requer um investimento que a maioria dos faccionistas não possui. Alguns tem conhecimento sobre as políticas de empréstimo aos pequenos produtores, mas a burocracia, faz com que muitos dos pedidos sejam negados por falta de documentação. O tipo de apoio de mais fácil acesso é o crediamigo, do BANCO DO NORDESTE, que faz parte do Crescer - Programa Nacional de Microcrédito do Governo Federal. Durante o período da coleta de informações com os faccionistas, houve uma transformação muito grande no setor, grupos que trabalhavam com 35 pessoas foram reduzidos para 12. Outros com 96 passaram a contar com 77, grupos com mais de 10 costureiros foram fechados por falta de abastecimento e pessoas que ficaram desempregadas passaram a trabalhar em casa com a família formando outros grupos de faccionistas que, com a reabertura de vagas em empresas deverão retornar para o mercado formal. Uma das observações dos faccionistas é a falta de apoio governamental, apesar de existir em Acarape o estatuto do microempreendedor individual, desde dia 27 de agosto de 2013, aprovado na sansão de lei de N 467/2013 que institui microempresa de pequeno porte do município. O estatuto mostra que a prefeitura se compromete unificar processo de registro e de legalização dos empresários e pessoas jurídicas, e criação de um banco de dados com informações e orientações, e colocar instrumentos à disposição dos usuários preferencialmente via rede mundial de computação. O que não conseguimos identificar durante nossos estudos, pois dos poucos documentos que encontramos sobre as facções, encontravam-se armazenadas dentro de caixas na secretaria de educação em uma espécie de deposito. Por ser um mercado que necessita somente da máquina de costura industrial e do trabalho manual, a terceirização e o trabalho domiciliar são facilmente aplicáveis (Araújo e Amorim, 2001), pois na indústria de confecção as várias etapas do processo produtivo podem ser separadas e executadas em locais diferentes, como acontece nas facções de Acarape. Grupos podem ser constituídos por duas pessoas que produzem somente a parte dianteira (frente) da peça, outro pode pranchar (engomar para pregar) o bolso traseiro, outro pode preparar o traseiro da peça (pala e gancho), são pessoas que procuram conciliar o trabalho e a família, acompanhar o crescimento dos filhos, cuidar da casa, uma rotina que o trabalho formal não permite, se há pouca inovação nos meios de trabalho, ela está presente nas formas que este tem adquirido no município. CONCLUSÕES De acordo a pesquisa realizada podemos identificar que a falta de recurso financeiro dos faccionistas, é um dos principais fatores que contribuem para que o empreendedorismo e a inovação não aconteça no município, mas que também a falta de apoio aos faccionista por parte do poder público, governo municipal que não dão apoio e visibilidade ao setor como consta na lei de N 467/2013, tem contribuído com a desvalorização do setor de facções de Acarape e que

5 com a união entre os faccionistas e a aplicação da lei 467/2013 poderia vir a melhorar o nível de empreendedorismo e a inovação, com apoio poderá acontecer. AGRADECIMENTOS Agradecemos a todos os faccionistas que colaboraram para que este trabalho tivesse êxito, que dedicaram um pouco do seu tempo para nos atander e nos deram sua atenção, ao nosso orientador professor Dr. José Weyne de Freitas Sousa por sua contribuição na pesquisa, e ao PIBIC/UNILAB por nos ter proporcionado a possibilidade de trabalhar junto com a comunidade local meios de contribuir para o seu desenvolvimento. REFERÊNCIAS ARAÚJO, Angela Maria Carneiro. AMORIM, Elaine Regina Aguiar. Redes de subcontratação e trabalho a domicilio na indústria de confecção: um estudo na região de Campinas.2011 Disponível em: acesso em: 22/07/2014 GODOY, Arlida Schmidt. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. Revista de administração de empresas, v. 35, n. 2, p , LEI MUNICIPAL. Acarape, lei 467/2013 de 02 de setembro de MOREIRA, Maria Vilma Coelho. A Inserção da Mão-de-Obra Feminina na Indústria de Confecção no Ceará: o Caso das Cooperativas de Confecções do Maciço de Baturité.1997 Portal do Empreendedor, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comercio Exterior. Disponível em: < >. Acesso em 6 de julho de Credamigo, Banco do Nordeste. Disponível em: < >. Acesso em 04 de agosto de SILVA, Clébia Mardônia Freitas. Educação, Microcrédito e Pobreza no Brasil: O caráter educativo do microcrédito produtivo orientado nas experiências de bancos comunitários do Ceará. Fortaleza: Banco do Nordeste do Brasil,2013.

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