Jornal do CRMMG Nº 48. Chapa1 é eleita para gestão Páginas 08, 09 e 10. Médicos mineiros unem-se para protestar contra Governo Federal

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1 Jornal do CRMMG INFORMATIVO DO CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE MINAS GERAIS Nº 48 Médicos mineiros unem-se para protestar contra Governo Federal Páginas 04 e 05 Chapa1 é eleita para gestão Páginas 08, 09 e 10 Agosto de 2013 Jornal do CRMMG 1

2 Jornal do CRMMG Expediente Jornal do Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais Av. Afonso Pena, º andar Cep /MG Presidente: João Batista Gomes Soares 1º Vice-presidente: Hermann Alexandre V. von Tiesenhausen 2º Vice-presidente: Geraldo Caldeira 3º Vice-presidente: José Carvalhido Gaspar 1º Secretário: José Luiz Fonseca Brandão 2º Secretário: José Nalon de Queiroz 3º Secretário: Alberto Gigante Quadros Tesoureiro: José Afonso Soares 1º Vice-tesoureiro: Nilson Albuquerque Júnior 2º Vice-tesoureiro: José Tasca Corregedor: Alexandre de Menezes Rodrigues Vice-corregedores: Ricardo Hernane L. G. de Oliveira e Cibele Alves de Carvalho Conselheiros Ajax Pinto Ferreira, Alberto Gigante Quadros, Alcino Lázaro da Silva, Alexandre de Menezes Rodrigues, André Lorenzon de Oliveira, Antônio Carlos Russo, Antônio Dircio Silveira, Carlos Alberto Benfatti, César Henrique Bastos Khoury, Cibele Alves de Carvalho, Cícero de Lima Rena, Cláudio de Souza, Cláudia Navarro C.D. Lemos, Delano Carlos Carneiro, Eurípedes José da Silva, Fábio Augusto de Castro Guerra, Geraldo Borges Júnior, Geraldo Caldeira, Hermann Alexandre V. von Tiesenhausen, Itagiba de Castro Filho, Ivana Raimunda de Menezes Melo, Jairo Antônio Silvério, João Batista Gomes Soares, José Afonso Soares, José Carvalhido Gaspar, José Luiz Fonseca Brandão, José Nalon de Queiroz, José Tasca, Luiz Henrique de Souza Pinto, Manuel Maurício Gonçalves, Márcio Abreu Lima Rezende, Mário Benedito Costa Magalhães, Melicégenes Ribeiro Ambrósio, Nelson Hely Mikael Barsam, Nilson Albuquerque Júnior, Paulo Mauricio Buso Gomes, Renato Assunção Rodrigues da Silva Maciel, Ricardo Hernane Lacerda G. de Oliveira, Ricardo do Nascimento Rodrigues, Roberto Paolinelli de Castro, Vera Helena Cerávolo de Oliveira. Departamento de Comunicação Antônio Dírcio Silveira Cláudia Navarro C. D. Lemos - Diretora Geraldo Borges Júnior Hermann Alexandre V. von Tiesenhausen Vera Helena Cerávolo de Oliveira Programação visual Fazenda Comunicação & Marketing Tiragem exemplares Impressão Lastro Editora Jornalista Responsável Marina Abelha - MG JP Redação Marina Abelha Nívia Rodrigues - MG JP Raissa Pedrosa estagiária de Jornalismo Fotos da capa Hugo Cordeiro Raíssa Xavier Politicagem na medicina Cartas Eleições Parabéns, membros da Chapa 01, a consciência dos colegas não deixou que a escolha fosse influenciada pelos interesses alheios aos do Conselho. Desejo-lhes uma boa gestão. Delzio Salgado Bicalho - CRMMG Elogio Venho por este canal elogiar e agradecer o excelente atendimento dispensado ao meu filho, Yuri Machado Teixeira, no HPS João XIII, pelo médico (oftalmologista) Hugo Brito de Carvalho, CRMMG 43923, que assistiu diretamente àquele, bem como indiretamente a mim, através de seu profissionalismo, dedicação, carisma, entre outros tantos atributos perceptíveis e incomensuráveis, capazes de motivar a minha imensa gratidão. Muito obrigado! Cosme Teixeira O Brasil continua sendo o país dos grandes contrastes: vice-campeão mundial em número de escolas de medicina tem, atualmente, 400 mil médicos. Esse número pode chegar a 500 mil em 2020, pois formamos 17 mil médicos/ano e o governo pretende formar 20 mil em Preocupado com a falta de médicos em regiões longínquas e pequenos municípios, o governo criou programas para responder ao anseio da população em relação à atual e assustadora situação da saúde. Recentemente, criou o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab). A baixa adesão demonstrou que o programa não deu certo e a culpa recaiu sobre os médicos brasileiros. Depois, foi instituído um novo programa - Mais Médicos, que também não resolveu o problema. A solução apresentada pelo Governo Federal foi importar 4 mil médicos estrangeiros. A justificativa seria que o Brasil tem poucos médicos ou a qualificação do médico brasileiro não é suficiente? Nos últimos 10 anos foram abertas 70 escolas médicas no Brasil. Uma das ponderações das entidades de classe é que o número de faculdades de medicina públicas é cada vez menor em relação às privadas. Há concentração de médicos nos grandes centros? Claro, mas é aqui que tudo se concentra. Há concurso público para controlar médicos? Não. Há plano de cargos e salários para os médicos? A resposta é não. Há condições de trabalho? Novamente, a resposta é não. O Sistema Único de Saúde (SUS) tem recursos para contratar profissionais? Também não. Todas as propostas visavam um único caminho: importar médicos de Cuba. Por que cubanos? Os governos já tinham esse acordo, que foi feito visando este objetivo final. Mas e a população? E o médico brasileiro? E a legislação pátria? Os Conselhos de medicina, legítimos representantes dos Editorial João Batista Gomes Soares Presidente do CRMMG, Agosto de 2013 médicos, têm que se posicionar e os pacientes atendidos por esses cidadãos não terão com quem reclamar. Médicos ilegais, mal formados, não podem exercer a profissão no Brasil sempre respeitar as Leis. Nossa proposta é que não participem desta farsa. Vamos à justiça. Vamos denunciar para a população e não vamos dar cobertura a atos praticados dentro desta farsa. Eles não podem assinar atestado de óbito, e aí? Sepultar sem o atestado de óbito? Como se não bastasse tudo isso, a presidente, que é atendida em hospital de ponta, veta trechos do Ato Médico e ainda consegue apoio de nossos políticos. Profissionais não médicos podem receitar, diagnosticar e tratar? Quem assume as consequências? Temos certeza que não será o médico. Isto é uma guerra suja contra a Medicina brasileira, misturando política e ideologia. Parafraseando as mensagens dos médicos manifestantes nas recentes passeatas em todo o Brasil contra os atos do Governo Federal: Dilma, vá tratar no SUS. Padilha, você é médico? Apoio 1 Sou médico do Rio de Janeiro, CRM , e quero expressar minha simpatia pelas declarações do colega João Batista G Soares. Digamos um NÃO inegociável às invasões bárbaras. Um abraço. Tomaz Brito Rio de Janeiro Apoio 2 Tomei conhecimento de decisão de nosso presidente deste CRM em relação à contratação de médicos cubanos que possam vir a trabalhar em nosso estado. Parabéns pela posição assumida pelo CRMMG. Não acredito que a ditadura ainda possa existir em nosso País que é muito bom, mas infelizmente tem sido dirigido por algumas pessoas de caráter questionável. Ivaldo Alves de Rezende CRMMG Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, a opinião do CRMMG. 2 Jornal do CRMMG Agosto de 2013

3 Informe-se Médicos se mobilizam contra ações do Governo Federal Lúcio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados No mês de setembro, o CRMMG já estará funcionando em nova sede: rua Timbiras, 1200, bairro Funcionários, em, próximo à praça da Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem. Outras informações podem ser obtidas no site do Conselho: O Plenário do Senado aprovou, em 7 de agosto, Proposta de Emenda à Constituição 122/2011, que permite a profissionais de saúde das Forças Armadas acumular outro cargo público, no âmbito civil. O objetivo é conter a escalada de desligamentos de médicos militares, possibilitando um aumento na remuneração, sem prejuízo das funções nas Forças que integram. A Lei Estadual nº /2013, que acaba de ser publicada, obriga unidades de saúde a avisar órgãos de segurança pública do atendimento de pessoa ferida com armas, seja de fogo, químicas ou biológicas, instrumentos cortantes ou perfurantes, que possam ter sido usados para causar morte ou lesão corporal. A Secretaria de Estado da Saúde convoca os médicos para barrar a disseminação do vírus influenza no território mineiro. No site br/gripe é possível acessar o protocolo que busca orientar os serviços de vigilância epidemiológica e unidades assistenciais em relação aos casos de Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave, com ênfase em influenza. Conheça o site e informe-se. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) vai pedir a anulação da sabatina no Senado que aprovou o advogado Elano Rodrigues Figueiredo para o cargo de diretor da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Elano omitiu, em seu currículo, que foi diretor jurídico do Grupo Hapvida, empresa que atua no Nordeste vendendo planos para classes C e D e que esteve na lista das dez operadoras que mais negaram coberturas aos consumidores entre 2010 e A mobilização da classe médica não para. Médicos de Minas Gerais juntaram-se aos profissionais que foram a Brasília, no dia 8 de agosto, participar do ato público na Câmara dos Deputados e da edição extraordinária do Encontro Nacional das Entidades Médicas (Enem), realizado na Associação Médica Brasileira (AMB). O objetivo foi discutir a pauta de reivindicações da classe médica contra as medidas adotadas pelo Governo Federal: vetos à Lei do Ato Médico e a Medida Provisória 621/13, que instituiu o Programa Mais Médicos. O auditório da Câmara foi tomado por médicos de todo o país, que atenderam ao chamado das entidades nacionais da classe (foto). As lideranças, os médicos e os estudantes de Medicina apresentaram os motivos pelos quais se declaram contrários às medidas anunciadas. Compareceram também ao ato público 12 deputados federais e dois senadores. Após o ato, seguiram, em passeata, da Câmara até o Palácio do Planalto. Enem Nos dois dias seguintes, 9 e 10, a edição extraordinária do Auditório da Câmara ficou lotado durante o ato público organizado pelas entidades médicas Enem foi dedicada totalmente a discutir as implicações das medidas adotadas pelo governo federal e as estratégias de ação. Cerca de 300 lideranças médicas de todo o País discutiram sugestões de ações, como a elaboração de material informativo sobre o chamado diagnóstico nosológico, para esclarecer parlamentares, população e outros profissionais. Ao final do encontro, os médicos alertaram para a incerteza do futuro, diante das medidas adotadas, e produziram um manifesto apontando encaminhamentos ao governo e à sociedade: Ao Governo Federal - Exigimos o respeito à Constituição de Repudiamos a criação de grupos de cidadãos e de profissionais de primeira e de segunda categoria, ignorando-se o princípio da equidade e os direitos humanos e individuais de acesso à assistência de qualidade; - Lembramos aos gestores dos riscos por eles assumidos ao propor que médicos - formados em outros países, sem a devida comprovação de competência nos moldes do Revalida e sem domínio da língua portuguesa (mensurado pelo CELPE/Bras) - atendam a população; - Cobramos dos gestores a oferta de condições de trabalho e de atendimento, que permitam o exercício da medicina; o aumento dos investimentos em saúde (mínimo de 10% da receita corrente do país), e a qualificação da gestão e do sistema formador de ensino; - Queremos a contratação de profissionais médicos, formados no Brasil ou no exterior, aprovados pelo Revalida, por meio de concurso público nacional, com seus direitos trabalhistas garantidos. À Sociedade - Na condição de médicos e também de pacientes, expressamos nossa solidariedade aos cidadãos que sofrem com problemas da assistência no país. Reafirmamos que o enfrentamento dessas dificuldades não deve ser resumido à presença ou não do médico nas unidades de atendimento. Cabe aos cidadãos reagir aos pontos previstos na MP 621/2013 que, de forma alguma, assegurarão os serviços de qualidade que foram exigidos nas recentes manifestações nas ruas. - Propomos ainda a defesa da criação da carreira de estado para o médico, ponto essencial à interiorização permanente da assistência em saúde, com a fixação do profissional e a melhoria das infraestruturais de atendimento em áreas remotas. Agosto de 2013 Jornal do CRMMG 3

4 também diz não aos atos do Governo O mês de julho foi marcado pelo posicionamento firme e indignado da classe médica em Minas Gerais e, principalmente, em. Orgulhamo-nos de ver a classe médica unida, ressalta o presidente do CRMMG, João Batista Gomes Soares. Três importantes manifestações aconteceram com grande adesão dos médicos que, externaram, cada um a sua forma, o posicionamento contrário ao adotado pelo Governo Federal. Durante a manifestação dos médicos no dia 31, a médica Trícia Simões Lima reproduziu um mural de fotos, já feito em outras manifestações pelo país, retratando as mazelas da saúde no Brasil. O objetivo foi trazer para a população o que acontece no cotidiano da nossa profissão, pois as pessoas, muitas vezes, não têm noção clara das dificuldades enfrentadas. A médica, que atua no Hospital João XXIII, explica que se sente privilegiada por trabalhar em uma instituição que é referência, mas que não está totalmente livre das dificuldades enfrentadas em outras instituições de saúde. O médico sofre duas vezes: primeiro, por vivenciar o que acontece no sistema e, segundo, pelo governo, que joga a culpa da tragédia Hugo Cordeiro nas costas dos médicos, relata. Na mesma data, o conselheiro do CRMMG e do CFM, Hermann Alexandre, idealizou o enterro do SUS. O caixão integrou o cortejo dos médicos do Conselho até a sede da Associação Médica. Quisemos mostrar que o governo abandonou o SUS à própria sorte, não só pelo Programa Mais Médicos e pelos vetos ao Ato Médico. Nas manifestações do governo, vê-se, claramente, a falta de interesse pela carreira de Estado. O que seria o balizador do sistema foi deixado de lado e só se fixa o médico por meio de uma carreira de Estado, como acontece em outras profissões, adverte. O conselheiro lembra que o último concurso para médico federal foi em 1976 e que, na política atual do SUS, o governo joga, compulsoriamente, a população no colo dos planos de saúde. Protestos No dia 3 de julho, cerca de 2 mil médicos concentraram-se em frente à sede do CRMMG, em, para protestar contra a vinda de médicos estrangeiros sem a devida revalidação do diploma. Os médicos caminharam nos principais pontos do Centro da cidade, entre eles a área hospitalar, e depois seguiram para a Associação Médica, onde foi realizada a assembleia que resultou, entre outras deliberações, na Carta de Minas. O documento, encaminhado à presidente Dilma Rousseff, trouxe as insatisfações e os anseios da classe médica. Nós, médicos de Minas Gerais, assim como a população mineira e de todo o país, necessitamos e exigimos unidades de saúde com condições dignas para o atendimento, adequado exercício profissional, além de profissionais legalmente qualificados para cuidar de um bem maior que é a saúde, afirmava o documento. Já em 23 de julho, os médicos foram convocados a aderir à paralisação nacional contra as ações do Governo Federal. Em, 250 médicos participaram também do ato público em frente à Faculdade de Medicina na UFMG, com ampla cobertura da imprensa. Nos dias 30 e 31 de julho, foi realizada nova suspensão do atendimento e, no dia 31, os médicos se concentraram em, novamente, na porta do CRMMG. Mais Médicos Vetos ao Ato Médico O que pensam os médicos Saúde é coisa séria. Medicina tem que ser de qualidade. Médico tem que ter formação acadêmica, qualificação profissional e probidade laborativa. Cantídio Cotta de Figueiredo CRMMG 3920 Coronel Fabriciano Sugiro que seja realizada uma petição com assinatura eletrônica, com as decisões e reivindicações geradas nesta assembleia, para poder conseguir o maior número de assinaturas possíveis para enviar para o governo. Iris Elena Foscolo Gomes CRMMG Tenho a impressão que este Governo elegeu um bode expiatório para retirar o foco dos reais problemas. Infelizmente, o alvo de perseguição somos nós, os médicos. Acredito que o Dr. Alexandre Padilha deveria receber censura pública do CRM pelos seus atos. E também mandado de segurança pelas péssimas condições de trabalho dos hospitais e médicos brasileiros que prestam serviços ao SUS. É um verdadeiro genocídio silencioso. O veto presidencial a vários itens do Ato Médico apenas demonstra despreparo. Eli Nogueira da Silva CRMMG Caratinga Apoio o movimento para acabar com esta ditadura sobre a nossa classe. Cristiane Reis Leonardo CRMMG O desrespeito à nossa categoria chegou ao extremo. Sou um profissional com 32 anos de formado. Os salários no Estado e nas Prefeituras são vergonhosos. A Justiça nos obriga a ser peritos gratuitos por sermos funcionários públicos e quando pedem para expressar nossos honorários por alguma perícia, somos arbitrados a fazer pelo valor estipulado pela Justiça. O médico perdeu sua identidade há muito tempo. O que será de nossos colegas que estão formando agora? Serão os novos peões médicos. Otávio Gouvêa Ferreira CRMMG Muriaé Precisamos nos mobilizar de uma forma mais pró-ativa. Não podemos deixar que nos coloquem como bode expiatório da má gestão da saúde pública. O mural da médica Trícia e o enterro do SUS: formas diferentes de se ilustrar o mesmo problema Renata Sarcinelli Fabri CRMMG Jornal do CRMMG Agosto de 2013

5 Mobilização atingiu todo o Estado Veja o que aconteceu em algumas cidades Mais Médicos Vetos ao Ato Médico Alfenas Residentes de anestesiologia, neurocirurgia, cirurgia e radiologia de Alfenas (Sul de Minas) percorreram as ruas da cidade manifestando contra as medidas do Governo em 3 de julho. A Delegacia Regional do CRMMG de Alfenas, por meio da delegada e conselheira Vera Cerávolo de Oliveira, e a Associação Médica local apoiaram o movimento por meio de faixas afixadas na porta do CRMMG e no centro da cidade. Paula Caroline Dal Secco Silva Conselheiro Lafaiete Médicos de Conselheiro Lafaiete (Sul de Minas) reuniram-se no dia 23 de julho, em frente à regional do CRMMG, em apoio à manifestação da classe em nível nacional contra últimas ações do Governo Federal. Como desdobramento das reuniões e paralisações de atendimento, o delegado e conselheiro Nilson Albuquerque Júnior e as entidades médicas locais realizaram uma reunião na Câmara de Vereadores, no dia 6 de agosto, para tratar sobre assuntos de interesse da classe médica. Divulgação Montes Claros Em Montes Claros (Norte de Minas), no dia 23 de julho, foi realizada uma mobilização com a presença de aproximadamente 200 pessoas, entre médicos e estudantes de medicina, além do delegado regional do CRMMG, cons. Itagiba de Castro Filho; o presidente do Sindicato dos Médicos de Montes Claros e Norte de Minas, Carlos Eduardo Pereira Queiroz; e o presidente da Associação Médica do Norte de Minas, Lineu Henriques Camargos Júnior. A concentração foi em frente à Delegacia do CRMMG, com passeata até a Praça da Santa Casa. Os médicos deram um abraço simbólico no pronto-socorro, como forma de denunciar a falta de leitos hospitalares e UTI, entre outros problemas. Juiz de Fora Em Juiz de Fora (Zona da Mata), em 30 de julho, os médicos concentraram em frente à Câmara Municipal, com a presença de profissionais, residentes e estudantes. Durante o protesto, liderado pela Delegacia Regional do CRMMG, pela Associação dos Honofre Souza Médicos de JF, pelo Sindicato dos Médicos e pela Associação dos Médicos Residentes do HU/UFJF, houve apitaço e palavras de ordem. Segundo o delegado e conselheiro José Nalon, os protestos também foram motivados pela precariedade do SUS em Juiz de Fora, sobretudo no Hospital de Pronto Socorro. Ubá Lideranças médicas de Ubá (Zona da Mata) realizaram, na Associação dos Médicos de Ubá e Região (Amur), em 3 de julho, uma reunião para discussão de temas importantes para a Rosângela Dias de Oliveira Occhi Medicina atual, como Ato Médico, contratação de médicos estrangeiros, carga horária, vínculos públicos e interferência do Ministério Público na atuação médica. Todos os médicos da cidade foram convocados a participar. Governador Valadares Médicos de Governador Valadares (Macrorregião do Rio Doce), atendendo ao chamado das entidades médicas nacionais e regionais, participaram das manifestações propostas e levaram às ruas o seu descontentamento com os rumos da saúde no Brasil. Cerca de 120 médicos participaram da manifestação do dia 3 de julho entre eles o delegado e conselheiro Márcio Abreu Lima Resende. A concentração aconteceu em frente ao prédio da delegacia do CRMMG. Os médicos saíram em passeata no centro da cidade, indo até a sede da Prefeitura Municipal. Eles também realizaram mobilizações nos dias 23 e 31 de julho. Passos Os veículos de imprensa de Passos (Sul de Minas) repercutiram os movimentos de mobilização dos médicos. O delegado regional do CRMMG, cons. Eurípedes José da Silva, concedeu entrevistas para jornais e rádios locais esclarecendo à população sobre as principais reivindicações da classe médica, como os vetos ao Ato Médico e a vinda de médicos estrangeiros sem a revalidação do diploma. No jornal Folha da Manhã, o conselheiro declarou que a paralisação é uma forma para mostrarmos nossa insatisfação. O veto é um desrespeito com a população brasileira, inclusive, um desrespeito com o Congresso, que há 10 anos vem discutindo essa regulamentação da atuação médica, afirmou. Agosto de 2013 Jornal do CRMMG 5

6 Conselheiros recebem sociedades de especialidades Hugo Cordeiro A presidente da Sociedade Mineira de Medicina da Família e Comunidade, Ruth Borges Dias, representou a entidade durante reunião com os conselheiros do CRMMG No dia 25 de julho, os conselheiros do CRMMG fizeram mais uma reunião com duas sociedades de especialidade: Associação Mineira de Medicina da Família e Comunidade (AMMFC) e Associação Mineira de Residentes (Amimer). Nosso objetivo com as reuniões é atualizar o corpo de conselheiros sobre os problemas específicos de cada especialidade, explica o presidente do CRMMG, João Batista Gomes Soares, que presidiu as duas reuniões. Representando a AMMFC, estavam presentes a presidente Ruth Borges Dias e o vice-presidente, Guilherme Bruno. Durante a apresentação, a presidente destacou a importância da especialidade para o planejamento na saúde no país e a busca pelo seu fortalecimento, principalmente, com a criação do Plano de Cargos e Salários do governo. Atualmente 192 países têm médicos da família, sendo que, em países como Reino Unido e Canadá, essa é a especialidade com mais médicos (60% e 55% respectivamente), explica Ruth Borges Dias. Já no Brasil, muitos médicos que desempenham a função não têm residência na área. O presidente da Amimer, Leandro de Oliveira Costa, e Secretário, Bernardo Matosinhos, representaram a associação e apresentaram aos conselheiros o atual momento da Instituição. O nosso principal problema é a dificuldade de conseguir associados, por ser a residência um período transitório, explica o médica de excelência que integra presidente da Amimer. Segundo assistência e ensino; e a defesa os representantes, anteriormente, dos direitos legais do residente quem se filiava à Amimer tinha a (pós-plantão, jornada máxima de isenção do pagamento do INSS, mas com a queda dessa instrução 60h/semana, atividades didáticas normativa, os problemas da obrigatórias, infraestrutura para instituição se agravaram. Com exercício da medicina e do ensino, isso, a Amimer perdeu muitos disponibilidade de preceptores associados e tem muitas dificuldades para o ensino, cumprimento da em fazer novos, explica o grade curricular mínima estipulada pelo MEC para cada programa secretário da Amimer, Bernardo Matosinhos. Segundo os representantes da de residência, garantia de moradia Amimer, as principais bandeiras para o residente que é de fora da atual gestão são: a defesa da do local da residência, garantia de residência, como pós-graduação alimentação, entre outros). Representantes da Amimer discutem com conselheiros problemas da categoria 6 Jornal do CRMMG Agosto de 2013

7 Formandos de medicina homenageiam Dirceu Greco Arquivo CRMMG Professor Dirceu Bartolomeu Greco, durante evento no CRMMG A turma 134 ( ) de O Menino: Nascido em 04 de medicina da UFMG homenageou o médico Dirceu Bartolo- agosto de 1946, Dirceu viveu sua infância à Rua Juiz de Fora, em um meu Greco no convite de formatura. O Conselho Regional de ambiente cercado pela efervescência Medicina de Minas Gerais parabeniza os formandos pelo ato e pais, Dr. José Bartolomeu Greco e política, musical e intelectual. Seus reproduz o texto: Dona Helena Greco, foram marcos de seu tempo. Um dos primeiros médicos alergistas de, Dr. José foi o grande companheiro de D. Helena, bioquímica por formação, que, aos 60 anos, enveredou-se para a política, sendo uma das fundadoras de um partido político em Minas Gerais. Filho mais velho de três irmãos, Dirceu, inspirado por seu pai, viu o amor pela Medicina florear. O médico: Dirceu graduou-se na Faculdade de Medicina da UFMG em 1969, especializando-se em Alergia e Imunologia Clínica pela Universidade Estadual de Nova York e Universidade de Londres. Em 1980, foi admitido pela faculdade, onde é Professor Titular do Departamento de Clínica Médica. O Pesquisador: Professor ativo, Dirceu estabeleceu o Setor de Doenças Infecciosas e Parasitárias, pioneiro no atendimento a pessoas infectadas pelo HIV. Conta com diversas publicações em periódicos, capítulos de livros, além de ter orientado dissertações de mestrado e doutorado. O Político: Experiente, tornou-se consultor de instituições nacionais e internacionais e, desde agosto de 2010, requisitado pelo Ministério da Saúde, é Diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde. O exemplo: Para aqueles que tiveram a oportunidade de aprender Medicina com o professor Dirceu, fica a lembrança de um ser humano íntegro, ético e sensível com seus pacientes. Sentava-se à direita dos alunos, nunca centrado à mesa. Deixava os holofotes iluminarem seus aprendizes enquanto permanecia nos bastidores, observando nosso crescimento. Nos ensinou a deixar a caneta sobre a mesa enquanto ouvíamos as queixas, a não interromper o discurso do paciente. Nos transmitia confiança. Naturalmente, tornou-se mais que professor, tornou-se mestre, companheiro. Exemplo de profissionalismo, de dedicação ao trabalho, da figura médica, é grande merecedor desta homenagem. Agosto de 2013 Jornal do CRMMG 7

8 Chapa 1- Fale 33 vence eleições do Fotos: Hugo Cordeiro Conselheiros acompanharam todo o processo de apuração Com uma diferença de votos, aproximadamente 15,5%, a chapa 1- Fale 33 - Defesa Profissional venceu as eleições no Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais. A chapa ganhadora teve 56,47% dos votos e chapa 2, 41,32%. O novo mandato, que se iniciará em 1º de outubro, irá até 30 de setembro de Dos 40 conselheiros eleitos, 29 fazem parte da atual gestão e 11 são novos. Renovamos 28% do nosso corpo de Conselheiros, mas mantivemos um número significativo porque experiência no cargo é fundamental, explica o atual presidente do CRMMG e membro da chapa vencedora, João Batista Gomes Soares. A votação foi realizada por voto direto e secreto, não sendo permitidas procurações. O processo para a apuração dos votos teve início às 10h do dia 6 de agosto e terminou na madrugada do dia 7, às 6h da Resultado final Total de votos válidos: Total geral de votos: manhã. Aproximadamente 42 mil médicos estavam aptos a votar. Foram registrados votos, sendo votos válidos, 393 votos em branco e 99 votos nulos. Foram invalidados os votos CHAPA 01-56,47 % com papeletas de identificação não assinadas, médicos com dívidas em aberto, marcação de voto em desacordo com o explicitado no material eleitoral, entre outros. CHAPA 02-41,32 % NULOS - 0,44 % BRANCOS - 1,76 % 8 Jornal do CRMMG Agosto de 2013

9 CRMMG com 56,47% dos votos No dia 08 de agosto o resultado foi publicado em jornal de grande circulação para conhecimento dos médicos e população em geral. A comissão eleitoral, seguindo o artigo 46 da resolução do CFM 1993/2012, encaminhou o resultado para o Conselho Federal de Medicina, no dia 13 de agosto, que homologou as eleições do CRMMG, no 26 de agosto de 2013, editando a resolução 2035/2013. Apuração A apuração foi aprimorada em relação à ultima eleição, sendo todo o processo realizado em menos de 24 horas. Para dar confiabilidade à apuração dos votos enviados por correspondência pelos médicos, foi contratada a empresa, Pics Informática, por licitação, que realizou a apuração através de leitura ótica. A fase manual do processo contou Total dos votos Chapa Chapa Brancos 99 - Nulos com a participação de funcionários do Conselho e da empresa licitada Reis e Reis Auditores Associados. Durante a segunda quinzena do mês de julho, os médicos mineiros receberam, pelos correios, kit eleitoral contendo carta-resposta, sobrecarta para cédula, cédula eleitoral e papeleta de identificação (juntamente com as instruções para votação). Após votar, o médico deveria enviar o voto via correio, que teria o prazo máximo do dia 6 de agosto para chegar até o cofre da agência Central dos Correios, em. Os votos não recebidos até essa data foram anulados. O material eleitoral ficou armazenado nos correios e, no dia 6, pela manhã, foi levado para a apuração sob a responsabilidade de representantes das chapas e membros da comissão eleitoral. No fim do dia, às 18h, o restante dos votos foi buscado nos Correios. Após abrirem as caixas lacradas contendo os votos, a comissão eleitoral, acompanhada de representantes das duas chapas, autorizava o início da apuração. Primeiro os envelopes eram abertos manualmente. Em seguida, realizou-se a identificação do médico de forma eletrônica. Depois de passar a papeleta de identificação pelo leitor de código de barras, os dados eram conferidos com as informações disponíveis no banco de dados do CRMMG e, caso estivessemem situação regular, o registro do protocolo era confirmado. A confirmação gerava duas etiquetas: uma era colocada na papeleta como comprovante de votação e a segunda era afixada na sobrecarta da cédula, informando para qual das 27 urnas deveria ser encaminhado o voto (com base na regional do médico). Nessa fase, as cédulas válidas foram separadas das papeletas de identificação, para garantir o sigilo do voto. Na segunda etapa, as seções apuradoras separaram as sobrecartas das cédulas. Depois de separados, os votos foram contados e apurados por meio da leitura óptica presente nas seções. Todas as etapas foram acompanhadas pelos representantes e fiscais das chapas e coordenadas pela comissão eleitoral designada por resolução do Plenário do CRMMG, garantindo a transparência e a confiabilidade da eleição (veja fotos). Como justificar a ausência do voto O voto nas eleições do CRMMG é obrigatório. Os médicos que não votaram, independente do motivo, precisam encaminhar a justificativa de ausência de voto para o com nome completo e número do CRMMG. Eleições CRMMG Apuração Agosto de 2013 Jornal do CRMMG 9

10 Conheça os conselheiros da gestão CRMMG 2013 / 2018 Eleições CRMMG Ajax Pinto Ferreira CRM Geral Cícero de Lima Rena CRM Juiz de Fora Geral e em Cirurgia Pediátrica Itagiba de Castro Filho CRM Montes Claros Especialista em Pediatria com Área de Atuação em Gastroenterologia Pediátrica Luiz Henrique de Souza Pinto CRM Varginha Especialista em Gastroenterologia e em Medicina do Trabalho Alcino Lázaro da Silva CRM Geral e em Cirurgia do Aparelho Digestivo Cláudia Navarro Carvalho Duarte Lemos CRM Especialista em Ginecologia e Obstetrícia Ivana Raimunda de Menezes Melo CRM Sete Lagoas Geral Márcio Abreu Lima Rezende CRM Governador Valadares Especialista em Ginecologia e Obstetrícia e em Ultrassonografia Alexandre de Menezes Rodrigues CRM Uberlândia Especialista em Anestesiologia Cláudio Salum Castro CRM Plástica Jairo Antônio Silvério CRM Juiz de Fora de Cabeça e Pescoço e em Oncologia Márcio de Almeida Salles CRM Especialista em Ginecologia e Obstetrícia Ângelo Flávio Adami CRM Itajubá Especialista em Gastroenterologia e em Endoscopia Eduardo Luiz Nogueira Gonçalves CRM Especialista em Ortopedia e Traumatologia João Batista Gomes Soares CRM Especialista em Pediatria e em Anestesiologia Mário Benedito Costa Magalhães CRM Pouso Alegre Especialista em Gastroenterologia e em Hepatologia Antônio Carlos Russo CRM Barbacena Especialista em Clínica Médica Eurípedes José da Silva CRM Passos Geral e em Endoscopia Digestiva Jorge Geraldo Tarabal Abdala CRM Divinópolis Especialista em Clínica Médica e em Homeopatia Nilson Albuquerque Júnior CRM Conselheiro Lafaiete Geral e em Medicina do Trabalho Antônio Dírcio Silveira CRM Muriaé Especialista em Ginecologia e Obstetrícia Fabiana Prado dos Santos Nogueira CRM Uberaba Especialista em Medicina de Família e Comunidade José Afonso Soares CRM Geral e em Cirurgia do Aparelho Digestivo Ricardo Hernane Lacerda G. de Oliveira CRM Especialista em Clínica Médica e em Cardiologia Augusto Diogo Filho CRM Uberlândia Geral Fábio Augusto de Castro Guerra CRM Especialista em Pediatria e em Terapia Intensiva Pediátrica José Carvalhido Gaspar CRM Ipatinga Especialista em Pediatria Roberto Paolinelli de Castro CRM Especialista em Anestesiologia com área de atuação em Clínica de Dor Bruno Mello Rodrigues dos Santos CRM Geral e em Urologia Geraldo Borges Júnior CRM Especialista em Psiquiatria José Luiz Fonseca Brandão CRM Especialista em Clínica Médica e em Medicina do Trabalho Vera Helena Cerávolo de Oliveira CRM Alfenas Especialista em Ginecologia e Obstetrícia César Henrique Bastos Khoury CRM Teófilo Otoni Especialista em Cardiologia e em Terapia Intensiva Giovana Ferreira Zanin Gonçalves CRM Especialista em Ginecologia e Obstetríca José Nalon de Queiroz CRM Juiz de Fora Especialista em Pediatria e em Neonatologia Victor Hugo de Melo CRM Especialista em Ginecologia e Obstetrícia Cibele Alves de Carvalho CRM Especialista em Clínica Médica e em Radiologia e Diagnóstico por Imagem Hermann Alexandre V.von Tiesenhausen CRM Especialista em Clínica Médica e emterapia Intensiva José Tasca CRM Poços de Caldas Especialista em Cardiologia e em Terapia Intensiva Victor Marques de Alencar CRM Especialista em Oftalmologia 10 Jornal do CRMMG Agosto de 2013

11 Provab um programa a ser combatido Luiz Alberto Bomjardim Pôrto CRMMG Fui entrevistado a pedido do Ministério da Saúde (MS) sobre a minha experiência no PROVAB 2012, a fim de aperfeiçoar o programa. Resolvi socializar minha experiência para que todos possam ter a própria conclusão a respeito. Provab é a sigla de Programa de Valorização da Atenção Básica. Este programa foi lançado pelo MS, em divulgação no Diário Oficial em 19/09/2011. Não me recordo de tal programa ter sido debatido pela comunidade médica. Recordo-me de ser surpreendido pelo lançamento do programa e me senti coagido a participar do mesmo a fim de conseguir o bônus de 10% para usá-lo para passar na prova de residência. Julguei que outros candidatos poderiam ter este adicional na pontuação e eu ficaria em desvantagem, caso não a possuísse. Iniciei minha participação no Provab em 2012 e fiquei um ano. Trabalhei em Unidades Básicas de Saúde (UBS) da periferia de Belo Horizonte, MG, sob o regime de contrato, em desacordo com a CLT. Nesses locais havia zonas de favelas, tráficos de drogas, assassinatos e diversos outros tipos de violência. Houve pouca ou nenhuma segurança por parte do poder público quanto ao meu trabalho. Visitei pacientes em casas vizinhas a pontos de vendas de drogas, onde havia traficantes armados. Não havia seguranças para me escoltar durante as visitas domiciliares. Parece até exagerada a preocupação acima, mas em uma das UBS onde trabalhei, uma das médicas foi ameaçada de morte por um usuário, pois o mesmo discordou de uma conduta médica da mesma, totalmente respaldada na literatura médica. Nesta mesma UBS, outra médica estava em visita domiciliar e foi surpreendida por um tiroteio. Felizmente, ela não foi ferida. Quanto à Equipe de Saúde da Família (ESF) e à gerência, havia desconhecimento dos princípios da Estratégia de Saúde da Família e uma hipervalorização da demanda espontânea em detrimento das atividades de Promoção de Saúde e Demanda Programada. Precisei fazer treinamento com a ESF para ensinar a importância de desenvolver atividades de Promoção a Saúde e Prevenção. A gerência se importava mais com o número de atendimentos do que com a qualidade de cada consulta. Mesmo a pedido da gerência, neguei-me a renovar receitas de pacientes sem consulta e me respaldei no Código de Ética Médica 2010 (Capítulo IV - Art. 37- É vedado ao médico prescrever tratamento ou outros procedimentos sem exame direto do paciente). Também havia pressão da gerência para atender a todos os pacientes que chegavam à UBS, mesmo quando esse número de consultas estava acima da capacidade de atendimento do profissional. Essa pressão ocorreu mesmo quando havia apenas duas ESF com médico para atender a uma população de cerca de habitantes. Quanto às informações do Ministério sobre o Provab houve, diversos transtornos, pois era difícil se comunicar com os representantes desse órgão, seja via ou telefone. Enviei mais de 20 s ao longo do ano e recebi como resposta no máximo cinco, ainda assim, após longo período de espera. Quando fazia contato por telefone, várias pessoas do setor do Provab não sabiam dar informações para as dúvidas dos médicos. Quando respondiam, nem sempre a mesma resposta se mantinha ao longo do tempo. Ou seja, a gerência do Provab não seguia com precisão as regras do edital do programa. Para agravar ainda mais o problema, pouca satisfação por escrito no site do MS era dada aos médicos participantes sobre as mudanças das regras do programa. Dessa forma, fiquei, na maioria das vezes, apenas com informações orais sem validade legal. Fiquei decepcionado com a desorganização do MS com relação ao Provab. Espero que os demais setores do MS tenham mais eficiência e sejam mais organizados. Não notei praticamente nenhuma diferença entre o meu trabalho como médico do Provab e o trabalho dos demais médicos da mesma UBS. A única diferença palpável foi a presença de um supervisor durante 03 horas mensais, orientando e avaliando os médicos do Provab com relação a aspectos de gestão da ESF. Baseando-me nos dados acima expostos, considero que o Provab não cumpriu seu objetivo de valorizar a Atenção Básica. Serviu, sim, para levar médicos de modo compulsório a trabalhar em condições precárias de trabalho através de uma chantagem de conseguir um bônus para a os concursos de residência. Na minha lógica de médico e cidadão, mais racional seria criar melhores condições de trabalho com menos sobrecarga de atendimentos e menos exposição à violência. Criar a carreira de Médico do SUS com salário digno, respeitando as regras da CLT e dando estabilidade no emprego. Assim, a maioria dos médicos se interessaria voluntariamente a se inserir na Atenção Primária. É necessário fazer uma mudança da política de Saúde Pública do Brasil para atender não só aos anseios dos médicos, mas também de toda a população. População esta que está nas ruas neste mês de junho de 2012 se manifestando a favor de melhorias no país, sendo uma delas a melhoria do SUS. Agosto de 2013 Jornal do CRMMG 11

12 Mais Médicos, Mais Problemas Página dos Residentes Bernardo Luiz Silva de Matosinhos Secretário da Associação Mineira de Médicos Residentes Residente em Medicina do Trabalho do Hospital Odilon Behrens CRMMG O governo brasileiro comunicou a alteração de um dos vários pontos polêmicos do programa Mais Médicos: a extensão da graduação em Medicina. Agora, não mais será exigido o aumento da duração do curso de Medicina, que passaria de 6 para 8 anos. Ao invés deste impropério, haverá previsão de residência obrigatória para os formados após a colação do grau de Médico. Novamente, a falta de diálogo com a população e com as entidades médicas foi absurda! Nenhum dos interessados foi ouvido. Ao contrário: como em todas as mudanças relativas à saúde até o momento, o processo está sendo empurrado goela abaixo dos médicos e da sociedade. Segundo a proposta anunciada pelo Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, no dia 31/07/2013, haverá necessidade da realização da residência médica logo após o término da faculdade. A ideia, segundo Mercadante, é que após a formação do médico na graduação em seis anos, e a medida provisória previa essa possibilidade, a residência médica assegure essa vivência na urgência e emergência e na atenção primária do sistema de saúde. Segundo o DOU de 01/08/2013, podem se inscrever no programa apenas as instituições públicas estaduais e municipais de ensino superior, as escolas do governo de saúde pública, as secretarias municipais e estaduais que tenham programas de residência médica já vinculadas a elas. Ainda, serão contemplados apenas os programas de residência das áreas de Clínica Médica, Medicina da Família e Comunidade e Medicina Preventiva e Social. Haverá a necessidade de inscrição, por parte da instituição, de um tutor, para acompanhamento do residente e de um supervisor, para gestão do programa como um todo. Existem vários problemas relativos tanto aos argumentos do governo federal para implementação do programa quanto para seu funcionamento e seus reais benefícios. O Ministro acredita que o médico necessita de maior vivência em hospitais e ambulatórios do SUS, mas se esquece que a maioria dos acadêmicos de medicina estudam durante toda a graduação em ambientes quase que exclusivamente do SUS. Portanto, se esse é um dos objetivos do governo, não é necessária a realização de uma residência compulsória. O modo de funcionamento do programa é extremamente questionável, já que coloca apenas três programas de residência médica como possibilidades para ingresso ao programa, o que limita sua abrangência e superestima a demanda por essas áreas do conhecimento. Além disso, a medida exclui as universidades federais e particulares como possíveis seguidoras da medida. Existem diversos outros pontos que não ficaram claros na medida provisória do governo: os tutores e supervisores ficarão nos centros de saúde, UPAs e hospitais diretamente com o residente ou será uma orientação à distância? Como é possível aumentar a supervisão, se ela já é deficitária com o atual número restrito de residentes? Todos os residentes, independente dos programas escolhidos, terão que passar pela extensão pretendida pelo governo, ou apenas aqueles que optarem pela Clínica Médica, Medicina da Família e Comunidade e Medicina Preventiva e Social? Haverá aumento da duração destes programas de residência de maneira compensatória? Com a estrutura instalada e atuais condições de trabalho, tanto para os residentes como para preceptores, é inviável o aumento do número de vagas para a residência. Esse período, na carreira de um médico, é uma oportunidade única para conciliar a atenção à saúde e o ensino, realizar seu aperfeiçoamento profissional e melhorar a assistência à população. Para tanto, é necessário infraestrutura básica para o exercício do trabalho médico, preceptores experientes, bem remunerados e motivados para lecionar. Sem esses requisitos mínimos, é ineficaz aumentar o número de vagas, já que a principal função da residência não será cumprida: o binômio assistência-ensino. A medida ditatorial governista é mais um aceno eleitoreiro em resposta aos protestos que invadiram o país em Junho de A principal deficiência do governo é a ausência de diálogo com os setores envolvidos com a saúde. Existe uma grande dificuldade de entendimento da mensagem que foi dada pela população nos protestos: nas manifestação que invadiram o Brasil, nunca foi pedido o aumento do número de médicos, entretanto houve grande solicitação por melhorias na qualidade da atenção à saúde prestadas ao povo. A residência médica, certamente, deve estar inserida nas propostas para melhorar a saúde, mas não da maneira como está sendo imposta. Uma sugestão para aperfeiçoamento das residências começaria pela investimento na infraestrutura dos hospitais brasileiros, aliado à valorização dos preceptores. Após essa primeira etapa, seria possível um aumento do número de vagas de residência até chegar à totalidade de formandos em Medicina anualmente. Outra saída, essa mais duradoura, seria incluir alguns programas, como a residência em Medicina de Saúde da Família e Comunidade, já como parte de um plano de carreira médico, ou seja, ao ingressar na residência, o médico já se tornaria funcionário público e poderia, após formado, ser designado para as regiões com maiores necessidades. 12 Jornal do CRMMG Agosto de 2013

13 Encontro de delegados em Juiz de Fora Gláucia Maria Alves Horta Presidente do CRMMG, cons. João Batista, falou no primeiro dia do encontro Nos dias 19 e 20 de Julho, Juiz de Fora sediou o Encontro dos Delegados Regionais, Seccionais e Representantes da cidade e de Conselheiro Lafaiete, São João Del Rey, Muriaé e Barbacena. Vinte e três pessoas compareceram ao evento, que aconteceu no Salão Nobre da Santa Casa de Misericórdia, espaço que foi cedido pelo presidente da entidade. A abertura do encontro, dia 19, foi realizada pelo presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRMMG), cons. João Batista Gomes Soares, que falou sobre a atual crise na Medicina nacional diante das medidas presidenciais, a posição das entidades médicas e proposições à classe. O cons. Cícero de Lima Rena discursou, no mesmo dia, sobre o Revalida. No dia 20, o cons. Jairo Antônio Silvério levantou a questão Erro médico: deve ser tratado com esta terminologia? e o cons. Delano Carlos Carneiro discursou sobre a responsabilidade civil e penal. Foram debatidos também os temas Cartão de Desconto, orientado pelo cons. Antônio Carlos Russo, e Termo de ajuste de conduta, novo instrumento implantado pelo CRMMG como elemento pedagógico, levantado pelo cons. Nilson Albuquerque Júnior. O delegado da Regional do CRMMG em Juiz de Fora, cons. José Nalon de Queiroz, esteve no evento. Para ele, cada cidade possui dificuldades semelhantes e problemas próprios, dessa forma, a aproximação dos médicos com o CRM, por meio desses encontros, se torna essencial. A experiência dos Conselheiros traz segurança para os demais, enriquece a discussão, abre espaço e possibilidades para que cada médico chegue mais perto do Conselho e se sinta amparado conforme o interesse que demonstramos por eles, afirma. Ainda de acordo com o conselheiro, os temas tratados em Delegacias cada encontro são discutidos objetivamente, permitindo que cada um dê sua opinião de forma a enriquecer o debate. O resultado ao final é positivo e mostra a preocupação do CRM com os médicos e com a população. Os participantes se sentem fortalecidos e cientes da importância de nossa interatividade, constata José Nalon. Participantes do encontro Agildo Alvarenga Godinho Delegado Adj. de Juiz de Fora Ângelo Mauricio S. Simões Delegado Adj. de Ouro Branco Douglas Rossi Vitoi Rep. de São João Nepomuceno Duarte César S. C. Fernandes Rep. de Lima Duarte Geraldo Baesso Filho Rep. de Miraí Jairo Lima de Paiva Rep. de Barroso Jorge Roberto Ferreira - Delegado Adj. de Muriaé José de Miranda Nogueira - Delegado Adj. de Cons. Lafaiete Karina Aparecida M. Farinazzo Rep. de Matipó Luiz Carlos A. Teixeira - Delegado Efetivo de São João Del-Rei Luiz Fernando Ribeiro Rep. de Astolfo Dutra Manoel Tadeu V. Lobato Rep. de Tombos Márcio Alves R. de Melo Rep. de Congonhas Maria José Guedes G. Almeida - Delegada Adj. de Juiz de Fora Moisés Joaquim de Oliveira - Delegado Efetivo de Ouro Branco Romeu Vidal Junior Rep. de Rio Pomba Pouso Alegre realiza curso ACLS Vinte e seis médicos participaram do curso de Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS) em Pouso Alegre. Realizado no Colégio Integral, o curso aconteceu nos dias 27 e 28 de abril. Médicos da Sociedade Mineira de Terapia Intensiva (Somiti) ministraram o curso com aulas teóricas de Reconhecimento das Arritmias Cardíacas, Megacode e Conceito de Ressuscitação em Equipe e Síndrome Coronariana Aguda, além de oficinas práticas, onde foram abordados temas Nals é realizado em Alfenas e Patos de Minas As cidades de Patos de Minas e Alfenas, mais uma vez, realizaram o curso teórico e prático de Reanimação Neonatal (Nals), ambos no mês de junho. Em Patos de Minas, o curso aconteceu no dia 29. Ocorrido na Associação Médica de Patos de Minas, teve a participação de 30 médicos da cidade e de Coromandel, Patrocínio, Carmo do Paranaíba, São Gotardo, João Pinheiro e Vazante. Sob a coordenação de Thaís Queiroz, as aulas foram ministradas por Carla Lima, Lilian Dayrell, Lidiane Muniz e Luciana Rabelo. Na cidade de Alfenas o curso foi realizado dia 6, no Instituto de como Emergências respiratórias, Controle Invasivo De Via Aérea e Taquicardias estáveis e instáveis. Ao final do curso, foi realizada uma prova escrita e prática para avaliação dos alunos e foi aberto espaço para comentários. Outra avaliação, feita pelos alunos, considerou o curso como ótimo. O conteúdo aprendido no ACLS é válido por dois anos e o curso acontece anualmente em todas as delegacias regionais do CRMMG. Medicina Especializada de Alfenas, onde estiveram presentes 32 médicos da cidade e região. O delegado adjunto da cidade, Joaquim Carlos de Ávila Terra, fez a abertura do curso, que foi ministrado pelos médicos Thaís Queiroz, Márcio Pablo, Vanessa Devitto, Renata Prates e Messias da Silva. Nas duas ocasiões as aulas teóricas e práticas tiveram os temas: Passos Iniciais de Reanimação, Ventilação com Balão e Máscara, Intubação Traqueal, Massagem Cardíaca e Medicações. Foi aplicado um pré e pós-teste para avaliar os alunos antes e depois das aulas sobre o conteúdo lido e as aulas expositivas. Curso de Urgências e Emergências Ginecológicas em Barbacena Jose Celso de Souza Lima O CRMMG, em parceria com a Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), realizou, nos dias 14 e 15 de junho, o Curso de Urgências e Emergências Ginecológicas em Barbacena, na Faculdade de Medicina (Fame). Vinte médicos assistiram às aulas que foram ministradas por Admário Silva Santos Filho e Mauricio Bechara Noviello. Os temas abordados foram: Fisiologia da dor nas urgências ginecológicas, Aspectos Legais Na Urgência E Emergência Ginecológica, Choque Hipovolêmico E Séptico Nas Abordagens Ginecológicas, Gravidez ectópica, Torção de anexo e Cisto Hemorrágico de Corpo Lúteo, 20 médicos fizeram o curso em Barbacena Doença Inflamatória Pélvica E Complicações Em Cirurgias Ginecológicas. Houve uma discussão interativa de casos clínicos e foram apresentados seis casos de urgências em ginecologia (apresentação do caso clínico, imagens, vídeos e manequins). Ao final, os participantes fizeram uma avaliação do curso, considerando-o ótimo. Nos dias 28 e 29 de junho foi a vez de Pouso Alegre realizar o curso, que teve 17 médicos participantes das cidades de Pouso Alegre, Cambuí, Santa Rita do Sapucaí, São Gonçalo do Sapucaí e Extrema. O primeiro dia de curso contou com a presença do delegado regional, cons. Mário Benedito Costa Magalhães. Agosto de 2013 Jornal do CRMMG 13

14 Pareceres CRMMG Autorização por analogia no SUS não é uma prática desejável Parecer-consulta nº 4681/2012 Cons. Fábio Augusto de Castro Guerra Ementa: O encaminhamento da peça cirúrgica para exame anatomopatológico garante segurança ao médico e ao paciente I Parte Expositiva A auditoria do SUS no Hospital não está autorizando a realização de turbinoplastia nos pacientes abaixo de 12 anos, com obstrução respiratória alta (procedimento com indicação em pacientes pediátricos para problemas respiratórios obstrutivos com hipertrofia de cornetos). Segundo informam, não há o código para o procedimento que vem sendo realizado (Turbinoplastia) na tabela do SUS. Pelas codificações AMB92, CBHPM e TUSS, o código usado é o mesmo para Turbinectomia e Turbinoplastia, como ilustrado abaixo: Código: AMB92: Descrição AMB92: Turbinectomia ou Turbinoplastia Unilateral Código CBHPM: Descrição CBHPM: Turbinectomia ou Turbinoplastia Unilateral Código TUSS: Descrição TUSS: Turbinectomia ou Turbinoplastia Unilateral Diante do exposto, faz os questionamentos: II Parte Conclusiva 1 A auditoria do SUS deve autorizar o procedimento de Turbinoplastia usando o código de Turbinectomia, por analogia às codificações acima, ao invés de não autorizar a realização de um procedimento de suma importância no tratamento destes pacientes? Resposta: O Sistema Único de Saúde normatiza, através do SIH (Sistema de Informações Hospitalares), a autorização, realização e pagamento de procedimentos hospitalares. Em tabela própria, especifica os procedimentos autorizados pelo SUS, assim como os valores a serem faturados. A autorização por analogia de procedimento não é uma prática desejável e não pode ser realizada pelo médico auditor. Caso existam procedimentos considerados de grande importância e estes não estejam contemplados em tabela do SUS, esta situação deverá ser repassada ao setor de regulação municipal, para que o gestor, responsável pelo gerenciamento do SUS, possa tomar providências visando à solução destes problemas, normatizando a autorização do procedimento com a criação de código específico. Continua sua exposição afirmando: Gostaríamos de esclarecimento a respeito da necessidade da realização de anatomopatológico, de rotina, em pacientes pediátricos, submetidos a adenoamigdalectomia. Pela literatura especializada atual, não está indicada a realização de rotina deste procedimento, devido à baixa incidência de alterações nesta faixa etária. Termina fazendo outro questionamento: É necessário realizar o anatomopatológico de rotina em todas as tonsilas retiradas em cirurgias de adenoamigdalectomia em pacientes pediátricos? Resposta: Informamos que, de acordo com a Sociedade Brasileira de Patologia, a solicitação de exame anatomopatológico deveria ser obrigatoriamente apresentada ao paciente do qual se tenha retirado amostras de tecidos ou órgãos. Já, em relato de vistas pelo Cons. Júlio Cezar Meirelles Gomes, no Processo Consulta CFM n.º 44/95, a conclusão é de que o exame anatomopatológico de fragmentos ou partes retiradas do organismo humano deve ser feito, consoante dever do médico de agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional sempre em favor do paciente e sem caráter obrigatório. Este tema também foi abordado no Parecer Consulta n.º 3215/2006 da lavra do Cons. Renato Assunção R. S. Maciel, que na ementa conclui: O exame anatomopatológicoobrigatório de qualquer víscera ou tecido retirado em procedimento cirúrgico constitui procedimento contribuinte para a melhoria da assistência médica e sua exigência institucional não restringe a liberdade profissional do médico e nem constitui imposição que venha a ter efeito deletério no ato médico. Finalizamos com a parte expositiva do Parecer Consulta CFM n.º 44/95: Se, ao efetuar um procedimento cirúrgico, o médico não tem um diagnóstico firmado, ainda que deixe para decidir, tem o dever ético de solicitar exame anatomopatológico do material retirado. Caso não o faça, corre o risco de ser posteriormente responsabilizado pelo paciente ou familiares, pelo não diagnóstico de enfermidade, tratável com melhor êxito se detectada precocemente. Diante do exposto, entendemos que é de boa prática médica, e para segurança do médico e do paciente, que toda peça cirúrgica seja encaminhada para exame anatomopatológico. Resoluções citadas em anexo. 14 Jornal do CRMMG Agosto de 2013

15 Antes de encaminhar a sua dúvida, verifique se outro questionamento similar já foi respondido pelos conselheiros e está disponível no site do CRMMG (Menu Mais acessados / Pareceres do CRMMG ). Cartão Nacional de Saúde é obrigatório para procedimentos no SUS Parecer-consulta nº 4724/2012 Cons. Luiz Henrique de Souza Pinto Ementa: Obrigatoriedade dos profissionais de Saúde possuir CNS (Cartão Nacional de Saúde): Portaria 763, de 20 de julho de 2011 do Ministério da Saúde. I Parte Expositiva Solicito informações a respeito da recente exigência das secretarias estaduais de Saúde quanto à necessidade do número do Cartão Nacional de Saúde (CNS) do médico solicitante, pessoa física, visando à liberação de medicamentos especiais (exemplo: rivastigmina), para os pacientes. O médico tem a obrigatoriedade de ter mais esse número de identificação? Não basta o número do CRM? Acaso haja obrigatoriedade (olha o regime militar deixando-nos sequelas ainda nos dias que correm), como proceder para obtê-lo? Acaso não haja tal obrigatoriedade, creio que o nosso Conselho poderia tomar as medidas cabíveis. Anexa a exigência da burocrata, que está criando entraves para a liberação de medicamentos e supostamente atende sob ordens da Secretaria de Estado de Saúde. II Fundamentação Inicialmente lembramos o que é o Cartão Nacional de Saúde: O Cartão Nacional de Saúde é um instrumento que possibilita a vinculação dos procedimentos executados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) ao usuário, ao profissional que os realizou e também à unidade onde foram realizados. Para tanto, é necessária a construção de cadastros de usuários, de profissionais de saúde e de unidades de saúde. A partir desses cadastros, os usuários do SUS e os profissionais de saúde recebem um número nacional de identificação. A portaria nº 763, de 20 de julho de 2011, emitida pelo Ministério da Saúde, regula a obrigatoriedade da inclusão do número do Cartão Nacional de Saúde (CNS) em substituição ao CPF de médicos prescritor e autorizador e pacientes em procedimentos ambulatoriais e hospitalares nos sistemas de informação do SUS. Através desta medida, o Ministério da Saúde estabelece a obrigatoriedade da inclusão do número do Cartão Nacional de Saúde (CNS) do profissional solicitante e autorizador nos laudos de Solicitação de Medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, sendo que desta forma o número do CNS irá substituir o CPF. A medida será exigida aos pacientes cadastrados na Central de Medicamentos de Alto Custo, sendo necessária e obrigatória a utilização do CNS no Laudo de Solicitação, Avaliação de Medicamento de CEAF (Componente Especializado da Assistência Farmacêutica) e no Laudo de Avaliação e Autorização de Medicamento. III Parte conclusiva Existe a obrigatoriedade da inclusão do número do CNS do profissional solicitante, executante ou autorizador nos procedimentos de Autorizações de Internação Hospitalares (AIH), de Autorizações de Procedimentos Ambulatoriais (Apac) e de Boletim de Produção Ambulatorial Individualizada (BPA I). Para obtê-lo, cadastre-se no Portal de Saúde Conselho Conselheiro - Pareceres Para conhecer a íntegra de cada parecer, acesse: Mais acessados/ Pareceres do CRMMG A lei de 07 de julho de Retificação feita em dezembro de 2006, em seu artigo 6º, reza que os programas de residência médica credenciados na forma desta lei conferirão títulos de especialistas em favor dos médicos residentes neles habilitados, os quais constituirão comprovante hábil para fins legais junto ao sistema federal de ensino e ao Conselho Federal de Medicina. Parecer-consulta nº 4803/12 Cons. Cícero de Lima Rena Nas licitações públicas para prestação de assistência médica, admite-se que os valores constantes da tabela do SUS sejam os menores valores a serem propostos pelos participantes, sejam eles médicos ou instituições prestadoras de serviços médicos. Parecer-consulta nº 4819/12 Cons. José Carvalhido Gaspar Segurança sanitária para funcionamento de instituições que prestem serviço de atenção a pessoas com transtornos decorrentes de uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas - RDC 29 de 30 de junho de Parecer-consulta nº 4802/12 Cons. Geraldo Borges Júnior O fornecimento de dados contidos em prontuários médicos aos planos de saúde fere o sigilo médico. Parecer-consulta nº 4751/12 Cons. Nilson Albuquerque Junior Agosto de 2013 Jornal do CRMMG 15

16 CRMMG faz balanço da gestão Após cinco anos de mandato, a atual gestão do CRMMG faz balanço de suas atividades e prestação de contas para os médicos e para a sociedade de Minas Gerais sobre as principais atividades realizadas durante o período. O CRMMG teve durante a gestão três diferentes diretorias, cada uma com mandato de 20 meses. Em duas delas, o pediatra e anestesiologista João Batista Gomes Soares esteve à frente como presidente (out/2008 maio/2010 e fev/2012 a set/2013). O Cons. Manuel Maurício foi o presidente de jun/2010 a jan/2012. A prevenção e capacitação dos médicos foram o foco principal da gestão, que investiu muito em cursos de qualificação e requalificação, realizando cursos de Ética Médica, seminários das câmaras técnicas e eventos no interior com os delegados regionais e médicos. Nova sede O marco dessa gestão é, sem dúvida, a aquisição de uma nova sede para o Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais. Agora poderemos atender os médicos melhor, com mais infraestrutura, comemora o presidente do CRMMG, ao ressaltar que nos últimos dez anos o número de médicos no Estado cresceu muito e a sede antiga já não comportava a demanda. Honra à ética Em 2011 foi realizada a primeira entrega da Comenda Honra à Ética em. Homenagear os colegas que durante a vida profissional agiram com dignidade e honra, sendo referência em sua área e dignificando a profissão, esse é o intuito do CRMMG ao entregar a Comenda Honra à Ética, destaca o ex-presidente do CRMMG, Manuel Maurício Gonçalves que, em sua gestão, instituiu a entrega da condecoração também na capital mineira. No total foram homenageados 182 médicos mineiros, sendo 39 na capital e 143 no interior. Novas delegacias Durante a gestão foram inauguradas cinco novas delegacias do CRMMG no interior do Estado: Araxá, Itabira, João Monlevade, Lavras e São João Del Rey. O objetivo é atender cada vez melhor o médico mineiro. Relatório da Gestão 2008/20013 Processos, Sindicâncias e Consultas Neste período foram instauradas 1438 consultas e 1431 aprovadas; 2840 sindicâncias instauradas e 3018 julgadas; 683 processos ético-profisssionais instaurados e 756 julgados. Fiscalização No Estado, foram realizadas 1617 vistorias/diligências nos estabelecimentos de saúde pelos médicos fiscais (392 em e 1265 no interior) e 2110 visitas pelos agentes de fiscalização (904 em e 1206 no interior). Foram feitas 228 visitas em estabelecimentos de atenção básica (CS/ PSF/UBS), sendo que médicos fiscais estiveram presentes em 287 cidades e os agentes fiscais, em 190. Assessoria de Comunicação Foram editados 33 jornais, 83 boletins eletrônicos, 7 informativos especiais, 7 revistas Médicos da Gerais e realizados 66 eventos, entre cursos, aulas e palestras, além de assessoria nas demandas de mídia espontânea. O site da instituição é atualizado diariamente com informações de interesse dos médicos e matérias da imprensa sobre saúde. Educação Médica Continuada Foram realizados 245 cursos (ACLS, PALS, NALS, Trauma, Emergências obstétricas, Urg. e Emerg. Ginecológicas, Atualização em Pediatria e Descomplicando os Antibióticos ) em e interior, totalizando 7515 médicos capacitados. Desde o início da gestão foi criado o Curso de Atualização em Ética Médica. Realizado no 2º semestre de cada ano, tem como objetivo instruir o médico em relação às questões éticas da profissão. Administração Foram inscritos médicos em Minas Gerais e registraram suas especialidades. No caso de Pessoas Jurídicas foram 2889 novas inscrições, totalizando 8305 registros de estabelecimento ativos e renovações de certificados. Foram homologadas 1003 Diretorias Clínicas e Comissões de Ética e 101 regimentos internos aprovados. Compras e contratação de serviços 52 pregões eletrônicos, 35 pregões presenciais, 15 Adesões a pregões SRP, 26 convites, 1 tomada de preço, 14 convênios e 9689 acompanhamentos de compras e serviços. A Gerência de Recursos Humanos realizou concurso público para provimento de vagas no CRMMG, acompanhou os indicadores de desempenho dos funcionários, gerenciamento do plano de cargos e salários e treinamentos. No Departamento de Tecnologia da Informação são destaques durante a gestão: - Desenvolvimentos de Softwares para melhoria no CRMMG: SGDA - Sistema de Divida Ativa - Proporcionou a cobrança e controle de vários médicos, inclusive com a funcionalidade de PROTESTO em cartório; PRÓ-ÉTICA - Sistema de distribuição de processos para conselheiros; Sistema de Eleição 2013; Manutenção da Base de CEP do CRMMG; Atualização de sistemas da Tesouraria, Contabilidade, Registro de Médicos e Pessoa Jurídica; desenvolvimento de sistema de pesquisas eletrônicas e Desenvolvimento de sistema para fotografias no site. - Desenvolvimento de projeto para estruturação da nova sede. - Desenvolvimento de sistema de áudio e vídeo da nova sede. - Implantação de sistema de Backup. - Implantação de Virtualização de Servidores. 16 Jornal do CRMMG Agosto de 2013

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