ANGOLA FICHA DE MERCADO BREVE CARACTERIZAÇÃO

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1 FICHA DE MERCADO ANGOLA BREVE CARACTERIZAÇÃO Situa-se na região da África Subsariana, apresentando uma economia em forte crescimento, que converge para uma economia de mercado. É um país extremamente rico em recursos e detém uma balança comercial favorável com o mundo. Com uma superfície de milhares de Km 2, catorze vezes superior à de Portugal, com uma população estimada em 2012 de 20 milhões de habitantes, um PIB de 114,2 mil milhões de dólares (com um crescimento anual de 6,8%). Estes indicadores indiciam já uma recuperação da economia angolana, após vários anos de fraco crescimento, na esteira da crise financeira global, ainda que esta recuperação tenha sido muito impulsionada pelas vendas de petróleo. A extrema dependência da economia angolana das receitas de exportação de petróleo e das importações deixa-a extremamente vulnerável a choques externos. Balança Comercial Angola-Mundo A UE tem em curso, no âmbito das negociações para uma nova parceria económica com os países da região ACP (África, Caraíbas e Pacífico), um processo negocial com alguns dos países da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral: Angola, Botswana, Lesoto, Moçambique, Namíbia e República da África do Sul) para a celebração de um Acordo de Parceria Económica (APE) Global, cobrindo uma série alargada de domínios para além do comércio de mercadorias. Angola é, nos mercados exteriores à União Europeia, um parceiro estratégico de Portugal. Ocupa a segunda posição entre os países fornecedores de Portugal no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), depois do Brasil. As relações económicas e comerciais com Angola têm vindo a ser reforçadas e traduzidas num acentuado crescimento das exportações nacionais, nomeadamente no que se refere a produtos agroalimentares e florestais. Os fluxos de comércio e de investimento são bidirecionais entre as duas economias e potenciam uma parceria estratégica, com reciprocidade, abrindo caminho ao seu funcionamento como plataformas para outros mercados próximos, a uma escala regional/continental. Atualizado em setembro de

2 As empresas nacionais de produtos agroalimentares têm sabido, no âmbito dos seus processos de internacionalização, tirar partido crescente das oportunidades associadas à emergência de uma procura crescente no mercado angolano, em que os fatores linguísticos e culturais podem intervir como elemento facilitador na criação de um ambiente mais favorável aos negócios. Há um grande potencial de crescimento para as exportações nacionais de produtos agroalimentares para o mercado angolano, de que são um exemplo os produtos à base de cereais, de vegetais, de fruta, de carne, o pescado, o leite e lacticínios, o azeite. II PERSPETIVAS DE INTERNACIONALIZAÇÃO Angola é um mercado atrativo para as exportações nacionais, exigindo, contudo que se conheça muito bem as obrigações a cumprir, que se prepare devidamente o processo de exportação e a abordagem a este mercado. Contudo, existem uma série de fatores que permitem que a posição portuguesa no mercado continue a ser privilegiada: Os produtos portugueses são quase na sua totalidade, conhecidos e preferidos pelo consumidor angolano. A comunidade portuguesa em Angola é representativa e ocupa lugares chave a nível económico, o que tem permitido a manutenção das relações existentes, a nível comercial, entre Portugal e Angola. No entanto, face às novas condicionantes do mercado, esses fatores correm o risco de se esbater, se, no curto prazo, esses laços não forem reforçados. Se isso acontecer, Portugal poderá perder a sua posição para países como a África do Sul, o Brasil ou Espanha, que têm tentado aproximar-se (a todo o custo) comercialmente de Angola. Portugal deve assim apostar claramente numa política estruturada e concertada com as empresas do setor agroalimentar com vista a aproveitar, com maior profundidade, as oportunidades decorrentes das características do mercado do angolano, nomeadamente, organização e financiamento de ações conjuntas, business intelligence, ações de procurement, construção e exploração de plataformas, ações diplomáticas, apostando, também, neste mercado como plataforma para atingir os mercados africanos circundantes. A agricultura e a agroindústria são setores críticos e chave da dinâmica de crescimento económico que Angola prossegue, sendo áreas de oportunidade de investimento para as empresas nacionais, que poderão estabelecer parcerias com angolanos para prosseguir objetivos de redução de custos, de limitação de dificuldades burocráticas e de ganhos de integração no mercado. III OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO / PRODUTOS COM MAIOR POTENCIAL EXPORTADOR PARA O MERCADO DE ANGOLA O azeite, o vinho (e outras bebidas tais como a cerveja), as preparações à base de carne/produtos vegetais e o pescado, para além das suas capacidades próprias, devem constituir referências importantes, em termos de produtos com estratégias de internacionalização consolidadas, nomeadamente, através das empresas atualmente exportadoras para esse mercado, que poderão servir de alavanca para a entrada de novos exportadores e, por conseguinte, permitir que se Atualizado em setembro de

3 obtenham ganhos de competitividade (maiores facilidades de financiamento, relacionamento e logística, observação e análise dos mercados just in time). A reforçar estas referências de oportunidade do mercado angolano, acresce-se que Angola deverá apostar em aumentos da produção, orientada para uma substituição das importações, para uma diversificação das fontes de receitas para a economia do país e para a exportação, no domínio da agricultura, pecuária e indústria transformadora, setores tidos como estratégicos para o desenvolvimento da sua economia e em que tem vindo a promover o investimento privado, nacional e estrangeiro. As empresas portuguesas podem beneficiar das necessidades angolanas de captação de investimentos estrangeiros para o seu desenvolvimento. Sobressaem como produções em que o país reúne condições e recursos para uma redução do seu grau de dependência do exterior os produtos hortícolas, frutas, cereais, algodão, oleaginosas, pescado. A estrutura da pauta aduaneira de Angola apresenta um direito médio para os produtos agrícolas de 9,8%. Os direitos aduaneiros variam entre 2% e 30% sobre o preço CIF dos produtos importados, com direitos mais elevados nos setores das bebidas, nomeadamente vinho (30%), cerveja (20%), outras bebidas alcoólicas (30%), produtos florestais (30%), produtos da pesca (20%), azeite (10%), preparações à base de carne (15%). Acresce à imposição de direitos aduaneiros, a cobrança de taxas variáveis consoante as categorias dos produtos (impostos de consumo, imposto de selo e outras contribuições especiais). Angola tem em curso uma série de reformas legislativas, quer em termos tributários, quer no que respeita à Lei de Investimento Estrangeiro. No contexto da reforma tributária, a Pauta Aduaneira vigente, que data de 2007, deverá ser atualizada, eventualmente ainda este ano, adequando-a à nova realidade de desenvolvimento económico do país, podendo vir a envolver um aumento dos direitos aduaneiros dos 30% atuais até 50% para alguns produtos (bebidas alcoólicas, nomeadamente cerveja, tabaco e produtos considerados supérfluos). No caso específico da cerveja, um aumento previsível dos direitos terá associado um elemento de proteção da indústria cervejeira angolana, relançada estrategicamente nos últimos anos. Acresce a importância que este mercado já tem em termos de destino das exportações nacionais, de que são exemplo as Bebidas (Vinho e Cerveja), Preparações de Carne e Azeite. Portugal tem nestes, como em outros produtos, uma orientação exportadora com alguma expressão, a par de uma garantia de qualidade da produção nacional, de que se passam a detalhar alguns dos indicadores de análise destes produtos no comércio internacional. Angola detém uma quota significativa como mercado destino da exportação nacional de vinho (da ordem dos 9,1% em volume e dos 18,2% em valor no ano de 2012), situando-se entre os dez principais destinos das exportações nacionais de vinho, e situa-se entre os cinco principais mercados terceiros da exportação nacional (com a Suíça, EUA, Canadá e o Brasil). Atualizado em setembro de

4 Vinho Indicadores de análise do Comércio Internacional (para todo o Mundo) Vinho - Indicadores de análise do Comércio Internacional Rubrica Unidade Produção toneladas Importação toneladas Exportação toneladas Orientação Exportadora % 28,9 21,7 34,1 45,1 45,3 36,2 40,1 61,1 53,7 43,3 35,0 52,0 Consumo Aparente toneladas Grau de Auto-Aprovisionamento % 99,0 99,3 114,9 134,8 128,2 117,8 136,0 163,0 125,7 106,8 116,9 139,6 Grau de Abastecimento do Mercado Interno % 70,4 77,7 75,7 73,9 70,2 75,2 81,5 63,4 58,2 60,6 76,0 67,1 Nota: Orientação Exportadora = Exportação / Produção x 100 Consumo Aparente = Produção + Importação - Exportação Grau de Auto-Aprovisionamento = Produção / Consumo Aparente x 100 Grau de Abastecimento do mercado interno = (Produção - Exportação) / Consumo Aparente x 100 Angola é atualmente o primeiro mercado destino das vendas nacionais de cerveja de malte, ultrapassando já Espanha e França como destinos das expedições nacionais. Atualizado em setembro de

5 Cerveja Indicadores de análise do Comércio Internacional (para todo o Mundo) Angola ocupa, nos anos mais recentes, a primeira posição como destino das exportações portuguesas de preparações de carne. Atualizado em setembro de

6 Preparações de Carne Indicadores de análise do Comércio Internacional (para todo o Mundo) Preparações de Carne - Indicadores de análise do Comércio Internacional Rubrica Unidade Produção toneladas Importação toneladas Exportação toneladas Orientação Exportadora % 7,8 13,7 13,5 13,9 17,1 20,1 22,1 25,0 24,7 22,1 16,5 Consumo Aparente toneladas Grau de Auto-Aprovisionamento % 96,5 97,7 96,0 94,9 98,1 100,6 102,0 105,1 104,5 101,5 101,6 Grau de Abastecimento do mercado interno % 88,9 84,3 83,0 81,7 81,3 80,4 79,5 78,8 78,6 79,1 84,8 Nota: Orientação Exportadora = Exportação / Produção x 100 Consumo Aparente = Produção + Importação - Exportação Grau de Auto-Aprovisionamento = Produção / Consumo Aparente x 100 Grau de Abastecimento do mercado interno = (Produção - Exportação) / Consumo Aparente x 100 No setor do azeite, o comportamento da balança comercial nacional foi-se alterando e ajustando a uma nova realidade da oferta nacional de azeite, sustentada pelo aumento de área nacional de olivais intensivos e superintensivos (com grande expressão no Alentejo que perfaz atualmente 79% da produção nacional de azeite), pelo recurso ao regadio, a par da preocupação de introdução de melhorias constantes da qualidade. Em 2011, a balança comercial nacional até então deficitária, atingiu um saldo positivo (29M ), fator que explica a evolução muito positiva do índice de orientação exportadora, que cresceu 30%, do final Atualizado em setembro de

7 dos anos 80, para valores superiores aos 75% nos últimos anos, sendo expectável um reforço e consolidação destes indicadores, para os próximos três anos, face a acréscimos na ordem dos 20% expectáveis em termos da produção nacional de azeite. Azeite Indicadores de análise do Comércio Internacional (para todo o Mundo) Azeite - Indicadores de análise do Comércio Internacional Rubrica Unidade Produção toneladas Importação toneladas Exportação toneladas Orientação Exportadora % 87,8 70,9 68,4 54,0 48,7 79,9 49,4 103,3 75,1 69,4 86,0 104,9 168,0 Consumo Aparente toneladas Grau de Auto-Aprovisionamento % 52,1 50,5 47,5 44,5 53,9 44,7 53,1 45,3 60,0 69,7 68,0 90,4 92,5 Grau de Abastecimento do Mercado Interno % 6,3 14,7 15,0 20,5 27,7 9,0 26,9-1,5 15,0 21,3 9,5-4,4-62,9 Nota: Orientação Exportadora = Exportação / Produção x 100 Consumo Aparente = Produção + Importação - Exportação Grau de Auto-Aprovisionamento = Produção / Consumo Aparente x 100 Grau de Abastecimento do mercado interno = (Produção - Exportação) / Consumo Aparente x 100 Os mecanismos de certificação de seis Denominações de Origem Protegida: Azeites do Norte Alentejano, Azeite de Trás-os-Montes, Azeites da Beira Interior (B. Baixa, B. Alta), Azeites do Ribatejo, Azeite de Moura e Azeite do Alentejo Interior, e o cumprimento da legislação no domínio da rotulagem asseguram a proteção da produção e são uma garantia para o consumidor final. Atualizado em setembro de

8 COMÉRCIO EXTERNO O saldo global da balança de comércio de mercadorias é francamente favorável a Portugal, com resultados positivos, marcados por uma redução significativa no ano de 2010, face a uma acentuada descida das exportações nacionais e a um aumento das importações de Angola. Este crescimento sustentado das importações está associado a acréscimos de transferências de combustíveis minerais, designadamente aquisições de petróleo, tendo o comportamento das exportações nacionais sido fundamental para reequilibrar a tendência de deterioração do saldo comercial em detrimento de Portugal. Balança comercial PT-Angola Total da economia (valores em milhares de euros) No quinquénio , Angola deteve a 1ª posição como principal destino, externo à UE, da exportação nacional de produtos agroalimentares e florestais, perfazendo 7,4% das nossas vendas ao exterior (logo a seguir a Espanha e França), ocupando a 106ª posição como cliente de Portugal e detendo, no cômputo global do comércio, a 8ª posição do ranking dos nossos principais parceiros comerciais. Portugal exportou para Angola em milhões de euros de produtos agroalimentares e florestais, tendo importado 1,2 milhões de euros. Balança comercial PT-Angola Agroalimentar e florestas (valores em milhares de euros) Como mercado cliente de Portugal, Angola absorve 7,4% do total agroflorestal exportado por Portugal, perfazendo as exportações de produtos agroalimentares e de produtos florestais, respetivamente 87% e 13% do valor total. Atualizado em setembro de

9 Nas exportações agroalimentares, têm particular relevância as bebidas (vinhos e cervejas), com uma representatividade próxima dos 40%, as preparações de carne (11,5%) e as gorduras (8,8%), sobretudo óleo de soja. Nos produtos florestais exportados merecem particular destaque o papel e o cartão (9,1%). Atualizado em setembro de

10 Angola, como país fornecedor, tem um peso relativo reduzido no total nacional importado (cerca de 0,01%), correspondendo 67% a produtos agroalimentares e 33% a produtos da floresta. Assumem maior relevância as importações nacionais de café, malte e especiarias (33,3%), madeiras (32,6%) e peixes e crustáceos (27,5%). No contexto do mercado das frutas frescas, Angola perfaz valores muito pouco significativos. Atualizado em setembro de

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