COR/MATIZ > dados Qualitativos Seletividade Dissociativa S

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1 COR A COR é um recurso visual amplamente utilizado em mapas temáticos e demais materiais gráficos. A denominação cor pode ser encontrada associada a ideia de matiz (hue), saturação (saturation) ou brilho (lightness), a depender do autor e área de conhecimento. Desta forma, a cor na concepção de Bertin (1967) corresponde às variações de matiz, na concepção de Slocum (1999). A cor apresenta três instâncias: matiz, saturação e valor, as quais são utilizadas para diferentes contextos e finalidades. A cor/matiz corresponde às variações das cores propriamente ditas e, é obtida a partir de variações em H para os modos de cor HSV e HSL. Trata-se de uma variável a ser utilizada para a representação de dados diferentes entre si, representando a qualidade/seletividade dos objetos/feições, como a exemplo: Escola e Indústria. COR/MATIZ > dados Qualitativos Seletividade Dissociativa S Esta variável não se aplica à representação de dados que expressem quantidades (dados quantitativos) ou apresentem hierarquia (dados ordenados).

2 Figura. Variável visual cor (zonal). Fonte: a.html Para uma assimilação mais rápida do objeto mapeado, pode-se associar esta variável visual à cor dos elementos a serem representados, como exemplo: para um mapa de fruticultura, a banana seria representada em amarelo e o abacate em verde. Ainda, pode ser associado a variável forma ou forma pictórica, facilitando a sua associação ao tema. COR + Forma COR + Forma pictórica Outra opção para o uso desta variável é a utilização de cores diametralmente opostas na rosa cromática, conforme sugere Duarte (1991:44). Tal uso busca evidenciar a distinção entre os elementos mapeados, evitando-se o uso de cores próximas, uma vez que a vista humana difere, em mapas e gráficos, de 7 a 12 variações de cores, independente do veículo de comunicação (impresso ou digital).

3 A cor/matiz apresenta bons resultados para representação de dados que se apresentam de forma zonal, pontual e linear. Figura. Variável visual cor (linear e Pontual) Fonte: e - Três observações podem ser feitas sobre o uso da variável visual cor. A primeira diz respeito à reprodução do mapa através de reprografia. A reprografia em preto e branco pode impossibilitar o entendimento do mapa ou gráfico xerocado por transcrever cores diferentes em tons de cinza próximos ou iguais. O material xerocado pode sugerir a existência de uma ordem ou hierarquia (variável visual valor), quando na verdade os elementos apresentados possuem qualidades diferentes. A segunda observação diz respeito à associação de uma cor a um objeto ou assunto, ou seja, o significado psicológico das cores. Este significado que, apesar de não se apresentar de forma absoluta uma vez que nenhuma cor possui o mesmo significado para o universo total de indivíduos, deve ser levado

4 em consideração durante a confecção de um mapa, ou gráfico, uma vez que em determinadas situações poderá contrariar ao entendimento da maioria dos usuários. Como exemplo pode-se citar um mapa de acidentes de veículos com vitimas fatais e sem vitimas fatais. Caso o elaborador do mapa utilize à cor vermelha para os casos de acidentes sem vitimas fatais e uma outra cor qualquer, como a exemplo o verde, para acidentes com vitimas fatais, poderá gerar ruído na comunicação com grande parte dos usuários, uma vez que na cultura ocidental, em geral, associa-se a cor vermelho a elementos/aspectos/eventos negativos (ambulância, semáforo, nota escolar, etc.). A terceira é que a cor de certas convenções cartográficas muito usuais se desobedecidas podem gerar ruído na comunicação, como o caso de estradas e da hidrografia para os quais são utilizados, respectivamente, o vermelho e o azul. Ainda, que determinados mapas temáticos possuem referências de cores pré-estabelecidas como, a exemplo, o mapa de solos. COR/SATURAÇÂO A cor/saturação corresponde a adição/subtração do cinza a cor matiz. Trata-se de uma variável a ser utilizada preferencialmente para a representação de dados diferentes, porém com associação em subgrupos. A cor/saturação é obtida a partir de variações de S e V (simultaneamente) para o modo de cor HSV e, de S para o modo HSL.

5 COR/SATURAÇÂO > dados Qualitativos > Seletividade Associativa S Quanto às variações na cor/saturação são pequenas, esta variável visual pode ser utilizada para expressar a ideia de ordem ou quantidade, principalmente se associada a pequenas variações no matiz (conforme proposta da pesquisadora Cynthia A. Brewer). COR/SATURAÇÂO > dados Quantitativos/Ordenados Q ou O COR/VALOR e/ou VALOR A cor/valor é equivalente a variável visual VALOR, sendo está segunda mais abrangente, pois considera também as variações do branco ao preto, passando pela escala do cinza (acromática) ou, de um mesmo croma. A variável visual valor apresentada por Bertin (1967) corresponde a variável visual brilho (lightness) apresentada por Slocum (1999) e outros autores. A variável visual cor/valor se aplica a tradução de dados que apresentam naturalmente uma ordem e/ou hierarquia (dados ordenados O) e dados quantitativos. Como exemplo pode se citar o pequeno, o médio e o grande, dados que expressam uma ordem de grandeza ou, os anos de 1970, 1980 e 1990 que expressam uma ordem temporal. COR/BRILHO ou VALOR > dados Ordenados/Quantitativos Q ou O Segundo Bertin, Martinelli e outros, a variação de valor se dá pela diversificação da tonalidade de uma mesma cor, quando valores fortes e fracos são representados por tons escuros e claros, o que não necessariamente corresponde a variação somente dos valores de S ou L nos modos de cor HSV e HSL. Também Martinelli (1991:68) admite o uso de variações na tonalidade de uma mesma cor para a variável visual valor, entretanto adverte que esta apenas é percebida nas modulações do valor de uma só cor de base (matiz), ou seja, em uma escala monocromática.

6 Bertin (1967:87) adverte que a variação das cores, ou seja, o uso de cores diferentes não pode ser utilizado para traduzir um componente ordenado. Portanto, mudanças no matiz da cor implicam na alteração da percepção, indicando a presença de dados seletivos. Figura. Variável valor (zonal) Fonte: Observa-se, na figura que as escalas monocromáticas (tons de azul) permitem a percepção da hierarquia dos municípios pela visualização e diferenciação dos pequenos, médios e grandes. O uso desta variável, para implantação de objetos pontuais e lineares, exige um pouco mais de atenção do elaborador do mapa uma vez que pode não apresentar bons resultados se forem utilizados objetos cujo tamanho ou espessura não permitam uma boa distinção visual entre os mesmos. Rodovias não municipais da RMGV em 1996 Rodovia Federal Rodovia Estadual Autor: Tony Órgão: IGC/UFMG Data: 12/ Km 10 Fonte: Adaptado de IJSN/1996

7 Figura. Variável valor (linear) Desta forma, a figura acima, que apresenta a variável visual valor implantada de forma linear, não apresenta bons resultados, pois, por serem muito finas as linhas utilizadas na representação das rodovias, não permitem a identificação correta das mesmas. Apesar das variáveis visuais tamanho e cor/valor se aplicarem a representação de dados que expressam quantidade, a variável visual tamanho é mais empregada quando os valores a serem representados expressam grandezas absolutas. Resumindo:

8 Processo de obtenção Cor: variações A pesquisadora Cynthia A. Brewer descreve ainda a possibilidade de uso de cores com variações entre tons quentes e frios para informar situações antagônicas. Contudo a proposição hot to cold aplica-se a variações de intensidade de fenômeno, sendo portanto similar a variável valor. Atlas escolares e outras produções gráficas apresentam propostas com variações de intensidades ou matizes de cores que associam a noção de intensidade e diversidade podendo ser denominadas de escalas bicromáticas, tricromáticas ou policromáticas, como o caso do clima e do relevo. Figura. Mapa com a variável visual cor variação hot-to-cold Fonte:

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