Seminário Segurança da Informação e Gestão de Risco IESM - 23MAI13. Comunicação do Secretário-Geral Adjunto do MDN. Contra-Almirante Mário Durão

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1 Seminário Segurança da Informação e Gestão de Risco IESM - 23MAI13 Comunicação do Secretário-Geral Adjunto do MDN Contra-Almirante Mário Durão Enquadramento Durante mais de 30 anos da minha vida profissional, tenho sido responsável pela gestão de SI/TIC, primeiro na Marinha e, nestes últimos anos, na SG do MDN. Ao longo destes anos, tive sempre presente a importância da informação como um recurso vital para a vida dos Estados, das organizações e dos indivíduos. Acresce que, sendo militar, foi para mim desde sempre muito claro a importância da informação para a operacionalidade das Forças Armadas e sobretudo para a condução das operações militares, onde é determinante reconhecer, a importância do conceito de superioridade de informação, essencialmente porque elimina as opções do inimigo melhorando as das nossas forças e porque permite operações mais rápidas, com maior taxa de sucesso e menor custo. Ora, sendo a informação um recurso vital é fundamental protegê-la e garantir a sua segurança, surgindo desta forma o tema da segurança da informação. Este tema, nos últimos anos, tem merecido uma enorme atenção, com a organização de inúmeros eventos (como este) e uma vastíssima cobertura nos meios de comunicação especializados. Do que se lê, se ouve, ou se comenta, constata-se que há efetivamente uma preocupação muito abrangente com a segurança da informação, que hoje em dia, é largamente potenciada pela utilização generalizada do ciberespaço (genericamente a Internet).

2 E se o tema da segurança da informação constitui preocupação para a sociedade e para os profissionais em geral, para todos os que trabalham ou estão diretamente ligados aos SI/TIC, diria que hoje em dia, é impossível ignorar a questão da segurança da informação. Mesmo dispondo de uma boa segurança física, da melhor e mais atualizada tecnologia, dos recursos humanos mais qualificados e da organização mais adequada, sabemos que não existem organizações 100% seguras (o que existe é um maior ou menor grau de segurança implementado) pelo que perante o desafio de proteger a informação à nossa guarda as questões da segurança da informação e igualmente da gestão dos riscos, não podem deixar de constituir preocupações constantes. Assim, perante o tema deste Seminário, e não sendo um especialista de segurança da informação nem de gestão do risco mas apenas um responsável por importantes SI/TIC no âmbito da Defesa, optei por partilhar convosco as minhas preocupações (que serão certamente as da maioria dos responsáveis de SI/TIC) e falar-vos da forma como na Defesa, mais propriamente nos Serviços Centrais do MDN (que é a situação que conheço melhor) abordamos e procuramos ultrapassar essas mesmas preocupações Lembrarei que o MDN não deixa de ser o caso de: uma organização grande e complexa, que processa um enorme volume de informação quase sempre importante e muitas vezes sensível, cujo funcionamento, hoje em dia, depende de forma crítica da utilização dos SI/TIC, que não pode deixar de estar presente e de operar no ciberespaço, que por esta mesma razão está sujeita, como qualquer outra organização, a ameaças e ataques, que tem necessidade de proteger e garantir a segurança da sua informação e que necessita de saber gerir o riscos.

3 Segurança da informação em geral Antes porém de abordarmos o caso da Defesa, creio que vale a pena falar um pouco de segurança da informação em geral. Se o tema da informação pode ser abordado sob inúmeros aspetos, a necessidade de proteger essa informação e garantir a sua segurança, implica que o tema da segurança da informação, seja igualmente um tema extraordinariamente vasto. Podemos analisá-lo em múltiplas dimensões (organizacional, física, tecnológica, humana, etc.), cobrindo uma multitude de tecnologias, englobando inúmeras disciplinas e envolvendo um largo espectro de profissionais. No entanto, de um modo geral, podemos dizer que nos últimos 30 anos, a segurança da informação evoluiu de uma disciplina essencialmente técnica, para um conceito estratégico e que passou igualmente de uma segurança baseada na previsibilidade, para uma segurança orientada para ameaças que são cada vez mais difusas na forma, na origem, no espaço e até nos atores, devendo-se grande parte desta transformação à utilização crescente do ciberespaço, que possibilitou a existência de novos mecanismos que permitem aumentar a velocidade, a escala e a potência dos ataques. Quanto às ameaças, ainda que a sua natureza não se tenha alterado, elas têm evoluído. Se até aos anos 90 s, as ameaças eram essencialmente físicas, a partir daí, com o enorme incremento da conectividade e com a generalização do uso das redes, dado que a esse aumento da conectividade não correspondeu um aumento equivalente da segurança nas redes, as ameaças passaram a ser veiculadas através dessas redes explorando as suas vulnerabilidades. É o que já foi apelidado de lado negro da conetividade. Ora, como na sociedade de hoje e da forma como vivemos, é quase impossível optarmos por estar desligados, temos como consequência que a generalidade dos SI e das infraestruturas críticas passaram a estar potencialmente ameaçadas. Acresce que, hoje em dia, por questões de produtividade, a generalidade das organizações não podem deixar de

4 utilizar o correio electrónico, as aplicações webizadas ou os dispositivos moveis que precisamente passaram a constituir os principais veículos dos ataques. No entanto, a fraude, o roubo de identidade, o software malicioso (malaware) e o spam (com as acções de denial of service ) continuam a ser as principais ameaças através das quais se materializam a maior parte dos ataques Naturalmente, decorrente das ameaças, os principais riscos para as organizações serão: A perda de operacionalidade, as implicações na continuidade do negócio e a degradação da imagem da organização. Neste enquadramento de ameaças e riscos, uma palavra sobre o ciberespaço essencialmente a Internet, que é cada vez mais uma questão nuclear de enorme relevância no nosso quotidiano. A par com as redes móveis, que utilizamos nos aspetos mais elementares da nossa vida, a Internet é importante pelos serviços que nos disponibiliza (correio eletrónico, WEB, acesso remoto, trabalho colaborativo, transmissão de áudio e vídeo, educação, marketing) enquanto a nível empresarial, o cloud computing está a ter uma aceitação crescente e as redes sociais crescem exponencialmente. Tudo isto ocorre através da Internet que por sua vez é uma realidade que não tem fronteiras, não tem legislação universal e não é governada por uma qualquer organização. Muito por estas razões, a sua utilização generalizada, acaba por colocar inúmeros problemas de segurança ainda que muitas vezes potenciados pelos próprios utilizadores. Uma vez mais, a questão fundamental é a de saber como vai ser possível harmonizar a quase obrigatoriedade de utilizar o ciberespaço (WEB, cloud computing, correio eletrónico) com a necessidade de garantirmos a segurança da informação, até porque é importante lembrar que mais segurança da informação implica menor facilidade de acesso a essa informação a qual, para ser útil, terá de ser acedida.

5 Segurança da informação no MDN O MDN, é uma organização grande e complexa (SCS s, EMGFA, Ramos, IASFA) onde a informação é vital para a sua operacionalidade e onde não podemos deixar de estar em rede nem de utilizar o ciberespaço. Em termos dos principais SI, existe essencialmente a informação de gestão (na esfera de competência da SG) e a informação operacional (na esfera de competência do EMGFA e dos Ramos). Relativamente à informação de gestão, a mesma está subordinada à implementação de uma política integradora dos SI, arquitetada em: Um sistema integrado de gestão (SIG), baseado num (ERP SAP), um Centro de Dados único (CDD) e um sistema de comunicações integrado (RFTR a cargo do EMGFA). No âmbito desta política integradora, o CDD assume um papel relevante e decisivo no que diz respeito às preocupações com a segurança da informação porque é um Centro de Dados de grande dimensão, gere a Rede de Dados da Defesa (sendo a principal infraestrutura de serviços partilhados do MDN) e gere a Internet no MDN. Para além disto, aloja o SIG, os sistemas legados, a ADM, a Intranet e correio eletrónico do MDN. E como é que o CDD está organizado? Naturalmente (como qualquer centro de grande dimensão), o CDD dispõe de uma organização para a segurança da informação e dos meios físicos, humanos e tecnológicos adequados para promover essa segurança da informação. No entanto, estando em crer, não ser apropriado no âmbito deste Seminário, uma descrição exaustiva da organização e dos meios físicos, humanos e tecnológicos existentes no CDD, afirmarei apenas que no que diz respeito à organização para a segurança da informação, ela aponta para combater as ameaças internas e externas com o objetivo de manter a integridade, a disponibilidade e a confidencialidade da informação, por forma a assegurar a manutenção da operacionalidade, a continuidade do negócio e a proteção da imagem do MDN.

6 Neste sentido, procuramos identificar as ameaças, identificar as vulnerabilidades, identificar os tipos de informação a proteger, analisar as possíveis implicações na continuidade do negócio e através da gestão do risco, definir os níveis de segurança adequados a cada tipo de informação (como sabemos nem toda a informação tem de ser protegida). Procuramos igualmente atuar preventivamente procurando reduzir o impacto de eventuais incidentes e procurando acelerar a recuperação através do planeamento da resposta e da recuperação. Naturalmente, existem planos de contingência e em termos de Disaster Recovery, existe a firme intenção da criação de um Centro de Dados Alternativo (CDA). Considerações finais Sumarizando, diria que a segurança da informação, tem de ser uma preocupação constante e que a escassez de recursos humanos, materiais e financeiros que vai afetando todas as áreas funcionais das organizações, incluindo os SI/TIC, deverá ser mitigada no que diz respeito aos investimentos em segurança da informação. No entanto, diz-me a experiência, que porventura o aspeto fundamental a ter em conta será a capacidade para em cada momento e a todos os níveis das organizações, ser possível desenvolver uma forte cultura de segurança através de ações de formação e sensibilização, que alertem toda a organização para a importância e para a criticidade de proteger a informação, motivando as pessoas para atuarem preventivamente sobre os vários aspetos da segurança da informação ao mesmo tempo que deverá ser feita uma cuidada gestão do risco, elaborando planos de ação que permitam uma resposta pronta e eficaz e uma recuperação rápida na eventualidade de qualquer incidente.

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