Leilão da UHE Três Irmãos 002/2014

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1 1 Leilão da UHE Três Irmãos 002/2014 Realização: 28/03/2014 Análise Pré-leilão Análise Pós-leilão (Esta análise foi distribuída às 17:00 do dia 27/03/2014) No dia 28 de março de 2014 será realizado o leilão de licitação para outorga de concessão da Usina Hidrelétrica Três Irmãos. Será o primeiro leilão de uma usina hidrelétrica sob o novo regime de concessões estabelecido pela Lei (MP 579) em que a energia é comercializada por meio de cotas de garantia física de energia e potência. A Usina está localizada no Rio Tietê, município de Pereira Barreto, estado de São Paulo, e tem uma capacidade instalada de 807,5 MW e uma garantia física de 217,5 MWmédios. A concessão da UHE Três Irmãos à Companhia Energética de São Paulo (Cesp) expirou em Como a Cesp optou por não aderir à prorrogação antecipada oferecida pelo governo por meio da Medida Provisória 579 no final do ano de 2012, a usina vem sendo operada sob um regime de prestação temporária de serviços de operação e manutenção até que seja feita uma nova licitação para contratar uma nova concessionária. Neste período a Cesp já não comercializa a energia proveniente da usina; a sua energia é cedida às distribuidoras por meio do regime de cotas reguladas, conforme estabelecido na Portaria MME 125/13. O leilão da usina já foi adiado duas vezes. Inicialmente agendado para set/13 e, por iniciativa da Aneel, postergado para 31/jan/14, foi novamente adiado para 28/mar/14. O motivo alegado para o atraso foi a necessidade de implementar revisões ao Edital de Licitação. O Edital definitivo foi aprovado pela Aneel em 25/fev/14, após realização da Audiência Pública 001/14. A Cesp solicitou Impugnação Administrativa do Edital alegando que o mesmo não contemplava todas as instalações vinculadas à concessão da usina, especificamente as eclusas e o canal de Pereira Barreto. Embora a Aneel reconheça que o canal proporciona maior flexibilidade operacional, a agência considerou que a finalidade dessas instalações é primordialmente voltada à navegação na Hidrovia Tietê-Paraná, não as caracterizando como estruturas inerentes ao serviço de geração de energia elétrica conforme requerido pelos Decretos /1976 e /1981. Segundo a Aneel, essas instalações devem ser

2 2 custeadas pelos consumidores do serviço de transporte aquaviário, e não pelos consumidores do serviço de geração de energia elétrica. A Cesp ingressou com pedido de liminar para suspender o leilão na Justiça Federal, mas teve seu pedido negado, ao qual recorreu. A Cesp também recorreu ao Tribunal de Contas da União, mas o pedido não entrou na pauta da reunião do Tribunal a tempo de ser considerado antes da realização do certame. De acordo com a Portaria MME 214/13, apenas poderão participar do leilão, como proponentes, pessoas jurídicas que tenham operado de forma satisfatória pelo menos uma usina hidrelétrica despachada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), com reservatório de regularização mensal das vazões afluente, e potência de pelo menos 60 MW por pelo menos cinco anos. No caso de consórcios, pelo menos uma das empresas consorciadas, com participação mínima de 20%, deverá atender a tais requisitos. Para participar do certame as proponentes devem apresentar uma Garantia de Participação equivalente a 1% do Custo de Gestão dos Ativos de Geração (GAG) teto, que em jan/14 foi fixado pela Aneel em R$ ,87. A proponente vencedora do certame celebrará um contrato de concessão com prazo de 30 anos. Ela será remunerada por meio da Receita Anual de Geração (RAG) cobrada, em parcelas duodecimais, composta por GAG, Encargo de Uso do Sistema de Distribuição ou Transmissão (EU) e Encargo de Conexão (EC) e estará sujeita a desconto por indisponibilidade ou desempenho da geração (AjI). Os custos referentes à Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH) serão cobrados do gerador pela Aneel, devendo ser ressarcidos pelas distribuidoras na proporção das cotas e de acordo com os termos estabelecidos pela Resolução Normativa 514/12. A RAG poderá ser revista caso haja revisão da garantia física por motivo outro que de alteração da outorga do uso de recursos hídricos. Além disso, qualquer alteração de encargos legais implicará a revisão da RAG para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro da concessão. De acordo com o contrato de concessão, a concessionária não arcará com os riscos hidrológicos nem com os resultados financeiros do Mecanismo de Realocação de Energia (MRE) associados à Usina Hidrelétrica. Tais riscos serão assumidos pelas distribuidoras cotistas, conforme regulamentação da Aneel. Será vencedora do leilão a proponente que apresentar o menor valor para o GAG, valor este que inclui os custos de operação, manutenção, administração, remuneração e

3 3 amortização da usina hidrelétrica. O GAG será atualizado para 30/jun/14 pela variação do índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e a cada ano pelo IPCA e pelo Fator X. A primeira revisão tarifária será feita em 01/jul/18 e as revisões subsequentes serão realizadas a cada cinco anos. O Fator X servirá para estimular a eficiência e capturar ganhos de produtividade para o consumidor. O Fator X nos reajustes anuais que antecederem à primeira revisão será igual a zero. A remuneração dos investimentos realizados em ampliações e melhorias não considerados no cálculo do GAG inicial serão avaliados a partir da próxima revisão tarifária e incorporados à tarifa conforme regulamentação a ser definida pela Aneel segundo os termos do art. 1º da Lei nº /13 e da Portaria MME 418/13. Caso a concessionária deseje ampliar a usina, deverá elaborar estudos para identificação do aproveitamento ótimo e manter os padrões de qualidade do serviço de geração e a adequada estrutura de operação e conservação dos equipamentos e das instalações. Os custos incorridos e os investimentos realizados na ampliação serão avaliados e incorporados à RAG no processo de revisão tarifária subsequente. A concessionária deverá: ser associada da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE); participar do Mecanismo de Realocação de Energia (MRE); ser membro do ONS; obedecer aos procedimentos de rede e orientações do ONS; e terá um prazo de 60 dias após o início da vigência do contrato de concessão para firmar o Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (Cust) com o ONS e o Contrato de Conexão à Transmissão (CCT) com a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP). Entre outras obrigações apresentadas no contrato de concessão, a concessionária deverá: realizar a gestão dos reservatórios da Usina; respeitar os limites das vazões de restrição, máxima e mínima, a jusante da Usina; manter pessoal técnico e administrativo; cumprir a legislação ambiental e de recursos hídricos; avaliar a segurança das estruturas da Usina; subsidiar ou participar do planejamento do setor elétrico; realizar a gestão documental; assegurar que a operação da Usina seja realizada, preferencialmente, por trabalhadores que exerçam suas funções no referido empreendimento; e aplicar anualmente um montante mínimo de 1% de sua receita em pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico. Em caso de descumprimento das disposições contratuais, a concessionária estará sujeita à penalidade de multa, aplicada pela Aneel, no valor máximo, por infração incorrida, de até 2% do valor da RAG. Em relação às Regras de Transição, o contrato de concessão poderá ter a sua vigência com início em até seis meses a partir da data de sua assinatura. O prazo compreendido entre a data de assinatura do contrato de concessão e a sua efetiva vigência será denominado como período de Operação Assistida. Durante este período, a futura

4 4 concessionária deverá: ter assegurado acesso às instalações da usina; dispor de espaço para montar escritório, estocar materiais, e estacionar veículos; ter acesso ao sistema de telefonia e aos sistemas de informática de direto interesse à transição; e ter acesso às informações necessárias à operação da UHE para a assunção do serviço. De acordo com o art. 9º da Lei /13, não havendo a prorrogação do prazo de concessão, o titular permanecerá como o responsável por sua prestação até a assunção do novo concessionário e assim ser o único beneficiário da RAG. O Edital presume que as informações constantes no Anexo 2 do Edital, no Data Room, na visita técnica às instalações da Usina e nos esclarecimentos apresentados nos Comunicados Relevantes publicados pela Comissão Especial de Licitação da Aneel, são suficientes para elaboração da proposta pelos proponentes. Elas deverão atender às obrigações decorrentes de Termos de Ajuste de Conduta (TAC) celebrados pela atual responsável geração de energia da Usina (Cesp) e às Condicionantes da Licença Ambiental de Operação (LO). No início do leilão, as proponentes aptas a participar do certame deverão apresentar envelope contendo sua proposta financeira ou a manifestação de não interesse para o objeto do leilão. A proponente vencedora será aquela que ofertar o menor valor de GAG. Caso a diferença entre os valores propostos pelas demais proponentes forem inferiores a 5% da menor oferta financeira, o leilão prosseguirá com lances sucessivos na modalidade viva-voz. Caso não sejam efetuados lances por viva-voz, a proponente que apresentar a menor proposta financeira por envelope será a vencedora. Se houver empate entre as propostas de menor valor apresentadas nos envelopes e não serem efetuados lances por viva-voz, a proponente vencedora será definida por sorteio. O leilão será realizado com inversão da ordem de fases do processo de habilitação, nos termos do art. 18-A, da Lei nº 8.987/1995, com verificação de qualificação dos vencedores após a realização do certame. Os documentos deverão ser entregues até 28/abr. Entre os documentos de habilitação, encontram-se: o comprovante de registro e regularidade do(s) responsável(eis) técnico(s) da proponente no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea); a não constatação em Certidão Civil de Falência; as demonstrações contábeis do último exercício social; a comprovação do Património Líquido Mínimo de R$ 90,7 milhões; a comprovação da boa situação financeira da proponente, apresentando quocientes de Liquidez Geral (LG) e de Liquidez Corrente (LC) iguais ou maiores que 0,4 (caso contrário deverão comprovar que possuem um Capital Social Mínimo de R$ 66.7 milhões); Certidão Negativa de Débito da Previdência Social (CND); Certificado de Regularidade do FGRS (SCF); Certidão Conjunta Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais; Certidão Negativa de regularidade fiscal; e Certidão Negativa de Débitos

5 5 Trabalhistas. Se a proponente vencedora não for considerada habilitada, poderão ser convocadas as outras proponentes de acordo com a ordem crescente das propostas financeiras apresentadas no leilão até o atendimento às condições de habilitação por uma proponente. O leilão está agendado para o dia 28 de março e ocorrerá ás 10 horas na BMF&BOVESPA, Rua XV de Novembro nº São Paulo. O Instituto Acende Brasil acompanha os leilões regulados de energia elétrica no formato de Análises Pré e Pós-leilões, disponíveis em > Análise de Leilões.

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